Lightning Hunter
21 Capitulo 21 - Dana
Notas iniciais
Meus olhos não acreditavam no que estava a minha frente. E o que eu via era uma Sora sangrando, com o corpo aos trapos, mas além disso, havia algo que eu não esperava. Suas tatuagens. Eram iguais as de Lightning Hunter.
Por quê? Porque dentre todas as pessoas, justo Sora tinha que ser a Lightning Hunter?
Observei todos os paramédicos e policiais se movendo em torno do carro, onde ela estava praticamente presa na lataria. Tudo parecia passar em câmera lenta e a única coisa que consegui pronunciar foi o nome de Sora. E então, como se alguém apertasse o botão de acelerar o vídeo, os médicos tiraram ela de lá, os policiais a acompanharam, os bombeiros estavam terminando de apagar o fogo que tinha se alastrado na empresa de eletrônicos. E a diretora dos Agentes me puxava pela camisa em direção ao seu carro.
Ela falava alguma coisa, mas simplesmente suas palavras não alcançavam a minha mente. Os olhos da diretora estavam brilhando intensamente em uma excitação e raiva fora do comum. Enquanto que eu estava ali olhando para ela sem saber o que fazer e o que pensar.
Sora é a Lighting Hunter…. Lightning Hunter…. Lightning… Sora….Hunter
Merda!
Coloquei minhas mãos no rosto e consegui ver os meus sapatos através da fresta dos meus dedos. Tudo fazia sentido. O fato dela não usar as roupas de educação física, de sempre estar usando camisa de manga cumprida. Merda. As faltas na escola, as desculpas esfarrapadas. O real motivo por ela não querer que eu entrasse na OAPA. O cabelo. Como diabos eu não notei isso antes? Como? Era tudo obvio, as peças estavam ali, só precisava junta-las.
Levei a mão ao peito e segurei a minha camisa com força. Era obvio o motivo de não ter conseguido montar as peças. E quanto mais eu tentava negar, mas difícil era encarar os fatos. Droga.
De repente o carro parou e bati a cabeça no banco do motorista, olhei em volta rapidamente e percebi que estava na frente de um hospital particular, a ambulância que Sora estava parou na entrada, os policiais entraram rapidamente pela porta da frente, e Carter abriu a porta do carro, gritou alguma coisa para mim e eu a encarei saindo depressa em direção da entrada do hospital.
Depois de alguns segundos sem nenhuma reação, respirei o mais fundo que podia, limpei minha mente de todos os pensamentos confusos e sai do carro. Carter estava falando com uma equipe de médicos e enfermeiros, logo em seguida eles desapareceram pelo corredor. A policia retirou todos as pessoas que não eram pacientes e fechou o hospital. A diretora começou a fazer ligações e me deu um olhar afiado.
─ Avise a sua equipe, peçam para vir para cá imediatamente, não dê nenhuma informação. Depois disso, desliguem todos os celulares ─ Carter desligou a ligação que estava fazendo e se virou para os enfermeiros, médicos e os policiais. ─ Atenção! Desliguem todos os celulares, nenhuma informação saí daqui. Vamos evitar que a mídia saiba ao menos por um tempo. Dana, estou entrando em contato com o comandante, peça para os agentes ajudarem os policias na segurança.
─ Certo! ─ Respondi, finalmente conseguindo dizer algo. Saí do corredor do hospital e fui para a entrada, peguei meu celular e fiz uma ligação em grupo para a minha equipe ─ Pessoal?
“O que foi Dana?”, disse Beatrice.
“Missão?”, perguntou Ice, sua voz soou como se estivesse sido acordado de um bom sono.
─ Sim, venham para o hospital particular Sky, venham fardados ─ Falei rapidamente olhando o movimento rápido dos policiais. ─ Beatrice traga o meu uniforme também.
“Tá. Mas do que isso se trata?”, quase podia ver a cara de preocupada de Beatrice do outro lado da linha.
─ Apenas venham, okay? E não falem que estão vindo para cá a ninguém ─ Ordenei passando a mão na minha testa que estava suada.
“Ok”, responderam o restante da equipe.
Desliguei o celular e coloquei dentro do bolso, olhei em volta e vi Carter se aproximando rapidamente, ela deu uma ordem para um dos guardas e parou ao meu lado.
─ Então? ─ Perguntei olhando para ela.
─ Os médicos estão cuidando dela, agora só resta esperar que ela não morra ─ Respondeu cruzando os braços e dando um suspiro cansado. Ficamos em silêncio por alguns minutos observando o movimento dos guardas e a vi me observando de canto. ─ Você sabe quem é ela, não é?
─ Uhum ─ Concordei cruzando os braços. ─ Você também, ela estava comigo e Beatrice no treino para entrar na OAPA.
A diretora passou a mão no queixo tentando se lembrar e a vi engolindo em seco, aparentemente ela tinha lembrado.
─ Ah claro, ela trabalhava em um restaurante, certo? ─ Perguntou, e fiz que sim com a cabeça. ─ Droga, se bem que eu tinha visto algo nela quando a encontrei pela primeira vez. Mas nunca imaginei que ela seria a Lightning Hunter.
─ Somos duas ─ Falei dando um aceno com a mão.
─ Bem, vamos ver no que isso vai dar ─ Disse respirando fundo. ─ Vou voltar lá para dentro.
─ Ok.
─ E Dana ─ Virei o rosto na sua direção, e me deparei com um par de olhos verdes me encarando seriamente. ─ Não fale que sabe quem é ela.
─ Sim, senhora ─ Respondi dando um aceno e virando para frente.
Em pouquíssimos minutos havia uma barreira em torno do hospital e 12 minutos depois vi um rapaz de cabelos brancos correndo pela calçada. Mesmo a uma distancia de poucos metros, pude ver o rosto surpreso de Ice, parou na frente de um policial e mostrou a sua identificação, o guarda fez um sinal e ele seguiu em frente.
Logo mais ao lado localizei Gaby, Beatrice e Richie correndo, mostraram suas identificações e passaram pelo bloquei dos policiais. Beatrice trazia nas costas uma mochila, provavelmente com o meu uniforme dentro.
─ O que diabos está acontecendo aqui? ─ Perguntou Ice parando ao meu lado e respirando profundamente tentando acalmar a sua respiração.
─ Yeah, o que é tudo isso? ─ Disse Richie passando a mão na cabeleira loira. ─ Parece que alguém perigoso está aí dentro.
─ Mas é isso mesmo ─ Respondi engolindo em seco.
─ Como assim? ─ Beatrice deu um olhar em duvida.
─ Vamos desembucha logo ─ Exigiu Richie dando um tapinha no meu ombro. Depois de alguns segundos encarando a minha equipe, dei um suspiro cansado e descruzei os braços.
─ A Lightning Hunter ─ Respondi, e observei os seus rostos mudarem de expressão rapidamente. Ice colocou as mãos sobre o meu ombro e me fez olhar diretamente para seus olhos azuis.
─ Isso é sério? ─ Perguntou me encarando.
─ Sim ─ Confirmei, ele ficou parado por alguns segundos e as suas mãos caíram ao seu lado.
─ Não acredito nisso ─ Sussurrou Gaby totalmente surpresa.
