Lights
2 Capítulo 01
POV NAMJOON
Poucas coisas me deixam tão putos com vontade de jogar alguém pela janela. Uma delas é Hoseok rindo descaradamente da minha cara quando eu disse que sairia com uma garota naquela tarde. A questão é que eu sou um grande canalha. Ele bateu duas vezes na carteira e depois fingiu enxugar uma lágrima no canto do olho.
— Desculpa, mas depois dessa Suga poderia dançar Girl’s Generation.
Suga que estava encostado na parede apenas sorriu de canto. Ele provavelmente não diria nada por que Suga era esse tipo de cara que só fala o necessário. Por isso nos damos bem. Costumo dizer que eu sou o ponto de equilíbrio daquele trio. Hoseok era outra a ponta do extremo, dançando alguma girl band nos momentos mais nada a ver.
— Quem é a garota? – Hoseok perguntou ainda sorrindo. – Ela deve ser no mínimo bem bonita para você se dar o trabalho de levá-la para sair.
— Ela conversou comigo ontem... Hye alguma coisa. – eu respondi realmente não me lembrando do seu nome.
— Tem que lembrar pelo menos o nome da garota que você tá investindo tanto tempo pra transar.
— Não precisa usar esses termos, essa garota não é um objeto. – Suga comentou sem olhar pra gente. Ele sempre vinha com uma conversa sobre isso, odiava a maneira como tratávamos as meninas. Era sempre sem querer, éramos apenas garotos idiotas – até eu reconheço isso – mas por alguma razão aquilo realmente o deixava puto. Às vezes eu achava que Suga saia com alguém as escondidas. Uma mina que o deixava nos eixos.
O assunto morreu, porque logo depois o sinal do intervalo tocou. Estávamos no terraço do colégio, nosso local privado já que Suga tinha feito uma cópia da única porta de acesso. Íamos ali com frequência nos horários vagos.
Seguimos para nossa sala no terceiro pavimento. Hoseok fechou a porta enquanto descíamos as escadas. Dois garotos conversavam no último degrau.
— Aquelas luzes não tem sentido. – Ouvi um deles comentar. Era o assunto do momento. As luzes no céu de Seul. Durou cinco segundos, vários registros, nenhuma explicação e para mim um grande foda-se.
POV HOSEOK
Enfiei a chave no bolso traseiro da minha calça e desci as escadas correndo para alcançar Nanjoon e Suga. Sem pensar (por que pensando bem eu nunca penso), saltei os cinco últimos degraus, sem ver os dois meninos que estavam sentados ali.
Tropecei e cai. Não sei como, mas minha bunda bateu no chão. Um dos garotos foi jogado pra frente e caiu junto comigo. Talvez eu o tenha chutado.
Não sei por que, mas eu sempre rio nesse tipo de situação. Então eu simplesmente soltei um gargalhada, sem me importar que minhas costas estavam doendo.
— Tá rindo do que?
Repentinamente toda minha áurea positiva se esvaiu.
Me levantei e encarei o garoto que tinha caído comigo. Eu tinha simplesmente me esquecido que nesse tipo de situação você pede desculpas. Principalmente para uma pessoa como aquela, que te olha como quisesse te matar. O garoto tinha olhos castanhos inchados, o rosto infantil e cabelos castanhos claros repicados. Era impossível não notar que ele era bonito, apesar da expressão de raiva.
Era essa áurea que reinava por ali. Pura raiva.
Ele estava raivoso, e por alguma razão achei que aquilo não combinava com ele.
— Você está morto. – ele sussurrou e eu senti algo subir pela minha espinha.
— Tae, relaxa.
Escutei o amigo dele dizer enquanto o ajudava a se levantar. Era um garoto alto e de nariz grande, ele estava claramente preocupado.
O garoto chamado Tae negou sua ajuda puxando o braço e simplesmente indo embora.
— O que foi? Você não é de fazer isso.
Escutei o amigo dizer enquanto saia correndo atrás dele. Fiquei ali parado, ainda sentindo a sensação de raiva e preocupação em mim.
Mas que merda, eu tava tão de boas.
POV JUNGKOOK
Aquilo era ridículo. Taehyung estava estranho desde ontem, super estressado e irritado. Éramos melhores amigos desde sempre, mas por alguma razão ele insistia em não conversar comigo. Já era para estarmos em sala, mas ele não parecia se importar com isso, então estou aqui correndo atrás dele.
— Taehyung... – chamei pela enésima vez antes dele virar o corredor. Acelerei os passos para não o perder de vista, mas assim que cheguei ele tinha simplesmente desaparecido. Suspirei alto.
— O que está rolando? – senti uma respiração no meu pescoço enquanto aquela voz, que perseguia meus sonhos, soou bem no canto do meu ouvido. Me senti todo arrepiado. Virei apenas um pouco para ver Jimim com aquele sorriso fofo inclinado sobre mim.
