Like a Vampire 4: Endgame

29 Epílogo: O começo do fim


Notas iniciais
Capítulo final da quarta temporadaaaa Vejo vocês no próximo (e último) livro, e besos de luzzz

Normalmente os dias após bailes já eram uma bagunça. Cansaço, limpeza a ser feita, e algumas discussões a serem resolvidas.

Mas aquela manhã em específico já havia feito todos acordarem com dor de cabeça e nervoso.

Mal eram sete horas da manhã, e a patrulha já estava toda acordada. Uma imagem nada comum, considerando que quase todos os membros eram seres da tarde.

Mas problemas precisavam ser resolvidos. Com urgência.

—É. Eles não vão descer tão cedo.- Ayato fofocou, olhando pra parede do quarto.

—Espero que eles não resolvam se espancar com só a Diana lá dentro pra separar eles.- Subaru opinou.- Se tem uma coisa que ela não precisa é mais coisa com o que se preocupar.

Nenhum dos presentes se deu o trabalho de corrigir seu erro. Já era quase o apelido da Hudison áquele ponto.

—Ela podia se casar logo com o príncipe.- Kanato bufou- Ia resolver tanta coisa pra ela.

—Ia?- Mao questionou- Eu acho que ia só piorar as coisas. A Cousie mal precisa de mais motivo pra odiar a menina.

—Concordo. E ela nem tem ideia do que a coitada despertou quando o maior pretendente da Haruka convidou ela pra dançar.- Sol concordou.

Yui e Jackson soltaram um suspiro juntos.

Priya abriu a porta, meio apressada. Na sua mão, um grande buquê de rosas vermelhas.

—Alguém sabe onde tá a minha irmã?- Priya questionou.

—Qual das?- Kanato murmurou.

—Daayene, ué.- A Hudison respondeu como se fosse óbvio.

Subaru apontou pra porta:

—Conversando com o Shu e o Yuma.

—Ainda?- Priya respirou fundo, tentando ignorar o quanto estava cansada.- Se ela sair, dá pra vocês falaram que o Marko deixou essas flores pra ela?

—Onde você vai?- Yui questionou, meio preocupada.

—Diferente de muita gente nessa fortaleza, eu trabalho.

—Pra Cousie.- Ayato retrucou.

—Continua sendo um trabalho.- Priya ajeitou o broche de mão da rainha.- E talvez as coisas só piorem daqui pra frente, considerando que minha irmã está flertando com o cara que minha chefe queria arrumar pra irmã dela.

Priya respirou fundo depois da grande fala.

Haja folêgo.

—Buenos dias, Nekos e Nekas!- Kou chegou cantarolando e tremendo a língua- O dia mal começou e já estão todos aquecendo com fofoca?

—Melhor do que te ouvir cantando.- Subaru reclamou.

—Ah, belas flores, Pripri!- Kou sorriu- O Yuma que te deu?

Priya segurou a risada:

—Claro. Seu irmão, símbolo do romantismo, ia mesmo entregar flores pra mim mesmo com a gente não tendo absolutamente nada. Ahã.

—Ah, não custa nada sonhar.- Kou riu- De quem é então.

—Marko deixou pra Daay.- Priya falou como se não fosse nada- Não são lindas?

Kou deu uma pequena arregalada nos olhos.

—Ah. Eu não sabia que ele estava… sério. Em relação á Daayene.

—Eu ainda acho ele suspeitamente perfeito demais.- Mao retrucou.

—Ele pareceu um cara bem digno.- Yui comentou.

—Eu concordo com o quatro olhos.- Ayato respondeu.

—Graças a Deus a Daay não precisa da permissão de nenhum de vocês.- Priya sorriu cinicamente- Kou, pode entregar por mim quando você ver ela? Eu combinei de me encontrar com a Cousie a… cinco minutos atrás.

Kou fez uma careta, num silêncio tenso.

—…Eu posso entregar.- Subaru sugeriu- Eu sei cuidar de plantas.

—Ah, que ótimo!- Priya entregou o buquê pro albino- Tem um bilhete, mas eu não me dei o direito de ler porque eu sinceramente não quero ver as baboseiras de flerte pra minha irmã. Espero que tenham o mesmo senso.