─ Finalmente prenderam essa desgraçada ─ gritou Richie dando um pulo animado e dando um soco no peito de Ice, que deu um sorriso também. Gaby puxou Beatrice para um abraço animado e por alguns minutos fiquei vendo o meu time comemorando.
Peguei a mochila das costas de Beatrice e tirei o meu uniforme de lá, vesti a jaqueta azul escura por cima da minha camisa e fechei o zíper, a noite estava começando a ficar fria e a adrenalina no meu corpo estava começando a abaixar. Passei a braçadeira pela mão e a ajeitei sobre o antebraço.
─ Certo, a diretora ordenou que ficássemos de patrulha aqui. Ninguém entra ou saí do prédio ─ Amarrei meu cabelo em um rabo de cavalo e olhei para os meus colegas de time. ─ Desliguem os celulares também.
Eles concordaram e desligaram os seus celulares, Ice fechou o zíper da sua camisa e dei um sorriso irônico, ele controlava gelo e ainda sim se cobria contra o frio.
─ Então, qual o estado dela? ─ Perguntou Richie cruzando os braços.
Estávamos em pé um do lado do outro e olhando para a barreira. Comecei a passar as informações para eles e os mesmos escutaram atentamente em choque. Eles não acreditavam que alguém poderia dar uma surra na Lightning Hunter daquele jeito. Acho que ninguém imaginava.
Ice tinha lutado contra ela, e mesmo ele tendo o elemento surpresa das armadilhas, ainda assim levou uma surra. Sem dizer que dá ultima vez, precisou que 5 de nós combatessem ela. E parando para pensar agora, Sora não estava lutando sério naquele dia, e o motivo era porque ela nós conhecia, e mesmo não gostando de Richie e Ice, ela não os machucou seriamente, se não fosse o caso, ela teria nos liquidado.
Por um bom tempo ficamos quietos observando os policiais e esperando noticias de alguém dentro do hospital. E quando estava perto do amanhecer, pessoas começaram a aparecer e com isso repórteres. Daí em diante tudo começou a ficar movimentado. Perdia conta de quantos repórteres estavam ali, mais agentes vieram nos ajudar na segurança, o prefeito e o detetive apareceram e entraram no hospital.
Eu estava exausta mentalmente, ver tudo aquilo acontecer em um espaço de tempo tão curto e ainda descobrir quem Sora era realmente, estava destruindo os meus nervos. Tanto que antes que eu percebesse estava andando de um lado para o outro na calçada, minhas mãos estavam suadas e volta e outra as esfregava na calça.
Não conseguia tirar da minha cabeça que Sora era a Lightning Hunter, apesar de aquilo ser um fato. Mesmo não mostrando muita minha opinião, mas sempre considerei a Lightning Hunter uma criminosa, que deveria ser presa e pagar pelos seus atos. Tinha raiva por ela ser quem era, não obedecia as leis e muito menos ligava para os outros. E quanto mais eu pensava nos atos dela, mais eu ficava com raiva e mais tinha certeza que ela deveria pagar pelos seus crimes. Quantas vidas ela tinha tirado? Quantas pessoas ela deixou triste por ter alguém familiar morto? Quanto dinheiro ela tinha roubado e feito negócios irem para o ralo? Quantas vezes ela tinha cometido algo e feito os policiais e a sociedade de otários?
Eu a odiava. Odiava as suas tatuagens, o seu poder, e principalmente aquele olhos azuis. Olhos que observavam tudo e calculavam cada movimento. Ainda lembro-me do olhar que ela deu, nunca antes havia recebido um olhar tão frio e calculista quanto aquele. Olhos de alguém que poderiam matar sem dificuldade e remorso. Lembro que senti todo o meu corpo tremer e um frio percorrer pela minha espinha, seu corpo estava encharcado de sangue, sangue que ela mesma disse que não pertenciam a ela.
A pistola destravada e apontada para a minha cabeça. E então quando ela falou comigo, sua voz era diferente, era fria, baixa, mas ao mesmo tempo era clara o suficiente para qualquer um ouvir e obedecer. Naquele momento, não tive duvidas que ela puxaria o gatilho se não obedecesse, então me afastei o mais rápido que podia. Não havia nada que eu pudesse fazer, ela era claramente mais forte do que eu.
Olhei para minhas botas pretas sobre o asfalto. E lá estava eu novamente, a frente de toda aquela gente querendo saber mais informações. Em algum momento os repórteres descobriram quem era que estava no hospital, e as coisas ficaram cada vez mais difíceis de aguentar. Escutei passos se aproximando de mim e notei que era Beatriz, trazia nas mãos dois copo de café, levantou um para mim e o segurei.
─ Obrigada ─ Agradeci e dei um gole do café. Dei um suspiro cansado e esfreguei as têmporas.
─ De nada ─ Disse ela bebendo um pouco do próprio café.
Andamos pelo perímetro e ficamos mais afastadas do nosso grupo, tomamos nosso café em silêncio, até que Beatrice segurou meu braço, olhei para o seu rosto e ela me deu um olhar serio.
─ O que a está preocupando?
─ Nada ─ Menti dando de ombros, ela continuou a me encarar.
─ Conheço você Dana. Sei quando algo a está preocupando ─ Beatrice cruzou os braços e deu um sorriso de canto. ─ Sem dizer que você não para de esfregar as mãos na calça. Sinal de que está nervosa com algo.
─ Não é nada ─ Respondi me afastando do seu braço.
─ Dana Flint, apenas fale logo. Não vou lhe deixar em paz, enquanto não falar nada ─ Disse batendo o pé ao meu lado, olhei para a garota ruiva e cocei minha nuca. Ela não iria desistir tão cedo.
─ Acho que você esqueceu que quem pode influenciar os outros sou eu e não você ─ Falei balançando a cabeça lentamente.
─ Yeah, eu sei disso. Mas você está me dando nos nervos já tem um tempo, e você não parece feliz com a prisão da Lightning Hunter.
─ Ah, mas eu estou ─ Respondi, e em parte estava, afinal prenderam quem eu tinha raiva. ─ Eu acho.
─ Você acha? ─ Os olhos de Beatrice estavam perplexos. ─ Não era você que não gostava dela.
─ Era, mas.... é complicado. ─ Terminei dando um suspiro cansado.
─ O que houve? ─ Beatrice segurou a minha mão e me fez olhar para ela. ─ Não sou sua namorada, mas sou sua melhor amiga, então, pode contar para mim o que quiser, que vou estar aqui para te apoiar.
─ Bem ─ Respirei fundo e cocei minha nuca, aparentemente peguei essa mania de Sora, ela sempre coçava a nuca quando evitava alguma coisa. Respirei profundamente e molhei os lábios. ─ Eu sei a real identidade dela.
Os olhos de Beatrice cresceram com a noticia, a vi engolir em seco e então sua mão agarrou a minha jaqueta com força.
─ Quem é?
─ Carter ordenou que eu não dissesse ─ Respondi rapidamente, observei o rosto dela ficando desapontado, ela sabia que eu obedecia a ordens sem dificuldades. ─ Você não vai gostar nenhum pouco de saber.
─ Sério? ─ Perguntou ainda segurando a minha roupa, fiz que sim com a cabeça. ─ Conhecemos?
─ Aham ─ Falei e comecei a andar pela calçada. Deixando Beatrice pensando sozinha.
