“Aquilo que se faz por amor está sempre além do bem e do mal.” — Friedrich Nietzsche.

Voltou a sala com melhor sorriso que pode. E deu de cara com Fatinha ainda assustada com a “fuga” repentina dele.

- Melhorou? – Ela perguntou pausadamente.

- Sim! Estou. – manteve o sorriso falso nos lábios. – queria te dar os parabéns pelo casamento. Estou muito feliz por você.

- Mesmo Bruno? Que felicidade de saber que você me apoia. – o puxou para um abraço. – assim que Arthur chega de Minas, quero que vocês se conheçam. – ela disse feliz.

- Claro vai ser um prazer conhece-lo. – partiu o abraço.

- Certo! Agora eu vou lá na casa dos meus pais. Preciso dar o ar na minha graça, eles não fazem ideia de que já estou aqui. – ele assentiu e foi com ela até a porta.

- Tchau amiga. Mande beijos a todos de lá. – se despediram e Bruno voltou pra sala. Tinha que falar com a irmã e tinha que ser agora. Não quis ligar, então mandou um sms. Sabia que ela viria.

“Jujuba, preciso de você aqui em casa agora! Beijos.”

Curto e grosso! Sabia que Juliana não hesitaria em pegar o carro e ir pra lá. E não demorou muito, em meia hora ela já estava tocando a campainha.

- O que aconteceu pra você me querer aqui tão depressa? – Juliana perguntou assim que o irmão abriu a porta.

- Entra... – deu espaço pra irmã entrar e trancou a porta. – Ela vai casar, Ju! – por fim desfez todo aquele disfarce de todo-poderoso inabalável.

- Ela quem? Quem vai casar Bruno? – Juliana perguntou preocupada com a cara do irmão.

- A Fatinha. Ela voltou e veio aqui me contar que vai casar. E como assim ela vai casar com aquele cara, Ju? Como? – abraçou a irmã que ainda estava tonta com tanta informação.

- Voltou? Quando? E casar? Não Bruno a Fatinha não vai casar, te acalma. Deve ser um delírio seu. – afagou os cabelos do irmão.

- Não Juliana! É verdade ela veio aqui, hoje e me disse. E eu tive que fingir que estava feliz. Mais eu não estou feliz Ju e nem vou ficar. – disse e por fim se entregou a um choro sentido. Estava mais do que na cara que ele era completamente apaixonado pela Fatinha.

- Oh meu irmão, você quer conversar? Desabafar comigo? – ele apenas assentiu e foi pro quarto com a irmão nos seus calcanhares. Deitaram na cama e Bruno apoio a cabeça nas pernas da irmã, que fazia carinho nos seus cabelos.

- Eu amo a Fatinha, irmã. Amo muito! Desde pequeno. E eu achava que ela um dia fosse gostar de mim também. – fungou. E Juliana interrompeu.

- Você já contou pra ela?

- Não. Nunca Ju e não vai ser agora que vou fazer isso! Ela está feliz, então eu tenho que estar também.

- Bruno me responde uma coisa, vocês dois já tiveram alguma coisa? – Juliana perguntou efusiva.

- Já... – Bruno começou mais se calou em seguida, ninguém sabia que aquilo tinha acontecido.

- Eu sabia. Meu Deus, esse apego de vocês não era normal para somente uma amizade.

- Juliana, deixa eu contar tudo logo de uma vez senão capaz de essa angustia explodir dentro de mim. – a irmã assentiu e bruno começou... – Foi quanto tínhamos 17 anos, era o aniversário da Fatinha e ela tinha combinado de sair com o namoradinho pra comemorar. E eu como sempre estava no encalço dela.

POV do Bruno.

Março de 2007 – 20 horas. – festa de aniversário da Fatinha.

- A festa está ótima amiga. Meus parabéns. – parabenizei-a e lhe dei um abraço. Mas percebei que a mesma não estava com a animação de uma aniversariante.

- Obrigada! – Ela agradeceu assim que partirmos o abraço.

- Aconteceu alguma coisa? Por que está triste é o seu aniversário. – Eu perguntei como se fosse obvio.

- Não é nada... Bruno você me acha feia? Digo esquisita ou sei la, me acha? – eu prontamente neguei com a cabeça, para mim, ela era a menina mais bonita de todas. Desde que nos conhecemos.

- Logico que não! Mas porque está perguntando uma besteira dessa?

- Por que o Lucas... Ele não quis ficar comigo. Poxa Bruno tínhamos combinado que seria hoje e ele me deu um bolo e nem ligou pra se desculpar. Devo ser horrorosa, só tem essa explicação.

- Não fica assim. Ele é um babaca. Sempre foi! – eu sequei uma lagrima que caia dos olhos dela.