— Tava em busca do Tae... – respondi afastando-me um pouco, pois tinha a sensação que toda aquela proximidade não me deixaria raciocinar. – Ele anda meio estranho esses dias. – disse levando minhas mãos até os cabelos.
Jimim fez um beicinho enquanto levava um dos dedos até os lábios inferiores, como se estivesse pensando seriamente no que eu acabava de falar.
Deus.
Como eu quero beijar essa boca.
Controlei meus sentimentos e coloquei minha melhor expressão de indiferença. Se Jimim soubesse o quão nervoso ele me deixa, nunca mais apareceria na minha frente.
— Você não deveria estar em sala? – perguntei genericamente.
— Eu te vi passar correndo e vim ver o que estava acontecendo. – ele sorriu novamente daquele jeito que ele sempre faz. Jimim nunca parava de sorrir, mesmo em situações levianas como essas.
O conhecia há oito meses, desde que entrei nesse colégio. Ele estava no segundo ano e nos conhecemos por casualidade no refeitório. Gostávamos do mesmo pudim e por alguma razão, Jimim que por causa disso nos daríamos muito bem.
“ – Oh, agora mesmo que devo ser um bom hyung para você.” Ele me disse enquanto comia o ultimo pedaço do meu pudim.
Dois dias depois eu o estava desenhando todo nú nas últimas folhas do meu caderno. Para completar eu não conseguia olhar para aqueles lábios rosados e carnudos sem imaginá-los na minha boca. Ou me fazendo gemer enquanto me chupa escondido no banheiro da escola.
Sim.
Eu pareço ser um simples garoto de 16 anos.
Mas minhas fantasias sexuais estão no nível de um ninfomaníaco.
— Vocês estão brigados? – Jimim acordou dos meus devaneios.
— Na realidade não. Acabamos de esbarrar com um garoto e isso o irritou.
— Isso é estranho... – ele comentou baixinho. Então levou suas mãos até meu braço e me levou para um canto, como se estivesse preste a contar um segredo. Queria que ele me arrastasse para o banheiro, mas tudo bem.
— Eu tenho sentido uma áurea estranha ultimamente. Me sinto diferente. – ele começou.
— Diferente como?
— Ah, não sei explicar. Eu tava na sala de aula e pedi para o Professor Park me liberar, e ele simplesmente me deixou ir. Acredita nisso?
Aquilo não me surpreendeu. Era só um pedido para sair.
— Isso não tem nada demais.
— Talvez eu esteja pirando? – ele perguntou e logo depois riu. Os olhos fechavam-se de uma maneira super fofa.
Eu baguncei novamente meus cabelos, enquanto tentava controlar todas aquelas sensações.
Aparentemente eu era um poço de tranquilidade. No meu intimo eu só queria jogá-lo na parede e lambê-lo todinho.
— Larga de ser dramático. – comentei sorrindo gentilmente. Jimim soltou uma risadinha e retornamos para nossa sala.
POV NAMJOON
Estava na saindo do colégio quando a garota veio correndo em minha direção, e eu me lembrei que eu deveria saber seu nome. Ela era bonita e tinha seios do jeito que eu gostava, nem grandes nem pequenos. Ela merecia no mínimo que eu me lembrasse seu nome depois, certo?
— Eu o deixei esperando? – ela perguntou levemente afoita. Seus olhos eram grandes e ansiosos, me fazendo pensar que ela deveria estar louca para me pegar. Suga diz que essa minha pretensão um dia iria me ferrar pesado. Eu só ria esperando esse dia chegar.
— Na realidade sim, como você vai me compensar? – eu soltei lançando um sorriso. Hoseok dizia que meu sorriso era uma espécie de pacto com o demônio, a gente sabe que não deveria confiar, mas no final a gente sempre aceita.
— Eu-eu... Jin! Você chegou.
Ela correu até um garoto que acabava de atravessar os portões do colégio. Ele era tão alto quanto eu, e tinha um rosto de modelo ou artista de TV. Parecia surpreso de ser agarrado pelo braço e arrastado até mim.
— Eu o convidei para ir com a gente. – ela anunciou com um sorriso amarelo no rosto. Ela claramente tinha armado aquilo agora, talvez movida pelo nervosismo. Em resposta eu apenas pisquei e me voltei na direção do garoto que me fitava estranhamente calmo.
— Prazer, sou Kim Seokjin.
Sorri forçosamente.
— Sou Namjoon
Na realidade eu só queria dizer: Obrigada Jin, seu grande empata foda.
(...)
Fomos até o centro comer um sanduiche no McDonalds. Hye Sun – descobri durante o trajeto – tinha ido até o banheiro nos deixando sozinhos na mesa. Jin não fazia questão de puxar assunto comigo, ele só olhava a vitrine, com claro desinteresse.
Uma garota então simplesmente chegou, perguntando se poderia lhe pedir uma foto. Ela parecia meio doente, com um protetor no rosto. Jin piscou parecendo surpreso, mas logo depois sorriu.
