Like I'm Gonna Lose You

29 Capítulo 27 - Days in Idris


Notas iniciais
Tem alguma Mermaid ansiosa por aqui? Eu espero que sim! A postagem de hoje é dobradinha, e vocês entenderão o motivo no fim do capítulo (até porque eu tenho amor à vida). BOM CAPÍTULO MERMAIDS

P.O.V Clary

Jace Herondale estava parecendo uma criança. Os olhos dele estavam brilhando desde a hora que deixamos o iate. Ele olhava para tudo admirado e impressionado. A primeira e única coisa coerente que ele havia dito desde que chegamos à Idris foi “não é justo manter esse lugar escondido”. E já fazia pelo menos quarenta minutos que ele estava apenas sentado na areia olhando a paisagem em volta.

Idris realmente era linda. Era diferente de qualquer ilha que eu conhecia, e parecia ter sido retirada de um conto de fadas, ou de alguma produção hollywoodiana. Há quem acredite que essa foi a ilha que Raziel e a Sereia da história, que agora eu sabia se tratar de Lilith, viveram quando o filho deles nasceu. Mas nunca houve prova disso, e de qualquer maneira, se Lilith era uma Esquecida, ela não poderia pisar em terra. E a Ilha era tão bem protegida que não havia o perigo de um ataque.

— Jace. — O chamei, e o mesmo me olhou. — Pode me ajudar com as sacolas?

— Ah, claro… — Ele se levantou ainda olhando para a paisagem.

Logo a primeira vista, Idris tinha o poder de te encantar qualquer um. Logo assim que se chegava à ilha, era possível ver incrível cachoeira que havia no centro da ilha, as árvores pareciam se curvar diante daquela beleza, e davam espaço para, mesmo de longe, ser possível olhar para a queda d’água. Ao redor da cachoeira haviam árvores tropicais que ajudavam a decorar a beleza natural, assim como o relevo que formava a ilha.

Quando viemos para cá, pela primeira vez, construímos algumas casas perto da orla, haviam pelo menos doze delas, e ainda sobrava bastante espaço para a faixa de areia e não pegava nenhuma parte da mata. As casas foram construídas com a madeira dos troncos que caíam com as tempestades e com o tempo, por isso demorou muito tempo para construirmos tudo aquilo. Mas quando se é imortal, o tempo está ao seu favor.

Quando chegamos, eu até pensei em ficar em uma das casas da praia, mas eu sabia que a casa da minha mãe teria mais espaço para nós dois. Então, optei por nos alojarmos lá, e eu sabia que ela não se incomodaria, a menos que quebrássemos algo. O que seria difícil de acontecer.

Finalmente consegui fazer com que o meu acompanhante fosse comigo para dentro da casa. Como não sabíamos quanto tempo ficaríamos ali, trouxemos suprimentos o suficiente para passarmos uma semana, e sobraria, com certeza.

Eu e o Jace tiramos as sacolas do iate e arrumamos os produtos na cozinha, e em seguida, cada um se alocou em um quarto. Haviam três naquela casa, pois quando ocorriam eventos grandes, como, por exemplo, casamentos, eu e o Sebastian acabávamos ficando na mesma casa que a minha mãe. Raramente vínhamos para Idris, portanto, quando chegamos a casa estava empoeirada e com bastante folhas. O resultado disso, eu e o Jace fazendo faxina na casa.

Eu estava terminando de varrer a sala, quando o loiro me chamou para o jantarmos. Quando ele terminou de trocar os lençóis, ele perguntou se poderia fazer o jantar enquanto eu varria a casa. Eu achei uma troca justa, afinal, a probabilidade de eu queimar a comida era bem grande

— Ruiva, o jantar está pronto. — O olhei, e percebi que ele já havia disposto a mesa para dois.

— Já estou terminando. — Comentei enquanto tirava o lixo do chão. Só tive tento de lavar as minhas mãos antes do Jace reclamar que estava com fome e acabaria não me esperando para comer. — Cheguei. — Sentei-me a sua frente na mesa redonda e olhei para a comida disposta. — O que temos para o jantar, Cheff?

