Lightning Hunter
23 Capitulo 23
Notas iniciais
Do outro lado da sala, três pessoas observavam Sora através da janela de observação. Ela estava sedada e faíscas de eletricidade saiam do seu corpo, Dana e a Diretora estavam na sala um minuto atrás, antes de tudo isso começar. As lâmpadas da instalação começaram a piscar repetidamente, o ar na sala ficou pesado, um bloco de papeis que estava sobre a mesa, ficou preso na parede e os cabelos de Sora e até mesmo os de quem não estava na sala começaram a ficar arrepiados.
Faíscas azuis apareciam sobre todo o corpo de Sora e um barulho de interferência magnética no som que transmitia a conversa do lado de dentro da sala para fora podia ser ouvido. As mãos de Sora se fecharam sobre os braços da cadeira e as luzes explodiram.
─ Oh droga ─ Disse Carter se abaixando com o susto.
─ O que diabos ela pensa que está fazendo? ─ Perguntou Comandante London, e então olhou para Sora e uma expressão de choque apareceu em seu rosto. Dana e Carter olharam para o comandante sem entender e voltaram os rostos para a sala de interrogação. E a diretora pode ver uma leve aura azul em volta do corpo de Sora, a mesma abriu os olhos e eles estavam assustadoramente azuis.
Ela se levantou e olhou para as suas mãos e depois para a sala em volta, seus olhos se encontraram com o de Dana do outro lado da janela de vidro e ela deu um sorriso.
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Pude sentir a eletricidade percorrendo todo o meu corpo e fiquei feliz com a sensação. Estava me sentindo mais forte do que nunca. Olhei para as minhas mãos e depois para a sala em volta, estava em uma sala de interrogação, a diferença era que ela não bloqueava os meus poderes, abri a mão e observei admirada as faíscas azuis saírem das minhas mãos.
Agora que nada bloqueava os meus poderes, pude sentir a diferença que o soro fez no meu corpo. Eu estava cheia de energia, consegui sentir a eletricidade pulsando nos meus músculos e sorri, aquilo era incrível. Virei na direção da janela de vidro e apesar de ela ser feita para o interrogado não ver através dele, eu consegui ver claramente as três pessoas que me observavam.
Andei até a janela e olhei diretamente para Dana, pude ver o reflexo dos meus olhos azuis na janela e o seu rosto surpreso. Eu estava feliz que meus poderes estavam de volta e que estava saindo daqui. Demorei dois segundos para entender o porque de eles terem me apagado na minha cela, e o motivo era que precisavam parecer que eu tinha morrido, para não dar esperanças aos outros prisioneiros.
─ Comandante ─ Falei, minha voz estava profunda e clara, ele engoliu em seco e continuei ─ Espero que não tente nada como antes novamente.
Ele fez que sim com a cabeça rapidamente e Dana se moveu em direção a porta.
─ Não ─ Digo quando ela fez menção de abrir a porta, ela parou imediatamente e olhou sem entender para mim. Com o poder que estava agora, não seria seguro ela se aproximar. ─ Espere um pouco.
Ela acenou e eu fechei os olhos. Respirei fundo três vezes para me concentrar, e comecei a tentar controlar o meu poder, senti dificuldade no começo, era quase como se eu tivesse voltado no tempo, para quando ganhei os poderes, era difícil de manter o controle, mas aos poucos senti a energia do lugar e em volta de mim reduzindo. O bloco de papel caiu no chão com a falta da eletroestática e abri os olhos, olhei para a janela e as cores dos meus olhos tinham voltado ao normal.
─ Agora podem entrar ─ Falei e Dana abriu a porta, Carter e London entraram na sala logo em seguida e pararam a minha frente mantendo distancia. Eu entendia completamente, afinal estava sentido o poder percorrer as minhas veias tentando sair. ─ E agora?
─ Bem ─ Carter colocou a mão na cintura e olhou para mim, seus olhos verdes estavam brilhando intensamente e entendi que ela não estava apenas me olhando, e sim olhando para dentro de mim. Ela lambeu os lábios e abri a boca para falar alguma coisa, quando ela me interrompeu. ─ Vamos passar as informações que temos até agora.
─ Isso seria bom ─ Confirmei cruzando os braços. ─ Vamos fazer isso aqui ou em outra sala?
─ Você tem certeza que consegue sair daqui sem antes acabar com toda a instalação? ─Perguntou London me dando um olhar preocupado.
─ Acredito que sim ─ Respondi dando um balançar de ombros, flexionei meu maxilar para manter o poder quieto ─ Por um tempo.
─ Por um tempo? ─ Disse Dana levantando as sobrancelhas, fiz que sim com a cabeça e os três se mexeram devagar.
─ Então não vamos perder tempo ─ Carter disse descruzando os braços e indo em direção a porta. ─ Vamos para a sala de controle. Será mais fácil mostrar as gravações das lutas do que explicar tudo.
─ Tem certeza? Você não acha que ela vai queimar tudo? ─ Perguntou comandante para Carter e depois de me deu um olhar de canto.
─ Vou tentar me segurar ─ Comentei dando um breve sorriso e com isso deixamos a sala.
Eu não fazia ideia de onde estávamos, andamos por um longo corredor de paredes brancas e as luzes começaram a piscar a medida que eu caminhava. London e Dana me deram um olhar serio e eu dei um sorriso nervoso.
Passamos por algumas portas e os guardas do local olharam em choque para mim, e quando alguns deles levantaram as armas, o comandante disse para ficar quietos e que eu não era mais uma prisioneira. Dei um sorriso radiante para os guardas que me deram de volta um olhar cheio de raiva.
E não demorei muito para entender que aquele lugar era uma espécie de base militar, o problema era que eu não sabia que existia uma base militar em Skillity. Caminhei atrás do Comandante e a Diretora, enquanto Dana andava atrás de mim, depois de alguns minutos andando finalmente paramos na frente de uma porta de metal de dois metros de altura. London passou um cartão no identificador e a porta se abriu, Carter e ele entraram e olhei para dentro da sala.
Imediatamente todos as pessoas que estavam ali levantaram e puxaram as suas armas na minha direção, mantive a calma e olhei para Carter. Ela acenou com a mão para todos se acalmarem.
─ Abaixem as armas pessoal. Sora vai está trabalhando para nós agora ─ Disse ela e todos começaram a abaixar as armas relutantemente. ─ Ginger, abra os arquivos de vídeo da ultima batalha com o N2.
─ N2? ─ Perguntei sem entender o que ela estava falando.
─ Nível 2, é assim que estão chamando Artos ─ Respondeu Dana ao meu lado.
─ E de onde tiraram nível 2? Por acaso estão classificando as pessoas com poderes em Skillity? ─ Eu estava surpresa com aquela informação e até mesmo a minha voz soou chocada com aquilo. Eu não sabia se aquilo era legal ou não. Olhei para London e ele deu de ombros, e ninguém ousou dar uma resposta para a minha pergunta.