Subaru concordou. Priya então foi-se embora, marchando.

—O que você tem, Mukami?- Kanato zombou- Ciúmes?

—Não enche, Sakamaki.- Kou forçou um sorriso- Eu pelo menos tenho possibilidade de escolher entre dezenas das minhas fãs pra sair.

—E eu pelo menos pude sair… ou melhor, namorar, com uma menina que realmente gosta de mim.- Kanato deu de ombros.

Kou ameaçou ir avançar em Kanato, mas Sol se levantou na hora:

—Pode parar. Tudo que a gente menos precisa agora é mais macho causando escândalo.

Kou bufou e revirou os olhos antes de dar as costas e ir embora.

—Eu não me arrependo de nada que falei.- Kanato justificou- É verdade.

—Disso eu não duvido.- Jackson suspirou.

O quarteto de amigos se entreolhou, completamente tensos.
—_______________________________

—Tá. Espera. Pode rebobinar a fita?- Yuma pediu de novo.

—Você precisa de um papel e uma caneta?- Shu debochou.

—Cala a boca.- Yuma rosnou.

—Tá. Eu vou tentar explicar melhor.- Daayene pigarreou- Ok. Hã… Você por acaso já assistiu ou leu Harry Potter?

Yuma e Shu negaram. Daayene fez uma careta.

—Tá. Imaginem o seguinte. A vida é um grande vídeo no youtube.- Ela tentou explicar- Suponhamos que agora vocês estejam no minuto 19.

—Essa é minha idade.- Shu respondeu, levando um soco de Yuma.

—Enquanto estamos no minuto 19, eu consegui voltar pro minuto… sete, e consegui alterar todos os eventos que aconteceram a partir daquele minuto.- Daayene andava em círculos.- Só que no minuto 7 de verdade, eu não estava viva. Entendeu?

—Bem mais ou menos.- Yuma admitiu.

—Então além de uma bomba relógio agora você é viajante no tempo?- Shu questionou.

Daayene pausou.

—Como assim bomba relógio?

—Nada.- Shu respirou fundo.- Então… ele é o…

—Edgar. Sim.- Daayene completou- Achei que estaria mais feliz ou… emotivo com essa notícia.

Shu deu de ombros:

—Talvez eu ficasse, a alguns anos atrás. Mas não faz diferença. Ainda mais que ele não lembra de nada.

—Eu não entendo.- Yuma admitiu- Eu er melhor amigo do Shu. E então rolou um incêndio que eu teoricamente teria morrido.

—Foi no seu vilarejo.- Shu explicou.- Alguém da sua família ainda estava na casa. Eu tentei te impedir de ir, mas você era… bem teimoso.

—E então você me salvou?- Yuma voltou sua atenção pra Hudison.

—Sim. Talvez tenha sido uma projeção, e não literalmente eu.- Daayene então fechou os olhos- Mas não se prende muito, é um conceito meio abstrato. Mas sim, eu teria te salvado do fogo e deixado o Edgar inconsciente na beira da floresta.

—É aí que eu fui adotado… pelos meninos.- Yuma respondeu- Os veteranos. E depois que eu já tinha servido eles… me mandaram pro orfanato.

—E foi lá que você conheceu o resto dos Mukami.- Daayene deu um leve sorriso- É. Eu sei.

—Isso é... bem louco. — Shu se assustou.

—Nem me fale.- Yuma estava boquiaberto.

—Eu imagino.- Daayene se sentou na frente deles.- Mas eu não acho que vocês deviam deixar isso... afetar vocês, sabe? Especialmente você, Shu.

Shu ficou sério:

—Não me fale o que fazer, Hudison.

—Ah, desculpa.- Daayene tossiu, envergonhada.- Eu não... eu não quis... queria...

Shu foi embora sem falar muito.

—Não escuta ele.- Yuma sussurrou- Você é ótima.

Daayene concordou com a cabeça, meio confusa.

—Era só isso ou eu posso...?- Yuma questionou.

Daayene só fez um gesto pra ele se ir.

O rapaz não demorou nem 10 segundos, deixando Daayene sentada e 100% perdida.

