Lightning Hunter

19 Capitulo 19


Notas iniciais
Ta aí mais um capitulo. Espero que gostem :D Boa leitura. Cap é narrado por Sora e Rei.

Minha memória estava parecendo um vídeo AMV, cheia de imagens cortadas com uma trilha sonora muda, ocasionada por uma bela de fadiga física e psicológica. Em meio as diversas tomadas de imagens que não faziam o mínimo sentido para mim, estava eu sendo carregada em uma maca em um corredor, logo em seguida estou deitada sobre uma cama e com uma luz branca me cegando, senti uma mascara de gás sobre meu rosto, então mais memorias turvas e escuridão.

Na próxima sequencia do meu pequeno vídeo dramático de memórias, estava em um quarto todo branco, consegui ver algumas maquinas ao lado da minha cama, que faziam um barulho estranho. Uma mulher de cabelos curtos castanhos e óculos de grau anotava alguma coisa em uma prancheta.

No momento seguinte eu estou tendo uma convulsão, pessoas de branco e azul entraram no quarto para fazer sei lá o quê, então tudo ficou negro. E a ultima coisa que escuto é alguém reclamando da minha situação. O que achei estranho, já que não conhecia ninguém ali e nenhum deles se pareciam realmente se importar.

Lembrei disso tudo na manhã que acordei, demorei alguns minutos para confirmar que aquilo não era um sonho e que de fato eu estava viva. Meu corpo estava pesado feito chumbo, e tinha quase certeza que se não fosse pelos remédios que me deram, eu estaria sentido muita dor no momento, forcei meus olhos a abrirem e o máximo que consegui foi uma fresta, mas foi o suficiente para notar que estava em um quarto de hospital, havia um soro ligado ao meu braço direito, enquanto que minha perna e braço esquerdo estavam engessados. Senti algo em volta do meu pescoço e descobri que era um colete, segundos depois estava dormindo dopada por remédios.

Senti-me melhor da próxima vez que acordei, apesar de não saber à quantos dias estava dormindo. Ainda estava no quarto do hospital, tentei me mexer, mas meu corpo não respondeu, minhas pernas permanecerão imóveis, o colete tinha sumido do meu pescoço, mas não tentei me mexer, virei os olhos para a esquerda e engoli em seco quando vi uma cadeira de rodas ao lado da cama.

Merda.

Fiquei algum tempo acordada, a mulher que tinha visto em algum momento, a que usava óculos e tinha cabelos curtos castanhos, entrou no quarto com a sua prancheta e se surpreendeu quando me viu acordada, fez algumas perguntas que podiam ser respondidas com sim ou não. Perguntas simples como : “ Se lembra do seu nome?’’, “ Está sentido dor em algum canto?”, “Consegue sentir suas pernas?”, “ Sabe onde está?” e entre outras perguntas.

A maioria delas respondi dando uma piscada pra sim e duas para não. Depois disso, ela me confirmou que tinha sofrido uma lesão na coluna lombar e que provavelmente não voltaria a andar, fraturas múltiplas na perna e no braço, 4 costelas quebradas, e diversos outros ferimentos. Ela informou ainda que meu corpo estava tendo dificuldades para se curar e os motivos eram desconhecidos.

Bem, eu culpava o maldito soro. Porque diabos ele não teve o mesmo efeito em mim?

Ela deu as péssimas noticias e saiu da sala, fiquei pensando no quão sortuda eu era por vários minutos se não horas, até que adormeci por causa dos remédios.

Só Deus sabe quanto tempo fiquei dormindo, da próxima vez que acordei já não estava em um quarto de hospital, estava em uma sala toda branca, meus olhos demoraram a se acostumar com toda aquela claridade, o lugar em si era quase um vão vazio, uma mistura de cela com sala de interrogatório. Havia a cama onde eu estava deitada, que ficava encostada na parede lateral, a minha frente havia um espelho de observação, que dava para um corredor e para outra sala como esta.

Na outra parede e nos fundos da sala, havia um muro, formando uma espécie de banheiro sem porta, e provavelmente lá seria onde estava a privada, e era isso, sem mesa ou cadeira. Olhei para a minha futura amiga, a cadeira de rodas ao lado da cama e suspirei. Uma leve dor surgiu no meu peito, mas não era nada comparado à antes. Meus membros não estavam mais engessados e minhas pernas continuaram sem responder.

Tentei diversas vezes tentar move-las, mas era impossível, meus braços estavam normais, mas o resto. Após essas tentativas inúteis que acabaram por esgotar minhas forças, meu corpo cedeu ao cansaço e apaguei naquele quarto branco.

No meio da noite, ou o que eu supus ser a noite já que estava dormindo, algo estranho aconteceu, meu corpo estava pegando fogo, não literalmente, mas sim, ardendo em febre, minhas roupas estavam ensopadas de suor, e uma sensação de formigamento percorria toda a minha espinha e costas. Senti o gosto da bile na garganta e virei para o lado, vomitando tudo o que tinha no estomago.

Parecia que o meu sistema imunológico estava lutando contra algum vírus e eu estava sentido todo aquele processo. Minha cabeça começou a latejar terrivelmente, coloquei as duas mãos na cabeça e gritei de dor, era como se tivesse alguém martelando na minha cabeça. O ar escapou dos meus pulmões e levei a mão ao peito, ou tentei quando vi minhas mãos tortas e os dedos curvados para dentro, notei imediatamente que estava tendo um ataque epilético e me debati na cama.

Alguém entrou no quarto e me segurou com força, minha visão estava totalmente apagada e meus ouvidos escutavam sons ensurdecedores, meu corpo simplesmente não parava de tremer, mãos me seguravam com força, aquilo poderia ter durado uma eternidade ou poucos minutos, mas tão de repente como surgiu, ela parou. Tudo, a convulsão, o formigamento, a dor latejante na cabeça, tudo sumiu em uma batida de coração.

Abri a minha boca e dei uma respirada tremida, a sensação de ar nos meus pulmões foi a melhor coisa que senti em toda a vida, havia um pano apoiando a minha cabeça, não consegui abri os olhos, minhas pálpebras estavam pesadas, meu corpo tinha sido levado ao seu limite, e permaneci ali respirando profundamente, amando mais do que nunca o oxigênio.

Senti aplicarem alguma coisa no meu braço e minha mente foi desligando aos poucos, até que não senti mais o chão frio abaixo de mim.

Os meus sentidos voltaram depois algum tempo, respirei profundamente e não senti nenhuma dor vindo do meu peito, abri os olhos e ainda estava naquele quarto branco, levantei minhas mãos e elas estavam normais, movi os meus dedos e eles obedeceram a ordem sem nenhum problema.

Virei o rosto de um lado para o outro e notei que a cadeira de rodas não estava mais lá, cerrei as sobrancelhas sem entender e olhei para minhas pernas. Tentei engolir em seco, mas minha boca estava sem nenhum pingo de saliva e meus lábios estavam rachados. Sentei na cama devagar esperando que alguma parte da minha coluna reclamasse, mas nada aconteceu.

Encarei os meus pés, respirei fundo e tentei mexer meus dedos, e eles responderam quase que imediatamente a ordem enviada pelo meu cérebro. Fiquei estática olhando para os meus pés sem acreditar e movi-os novamente. Dei um peteleco na minha perna e senti a dor, dei um riso sem acreditar, coloquei minhas mãos ao lado do corpo e coloquei os pés para fora da cama.

Senti o chão frio e o meu corpo a se acostumar com a temperatura, senti lágrimas escorrendo pelas minhas bochechas e sorri. Fiquei de pé lentamente e dei um passo e depois outro, não tenho palavras para descrever como me senti com aquilo. Andei pelo lugar rapidamente e dei um pulinho, foi então que notei que minha perna direita não rangeu de dor.

Puxei a perna da minha calça e encarei perplexa a minha coxa sem nenhuma cicatriz, passei os dedos sobre a coxa lentamente.

─ Como? ─ Sussurrei sem entender nada. Será que foi efeito do soro? E o que mais mudou em mim? Andei até o muro que tinha nas paredes dos fundos e notei que de fato, lá era um banheiro. Havia uma privada branca sem tampa, um chuveiro preso na parede, uma pia de concreto com uma torneira de plastico e uma espécie de espelho que não era feito de vidro.

Passei a mão no meu braço e levantei minhas mangas, encarei minhas tatuagens.

─ Espera um pouco ─ Falei e então fui para a frente do espelho e tirei toda a minha roupa. Olhei para o meu corpo de frente, nada. Respirei fundo e virei de costas, fechando os olhos por alguns segundos, quando os abri, encarei uma costa sem nenhum cicatriz, uma pele pálida em contraste com as tatuagens pretas. ─ Não acredito!

Acho que se pareceu que eu fiquei encarando o meu reflexo pela vida toda. Passei a mão na minha costa sem acreditar, eu estava com um sorriso enorme no rosto e os espelho estava lá para confirmar. Fiquei ali por um minuto sem fazer nada e depois tentei ver se meus poderes tinham mudado.

Estalei o dedo, mas nada aconteceu.

─ De novo não ─ Retruquei olhando para minhas mãos. Levantei-as e me concentrei em desligar as luzes da sala, mas nada aconteceu. Abri e fechei minhas mãos, porém eu não estava sentido nem uma fagulha dos meus poderes. ─ Mas que diabos.

Vesti minhas roupas e saí do banheiro, olhei para a minha sala, tudo era irritantemente branco, o chão, as paredes, o teto e as lâmpadas. Andei lentamente em direção ao espelho de observação e coloquei minhas mãos sobre o vidro. Ele era grosso, provavelmente resistente a prova de balas.

