Like A Fairy Tale - Jercy

2 Kiss A Prince - Capítulo Único


Notas iniciais
Olá! Apresento a vocês o capítulo inteiro e revisado da oneshot! Mil desculpas pelos meses de demora ahdbgdsv tivemos um contratempo! Espero que deixe a leitura fluir e jercy (jason grace x percy jackson) entrar em seus coraçõeszinhos, acredito que todos já estejam habituados com esse shipp... Pelo sim e pelo não, mantenham as mentes abertas e aproveitem a leitura! Essa oneshot é dedicada ao Gio (@kaishinhos) que foi meu amigo secreto e que apesar de a gente não ter dado continuado com a brincadeira, ele que provocou essa obra de arte que vocês vão ler! LEIAM AS NOTAS FINAIS!

Jason estava segurando a mão de Piper. Eles estavam numa longa fila junto com vários filhos de pessoas importantes, esperando para serem anunciados num baile anual, que provavelmente seria muito tedioso, para comemorar o momento épico da colheita de outono. Ele gostava da ideia do baile e de como o clima todo se formava parecendo que eles estavam realmente organizando um baile da Cinderela, ele só não gostava dos paparazzi e jornalistas que ficavam ao redor do local esperando que algum herdeiro ou algum outro jovem muito importante considerasse dar uma entrevista para eles. Por isso ele levou Piper como seu par, não porque Piper era sua namorada, – ela tinha sido um dia, mas hoje era mais como sua melhor amiga – quando ele estava com ela, ele não precisava ter que falar sobre sua vida amorosa, porque Piper estava bem ali, ela era um recado direto.

Sem contar que Jason odiava vida de príncipe, não a vida de príncipe em si, mas o título de príncipe, como as pessoas o veem por isso. Quer dizer, ele estava tentando tanto aprender economia e diplomacia e toda matéria difícil para governar um reino que às vezes ele tinha dor de cabeça só de pensar em algum livro… Enquanto isso, as pessoas achavam que ele estava muito bem treinando para entrar no exército e pensando em qual seria o terno mais agradável para um chá das cinco. Então, sim, ele tentava não se apresentava usando o título de Príncipe de Stormia e os amigos dele já haviam falado sobre isso, sobre o dia em que ele teria que morder a língua e se apresentar em um baile oficial como aquele com seu título de realeza. De qualquer forma, ele não se preocupava muito com isso, se suas orações se mantivesse em dia, provavelmente esse dia nunca chegaria.

Então lá estava ele, segurando na mão da sua melhor amiga e esperando pra entrar na festa e talvez pegar um ou dois copos de champanhe, fingir que está se divertindo, olhar paisagens, falar com gente que nunca tinha visto, falar das antigas monarquias, tudo isso para que ele pudesse cordialmente ir embora. Estava tudo combinado, tudo certo, como sempre ele sempre faz em festas tão monótonas como aquela, só que pouco depois de passar das dez da noite e já ter tomado umas três taças de champanhe, sua consciência lhe mandou olhar para o lado e, de repente, Jason havia acabado de achar um cara lindo o suficiente para ser apelidado de Deus do Pânico Gay.

O Deus do Pânico Gay tinha olhos verdes faiscantes, cabelos pretos e selvagens e o terno com o corte tão perfeito e simétrico que pela experiência de Jason no assunto deveria custar pelo menos mil euros, pago apenas em espécie. Mas não era só isso, será que Jason estava perdendo a cabeça? Porque não era possível que alguém pudesse parecer tão charmoso assim enquanto quebrava a regra de etiqueta de não coçar a orelha durante eventos oficiais. Jason decidiu disfarçar, Piper estava bem na sua frente, completamente elegante e contando sobre os segredos do showbiz, ele adorava saber como alguma celebridade era na vida real, sem ter que ficar decorando textos para entrevistas para se tornar alguém “interessante”, mas o grande problema era que graças ao senhor Deus do Pânico Gay parecia que o raciocínio de Jason estava nublado, como se uma nuvem tivesse interrompendo uma conversa de sinais entre seu cérebro e sua consciência.