—______________________________

Enquanto isso, Sarah e Sofie andavam de braços dados pelo corredor.

—Sofie.- Sarah a puxou.- Você não precisa…

—Ela passou dos limites ontem, Sah. Você não viu, mas eu vi.- Sofie a encarou- Eu me recuso a dividir o mesmo teto que ela. E antes que você fale algo, eu tô pouco me fudendo pro que as Creedley falam.

Sarah fez uma careta. Se sentiu tremer:

—Você não conhece a Neyo que nem eu. Não sabe do que ela é capaz.

—Temo que ela não saiba do que eu sou capaz.- Sofie desistiu de continuar andando com a irmã e passou a marchar sozinha.

Medo. Era isso que descrevia Sarah.

Sabia que sua ex era oportunista. Sabia que na primeira palavra grosseira de rejeição que recebesse, o balde de água fria seria nela.

Ela contaria pra Sofie. O que jurou pra si mesma que queria contar.

Sarah respirou fundo. Agora ou nunca.

—Sofie.- Sarah a chamou- Sofie!

A gêmea mais nova se virou, seu cabelo balançando:

—O que foi?

—Antes da gente ir…- Sarah foi até ela- Eu preciso te falar uma coisa. Preciso te falar porque eu não sei se aguento mais.

Sofie franziu o cenho, preocupada.

—Claro. O que foi?

Sarah começou a apertar suas mãos, e nunca desejou tanto que Kanato estivesse lá pra entrelaçar seus fedos nos dela.

Respirou fundo. Não. Era hora de ser forte.

—Você lembra de quando tínhamos doze anos, e você ficou… presa no banheiro?- Sarah mordeu a bochecha.

—O dia do incêndio?- Sofie se lembrou- Claro. Como esquecer?

—Sofie.- Sarah sentiu seus olhos se encherem de lágrimas- Eu sinto muito. Eu não sabia. E quando eu soube, eu quis fingir que não. Porque doía menos.

Sofie apertou os punhos da gêmea.

—Eu… eu…- Sarah se sentiu embolar. Seu rosto ficou totalmente vermelho.

Sofie a abraçou. Deu um beijo no cabelo dela.

—Eu sinto tanto.- Sarah desabafou- Eu não sabia que você estava lá dentro. E mesmo depois, eu só não queria te falar por medo. Eu fui covarde, uma trouxa, uma idiot…

—Ei. Nada disso.- Sofie apertou Sarah. Seu entendimento veio em silêncio. O que irritou mais ainda mais velha. Ela preferia berros e tapas do que o silêncio.

—Fala alguma coisa…- Sarah pediu, fraca.

—Sarah. Eu não posso te responsabilizar poe decisões que você tomou na sua pré adolescência apaixonada.- Sofie se afastou um pouco- Pelo menos não da mesma forma que posso te responsabilizar pelas suas atitudes recentes.

Sarah acenou com a cabeça, seu rosto ainda molhado.

—Você cometeu muitos erros na sua vida. Eu também. Mas eu não vou deixar você se culpar por algo que não foi feito de maldade.- Sofie continuou falando- E mais que tudo, eu admiro sua coragem de vir me falar. Depois de todos esses anos, não sei se eu falaria.

—Ai.- Sarah finalmente limpou os olhos- Se você soubesse quantos meses eu hesitei fazer isso por achar que você ia revidar finalmente aquele tapa…

—Eu sinto que eu já revidei no mesmo dia, quando puxei seu cabelo.- Sofie deu um sorriso de leve- Obrigada por me contar. Mas com a maturidade que eu tenho hoje, eu posso te garantir que não vai ser isso que vai me afastar de você.

Sarah conseguiu sorrir.

Uma voz as interrompeu.

—Ah, perdão! Atrapalhei o encontro de família?- Neyo sorriu- Vocês são realmente fofas. Eu queria ter uma irmã pra ter esse mesmo relacionamento!

Sarah e Sofie se entreolharam, de forma encorajadora.

—O papo é o seguinte, Neyo.- Sofie colocou as mãos na cintura- Ou você fica aqui e eu quebro uma das suas costelas, e você pode escolher qual. Ou você vai embora e deixa pra ser uma idiota, egoísta e babaca outro dia. Ou, ainda mais, você vai embora de vez. Sai das nossas vidas, nunca mais ousa pisar nna nossa frente. E todo mundo sai em paz.