— Minha especialidade: Massa! — Falou orgulhoso e, educadamente, pediu o meu prato, e me serviu com uma porção generosa. Eu estava há tanto tempo sem comer qualquer coisa normal que eu diria que comeria toda aquela travessa com facilidade. — Espero que goste. — Ele murmurou enquanto se servia.

Quando dei a primeira garfada, agradeci por ter sido ele a preparar o jantar, ou acabaríamos comendo algum sanduíche novamente. E aquela massa estava deliciosa. O Jace ficou surpreso quando, ao final do jantar, eu havia comido o dobro do que ele havia comido.

Eu me voluntariei para lavar a louça, mas ele negou. Então eu só o ajudei a secar e guardar o que havíamos usado. Quando terminamos, nos sentamos no sofá espaçoso da sala, e ficamos ali sentados olhando para o nada, apenas aproveitando o som das ondas e a atmosfera do lugar. Foi quando, ele se moveu rapidamente para cima de mim, como se fosse se deitar sobre mim. No mesmo instante eu fiquei tensa, ele riu e esticou a mão para pegar o livro que estava sobre o braço do sofá.

— Clary, relaxa. Eu não vou te agarrar a força, e nem forçar você a nada. Nós sabemos exatamente o que precisa ser feito, nós temos uma semana, okay? — Ele se afastou, voltando para a posição que estava antes.

— Eu sei, mas… — Me sentei no sofá, passando uma das mãos pelo rosto.

— Se acontecer… Quando acontecer, vai ser algo natural. — Olhei para ele rindo, vendo-o sentar-se.

— Isso jamais vai ser natural, Jace, preciso transar com você por livre e espontânea pressão, literalmente. Isso jamais vai ser natural! E é por isso que não… — Ele apoiou o livro no sofá e segurou o meu rosto com uma das mãos antes de unir os nossos lábios. Foi um beijo rápido, mas foi o suficiente para fazer o meu coração idiota pular dentro do peito.

— Relaxa, Clary. — Ele sussurrou com os lábios ainda próximos aos meus. — Tente esquecer isso, okay?— Assenti, e aquele movimento fez os nossos lábios roçarem. — O que tem para fazer na ilha? — Demorei alguns segundos para absorver a pergunta dele, e isso fez o Jace abrir um pequeno sorriso.

— Ah… Trilha, cachoeira, e… Tem uma coisa que eu quero te mostrar. — Levantei-me e estiquei a mão para ele. — Vem comigo? — Ele aceitou a minha mão sem pensar duas vezes.

P.O.V Jace

Segui uma Clary sorridente pela casa, e fiquei levemente preocupada quando vi que ela seguia para o corredor dos quartos. Mas relaxei quando ela ignorou todas as portas ali, e abriu a única porta de vidro. Era a porta que dava acesso ao local onde havíamos aportado o iate.

Eu já havia reparado antes, mas não havia me atentado aos detalhes. Do lado de fora, era um imenso deck de madeira, onde, em um lado, estava aportado o iate, e do outro havia uma mesa enorme — que eu facilmente conseguia ver a família da Clary almoçando ali — e uma cama com um dossel com um tecido branco esvoaçante. E no centro havia uma escada que dava acesso ao Mar. A Clary me guiou até o lado que ficava a cama e me fez olhar para a ilha.

— Oh… — Aquilo era sem dúvida alguma a coisa mais incrível que eu já havia visto. A água ao redor da casa estava, literalmente, brilhando. Embora a ilha estivesse iluminada apenas por algumas tochas que a Clary havia acendido, o que realmente iluminava a nossa noite era o brilho que vinha da água. Aquele brilho muito parecido com o brilho da calda da Clary, simplesmente mágico.

— São plânctons fluorescentes. — Explicou.

— Isso é simplesmente incrível! — O sorriso que ela abriu foi simplesmente encantador. — Posso te pedir uma coisa? — Perguntei me virando para a ela.

— Pode. — Respondeu meio insegura.

— Deixa eu ver a sua calda. — Ela arregalou os olhos. — Por favor. Eu só a vi uma vez, e dei uma leve surtada. — Ela riu.