— Tudo bem, o que está acontecendo? – Piper perguntou depois de perceber que Jason não parava de tentar discretamente mover apenas seus olhos para alguém na diagonal dela.

Jason, obviamente, preferiu se fazer de desentendido. Os deuses sabem como Piper era um amor de pessoa, porém que o ponto fraco da garota era justamente o amor, se ela achasse que Jason tinha chances com alguém, ela impreterivelmente encheria seu saco até ele trocar pelo menos um “oi” com a pessoa. Ele não precisava disso, ele precisava beber, sorrir e voltar para o seu quarto enquanto esperava a ressaca seguinte chegar, muito obrigado.

— Para de se fazer de desentendido, eu sei te decodificar só vendo a cor dos teus olhos, você sabe disso. O que está acontecendo?

Jason fingiu beber um pouco mais de champanhe. Se ele ignorasse, talvez Piper só pulasse para a próxima história dos bastidores do mais novo filme da Netflix.

— Jason, para de disfarçar. Não vai dar certo. Sério, por que você não me conta? – ela viu Jason ficar em silêncio e sorrir, como se estivesse posando para mais uma das fotos da realeza, mas ela já sabia como arrancar a informação dele, e ele sabia disso — Ok, estamos num evento oficial da realeza, cheio de gente importante e, principalmente, cheio de gente fofoqueira. Quer mesmo que eu te dedure.... Nuvenzinha?

E ali estava. O apelido que sua irmã mais velha lhe deu quando Jason tinha apenas quatro anos e estava obcecado por nuvens brancas ao ponto de tentar ficar de cuequinha branca a maior parte do tempo. Óbvio que Thalia não o chamava mais assim, mas a questão é que houve uma festa no aniversário de 19 anos de Piper e eles arrumaram um novo sentido para “literalmente encher a cara” e foi assim que sua melhor amiga indígena descobriu seu apelido constrangedor.

Jason suspirou frustrado, ele já esperava por isso. Ele não estava surpreso.

— Ok, Pipes, eu posso te contar, mas você tem que me prometer que não vai me forçar a falar com ele. Estamos combinados? – Jason questionou. Ele tentou manter a expressão neutra para não deixar nenhuma evidência de que realmente queria falar com o senhor Deus do Pânico Gay. Mas Piper podia olhar além de suas expressões.

— Você está tendo um bi panic por quem, príncipe encantado? – ela falou já tendo deduzido tudo. E Jason soube que não haveria mais jeitos de contorná-la, ele teria que despejar tudo o que se passava em sua cabeça calculando milimetricamente para que a reação de Piper não seja soltar um grito involuntário.

— Cuidadosamente, olhe para a sua diagonal que está na minha direita.

O aviso não serviu para merda nenhuma, uma vez que Piper tinha muita intimidade consigo e seguia fielmente o protocolo de melhor amiga, ela girou 180 graus em dois segundos e encarou o senhor Deus do Pânico Gay como uma louca por dez segundos inteiros.

— Piper, para de fazer contato visual direto, ele vai notar e você vai parecer uma louca. E eu sou o cara que está do seu lado. Ele também vai fugir de mim. – Jason sussurrou quase como se estivesse gritando.

Piper quebrou o contato visual, mas deu uma gostosa gargalhada em seguida, como se Jason fosse o cara mais engraçado do mundo e não um completo idiota que se deixou levar pela conversa de Piper mais uma vez. Ela sempre fazia aquilo, ser discreta nessas situações não era com ela.

— Me espere aqui. – ela disse caminhando para longe de Jason, no meio do caminho ela pegou uma taça de champanhe e, em segundos, ela estava conversando com o Deus do Pânico Gay.

Jason já sabia o que ia acontecer, Piper ia conversar com o cara e o convencer de que Jason era um cara legal que o jurava reconhecer de algum lugar por onde passara, ela apontaria para Jason e Jason deveria fingir que estava fazendo algo antes de levantar a cabeça e sorrir tentando parecer o mais charmoso possível, depois o cara o dispensaria e Piper o convenceria a beber mais um pouco antes de ele voltar derrotado para casa.