Eu mesma já tinha pensamento demais para ter que me preocupar com Beatrice. Terminei de beber o meu café e joguei o copo no lixo mais próximo. Então depois de algumas horas, o detetive Bornes e Carter deram uma entrevista rápida para alguns jornais locais, respondendo algumas perguntas e outras coisas.
Ice parou ao meu lado e observou os jornalistas animados, seus braços estavam cruzados e uma expressão séria no rosto mostravam que ele não estava muito feliz com aquilo.
─ Percebeu, que as vezes os jornais falam dela como se ela fosse algum tipo de heroína?
─ Yeah, notei ─ Respondi olhando para os repórteres. ─ Mas acho que eles fazem isso para ganhar mídia e de certa forma tirar onda com o governo atual.
─ É, o prefeito não é um dos melhores ─ Disse ele passando a mão nos cabelos brancos e eu concordei em silêncio. ─ Você acha que eles já sabem a identidade dela?
─ Provavelmente ─ Respondi dando de ombros. Não era difícil conseguir a identidade de alguém, quando a pessoa estava basicamente nas mãos da policia. E não demorariam para anunciar a identidade dela ao público.
A pior parte de tudo isso, era que eu estava em negação. Eu não gostava da Lightning Hunter, mas quanto a Sora, meus sentimentos simplesmente ficavam confusos. Ela era bonita, não discordo disso, seus cabelos negros longos e aqueles olhos cinza, que observavam tudo discretamente, e o seu jeito misterioso e delinquente, que demostrava que ela não dava a mínima para o que as outras pessoas falavam ou pensavam dela.
A primeira vez que a vi, fiquei com certo receio de conversar com ela, já que a mesma não tinha puxado conversa com ninguém e muito menos dado um olhar agradável para os outros colegas de classe. Era quieta, mas aquela atitude dela, fez com que aos poucos eu ficasse interessada a seu respeito. E não podia ficar mais surpresa quando Richie apareceu na sala e tentou puxar conversa com a garota nova, e quando ela simplesmente jogou Richie no chão sem nenhuma dificuldade, eu sabia que ela era diferente.
Foi só no final do dia que consegui falar com ela, e fiquei surpresa quando ela disse que não tinha poderes, e muito menos aparentava ser rica ou ter o dinheiro suficiente para pagar a matrícula do colégio. Após isso, aos poucos fomos nos aproximamos, e apesar de que diversas vezes tentei conhecer sobre a sua vida melhor, ela apenas evitava falar sobre algo que não era relacionado a escola, e foi com muita dificuldade que finalmente consegui o seu número de celular.
E logo depois descobri que ela trabalhava em um restaurante, onde conheci Cloe. Entre todas as coisas, nunca imaginei que ela seria boa na cozinha. Ela tinha alguma coisa que atrai as pessoas, e por várias vezes me peguei tentando descobrir o que era essa coisa, mas sem nunca descobri a verdade. Cloe e eu começamos a sair e ao passar do tempo, notei que ela era igual a mim a respeito de Sora. Entretanto, Sora não parecia interessada em nada ou ninguém.
Ela tinha algo incomum, era na maioria das vezes quieta, em outras era divertida e até mesmo gentil, mas quando as coisas ficavam tensas, a personalidade delinquente dela aparecia e contornava os problemas sem nenhuma dificuldade, como acontecia quando Richie enchia a sua paciência.
Foi por essa garota que eu estava apaixona em segredo e não a criminosa que me ameaçou de morte sem nunca hesitar.
Então, quando uma garota de cabelos vermelhos e com uma aparência tão delinquente quanto a de Sora apareceu no nosso colégio, percebi que as coisas talvez não fossem mais as mesmas. As duas se pareciam se conhecer, muito bem por sinal. Sora agia diferente perto dela, e o mesmo era a garota, que volta ou outra dava olhares nem um pouco agradáveis para mim e Beatrice. E novamente quando Richie apareceu na sala, como sempre, para conhecer a nova aluna, e os dois começaram a conversar, era notável que Sora não estava gostando nem um pouco daquilo, e em poucos segundos ela ameaçou Richie.
E foi aí que ficou claro para quem os olhos de Sora estavam virados.
Olhei para o céu azul da tarde e suspirei, estava ficando quente. Horas se passaram desde que Sora entrou naquele hospital e em pouco tempo a policia anunciou a real identidade dela. E a reação da minha equipe foi de choque completo, em exceção de Ice que não a conhecia.
Quando anunciaram, eu estava tomando um copo de refrigerante de baixo de uma arvore, tentando agir calmamente, afinal aquela noticia não era mais tão nova para mim.
E quando noto Beatrice, Gaby e Richie estavam correndo na minha direção. Richie estava com a sua jaqueta presa no cós da calça e Beatrice tinha guardado a dela na mochila. Quanto a Gaby, ela tinha deixado em casa, desde que não era um problema para ela, por causa do seu poder.
─ Me diga que não é verdade ─ Pediu Beatrice parando a minha frente, seus olhos demonstravam confusão, olhei para os outros que tinham o mesmo olhar, que era algo entre surpresa, raiva e tristeza. Em exceção de Richie que estava apenas surpreso.
─ Eu sabia que ela estava mentindo! Um humano normal não poderia ganhar de alguém que tem poderes ─ Falou ele particularmente animado.
─ Eu não acredito ─ Repetiu Beatrice.
─ Eu não acredito que não notamos que a Lightning Hunter estudava no mesmo colégio que o nosso ─ Disse Gaby colocando a mão na testa e balançando a cabeça.
─ Sabe o que eu acho? ─ Disse Ice se aproximando devagar de onde estávamos. ─ Que vocês são péssimos agentes. Eu a reconheceria de longe.
─ Cara, mas ela sabia disfarçar ─ Cortou Richie dando um tapa no ombro de Ice. ─ Mesmo quando nós lutávamos na escola, ela nunca demonstrou nenhum sinal que tinha poderes.
─ Não? ─ Perguntou Ice ficando surpreso ─ Nada?
─ Nada ─ Confirmou Richie com um aceno de mão, e então Gaby se juntou a conversa deles, e eles ficaram conversando a respeito disso.
Quanto que meus olhos observavam a reação de Beatrice, ela estava em choque, ela tinha também gostado de Sora, mas não da mesma forma que eu. Entretanto, isso não tornava as coisas fáceis de engolir. Não precisamos falar nada, sabíamos como cada uma se sentia. E dessa forma os dias foram se passando, o Detetive Bornes localizou o apartamento onde Sora morava, não encontraram se quer provas substanciais, e até mesmo o dono no prédio negou de pés juntos que não sabia que Sora era a Lightning Hunter.
Seis dias se passaram, e eu e os agentes estávamos exausto de ficarmos de guarda. Então no meio de uma noite, o Comandante London ordenou que transferissem a Sora para outro lugar. Nenhum de nós sabia para onde a estavam levando, apenas mandaram que voltássemos para casa, pois o serviço ali estava terminado.
Claro que antes de voltar para casa, conversei com um dos médicos, que informou que Sora não iria andar novamente e que não tinham a mínima ideia para onde os guardas a estavam levando. Por muito tempo fiquei sem reação quando ouvi que Sora não iria andar novamente. Aquilo era chocante e ela não iria ficar nenhum pouco feliz com aquilo quando acordasse.