─ Abra o 1º vídeo ─ Ordenou Carter, e a mulher de cabelos loiros, aparentemente Ginger, e um vídeo começou a rodar na tela principal do local. Virei o corpo para a frente da tela e assisti a filmagem. ─ Isso foi logo depois que a prendemos.
O vídeo mostrava os agentes lutando contra Artos e levando uma surra. Consegui ver Beatrice, Richie e Ice lutando contra ele e tentando de tudo para tentar derrota-lo, e no meio disso as ruas do centro da cidade ficavam destruídas.
─ Então, como vocês chamam esse lugar mesmo? ─ Perguntei sem tirar os olhos da tela.
─ Sala de comando? ─ Respondeu Dana hesitante.
─ Certo ─ Falei cruzando os braços e vendo Beatrice criar um escudo quando Artos a atacou. ─ Eu digo, o nome desse lugar, é Bunker, não é? Onde exatamente estamos? Eu nunca ouvi falar desse lugar.
Depois de alguns segundos em silêncio, virei o rosto para o lado e notei que estavam me encarando sérios.
─ Como você sabe que esse lugar se chama Bunker? ─ Perguntou a garota, Ginger. Abri minha boca para falar algo, mas a fechei em seguida. Não podia contar que outro prisioneiro havia me contado, sem dizer que iriam querer saber como falei com outro preso. Exterminador merecia estar ali, mas nem por isso que eu tornaria as coisas mais difíceis para ele. Então, dei apenas um sorrisinho de canto e um balançar de ombros.
─ Quem sabe? ─ Falei voltando a minha atenção para o vídeo. Depois de uns 15 minutos de filmagem, Rei entrou em cena. Olhei para a tela surpresa e me aproximei, estava com tanta saudades. Pressenti que Carter e Dana estavam me olhando, ignorei-as e foquei na luta de Rei. Ela estava ágil e linda, apesar de toda aquela bagunça. Seus cabelos vermelhos estavam molhados e grudando na sua nuca por causa da chuva.
Rei lutou bem e fiquei ainda mais surpresa quando ela conversou com os agentes sem ter nenhum problema, e depois conseguiu acertar Artos com um cabo de eletricidade. Cerrei as sobrancelhas, enquanto via Artos se levantar devagar, sua pele estava levemente vermelha, o choque havia desativado o seu poder de absorção, mas não acabado com ele. Então Rei se aproximou dele e engoli em seco quando a vi usando o seu poder de sangue.
A câmera que estava filmando estava a alguns metros de onde Rei e Artos estavam, e para quem não conhecia, parecia que Rei estava apenas mexendo os braços, como se ela tivesse um poder invisível ou sofresse da síndrome de chuunibyou. Ninguém diria que ela estaria controlando o sangue de Artos, o que me fez pensar que se ela não fez nada disso antes, provavelmente, por causa que não funcionava quando Artos estava com a pele transformada. O que tornava as coisas mais difíceis.
Fechei o meu maxilar com força quando vi que Rei tinha levado um tiro no ombro. Ela olhou em volta em choque e quando voltou para Artos, ele não estava mais lá.
─ O vídeo termina aí ─ Disse Ginger.
─ Coloque o próximo ─ Pediu Carter, Ginger abriu o outro vídeo e a nova filmagem começou a rolar. Observei o vídeo sem dar muita atenção, havia algo faltando ali. Artos não podia se teletransportar, apesar dele ser muito rápido, e só havia duas pessoas que conhecia que podia teletransportar, uma era Gaby e outra era Carlos. O desgraçado, provavelmente, tirou Artos de lá. ─ Sora?
Voltei a prestar atenção na luta, mais agentes tinham se juntado a batalha, muitos deles nunca nem tinha visto antes. Mas dessa vez Rei não apareceu. Será que fizeram algo com ela? Se fizeram, eles iriam pagar por isso.
─ Por acaso ─ Comecei a falar, descruzei os braços e deixei minhas mãos caírem ao meu lado, virei o rosto na direção de Carter. ─ O que aconteceu com a garota de cabelos vermelhos?
Dana e Carter trocaram um olhar nervoso e cerrei meus punhos, as luzes do lugar piscaram e todos olharam para mim. Comandante levantou as duas mãos, sinalizando para manter a calma.
─ Calma, ok? ─ Disse ele, encarei-o séria.
─ Ela está bem ─ Respondeu Carter, analisei os seus olhos verdes por trás dos óculos. ─ Fizemos algumas perguntas e a deixamos ir. Não temos motivos para prende-la.
─ Acho bom ─ Comentei virando o corpo na direção da tela, cruzei os braços novamente e respirei lentamente. ─ E quem foi o soldado que atirou nela? Espero que ele tenha sido punido.
─ Humm ─ Comandante desfez o primeiro botão da sua camiseta para respirar melhor. ─ Ele já foi penalizado.
─ Certo ─ Comentei e tentei voltar a atenção para a luta. Em um determinado momento eu estava andando de um lado para o outro na frente da tela, uma mão na cintura e outra no queixo. Aquela batalha tinha durado mais do que a anterior, os agentes estavam cansados, já Artos parecia que não estava cansado, ao menos não estava tanto quanto parecia estar no primeiro vídeo.
Parei de andar e encarei a tela que mostrava Artos absorvendo a superfície de um metal, minutos depois ele estava se transformando e usando poder de fogo e gelo repetidamente. Ele estava definitivamente diferente do 1º vídeo. Ele não estava cansando, o que significava que tinha aumentando a sua resistência ou aprendeu a controlar os poderes direito. E nenhuma das duas opções pareciam boas.
O que poderíamos fazer para derrotar o desgraçado? Balas e facas não funcionavam, poderia atravessara pele de pedra dele com força bruta se tivesse a oportunidade, mas se fosse outra superfície não daria certo. Ele não iria se transformar em metal, eletricidade não iria funcionar novamente.
─ Mas o quê? ─ Sussurrei pensando e voltando a andar, eles olharam para mim sem entender. Passei a mão na nuca e peguei Dana olhando para mim. Desviei o olhar e cruzei o braço, parei na frente da tela novamente e levantei a cabeça para ver melhor o vídeo.
Artos estava aguentando bem as mudanças físicas e a troca de poderes, pior para os agentes. Pense Sora, o que você pode fazer para derrota-lo? Pense. Pense. Observei-o trocando de pele para concreto e depois aço, cerrei os olhos em duvida se tinha visto certo e abri a minha boca.
─ Para o vídeo ─ Pedi, Ginger e Carter olharam para mim sem entender, mas Ginger parou o vídeo. ─ Agora volte 3 segundos.
─ Ok ─ O vídeo voltou para quando Artos estava mudando de pele, e me aproximei da tela.
─ Consegue deixar em câmera lenta? ─ Perguntei olhando para Ginger, ela fez que sim com a cabeça e voltou o vídeo novamente, agora em câmera lenta.
─ O que você.... ─ Começou Comandante a falar, encarei a filmagem em câmera lenta, Artos começou a mudar a pele de concreto para aço, mas antes de se tornar totalmente aço, a sua pele voltava ao normal por um decimo de segundo. De forma, que toda vez que ele mudava de aparência, sempre voltava a sua pele normal e depois para a nova superfície, o processo todo só era muito rápido para ser notado.