Mas surpreendentemente, quando ele levantou o olhar e sorriu, o rapaz sorriu de volta para ele. Pausa dramática aqui para acrescentar que Jason quase caiu de joelhos naquele mesmo momento, obviamente o Deus do Pânico Gay tinha um sorriso de derreter até os ossos. Puta que pariu, será que era normal se ver tendo um futuro quente e romântico com um desconhecido só porque ele tem um sorriso incrivelmente espetacular?

Jason não entendeu essa mudança drástica na sequência de fatos cronológicos, mas um minuto depois e o Deus do Pânico Gay estava indo em direção às escadas do jardim enquanto Piper caminhava completamente... serelepe, digamos assim, em sua direção. Um sorriso tão grande que Jason relembrou porque fora apaixonado por ela por tanto tempo.

Ok, talvez Jason tenha um sorriso bizarro por sorrisos abertos e desconcertantes.

— Ok, Grace. Ele foi com sua cara, pegue mais uma bebida e espere dois minutos antes de seguir seu Deus do Pânico Gay. O nome dele é Percy.

Jason estava petrificado no lugar. Então quer dizer que o senhor Deus do Pânico Gay não o tinha dispensado? E que ele lhe daria uma chance de conversa? Tudo bem que Jason já sabia que iria se humilhar na frente do cara bonito, porque afinal de contas ele era o Jason, mas mesmo assim, ele não podia evitar que um sorriso grande e levemente sujo crescesse entre suas bochechas alvas.

Jason Grace estava de volta ao jogo.

— Jason, eu conheço esse sorriso. Para de pensar em frases feitas de filmes besteirol, garoto, pega logo mais uma taça de vinho e anda para encontrar teu homem. E lembra, o nome dele é...

— Percy. – Jason completou sem deixar que o nome parecesse algo sacana em sua mente. Pelos deuses, ele estava sexualmente atraído por um cara que apelidara de Deus do Pânico Gay, ele havia atingido o auge da boiolice. Por que ele orgulhoso disso?

No fim, Piper teve que entregar em sua mão uma taça de vinho e o dar um leve empurrão para que ele fosse caminhando até o jardim como se não pretendesse usar todas as suas cantadas furadas em uma noite só. Ok, ele precisava se controlar.

Ele caminhou entre sorrisos e passos leves até o jardim, mesmo com uma expressão carismática no rosto, tudo dentro dele batia em algo intenso e ininteligível porque ele não estava acostumado a flertar com pessoas bonitas como se ele fosse uma pessoa bonita. Será que ele tinha sequer palavras para usar com Percy?

E então ele viu, Jason viu o Deus do Pânico Gay AKA Percy encostado contra uma coluna no início das escadas do jardim enquanto bebericava seu vinho, como se Jason fosse a companhia que tanto esperara. Jason queria ter palavras para descrever o que sentia naquele momento, palavras para descrever Percy, mas parecia que nem se ele buscasse por todo o dicionário, ele com certeza não acharia algo à altura.

— Oi. Jason, certo? – Percy perguntou, a luz da lua refletiu em seu rosto e Jason pôde ver que o sorriso de Percy era tão brilhante quanto seus olhos à meia-luz. Jason nem sabia que aquilo era possível, puta que pariu.

Ok, Jason tinha que se acalmar, porque por mais que esteja em bi panic desde que pôs os olhos em Percy, ele tinha que manter uma dignidade. Pelo menos antes que toda a insegurança tomasse conta dele e o fizesse fugir de alguma forma daquela situação.

— Oi, então você é o Percy. – ele disse suave — Desculpe se Piper o assustou.

— Eu já estou acostumado, ela também me disse que é atriz, então eu imaginei que ela pudesse ser mesmo muito espontânea. – Percy deu uma risada baixa e rouca como se estivesse revivendo o momento, talvez ele só estivesse conversando com Jason para se aproximar de Piper...? — Eu devo admitir que quando ela disse que você me reconhecia de algum lugar eu fiquei ligeiramente surpreso, eu costumo ser um pouco mais discreto nos eventos que eu vou, os deuses sabem como minha vida pode ser conturbada.

