Like I'm Gonna Lose You
8 Capítulo 7 - Forsaken
Notas iniciais
P.O.V Clary
—Não confio nela. -Minha mãe me olhou. -Ela vai tentar fazer algo contra ele.
—Com certeza.
—Eu não vou deixar. -Olhei para a janela.
—Não consegue matá-la. -Suspirei e afundei no banco. Optei por me manter em silêncio pensando em como poderia resolver aquela situação.
Precisava de uma maneira de conter a Maryse, pelo menos por um tempo. Sabia que não podia confiar nela, sabia muito bem disso. E sabia também que, se fosse preciso, ela faria qualquer coisa para proteger a espécie, e que seria a primeira da fila se a ameaça fosse o Jonathan.
Não! Nada disso! Ela não vai encostar nele. Vou encontrar um modo de contê-la, preciso encontrar, afinal é do Jonathan que estamos falando. E não só dele, tenho certeza que ela faria qualquer coisa para me ferir ou ferir a ele, e só de pensar na Izzy, no Alec ou no Simon machucados, sentia o meu peito doer. Precisava de uma vantagem, não só pelo Jonathan, mas também, por todos eles.
—É isso! -Murmurei quando um pensamento me ocorreu. -O segredo da Maryse. -Olhei para a minha mãe.
—Sinto muito querida, mas não posso te ajudar. -Ela voltou a prestar atenção na estrada. -Fiz um pacto de silêncio com a Maryse, se contar, perco minha calda.
—Oh!
—Se eu fosse você, tomaria cuidado com a Maryse, ela pode ser muito cruel quando quer. -Ela trocou de marcha com um suspiro. -Muito cruel. -Vi uma certa mágoa passar pelos olhos da minha mãe. -Tome muito cuidado, Clary.
…
—Hey! Sebastian me solta!
Ele ignorou os meus protestos e continuou a me puxar. Eu via as pessoas nos encarando, mas não tinha nem como dizer o que estava acontecendo, já que nem eu mesma sabia.
Ele entrou em uma sala vazia e nos trancou lá, estava andando de um lado para o outro passando a mão nos cabelos, parecia nervoso, principalmente pelo fato de sua respiração estar irregular. Eu sabia que não ia adiantar nada tentar perguntar o que estava acontecendo, ele não me responderia de qualquer maneira.
—Por que beijou ele? -Perguntou depois do que pareceram horas. Me levantei da mesa que estava sentada e o olhei. O Sebastian definitivamente havia ficado maluco.
—Quem?
—O Jace! -Se aproximou de mim. -Sabe que não pode beijá-lo. — O Sebastian achava que eu tinha quantos anos? 15? Eu tinha plena consciência do que podia ou não fazer, principalmente no que se referia ao Jonathan!
—Eu não o beijei! -Respondi colocando as mãos na cintura.
—Estou falando sério Clary! -Me imprensou na mesa segundo os meus braços. Seus olhos tinham um misto de raiva e desespero; as coisas sempre pioravam quando eu deixava os meus sentimentos pelo loiro me consumir à ponto de me fazer beijá-lo.
—Eu também!-Ele balançou a cabeça em negação sorrindo. -Sebastian! Eu não o beijei! -Afastei suas mãos de mim e voltei a cruzar os braços.
—Então, me explica o por quê de ele está sonhando com você? -Arregalei os olhos e engoli em seco. -Já começou, Clary!
—Mas…
—Trate de se despedir. -Ele se afastou e caminhou até a porta, parou no batente da porta e me olhou sobre o ombro. -Você sabe que ele vai morrer em uma semana.
—Sebas… -Ele bateu a porta com força. Deixei os meus joelhos cederem e me encolhi no chão. -Oh, Calipso, por que agora? -Eu não tinha mais forças para chorar, mas ainda assim, uma lágrima solitária escorreu de meus olhos. -Chega de chorar, Clary. -Disse à mim mesma. -Você sabia que seria assim. -Limpei o meu rosto e me levantei. -Está na hora de encarar a realidade.
P.O.V Izzy
—Hum... Espera… Espera… -Me afastei dele alguns centímetros e olhei em seus olhos castanhos.
—O que foi, Isabelle? -Acariciei o seu rosto e suspirei. -Já são 17h30min?
—Não. -Neguei mesmo sem saber que horas eram. -Pelo menos eu acho que não. -Ele sorriu. Tentei dizer algo, mas ele pôs um dedo sobre os meus lábios me impedindo de falar.
—Não. -Pediu como se já soubesse o que eu iria dizer.
—Mas…
—Isabelle…
—Por que faz isso comigo? -Ele suspirou e baixou a cabeça. -Simon… Sabe que…
—O que? -Ele olhou em meus olhos. -Diz o que eu sei. -Engoli em seco e me mantive em silêncio. Ele balançou a cabeça em negação e se afastou.