- Me leva daqui? Não quero saber mais de festa. Me leva pra sua casa, por favor!

- Claro, vamos. – Nós damos as mãos e foram caminhando até a casa dos meus pais.

Quando chegamos ela ficou meio apreensiva, pois Juliana e meus pais poderiam estar em casa. E eu tratei logo de tranquilizá-la, meus pais e Ju tinham ido pra Angra passar o final de semana na nossa casa de praia. Subimos até o meu quarto e Fatinha sentou-se na cama e voltou a chorar, eu me aproximei cauteloso e sentei ao lado dela e voltei a secar suas lagrimas.

- Porque ele fez isso comigo, Bruno? – perguntou suspirando. – o que eu tenho de errado? – voltou a perguntar e eu a abracei. Afagando os seus cabelos em seguida.

- Você não tem nada de errado, Fatinha. Nada, eu já disse ele não te merece, não merece suas lagrimas. Por favor, não chore linda! – eu ia saindo do abraço quando ela me puxou e me fez olha-la. – o que foi?

- Ia ser a minha primeira vez! E eu queria tanto que fosse especial. Mais agora aquele imbecil estragou tudo! – indagou pausadamente e baixou o olhar para o chão.

- Não fica assim, você vai ter o seu momento especial amiga. Mais cedo ou mais tarde!

- Mais eu quero hoje! – ela disse seria me encarado. E eu sustentei o olhar sério – por favor, Bruno. Fica comigo. – Eu fiquei mais assustado ainda. Como assim, ela queria perder a virgindade comigo?

- Mas Fatinha, somos amigos e.... e não podemos, quero dizer isso lá é certo? – perguntei nervoso.

- Podemos sim. Nunca ninguém disse que era proibido Bruno, porque, você não quer? – ela me olhou de um jeito que fez meus olhos queimarem em brasa em cima dela. Fora quando eu não disse mais nada e puxei-a para um abraço e sempre pensei no certo e errado colei nossos lábios em um beijo calmo. Fatinha correspondeu de pronto e eu aprofundei o beijo, ficamos nos beijando até que o ar faltou. Nos separamos e ela sorriu tímida.

- Você tem certeza? – fiz essa pergunta torcendo mentalmente para que ela dissesse que sim.

- Absoluta. Não existe homem melhor do que você pra esse momento. – Ela falou e então eu me levantei trazendo-a junto comigo. Demos outro abraço e quando nos separamos eu comecei a despi-la tirei sua blusa e em seguida a ajudei a tirar a calça. Ela já estava só de roupa intima e me olhava envergonhada, sorri e beijei sua testa. Fui deitando-a na cama devagar e ela tirou a camiseta preta quem usava, deitei por cima dela e lhe dei um selinho.

- Vou cuidar de você! – beijei sua bochecha e terminei de despi-la e de tirar a minha roupa...

Essa noite fizemos pura e simplesmente amor, único e digno de Bruno e Fatinha, de carinhos, abraços e principalmente com cumplicidade que sempre tínhamos. A noite parecia não querer chegar ao fim, mais acabou e eu acordei com um peso nos meus ombros e quando olhei era ela. Estava adormecida nos meus braços com os cabelos jogados pelo travesseiro. Sorri e lhe dei um beijo na cabeça. Sai da cama tentando fazer menos barulho possível e fui ao banheiro tratar de me desfazer do preservativo, aproveitei e já fui fazendo minha higiene e quando voltei Fatinha já estava vestida com sua roupa do dia anterior e me olhava com uma careta assustada.

- O que foi? – perguntei chegando mais perto. E ela virou o rosto.

- Não foi nada, eu só queria agradecer pela noite que tivemos e fazer um pedido. – ela me encarou e forçou um sorriso.

- Primeiro: Não agradeça, foi ótimo ter sido o seu primeiro. Segundo: Peça o que quiser.

- Por favor, podemos manter isso em segredo? Não que eu tenha vergonha de assumir o que fizemos, mas acho que vai ser melhor assim. Somente com nós dois sabendo do que houve. Pode ser? – pediu enquanto me abraçava. E eu suspirei. Sabia que ela pediria algo desse tipo e até acho justo. Se as meninas já nos zoavam quando se quer tínhamos dado um beijo, imagina se elas soubessem do que tinha acontecido? Melhor não mesmo.

- Por mim tudo bem. Sem problemas! – sorri mesmo que a contragosto. Eu na verdade queria tê-la pedido em namoro depois daquela noite. Mas, não deu e eu guardei esse sentimento, por todos esses anos.

Fim do POV do Bruno.

Notas finais
O que acharam? Mereço comentários? Beijos!!