É isso! Agora eu só teria que achar algo para fazer com que ele não se transformasse ou algo que diminuísse a sua velocidade de transformação, assim eu poderia atacar. Mas o que diabos eu poderia usar?
─ Sora? ─ Escutei Dana falando comigo, olhei para os seus olhos dourados. ─ Você viu algo que não vimos?
Parei em frente a ela em silencio. O que eu poderia usar? Pense, pense. Olhei para baixo e percebi que ainda estava vestindo as roupas cinzas de presa e a sandália preta de plástico. Dana colocou uma mão no meu ombro e olhei para o seu braço. Pense, pense!
Algo que poderia fazer o poder de alguém desacelerar ou até mesmo parar por um tempo. A droga do Rider! Dei um tapa mental na testa e me afastei de Dana. Era isso, quando Artos estivesse em processo de se transformação, aplico a droga nele, os poderes dele vão enfraquecer, então atacamos com tudo.
Mas e se a droga não fizesse efeito ou se não durasse tempo o suficiente para derrota-lo, o que eu faria? Olhei para o vídeo que ainda estava rodando, e vi uma explosão de um carro quando Artos lançou fogo.
─ Bingo! ─ Falei de repente. Iria usar a droga para retardar ele, se não conseguíssemos dar cabo dele com os poderes, iriamos para a parte final do plano.
─ O quê? ─ Perguntou Carter e London ao mesmo tempo. Virei de frente para eles e sorri, os dois me olharam apreensivos.
─ Uma bomba ─ Respondi abrindo as mãos lentamente, Dana abriu a boca para falar algo e os outros soldados se mexeram nervosamente a minha volta.
─ Uma bomba? No meio da cidade? Você perdeu o juízo?! ─ London disse indignado com a minha ideia.
─ Yeah, uma bomba ─ Repeti e andei em direção ao computador de Ginger.
─ E por que uma bomba? ─ Perguntou Carter cruzando os braços e me dando um olhar para seguir em frente e contar o que estava pensando.
─ Bem ─ Parei ao lado de Ginger e segurei o mouse do computador, voltei o vídeo até o momento que Artos estava se transformando e parei a imagem. Todos olharam para a tela sem entender e suspirei, teria que dar um jeito de falar a ideia sem dizer nada a respeito da droga. Se eles descobrissem que existisse algo assim, iriam querer uma amostra e futuramente eles iriam usar nas pessoas, ou quem sabe nos forçar uma cura. Aquela droga era tão perigosa quanto o soro que corria em minhas veias.
─ Bem ─ Repeti apontando para a tela e levantando um dedo. ─ Primeiro, duas coisas sobre o nosso inimigo. A primeira é que a resistência dele está mais forte, com a resistência maior as lutas duraram mais tempo e serão mais difíceis, sem dizer que o processo de cura dele também é mais rápida. Mas mesmo ele depois de um tempo cansa, como qualquer ser humano. O que mostra que ele não é imbatível.
─ Ok ─ Disse London compreendendo o que eu estava dizendo.
─Segundo ─ Levantei o segundo dedo e olhei em volta, para cada pessoa naquela sala. ─ Quando ele está mudando de pele, por assim dizer, em um determinado segundo entre as trocas, ele volta ao normal.
─ Espera um pouco ─ Interrompeu Carter, virei o rosto na sua direção e ela prosseguiu. ─ Como você sabe disso?
─ Vocês não conseguiram ver? ─ Perguntei e todos negaram com a cabeça, dei um suspiro cansado e olhei para Ginger. ─ Tem como reduzir a velocidade do vídeo? Para a mais lenta possível, durante a mudança dele.
─ Certo ─ Disse Ginger, ela voltou o vídeo alguns segundos e começou a reduzir a velocidade de reprodução, o vídeo passou quase que em uma sequencia de fotos, muito parecido com um GIF travando, só que bem mais lento. E apareceu Artos mudando de pele de aço para pedra lentamente, e durante a troca uma fina camada rosa apareceu, e apertei o pause do vídeo.
─ É isso que estou falando ─ Falei apontando para o vídeo. ─ Notaram?
─ Yeah ─ Disse um dos soldados para a minha surpresa, mas os outros na sala concordaram com um aceno.
─ Mas se conseguimos ver isso apenas em câmera lenta, em velocidade normal isso é impossível de se ver. Eu não entendo onde você quer chegar ─ Disse Dana cruzando os braços.
─ Aí que entra o meu plano ─ Respondi dando um sorriso, agora estava na hora de inventar. ─ Eu vou até lá, gasto a energia dele, e quando ele estiver relativamente cansado, dou um jeito de atrasar as suas transformações e acabamos com ele com os nossos poderes. E se não conseguirmos com os nossos poderes, implantamos uma bomba no seu peito e explodimos ele de dentro para fora.
Olhei para Dana, Carter e London, eles olharam para mim com a boca aberta com a ideia.
─ Você pirou de vez ─ Disse London finalmente.
─ Não tem nem perigo desse seu plano dar certo ─ Cortou Carter indignada com a ideia.
─ E por que diabos iriamos explodir o cara? Ele é mal e tudo, mas explodir? ─ Disse Dana em choque.
─ E vocês queriam o quê? ─ Perguntei abrindo os braços e olhando para os três a minha frente. ─ Ele não vai parar, enquanto não conseguir o que quer, que é literalmente destruir a cidade, e pelo o que vejo ele está fazendo um bom trabalho. Vocês não vão conseguir prender ele e traze-lo para cá, mal conseguem derruba-lo! A única opção é mata-lo. Se vocês não estão de bem com isso, eu faço. O cara que transformou ele nisso, acabou com tudo de importante para mim. Podem ter certeza que não vou hesitar em mata-lo.
Senti o meu poder querer sair de controle e fechei minhas mãos com força, estava começando a ficar com raiva. Nem em sonhos que eles iriam conseguir trazer Artos aqui, e para quê queriam ele aqui? Fazer experiências? Sem chances, eu iria matar o desgraçado. Depois Carlos e todos os outros que ajudaram nesse plano de conquista. Levantei o meu olhar direto para Carter, observei os seus olhos verdes e as luzes piscaram novamente.
─ Esse é o plano e acreditem é o melhor que temos ─ Falei olhando em volta, fechei as mãos com mais força e eles notaram que eu estava com raiva. ─ A outra opção é simples. Vocês deixam ele ganhar.
London olhou para Carter e Dana olhou para os dois, na verdade todos olharam para os dois. Eles eram o que estavam no comando, os dois andaram até o canto da sala e começaram a conversar entre si, e apesar de eu estar ouvindo toda a conversa claramente, esperei eles darem o resultado final. Até que um alarme apareceu na tela e todos pararam, olhei para a tela principal que estava brilhando em vermelho e um dos soldados mexeu em um computador.