Olhei para além do vidro e estava em um corredor. Não havia mais nada nesse corredor se não outras salas iguais a essa, uma tv presa na parede frente a minha sala e uma cadeira de madeira. Entretanto todas as salas estavam a uma distancia de aproximadamente 2 metros cada, então não dava para ver se havia outras pessoas dentro delas. Olhei para o canto do vidro e consegui ver o canto de outra sala. Havia alguém lá dentro, cerrei meus olhos e notei que era um homem careca, estava sentado de lado falando sozinho, bati no vidro para chamar a sua atenção, mas nem se quer consegui fazer um ruído. Felizmente ele olhou na minha direção e imediatamente o reconheci.

Andou na direção do seu espelho, ou janela, janela é melhor para descrever como isso era. Sim, de fato ele era o homem que roubava as vidas das pessoas que sentiam medo em sua presença, escutei historias sobre ele quando tinha 9 anos, e aos 10 tive um encontro com ele em uma rua, do qual felizmente lembrei de não ficar com medo dele, ele tinha uma aparência assustadora quando tirava a vida de alguém, um esqueleto humano transparecia sobre o seu corpo e seus olhos eram tão escuros quanto a própria escuridão, um buraco infinito. Mas quando não, tinha uma tatuagem de meia caveira no rosto e um dos olhos pretos. Na época ele era alto e bem musculoso, o homem do outro lado era menor do que ele em quesito de massa muscular, mas era ele, tinha certeza.

Eu fiz um sinal para ele e ele me encarou um pouco surpreso, bati no vidro e ele apontou para o seu ouvido e fez um sinal negativo com o dedo. O lugar era a prova de som.

─ Ótimo ─ Resmunguei. Pensei em como poderia me comunicar com ele e levantei o meu indicador, ele observou atentamente e bati o dedo sobre o vidro. Três batidas curtas e uma lenta, três lentas, um curto, um longo-curto-curto- longo. ─ Espero que saiba código morse.

Quando terminei a frase ele passou a mão na sua barba e depois coçou a careca. E depois de alguns segundos, bateu três vezes rapidamente no vidro. Olhei para ele quase feliz, afinal todo digno ladrão ou metido a vigilante do bem ou do mal deveria saber código morse. Tinha perguntado se ele se chamava Exterminador, e ele respondeu que sim.

“Onde estamos?”, bati no vidro.

Ele demorou um pouco para passar a mensagem, curta-longa-longa-curta.

─ P

Curta-longa-curta.

─R

Curta-curta.

─I

Curta-curta-curta.

─S

Curta- longa

─A

Longa-longa-longa

─O. Prisão? ─ Falei em voz alta. Olhei para a minha sala rapidamente nervosa. ─ Isso então é minha cela? Oh, merda.

Ele começou a bater no vidro e prestei atenção no que ele dizia. Depois de um minuto veio toda a frase.

“ Vc é a Lightning Hunter? Fez os tiras ficarem loucos”.

Bati de volta “Como assim? Me conhece?”.

Não fazia muito sentido ele me conhecer, afinal desde os 10 anos ele não tinha aparecido na lista dos mais perigosos da rua. E pela aparência dele ele esteve preso aqui durante muito tempo.

“Sim. A tv mostrou vc” – Disse ele.

Olhei para a tv que tinha no outro lado do corredor, é fazia sentido.

“ Quanto tempo está aqui?” , perguntei.

“ 6 anos, acho.” Olhei para ele surpresa, então era para cá que traziam os perigosos?

“ Não consigo usar os poderes”.

“ E não vai” ─ Respondeu e pareceu que estava dando um suspiro. “ A sala bloqueia os poderes”.

“Como assim?”.

“ Ninguém sabe, mas ninguém consegue usar os poderes”.

“Serio?”.

“Sim, a prova de som, o vidro suporta uma granada e a porta só abre com ordem da comandante”, disse ele batendo no vidro por quase dois minutos.

─ Ferrou ─ Comentei em voz alta, ele deu um aceno de cabeça como se entendesse o que tinha dito.

“Mas que prisão é essa?”, perguntei.

“Não sei”, respondeu dando de ombros e voltou a bater com o indicador. “Ninguém nunca saiu das celas”.

“ Nunca?”, ele confirmou com a cabeça. “ Você nunca saiu da sua cela durante 6 anos?”.

“Se tivessem deixado, não teria ninguém mais aqui”, disse dando um balançar de ombros, abaixei minha mão devagar entendendo completamente que ele mataria todo mundo se saísse.

“ Nem para comer?”, digo depois de uns minutos. Ele negou com a cabeça.

“ Eles trazem a comida, passagem na porta” Disse, olhei para a porta e de fato havia o formato de quadrado na porta de aço e voltou a bater no vidro. “ banheiro e privada logo atrás”, apontou para a frente e olhei para trás, para o muro.

“Nunca saímos?”, perguntei para ter certeza.

“Nunca”, confirmou.

─ Rei vai me matar ─ Passei a mão na cabeça e dei um longo suspiro. Olhei para minhas mãos e estalei o dedo sem nenhuma reação. Olhei para ele que ficou me observando com o canto dos olhos. “Sabe quanto tempo estou aqui?”.

“Na cela?”

“Sim”, confirmei, ele colocou a mão no queixo e levantou quatro dedos. Abri minha boca em choque. “ Certeza?”

“Na cela, sim”, então ele levantou as duas mãos abertas, os dez dedos levantados, olhei para ele sem entender e com o rosto franzido. “Mas faz mais de dez dias que anunciaram a sua prisão”.

─ O QUÊ???? ─ Gritei em pânico. Bati no vidro rapidamente “10?”.

Confirmou com a cabeça dando um sorriso de canto, estava se divertindo com o meu sofrimento.

─ MERDA, MERDA ─ andei de um lado para o outro nervosa, meu estomago gritou por comida e coloquei as mãos no estomago. Olhei de lado para a cela do exterminador e ele estava batendo no vidro.

‘Indo ao Bunker”, levantei minha sobrancelha tentando entender do que ele estava falando e deu um sorriso que arrepiou a minha espinha.

─ Bem vindo ao Bunker ─ Falei em voz alta compreendendo as suas palavras.

Rei — Duas semanas atrás.

Afastei-me o mais rápido que pude de onde estava Sora, meu corpo chiava de dor a cada passo que dava, me escondi atrás de um carro cerca de 25 metros de distancia de onde estavam concentrados todos aqueles policiais, paramédicos e os bombeiros. O prédio que servia de fachada para a empresa de eletrônicos estava em chamas, e os bombeiros estavam lutando para controlar o fogo, enquanto isso alguns policiais e médicos se uniam em volta do carro que Sora estava.

Cerrei os olhos para enxergar melhor entre o sangue que não parava de escorrer pela minha testa, e consegui reconhecer Dana, por um momento tive um impulso de faze-la engasgar com o próprio sangue, mas resisti a tentação. Respirei fundo, o máximo que consegui com as costelas quebradas e voltei a andar.

Demorei o que se pareceu uma eternidade para sair daquele bairro. Enfiei a mão no bolso da calça e puxei o meu celular, ele estava com a tela trincada, mas felizmente funcionava, disquei o numero de Grey e no segundo toque ele atendeu.

─ Grey ─ Chamei.

─ Como está o festival? ─ Perguntou levemente curioso.

─ Nada bom ─ Falei rapidamente. Olhei para o meu braço quebrado e voltei a falar. ─ Você precisa vim me pegar onde estou.

─ Ok, vou rastrear sua ligação. Mas o que houve? Onde está Sora.─ Perguntou preocupado, senti um nó na minha garganta ao ter um flash de memoria de Sora contra aquele carro, seu corpo estava destruído, e sabia que não conseguiria tira-la de lá, mas me partia o coração tê-la que deixa-la ali sem saber o que vai acontecer com ela.

─ Venha rápido! ─ Ordenei desligando o celular. Olhei furiosa para minha perna que estava com um corte transversal que ia desde a minha coxa até o joelho, estava doendo pra caramba, e meus tênis estava ensopado de sangue.

Flexionei o maxilar e me concentrei, senti os meus olhos ficarem vermelhos e respirei fundo e expirei lentamente, senti que o sangue estava parando de sair e abri os olhos, toquei a minha testa e de fato parara de sair sangue, limpei os olhos com a manga da camisa e conseguir ver as coisas mais claramente.

Acho que Grey bateu o recorde de velocidade, em menos de 3 minutos ele parou um carro, que eu não sabia de quem era. Veio na minha direção voando e me segurou.

─ O QUE DIABOS ACONTECEU?

─ Explico no caminho, vamos para sua casa ─ Falei, ele fez que sim com a cabeça e me ajudou a sentar no banco. Ele começou a dirigir o carro rapidamente e dei um sorriso de canto para ele. ─ Onde consegue os carros?

─ Ah, são da loja ─ Disse ele dando de ombros. ─ Me deixam pegar as vezes.

─ Ah sim.

Expliquei a situação para ele durante o caminho e quase que ele bate o carro quando ouviu que Sora estava naquela situação. Depois de poucos minutos Grey me carregou nos braços e me colocou em uma cadeira de madeira da cozinha.

─ Tem certeza que não quer ir ver Anne? ─ Perguntou preocupado.

─ Estou bem, só vou precisar de uma mãozinha sua ─ Respondi dando um aceno com o polegar e ele fez que sim com a cabeça.

─ Vou pegar o Kit de primeiros socorros que tenho ─ Disse saindo da cozinha.

O apartamento de Grey estava organizado, olhei para os armários de ferro e o balcão e suspirei. Logo em seguida ele entrou na cozinha com uma caixa nas mãos, a abriu e tirou de lá varias coisas. Levantei minhas sobrancelhas e dei um olhar surpreso para ele, um kit normal não teria metade das coisas que tinha ali.