— Então você tem uma vida conturbada, hm? – Jason deu um meio sorriso para Percy — Mas eu tenho que confessar algo... Eu realmente não te vi antes, mas algo em você parece ser bem familiar. Acho que de tanto andar com alguns amigos artistas eu desenvolvi esse pensamento de energias empáticas, sabe? Sentir que poderíamos nos entender muito em nossas discursões.

— Sabe... Já que está me confessando algo, eu acho que eu poderia confessar algo também.

— Jura? – Jason perguntou.

— Mas não aqui. – Percy pontuou — Eu conheço esse lugar com a palma da minha mão, tem um nicho atrás daquelas cortinas, acho que lá é muito melhor de conversar sem sentir que alguém vai aparecer aqui de repente e ouvir os maiores segredos das grandes famílias ou algo assim.

— Então vamos para trás daquelas cortinas? – Percy assentiu — Oh, isso soa um pouco como Cinderela, mas vou lhe dar essa colher de chá, Olhos Verdes, não me desaponte.

— Nunca faria isso, Vossa Alteza. – Percy brincou guiando o caminho à sua frente. Jason sentiu um arrepio pela sua espinha: quem havia contado à Percy que Jason era príncipe de Stormia?

— Vossa Alteza, hm? – Jason provocou, só porque ele precisava tirar a limpo tudo aquilo antes de ir para o escuro escondido do senhor bonitão.

— Eu estou tentando arrumar elogios para você sem parecer clichê, mas é um pouco complicado quando você se parece com a porra de um príncipe. Definitivamente alguém importante.

Jason se deixou rir por isso, claro que ele estava rindo de alívio, ele havia acabado despistado o cara, mas ele podia deixar Percy acreditar que era um riso tipo flerte, até porque os deuses sabem como ele era horrível em flertar.

Jason fez um gesto com a mão dizendo que Percy deveria ir primeiro para mostrar o caminho, ele manteve o sorriso no rosto e o olhar afiado, quando Percy virou de costas, Jason se deixou sonhar acordado com o que aquele terno perfeito escondia... Costas musculosas e coxas grossas, características de modelos da Calvin Klein.

— A visão de trás parece boa? – ele ouviu Percy falar de costas.

— Não é como se eu pudesse ter outra visão, eu não sei o caminho como você.

O riso fraco dos dois lados preencheu o silêncio.

— Você poderia andar ao meu lado, que tal? – Percy sugeriu.

— Você promete se comportar?

— Você tem a minha palavra. – uma pena, Jason pensou.

— Ok, então, mas lembre-se, mãos acima da cintura e visíveis, eu sou um moço de família.

— Eu percebi pela forma como pediu pra sua amiga me chamar até o lado escuro e menos movimentado da festa para flertar comigo descaradamente.

Ok, isso foi golpe baixo. Jason não tinha culpa se era ligeiramente tímido e Piper sempre queria cenários românticos e levemente desertos quando planejava os esquemas de Jason. Era apenas uma realidade a aceitar.

— Você preferia me ver flertando com você na frente de todos? Acho um pouco narcisista de sua parte, senhor Percy...? – Jason indicou para que Percy preenchesse com seu apelido.

— Já estamos na fase de saber o sobrenome um do outro? – Percy perguntou risonho e se aproveitou disso para puxar Jason mais para perto apenas para rir contra seu pescoço. O desgraçado sabia desestabilizar uma pessoa.

— É para quando você for procurar um banheiro e eu finalmente puder puxar sua ficha criminal. E acredite, eu já estou lhe dando uma colher de chá, geralmente eu puxo a ficha criminal antes de aceitar ir para um local escuro e escondido com um desconhecido.

Percy parou de repente, de frente para uma cortina que ficava no fim do corredor onde eles estavam, a cortina se estendia por entre duas colunas de mármore, não parecia que havia uma passagem secreta ali, mas Percy afastou a cortina e Jason pôde ver uma saleta com vista pela varanda.