Mas apesar de tudo isso, estava exausta, tanto fisicamente quanto mentalmente. Fiz o caminho de volta para casa, que felizmente não era tão longe dali, apertei o botão da campainha e avisei que era eu, e provavelmente o mordomo abriu o portão e eu entrei em casa. Ela era grande, dois andares, 6 quartos, uma cozinha, sala de estar, um jardim bem cuidado. Observei a frente da minha casa por alguns segundos e suspirei. Meu pai era médico e minha mãe empresária, eu tinha um irmão mais velho, que já estava no 3º ano da universidade de medicina. E mesmo sendo nós quatro mais o mordomo, ainda não entendia o motivo de termos uma casa tão grande.
Felizmente estavam todos dormindo aquele horário da noite, dei boa noite para Tom, o mordomo, e subi as escadas para o meu quarto. Tomei um bom banho, liguei meu celular e deitei na cama. Meu celular começou a vibrar e olhei para as milhares de mensagens de Cloe, Logan, meus pais e outras pessoas, larguei o celular ao meu lado na cama e coloquei o travesseiro no rosto.
─ Amanhã vejo isso ─ Falei para as quatro paredes do quarto ouvirem, e apaguei antes que meus pensamentos pudessem me levar a ficar o resto da noite acordada.
Acordei com o celular vibrando em baixo do meu travesseiro, peguei-o e olhei quem era. Ninguém menos que Cloe, esfreguei os olhos e atendi a ligação.
─ Oi, Cloe ─ Falei olhando para o teto.
─ Oi. Tudo bem? ─ Perguntou ela calmamente. ─ Você não atendeu as ligações.
─ Estava no trabalho, você sabe.
─ Yeah, sei ─ A voz de Cloe estava parecendo cansada, olhei para o relógio e percebi que estava na hora do rush no restaurante. ─ Então, você pode vim aqui?
─ Okay, está no restaurante? ─ Perguntei colocando a mão sobre os olhos.
─ Sim. Já almoçou?
─ Ainda não, acabei de acordar ─ Respondi sentando na cama.
─ O que você quer comer?
─ Qualquer coisa serve ─ Falei dando um suspiro cansado. ─ Vou tomar um banho, 15 minutos estou aí.
─ Tá bom, até daqui a pouco ─ Cloe estava com uma voz aparentemente cansada, mas ignorei. ─ Beijos.
─ Beijos ─ Respondi de volta e desliguei o celular. Esfreguei a nuca e fui para o banheiro. Escovei os dentes e tomei um banho rápido, se enrolasse muito tempo no banheiro provavelmente iria desistir de ir até Cloe.
Vesti uma calça jeans preta, uma bota marrom e uma camisa branca de manga cumprida, coloquei um cordão de prata em volta do pescoço, peguei meu celular, a carteira e sai de casa. Avisei a Tom que almoçaria fora e ele confirmou com a cabeça.
Andei pela calçada da rua calmamente e olhei para o céu azul, o dia estava bonito para um passeio no parque, quem sabe Cloe queira passear por lá uma hora dessas. Entrei na área comercial do bairro e algumas pessoas olharam para mim, dei um sorriso para elas e continuei o meu caminho. A essa altura eu já estava acostumada a receber olhares na rua, tanto porque era uma agente ou por causa da minha aparência.
Meus longos cabelos loiros e meus olhos dourados acabavam chamando a atenção imediatamente, eu não era tão alta quanto Sora e nem tão branca quanto Rei ou Beatrice, mas tinha o meu charme. Alguns minutos depois chego ao Restaurante de Minna, quando entrei a mesma me deu um aceno de cabeça e apontou para a cozinha.
─ Obrigada ─ Falei e fui até a cozinha. Passei por Lucy que estava servindo uma casal, ela deu um sorriso para mim e eu o retribui.
Entrei na cozinha e Cloe estava lavando a louça, Logan estava dando um sermão em Erik a respeito de um molho que ele tinha colocado sal demais.
─ Hey Logan, não abusa do coitado ─ Falei dando um sorriso e os três olharam para mim surpresos.
─ Olha quem resolveu dar sinal de vida! ─ Disse Logan sorrindo e batendo a mão na mesa.
─ Oi Dana ─ Disse Erick dando um aceno com a mão timidamente.
─ Olá Erick ─Cumprimentei-o e olhei para Cloe que estava com um sorriso no rosto, dei um sorriso carinhoso para ela e a abracei. Apesar de tudo o que eu pensava que sentia por Sora, ainda não poderia deixar de gostar de Cloe, seus rosto se encaixou no meu ombro e beijei o topo da sua cabeça. ─ Com saudades?
─ Claro! ─ Disse se afastando e dando um tapa no meu ombro. ─ Você não deu noticias de vida, por sei lá quantos dias!
─ Foi mal, mas eu não podia deixar o meu posto ─ Respondi me afastando dela calmamente.
─ Tá bom, desculpe ─ Disse cruzando os braços e fazendo bico, coloquei a mão na cabeça dela e baguncei seus cabelos. ─ Hey!
─ Logan! Espero que esteja fazendo o meu almoço, estou faminta ─ Falei ignorando o protesto de Cloe, Logan deu uma risada com aquilo.
─ Já está quase pronto ─ Respondeu e deu um olhar brincalhão para Erick ao seu lado. ─ E não se preocupe, por que quem fez foi eu.
─ Isso, fique fazendo bullying ─ Disse Erick irritado enquanto quebrava um ovo em uma vasilha. ─ Só porque eu coloquei um pouquinho mais de sal no molho, vai ficar tirando onda.
─ Olha, ele ficou irritado ─ Cloe disse em um tom divertido e Logan caiu na gargalhada. Depois de algum tempo rindo, Cloe me deu um beijo na bochecha e mandou esperar na sala de descanso, enquanto ela terminava de lavar a louça e pegava o meu almoço.
Isso demorou uns 7 minutos, e durante isso olhei as mensagens que estavam no celular e as respondi. Cloe entrou na sala com uma bandeja, e nela tinha dois pratos de lasanha com arroz e dois sucos de laranja.
─ Ainda não almoçou também? ─ Perguntei e ela fez que sim com a cabeça.
─ Estava esperando você ─ Disse colocando a comida na mesa e puxando a cadeira a minha frente.
─ Ohh, que bela namorada que eu tenho ─ Falei dando uma piscada para ela, Cloe deu um riso com aquilo e balançou a cabeça devagar. Começamos a comer em silêncio e a lasanha estava ótima, quando terminamos, Cloe puxou uma conversa.
─ Então ─ Cloe olhou para o prato sujo na mesa e respirou fundo. ─ Sora é a Lightning Hunter.
─ Pelo visto ─ Respondi olhando para o meu copo de suco que ainda estava cheio.
─ Como você está?
─ Como assim? ─ Perguntei olhando para ela sem entender.
─ A respeito disso tudo ─ Disse ela dando um balançar de ombros. Dei um suspiro cansado, eu tinha noção de onde aquela conversa iria terminar, e sem dizer que eu já tinha pensado muito sobre toda essa coisa da Sora.