─ Com vocês é sempre bom estar preparado ─ Disse dando um sorriso rápido e começou a cuidar dos meus ferimentos. Primeiro a testa, limpou com agua oxigenada e começou a costurar o ferimento ali, depois passou para minha perna. Fez-me tirar a camisa para tocar minhas costelas e deu um jeito de coloca-las no lugar, enfaixou meu torso e olhou para o meu braço. ─ Vai doer um pouco mais.

─ Vai em frente ─ Falei e sem nenhuma cerimonia ele colocou o meu braço no ângulo certo, dei um chiado de dor e Grey deu um leve sorriso, imobilizou o meu braço e passou pomada sobre outros ferimentos no corpo. Entregou-me uma camisa sua e eu troquei de roupa.

Grey me deu um copo de água e remédios para dor, porém a dor era suportável, não era nada comparado ao que Sora provavelmente estava sentido. Estava exausta, mas não aceitei o convite de Grey para dormir na sua cama, permaneci sentada no sofá em frente a TV.

Era impossível Sora não aparecer na Tv, muitas pessoas gostavam dela e muitas outras odiavam, e a policia não vai conseguir esconder isso por muito tempo. Então fiquei plantada na frente da Tv durante toda a noite.

Quando foi 3 horas da manhã, a primeira noticia foi ao ar. A jornalista estava bem nervosa e surpresa, mostraram o incêndio na empresa e depois focaram na policia que bloqueava qualquer ação da jornalista, logo atrás uma ambulância e 4 carros da policia saíram do local bem rápidos.

A reportagem para por aí e meu coração já estava querendo sair pela garganta. Mais alguns minutos se passaram e logo voltaram a anunciar as noticias de ultima hora.

“ Estamos acompanhando o que se parece a captura de Lightning Hunter, pelos relatos de algumas pessoas que saíram do hospital particular as pressas, de fato era ela e ela estava muito ferida. Todo o hospital foi fechado e apenas as duas equipes de médicos e policiais tem acesso ao prédio. Vamos esperar por mais noticias”.

─ Sora ─ Sussurrei em choque, procurei o celular no sofá e disquei o numero de Anne, ela não atendeu na primeira e nem na segunda ligação, até que na 4 tentativa ela atendeu. ─ Anne?

─ Rei? Mas que diabos aconteceu? ─ Perguntou ela exaltada.

─ Você não vai acreditar se eu contasse ─ Falei. ─ Mas você sabe de mais alguma coisa?

─ Fui solicitada para ir para onde ela está, o estado dela não parece nada bom ─ Disse, escutei o barulho de portas se fechando. ─ Preciso ir, entro em contato.

E a linha ficou muda.

Olhei para o meu celular sem vida e abaixei a cabeça, meus cabelos vermelhos caíram ao lado do meu rosto e coloquei a mão esquerda sobre os olhos, e pela primeira vez em vários anos, pedi a Deus que Sora ficasse bem e que ela cumprisse com a sua promessa.

O dia amanheceu e as noticias começaram a aparecer em vários outros canais da Tv, todos anunciavam que Lightning Hunter tinha sido presa, então mostravam o hospital que ela estava e era impossível chegar lá, havia agentes e policiais cobrindo todo o perímetro em um raio de 5 metros em volta do prédio.

6 horas tinham se passado desde que falei com Anne, liguei para ela novamente, mas estava dando fora de área. Olhei angustiada para o meu celular e quase o joguei contra a parede quando Grey segurou o meu braço, mal tinha notado que ele estava ali.

─ Tenho certeza que ela está bem ─ Disse pegando o celular da minha mão e sentando ao meu lado no sofá.

─ Eu espero ─ Sussurrei engolindo o nó que tinha se formado na minha garganta.

Durante o dia inteiro as noticias não mudaram. Até que quando foi 21 horas, o Detetive Bornes apareceu no ar, e o repórter se aproximou dele.

“ Detetive, qual o estado da Lightning Hunter?”

“Sendo sincero, péssimo. Mas não vamos deixar nada acontecer com ela, afinal ela vai ter o julgamento que merece”, disse serio, porém consegui ver um brilho de orgulho nos seus olhos e trinquei o meu maxilar.

─ Rei ─ Escutei o meu irmão me chamar, olhei para ele de lado. ─ Calma.

─ Eu estou calma ─ Repliquei e encarei a Tv.

Ficamos na frente por Tv por muito tempo, Grey me fez comer um sanduiche de carne e beber um copo de suco de maracujá. Quando estava terminando de beber o meu suco, Grey coça o queixo pensativo e levanto as sobrancelhas.

─ Você não acha que vão localizar o apartamento de vocês? ─ Disse ele com as sobrancelhas levantadas. Nos encaramos por um longo minuto e nós dois demos um pulo da cadeira. Senti minha perna latejando com o movimento, mas ignorei totalmente.

─ Acho que está na hora de pegar o carro do trabalho ─ Falei e ele concordou.

25 minutos depois estávamos entrando no prédio, Sr. Filips olhou para nós dois assustados.

─ Se perguntarem, diga que não sabia a real identidade dela ─ Falei dando um olhar mortal enquanto passava por ele e entrava com Grey no elevador.

Entramos nervosos no apartamento e começamos a pegar tudo que era precioso para Sora, sua espada, algumas roupas, peguei a caixa de amostras que estavam escondidas no guarda-roupa, aquilo me pareceu importante. Fiz Grey abrir o cofre e guardei as coisas de lá de dentro na mala. Peguei algumas coisas minhas também e saímos de lá.

Joguei um bolo de notas de S’s para o Sr. Filips e ele olhou para aquilo em choque.

─ Prometa que não vai falar nada, nem de nós e nem que conhecia a verdadeira identidade dela ─ Falei, tinha quase certeza que meus olhos estavam vermelhos e ferozes, ele deu um aceno de cabeça nervoso e Grey e eu deixamos o prédio.

O engraçado foi que de fato Grey estava certo, dois dias depois a policia descobriu onde ela morava e anunciaram o verdadeiro nome dela, ao menos o que os seus dados no sistema diziam. Forcei Grey a procurar os documentos da propriedade do deposito que estava o cofre secreto, mas não conseguimos achar o real paradeiro da documentação e muito menos o nome do dono, o que foi um ponto positivo, pois se Grey não conseguia achar, ninguém mais poderia. E somente no quinto dia Anne deu noticia de vida.

Quase tive um infarto quando vi o seu nome brilhando na tela do celular.

─ Anne? Deus você sumiu! Porque não atendia o celular?

─ Eles não nos deixaram usar o celular durante esses dias, na verdade não nos deixaram sair do prédio nos últimos dias, estou exausta ─ Disse, e de fato a voz dela estava rouca.

─ Sora como está? ─ Perguntei colocando o celular no viva voz, para Grey ouvir também.

─ Hmmmm, no momento está estável ─ Disse falando devagar, muito devagar.

─ Mas? ─ Perguntei e ela ficou calada por um momento, e já pude esperar pelo pior. Depois de uma longa pausa escutei Anne dando um suspiro cansado e triste, quase pude ver a cara dela através do telefone, eu sabia que de alguma forma ela gostava de Sora, mas preferia negar aquilo.

─ Os ferimentos dela foram graves e estão demorando a se curar ─ Respondeu rapidamente, fez uma pausa novamente e escutei uma fungada de nariz, senti um nó se formando na minha garganta. ─ Ela sofreu uma fratura grave.... na coluna lombar

Olhei para Grey que estava ao meu lado, ele estava com um olhar assustado e olhos arregalados, levei minha mão ao peito lentamente e forcei a minha voz a sair.

─ Mas ela vai ficar bem, eu sei disso ─ Falei com a voz tremida ─ Ela sempre fica bem.

─ Espero que sim ─ Anne estava com uma voz derrotada e não duvidava nada que ela estava pior pessoalmente. ─ Mas por enquanto ela estava imobilizada na cama, remédios em ordem, ela não corre o risco de perder a vida, mas não vai poder andar novamente.

Senti meu corpo pesar contra o sofá e tinha quase certeza que teria caído se estivesse em pé, Grey colocou a mão no meu ombro e fiz de tudo para não quebrar em lágrimas ali.

─ Ela ainda está no hospital? ─ Perguntei.

─ Sim, mas é impossível entrar lá agora. Nem nós médicos podemos entrar em contato com ela agora.

─ Como assim? ─ Perguntei sem entender.

─ Uma equipe médica da policia assumiu o comando ─ Respondeu frustada. ─ Eles apareceram e disseram que tomariam conta dela. Pedi explicações da Comandante dos Agentes e ela disse que era uma equipe preparada para casos assim.

─ Mas que diabos ─ Sussurrei incrédula.

─ Concordo, mas não a mais nada que posso fazer ─ Disse dando outra respirada cansada seguida de uma fungada. ─ Rei, preciso ir descansar, se conseguir mais informações aviso você.

─ Tudo bem, obrigada por ligar e por cuidar de Sora ─ Agradeci e ela deu uma espécie de riso, um riso daqueles do qual entra na categoria “ rir para não chorar”.

─ Sem problemas ─ Sussurrou e a ligação se encerrou.

Coloquei o celular ao meu lado e passei a mão na nuca, era merda mesmo viu. Tudo podia acontecer tudo, mas nunca imaginávamos que um dia chegaria a isso, de uma de nós poder sem ficar andar, tudo por causa daquela estupida experiência, do soro maldito.

Por que diabos os pais da Sora tiveram que criar aquilo? Eu estava ficando exaltada com todas essas noticias e merdas que aconteceram nos últimos dias. Não. Não era culpa dos pais dela, era culpa daquele cara de cabelos longos e olhos roxos, Van, e daquele tal de Carlos. Ele que tinha planejado tudo. Quando os visse novamente irei esmagá-los.