—Por favor, vamos conversar. -Me levantei ao mesmo tempo que ele.
—Quer conversar? Ótimo. Então, fale.
—Eu… -Engoli em seco e desviei o olhar.
—Viu? Não consegue falar.
—Foi você quem beijou a Maureen na minha…
—E quantas vezes você já fez o mesmo com o Meliorn? -Engoli em seco.
—Mas você sabe que eu gosto de você, Simon!
—Exatamente, você gosta de mim. -Ele passou a mão pelo rosto. -Assim como gosta do seu irmão, da Clary, do Meliorn…
—Você sabe que é diferente! -Rebati sentindo as minhas bochechas esquentarem. Odiava precisar falar sobre os meus sentimentos.
—Então, prove. -Eu dei um passo para trás.
—Não me pede isso. -Ele suspirou. -Sabe que…
—Diz para mim, Iz. -Ele deu um passo para frente e acariciou as minhas mãos. -Eu amo você, Heartbreaker. -Recebi um beijo na testa. -Eu te vejo amanhã.
—Mas… -Ele se afastou e começou a andar. Sentei-me na areia e abracei os meus joelhos. -Maldito seja Starkweather!
Não me permiti chorar, não gostava de chorar em público, principalmente quando todos podiam saber o motivo, mesmo que aquela parte da praia fosse deserta, algumas pessoas já sabiam que eu ia ali com o Simon, provavelmente saberiam o motivo se eu aparecesse com o rosto inchado.
Faltava pouco mais de vinte minutos para dar 17h30min, então, optei por ficar ali esperando o tempo passar e tentar colocar os meus pensamentos em ordem. Tirei meu uniforme e caminhei até a água. Aquela hora seria ótimo poder tomar um banho e tentar relaxar.
Para a minha felicidade a água não estava tão gelada, odiaria ficar com cãibra e correr o risco de me afogar. Eu tinha os meus cabelos presos em um coque e fazia o possível para não molhá-los, não queria ter que passar ainda mais tempo no chuveiro para hidratá-los por causa da água salgada.
A água estava deliciosa e me fez relaxar, quase me fez esquecer da pequena discussão com o Simon. Novamente havíamos discutido pelo mesmo motivo : Nosso relacionamento às escondidas. Odiava aquela situação, e odiava beijar o Meliorn quando queria estar beijando o Simon; odiava vê-lo beijar a Maureen, e principalmente ver como ele parecia estar apaixonado por ela.
Me preparei para voltar para a areia… E então vi um vulto na água. Arregalei os olhos e me virei. Olhei em volta e vi que estava sozinha. Olhei para água novamente e procurei por algo que pudesse afirmar que eu estava louca, foi quando vi novamente o vulto na água.
Senti o terror tomar conta de mim. Um tubarão. Eu tentava mover as minhas pernas para sair da água e chamar o salva vidas, mas elas não se moviam. Novamente o vulto passou pela água, e dessa vez eu consegui ver a cauda… preta? Tubarões têm caudas como aquela?
“E desde quando você entende de tubarões Lightwood? Sai logo daí!”
Engoli em seco. Eu ia morrer. Aquilo era um fato. Minha respiração estava irregular e eu não conseguia me controlar. Senti algo passar próximo as minhas pernas, e antes que eu pudesse gritar, algo me puxou para baixo. Me debati e emergi, inspirei e fui puxada novamente. Abri os olhos, mesmo sentido o sal da água queimá-los. Gritei mesmo debaixo d’água quando vi aquela… coisa.
Parecia ter o corpo de uma pessoa humana, mas não tinha rosto, ou se tinha era coberto pelo longo e espesso cabelo verde como algas, sua pele tinha um textura estranha, quase como escamas. Eu podia ver suas presas, sujas e afiadas, e seus olhos eram totalmente cinza, como se prata derretida tivesse sido colocada ali, e eles tinham um brilho selvagem. Sua calda era, na verdade verde, mas parecia estar suja, talvez, esse seja o motivo de eu ter visto preto primeiro.
Tentei nadar para longe, mas aquela coisa era realmente mais forte que eu. Fui puxada novamente por ela. Senti o meu braço arder e a água ao meu redor ficar vermelha. Em meio ao desespero tentei respirar, mas não consegui, a água entrou em meu corpo, me senti engasgar, mas não conseguia colocar para fora, nem respirar. Estava me afogando.
…
—Izzy, acorda! Pelo amor de… -Abri os olhos e tossi ao mesmo tempo. Sentia a água sair pela minha boca, e não conseguia parar. -Calma, devagar.