─ Sinceramente, eu estou cansada ─ Respondi e dei um gole do meu suco. ─ Tudo aconteceu tão depressa e bem, eu estou tão chocada quanto qualquer um.
─ Eu entendo ─ Concordou ela dando um gole no seu suco também. Observei-a em silêncio e seus olhos azuis me encararam sérios. ─ Você gostava dela, não é?
─ Depende de qual gostar que está falando ─ Falei cruzando os braços e encarando ela de volta. Ficamos um longo minuto se encarando e eu resolvi colocar as cartas na mesa de uma vez por todas. ─ E você também pelo visto.
─ Eu não ─ Disse rapidamente na defensiva.
─ A qual é Cloe! Estava na cara desde que eu a conheci que você gostava de Sora, só que nunca teve coragem para chama-la para sair ─ Falei rapidamente.
─ Ah é mesmo?! E quanto a você hein? Vai me dizer que não gostava dela também ─ Rebateu.
─ Eu a admirava ─ Respondi, aquilo soou uma mentira para mim mesma, mas prossegui. ─ Mas depois que descobri quem realmente era ela, isso foi para o lixo.
─ Então você admite que gostava dela ─ Cloe estava com um olhar feroz no rosto.
─ Vai me dizer que você não?! Toda vez que Sora aparecia você parecia um cachorrinho feliz em ver o dono ─ Falei já com raiva, Cloe cerrou os dentes, aquela discursão era ridícula. Duas idiotas brigando a respeito de uma garota que nunca teriam. Se aquela conversa estivesse sendo em qualquer outro momento, sem ser aquele onde eu estava fisicamente estressada, a conversa talvez teria sido diferente, mas como esse não era o caso. ─ Quer saber de uma coisa, foda-se isso! Foda-se Sora e a Lightning Hunter!
Cloe parecia que iria me matar a qualquer minuto, fiquei em pé e coloquei a mão na cintura.
─ Isso é ridículo, sabia? Por que diabos estamos brigando? Por causa da Sora? Daquela traidora?
─ Ela não é traidora ─ Discordou Cloe ficando de pé rapidamente, olhei para ela incrédula.
─ E ela o quê, então? Depois de todo esse tempo, ela nunca nós disse nada, sempre evitou que nos aproximássemos dela ─ Cortei Cloe já com a raiva a tona, minha voz estava mais alta do que eu gostaria que estivesse. ─ E sim, eu gostava dela, gostava da Sora, como todo mundo gosta de uma pessoa misteriosa. Mas sinceramente Cloe, ela não vale mais o tempo que gastei me preocupando com ela. Não depois de tudo que ela fez. Não depois que ela me ameaçou de morte.
Encarei Cloe que estava paralisada a minha frente, nossos olhos se encontraram e eu cerrei os punhos tentando me manter calma.
─ E mais uma coisa Cloe ─ Falei molhando os lábios rapidamente. ─ Se eu fosse você desistia dela também. Sora não liga para nós, se ligasse ela não teria feito nada do que ela fez. Sem dizer, que tudo que você sente por ela, nunca vai chegar até ela. Sora já tem alguém que goste. E...
Dei um passo na sua direção e fiquei a sua frente, eu estava com raiva. Raiva de tudo aquilo, raiva de ter esses sentimentos pela Sora e ao mesmo tempo odiar a Lightning Hunter. E eu iria jogar tudo aquilo pelo ralo. Olhei para os olhos azuis a minha frente, eu gostava de Cloe, queria pudéssemos levar adiante o que tínhamos, mas simplesmente não dava, quando ela estava tão confusa quanto eu.
─ Onde quer que ela esteja agora. Ela não vai sair de lá tão cedo.
A próxima coisa que escuto é o eco de um Clap na sala.
E foi aí que notei que a mão direita de Cloe estava levantada e que eu tinha levado um tapa. Levei a mão a bochecha esquerda e olhei para ela surpresa, abri a boca para dizer algo, mas preferi ficar calada ao encarar os seus olhos azuis. Dei um ok com a cabeça e saí da sala, deixando-a sozinha.
Passei pela cozinha e recebi olhares de Logan, Erick e Lucy que estava lavando a louça.
─ Obrigado pela comida ─ Agradeci a Logan e ele fez que sim com a cabeça. Provavelmente eles tinham escutado toda a conversa. Saí de lá e Minna me deu um olhar preocupado, alguns clientes me olharam, aparentemente nossa conversa tinha sido mais alta do que pensava. Deixei uma nota de 50 S’s no balcão de Minna e deixei o restaurante.
E foi assim que Cloe e eu terminamos.
Andei pelas ruas da cidade por horas e no meio disso escutei uma explosão vindo do centro da cidade, olhei na direção do som e comecei a correr quando a fumaça surgiu, e estava a algumas ruas de distancia quando o meu celular tocou.
─ Dana ─ Falei correndo pela calçada.
─ É Ice, estamos sendo atacados por um cara enorme ─ Falou ele rapidamente, escutei o barulho de mais uma explosão.
─ Certo eu estou a caminho.
─ Não!! ─ Gritou ele, parei de andar e olhei chocada para o chão. ─ Evacue os cidadãos. Os policias estão a caminho.
─ Okay ─ Falei e comecei a correr. Cheguei ao lugar em menos de um minuto e já estava um caos. Gritei para as pessoas irem para um lugar seguro e saírem do lugar. Localizei um guarda de loja e outros dois homens altos, usei os meus poderes e os fiz ajudar na evacuação.
Depois de alguns minutos já havíamos evacuado boa parte do lugar, os policiais e agentes apareceram para ajudar na confusão. Corri na direção de onde estava havendo a batalha e olhei para toda aquela cena, que parecia ter sido tirada de um filme de ação. Gelo e fogo por todo lugar, minha equipe e outros agentes estavam lutando com suas ultimas forças contra um homem de dois metros e alguma coisa. E meu coração quase parou quando vi que ele podia usar mais de um poder. Fiquei ali observando a batalha deles, meus poderes seriam inúteis contra aquela coisa.
Então a próxima coisa que vi foi um carro voando na direção de um prédio, foi aí que notei que Dennis estava lá, ele não teve tempo de desviar e o carro o acertou, ele caiu do terraço de costas sobre a tenda de uma lanchonete e atingiu o chão sem cerimonia.
─ Ai meu Deus ─ Falei e saí correndo na direção de onde estava Dennis, no meio do caminho dois caras do exercito apareceram e eu coloquei a mão no pescoço dos dois ─ Venham comigo!
E eles obedeceram, corremos até Dennis e conseguimos tirar ele dos destroços, ele estava muito machucado. Carregamos ele em direção a uma ambulância e os paramédicos o levaram para o hospital.
Dei um aceno para os dois soldados e voltei para onde estava tendo a batalha. Foi então que vi uma garota de cabelos vermelhos entrar em cena. Cerrei os olhos para ver quem era e abri minha boca surpresa.
─ Rei? Mas que diabos ela...
E bem, foi totalmente inesperado quando vi Rei atirando contra o homem e desviando dos seus ataques com tamanha agilidade. Minutos depois ela começou a conversar com todos, como se ela estivesse contando um plano, e logo em seguida eles começaram a fazer o que ela tinha dito. E tinha dado certo. Nocautearam o homem por alguns segundos, e então quando ele começou a se mexer, Rei avançou contra ele.