— Tudo bem. Mas preciso que vire de costas, porque você sabe… Eu preciso tirar a roupa.

— Ah, claro. — Virei-me de costas para ela, olhando para a outra extremidade da ilha; daquele lado estava bem mais escuro, então o brilho que vinha da água estava ainda mais intenso. Um tempo depois eu comecei a ouvir um farfalhar de roupas, e não ousei olhar para trás; embora a ideia de vê-la nua fosse tentadora, e já tivesse invadido os meus sonhos algumas vezes, eu precisava respeitar a privacidade dela acima de tudo. Esperaria ela me dar carta branca, e só então eu me viraria. — Okay, pode se virar.

Quando a vi em sua verdadeira forma pela primeira vez eu admito que quase me apavorei. A visão da Clary, a menina delicada que eu conhecia, virando um predador de olhos brilhantes foi apavorante. Contudo, ali, naquele momento, e com aquele cenário, a Clary estava simplesmente incrível.

Seus olhos tinham aquele brilho esverdeado que eu já tinha visto antes, mas eles não me assustaram mais, e nem suas íris que me fizeram ter pesadelos uma vez. Eu podia notar as escamas em seus ombros e pareciam chegar até a sua nuca, mas o seu cabelo úmido cobria. Seu tronco estava nu, mas os seus seios estavam cobertos pelos fios ruivos.

Embora houvesse iluminação tanto da água, quando da calda dela, ainda era difícil ver de cima. Então, tomei a decisão de entrar na água junto com ela. E, ainda que a Clary, tivesse alguns séculos de vida, e estivesse no topo da cadeia alimentar marinha, ela continuava sendo a Clary que me ajudou na prova de cálculo; a Clary que, embora tentasse negar, era apaixonada por mim. Então, é claro que ela arregalou os olhos quando eu comecei a tirar a roupa.

— Jace…

— Relaxa, Clary. — Falei enquanto terminava de tirar a calça jeans. Caminhei até a escadinha que dava para a água, e com cuidado desci os degraus. E sim, a água estava bastante gelada; o que me fez soltar um palavrão, mas, pelo menos, eu a fiz rir. — Você pode… Você sabe… Vir até aqui antes que eu congele? — Ainda rindo ela veio até mim, e instantaneamente a água ficou mais quente. — Como?

— Eu disse que temos alguns dons. — A Clary deu de ombros. — A maioria das pessoas que dizem ter visto Sereias, são pessoas que nós salvamos de hipotermia; mas as outras acabam acreditando que foi alucinação ou apenas história.

— Isso é muito legal. Como faz isso? Nós, meros humanos também fazemos isso, mas aí nós fazemos xixi na água, o que é bem menos higiênico. — Ela gargalhou.

— Isso vem da calda. Já segurou uma lâmpada e ela estava quente? É basicamente o mesmo. A calda emite luz, transformamos essa luz em calor, e assim a água esquenta.

— Ser Sereia deve ser muito legal.

— Tem suas vantagens. — Novamente ela deu de ombros. Eu desviei os meus olhos para a sua calda e finalmente consegui vê-la. Era enorme, e parecia ser forte; além de realmente ser preta com alguns pontos luminosos nela. Sereias eram simplesmente os seres mais incríveis que eu já havia visto. Os únicos, mas, ainda assim, eu duvidava muito que algo poderia ser mais incrível do que elas.

De maneira inconsciente, a minha mão tocou a sua calda. E, embora, em teoria, eu estivesse tocando suas pernas, a Clary parecia tranquila; mesmo quando me disse que o toque a fazia sentir cócegas. Aquilo era absurdamente incrível, eu conseguia sentir a respiração da Clary na calda, e a maneira com ela a movia lentamente era hipnotizante.

— Você é incrível. — Me vi dizendo. A olhei nos olhos, e mesmo com aquele brilho todo, eu percebi que as suas bochechas estavam coradas. Talvez eu realmente sentisse algo além do que eu pensava por ela.

— Obrigada. — Ela disse abaixando os olhos e abrindo um pequeno sorriso; e mesmo que seu sorriso estivesse decorado por suas presas, aquele sorriso me pareceu incrivelmente lindo. — Eu acho que… — Ela limpou a garganta. — Acho que deveríamos entrar. Foi um longo dia.