─ Rei! ─ Gritou Grey ao meu lado. Olhei para ele assustado e vi uma linha de sangue escorrer pelo seu nariz.

─ Oh, minha nossa ─ Puxei ele para perto de mim e respirei fundo, não tinha percebido que estava usando os poderes. Abracei ele e ele respirou fundo, limpou o nariz na manga da roupa. ─ Me desculpe irmão. Eu não queria fazer isso. Me desculpe.

Ele fez um sim com a cabeça e envolveu-me em um abraço, meu rosto ficou contra o seu peito e escutei as batidas rápidas do seu coração, tentei me mover, mas seus braços me impediam de fazer qualquer coisa.

─ Vai ficar tudo bem, ok? ─ Sussurrou enquanto beijava o topo da minha cabeça. ─ Ela vai ficar bem.

Pronto, foi somente isso necessário para me fazer cair em lágrimas, segurei a camisa dele e abaixei minha cabeça. Era insuportável saber que ela estava daquele jeito e eu não podia fazer nada para ajuda-la, não poderia nem se quer ficar ao seu lado por causa de toda aquela segurança. Tinha poderes para conseguir atravessar todos aqueles guardas, mas não poderia fazer isso sem ter que matar ao menos uma pessoa, e apesar de já ter feito isso mais vezes do que posso contar, tinha quase certeza que Sora não gostaria que eu fizesse isso apenas para poder vê-la, sabendo que estava em um lugar relativamente seguro. Era uma puta de uma frustação.

Não sei quantos minutos fiquei ali chorando no peito do meu irmão, tinha me segurado por cerca de uma semana, não dormia direito há dias e mal comia, Grey apenas ficava esfregando as minhas costas e dizendo que tudo iria ficar bem, que a qualquer momento Sora iria aparecer de surpresa e animar nossos dias.

E na verdade essas coisas apenas me faziam chorar mais. E se eu nunca mais a visse? E se ela me deixasse aqui nessa cidade sozinha? Eu tinha Grey, mas não era com ele que gostaria de passar o resto da minha vida junto. Eu deveria ter dito que a amava, quando tive a oportunidade. Jamais imaginaria que isto poderia acontecer.

Dei uma fungada na camisa de Grey e me afastei lentamente.

─ Não olhe para minha cara ─ Falei com a voz chorosa, ele deu um riso e colocou a mão sobre os olhos. Fiquei de pé e fui par a cozinha, lavei o meu rosto na pia e bebi um pouco de água. Estava me sentindo melhor, mas exausta.

─ Posso abrir os olhos? ─ Perguntou ele se divertindo com a minha ação.

─ Uhum.

Ele olhou para mim, deu um sorriso de canto e se levantou do sofá.

─ Quer alguma coisa pra comer?

─ Seria bom, chorar deixar você com fome ─ Falei, ele deu uma risada e bateu no meu ombro.

─ Vou preparar alguma coisa gostosa para você ─ Disse assumindo o controle da cozinha.

Cerca de uma hora depois, comemos arroz com filé de carne a mostarda. Fique impressionada que ele sabia fazer aquilo, mas não comentei nada, afinal ninguém reclama de barriga cheia. Deitei na cama e Grey deitou ao meu lado, dormimos um de costas para o outro.

Levantei da cama apenas quando o meu celular tocou na cama, atendi o celular sem ver quem era e escutei a voz de Anne nervosa.

─ Rei? Levaram ela ─ Disse rapidamente, levantei as sobrancelhas sem entender do que ela estava falando.

─ Hã? ─ Foi a única coisa que consegui expressar enquanto esfregava os olhos e via as horas no celular. 8:45 da manhã.

─ Sora, levaram Sora?

─ Quem levou Sora? ─ Perguntei ainda sem entender, mas com o coração já batendo as mil por hora.

─ Não sei ─ Falou baixando a voz.

─ Onde você está?

─ Estou no hospital. Não tem ninguém aqui ─ Olhei para Grey que estava sentando ao meu lado, e falei que era Anne no telefone, apertei o viva-voz. ─ Vim tentar obter alguma informação no hospital sobre o estado dela. Só que quando cheguei, não havia ninguém. Nem Sora, nem policiais, nem a tal equipe médica. Ninguém sabe de nada, nem mesmo os repórteres que estão por aqui.

─ Mas que diabos ─ Disse Grey ao meu lado.

─ Para onde teriam ido então? ─ Perguntei sem nem imaginar.

─ Não faço a mínima ideia ─ Disse levemente angustiada. ─ As coisas só vão piorando.

E a ligação caiu. Olhei para a tela do meu celular e depois para Grey, nós dois demos um pulo da cama e fui para banheiro e ele foi para a cozinha. Tomei um banho rápido e vesti uma calça jeans, camisa preta e uma jaqueta azul. Meus ferimentos já estavam quase curados completamente, fui para a cozinha e vi Grey colocando 4 sanduiches e uma garrafa de suco na mesa.

─ Você vai para o trabalho? ─ Perguntei.

─ Sim, vou usar o computador e entrar no sistema da policia, ver se encontro para onde a levaram ─ Disse engolindo um pedaço do seu sanduiche de alface e atum. ─ E você?

─ Vou dar uma volta na cidade vê se consigo informações ─ Respondi pegando um dos sanduiches da mesa e mordendo um pedaço. Tanto ele quanto eu, comemos rapidamente, E enquanto ele se arrumava, eu colocava balas na minha desert eagle.

Guardei-a no cós da minha calça e joguei minha camisa por cima. Grey saiu do banheiro arrumando a gravata e olhou para mim.

─ Pensei que já tinha ido ─ Comentou.

─ Estava fazendo uma coisa ─ Respondi dando de ombros. ─ Estou indo, vou entrar em contato se achar algo.

─ O mesmo ─ Disse ele.

Saí do apartamento e comecei a andar pelas ruas, que felizmente não estavam tão movimentadas, era segunda feira e a maioria dos jovens estavam nas escolas pela manhã. Primeiro tentei obter informação de um policial que estava passando, ele disse que não tinha ideia, depois conversei com alguns jovens em uma cafeteria e eles não tinham visto nada na madrugada. Então resolvi passar nos lugares que não estava tão afim de andar no momento.

Dirigi-me para a periferia da cidade e comecei a procurar os informantes que sempre tinham em cada setor, a maioria deles me conheciam, mas nenhum tinha nenhuma informação que era digna de nota. O que se pareceu minutos de pesquisa se tornaram horas, e antes que notasse já era 14 horas.

Olhei para a rua que estava e localizei o informante daquela área. Ele estava sentado nos degraus de uma casa antiga, com um PSP branco em mãos e parecia muito concentrado em seu jogo, mas ele deu um aceno com a cabeça na minha direção, mostrando que aquilo era um disfarce e me aproximei, sentei ao seu lado e olhei para a tela do jogo. Estava jogando GTA.

─ O que você manda? ─ Perguntou, olhei para ele rapidamente, seus cabelos eram enrolados e pareciam que não tinham sido lavados por alguns dias, virei o rosto e respondi a sua pergunta.

─ Você sabe alguma coisa sobre a Lightning Hunter?

─ Humm, ela foi presa.

─ Eu sei, assisto Tv, idiota ─ Resmunguei. Ele deu de ombros. ─ Algo mais?

─ Fiquei sabendo que ela e todos os policiais sumiram daquele hospital.

─ É sobre isso que vim perguntar ─ Falei quase em um sussurro. ─ Sabe para onde podem ter a levado?

─ Não ─ Negou com a cabeça e olhei para o PSP, ele tinha acabado de morrer. Deu um suspiro como se estivesse se enchendo daquela conversa e continuou. ─ Ninguém sabe.

Encarei-o e nossos olhos se encontraram por um decimo de segundo e ele revirou os olhos.

─ Olha, você já ouviu falar de um cara que matava as pessoas quando sentia o medo delas? ─ Perguntou olhando diretamente para mim, fiz que não com a cabeça. ─ Pois bem, ele era muito perigoso e rondava pela cidade anos atrás, só que um dia, quando ele entrou em contato com um esquadrão da policia, ninguém viu a sombra do cara novamente.

─ Será que ele simplesmente não foi morto no conflito? ─ Perguntei.

─ Não. Levaram ele ─ Disse com certeza. ─ Agora para onde e o que fizeram com ele ninguém sabe. Provavelmente levaram ela para o mesmo lugar.

─ Merda ─ Sussurrei esfregando as mãos na calça.

─ Pois é ─ Concordou ele ficando de pé. ─ É bom você ter cuidado por.......

E nos dois nos abaixamos quando uma explosão aconteceu, olhamos na direção que poderia ter vindo aquilo e uma fumaça se sobressaiu sobre os prédios do centro da cidade. E tive uma leve sensação que não poderia ser algo bom. Olhei para o lado e o informante não estava mais lá, e sim a vários metros de distancia, correndo.

─ Vou ver o que foi isso ─ Falei para mim mesma e comecei a correr.

Enquanto corria pelas ruas, os sons, do que se parecia ser um batalha sendo travada no centro, se misturavam, ao alarme de evacuação e as ordens dos poucos policiais que estavam por perto. As pessoas começaram a correr no sentido contrario ao meu e acidentalmente esbarrando em mim, peguei um atalho e saí na rua principal, e por um momento desejei ter ficado longe dali.

A visão estava caótica. Os prédios estavam destruídos, vidro espalhados pelo chão, carros pegando fogo, junto a tudo isso estava agentes e policiais lutando inutilmente contra o Artos, que estava sem nenhum arranhão no corpo. Na verdade aquilo tudo se parecia com uma cena de filme.