—Você acha mesmo que alguém se importa com as suas opções de merda?- Neyo cerrou os olhos na direção da mais velha.

—Eu me importo.- Sarah interrompeu- Neyo, eu passei anos da minha vida na sua sombra. Você fez eu me perder, pirar e esquecer do que realmente importa. Infinitas vezes. Mas não mais.

Neyo abriu a boca, mas Sarah a interrompeu:

—Se você ainda tem o mínimo de auto-estima, eu te recomendo que dê o fora até amanhã dessa fortaleza. Delete qualquer memória ou desejo que tenha de mim da sua mente. Porque se você ficar, eu te garanto que não vai ser uma situação bonita pra você.

—Está me ameaçando?- Neyo debochou.

—Estou dizendo a verdade.- Sarah tremeu- Aqui não é colégio. Onde você manipula todo mundo a te amar em troca de benefícios de dinheiro ou qualquer coisa de filhinha de papai. Aqui as pessoas gostam de mim. De verdade, por íncrivel que pareça. Elas me perdoaram mesmo com tudo que eu fiz.

Sofie sorriu de forma orgulhosa.

—E isso é amor de verdade. Não é a porra que você me ensinou onde eu preciso me modificar inteira pra me encaixar no seu ideal. Não é te colocar em prioridade acima de tudo. É perdão, é aceitar que não somos perfeitos. Aceitar que vamos errar e pecar. E tudo bem, porque mesmo assim se você estiver mal vai ter alguém com você pra te acolher.

Neyo ficou meio sem palavras.

—Eu acho que é isso.- Sofie estalou a boca- E antes que você decida abrir sua boca de merda, eu sei que você me prendeu no banheiro. Sinceramente, Neyo. Eu sabia que você era abusiva, egocêntrica e metida. Mas assassina amadora é a primeira vez que eu fico sabendo.

—Vocês...- Neyo estava vermelha de raiva- Isso não acabou!

—Claro que não. Temos muita coisa pela frente ainda.- Sarah sorriu- Mas você não está inclúida nos nossos próximos capítulos.

Os olhos de Neyo se encheram de lágrimas:

—Mas eu est....estava... brincando!

Com uma risada nervosa, ela saiu correndo pra sabe-se-lá onde, chorando alto.

As duas irmãs se olharam.

—Mandou bem.- Sofie sorriu.

—Você que começou. Ia mesmo quebrar ela?

—Bem, eu já venci ela na porrada.- Sofie deu de ombros.- Esperamos que meus anos aqui tenham me deixado mais forte.

Sarah riu.

Não foram necessárias palavras pra expressar o orgulho e o perdão. Um olhar dizia tudo.

E as duas só sorriram uma pra outra.

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Victoria e Marie correram pra dentro da sala do trono, evitando ao máximo acabarem trombando em Priya.

Cousie estava casualmente sentada na sua cadeira, ao lado de Carla. Shin e Eliza estavam nas escadarias.

—Estão atrasadas.- Cousie comentou assim que elas chegaram.

—Você que demorou pra acabar sua conversa com a Priya.- Victoria retrucou.

—Ela trabalha pra mim. Continua sendo uma das minhas prioridades.- Cousie continuou falando.

—E por que a família dela não é?- Marie questionou.

Todos pausaram.

—Com licença?- Carla cerrou os olhos.

—Foi o que eu disse. Eu não vou me sentar e ver vocês arruinarem a vida de uma garota só porque é conveniente pra vocês.- Marie tinha a voz meio fraca.

—Ainda no assunto da Daayene?- Cousie questionou- Achei que já havíamos decidido.

Você decidiu, rainha do mundo.- Victoria ironizou.

—Victoria, da última vez que eu chequei, Priya estava te humilhando por uma mínima opinião enquanto você enchia a cara pelos seus exes.- Cousie a encarou.

—Não vejo o que isso tem a ver. — Victoria deu de ombros- Agora eu estar num momento frágil significa que eu tenho que sentar e aceitar as suas decisões terríveis, Creedley?