— Tudo bem. — Eu assenti.

Subi as escadas com cuidado para não escorregar. Fiquei de costas para que ela pudesse subir, vesti a minha calça e procurei com os olhos pela minha camisa, mas não a encontrei. Respirei fundo, pedindo ao Universo que ela já estivesse vestida.

— Clary… Já está vestida? — Estranhei o fato dela demorar para responder. — Clary…?

— Ah… Não. — A minha risada foi involuntária.

— Estava me tarando, Clarissa? — Perguntei ainda de costas para ela.

— Claro que não! — Ela rebateu muito rápido. Basicamente declarou-se culpada. — O que você quer?

— Minha camisa. — Segundos depois a peça apareceu ao meu lado, e eu até tentei não imaginar a Clary nua atrás de mim, mas foi mais forte que eu.

Fiquei perdido em pensamentos e movendo o corpo mais do que o necessário. O que resultou na seguinte situação. A Clary escorregando na água que escorria de ambos os corpos, e eu me virando para segurá-la. A ruiva encarou os meus olhos por vários segundos antes de se dar conta de que estava nua em meus braços. Se eu não fosse tão apaixonado pelos olhos dela, eu teria cedido ao desejo de olhar para baixo.

— JACE! — Ela cobriu os meus olhos com as mãos. E eu caí na gargalhada. — Não ri!

— Estou com os olhos fechados, Clary. — Ela descobriu os meus olhos, que realmente estavam fechados e eu a senti se afastar. Abri os olhos segundos mais tarde, bem a tempo de vê-la deslizar o short pelo corpo. A peça basicamente sumiu sob a minha camisa, que ela havia vestido para cobrir a sua nudez. Nada de pensamentos sobre isso.

— Eu… Boa noite. — Ela passou por mim rapidamente e entrou na casa.

Eu enlouqueceria até o fim daquela semana.

Quando eu me deitei na cama, depois de um banho, eu ainda não conseguia esquecer a sensação do corpo dela em meus braços, e nem mesmo a sensação dos seus seios roçando em meu peito, ou da forma como seus olhos havia tornado-se alguns tons mais escuros com aquela situação. E mesmo que eu não quisesse, acabei sonhando com uma certa Sereia a noite inteira.

P.O.V Clary

Era o nosso segundo dia na ilha, o que significava que era domingo. O internacional do tédio, porém, eu resolvi passar aquele dia me mostrando ao Jace como aquela maravilhosa cachoeira, que era a principal atração da ilha, era ainda mais incrível de perto. Pelo menos conseguimos passar o dia em uma atmosfera boa, cercados de risadas e conversas sobre assuntos aleatórios.

Mas toda a nossa boa relação foi água abaixo quando a anoiteceu. Nós dois estávamos dentro d’água observando como tudo ficava ainda mais lindo sob a luz do luar. Alguns vaga-lumes voaram a nossa volta, iluminando a nossa noite.. Em algum momento que eu não percebi, o Jace se aproximou, e quando eu percebi o meu corpo estava apoiado ao dele enquanto nós assistíamos a noite chegar.

A respiração do Jace balançava os meus cabelos e fazia com que alguns arrepios atravessassem o meu corpo. Ele pareceu perceber isso, pois, vários minutos mais tarde, os meus cabelos foram afastados e eu senti os seus lábios sobre a pele ali. Quando o meu corpo relaxou, o Jace entendeu como um sinal verde, pois agarrou o meu corpo contra o dele e começou a trabalhar mais intensamente em meu pescoço.

Inconscientemente eu levei uma das minhas mãos aos seus cabelos, e o senti sorrir contra o meu pescoço. Senti os seus lábios subirem até a minha orelha e morderem o lóbulo, e aquele simples ato fez o meu corpo inteiro arrepiar. Ele continuou com a trilha de carícias, até que segurou, delicadamente o meu queixo e mordeu o meu queixo antes de finalmente cobrir os meus lábios com os dele.