A minha esquerda havia dois carros pegando fogo e a minha direita o chão estava congelado, a minha frente tinha um prédio que estava metade metade, por um momento fiquei em duvida se as pessoas que estivessem lá dentro estariam com frio ou com calor. Só voltei a prestar atenção a batalha quando escutei barulhos de tiros vindo a minha esquerda, virei o rosto e tinha um esquadrão do exercito atirando sem êxito no corpo de pedra do gigante de quase três metros de altura.

Reconheci alguns agentes que estavam ali, como Richie que estava com a testa sangrando, mas não hesitava em atacar, mais ao seu lado estava o garoto de cabelos brancos, o que controlava gelo, Beatrice estava lá e fazia um campo de força em torno do esquadrão, quando chamas e bolas de fogo iam na sua direção.

Havia mais agentes ali, um que controlava os estados físicos da matéria, ele pegou a lataria de um carro e com o abrir e fechar das mãos, tornou-as em liquido e lançou na direção de Artos, e não entendi qual era o proposito daquele ataque até o ultimo momento. O metal foi na direção exata do coração de Artos e em um piscar de olhos se tornou em uma lança solida, e ia fazer um buraco perfeito nas rochas que compunham o corpo de Artos, se o mesmo não tivesse tornado o corpo em aço, fazendo a lança bater nele sem efeito e cair no chão bruscamente.

Richie levantou um carro e jogou na sua direção, o gigante apenas levantou o braço para se defender e quando o abaixou, um braço gigante de gelo e um poste, sim um poste, olhei para o lado e vi uma garota com as mãos levantadas. Os dois acertaram em cheio o corpo de Artos e o mesmo bateu contra um prédio, fazendo mais vidros e pedaços de concreto caírem. Então uma chuva começou a cair e olhei para cima, havia um garoto controlando as nuvens no céu, no parapeito de um terraço, as chamas dos prédios e dos carros aos poucos foram se apagando.

Minhas roupas estavam ensopadas e algo muito inesperado aconteceu, o céu clareou e um relâmpago atingiu o corpo de Artos que voo cerca de dois metros para trás. Olhei para o corpo de Artos no chão com a boca aberta, não era uma boa ideia ficar com o corpo de metal perto de gente que controlava eletricidade.

─ Relâmpago? ─ Falei e olhei em volta a procura do usuário. Mas não era Sora, era apenas o menino da chuva. Os agentes começaram a andar para onde Artos estava para ver se tinham conseguido vencer, acompanhei os seus passos ao longe e olhei para o corpo de Artos no chão, todos se entreolharam nervosos e com uma leve felicidade no rosto, que durou menos de dois segundos, quando em um movimento rápido Artos agarrou um carro e jogou na direção errada das dos agentes.

Só que não tinha sido errada, não para ele, não para o garoto da chuva, que caiu do terraço de costas sobre a tenda de uma lanchonete e atingiu o chão sem cerimonia. A chuva cessou quase que imediatamente e um silencio se estabeleceu no ar por um longo minuto, então todos os agentes começaram a atacar raivosamente Artos, que atacava e se defendia sem muita dificuldade, apenas muito trabalho.

Aquilo estava sendo um desastre, a cada ataque que davam, arranhões iam surgindo sobre o corpo de Artos, que se curava em uma velocidade anormal, tornando todo o trabalho inútil e a cidade cada vez mais destruída. Depois do que se parece 5 minutos apenas observando a luta ao longe, notei que eles estavam se distanciando do centro e entrando na área comercial, área onde a loja de equipamentos de eletrônicos que Grey trabalhava estava.

E como se alguém ascendesse o interruptor de ação, comecei a correr loucamente pela rua, desviei de um carro congelado e escorrei no chão molhado, levantei rapidamente e voltei a correr, não demorei muito para alcançar os agentes e olhei para trás de Artos, a loja de Grey estava a poucos metros.

Corri na direção da loja e uma barra de metal em chamas veio na minha direção, me abaixei e escutei a barra batendo contra o chão. Levantei a cabeça e vi pedras de gelo voando e indo em todas as direções, fiquei de pé em um pulo e corri para trás de um carro mais próximo, o gelo fez a lataria do carro ranger e protegi a cabeça com os braços, durou cerca de 5 segundos e olhei em volta, ninguém parecia ter me notado, se o fizeram me ignoraram completamente.

─ Droga Grey, espero que você não esteja aí! ─ Falei correndo em direção a loja novamente, passei no meio da batalha, desviando dos ataques e dos agentes que gritavam para mim, passei por Artos que olhou para mim com um brilho nos olhos, mas quando fez menção de se virar para mim, foi forçado a voltar atenção para os agentes que o atacaram.

Entrei na loja, passei pela recepção e olhei para todos aqueles equipamentos eletrônicos. Não tinha como procurar em toda a loja, puxei o meu celular e disquei o numero do meu irmão.

─ Grey? ─ Gritei com o telefone pressionado no ouvido. ─ Grey?

Andei de um lado para outro para ver se ele estava em algumas das fileiras e percebi que havia uma porta nos fundos. Corri naquela direção e abri a porta.

─ Grey?

─ Rei? ─ Ouvi uma voz vindo do fundo da sala cheia de equipamentos antigos e quebrados. Passei por umas caixas e dei a volta em um balcão e encontrei Grey mexendo em um laptop no chão.

─ Mas que diabos você ainda está fazendo aqui? ─ Perguntei irritada. ─ Você não notou que está tendo a batalha de Skillity lá fora?!

─ Eu notei, mas estava terminando as buscas aqui e ─ Grey estava nervoso, mas não desviou o olhar do laptop por um segundo, até que ele apitou. ─ Droga!

─ O que houve? ─ Perguntei e escutei uma explosão vindo lá de fora, o que me fez abaixar por um momento.

─ Sem resultados nas buscas ─ Disse me dando um olhar triste.

─ Depois nos preocupamos com isso ─ Falei alto, não queria ficar ali mais um segundo, agarrei Grey pela camisa e saímos correndo pela loja.

Entramos na rua e tivemos que dar um passo para trás bem a tempo que um pedaço de concreto passou na nossa frente. Grey e eu trocamos olhares assustados, eles estavam próximos, muito próximos, procurei algum lugar que poderíamos usar para fugir e localizei uma rua que levava a outra principal. O único problema era que tínhamos que passar por Artos e os agentes. Olhei para Grey que estava esperando uma ordem, quem estava acostumada a ação era eu e não ele, e pensei em um plano.

─ Corra o mais rápido que puder para aquela rua, ela vai dar na outra principal, depois corra e não olhe para trás. ─ Apontei para onde ele deveria correr, havia lixo e destroços no caminho, mas ele conseguiria desviar sem problemas.

─ E você? ─ Perguntou segurando meu braço. Dei um sorriso de canto para ele, para mostrar confiança onde eu não tinha nenhum pouco e falei.

─ Vou ser a distração.

Tirei a Desert Eagle das costas e destravei ela. Apontei para a cabeça de metal de Artos e dei dois tiros, ele não pareceu se incomodar e se concentrou nos ataques dos agentes a sua frente.

─ Ei seu otário! ─ Gritei o mais alto que pude. ─ Eu estou aqui o Sr. anormal!!

Acho que foi o suficiente para Artos virar o rosto na minha direção e até pareceu que os Agentes tinham parado os ataque por um momento para ver quem era a louca que tinha gritado com ele. Artos me encarou e deu um sorriso, acenei para Grey sair dali e ele passou por mim rapidamente, e Artos não ligou para a sua presença.

─ Voltou para o Segundo Round? ─ Disse, sua voz soou divertida e eu dei de ombros.

─ Não achou que tinha ganhado de vez, achou? ─ Falei dando um sorriso desafiador. Ele sorriu com o meu desafio e eu engoli em seco, a distração deu certo, Grey tinha sumido naquela rua e eu esperava que ele estivesse correndo o mais rápido que podia para longe dali e não parado, esperando para ver a suposta surra que a irmã iria levar. Se Sora que era a pessoa mais forte que conhecia apanhou feio para ele, se uma equipe de agentes estava mal fazendo um arranhão nele, o que eu sozinha poderia fazer?

─Rei? ─ Disse Beatrice e Richie ao mesmo tempo, quando me reconheceram. Fiz um ok com a cabeça e voltei a atenção para Artos.

Suas mãos se tornaram punhos gelados e veio na minha direção em uma velocidade surpreendente. Dei um salto para trás bem a tempo de não ser esmagada pelo seu ataque, e escorreguei no asfalto congelado, dei um olhar mortal para o de cabelos brancos que deu de ombros e desviei de um golpe.

Levantei minha mão e tentei controlar o seu sangue, mas não consegui sentir meus poderes influenciando o seu corpo de metal. Droga!

Fiquei sobre os meus pés e comecei a correr, abaixei minha cabeça a tempo de evitar ser queimada e vi um movimento rápido ao meu lado, Artos estava com uma barra de metal em mãos e abaixou na minha direção, olhei assustada para aquilo, eu não tinha como desviar a essa distancia e não tinha poderes para bloquear. Então o metal se chocou com uma parede invisível entre nos dois, Artos olhou sem entender e eu demorei um segundo para conectar os pontos, olhei para Beatrice e ela estava com as mão levantadas.

─ Vamos dar cobertura! Saía daí! ─ Gritou ela. Fiz que sim com a cabeça e voltei a correr, acho que hoje era o dia mundial da corrida.