— Chegamos.

— Nossa. – Jason soltou impressionado — Eu realmente me sinto dentro do baile da Cinderela agora.

— Era essa a intenção da festa, não era?

— Pensei que a intenção da festa fosse tirar fotos felizes para dizer que estamos muito empolgados por conseguirmos concluir a colheita de outono, como se não tivesse tido um grande planejamento agropecuário para isso.

Percy sorriu de lado e guiou Jason para dentro da saleta, as luzes ali eram velas à pilha e o ambiente todo era mal iluminado, era bem romântico até. Mesmo que Jason só conseguisse ver metade de Percy e precisasse ser guiado por ele pelo local para não tropeçar em nada.

— Sabe, eu acho engraçado como você fala. Soa como um líder falando, como se você tivesse estudado a vida toda para aprender palavras grandes e saber como o sistema funciona. – Percy começou – Sinceramente, eu acho que estou impressionado com a sua inteligência.

— Oh, deuses... Você é esse tipo de cara, então?

Eles estavam sentados um de frente para o outro enquanto usavam a bancada da varanda como uma espécie apropriada de banco.

— Que tipo de cara? – Percy questionou curioso, o corpo contra uma coluna e os olhos brilhando em desafio para Jason.

— O tipo de cara que gosta de nerds. – Jason falou num sorriso torto e deixou que ele crescesse antes da próxima provocação: — Oh, meus deuses, você provavelmente entra naquele círculo de pessoas que gosta de caras tão magros que mal aguentam o próprio peso.

— Talvez? – ele rebateu – Apesar de preferir loiros de olhos claros com aparência angelical e língua afiada, pelo menos eu não fico entrando no site da polícia internacional para saber se o cara com quem eu estou flertando não é um criminoso. Não esconda o jogo, querido.

— Oh, sim, você me pegou, a verdade é que eu sou um cara perigoso, – se você considerar dormir fora do horário um perigo – e estou em busca de pessoas criminosas como eu para finalmente performar Britney Spears com fidelidade.

Percy explodiu em risadas, risadas altas e espontâneas. Isso era um ponto tremendo, quase uma vitória garantida, fazer a pessoa que você quer rir é o maior passo a ser dado. Garante charme e interesse.

Mama, i’m in love with a criminal... — os dois cantaram ao mesmo tempo, sem querer. O arrepio rápido de conexão inesperada.

A risada cessou rápido depois desse vislumbre de sintonia. O silêncio ficou. Jason tentou manter o sorriso, mas a ideia de que ele terminou o clima antes de começá-lo o deixou constrangido.

Percy tossiu como se para se recuperar das gargalhadas passadas, ele levantou e decidiu se sentar mais próximo de Jason.

— Então... Você ainda quer meu sobrenome para aquela ficha criminal? – ele puxou assunto — Infelizmente, não deve estar muito interessante. Eu tenho sido um bom menino, se quer saber.

A conotação sexual fajuta estava ali e, por algum motivo, a conotação que deveria fazer com que ele ardesse como o inferno, o fez soltar uma risada escandalosa e sem avisos. Uma risada daquelas que a gente nunca solta em frente a potenciais interesses amorosos porque sempre soa como o ganido de um jumento prestes a dar a luz.

Jason tampou a boca assim que pôde, envergonhado de sua risada ridícula, mas lá estava Percy o olhando como se ele brilhasse como mil sóis. Jason não sabe por que Percy ainda não o deu um fora, mas ele agradece a todos os seres divinos envolvidos.

— Eu não entendo... – Percy começa.

— Não entende o quê?

— É que você parece um clichê ambulante. É incrível.

Jason o encarou sem entender. Do que diabos esse garoto estava falando?

— Como é? – Jason falou não tão indignado – Você me trouxe para o esconderijo da Cinderela, você quer mesmo me chamar de clichê? Você é tão clichê que só falta me revelar que é um príncipe que não revelou que era príncipe porque não se importa com títulos e decoros oficiais da realeza.

