"Caro Jimin,

Faz muitos meses que eu penso em escrever algo para você, na verdade já penso nisso desde o momento em que terminamos. Eu pensei que pudesse superar você da mesma forma que você fez comigo, mas cheguei à conclusão de que isso é impossível.

Ainda busco entender o motivo de você ter me trocado. Honestamente, o que ele tem de melhor? Ele beijar melhor? Talvez te atraia mais, não? Bom, mas eu te digo que ele pode fazer várias coisas melhores que eu, pode até mesmo ser mais bonito, mas ele nunca, repito, nunca, vai te amar como eu posso amar.

Ele nunca vai te dar todo o carinho que você merece, nem vai estar sempre preparado para secar suas lágrimas e arrancar seus sorrisos, não vai ficar acordado a noite inteira caso você tenha insônia, não vai te abraçar quando você tiver um pesadelo, não vai fazer o possível e impossível por você. E sabe o motivo disso? Ele não é como eu, Minnie.

Ninguém nunca será como eu sou, porque eu nasci para amar você, e sem mais nem menos você me largou. Talvez eu seja idiota de estar escrevendo isso, talvez eu esteja na faculdade errada quando deveria era me formar no curso de ser trouxa, porque eu estou pisando no meu orgulho, me humilhando ao máximo, tudo para tentar entender o que aconteceu.

O que eu fiz de errado? Eu alguma vez deixei de fazer algo? Foram sete anos, Minnie, sete anos que você jogou no lixo sem mais nem menos, sem nem mesmo me explicar o motivo de tudo isso. Por quê?

Eu nunca esqueci o seu aniversário, ou o nosso aniversário de namoro. Eu ia te pedir em casamento no nosso aniversário de oito anos. Poxa, estamos juntos desde que eu tinha doze anos e você quatorze, e agora quase aos vinte e um eu não consigo lidar com o fato de que não existimos mais. Não somos mais o que éramos. Um ano e alguns meses que estamos separados e eu nunca mais consegui olhar para outra pessoa, eu sempre mantive meus olhos sobre você.

Eu sempre vou pensar em você dessa forma. Sou totalmente preso e viciado em você. Como isso é possível? Você me desprezou, me jogou para o lado. Então por qual motivo meu coração ainda acelera quando eu te vejo? Por qual motivo meus olhos ainda insistem em ficar te admirando? Por que eu ainda te amo?

Você simplesmente deixou um bilhete no meu armário, você não se animou a mandar uma mensagem, ou falar na minha cara que não me queria mais. Você ao menos um dia me amou de verdade? Ou sequer gostou de mim? Eu me pergunto tudo isso todos os dias.

E sei que vou permanecer sem resposta, porque você não se importa mais comigo.

Mas, se quer mesmo saber, eu ainda vou continuar esperando por uma explicação, como o bom idiota apaixonado que eu continuo e sempre continuarei a ser.

Eu te amo, Minnie.

Com amor,

O seu Jungkook!"

As lágrimas rolaram soltas pelo meu rosto de uma forma tão dolorosa que eu queria gritar com qualquer um que aparecesse em minha frente. Estava em uma cabine do banheiro, lugar onde me escondi para poder ler a carta que Jungkook me escreveu.

Meu coração apertou, eu queria poder contar a ele o que está acontecendo, mas eu não podia. Como eu faria isso se aquele idiota que chamo de namorado está o ameaçando? Eu prefiro ter que passar por essa tristeza do que prejudicar Jungkook.

Jeon Jungkook sempre será o meu grande amor, além de também ter sido o primeiro e único que amei em minha vida. Ele é tudo para mim. Jungkook tem razão, ele não pode me amar como o Jeon pode. Só Jungkook consegue me amar como eu sempre quis.

— Jimin, sai dessa porcaria de banheiro. – Ouvi a voz grave do garoto que eu odiava até falar o nome. – Eu vou te dar um motivo verdadeiro para chorar se você não parar.

— Você não pode me proibir até de chorar. – Solucei.

— Destranca essa porta! – Gelei ao ouvir isso. – Agora!

Mesmo receoso eu o fiz, porque sabia que seria pior caso não fizesse. Ele adentrou a cabine onde eu estava e prontamente apertou meus pulsos. Comecei a chorar ainda mais, odiava que ele encostasse em mim, mas sempre cedia ao que ele queria, por medo. Eu tinha medo dele, nada além disso. Sentia uma repulsa muito forte cada vez que ele se aproximava e dizia coisas maliciosas para mim, eu queria correr dele para ir diretamente para os braços de Jungkook, mas eu não podia.

— Pelo visto você está com saudade dos meus toques, por isso fica aí chorando pelos cantos. – O aperto em meu pulso se intensificou. – O que acha, uh?