Suas mãos estavam levantadas e eu não entendi o que ela estava fazendo, até que vi sangue saindo da boca e dos olhos do gigante.
─ Mas o quê? ─ Falei sem entender o que estava vendo, cerrei os olhos e passei a mão na nuca. Era como se ela estivesse o fazendo se afogar no próprio sangue. E então tudo fez sentido, tinha sido Rei, que tinha atrapalhado na captura de Sora semanas atrás. ─ Mas que merda!
Os agentes e soldados apareceram no lugar, um deles atirou no ombro de Rei e o gigante desapareceu de vista. Coloquei minha mão na testa e respirei fundo. Era muita informação para ter que engolir em um dia.
Os agentes prenderam Rei e eu me aproximei da minha equipe que estavam sentados no chão, exaustos.
─ Estão bem? ─ Perguntei me aproximando deles.
─ Dana, que diabos aconteceu com você?! ─ Perguntou Beatrice assustada, levantei uma sobrancelha sem entender e olhei para baixo. Minhas roupas estavam cobertas de sangue e poeira.
─ Estou bem ─ Falei dando um aceno com a mão para acalmá-la. ─ Estava resgatando Dennis.
─ Ele está vivo? ─ Disse Jake, ele era o que controlava os estados físicos da matéria.
─ Quando coloquei na ambulância, sim ─ Respondi.
─ Graças a Deus ─ Disse Mika aliviada e limpando o suor do seu rosto. Os poderes dela eram de telecinese, e junto com Dennis e Jake, formavam uma equipe.
─ Acho melhor vocês irem para o hospital checar seus ferimentos ─ Comentei olhando para as mãos de Richie que estavam ensanguentadas.
─ Você evacuou as pessoas? ─ Perguntou Ice olhando para mim cansado.
─ Sim, levei eles para a entrada do metrô ─ Respondi me sentando no chão.
─ Que dia de merda, hein? ─ Beatrice disse dando um olhar para mim, pelo visto ela estava a par do que aconteceu no restaurante.
─ Pois é ─ Concordou Richie derramando água sobre um dos seus punhos, fez uma careta de dor e deu um suspiro cansado.
─ Eu estava vendo a batalha ─ Comentei colocando as mãos no asfalto e olhei para Beatrice. ─ Aquele cara realmente estava usando mais de um poder?
─ Acredite, seus olhos não a enganaram ─ Disse Jake dando um leve balançar de ombros, sua camisa estava rasgada e o começo de uma tatuagem aparecia.
─ Então a pessoa que pensei ser Rei, era realmente a Rei? ─ Perguntei olhando para Beatrice e depois Richie, os dois deram um aceno com a cabeça. ─ E eu pensando que o dia não poderia ficar pior.
─ Seja lá quem ela for ─ Começou Mika a falar, passou a mão na boca que estava cortada. ─ Agradeço por ela ter tido um plano daqueles.
─ Verdade, ela salvou nossas bundas ─ Disse Gaby esticando as pernas, suas calças jeans estavam rasgadas em vários pontos.
Minutos depois Carter e London apareceram, demos nosso relatório enquanto íamos para o hospital. Carter mencionou que levaram a garota ruiva para ser interrogada e eu pedi para participar das investigações e ela deixou. E logo em seguida estávamos na delegacia, Rei estava em uma das salas de interrogatório, sentada em uma cadeira de alumínio.
Carter entrou na sala e acenou para eu me juntar a ela, e bem, no momento que entrei, Rei me deu um olhar que fez todo o meu corpo congelar. Seu ombro estava enfaixado e uma mancha de sangue aparecia no curativo, aparentemente alguém havia retirado a bala.
─ Posso saber o que diabos ela está fazendo aqui? ─ Perguntou Rei entredentes. Carter olhou para mim com as sobrancelhas levantadas.
─ Vejo que se conhecem ─ Comentou ela se virando e olhando para Rei.
─ Sim ─ Disse Rei olhando com raiva para Carter. ─ Ela estuda na mesma escola que eu.
─ Então, você estuda na High Royal? ─ Carter cruzou os braços e Rei fez que sim com a cabeça. ─ Posso saber o que você estava fazendo na confusão de agora a pouco?
─ Não é obvio? Eu estava ajudando ─ Respondeu Rei com raiva. ─ E iria matar aquele desgraçado se vocês não tivessem me dado um tiro.
─ Bem, e como você pretendia fazer isso? ─ Perguntou Carter curiosa, acho que ninguém tinha dito para ela qual era o poder de Rei.
─ Ela controla o sangue ─ Respondi quando Rei não disse nada.
─ Controla o sangue? ─ Os olhos de Carter estavam arregalados. Rei olhou para mim furiosa e senti que ela poderia me matar a qualquer segundo. ─ Você estava o fazendo engasgar no próprio sangue?
Rei fez que sim com a cabeça.
─ Por que você não fez isso logo quando apareceu? ─ Perguntei olhando para ela. Se ela tinha um poder daqueles, por que ela simplesmente não fez isso desde o começo, então?
─ Os meus poderes não funcionam quando ele absorve alguma superfície ─ Respondeu me encarando com os olhos castanhos escuros.
─ Por isso você criou um plano?
─ Eu vi o garoto que foi acertado por um carro atingindo ele com um relâmpago, e o gigante ficou nocauteado por alguns segundos, e bem, imaginei que se aumentássemos a potencia o resultado seria melhor, mas ele apenas voltou ao normal ─ Rei não parecia que tinha problemas em responder as minhas perguntas, então não vi necessidade de usar os meus poderes, não ainda.
─ O seu nome verdadeiro é Rei Sanchez, mesmo? ─ Perguntou Carter olhando para alguns papéis que estavam nas suas mãos, Rei fez que sim com a cabeça. Carter folheou algumas páginas e olhou novamente para Rei. ─ Bem, por mais que eu queira a manter aqui para obter mais informações, a sua ficha criminal é totalmente limpa, e eu tenho mais problemas para resolver agora. Principalmente desde que prendemos a Lightning Hunter.
Rei cerrou os olhos e flexionou o maxilar com força, olhei para as suas mãos que se fecharam e ela respirou fundo lentamente. Carter notou a reação dela quando mencionou a Lightning Hunter e deu um pequeno sorriso.
─ Por acaso você conhece a Sora? ─ Perguntou ela observando a reação de Rei.
─ Ela estuda com a gente ─ Respondeu Rei controlando a sua expressão.
─ Só isso? Vocês são apenas colegas de sala? ─ Perguntou novamente, Carter deu um aceno com a mão e entendi o que ela queria que eu fizesse, dei um passo para frente e Rei me lançou um olhar frio.
─ Somos amigas ─ Disse ela, Rei deu um suspiro cansado e depois fez uma pequena careta quando o seu ombro se mexeu. ─ Eu a conheci algum tempo atrás, na periferia.
─ E você por acaso a ajudava nos seus crimes? ─ Perguntou Carter colocando as mãos sobre a mesa e dando um aceno com o queixo. Diminui a distancia entre nós duas e coloquei minha mão sobre o ombro machucado de Rei e lancei o meu poder, Rei mexeu a cabeça para tentar se livrar da minha influencia, mas o seus olhos não enganavam.