Dois soldados de uniforme apareceram na câmera, vimos fumaça surgindo não muito longe de onde estavam, logo em seguida uma explosão que fez a câmera tremer.
─ Aqui é da equipe raposa, o inimigo apareceu novamente ─ Disse um dos soldados de cabelos pretos, o outro estava de costas dando cobertura. ─ Repetindo, o inimigo está atacando novamente.
─ O N2? ─ Perguntou Carter entrando na frente da tela, o soldado confirmou com a cabeça.
─ Sim, Senhora. Os agentes estão entrando em conflito com ele agora. Os civis estão nos refúgios ─ Respondeu e outra explosão aconteceu muito próxima de onde eles estavam, vimos a rua de trás congelando e o soldado que estava dando cobertura deu um tapa no ombro do outro. ─ Precisamos sair daqui.
E a tela ficou preta, virei na direção do comandante London e levantei as sobrancelhas.
─ Então?
─ Você consegue retardar ele? ─ Perguntou Carter.
─ Sim ─ Respondi. ─ Eu tenho uma ideia de como fazer isso.
─ Se você diz, então vamos ter que confiar ─ Disse London, virou para um soldado de cabelos loiros. ─ Quanto a bomba, você que é perito, qual tipo de explosivo usamos pra fazer aquele cara desaparecer?
─ Depende do tamanho do impacto que o senhor quer ─ Respondeu o soldado.
─ É simples ─ Falei olhando para o soldado. ─ Faça uma bomba do tamanho de uma mão, parecida com uma granada, mas bem mais potente que uma, a explosão tem que ser perfeita e destruir tudo no caminho. Se a bomba explodir e fizer apenas um buraco no peito dele, existem chances dele se regenerar. Então arrume algo potente, que dizime ele por completo e que tenha uma espécie de controle remoto para detonarmos a distancia. Acha que consegue?
─ Sem problemas, irei prepara-la agora.
─ Quanto tempo para deixa-la pronta? ─ Perguntou Carter.
─ Da espécie que estamos falando umas duas horas ─ Respondeu ele, todos na sala seguraram o folego, era muito tempo. Carter e London olharam para mim.
─ Acha que consegue segura-lo por tanto tempo? ─ Olhei para London e passei a mão na nuca, ia dar um trabalho danado, mas não tinha escapatória.
─ Vou fazer o possível ─ Respondi, olhei para Dana e ela abriu a boca para falar algo e a interrompi. ─ Quão longe estamos da cidade?
─ 40 minutos de Helicóptero ─ Respondeu a diretora, passei a mão no rosto e esfreguei os olhos.
─ Certo, isso vai me dar uma hora e vinte minutos com ele, então. ─ Falei dando um suspiro cansado. Olhei para Ginger ─ Você consegue ver quantos agentes estão lutando contra Artos?
─ Sim ─ Ela começou a digitar e em menos de 2 minutos, ela conseguiu conectar as câmeras das ruas e localizou o lugar da batalha. ─ 15 agentes no total.
─ Okay ─ Olhei para Carter e o Comandante. ─ Agora que está tudo decidido, acredito que não tem problema se eu liderar a missão, certo?
─ Aham ─ Concordou London hesitando por alguns segundos.
─ Tá ─ Virei para Dana e olhei diretamente nos seus olhos. ─ Você vem comigo.
─ Eu? Não vou ser útil na luta ─ Disse ela sem entender e colocando a mão no peito.
─ Sim, eu sei. Mas quero que você junte uma equipe ou duas para cuidar dos agentes feridos, se for eu que der a ordem a chance são menores dos outros obedecerem. Enquanto, você resgata os feridos, eu cuido de Artos. Os outros soldados e agentes ficam nos refúgios, quanto menos pessoas lá fora melhor.
─ Certo ─ Dana concordou e dei um pequeno sorriso para ela, ao menos a raiva dela por mim parecia ter reduzido.
─ Não ponha mais soldados na rua, não quero ninguém interrompendo e nem algo acontecendo como aconteceu com Rei ─ Falei olhando em volta e parando os olhos nos dois que estavam no comando, eles concordaram com a cabeça. ─ Carter, avise aos soldados que estão na rua para se retirarem para o refugio e os que ficarem não atacarem quando me verem. Vamos para lá o mais rápido possível, mas antes ─ Dei um sorriso sem jeito e apontei para as roupas de presa ─ Vocês poderiam devolver as minhas roupas?
Minutos depois, estava em uma sala de equipamentos e uniformes. Disseram depois, que as minhas roupas tinham ido parar no lixo, já que estavam destruídas demais para serem restauradas, e que quando descobriram onde eu morava não acharam nada demais no lugar. O que me fez pensar que Rei e Grey deveriam ter limpado o lugar antes deles, esperançosamente, eles estavam com a minha espada e com a droga de Rider.
Encarei o meu reflexo no espelho e dei um sorriso, estava em duvida se achava as roupas estranhas ou legais. Estava usando uma calça preta com vários bolsos na lateral e atrás, um cinto preto impedia a calça de cair, botas pretas de couro e uma camisa segunda pele azul com algumas linhas brancas. As roupas eram todas roupas de combates, olhei em volta para a sala havia vários armários com roupas e armas.
─ Ei Dana! ─ Chamei olhando na direção da porta. Ela tinha sido encarregada de ficar de olho em mim durante a troca de roupas. Ela abriu a porta lentamente e colocou a cabeça para dentro, um pequeno sorriso se formou em seus lábios ao me ver e abri os braços. ─ Tão ruim assim?
─ Não é comum, mas não está tão ruim assim ─ Respondeu sorrindo e entrando na sala. ─ Então, o que era?
─ Ia lhe perguntar se vocês tem luvas, sem dedos ─ Falei mostrando minhas mãos. Ela acenou com a cabeça e passou por mim, indo em direção ao armário, abriu uma serie de gavetas até que achou um par de luvas e jogou-as na minha direção. Coloquei uma delas e fechei a mão. ─ Vai servir.
─ Mais alguma coisa? ─ Perguntou olhando para mim.
─ Pistolas de injeção ─ Sussurrei.
─ Pra quê você quer isso?
─ Sabe a parte que eu retardo ele? ─ Dana me deu um olhar confuso, mas acenou com a cabeça. Eu tinha que confiar nela com isso, se falasse para Carter e os outros eles iriam querer saber mais coisas. ─ Não posso explicar o que é e nem como consegui. Mas preciso de ao menos duas pistolas dessas para fazer o plano funcionar. Então você tem?
Dana ficou me encarando sem saber o que fazer e dei um sorriso para ela tentando convence-la.
─ Ok ─ Disse dando um suspiro por fim, se virou na direção de um armário e puxou uma gaveta, tirou de lá duas pistolas de injeção e parei ao lado dela. Peguei a pistola e olhei para a quantidade de milímetros. ─ Acha que serve?
─ Vai ter que servir ─ Falei. Dana pegou uma mochila para mim e coloquei as pistolas dentro. Agora falta apenas entrar em contato com Rei ou Grey para pegar a droga, mas primeiro precisava de um celular. Afinal de contas, onde foi parar o meu celular? ─ Por acaso, vocês não teriam o meu celular, teriam?