—Terríveis?- Cousie se levantou, sob os olhos assustados de Eliza e Shin- Minha questão com Daayene é pelo bem estar de todos. Ela é um perigo. Uma bomba. Se ela estourar, quem lidará com os efeitos colaterais será eu.

—Jura? Isso não tem nada a ver com o fato que ela roubou o pretendente da sua irmã?- Victoria riu de forma cínica- No caso, entre aspas. Mas você nunca foi muito boa em respeitar as escolhas dos outros, sua vadia sem coração!

Eliza engasgou.

—Do que você me chamou?- Cousie se assustou.

—Uma vadia miserável e egoísta!- Victoria tinha lágrimas nos olhos- Que passou os últimos dias tentando fazer a vida de algumas pessoas dessa patrulha ser miserável! Eu cansei!

—Eu não me importo… com o que você acha?- Cousie estava claramente segurando a raiva.

—Bem, e não nos importamos com o que você se importa!- Marie estava abismada- Você mal é uma rainha pra nós! Eu, pelo contrário, sou uma irmã mais velha. Uma de verdade. E o que você faz sentada nesse trono aí o dia todo? Nada legal. Totalmente cruel.

—Eu escolheria as próximas palavras com cuidado se fosse vocês duas, Herberts.- Cousie ameaçou- Ninguém difama eu ou minha família assim.

—E por que você acha ok mandar a coitada da Daayene pros nossos inimigos?- Victoria brigou- Você tem noção do que eles podem fazer com ela? Caralho, você pelo menos se importa?

—Daayene voltará bem melhor do que está saindo.- Cousie disse.

—Então por que você não se importa em falar com ela? Ou com suas irmãs?- Marie deu um passo á frente- Se tem tanta certeza assim de que está tomando a decisão certa, podia pelo menos ter a decisão moral de avisar a pobre garota do que lhe aguarda.

—Ela não está tão errada…- Shin murmurou.

—Disse algo?- Carla se virou pra ela.

—Nada.- Shin pigarreou- Garganta coçando.

—Eu sabia que isso ia acontecer. Vocês são totalmente levadas por emoções.- Cousie disse de forma meio debochada.

—Eu prefiro ser emocionada do que ter um coração de gelo que nem você.- Victoria teve que ser segurada por Marie pra não acabar indo muito pra perto de Cousie- Se as Hudison te incomodam tanto, por que você não só expulsa elas daqui?

—Estão defendendo uma assassina em potencial.- Cousie se sentou de novo, a mão sendo levada por alguns segundos a barriga- Uma assassina. Melhor dizendo. Sabemos que ela não teve o passado mais honrado de todos.

—Irmã…- Eliza hesitou.

—Mas você vai mesmo ignorar a assassina do seu filho, Marie?- Cousie brigou.- E isso tudo pelo que? Pela vida do seu ex marido traidor, Victoria?

O resto aconteceu num flashe. Literalmente. Faíscas vermelhas saíram dos dedos de Marie, rebatendo no trono da rainha.

Marie não pareceu nada arrependida. Muito pelo contrário.

—Como se atrev…- Cousie se assustou.

—Vamos, Vic.- Marie estava séria- Discutir aqui é igual discutir com uma parede.

Victoria hesitou,mas acabou por concordar e seguiu sua irmã na estrada pra fora da sala.

Eliza trocou um olhar com Shin. Ela então tossiu:

—Acho que estou… passando mal.

—Quer que eu chame um médico?- Carla tentou praticamente ignorar a sua esposa raivosa.

—Não… eu estou… quer dizer… eu consigo…- Eliza forçou mais uma tosse.

Um olhar da namorada foi necessário pra Shin a puxar até a porta, discursando algo sobre salvar a garota.

Uma vez que a porta fechou, eles correram.
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Anna estava surpreendentemente tranquila, lendo seu livro.

Azusa estava ao seu lado. Ele de vez em quando se oferecia pra buscar um lanche ou uma bebida quente pra namorada, mas ela recusava.

Tudo que menos queria agora era ter que lidar com a baixaria e a gritaria que devia estar o resto da fortaleza. Seu quarto ia ser o abrigo dela e do namorado, felizmente.