Acabei virando o meu corpo de encontro ao dele, para conseguir ter um acesso melhor aos seus lábios. Perdi-me em seus lábios da mesma força que as minhas mãos perdiam-se em seus cabelos úmidos. Aos poucos eu senti que ele nos guiava para fora da água, e logo o meu corpo foi de encontro a uma pedra. Não me machucou, e o Jace pareceu saber disso, pois deslizou os lábios para o meu pescoço, me arrancando suspiros e alguns gemidos baixos, que o faziam apertar ainda mais o meu corpo.

E foi nesse momento que tudo foi por água abaixo. Quando seus lábios voltaram aos meus, o meu corpo e a minha mente me traíram. Lembranças invadiram a minha mente, e aquilo me despertou do meu transe.

— Jace, para… — Ele automaticamente se afastou.

— Eu te machuquei? — Perguntou preocupado.

— Eu não consigo. — Me afastei dele e caminhei até as minhas roupas.

— Eu te machuquei? — Voltou a perguntar.

— Sim! Quero dizer, não… Não fisicamente. — Suspirei. — Não consigo porque … Depois da primeira vez que nos beijamos, no mesmo dia eu o vi com a Lydia. Dormiu com ela na mesma noite, e eu vi quando acordou e a beijou. — Exatamente como estamos fazendo agora. Completei mentalmente. — Eu vi.

— Eu não sei do que está falando, okay? — Ele realmente parecia confuso.

— Você não precisa mentir para me fazer sentir melhor. — Eu terminei de me vestir e o encarei. — Esquece!

— Clary… — Ele começou depois de vestir a própria camisa.

— Eu sabia que isso não ia dar certo. — Comecei a me afastar dele, mas eu não havia sequer dado dois passos quando sua mão tocou o meu braço, em um pedido silencioso para que eu ficasse. Um calor atravessou o meu braço e todo o meu corpo quando ao sentir o seu toque… Era aquele o efeito que ele tinha sobre mim. — Jace.

— Eu não conseguia estar com ninguém desde o dia em que beijei você. — Confessou. — E você não tem ideia de como isso tem me deixado louco. — Eu o encarei. — Não consigo ver, sentir, ou pensar em outra pessoa que não seja você. E se isso for coisa dessa maldição, eu sinceramente não me importo. — Seu corpo estava próximo ao meu novamente. Embora o meu corpo implorasse por um mínimo toque dele, o meu coração ainda estava doendo. — Eu quero estar com você. — Aquela declaração fez o meu coração dolorido bater mais rápido.

— Me beija. — Pedi com os olhos fechados. — Só… Vamos acabar logo com isso. — Pedi ainda com os olhos fechados. Senti sua aproximação e respirei fundo. Delicadamente seus dedos tocaram o meu queixo erguendo o meu rosto; a forma como seus lábios tocaram os meus foi de partir o coração. O beijo foi rápido, um leve encostar de lábios, e então ele se afastou e uniu nossas testas.

— Não posso fazer isso. — Abri os meus olhos. — Não posso fazer isso com você magoada, raivosa e irritada assim. — Ele se afastou, e eu senti falta do calor que de seu corpo. — Temos que estar com os sentimentos em sincronia, e mesmo se eu quisesse, não conseguiria ter esses sentimentos por você, principalmente agora. — O sorriso magoado que ele abriu mostrou o contrário. — Tenha uma boa noite.

— Jace. — Eu o chamei, e algo no fundo do meu peito se contorceu quando ele não se virou.

(…)

Completamos o nosso terceiro dia em Idris, e não havíamos trocado uma palavra o dia inteiro. Eu acabei dormindo mais que o normal, o que me fez perder o horário do almoço; mas, quando levantei, ele estava trancado no próprio quarto, contudo, ele havia feito o almoço. Suspirei cansada e acabei ignorando o almoço, não estava com fome de qualquer maneira.

Passei o dia inteiro sentada na sala, lendo um livro que a Izzy havia me indicado e que ela dizia estar apaixonada pelos personagens, e que eu precisava lê-lo. Quando o Jace saiu do quarto para comer alguma coisa, eu já estava no final de Corte de Espinhos e Rosas, e já estava apaixonada pelo Rhysand.