─ Não ─ Disse Rei calmamente. ─ Sora não deixava que eu me envolvesse. Na verdade ela não falava nada a respeito do que fazia.
Então retirei a mão do ombro de Rei, ela piscou sem entender o que tinha acontecido e olhou para mim em duvida, então abriu sua boca com raiva.
─ O que diabos você pensa que tá fazendo?! ─ Gritou ela com raiva.
─ Vamos manter a calma, ok? ─ Falou Carter ficando de pé, enquanto eu me afastei dela o mais rápido possível, Rei olhou dela para mim furiosa, seus olhos brilharam rapidamente em um vermelho, entretanto, nada além disso aconteceu. Carter se manteve de pé a sua frente, apenas com a mesa a separando de Rei. ─ Eu tenho uma proposta.
─ Que é? ─ Perguntou Rei cerrando os dentes.
─ Porque não nós ajuda a derrotar o gigante?
─ E porque eu faria isso? ─ Rei certamente estava com muita raiva agora. ─ Eu estou realmente considerando em deixar vocês se virarem com aquela coisa.
─ Nós a liberaremos ─ Disse Carter.
─ Que proposta ridícula ─ Comentou Rei. ─ Vocês não podem me prender aqui, por que, como você mesma disse, minha ficha é limpa. Então com proposta ou não, eu vou sair daqui. E segundo, eu tentei ajudar, se lembra? E levei um tiro por causa disso.
Carter ficou quieta com aquela resposta. Rei estava certa, mesmo se Carter quisesse, ela não poderia manter ela aqui sem um motivo, e o prefeito não ficaria feliz com aquilo. Não quando o centro da cidade estava destruído e os agentes estavam se preocupando com alguém que não tinha nada a ver com aquilo.
─ Você está certa ─ Disse Carter dando um balançar de ombros, um dos guardas que estava ouvindo tudo do outro lado do espelho de observação, entrou na sala e se dirigiu a Rei, soltou as algemas que a prendiam na cadeira. ─ Mas bem, a sua ajuda seria bem vinda.
─ Sei ─ Rei disse ironicamente, enquanto se levantava. ─ Dá próxima vez, diga aos seus soldados não atirarem em quem está ajudando. Nunca vi tanta gente incompetente em um mesmo lugar.
E com isso Rei deixou a sala, mas não antes de nós dar um ultimo olhar mortal.
Alguns dias se passaram depois disso, os agentes se recuperaram da batalha, os soldados e outros agentes ajudaram na limpeza dos destroços no centro. E no meio disso os policiais tentavam acabar com os conflitos que estavam tendo na periferia. A cidade estava agitada nesses dias, mas apesar disso, nenhum sinal do gigante ou de Sora.
Na verdade, tinha uma tensão no ar, todos sentiam. As pessoas trabalhavam e continuavam as suas rotinas com um certo nervosismo, como se soubessem que estávamos apenas a beira de uma tempestade. E bem, não demorou muito para sermos atingidos por ela.
O gigante atacou novamente, e dessa vez não se restringiu aos lugares principais da cidade, e sim vários bairros da área leste, deixando milhares de casas e prédios destruídos, centenas de pessoas feridas e outras centenas de mortas ou desaparecidas. E a cidade entrou em alerta de emergência máxima. Todos os cidadãos foram evacuados para os abrigos contra terremotos e furacões. Todos os agentes, policiais e soldados, inclusive eu, trabalhamos em conjunto para derrotar o gigante e evacuar a cidade. E então, depois de tanta destruição, a tempestade se acalmou.
E eu fui convocada para ajudar no interrogatório de Sora.
Confesso que eu queria descobrir onde diabos ela estava sendo mantida, mas a verdade era que eu não estava pronta para fazer aquilo. Não ainda. Mas se eu queria ou não, não cabia a mim decidir.
E fiquei em choque quando descobri para onde a diretora Carter estava me levando.
O seu carro parou na entrada do CPT, o Centro de Pesquisa Tecnológico. Onde o exercito e cientistas trabalhavam em conjunto para fabricar armas, medicamentos e diversas outras coisas. O novo centro de pesquisa que tinha sido inaugurado vários dias atrás, e do qual Sora tinha raptado o cientista, era apenas uma extensão daquele complexo.
Aquele lugar era enorme e a sua localização ficava fora da cidade, a beira de um grande Rio que abastecia Skill City. Carter mostrou a sua identificação para os guardas e eles deixaram a passar, estacionou o seu carro e nós dirigimos a entrada. Passamos por um detector de metais, uma revista e só depois disso podemos entrar na recepção.
A diretora deu um aceno para a recepcionista que apenas deu um olhar e prosseguimos. Passamos por algumas salas e entramos em um enorme corredor em formato circular, ele possuía vidros e hastes brancos, várias salas e laboratórios se estendiam através das janelas de vidro, e em cada uma delas víamos pessoas usando jalecos mexendo em máquinas esquisitas. Andamos por longos 4 minutos naquele corredor até que pegamos o elevador e começamos a descer. Quando o elevador parou, um enorme túnel de paredes beges tomou conta da paisagem.
─ Onde nós estamos indo? ─ Perguntei seguindo Carter pelo túnel.
─ Você já vai descobrir ─ Disse ela sem ao menos olhar para mim.
O túnel era grande e havia várias outras entradas e saídas no caminho, de forma que se você não soubesse para onde estava indo, ficaria perdido em poucos segundos. Carter entrou em uma desses corredores que cortavam o túnel, subimos alguns degraus de escada e pareceu que estávamos de volta a superfície. Entramos no antigo complexo de prédios do CPT.
─ Porque simplesmente não entramos pelo prédio antigo? ─ Perguntei sem entender aquilo. Passamos por um conjunto de salas que pareciam estarem sendo reformadas.
─ Esse complexo está sendo usado pelo exercito, só soldados tem permissão para usar aquela entrada ─ Respondeu ela rapidamente.
─ Mas você não é do exercito?
─ Sou a Diretora dos agentes, não soldado, nosso setor é um setor a parte do militar, apesar de que eu recebo ordens do Comandante, que é militar ─ Disse ela ajeitando os óculos no rosto. ─ Então, nos temos que entrar pelo novo complexo e pegar os tuneis que os conectam.
─ Humm.
E um minuto depois dessa sua explicação, uma enorme porta de aço apareceu a nossa frente. Carter tirou um cartão de segurança e passou pelo leitor, depois digitou uma senha de números e letras. A porta se abriu e outro corredor apareceu, só que nesse havia guardas, bem armados por sinal.
─ Ela está comigo ─ Disse Carter quando os guardas olharam desconfiados para mim. Mas eles obedeceram e deixaram nós passarmos.
Aquele corredor não era muito grande, e então, entramos em um grande Hall circular, os piso era de uma cerâmica cinza com marrom, e ele fazia um ótimo contraste com o teto, que era feito de ferros brancos e paredes com detalhes de desenhos antigos. Alguns corredores surgiam em suas paredes, soldados andavam de um lado para o outro e então que notei que as cerâmicas formavam o mapa mundial no chão. Era incrível. Parei para admirar aquilo, mas Carter apenas continuou andando. Engoli em seco e corri atrás dela.