— E se eu for? – provavelmente eu vou cair duro dessa varanda e você vai ser responsabilizado pela morte do último herdeiro de Stormia.

— Você é? – Jason já não sabia mais que expressão facial escolher, se não fosse apenas uma brincadeira de Percy para prender sua atenção, então isso explicaria o porquê de tudo ter dado certo até agora: para que Jason visse as mesas virarem um sua cara.

— Faria diferença? – Percy perguntou arqueando as sobrancelhas.

— Bom... Acredito que não se cresça príncipes nas árvores. E nem que caíam delas todos os dias.

— Realmente não. – Percy disse, seu olhar foi direto para os olhos de Jason, e Jason pôde sentir toda a carga energética daquele olhar pela sua espinha.

Ele teria que perguntar, puta que pariu.

— Percy... Você é um príncipe? Tipo um príncipe de verdade do tipo que faz parte da hierarquia real de alguma monarquia parlamentar estrangeira?

— Sim. – Percy suspirou um pouco — Eu saio muito do seu tipo de quedinhas por criminosos por causa disso?

Jason riu, Percy era incomparável, irreal até. Ele era perfeito.

— Talvez, mas você tem uma vantagem.

— Tenho? Qual?

— Como é seu nome todo com o título oficial? – Jason perguntou antes, só o que lhe faltava era que Percy fosse príncipe do maldito reino a qual a monarquia de Jason tinha se aliado recentemente.

— Perseus Icaurus Jackson, príncipe-herdeiro do trono de Mareide.

Bingo. Mareide. Aquela noite da vida de Jason havia se tornado um clichê ambulante, um clichê gay ambulante e extremamente previsível, era só checar os contos de fadas. Ele deveria se sentir enjoado assim?

— Percy...

— Qual é a minha vantagem?

Jason se levantou da varanda e tropeçou na meia-luz até sentar no banco de pedra ao redor de alguns vasos grandes de flores. Quando ele se sentou, demorou apenas alguns segundos para que Percy se sentasse ao seu lado.

— O que foi? Esse é o seu jeito de me dar um fora? – Percy perguntou brincalhão, mas dava para ver o tom de preocupação em sua voz.

— Eu não vou te dar um fora... – Jason soltou.

— Não?

— Não... – Jason respirou fundo, uma vez que Percy havia sido verdadeiro, ele seria também — Eu também sou príncipe. Jason James Grace, príncipe-herdeiro de Stormia, próximo na linha do trono.

Percy chegou mais perto.

— Era isso? – Percy riu — Eu já suspeitava. Levemente, mas ainda sim. O emblema de sua corte está impresso em suas abotoaduras. Eu só demorei um pouco para ligar os pontos.

— Parece que eu subestimei você.

— É a aparência. O rostinho bonito faz parecer que eu não sou tão inteligente, acho que é por isso que eu tenho uma queda por loiros intelectuais. – ele brincou.

Um clima de risada franca se instaurou pelo local e depois veio aquele silêncio confortável. Todo o ambiente pareceu leve e agradável, ambos sabiam que não era por conta do jardim logo abaixo.

Mas então algo atingiu Jason em cheio, algo que ele não conseguia explicar adequadamente naquele momento.

Jason olhou para Percy, ele possuía os olhos verdes mais brilhantes que já havia presenciado, eles eram tão cheios de vida que era como se Jason estivesse esperando para vê-los a vida inteira, era engraçado como naquele momento, depois de toda a ocasião do baile, ele podia analisar de perto e devagar cada detalhe de Percy. Ele era lindo, pincelado em cada parte, isso fazia Jason querer beijá-lo, mas talvez fosse impulsivo demais, fosse algo demasiado precipitado para um príncipe prestes a assumir o trono do pai. Jason se afastou de Percy, mal notara que chegara perto demais, devia ter parecido um lunático ou algo assim.

Mas então, Percy se aproximou, recuperando todo o espaço que Jason dera entre eles segundos atrás.

— Por que se afasta, Vossa Alteza? – ele perguntou, um ar levemente provocador repuxando seus lábios para o lado esquerdo fazendo a covinha aparecer no queixo.