Quando finalmente parei de tossir consegui olhar em volta. Eu estava deitada sobre um pedra, e só conseguia ver água ao meu redor, toda aquela água me fez lembrar do motivo de eu estar ali, e isso me desesperou. Olhei para a pessoa que me ajudava e arregalei os olhos.
Seus cabelos estavam úmidos e pareciam mais longos do que o normal, ela estava… nua, algo em sua mãos estava um tanto pegajoso, tinha… escamas em seu ombro e clavícula, assim como, na lateral esquerda de seu rosto. Mas aquilo não era nada comparado aos seus olhos. Suas íris verdes, que costumavam parecer tão escuras quanto a copa das árvores, estava brilhantes, brilhavam tanto que iluminavam ao redor dos mesmos... E aquilo me fez gritar e me afastar dela.
O que tinha de errado com a Clary?
—Clary? O que… -Desci o olhar por seu corpo e arregalei os olhos, foi impossível não me afastar dela. A Clary tinha uma calda, uma longa e magnifica calda preta. -Mas que…
—Hey! Calma. Eu vou te explicar tudo o que quiser, mas primeiro, eu preciso saber se você está bem, Isabelle.
—Se eu estou bem?! Você tem uma calda, Clary! -Apontei para aquela parte de seu corpo. Ela apenas deixou um suspiro escapar pelos seus lábios e voltou a me olhar, subitamente seus olhos voltaram ao normal. -O que está acontecendo?
—Você se afogou. Na verdade, foi atacada por uma Esquecida.
—Pelo o que? -Perguntei.
—Uma Esquecida, é como chamamos a aquela coisa que te atacou. Uma Sereia. -Eu ergui minhas sobrancelhas.
—Sereia? Claro.
—O que você acha que eu sou? -Ela bateu a calda. -Você foi atacada, teve sorte por eu estar na água. -Engoli em seco e levei a minha mão ao local onde havia sentido o meu braço arder antes, não havia nada ali, apenas o meu braço normal… Mesmo que eu pudesse jurar que havia sentido um corte e visto o sangue na água, meu braço estava ileso.. -Não vou machucar você, Izzy. -Desci o meu olhar pelo seu corpo novamente, aquela calda estava perfeita demais para ser brincadeira. Sem conter a minha curiosidade, estiquei a minha mão e toquei a calda, era como uma de peixe, mas as escamas pareciam ser mais rígidas, ela pareceu desconfortável com o meu toque; automaticamente afastei a minha mão. -Pode continuar. -Me incentivou. Dava para sentir sua respiração na calda.
—É de verdade. -Murmurei e a olhei. -Como isso pode ser real?
—Longa história. -Sentei-me novamente e a olhei. Ela sabia que eu iria querer saber de toda a história. -O que quer saber?
—Você realmente come pessoas?-Perguntei a primeira coisa que havia passado pela minha cabeça. Eu estava sozinha no meio do Mar com uma Sereia, precisava pensar no meu bem estar.
—Não. Só os tritões, e sereias como a que te atacou. -Assenti. -Nunca comi um ser humano, Isabelle.
—Me sinto melhor. -Ela riu novamente. -Você tem realmente 16 anos?
—Não. Tenho mais de 700 anos. -Arregalei os olhos… Meu cérebro parecia que ia explodir a qualquer momento. A Clary era uma Sereia de mais de 700 anos… Nada anormal. -O que mais quer saber?
—Não tenho ideia. -Passei a mão pelos cabelos.
—O que acha de terminar seu interrogatório em casa? -Assenti. -Vem. -Ela me estendeu a mão. -Não vou deixar você cair. -Mesmo que receosa, aceitei sua mão. -Puxa o meu cabelo quando precisar respirar.
P.O.V Clary
—Então, quer dizer que você é uma Sereia? — Ela se jogou sobre a cama. Eu assenti e fechei a porta. -Sereias transam? -Arregalei os olhos e ela riu. Só a Isabelle para fazer uma pergunta daquelas.
—Sim, transam. -Me sentei ao seu lado. -Mas a primeira vez de uma sereia tem que ser na água, ou próxima ao mar.
—Sério? -Assenti. -Então, por isso você é virgem?
—O que? -Perguntei com os olhos arregalados. — Como você sabe disso?
—Somos amigas, Clary. -Suspirei. -É fácil convencer uma garoto…
—Não! -A cortei. -Izzy, não é tão simples. Ninguém pode saber disso!
—Tudo bem. -Ela me olhou. -Isso é loucura. -Murmurou enquanto ria. Não demorou muito para ela voltar a me encher de perguntas.
Por mais que eu quisesse respondê-la haviam duas coisa que me deixaram extremamente preocupadas: 1 — Se o Hodge sabia sobre mim, por que a Isabelle não fazia ideia que Sereias sequer existiam? 2 — Por que uma Esquecida atacaria a Isabelle?
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