Artos veio ao meu alcance e lançou chamas na minha direção que entraram em conflito com o gelo do carinha de cabelos brancos, acho que era Ice o nome dele. Minhas roupas molhadas dificultavam na velocidade, desvie dos destroços de uma loja e quando ia me aproximando de Beatrice, fui jogada para o lado como se não fosse nada. Rolei no asfalto e cuspi o sangue da boca, olhei para o que tinha me atingido e tinha um poste caído a poucos metros de mim, Artos deu um sorriso na minha direção e forcei meu corpo a ficar de pé, felizmente não senti nenhum osso quebrado no momento.

Ele veio na minha direção novamente e Richie avançou contra ele dando um soco certeiro no seu maxilar de pedra, Artos deu um passo para trás e Richie se afastou com um pulo, enquanto sacudia a mão com dor. Corri e alcancei Beatrice e dei um suspiro meio aliviado, de todo o lugar na rua, Beatrice era o ponto mais seguro e mesmo que eu não gostasse dela, o seu poder era muito útil.

Ice lançou um jato de gelo que congelou as pernas do gigante, a garota telecinese levantou uma barra de metal, Richie pegou um pedaço de concreto no chão, o garoto que mudava os estados físicos dos objetos, levantou a mão e jogou alguma coisa nele que eu não fazia ideia do que era, e os outros seguiram a sua deixa e atacaram Artos.

─ Por que você está aqui? ─ Disse Beatrice começando um dialogo no meio da batalha, olhei para ela com a boca aberta pronta para dar uma resposta esperta, quando Artos deu um riso de desdém e o seu corpo começou a pegar fogo por completo, olhei para aquilo boquiaberta e dei um passo para perto de Beatrice.

─ Se prepare que ele está bravo ─ Falei para ela e ela fez que sim com a cabeça. O próximo momento foi uma explosão de luz e fogo por todo o lugar, tive que fechar meus olhos por um momento e logo em seguida os abri. Beatrice tinha levantando o seu campo de força na frente de todos nós, ela estava com uma aparência cansada e eu tinha quase certeza que se não o derrotássemos ou se não o fizéssemos recuar estaríamos mortos em pouco minutos.

─ Vocês estão bem? ─ Gritou Beatrice para os outros, que se colocaram em pé lentamente. Olhou para trás e acenei que sim. ─ Como nós o vencemos?

─ Não podemos ─ Respondi a sua pergunta que não pareceu ser para mim e sim hipotética. Ela olhou para mim nervosa, mas não duvidando das minhas palavras. ─ Precisamos de um plano B para fazer ele recuar.

─ Você quer dizer plano F, né?! ─ Gritou Richie sacudindo o seu uniforme rasgado. Olhei para Beatrice e ela deu um sorriso nervoso.

─ Acho que seria o G, agora ─ Comentou.

─ Ok. Onde estão os outros agentes?

─ Devem estar chegando ─ Disse Ice.

─ Estão demorando muito ─ Comentou o garoto que mudava os estados das matérias.

Olhei para Artos que estava observando nossa conversa com um olhar assassino e um sorriso frio. Tentei pensar em um plano, mas tudo era inútil quando se tratava de alguém que tinha um poder de cura altíssimo. Olhei em volta em busca de alguma coisa que pudesse ajudar e pousei meu olhar sobre os fios de energia caídos. Eletricidade. Isso tinha funcionado muito bem no seu corpo de metal.

Com o seu corpo envolto em chamas eu não conseguia saber que tipo de pele ele estaria usando. Olhei para cada um deles e montei o meu plano.

─ Certo ─ Falei alto o suficiente. ─ Se aproximem todos vocês.

Eles se entreolharam, mas correram na minha direção.

─ Sem chances! ─ Gritou Artos lançando fogo em todas as direções, mas mesmo cansados conseguiram chegar até Beatrice, que nos envolveu com um campo de força, Artos ficou nos atacando de todas as maneiras possíveis.

─ Seja rápida, não vou aguentar muito tempo ─ Disse Beatrice, ela estava com o joelho no chão e olhava para cima. Expliquei o plano rápido para eles e eles ficaram um pouco surpresos mais em duvida se realmente iria funcionar, entretanto não reclamaram, afinal era o único plano que restava.

─ Só mais um pouco ─ Ice disse para Beatrice e ela fez um leve sim com a cabeça, acho que qualquer quebra de concentração aquele campo de força iria se dissipar. Ice respirou fundo e correu para o mais rápido que pode. ─ Venha me pegar!

Artos se virou para ele, e lançou um jato de chamas na sua direção, Ice conseguiu levantar uma parede de gelo a sua frente que rapidamente se descongelava. Levantou a outra mão e lançou gelo na direção do menino que mudava os estados das coisas. Ele controlou o gelo de Ice e o transformou em água e direcionou como um jato na direção de Artos.

As chamas se apagaram e ele olhou com raiva na direção do garoto, sua pele ficou normal por um momento, quando Richie atacou ele, forçando-o a virar metal. Enquanto Artos estava concentrado no pequeno inseto que era Richie, a garota com telecinese pegou os cabos elétricos e lançou-os na direção dele. Artos levou um choque no corpo de sabe-se lá quantos Volts e literalmente foi lançado a alguns metros de onde estava anteriormente.

Beatrice abaixou a barreira que envolvia nós duas e Richie e deu um suspiro aliviado, sentou exausta no asfalto e deu um sorriso na minha direção.

─ Muito... bem ─ Disse ela dando um ok com o polegar.

─ Até que fim derrotamos esse desgraçado ─ Ice disse se aproximando de nós, Richie e o outro garoto fizeram o mesmo.

─ Acho que apagamos ele por um tempo ─ Comentou a garota da telecinese.

─ Verdade .

Ficamos ali um minuto respirando aliviados e esperando o reforço chegar, quando a mão de Arthos começou a se mexer, sua pele estava normal, mas muito vermelha, colocou as duas mãos no chão e começou a erguer o tronco lentamente.

─ Puta merda cara! ─ Disse um dos garotos.

─ Esse cara não cansa não? ─ Sussurrou Beatrice, olhei para ela e os outros, estavam acabados. Acho que meus poderes funcionariam se seu corpo estivesse no estado normal, ao menos eu teria que testar, não poderia ficar aqui apenas dando ordens. Olhei para eles que estavam em choque e sem um pingo de energia sobrando, fiquei de pé e comecei a andar na direção de Artos.

─ Que diabos você está fazendo? ─ Gritou a garota.

─ Saía daí Rei, você não tem poderes! ─ Gritou Beatrice entrando em pânico, levantei minhas sobrancelhas surpresa, eles não tinham notado eu tentando controlar Artos antes? Bem, se não, o disfarce iria para as culatras agora.

Corri o mais rápido que pude e parei alguns metros de distancia de Artos que estava agora sentado. Fechei os olhos e me concentrei senti o poder fluindo no meu corpo e levantei as mãos na sua direção, meus olhos ficaram vermelhos e encarei-o.

Respirei fundo e fechei as mãos, senti o sangue do seu corpo circulando e o fiz circular no caminho reverso, sangue começou a sair da sua boca e olhos, encarei o seu corpo e ignorei os suspiros surpresos dos outros. Por um momento todo o lugar ficou silencioso e escutei apenas a batida do seu coração, abri minha mão direita e a fechei, imaginando como se estivesse esmagando seu coração em minhas mãos e escutei barulhos de passos rápidos e armas vindo na minha direção, uma bala acertou o meu ombro e minha concentração se dissipou, perdi a linha que ligava ao seu coração e olhei em volta rapidamente com uma raiva.

Será que eles não notaram que eu estava tentando ajudar??!

Artos tossia desesperadamente, havia agentes e pessoas armadas em torno de nós, Beatrice e os outros estavam me observando com olhos arregalados, levei uma das minhas mãos ao ombro sangrando e então escutei um barulho, um barulho de algo surgindo absolutamente do nada.

Virei para a frente novamente e Carlos estava ao lado de Artos, deu uma piscadinha para mim e os dois desapareceram.

Sora — Dias atuais.

Depois de algumas horas um guarda apareceu e me entregou uma bandeja de plástico cheia de comida, o guarda tinha uma escopeta presa nas costas, usava colete a prova de balas, botas pretas e um boné azul.

Junto com a bandeja veio uma colher de plástico, olhei para a comida que parecia deliciosa para ser de prisão e comi sem pensar muito. Em menos de 5 minutos eu já tinha devorado tudo que estava na bandeja, o guarda olhou para ela vazia e acenou para passar pela portinha na porta. Sim, isso foi uma ironia.

Pegou a bandeja e marchou para onde quer que fosse. Andrei até o meu pequeno banheiro e lavei as mãos e o rosto, olhei para o meu reflexo no reflexo do espelho não espelho e suspirei. Estava enrascada, mas ao menos com fome não estava mais.

Voltei para a cama e fiquei deitada lá, por alguns vários minutos, quando escutei pela primeira vez algo vindo de fora da cela, levantei a cabeça para ver o que era e dei de olho com três pessoas, uma já havia conhecido pessoalmente, a outra apenas em visões que eu suspeitava ser memorias, e o outro não fazia a mínima ideia.

A primeira, era a mulher de cabelos curtos castanhos e óculos de grau, que tinha visto escrevendo em uma prancheta, estava vestindo uma calça jeans, e por cima do que se parecia ser uma camisa azul estava um jaleco branco. A segunda pessoa era a diretora dos agentes, a mesma que tinha os olhos verdes por trás do seu óculos de armação prateada, a que me dava nos nervos toda vez que a encontrava. E era a primeira vez que tinha a visto com roupas diferentes das sociais que geralmente usava. E até que ela ficava razoavelmente sexy, mas mais assustadora do que o normal. Usava uma calça preta, uma camisa branca e a jaqueta azul escura dos Agentes.

