Like A Dream
1 Prólogo
Notas iniciais
Na primeira vez em que o vi ele tocava. Tocava feliz, tocava com amor, tocava com paixão. Seu arco deslisava pelas cordas, seus cabelos esvoaçavam com os movimentos e os olhos fechados me faziam pensar no que ele estaria pensando naquele momento. Não me lembro exatamente que musica ele tocava, mas isso nem importa muito, basta dizer que era rock.
Ali no meio de todos aqueles garotos que tocavam exatamente a mesma coisa que ele, ele se destacou em minha visão. Não me pergunte por que, pois eu não faço a menor ideia. Só sei que quando bati os olhos nele, foi impossível desviá-los.
Depois disso, levei duas semanas até encontrá-lo novamente.
⋆ ⋆ ⋆
Eu estava atrasada. Tinha que entregar aquele trabalho até as 14:30 e já eram 14:20. Eu corria desesperadamente com o trabalho na mão, e meu caderno e livros nos braços e por estar com tanta pressa eu virei o corredor sem olhar e esbarrei nele. A pancada foi tão grande que eu caí no chão.
–Ai! Droga! — Exclamei já me levantando.
–Você tá bem? — Perguntou ele estendendo a mão para me ajudar.
Ignorei-o com pressa já começando a juntar minhas coisas. Uma olhada no relógio me fez ver que eu só tinha 3 minutos para chegar na sala do professor e entregar meu trabalho e do jeito que aquele professor era filho da mãe, se eu não fizesse isso nesses 3 minutos, ele não aceitaria mais!
Deixando os livros e o caderno pra trás, peguei o trabalho recém impresso e saí correndo novamente deixando o garoto confuso para trás junto com minhas coisas.
Cheguei na sala do professor bem em cima da hora. Ele já estava se levantando para ir embora quando coloquei o trabalho sobre a mesa dele e disse um “tá ai! Preciso ir agora.” e saía correndo novamente para pegar as minhas coisas. Porém, quando cheguei onde as tinha deixado, elas já não estavam mais lá! Onde aquelas porcarias tinham ido parar? Eu não podia perder aqueles livros, eles eram da biblioteca!
Depois procurar na escola inteira e ir em todos os lugares onde poderiam ter entregado minhas coisas, desisti e fui pra casa. Aquele garoto imprestável podia pelo menos ter esperado até eu voltar!
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No dia seguinte, na hora do intervalo, ele apareceu. Com meus livros e meu caderno nas mãos e um sorriso no rosto. Olhando melhor agora, ele até que era um mono bonitinho.
–Hum... Com licença. — disse ele timidamente. — Eu acho que essas coisas são suas. Você deixou isso pra trás ontem e eu achei que devia recolher e entregar pra você. — continuou quando olhei para ele.
–Ah! Obrigada! — Disse levantando e pegando as coisas que ele estendia em minha direção. E é educado também pensei. — Isso é realmente importante. E... Bem, me desculpe por ontem. Eu tinha que entregar um trabalho e estava realmente com pressa! Você se machucou?
–Hã? Ah não... Eu estou bem. E você? Foi uma queda e tanto. — disse ele sorrindo ainda mais.
–Eu estou bem! Não foi nada, mesmo. — Digo sorrindo também. — Então, eu nunca te vi aqui. Você é calouro não é? — pergunto só para puxar assunto pois além de nunca tê-lo visto aqui, via claramente o “1º — A” em sua camiseta do uniforme.
–Sou sim! E você é veterana. Segundo ano né?
–Exatamente...
–Hmm... Obrigada, pelas minhas coisas e pela preocupação. — Digo em tom de despedida.
–De na... — ele começa a falar mas é interrompido.
–Bia! Quem é o moninho? — Diz Simone chegando aproximando-se e colocando um braço sobre meu ombro.
–Ele é...? — Digo olhando para ele. Ainda não sabia seu nome.
–Samuel. Muito prazer. — Diz ele sem tirar os olhos de mim.
–Samuel... Nome bonito! — Diz Simone me soltando e indo sentando-se no banco atrás de mim.
–Realmente, muito bonito... Eu sou Bianca. — Digo sorrindo.
–Obrigado. — Ele responde e sorri também. — Então, eu tenho que ir agora. Tchau!
E com isso ele vai embora deixando-me sozinha com Simone e um “tchau” não dito entre os lábios.
Começamos a namorar um mês depois disso. Simone disse “eu sabia que isso ia acontecer” e piscou para mim.
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