Linha Tênue
3 Capítulo 3
“A amizade é uma predisposição recíproca que torna dois seres igualmente ciosos da felicidade um do outro...” – Platão.
POV da Fatinha.
Respirei o mais fundo que consegui e entrei literalmente com o pé direito no hospital. Fui até a recepção onde uma jovem de cabelos bem negros sorria pra mim.
- Buenos dias señora, como puedo ayudarla? – Falou em seu Espanhol impecável e novamente sorriu.
- Hola, buen dia. Yo soy Maria de Fátima y estoy aqui para empezar residência em este hospital. – falei com o meu espanhol pouco praticado. E sorri.
- Ay, si. Voy a llamar El doctor Henrique. El es chefe. – disse e pegou o seu telefone branquíssimo e discou o que parecia ser um ramal. – Doctor estoy aqui com la senhorita Maria de Fátima, la nueva residente... si, ok. Voy a decir. – finalizou e descansou o telefone na base. – Por favor, quieres acompañarme? – Fiz que sim e segui por um corredor enorme co as paredes desenhadas de bichinhos e flores. Típico de um hospital infantil, certo? Chegamos a uma porta azul bebê e a recepcionista Amanda se despediu e voltou ao seu posto. Eu dei uma batida na porta e ouvi um “entre” assim que abri a porta dei de cara com um medico jovem demais pra ser um chefe de setor, alto, loiro, de porte atlético. Bonito...
- Maria de Fátima? – falou em português e eu estranhei. Oras então era brasileiro? Bom saber.
- Eu mesma, e o senhor deve ser o doutor Henrique, acertei? – perguntei e sorri pra ele.
- Em cheio. – sorriu – e sem esse “senhor” ai. Porque acho que sou poucos anos mais velho que você. Sente-se – ordenou e eu sentei na cadeira a frente de sua mesa. – Preparada doutora?
- Como nunca estive senh... Henrique. – sorri.
- Certo. Venha vou te mostrar a sala dos médicos, seu armário, consultório e a ala das enfermarias. – Levantou-se e eu o segui.
Saímos pelos corredores e ele foi me apresentando cada espaço daquele lugar, era tão bonito, harmonioso. Nem parecia um hospital. Chegamos a sala dos médicos e lá dentro havia uns seis tomando café. Ele aclarou a garganta chamando atenção pra si.
- Galera da medicina, essa é a nossa mais nova companheira. Maria é brasileira e veio fazer residência aqui conosco. – ele indagou me apresentando. E logo um rapaz também alto e com um belo porte, porem dessa vez moreno veio me cumprimentar.
- Bom dia. Espero poder ajudar à senhorita no que precisar. Meu nome é Arthur. – sorriu e eu sorri de volta.
- É um prazer trabalhar aqui com vocês, muito obrigada pela acolhida. — disse para todos e eles vieram me cumprimentar. Um por um, desse meio alem de mim, e Henrique três eram brasileiros. Arthur, Luciana e Helena. Os outros eram espanhóis. Os brasileiros fizeram uma festa, disseram que eu era mais uma pro time do Zico. E eu sorri. Mal sabiam eles que eu era botafoguense. – Por favor, senão for muito abuso, peço que me chamem de Fatinha. É assim que me chama lá em casa.
- É claro, pode deixar com a gente Fatinha. – Luciana respondeu. – quer café? – perguntou e eu neguei com a cabeça.
- Já tomei café em casa obrigada.
- Bem, o papo esta ótimo, mas vamos trabalhar meu povo? – o chefe disse e todos nós sorrimos.
- Ela mal chegou já vai querer ir embora, qual é doctor. Deixa a menina chegar primeiro! – Arthur falou e os outros inclusive o Henrique sorriu.
- Rá, rá palhaço. Vamos logo, você não tem consulta pra agora não é? – olhou no relógio. – ai já são oito horas. Acabou o descanso. Ao trabalho! – um por um foi pegado seu estetoscópio, prancheta ia saindo. Eu fiquei por ultimo, não sabia pra onde ir ainda. – hoje você fica na emergência ok? – Henrique disse parecendo ler meus pensamentos. – vou te levar até lá.
- Aham. – peguei minhas coisas, vesti meu jaleco branco com o escrito “Dra. Maria de Fátima – Pediatra” em lilás, e segui o meu chefe.
Fim do POV da Fatinha.
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