A porta se abriu fortemente.

Bem, ela havia pensado cedo demais.

—O que você tá fazendo?- Nikki havia praticamente arrombado a porta.

—Hã… lendo?- Anna mostrou a capa do seu exemplar de "O Misterioso Caso de Styles".

—Mas por que?- Nikki questionou- Sabe, precisamos nos reunir. Resolver as coisas.

—An…na não gosta de… problemas.- Azusa me protegeu. Eu apertei a mão dele- Fica nervos…a.

—Bem, eu acho que precisamos nos reunir.- Nikki retrucou- Sabe, tentar resolver as tretas que restaram.

Nikki pareceu esquecer bem fácil da sua ideia quando Shu bateu na porta do quarto.

—Ah!- Nikki corou- Não sabia que você já tinha acabado na sua discussão. Como foi?

Shu deu um beijo na testa da namorada. Anna revirou os olhos a invasão no seu templo (no caso, quarto)

—Nada que eu já não esperasse. Depois te conto os detalhes.- Shu sorriu de leve- Cadê o resto do pessoal.

—Certamente no meu quarto não estarão.- Anna falou baixinho. Apenas Azusa ouviu e riu.

—Ei pessoal. Que que tá rolando?- Sofie chegou meio esbaforida. Ela tinha um pequeno sorriso satisfeito no rosto.- Ah. Oi Anna. Azusa. Vocês querem que eu expulse minha irmã e meu cunhado daqui ou…

—A gente já tava indo.- Nikki se apoiou na porta- Eu estava falando com a Anna que devíamos fazer uma reunião.

—Sobre…?- Sofie hesitou.

—A coisa.- Nikki afirmou.

—Que começa com D e…- Shu continuou.

—Isso parece pornográfico. Tem como vocês terem essa conversa em algum lugar que não é a porta do meu quarto?- Anna fechou o livro- Por favorzinho? Eu só quero descansar.

Nikki revirou os olhos:

—Menina chata.

E com isso fechou a porta.

Sofie a encarou abismada.

—O que foi?- Nikki cruzou os braços.

—A menina tem ansiedade, é pessima com multidões e sua resposta a ela querer ficar um tempo sozinha é "menina chata"?- Sofie franziu o cenho.

—Ela estava com o namorado.- Shu justificou.

—Vocês…- Sofie hesitou- Olha. Isso pode ser meio loucura da minha cabeça, mas… vocês por acaso não estão meio… contra as Hudison, né? Digo, por causa de todas as tretas recentes.

Nikki deu de ombros:

—Não é nada demais, sabe. Eu só ando achando elas meio chatinhas. A gente tem que pensar mil vezes antes de falar algo perto delas e tals.

—Hã… que tal não falar nada que possa ofender as meninas?

—Eu e a Lua estávamos falando sobre isso, até.- Nikki concordou- Parece que depois de ontem a Cousie anda pensando em mandar a Daayene pros profetas mais cedo.

O quê?!— Sofie arregalou os olhos- Por que? Sem nem falar com ela? Mas…

—Ela deve ter se sentido ameaçada pela Daayene chamar a atenção do Marko.- Shu sugeriu- Nunca vai assumir isso. Porque ela é mega teimosa, digna de uma rainha. Mas é verdade. Não posso dizer que a culpo.

Sofie entreolhava o casal, assustada.

—Eu entendo o lado da Cousie. Parece que ela brigou com a Anna, além dela super discordar das decisões de vida da Brunna. A única mais ou menos seria a Priya, que trabalha pra ela.- Nikki concordou com o namorado- Mas sei lá.

Sofie umedeceu os lábios:

—Eu… preciso ir… ver o Ayato.

A Herbert mais velha andou rápido pelos corredores. Respiração abafada. Tentando ser discreta.

Quando chegou na porta, só a escancarou.

Brunna e Ruki se levantaram rapidamente do sofá ao ver a morena na porta.

—Sofie?- Ruki se preocupou.

—Sofie?- O tom de Brunna era mais agudo- O que diabos aconteceu?