─ Não ─ Respondeu Dana e enfiou a mão no bolso da sua calça e vi que ela estava segurando um cartão de memória. ─ Mas Carter me pediu para entregar isso a você.
─ Humm ─ Peguei o cartão de memoria e o revirei na minha mão ─ Sem celular?
─ Sem celular ─ Concordou ela, passei a mão na nuca e guardei o cartão na mochila. ─ Pronta?
─ Sim ─ Respondi confirmando com a cabeça, coloquei a mão no seu ombro e nossos olhos se encontraram, o rosto dela corou com o meu toque e ignorei aquilo. ─ Vamos detonar o desgraçado então.
Depois do nosso pequeno dialogo Dana não disse mais nada, andamos ao lado dos soldados no corredor, e pelo jeito que eles andavam rígidos, nenhum deles estavam confortáveis comigo. O lugar era um labirinto e por mais que eu tentasse lembrar o caminho, minha cabeça se recusava a decorar.
A única coisa que lembrei era que pegamos um elevador que dava acesso direto ao palco de um auditório e depois mais curvas. Carter disse no meio do caminho, que não usaríamos o caminho tradicional, pois não era para as outras pessoas ficarem nervosas com a minha presença. Eu não reclamei. Na realidade, eu queria dar o fora daquele lugar o mais rápido possível e nunca mais colocar o pé ali.
Após alguns minutos, finalmente chegamos a o heliporto, e tive que segurar um riso quando vi o helicóptero preto. Nunca tinha voado antes, em exceção das viagens que fiz com meu pai enquanto fugíamos, então aquilo parecia ser divertido. Dana e Carter estavam andando na frente e ao meu lado 4 soldados pronto para combate.
Abriram as portas e todos nos entramos, o helicóptero era bem grande, Carter sentou ao meu lado e Dana a minha frente, os outros sentaram em volta. Em um minuto as pás começaram a girar pegando velocidade a cada segundo e logo em seguida estamos voando. E bem, a sensação de voar de helicóptero era ótima e por um momento entendi o porque dos ricos gostarem de voar naquilo. E apesar do barulho incomodar, a vista valia a pena.
Enquanto o helicóptero pegava altura, consegui ver o local que estava, e me surpreendi ao ver que estava em um enorme complexo, com vários prédios, estacionamento e um rio que banhava uma das laterais daquele lugar. E depois de uns segundos consegui ver a placa do lugar, Centro de Pesquisa Tecnológico- CPT.
O lugar era perfeito pensando bem, tinha um rio para abastecer as prisões, pelo o pouco que vi o lugar servia como testes e criação de armas e medicamentos, e sabe-se lá o que mais. Era longe da cidade e era protegido pelos militares. Ninguém nunca ia desconfiar que debaixo de todos aqueles prédios existia uma prisão de segurança máxima.
Não demorou muito para a paisagem mudar e logo estávamos sobrevoando uma região de vales e montanhas, passamos por algumas fazendas e estradas de terra. E a cada momento tive que me contentar em ficar sentada e não ir na direção da porta para ver melhor, mas confesso que estava feliz. Era uma felicidade momentânea, porém a sensação era ótima.
─ Gostando do que ver? ─ Perguntou Carter falando acima do barulho do helicóptero. Fiz que sim com a cabeça e ela deu um leve sorriso. Puxou um pequeno celular do seu bolso e me entregou, levantei a sobrancelha na sua direção sem entender. ─ Use por enquanto, já que o seu celular quebrou.
─ Você tem certeza?! ─ Perguntei quase gritando, ela fez que sim com a cabeça e colocou o celular na minha mão. Carter não era tão má quanto parecia. Olhei para o celular e ele não era tão moderno ou tão bom quanto o meu era, mas iria servir. Abri a capa traseira dele e notei que havia lugar para colocar cartão de memória, puxei a mochila das minhas costas e tirei o cartão de lá, o conectei no lugar certo e liguei o celular.
Estava curiosa para saber o que era que Carter queria que eu visse, era algo que pela cara de duvida de Dana nem mesmo ela sabia. O celular ligou e abri a pasta de fotos e paralisei quando vi a pasta do passeio no parque, apertei para abrir uma das fotos e dei um sorriso triste. Rei e eu estávamos sentadas uma do lado da outra no banco do parque, bochecha contra bochecha, ela estava com um sorriso iluminador e um brilho nos olhos, enquanto que apesar de eu estar irritada, não era difícil notar que também estava me divertindo. Passei foto por foto e dei um sorriso satisfeito. Era o meu cartão de memória, Rei iria ficar triste se soubesse que tinha perdido as fotos daquele dia.
─ Obrigada ─ Agradeci Carter sem jeito, ela deu um aceno com a cabeça e voltou a olhar em volta, sem focar em algo realmente.
Durante os 30 minutos restantes de viagem ficamos em silencio, apenas observando a paisagem até que as luzes da cidade começaram a aparecer.
─ Se preparem! ─ Ordenou Carter e todos nós sentamos direito no banco. O piloto deu a volta por trás de um prédio e conseguimos ver a situação da cidade. E estava uma desgraça, nunca que imaginaria que um dia ela estaria nesse estado. A primeira coisa que se notava era as casas e lojas destruídas no centro, casas em chamas, vidro e concreto espalhados por toda a parte, virei o rosto para a esquerda e abri a minha boca ao ver que um bairro residencial inteiro estava destruído, telhados partidos por causa de portes que caíram.
Soltei o meu cinto e fiquei de pé, os soldados olharam para mim nervosos e fui até a porta, um vento forte me atingiu e as minhas roupas sacudiram loucamente, segurei a barra que ficava acima da porta com força e me inclinei, olhei para a direita, para a frente do helicóptero e vi uma fumaça negra tomar o céu, logo seguida por uma explosão.
As coisas não estavam nada boas.
─ Estamos em busca de um lugar seguro para pousarmos ─ Falou o piloto, fui até ele e coloquei a mão no seu ombro.
─ O quão longe estamos do abrigo?! ─ Perguntei gritando.
─ Uma quadra! ─ Gritou ele de volta. ─ Mas não estamos achando uma rua limpa para pousarmos.
─ Você pode se aproximar do chão?! Preciso descer, agora!
─ Vou tentar! ─ Respondeu ele e voltei para a porta.
─ O que está acontecendo?! ─ Perguntou Dana olhando para mim.
─ Vou descer aqui! ─ Falei, Carter abriu a boca e eu a interrompi ─ Não tenho tempo. Eu desço e você continuam o que planejamos!
─ Certo! ─ Carter disse e todos os outros acenaram com a cabeça. ─ Fique segura!
─ Fique pronta! ─ Gritou o piloto, peguei minha mochila e olhei para baixo, o helicóptero começou a descer sobre uma rua destruída. Observei o solo se aproximando e esperei a ordem do piloto ─ Agora!