No mesmo silêncio que o Jace chegou a cozinha, ele saiu, optando por comer no quarto. Bufei irritada e segui para o meu quarto. Não jantei também, estava irritada demais para comer. Quando eu terminei o livro — que eu deveria concordar com a Isabelle, era realmente muito bom —, olhei para o teto do quarto por alguns minutos antes de me levantar.

Sentei-me na areia alguns minutos mais tarde e fiquei e me permiti ficar olhando para o Mar. Eu queria gritar, queria socar alguma coisa, mas não havia nada para socar, e eu não queria que o Jace ouvisse os meus gritos. Frustrada eu resolvi nadar. Mas quando estava prestes a começar a me despir, ele apareceu.

— Lembrou que eu existo? — Perguntei irritada. Eu estava irritada com ele, e sequer sabia o motivo.

— Posso lhe fazer a mesma pergunta. — Ele deu de ombros. — Eu só vim trazer alguma coisa para você comer, eu percebi que não comeu o dia inteiro. — Encarei o prato em suas mãos.

— Não estou com fome. — Disse. — Se só veio até aqui para isso…

— Vai mesmo ficar agindo como uma criança? — Cruzei os meus braços.

— Eu não estou agindo como uma criança. — Rebati.

— Sério? — Bufei frustrada e voltei a me sentar na areia. Demorou alguns segundos para que ele sentasse ao meu lado. — Se vamos continuar agindo assim, é melhor irmos embora. — Eu o olhei, mas o Jace tinha os olhos fixados no Mar.

— De manhã partimos, se é isso que quer. — Murmurei voltando a olhar para o Mar.

— Não é o que eu quero. — Ele suspirou. — Mas não quero continuar aqui se não consigo, sequer, conversar com você. — Foi a minha vez de deixar um suspiro escapar pelos meus lábios. — Me desculpe, por qualquer coisa, que você ache que eu fiz, mas eu não fiz. Não sou tão cafajeste assim. Eu não beijaria você e dormiria com outra, não sou esse tipo de pessoa.

— Eu sei, só que… — Suspirei. — A maldição faz com que eu veja você no meu reflexo. Bom, não sempre, mas faz. E quando eu acordei no dia seguinte ao nosso primeiro beijo, eu vi você com a Lidya. — Apoiei a minha cabeça em meus joelhos. — Provavelmente era uma memória sua.

— Não era. — Eu o olhei. — Nunca levei ninguém para o meu quarto.

— Mas…

— Você seria uma exceção. — Ele suspirou passando as mãos pelos cabelos. — Mas… tudo aconteceu. — Balancei a cabeça em afirmação. — Não quero brigar com você. — Admitiu. — Não gosto de brigar você.

— E você acha que eu gosto? — Deitei-me na areia sem me importar se encheria os meus cabelos de grãos e levaria um bom tempo para tirá-los depois. — Mas nós sempre acabamos discutindo.

— Vez ou outra essas discussões terminam em beijo. — O olhei. — Desculpa.

— Eu acho que esse é o problema. Nós não conversamos, nós brigamos e nos machucamos, mas uma conversa? Nós ainda não tivemos. — Percebi que ele fez o mesmo que eu. Aquela noite o céu estava limpo, sem uma única nuvem, e devido a distância dos continentes não havia aquela camada absurda de poluição para impedir-nos de ver a beleza noturna. A Lua brilhava no céu, e embora não estivesse em sua fase Cheia – a minha preferida-, ela tinha uma tonalidade prateada que a deixava incrível mesmo na fase crescente; as centenas de estrelas ajudavam a decorar o cenário perfeito.

— Você quer conversar? — Ele perguntou depois de um tempo. Eu murmurei uma afirmação ainda olhando para o céu. — Sobre o que quer conversar?

— Está se sentindo forçado? — Perguntei sem o olhá-lo. — Eu achei que me sentiria forçada, mas… É estranho.

— Eu achei que estaria me sentindo forçado, mas… É estranho. Quero dizer, todos sabem o que nos levou a vir visitar esse lugar. — Franzi o cenho.