Olhei para o terceiro integrante daquela equipe que me encarava, era um homem por volta dos seus 38 anos, usava uma calça preta de combate, daquelas que possuíam vários bolsos, uma camisa branca de mangas cumpridas dobradas até o cotovelo, uma pistola presa à coxa e um colete a prova de balas. Logo atrás dele tinham três guardas com as suas belíssimas escopetas. Um deles se aproximou da porta e escutei uma voz na sala.

─ Vá para o fundo da sala com as mãos na cabeça ─ Olhei para eles em duvida se obedecia ou não, e sentei na cama, coloquei as duas mãos atrás da cabeça e andei lentamente até o fundo da sala. Virei de frente para eles e esperei a próxima ordem, a porta deu um clique e cinco deles entraram na sala, ficando um guarda do lado de fora para fechar a porta.

Os dois outros guardas se posicionaram ao meu lado com as duas escopetas apontando para a minha cabeça, e os outros três ficaram a minha frente.

─ Suponho que agora é a hora das perguntas? ─ Falei dando um olhar divertido para eles. Os três me olharam com suspeita, então a Diretora foi a primeira a dizer algo.

─ Sou Carter, diretora dos agentes ─ Disse dando um aceno, fiz que sim com a cabeça, apesar de ainda não saber o seu nome. ─ Acho que já me conhece. Essa é July ─ Apontou para a mulher no jaleco. ─ Sua médica e esse é o Comandante London ─ Disse apontando para o homem que me encarava sério.

─ O prazer é meu ─ Fiz uma reverencia e os dois guardas se mexeram, voltei a minha posição inicial com um sorriso. ─ Foi mal.

─ Antes de começarmos as perguntas ─ Disse Carter. ─ July quer dar uma olhada em você.

Levantei as sobrancelhas em duvida e a médica se aproximou de mim, parou a minha frente e percebi que eu era mais alta do que ela. Pegou uma lanterna do seu bolso e focou nos meus olhos, depois acenou para abrir a boca e o fiz.

─ Agora tire a blusa ─ Disse para mim, olhei para ela sem entender e depois para Carter.

─ Tire a camisa Akibara ─ Disse ela para mim. Abaixei minhas mãos lentamente e segurei a minha camisa cinza folgada, olhei em volta rapidamente e percebi que eles estavam tensos, dei um sorriso de canto e tirei a minha camisa, ficando somente de sutiã.

A médica se aproximou, pediu para abrir os braços e o fiz, ela passou sua mão lentamente pelas minhas tatuagens da frente e parou as minhas costas, seu polegar passou pela minha coluna e olhei para a diretora e sorri.

─ Acho que alguém gostou da minha tatuagem ─ Falei dando um sorriso irônico.

─ Não são tão impressionantes ─ Disse July atrás de mim. ─ O que quero saber é como você curou uma lesão irreversível na coluna.

─ Se eu disser, vou virar bichinho de laboratório? ─ Perguntei virando o rosto para ela, ela me deu um olhar afiado e eu sorri com aquilo.

─ A sua perna, como está? ─ Perguntou ela.

─ Nunca esteve melhor ─ Respondi dando uma batidinha no chão, os guardas se mexeram nervosos. July estava parada a minha frente anotando alguma coisa no seu bloco de notas. ─ Posso vesti minha camisa agora?

A médica fez que sim com a cabeça e se juntou aos outros dois a minha frente, enquanto vestia a minha roupa, joguei os cabelos para trás e coloquei a mão na cintura.

─ E agora? ─ Perguntei esperando.

─ Você responde nossas perguntas ─ Disse London pela primeira vez, a sua voz era grave e alta, daquele tipo de voz da qual você escuta e obedece.

─ Ok. Mas vai ser assim, sem cadeiras nem nada? ─ Comentei abrindo as mãos. Não estava afim de responder perguntas em pé. Eles se entreolharam e deram de ombros, não dando a mínima.

─ Você sabe onde está? ─ Perguntou Carter. Fiz que não com a cabeça. ─ Se lembra de alguma coisa, antes de acordar aqui?

─ Não ─ Menti calmamente.

─ Ok.

─ Você sabe o motivo de você estar aqui? ─ Disse London, olhei para ele e sorri.

─ Talvez.

─ Talvez? ─ Repetiu a diretora, balancei os ombros.

─ Você sabe que é acusada de vários crimes, entre eles assalto, sequestro e assassinato? ─ London me olhou seriamente, averiguei a sua expressão corporal e olhei para os seus bolsos da calça.

Se aquilo era uma interrogação com o objetivo de fazer confessar os meus crimes, eles estavam errados em pensar que só porque tinha duas armas apontadas para minha cabeça eu iria falar alguma coisa. Afinal, para quer confessar quando eles já possuíam quase certeza que eu fui a culpada por um monte de coisas. Eles não tinha pistas de que eu estava envolvida na guerra de semanas atrás e muito menos do que aconteceu naquele prédio que Rei e eu fomos torturadas. Então para quê falar alguma coisa? Sabendo que não teria chances de diminuir a minha pena e muito menos de ter uma defesa? Ou de sair dali novamente?

Então eu faria a única coisa que eu sabia fazer com autoridades por perto.

─ Não sei ─ Falei dando de ombros e dei um olhar sarcástico para eles. ─ Ou será que sei?

─ Você estava presente no conflito das gangues semanas atrás? ─ Perguntou London cruzando os braços, em sinal de irritação. Olhei para July e dei uma piscada para ela, que a fez, literalmente, cerrar os olhos em suspeita.

─ Nós temos suspeitas e uma possível testemunha, que confirma a sua presença em uma chacina que houve em um antiga fabrica de brinquedos. ─ Falou Carter cruzando os braços e me encarando com os olhos verdes.

Olhei de um para outro com um olhar divertido e dei de ombros. London cerrou os dentes e deu um balançar com o queixo, um dos guardas encostou a escopeta na minha cabeça e olhei para os três parados a minha frente, dei um longo suspiro e coloquei as mãos ao lado do corpo.

─ Eu acredito comandante, que se o senhor quisesse me matar, vocês já teriam feito isso ─ Falei olhando calmamente para ele e abrindo as mãos. ─ Mas aqui estou. E acredito... que vocês estão querendo saber respostas para coisas que eu não tenho a resposta.

Tanto ele quando Carter deram um suspiro para ficarem calmos, July me encarou levemente impressionada, London deu um aceno para o guarda e os dois se afastaram.

─ Não terminamos nossa conversa ─ Disse ele apontando o dedo para mim, dei um sorriso de canto para ele e eles saíram da minha cela.

Os observei se afastando e falando, mas não conseguia ouvir mais nada. Deveria ter algum dispositivo que permitia o som entrar e sair da minha sala. Dei um suspiro e sentei na cama, aquilo estava me deixando com fome. Passei a mão na nuca e olhei para meus pés descalços.

─ Tenho que sair daqui ─ Sussurrei.

Virei o rosto para a janela e vi o Exterminador me observando, andei até o vidro e acenei para ele prestar atenção, ele fez que sim com a cabeça e bati no vidro.

“ Sabe que horas são?”, perguntei, ele coçou a barba e bateu no vidro.

“Algo entre 15 e 16 horas”, respondeu. Dei um suspiro, estava longe do jantar, seja lá qual fosse a hora que eles serviam o jantar. Ele bateu no vidro e prestei atenção no que ele dizia, quando terminou deu um sorriso de canto. “Comandante saiu com raiva”.

Fiz que sim com a cabeça e ele fez um ok com o polegar.

─ Ótimo, estou fazendo amizade com um assassino de primeira ─ Falei em voz alta colocando a mão no rosto. Olhei para o teto branco e respirei fundo, tinha que achar alguma coisa para fazer ali, era o meu primeiro dia acordada na cela e já estava me sentindo entediada.

Olhei para a cela do meu novo amigo e ele ainda estava parado no canto de sua janela, bati no vidro e parecia contar as batidas.

“Como você não se entedia aqui?”, perguntei depois de um minuto.

“Exercícios”, respondeu mostrando o braço musculoso, mas não tanto quanto antigamente, acenei que tinha entendido e suspirei.

“Acho que vou fazer o mesmo”, falei.

“ É bom”, concordou. Então nós dois saímos da frente da janela e eu deitei na cama. Coloquei o travesseiro no rosto, esse branco todo estava me incomodando, e nem sonhando que iria fazer exercício agora, minha barriga estava pedindo por comida, apesar de não fazer muito tempo que tinha comido algo.

A próxima coisa que sei é que estou sendo jogada no chão, coloquei minhas mãos no chão e levantei a cabeça, dei de encontro com o cano de uma escopeta, me movi devagar com as mãos sobre a cabeça e fiquei de pé. Não havia ninguém além de guardas ali, olhei para os 4 guardas na minha cela e para o 5 do lado de fora.

─ Posso saber que diabos vocês...

Então recebi um soco na barriga, dei um passo para trás e levantei os pulsos.

─ Nem pense em tentar nada ─ Disse um deles que estava com escopeta na minha direção, olhei nervosa para eles.

─ O que vocês querem? ─ Perguntei ainda com os punhos levantados.

─ Só um pouco de diversão ─ Disse o mesmo. Cerrei os olhos e um chute acertou o meu queixo, andei para trás e um dos guardas chutou a minha perna, caí no chão e levei um chute nas costelas.

Cerrei os dentes com raiva e segurei a perna do que ia me chutar novamente, empurrei ele para trás e chutei a perna de um dos que estavam com a espingarda apontada para mim, ele caiu de joelhos e me levantei rapidamente, dei um soco no seu rosto e virei para encarar o próximo, ele estava levantando sua arma para mim, dei dois passos rápidos para a esquerda e me aproximei dele rapidamente, joguei a arma para longe e dei dois socos seguros no seu peito.