E saltei, dobrei meus joelhos para reduzir o impacto da queda e atingi o chão. Fiquei de pé e olhei em volta, demorei três segundos para me localizar e comecei a correr na direção dos abrigos, minhas botas fizeram um eco pela rua vazia e tirei o celular da bolsa. Atravessei a quadra e parei na esquina do abrigo, havia três guardas parados na frente.
As luzes da cidade estavam acessas, então ainda não haviam desligado a energia, olhei para a barra de sinal do celular e disquei o numero de Rei e esperei que ela atendesse, o celular tocou uma, duas, três, quatro vezes e nada.
─ Droga, Rei! ─ Exclamei com raiva e tentei de novo, mas sem resposta. Olhei para o teclado numérico e tentei lembrar o numero de Grey. ─ Certo Grey, atenda o celular.
Escutei o toque do celular em espera, tocou uma, duas, três...
─ Alô? ─ Respondeu uma voz, quando estava preste a desistir no quinto toque.
─ Grey! ─ Gritei emocionada em ouvir a sua voz novamente.
─ Sora? ─ Disse surpreso.
─ Sim!
─ Ai meu Deus, onde diabos você esteve? ─Perguntou emocionado do outro lado.
─ Em uma prisão, mas não temos tempo para isso! Grey me diga que você está com aquela caixa de frascos.
─ Estou ─ Respondeu rapidamente. ─ E com a sua espada também.
─ Ótimo! Eu preciso que você traga para mim, estou do lado de fora do abrigo ─ Falei e escutei uma explosão distante. ─ Você acha que consegue sair?
─ Eu vou tentar ─ Disse e escutei-o sussurrando com alguém do outro lado que eu não reconheci a voz. ─ Sora, me espere aí na frente em dois minutos.
─ Não vou a lugar nenhum! ─ Digo sarcasticamente olhando em volta. Grey desligou a ligação e olhei para os guardas. ─ Certo, vamos ver se Carter falou com os carinhas das armas.
Andei pela rua calmamente e imediatamente os três guardas olharam para mim, levantando suas armas em minha direção e abri as mãos lentamente. Diminui a distancia entre nós e parei á alguns passos deles.
─ Surpresos em me ver? ─ Perguntei dando um sorriso para eles.
─ O que você faz aqui? ─ Perguntou um deles apontando a arma.
─ Bem, Carter me pediu para vim pegar algo com alguém aqui no abrigo ─ Respondi calmamente.
─ Nós não fomos notificados a respeito disso ─ Respondeu o mesmo.
─ Eu acho que o comunicador de vocês está com problemas, mas veja, eu preciso do que está aí dentro, para poder derrotar o desgraçado ─ Eles se entreolharam incertos, pois apesar de me verem como uma ameaça ainda preferiam que Artos morresse. Dei um suspiro e abaixei as mãos ─ Então relaxem, que não vou fazer nada.
O portão deu um estalo e nós olhamos para a porta, dois soldados apareceram e olharam de mim para os outros três que estavam com as armas nas mãos.
─ O que diabos vocês estão fazendo? ─ Disse um dos soldados que havia acabado de chegar. ─ Comandante ordenou que não atacássemos a Lightning Hunter. Ela está do nosso lado agora. Vocês não receberam o aviso?
─ Não ─ Respondeu um deles abaixando a arma lentamente.
─ Chequem os comunicadores de vocês, ela está do nosso lado agora ─ Ordenou um deles e os outros três fizeram que sim com a cabeça e vi um rapaz magro de cabelos vermelhos aparecer atrás dos soldados.
─ Grey! ─ Falei dando um sorriso animado.
─ Sora! ─ Ele me deu um grande abraço e um sorriso feliz. ─ Nossa, eu estava tão preocupado. Você está andando! Como você... ?
─ Longa história, amigo ─ Falei dando um balançar de ombros e se afastando dele, os soldados olharam para a gente com curiosidade. ─ Você trouxe o que pedi?
─ Sim ─ Disse e deu uma batidinha na mochila ao seu lado.
─ Certo, vem comigo ─ Falei e comecei a correr para a esquina da rua, Grey me acompanhou sem reclamar e olhei para trás, estávamos longe o suficiente dos guardas. Tirei as duas pistolas da mochila e ele pegou a caixa de frascos. ─ Encha uma delas.
─ O que é isso exatamente? ─ Perguntou pegando um frasco e colocando o liquido na pistola.
─ Se lembra da droga que Rider usou em mim e Rei? ─ Digo enchendo o tubo da arma com a droga.
─ Sim.
─ Então, vou usar isso para enfraquecer Artos ─ Respondi pegando outro frasco.
─ Mas como você vai fazer isso? A pele dele é impenetrável!
─ Eu tenho um plano ─ Falei e peguei outro frasco. ─ E Rei? Onde ela está?
Grey parou de se mexer e olhou para o meu rosto, observei os seus olhos castanhos e a sua boca abrindo e engoli em seco.
─ Ela está bem, por enquanto ─ Abri minha boca para perguntar o que havia acontecido quando ele me cortou ─ Ela está lutando contra Artos nesse exato momento.
─ O QUÊ?! ─ Exclamei com raiva e surpresa. ─ Ela ficou louca? O que ela pode fazer se os poderes dela não funcionam nele? Por que diabos você deixou ela ir?
─ Ela podia ajudar os outros agentes! ─ Disse na defensiva, encarei ele atônita e cerrei o meu maxilar.
─ Inacreditável! Inacreditável! O diabo está la fora e você envia a sua irmã?! ─ Falei com raiva e peguei outro frasco. Grey se encolheu ao meu lado e continuou enchendo a pistola.
─ Ela sabe se cuidar ─ Sussurrou ele. Coloquei uma mão na testa e respirei fundo tentando manter a calma.
─ Apenas encha isso logo ─ Ordenei e continuamos a encher a arma. E usamos mais da metade da caixa para encher as duas pistolas, chequei a trava das armas e guardei-as na mochila. Grey me entregou a minha espada e a montei, vi a lamina crescer e dei um aceno com a cabeça satisfeita. Prendi-a no cinto da calça e encarei Grey, puxei-o para um ultimo abraço. ─Vou trazer a sua irmã de volta, nem que custe a minha vida.
─ Tá bom ─ Disse me abraçando de volta, deu um beijo na minha bochecha e se afastou. ─ Mas quero que volte inteira também.
─ Vou tentar ─ Digo dando um sorriso de canto, Grey me olhou serio e coloquei a mão no seu ombro. ─ Fique seguro.
─ Você também ─ Desejou e começou a correr na direção do abrigo, o vi chegando até o portão e dei um aceno para os soldados, deram um ok com a mão e dei as costas para eles.
Arrumei a alça da mochila para ficar bem presa as minhas costas e olhei para os prédios que ainda estavam em pé. Precisava de um lugar alto para ver onde estavam, os meus sentidos estavam mais aguçados, mas não consegui localizar o lugar onde eles estavam, toda a cidade estava rangendo com as construções destruídas.