— Eu não quero, eu preciso voltar para a aula. – Pedi de forma murmurada.

— É por causa dele, não é? Sempre o culpado é Jeon Jungkook! O que ele pensaria se soubesse que você virou a minha vadia, ein? O que ele pensaria que o garotinho inocente dele adora gemer meu nome?

Um estrondo alto na porta impediu que ele continuasse falando aquelas coisas. Foi tudo tão rápido que quando me dei conta eu já estava tentando puxar Jungkook de cima do garoto. Ele não me ouvia, pela sua expressão eu sabia que ele estava cego de tanta raiva. E eu não o culpo, mas talvez isso faça tudo ser ainda pior.

— Kookie, para, você vai ser expulso se fizer isso. – Eu não conseguia parar de chorar.

— Você não consegue lidar com a verdade, Jungkook? – O garoto abaixo do meu ex disse, mesmo com dificuldade. – Ele é meu.

— Ele não é um objeto para ser seu! – Gritou o Jeon. – Não sei se você sabe, mas o meu pai é da polícia e ele está do lado de fora desse banheiro pronto para levar você para a cadeia. Você pode agora me ameaçar, dizer que vai sair de lá e me matar, eu não me importo, mas o Jimin nunca mais vai sofrer nas suas mãos, seu imundo!

Ainda com dificuldade o menino levantou e riu debochado, achando ser mentira o que Jungkook dizia, mas foi pego por não um, mas vários policiais. No mesmo instante Jungkook me encarou e me puxou para um abraço, me apertando contra seu corpo e fazendo com que eu me sentisse confortável como eu só conseguia sentir nos seus braços.

— Calma, meu amor, eu vou te levar para casa. – Apenas assenti, juntando minha mochila do chão e o seguindo.

Fomos em silêncio até o carro de Jungkook, eu estava nervoso, sabia que eu precisava contar a ele a verdade, o motivo pelo qual eu precisei terminar com ele. Mas ao mesmo tempo me machucava tanto ter de dizer isso, que eu preferia ficar em silêncio.

Eu só precisava de um pouco de coragem.

— Eu conheci ele por acaso. – Comecei, vendo a melhor feição interrogativa se estampar no rosto de Jungkook. – Foi na faculdade, ele se declarou para mim e não ligou quando eu disse que já era comprometido e que amava o meu namorado. Ele simplesmente me atirou com força contra o armário e disse que se eu não o queria por bem iria querer por mal, nem que fosse para proteger você. Eu me desesperei, mas achei que fosse uma ameaça em vão.

— Eu odeio esse desgraçado!

— E-ele de alguma forma conseguiu colocar uma câmera no meu quarto e disse que se visse eu e você juntos ele iria saber, ameaçou machucar você... ele não é uma pessoa muito boa, ele se envolveu com pessoas perigosas e eu entendi que aquela ameaça não era vazia. Eu fiquei com medo de você se machucar, Kookie, e quando eu li a sua carta eu só queria poder voltar correndo para os seus braços. Na verdade foi isso que eu sempre quis, desde o dia que coloquei aquele bilhete no seu armário. Me desculpa!

Jungkook parou o carro em frente à minha casa e saiu do veículo sem falar nada, foi ali que eu percebi que tinha o perdido por conta do meu grave erro de não ter o contado. Ele merecia saber, mas ao mesmo tempo precisava entender que fiz isso para o seu próprio bem. Eu sou tão idiota.

A porta do carona foi aberta e Jungkook se agachou ao meu lado, abrindo os braços, onde não demorei a me enfiar, o abraçando com toda a força que eu conseguia, chorando ainda mais. Se chorar matasse, eu já estaria enterrado.

— Me perdoa, Kookie, por favor. – Implorei enquanto o abraçava, sendo puxado para fora do carro e ouvindo a porta ser fechada.

— Você não tem motivos para me pedir desculpas. Agora eu entendo, meu amor, e eu apenas estou feliz por ter escutado sua conversa com aquele idiota e por meu pai estar perto da universidade. Ele não vai mais te incomodar. – Apenas afundei meu rosto em seu peito, tentando matar a saudade dele. – Eu te amo, Park Jimin. Não me arrependo de não ter superado nosso término.

— E você não tem nojo de mim? Você ouviu o que ele disse. – Senti nojo apenas de lembrar das palavras dele. – Ele disse que eu era a vadia dele.

— E eu sei que isso não é verdade. Ele que é um idiota que não consegue dar valor a alguém tão incrível quanto você. Fora que eu sempre vou te ver como meu menino inocente, não me importa as palavras inúteis que saíram pela boca daquele imbecil.

— Eu te amo muito, Kookie. Obrigado por não desistir de mim.


— Eu nunca vou desistir de você. Como eu disse, ninguém nunca vai poder te amar como eu posso.



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