Sofie se sentiu tremer:

—Brunna… Tem uma coisa que eu preciso te contar.
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Chegou um ponto que Eliza passou a correr sozinha, ignorando completamente o jeito que seus pulmões queimavam e sua garganta se fechava ás vezes.

Só se deu a bênção de relaxar quando encontrou Daay, calmamente andando pelo corredor, pensativa.

—DAAY!- Eliza berrou, e a voz acabou saindo meio entalada.

A Hudison se assustou, encarando a menina pálida e arfante.

—Eliza!- Daayene correu até ela- Não corre, menina! O que foi?

Eliza tentou ao máximo acalmar seu coração, voltando a respirar pelo nariz.

—Você... precisa... fugir...

—Oi?- Daayene arregalou os olhos.

—Vamos! Antes que seja... tarde demais.- Eliza a puxou pela manga.

—Tarde demais pra que?- Daayene ficou vermelha de preocupação- Eliza!

—Querem... te... enviar pra longe.- Eliza tentava ir andando- Daay, por favor... confia em mim.

Daayene olhou assustada pros arredores, antes de concordar com a cabeça.

As duas foram de braços dados, em completo silêncio. Daayene quis engolir suas dúvidas e sua curiosidade pelo bem da saúde da Creedley, que já parecia exausta.

Eliza passou em um segurador de roupas do fundo e pegou uma capa preta, a colocando sob os ombros de Daayene.

—Você corre perigo.- Eliza explicou, meio arfante ainda.- Minhas irmãs decidiram te enviar pros profetas... depois de uma carta sobre você ser um perigo chegar.

—O quê?!- Daayene se exaltou- Quem mais sabia disso?

Eliza hesitou.

—Todo mundo menos sua família e os Mukami.

—Bando de falso!- Daayene pareceu completamente chateada- Eu não... eu não sou...

Daayene mal sabia como acabar a frase.

Eliza abriu a porta dos fundos, as deixando se depararem com a paisagem de neve.

Voltaram a dar os braços, dessa vez tentando atravessar o clima frio até a muralha.

—...Todos concordaram em me mandar embora?- Daayene se rendeu a dúvida.

—Não exatamente.- Eliza conseguiu dizer.- Mas é díficil ganhar qualquer discussão com minha irmã. Ficará mais segura longe daqui.

Daayene concordou lentamente com a cabeça.

—ELIZA!- Ouviram a voz de Lua vindo de longe- E DAAY...?

Lua fechou e abriu a boca, meio em dúvida. Antes que pudesse falar qualquer coisa, os olhos de Eliza viraram um dourado profundo.

Com um gesto de garra, um golpe de energia amarela atingiu Lua na mandíbula, a fazendo cair no chão.

Daayene teve que colocar a mão na boca pra não berrar:

—Você matou a menina?!

Eliza não respondeu. Daayene a encarou, e viu seus olhos falhando.

—Ah não, morre não...- A Hudison segurou a Creedley antes que ela pudesse cair ao chão- Pai amado, o que eu faço?

Daayene colocou sua mão no coração de Eliza. Pequenas faíscas vermelhas de lá saíram, fazendo a ruiva voltar á consciência de forma assustada.

—Eu... eu...- Eliza se sentou- Pai amado, eu matei ela?

—É... quanto a isso eu já não sei.- Daayene a ajudou a se levantar- Mas foi irado. Meio assustador. Mas irado.

Eliza olhou pra ela e pra Lua diversas e repetidas vezes:

—Ai, a fuga! É verdade! Vamos!

As duas correram um pouco mais. Quando viram que isso mais piorava do que melhorava a situação da mais velha, as duas passaram a só andar rápido.

—Deixa essa comigo.- Daayene sussurrou ao se depararem com os soldados á frente do portão.

Com um mero balanço dos dedos, uma espécie de névoa vermelha saiu de suas unhas, entrando na cabeça dos soldados e os deixando num estado de paralisia total, cobertos pelo vermelho.

—Isso explica porque disseram que você é tão perigosa.- Eliza murmurou.

—Eu dou meus pulo.- Daayene concordou.

Eliza a levou até o portão. Daayene abaixou os dedos, fazendo todos os soldados caírem no chão com um barulho alto.

—Você vai ficar bem? Digo, aqui.- Daay cerrou os olhos, preocupadas.