─ Um lugar alto ─ Comecei a correr e pisei sobre cacos de vidro no asfalto. Observei a rua que estava rapidamente, sem prédios altos. Próxima rua então, virei para a direita e entrei em outra com carros pegando fogo, passei por eles e por restos do que sobrou do muro de uma casa.
Corri por algumas ruas até que achei um prédio em construção, ele tinha 7 andares, parei ao lado da parede e coloquei minha mão sobre ela, liberei eletricidade na parede e comecei a escalar, eletroestática era tudo de bom.
Demorei 1 minuto para alcançar o parapeito da cobertura e puxei o meu corpo para cima, meus pés atingiram o chão e olhei para a cidade a minha frente. Ruas e mais ruas destruídas, segui o rastro de destruição até que localizei a fonte da mesma.
Artos estava lutando contra Rei e ela estava no chão. Senti uma raiva instantânea me encher e comecei a me mover para aquela direção quando o céu começou a ficar escuro. Olhei para cima, para a lua cheia e abri a minha boca em choque. Ela estava ficando vermelha sangue.
─ Mas que porra...
Encarei aquilo sem ter a mínima ideia do que estava acontecendo, um eclipse lunar agora? Não, aquilo era coincidência demais. Olhei para a rua que Rei e Artos estavam e senti os meus ossos congelarem.
Rei estava em pé de frente para Artos, que olhava para ela sem se mexer. Mas o que diabos os dois estão fazendo? Conversando? Cerrei os olhos para ver melhor e um arrepio percorreu minha espinha. Rei era o motivo da lua estar vermelha e nunca antes o nome Bloon fez tanto sentido.
E a próxima coisa que aconteceu fez meu queixo ir para o chão. Laminas vermelhas apareceram ao seu lado e Rei avançou contra Artos. Observei aquilo em choque, Rei se movia agressivamente, as laminas sempre atacando e atingindo o corpo de Artos. Só não entendi o motivo de Rei nunca ter dito que podia fazer aquilo. Se ela pudesse usar aquele poder antes, nós não teríamos tido tanto problemas com Rider.
Enquanto a luta se prolongava percebi que as laminas não eram destruídas quando Artos as acertava, mas sim viravam um liquido vermelho. Cerrei os olhos novamente e notei que Rei estava diminuindo a sua velocidade. Uma lamina conseguiu atravessar o ombro direito de Artos e ele caiu no chão.
─ Parece que a minha ajuda não é necessária no final das contas ─ Falei observando Rei levantando os braços a sua frente e notei que seu braço estava sangrando. ─ Mas por que ela...
Senti a minha pupila dilatando com a descoberta. Rei estava usando o próprio sangue para criar as laminas, por isso que a sua velocidade estava diminuindo. Ela estava ficando fraca.
─ Merda! ─ Corri para o parapeito do prédio e pulei ignorando a altura, meus pés tocaram o chão com força e senti o impacto percorrer o meu corpo, mordi o maxilar com força e comecei a correr na direção de Rei. Passei por lojas e casas semidestruídas e entrei em outra rua. ─ Vamos mais rápido!
Apertei o passo e rapidamente entrei na avenida que estavam, fiz o meu corpo ficar em alerta máximo e os meus sentidos ficaram aguçados. Consegui escutar o estalido do fogo em outra rua, alguém pisando em cacos de vidro, respirações cansadas, e mais outra porções de coisas que não eram tão importantes. Mas meus olhos estavam fixados em Artos e Rei, as laminas de Rei que estavam sobre as costas de Artos simplesmente se desfizeram e molharam as suas costas de sangue. Rei caiu no chão exausta, Artos se colocou em pé a sua frente e ela tentou se mover sem resposta. E então Artos levantou o punho de aço em sua direção e escutei alguém sussurrar o meu nome.
E então, tudo desacelerou, senti adrenalina e algo mais percorrendo o meu corpo em conjunto com a minha raiva. Eu estava furiosa, iria acabar com Artos por ter machucado Rei, iria faze-lo pagar por tudo. Senti eletricidade sair do meu corpo e corri, as coisas passaram por mim em um borrão e ao mesmo tempo pararam, quando notei tinha atravessado toda a avenida, mais rápido do que um piscar de olhos, e segurava Rei nos braços.
Parei a alguns metros de distancia de Artos que deu um soco no ar. Demorei um decimo de segundo para entender que agora tinha super velocidade, exatamente como um relâmpago. Olhei para baixo, para Rei que me encarava com os olhos arregalados, ela estava muito pálida, mais do que o normal.
─ Sora? ─ Disse Rei depois de uns segundos. Fiz que sim com a cabeça e apertei o seu corpo contra o meu peito. ─ Sora?! Você está andando! Como?!
─ O soro demorou para fazer efeito, mas no final ele fez ─ Respondi sem tirar os olhos dela. Rei estava leve, eu não lembrava dela ser tão leve assim. ─ Como se sente?
─ Cansada ─ Disse e respirou profundamente, escutei o seu coração batendo contra o meu peito.
─ Onde estão os outros? ─ Perguntei, Rei apontou para um canto da avenida onde estavam os seis agentes que sobraram. Tinha passado por eles sem ao menos notar. ─ Ok, vou levar você até eles.
─ Ora ora, olha quem resolveu aparecer para brincar ─ Escutei a voz de Artos, levantei o olhar e encarei-o.
─ Saudades? ─ Perguntei sarcasticamente.
─ Claro, chutar a sua bunda sempre merece uma repetição ─ Disse ele dando um sorriso.
─ É mesmo? ─ Falei dando um sorriso de canto. ─ Quer ver quem vai chutar a bunda de quem hoje?
─ Hahahaha ─ Artos deu uma risada ─ Vejo que reganhou confiança.
─ Quem sabe? ─ Dei de ombros e olhei para Rei. ─ Prenda a respiração.
Ela fez que sim e me posicionei, passei por Artos em um borrão e parei ao lado dos agentes, que me olharam em choque.
─ Como você...
─ Não importa ─ Cortei Richie, ele me deu um olhar com raiva. ─ Eu tenho que contar para vocês o...
─ Hey!! ─ Gritou Artos, olhei para trás e vi um jato de gelo vindo na nossa direção, levantei a mão direita e o gelo atingiu uma barreira de eletricidade azul. ─ Então é assim que vamos jogar?
Coloquei Rei no chão ao lado de Gaby, que parecia que tinha acabado de acordar de um desmaio, e escutei o ataque frustrado de Artos contra a minha barreira.
─ Vamos brincar Sora!
─ O plano, eu tenho que contar o plano ─ Falei ignorando os protestos e ataques de Artos, mas meus sentidos não estavam me deixando ficar concentrada ─ O plano... ─ Artos atacou agora com fogo. Eu não estava conseguindo montar uma linha de raciocínio, o barulho do impacto entre os dois poderes estava me deixando nos nervos. Estiquei as costas, ficando com uma postura impecável, levantei a mão direita e estalei o dedo. ─ Fique quieto!