— Tudo bem.
A garota soltou um gritinho histérico se sentou ao seu lado. Jin recolheu seu celular, tocando-a discretamente. Me pergunto se ele fez de propósito.
— NamJoon, tire para a gente.
Ele me entregou o celular, sem nem ao menos pedir por favor. Arqueei uma sobrancelha, pronto para reclamar, quando ele se posicionou sorrindo e a garota fez um V com os dedos. Tirei a foto e entreguei o aparelho, foi quando senti suas mãos frias tocarem as minhas e um calafrio bem discreto atravessar minha coluna.
Que estranho. Fiquei pensando naquilo enquanto ele se despedia da garota.
— Desculpa por isso. – ele disse repentinamente. Não respondi, apenas levei o milk-shake até a boca e notei que seu sanduiche estava pela metade.
— Não está com fome? – perguntei só para puxar assunto.
— Não gosto de comida industrializada. – ele respondeu sem me encarar. Aquilo me deixou puto; nem sei por que, me inclinei e peguei seu sanduiche na sua bandeja, comendo-o logo em seguida.
— Eu não disse que você poderia comê-lo. – ele disse e aquilo me deu vontade de rir. Ele era tão mesquinho.
— Você iria jogá-lo fora de qualquer modo. Tantas pessoas passando fome. – ironizei.
Jin não falou nada, apenas me encarou, aquele rosto tão bonito que chegava a ser desconcertante. Suas sobrancelhas eram grossas, e os olhos afiados. Era estranhamente feminino, apesar dele ser claramente um homem. Aquilo me intimidou de algum modo, como se houvesse alguma coisa ali que eu não estava entendendo.
— Você não vai ligar no dia seguinte, não é? – ele perguntou repentinamente.
— Oi?
— Você. Provavelmente quando eu sair daqui, já que eu tenho um compromisso, você vai contornar Hye Sun, e já que ela está tão afim de você, ela vai cair direitinho. Mas aí no final do dia, quando você a deixar em casa, você vai pegar seu celular e ligar para uma menina que queira transar com você. E provavelmente você não vai ligar no dia seguinte para Hye Sun, não é?
Aquilo me desconcertou por alguns segundos, mas logo depois eu ri. Joguei meu corpo para trás, colocando meu braço no apoio da cadeira e fiz minha melhor expressão de sarcasmo na cara.
— Você gosta dela? – perguntei.
Ele franziu o cenho.
— Não.
— Então por quê toda essa preocupação?
— Por que ela não merece isso.
— Como você sabe que eu irei fazer isso? – perguntei.
— Olha como você senta, fingindo ser todo macho alpha. Não é meio óbvio?
Ri pelo nariz. Sim. Eu era bem daquele jeito. Aquilo me surpreendeu, pois, aquele garoto, diferente da maioria das pessoas, era extremamente sincero.
— Você está certo. Eu provavelmente farei isso.
Ficamos em silêncio por um tempo. Não queria mais conversar com aquele cara. Pouco tempo depois vi Hye Sun chegando, ela sorria vindo na minha direção. O que se seguiu foi extremamente rápido. Ela deu dois passos, uma menina levantou-se bruscamente e então Hye Sun gritou. Ela estava toda molhada de refrigerante.
Merda.
Eu tenho o raciocínio incrivelmente rápido. Soube assim que ela começou a se limpar que meus planos de pegá-la morria ali. Ela ficaria constrangida demais para fazer qualquer coisa. Provavelmente iria para casa repor a sua roupa. Me mandaria uma mensagem no final do dia pedindo desculpa, cheio de emoticons desnecessários. E eu teria que dispensá-la, por que dois encontros estavam além da minha proposta inicial.
Suspirei levando as mãos até meu rosto.
Fechei os olhos cansado.
Senti uma vertigem atravessar meu corpo, então, quando abri os olhos, Jin estava novamente na minha frente.
— Olha como senta, fingindo ser todo macho alpha. Não é meio óbvio? – ele disse, a mesma expressão, o mesmo tom.
Levantei uma sobrancelha sem entender.
— Desculpa?
— Você está...
Não o deixei terminar.
— Por que você está dizendo isso novamente?
— Como assim?
Não o respondi, pois logo depois vi Hye Sun se aproximar. A mesma maneira de andar, de olhar, de sorrir. Exatamente do mesmo jeito que acontecera alguns segundos atrás.
Instintivamente procurei a garota do refrigerante e a vi se levantando.
Merda.
Aquilo iria acontecer de novo.
— Hye Sun!
A gritei. Ela parou de andar sem entender. A garota do refrigerante levantou-se sem esbarrar em ninguém.
Hye Sun se aproximou, confusa.
— Aconteceu alguma coisa? – Olhei para Jin. Ele franzia o cenho, olhando-me interrogativamente.
Merda.
O que aconteceu aqui?
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