Quando virei o rosto para o lado, levei uma coronhada segura no rosto, senti o sangue escorrer do meu nariz e parti para cima do guarda. Por um minuto ficamos nessa, nós quatro trocando golpes, eles eram duro na queda e eu também, até que nocauteie dois deles e escutei o barulho da arma sendo destravada, parei de me mover e me virei devagar.

O guarda que estava do lado de fora, estava com a arma apontada para mim, em posição para atirar.

─ Fundo da sala, agora! ─ Ordenou, engoli a raiva e andei de costas até o fundo. Os outros guardas que estavam conscientes carregaram os outros dois e saíram da sala. O terceiro andou lentamente para fora da cela e fechou a porta ao sair, encarei eles andando no corredor e limpei o sangue da minha boca.

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O exterminador estava observando tudo, mas não falou nada. Pensei que guarda otários assim existissem apenas em filmes, e não em prisões como essas. Fui para trás do pequeno muro e lavei o meu rosto, a água ficou vermelha por um momento e suspirei. Tirei minhas roupas e tomei um banho, a água era fria como gelo e não aguentei ficar muito tempo embaixo dela, me enxuguei na toalha que deram e vesti minha única roupa.

Deitei na cama e levantei minhas mãos, olhei para os cortes que já estavam cicatrizando e sorri.

─ Bem, ao menos não vou acordar dolorida amanhã ─ Falei abaixando minhas mãos. Fechei os olhos cansada e fiquei contando o tempo. O tempo que possivelmente faltava para trazerem a minha próxima refeição.

E ela nunca veio.

Nem quando contei até 25.500 e nem quando 45.589. Em um determinado minuto desisti de contar e fiquei de pé, meus ferimentos já estavam curados, estava sem um pingo de sono e muito de fome, olhei para fora da cela e não havia nenhum guarda no corredor, e muito menos um Exterminador me observando.

Fiquei de pé e me alonguei. Acho que estava na hora de fazer os tais dos exercícios que ele falara. Deitei no chão e comece a fazer abdominais, e apesar de estar com muita fome, estava conseguindo fazer abdominais mais do que o normal, o que me fez ficar surpresa. Mudei para flexões e parecia que meu corpo não estava pensando nada.

─ Isso é legal ─ Falei animada, coloquei minhas mãos no chão e joguei minhas pernas para cima, fiquei de ponta cabeça e respirei fundo. ─ Vamos nessa.

Comecei a andar pela sala sem problemas e fiz uma flexão e depois outra e outra. Treinei alguns golpes e parei apenas quando já estava suada. E me senti bem, muito bem para dizer a verdade. Tomei um bom banho e deitei na cama, adormeci por um tempo indeterminado e quando escutei o barulho da porta se abrir, sentei na cama rapidamente e encarei o meu novo visitante.

Carter, July e o detetive Bornes.

─ Parece que seus ferimentos já curaram ─ Disse July dando um sorriso animado.

─ Então a surpresa dos guardas, foram ideia de vocês? ─ Falei olhando para elas e dei de ombros, quando as duas fizeram um sim com a cabeça. ─ Não sei exatamente o que esperavam que acontecesse, mas não deu muito certo, para os guardas ao menos.

─ Isso eu não sei ─ Disse Carter sorrindo, então um guarda entrou carregando três cadeiras dobráveis e as colocou a frente da minha cama. ─ Mas os guardas pareciam se divertir em bater em você, então não foi uma perda de tempo total.

Fechei a boca e os observei arrumando as cadeiras e se sentado, os guardas se posicionaram a minha frente e ao lado e cruzei os braços.

─ Acho que agora dá para responder algumas perguntas ─ Falei dando um sorriso para as cadeiras, July deu de ombros e Carter me deu um olhar serio, já o detetive Bornes parecia que queria voar na minha garganta a qualquer momento. Olhei para o seu pulso e havia um relógio, observei-o por um segundo antes de ele cobrir o relógio com a mão. ─ Relaxa, eu não quero roubar isso. Só quero saber as horas ─ Retruquei com um sorriso sarcástico, o que fez Bornes ficar irritado.

─ Não estou aqui para joguinhos ─ Disse ele. ─ Quero respostas.

─ Ok ─ levantei as mãos e coloquei cada uma sobre um joelho. ─ Vamos aos jogos.

─ Você vai ou não confessar os seus crimes? ─ Perguntou ele.

─ Isso era para ser uma pergunta? ─ Perguntei. ─ E porque diabos eu me confessaria, se não vou ganha nada com isso?

─ E se nós a soltássemos? ─ Disse Carter, Bornes olhou para ela em choque. ─ Confessaria?

─ Talvez. Se me dessem garantias ─ Respondi cruzando os braços.

─ Ok, então o jogo é o seguinte ─ Disse ela cruzando os braços e me encarando. ─ Você está nessa prisão de segurança máxima, só pode sair com a ordem do comandante. Sua conta bancaria foi bloqueada, todo o dinheiro que você tinha foi confiscado. Seus bens foram confiscados. Seus amigos estão sendo interrogados.

─ E? ─ Perguntei dando de ombros. ─ Dinheiro eu posso conseguir no momento que sair daqui, uma casa não é difícil de conseguir também. E quanto amigos? Eu não me importo realmente com eles. O que eu quero saber é, quanto tempo exatamente estou aqui e o que vocês realmente querem saber. Vocês não querem que eu me confesse, isso vai dar no que exatamente? ─ Olhei para Bornes e abri minhas mãos. ─ Já estou presa do mesmo jeito. Vão me dar sentença de morte? Vão me torturar? Vocês acham que podem colocar medo em mim, mandar guardas me baterem no meio da noite? Exatamente para quê? Se vocês querem saber algo apenas vão logo ao ponto e parem de me encher o saco.

Os três ficaram em silencio surpresos e respirei fundo quando um guarda se aproximou com a arma, encarei ele ficando com raiva e uma mão se levantou de repente. Olhei para o braço de Carter levantando e o guarda se afastou.

─ Certo, vamos direto ao ponto então ─ Detetive Bornes deu um olhar de canto para ela, mas não disse nada. ─ Queremos saber o que você sabe sobre um cara de 2,50 m de altura e que possui mais de uma habilidade.

─ Ahhh ─ Falei sem perceber, July tirou uns papeis da prancheta, que notei somente agora que ela estava carregando, e me entregou. Olhei para os papeis e vi fotos do centro da cidade basicamente destruído, em outra vi agentes lutando contra Artos, fogo e gelo espalhado na rua, civis correndo e guardas evacuando a cidade, olhei para a pele de Artos, que em uma foto era feita de pedra e na outra de metal.

─ Você conhece ele? ─ Perguntou Bornes, olhei da foto para eles e contive um sorriso. Eles precisavam das minhas informações e iria usar isso para sair daqui.

─ Talvez ─ Respondi.

─ Como assim? ─ Perguntou Carter. ─ Conhece ou não?

─ Quando isso aconteceu? ─ Falei apontando para as fotos e ignorando a sua pergunta.

─ 8 dias atrás. Ele simplesmente apareceu no centro da cidade e atacou ─ Disse o detetive.

─ Os agentes lutaram contra ele? ─ Perguntei olhando para uma das fotos, do qual mostravam alguns agentes, reconheci Ice em uma delas.

─ Sim.

─ Conseguiram derrotar ele? ─ Levantei o olhar das fotos e encarei os olhos verdes de Carter.

─ Derrotar não.

─ Tá mais para uma surra em conjunto ─ Disse July para minha surpresa, olhei para o seu rosto, e ela parecia que estava se divertindo, o que me fez ficar em duvida se ela era louca ou não. ─ Estou cuidando de um dos meninos, ele sofreu uns ferimentos feios.

─ Foi acertado por um carro ─ Completou Carter, balancei a cabeça em surpresa. ─ Mas está se curando bem. Então, o que você sabe?

─ Nada demais ─ Respondi entregando as fotos para July. Eles olharam para mim em choque e com raiva, pois eles sabiam que eu sabia de algo, e que eu não estava contando. Dei um sorriso de canto e falei. ─ Só que vocês estão ferrados.

─ Ora sua...marginal! ─ Gritou detetive Bornes ficando em pé. ─ Você não se importar em salvar vidas não é?

─ Na verdade não ─ Falei cruzando os braços e o olhando nos olhos. ─ Esse não é o meu trabalho.

─ Chega! ─ Gritou ele novamente ─ Não vou ficar aqui ouvindo ela ─ Apontou para Carter e ela o encarou sem medo. ─ Quanto a você, descubra o que ela sabe por bem ou por mal. Nem que tenha que arrancar cada dedo da mão dela! Não vou ficar de mãos cruzadas enquanto a cidade está em perigo.

Deu as costas para nós e foi para a porta batendo o pé.

─ Sem estresse Detetive ─ falei, ele se virou e me encarou com os olhos em fúria. ─ Afinal, são os agentes e não o senhor que vão enfrentar o gigante.

Ele abriu a boca com raiva e cerrou o olhar, e a próxima coisa que senti foi a arma batendo na lateral da minha cabeça, caí de lado na cama e dei um riso com aquilo. July e Carter estavam sem reação a minha frente.

─ Acho que por hoje é só ─ Comentei sentando direito na cama e encarando as duas.

Os guardas pegaram as cadeiras e as duas se dirigiram para a porta. Então Carter se virou e disse para um guarda.

─ Acho que alguém vai ficar sem comer por mais um dia.

Notas finais
Comentem o que acharam e o que pensaram que poderia acontecer e o que estar por vim. Obrigada e bjus :P Exemplo de como seria um vidro de observação http://www.surveymarketing.co.uk/wp-content/uploads/2013/09/MI16-066-client-room.jpg