— Está preocupado com todos saberem que nós viemos para cá para transar? — Perguntei e ele riu.

— Sim e não. Como eu disse, é estranho.

— Eu não me sinto forçada. — Admiti. — Mas sinto que estou forçando você. O que eu quero dizer é que… Não me parece certo trazê-lo aqui para… transar comigo. — Eu o olhei. — Entende o que eu quero dizer?

— Acha que eu não quero transar com você, e que só estou fazendo isso porque, de alguma forma, eu estou tentando me sentir menos pior com tudo o que te aconteceu? — Balancei a cabeça em afirmação. — Alec me perguntou isso antes de partirmos. — Então era isso o que eles estavam conversando tão baixo. — No início até que poderia ser, mas… Eu gosto de você, e se essa é a forma que eu tenho de ajudar…

— Então, está aqui forçado. — Concluí.

— Se está me perguntando se eu quero transar com você, a resposta é sim. — O olhei. — Eu não estou aqui forçado; eu poderia ter dito não. E eu também não estou aqui porque me sinto em débito com você. — Mesmo que eu não tivesse o meu poder, eu podia dizer que ele falava a verdade pela transparência em suas palavras e em seu olhar. — Eu estou aqui porque eu gosto de você, e passar um tempo com a minha amiga em uma ilha paradisíaca me parecia uma boa. — Estreitei os meus olhos em sua direção. Até ele sabia que eu não engoliria aquilo; mas eu não o forcei a dizer a verdade.

Virei-me na areia, ficando de bruços, e bem próxima a ele. O Jace não moveu um músculo sequer. Olhei em seus olhos, eu queria que ele me mostrasse aquela transparência que eu senti em suas palavras, e felizmente ele me mostrou. Encostei os nossos lábios em um beijo casto e me afastei com a mesma rapidez que havia me aproximado.

Nós nos encaramos por alguns segundos. No silêncio de uma troca de olhares nós fizemos as perguntas e obtivemos as respostas que precisávamos para fazer com que os nossos lábios voltasse a se chocar. Em questão de minutos eu me encontrava sobre o seu corpo, encaixada em sua cintura, bagunçando os seus cabelos enquanto ele devorava os meus lábios.

— Eu disse que nossas discussões tendiam a acabar em beijos. — Ele murmurou contra os meus lábios me fazendo rir.

— Cala a boca, Jace. — Ele riu e sentou-se na areia, comigo ainda em seu colo.

Naquele instante, quando afastamos os nossos lábios e os nossos olhares se encontraram; quando no olhar do outro, percebemos o quão famintos por aquilo nós estávamos; foi o momento que ambos tivemos a confirmação que aquilo iria acontecer, e que as consequências não nos importava.

Notas finais
Espero que tenham gostado, Mermaids. Ah, o livro citado no capítulo "Corte de Espinhos e Rosas", há uma razão para que ele ter citado. LIKE I'M GONNA LOSE YOU ESTÁ CAMINHANDO - CAMINHANDO - PARA O SEU FIM, e quem já acompanhou alguma outra fic minha, sabe que quando eu termino uma fanfic eu começo outra, e dessa vez não será diferente. A próxima fanfic que eu vou postar vai ser sobre Corte de Espinhos e Rosas. Por que não outra Clace? Porque já é a segunda de Clace que eu escrevo e eu queria mudar um pouco de universo. "Ah, mas eu não li Corte de Espinhos e Rosas." Como vocês sabem eu sempre escrevo em AU, então é mais tranquilo de acompanhar, e como eu sempre faço introdução aos personagens, acho que dá para quem não leu acompanhar - já cansei de ler fanfic dramione sem ter lido os livros de Harry Potter (podem me julgar por não gostar dos livros e não ter conseguido terminar de lê-los). Enfim, eu estou me empenhando bastante nela e como a minha especial de Natal (que até hoje eu não terminei) ela vai ser postada tanto aqui como no Wattpad, então sintam-se a vontade para lê-la tanto aqui como na outra plataforma, e se não quiserem ler, eu entendo perfeitamente. Acho que por hoje é só. Kissus Lightwood