Jason preferiu manter o silêncio. O silêncio nunca o trairia ali.

— O gato comeu a sua língua? – Percy tentou de novo.

Jason só estava constrangido em como tudo parecia ser tão intenso ao lado de Percy, todos os sentimentos aflorando seus hormônios e todos aqueles pensamentos de alarme. Ele havia acabado de se apresentar oficialmente como príncipe para Percy, ele odiava se apresentar com príncipe. Puta que pariu, se seus princípios estavam indo embora, que dirá sua dignidade. Se sua dignidade já não tivesse ido tempos atrás.

— Ok, você parece estar num surto interno, então acho que eu vou ter que ser mais direto: eu quero beijar você. Tipo muito mesmo. Daqui a pouco a festa acaba e eu realmente quero voltar pra casa e pensar em como eu beijei você depois de tanta provocação e flerte. – Percy soltou.

Isso fez algo dentro de Jason gritar, mas só internamente, porque Jason preferia continuar calado e sem manter contato visual com Percy.

Até que ele sentiu os dedos de Percy em seu queixo e então o movimento para que toda a espinha de Jason se arrepiassem olhando diretamente para os olhos intensos de Percy, e ele sabia que provavelmente Percy estaria pensando em como os olhos azuis eram faiscantes porque eles vinham sendo definidos assim por toda revista de fofoca desde que Jason entrou na puberdade.

O olhar de Percy caiu para os lábios de Jason e ficaram em um ioiô lento e sensual entre os lábios e os olhos de Jason. Era um sinal claro de que Percy só estava esperando uma iniciativa de Jason para terminar aquela noite de uma forma boa.

— Porra! – foi o que Jason disse antes de avançar contra os lábios de Percy.

Jason realmente gostava de beijar pessoas, gostava de sentir como as respirações quentes batiam contra os rostos e uma contra a outra, gostava como as mãos tomavam seu rumo naturalmente, sem precisar de pensamentos, gostava de como o tempo passava ligeiramente mais devagar quando beijava as pessoas. Mas aquele beijo com Percy... Tinha praticamente as mesmas características, as características gerais estavam ali, mas algo os fazia encaixar mais.

Os lábios dos dois pareciam tão lubrificados que corriam soltos entre o embalar do beijo, as línguas se enrolando e se movimentando de uma forma que fazia Jason soltar pequenos sons de agradabilidade, as mãos alheias correndo pelo pescoço, pelo cabelo, pela cintura e abaixo sem o mínimo decoro e com a maior das curiosidades. Era intenso. Jason sentiu que eles já estavam quase se fundindo de tanto se aproximar, mas ele não queria parar. Era bom, era efervescente.

Mas ocasionalmente o beijo terminou.

Quando o beijo terminou, Percy ainda lhe roubou três ou quatro selinhos antes de se afastar. O sorriso largo, as pupilas dilatas e o olhar nublado, tudo nele parecia bagunçado e amassado, talvez Jason estivesse da mesma maneira, mas ele não se arrependia.

— Então é assim que se beija um príncipe, hm? – Percy disse abrindo um sorriso sacana, ele brilhava no meio daquela escuridão.

— Puta que pariu, você é um puta clichê ambulante. — Jason riu. Seu humor acabava de melhorar em mil porcento.

— E você tem uma boca suja.

— Você não reclamou dela quando estava me beijando.

— Não vou reclamar agora quando eu estou prestes a beijá-la de novo. Sabe como é... Os clichês e contos de fadas sempre dizem que se deve beijar um príncipe, então eu vou beijar um príncipe, dessa vez por garantia.

E Percy avançou para um novo beijo. Definitivamente aquela noite proporcionara a Jason o conto de fadas que ele esperava desde que começou a entender o significado da palavra “príncipe” em sua vida.

Notas finais
Espero que tenham gostado! Deixem nos comentários o que acharam para me incentivar a escrever mais e sejam os mais sinceros possíveis! meu twitter: @pipeynaallstark Até a próxima!!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!