Caminhei a suas costas e entramos em um novo corredor, agora de paredes cinzas, passamos por mais alguns detectores de metais e guardas, descemos um par de escadas, depois dobramos em um corredor para a esquerda e depois para a direita. Sinceramente, a essa altura do campeonato eu desisti de tentar decorar o caminho, tudo ali era igual.
A próxima coisa que sei é que estávamos em uma espécie de auditório, olhei para as poltronas de cor azul, e enquanto eu me perguntava o que diabos nós estávamos fazendo ali, Carter foi para o palco quer era de madeira e acenou para mim.
─ Agora que fica divertido ─ Disse ela dando um sorriso quando me coloquei ao seu lado. Levantei as sobrancelhas sem entender e de repente o chão tremeu, olhei para baixo e um circulo surgiu em torno da gente e a parte do palco em que estávamos se abaixou. Dei um passo para trás surpresa.
Começamos a descer mais rapidamente, o lugar ficou escuro e algumas luzes, que aparentemente estavam presas na parede no túnel vertical, iluminavam o nosso pequeno elevador. Em menos de 1 minuto e meio chegamos ao nosso destino. Uma porta de aço igual ao que tínhamos passado antes apareceu a nossa frente, olhei em volta e só havia aquela entrada. Carter destravou a porta e a abriu, revelando um pequeno corredor totalmente branco.
A segui em silencio entrando no pequeno corredor, a porta se trancou atrás de mim e eu olhei preocupada para aquilo. Um raio vermelho saiu da parede a nossa frente e ele pareceu que estava fazendo um reconhecimento dos nossos corpos, e então a porta que estava a nossa frente deu um estalo e uma fumaça branca começou a sair dela.
“ Seja bem vinda Diretora Carter e agente Dana Flint” , disse uma voz robótica.
─ Bem ─ Carter disse empurrando a porta e acenando para eu ir na frente. Passei por ela ainda surpresa e fiquei estática quando vi uma enorme sala de controle e várias pessoas sentadas em mesas, controlando o que aparentava ser tudo. ─ Seja bem vinda ao Bunker.
Olhei para todas aquelas pessoas em uniformes militares incrédula.
─ Bunker? ─ Perguntei quando recuperei a minha voz. Carter deu um sorriso de canto para mim.
─ Acredito que você deve ter conhecimento do que seja um bunker, certo? ─ Perguntou, fiz que sim com a cabeça e ela começou a andar por entre as mesas. ─ Diferente dos outros bunkers que são usados para proteger alguém, esse nós usamos para manter pessoas perigosas.
─ Então é aqui que vocês prendem os criminosos perigosos?
─ Exatamente ─ Confirmou ela, saímos da sala de controle e andamos por um outro corredor, esse parecia que não tinha desvios. Mas havia muitas portas, e em cada uma delas havia uma placa indicando o que era. Passamos por banheiros, sala de reuniões, sala de armas, sala de interrogatórios, sala do diretor, sala dos soldados, armários e entre várias outras. Carter parou na frente de uma porta que terminava o corredor. Ela era diferente de todas que tínhamos passado até agora.
Era uma mistura de Aço e alumínio, ela parecia pesar milhares de quilos, dois homens estavam parados na frente da porta, e os seus uniformes eram diferente das dos outros soldados. Usavam uma camisa segunda pele azul escura, um colete a prova de balas preto, uma calça de combate preta, um cinto cinza com uma pistola, munição e faca presos, botas pretas, um boné azul escuro sobre a cabeça e uma escopeta em suas costas.
Os dois observaram Carter silenciosamente enquanto ela digitava a senha no painel de controle, então a porta deu um clique e eu paralisei quando vi o que tinha atrás dela. Era um enorme corredor branco, Carter entrou no corredor e eu a segui, os dois guardas nos acompanharam.
─ É aqui que ficam os prisioneiros ─ Disse Carter andando na frente, passamos em frente a primeira Cela que estava vazia, o lugar era totalmente branco, havia uma enorme janela de vidro, uma porta de metal, dentro da cela tinha uma cama e uma pequena parede nos fundos, onde deveria ser o banheiro. Toquei o vidro da cela e senti que ele era bem resistente. ─ O vidro aguenta um explosivo e é a prova de som, tanto para dentro quanto para fora. Aqui os prisioneiros não tem permissão para deixar as celas, então comida são entregues pela passagem na porta. E água está disponível na torneira do banheiro.
Andamos mais um pouco e passamos por algumas celas que estavam ocupadas e a maioria deles eram homens.
─ Porque todo o lugar aqui é branco? ─ Perguntei começando a me irritar com a claridade e a sentir um arrepio na coluna.
─ Preciso mesmo explicar? ─ Disse Carter com um olhar sarcástico.
─ Não ─ Respondi quando olhei em seus olhos verdes.
─ Basta saber que as celas bloqueiam os poderes dos usuários.
─ Como assim?
─ Elas só bloqueiam, eu não sei exatamente como elas funcionam ─ Disse ela dando de ombros.
─ Então por que eu estou aqui, se meus poderes não vão ajudar? ─ Perguntei sem entender.
─ Aparentemente Sora e você possuem alguma espécie de ligação, então vou usar você para ela começar a falar ─ Respondeu ela andando sem olhar para os lados.
─ Acho que entendi ─ Sussurrei e evitei fazer contato visual com os outros prisioneiros.
O que seguiu dai em diante foi um interrogatório sem um resultado efetivo, e fez apenas a minha raiva voltar a tona. Sora propôs um trato e Carter disse que iria pensar a respeito. Eu sei que a cidade estava na merda, mas ainda não aceitava o que Sora disse. Então um dos soldados me levou para o restaurante do lugar, enquanto Carter iria discutir com o Comandante a respeito daquilo. Os soldados eram bem legais e organizados, me mostraram onde era o alojamento deles e me deram uma cama para ficar enquanto esperava a decisão.
Algumas horas se passaram, e eu fiquei andando entre o alojamento, restaurante e banheiro, até que os soldados me levaram de volta as celas, onde me encontrei com o Comandante London e a diretora no corredor. E seguimos para a cela da nossa criminosa favorita.
E bem, nenhum de nós estava feliz com aqueles termos no contrato, mas se aquilo fosse preciso para salvarmos a cidade da destruição total, então que assim seja.
Depois que Sora assinou o contrato, o interrogatório começou e seguiu-se por várias horas. E quando o mesmo terminou para a surpresa de Sora e a minha, o comandante deu uma coronhada na cabeça de Sora e Carter aplicou uma injeção nela, olhei para aquilo em choque.
─ Mas que...─ Comecei a falar e o comandante me cortou.
─ Vocês dois, peguem ela e levem para a sala de interrogatório fora daqui ─ Ordenou ele.
Olhei para Sora que estava jogada no chão e os dois guardas carregaram o corpo dela e saíram para o corredor. Olhei para Carter em choque.
─ Não podemos deixar que os outros presos pensem que ela saiu com vida ─ Respondeu ela quando viu a minha cara de surpresa. ─ Apenas finja que ela está morta e vamos dar o fora daqui.
Fiz que sim com a cabeça e acompanhei Carter e o London. Enquanto andávamos, os presos se colocaram na frente do vidro e olharam para os dois soldados carregando o corpo de Sora, aparentemente sem vida, pelo corredor.
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