—Como assim?

—Você também é bem poderosa.- Daayene sorriu de leve- Não tem medo de se voltarem contra você.

Eliza deu de ombros:

—Eu já consegui sobreviver nessa família a muito tempo. Eu sei como aguentar a barra.

Daay abriu a boca, mas desistiu de falar algo, e só abraçou a Creedley.

Elizabeth levou um pequeno susto, mas retribuiu o abraço com força. Quando alguns segundos se passaram, a soltou:

—Que as estrelas guiem sua estrada, Hudison.

Daayene colocou o capuz sob a cabeça, e com um gesto das mãos levitou alto. E voou pra longe, deixando apenas um rastro de energia vermelha pra trás.

Eliza respirou aliviada.

—Olha, eu vi a Lua desmaiada lá e...- Shin deu um pulo- Caralho, cê matou os guardas ou...

Eliza se virou pra ele, rindo, pra esconder que estava meio emocionada.

—Imagino que tenha conseguido.- Shin se aproximou dela- Eu sabia que a Eliza rebelde que eu conheci ainda existia aí.

—Grande diferença entre namorar escondido e libertar uma quase-prisioneira.

—Nem tanto.- Shin riu- Precisamos ir.

—Pra onde?

—Um lugar que não suspeitem de você, ora bolas.- Shin estendeu sua mão pra namorada.

Ela entrelaçou seus dedo, e em segundos eles estavam no seu quarto na fortaleza.

—Valeu. — Eliza sorriu.

—O que eu não faço pra te salvar?- Shin debochou.

Eliza ia responder, mas foi interrompida por uma gritaria no andar de baixo.

—Devíamos ir ver o que tá rolando.- Eliza comentou, e Shin concordou antes de estender seu braço pra ela.

Pra poupar dúvidas, eles desceram lentamente os lances de escadas juntos, até chegarem na sala de estar. Priya estaria basicamente avançando em Cousie, se não estivesse sendo segurada por Yuma e Sarah.

—ME SOLTA! EU VOU DAR NA CARA DELA!

—Podemos tentar resolver isso na diplomacia?- Reijii parecia assustado.

—Não existe diplomacia pra traição.- Brunna cruzou os braços.

—Gente, se essa é uma questão tão pesada, chamemos a Daayene e resolvemos como seres normais.- Haruka pediu- Que desnecessário.

—Por falar em traição, quem foi o fofoqueiro da vez?- Kino questionou.- Não que eu esteja reclamando, adoro uma fofoca assim e...

—Eu quero saber. E eu estou reclamando.- Cousie bufou.

—Fui eu.- Sofie cruzou os braços.- Acha que eu tenho vergonha de admitir isso?

—Pra mim é uma honra não gostarem de mim.- Victoria debochou.- Se Sofie não tivesse contado, eu contaria.

—E eu.- Marie levantou a mão.

—Por que diabos vocês concordam em seguir a causa se a cada dois segundos me desobedecem de forma diferente?- Cousie se ajeitou no sofá.

—...É sério que esse é o problema?- Anna suspirou.

—Não precisa se preocupar mais então, Vossa Majestade!- Priya conseguiu sair da segurada de Yuma e Sarah- Sabe por que? EU. ME. DEMITO!

Priya jogou seu broche no chão, sob os olhares assustados de todos.

Cousie ia falar algo, mas foi interrompida pelo barulho de um cavalo se aproximando.

—Temos visita?- Laito questionou.

—Bem, eu sei que eu vou zarpar daqui pra ver quem é.- Sarah deu de ombros- Falou pra vocês.

Sarah foi a primeira a sair, e todos foram atrás.

Eles conseguiram ver um cavalo branco se aproximando, cavalgando pela neve. Em cima dele, uma figura encapuzada.

Todos desceram pra ver melhor.

Na corrida, o cavalo já havia parado.

O ser desceu do cavalo, de forma quase desajeitada.

Kino se aproximou, os olhos semicerrados enquanto encarava as roupas de segunda mão da pessoa.

Ao tirar o capuz, todos os queixos caíram de forma imediata. Mas foi Kino que falou a primeira frase:

—...Mun?

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!