Um raio azul percorreu todo o meu braço e atingi Artos com o que se pareceu ser um canhão de energia, ele foi lançado contra uma casa, que logo veio abaixo com o impacto. Olhei admirada pra a minha mão e sorri sentindo a energia circulando no corpo.
─ Uoooh ─ Escutei alguém falando.
─ Você acabou de lançar ele através de uma casa? ─ Perguntou Ice incrédulo.
─ É o que parece ─ Disse uma menina que eu não sabia o nome.
─ Não importa ─ Cortei-os e eles me olharam sem entender. ─ Uma explicação rápida da nossa situação. Agora eu estou trabalhando para Carter..
─ Você o quê?! ─ Disseram todos ao mesmo tempo, inclusive Rei.
─ Resumindo, vocês irão trabalhar comigo agora. O plano é : vocês descansam, Dana reuni os agentes feridos e eu compro tempo.
─ Tempo para o quê? ─ Perguntou Beatrice ignorando tudo o que eu tinha dito.
─ E você tem certeza que não quer que ajudemos? ─ Perguntou o garoto que reconheci no vídeo sendo o que controlava os estados físicos da matéria, Jake.
─ Na situação que vocês estão, apenas vão me atrapalhar ─ Respondi, eles me olharam com raiva. ─ Continuando, o plano é simples. Vou lutar com ele até ele cansar ou parecer cansado, e quando isso acontecer, vou dar um sinal e vocês vão ter que aplicar isso nele ─ Tirei as duas pistolas de injeção e eles olharam sem entender. ─ Tornando a explicação curta, isso vai fazer os poderes dele enfraquecerem.
─ Certo ─ Disse Ice cruzando os braços.
Olhei para cada um deles para ver quem tinha a maior capacidade de se aproximar e aplicar a droga. Levantei a mão para Ice e ele olhou hesitante para a pistola, mas pegou-a do mesmo jeito, virei na direção de Gaby, ela não era forte, mas o poder de teletransporte iria vir a calhar. O problema era que ela estava acabada.
─ Você acha que consegue aplicar nele? ─ Perguntei olhando em seus olhos, havia sangue seco na sua testa e diversos ferimentos pequenos apareciam no seu braço e rosto. Ela pegou a pistola e a revirou nas mãos. ─ Ok. Gaby você vai se teletransportar junto com Ice quando eu der o sinal e Beatrice tente montar uma barreira, ok?
─ Tá bom, vou tentar ─ Disse ela dando um suspiro cansado.
─ E quanto a nós? ─ Perguntou Richie.
─ Vocês esperam, depois que aplicarmos a droga nele, as coisas vão ter que ser rápidas. Atacamos com tudo que temos. Se nada der certo, vamos para o plano B ─ Falei e puxei o celular da bolsa para ver o tempo que ainda faltava. 1 hora. ─ Ok. O plano B é uma bomba ─ Levantei a minha mão quando os vi abrindo a boca e olhei na direção onde tinha lançado Artos, um tijolo tinha rolado no chão, sinal que ele estava se levantando. ─ Os soldados ou Dana irão entregar quando esse tempo acabar ─ Mostrei-os o cronometro e eles engoliram em seco. ─ É meu trabalho cuidar do mostrengo até lá. Então, não façam nada idiota até eu der o sinal. Fui clara?
Eles acenaram relutantemente com a cabeça e senti uma mão segurar o meu punho, olhei para baixo e notei que a mão pertencia a Rei. Ela mordeu o lábio inferior com força e entendi na hora o que ela queria dizer. Ajoelhei-me a sua frente e segurei as suas duas mãos, os olhos de Rei me imploravam para não ir.
─ Relaxa, ok? Eu vou ficar bem ─ Falei tentando soar o mais calma possível, a verdade era que lá no fundo eu tinha medo de como essa luta terminaria, mas eu tinha que acabar com isso. Puxei Rei para um abraço, ela estava tão fraca, coloquei meu rosto ao lado do seu e suas mãos agarraram a frente da minhas camisa.
─ Eu não quero te perder de novo ─ Sussurrou no meu ouvido. Meu corpo fraquejou ao ouvir aquilo e a abracei com mais força. Eu não queria mais me afastar dela, queria mantê-la em meus braços e ir para um lugar calmo, longe de problemas, ter a nossa pequena casa e viver as nossas vidas da maneira mais tranquila possível.
Eu não podia imaginar a dor que Rei sentiu ao ter que me deixar para trás e ouvir as noticias sobre a minha suposta paralisia. Ela estava com medo de me perder novamente, enquanto que eu estava apenas pensando em protege-la. Quem era a mais egoísta de nós duas?
─ Você não vai me perder ─ Sussurrei de volta. Apesar de não gostar da situação, eu não seria a pessoa que daria as costas para aquilo, não quando a pessoa que amava tinha lutado e quase sacrificado a vida para terminar aquilo. Não quando havia um desgraçado a solta, destruindo tudo. Eu sabia muito bem, que de todas as pessoas naquela cidade, a mais longe de se tornar uma heroína era eu. Aquela cidade tinha seus problemas e suas pessoas más, mas entre elas ainda haviam pessoas legais, como Grey, Logan, Cloe, Minna, Anne, Beatrice e até mesmo Dana que me odiava, que não mereciam morrer pelas mãos de alguém assim.
Mas nenhum deles se comparava a pessoa que estava em meus braços. Eu iria proteger Rei a qualquer custo. E depois irei caçar os que me traíram e traíram a minha família, irei dar o mesmo fim que julgaram que meus pais mereciam. E começaria por Artos.
─ Eu vou voltar ─ Falei quebrando nosso abraço e olhando diretamente para os olhos castanhos de Rei. Ela abriu a boca para reclamar e eu a cortei com um beijo. Ignorei todos em volta que deram um arfar surpresos com a minha ação, e apenas dei o que se parecia o ultimo beijo na pessoa que amava. Beijei-a gentilmente, tendo certeza que ela havia entendido o significado por trás daquilo, ela me beijou de volta e escutei o barulho de tijolas caindo e rolando no asfalto, não precisei olhar para trás para saber o que era. Mantive meus lábios pressionados contra os dela e senti o ataque de Artos contra a parede de eletricidade.
─ Sua desgraçada! ─ Gritou ele lançado um pedaço de concreto contra a barreira.
Quebrei o nosso beijo e dei uma ultima olhada nos olhos dela, fiquei de pé lentamente enquanto segurava uma de suas mãos. Os outros agentes tiraram o olhar de Artos para nós duas e eu não sabia dizer qual deles estavam mais surpresos.
─ Não ouse em morrer, você me ouviu? ─ Disse Rei segurando a minha mão com força, mas aquilo não era um pedido, era uma ordem.
─ Claro como a água─ Respondi dando um sorriso de canto e virando na direção de Artos, soltei a mão de Rei e me afastei deles, atravessei a barreira e encarei o inimigo a minha frente. Estava na hora da vingança e eu iria cumpri-la. Abri meus braços e afastei as pernas, faíscas de eletricidade começaram a aparecer sobre a minha pele e dei um sorriso desafiador. ─ Caí dentro.
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