Lightning Hunter

14 Capitulo 14 - Parte 1 REI - Feelings


Notas iniciais
Taca-le pau marcos shauhsuahsa. Que esse cap ficou grande kkkk. O maior na verdade, demorei uns dias para conclui-lo, enfim está em mãos, desejo uma boa leitura a todos. Espero que gostem, que segurem o desejo de me matar ou algo assim. O cap quem narra é a REI. E espero que eu tenho conseguido mostrar para vcs um pouco de como ela pensa, já que tem uns que dizem que não entendem o que ela pensa ou faz. Tá ai, leiam e comentem/critiquem, to cansada e por isso essa nota deve estar uma merda. Ignorem. kkk

─ Isso é serio? ─ Grey estava sentado no sofá me olhando em choque e com as mãos abertas.

─ Sim ─ Respondi cruzando os braços e o olhando seriamente.

─ Bem, eu pensei que não iria me envolver nos seus problemas ─ Disse ele ficando de pé e colocando as mãos na cintura.

─ Não são problemas, sem dizer que você vai se sair bem nessa ─ Falei dando um balançar de ombros para o meu irmão. Ele me encarou e ficamos nessa de troar olhares, até que ele desistiu e soltou um suspiro.

─ Ok, ok. Eu faço ─ Levantou as mãos e balançou a cabeça. ─ Que horas vamos fazer isso?

─ Sei lá, que horas são? ─ Perguntei virando e olhando para o relógio na parede. 22h da noite. Olhei de canto para Grey e ele soltou outro suspiro. ─ Agora?

─ Agora ─ Concordou ele passando as mãos na cabeça. Entrei no quarto e troquei de roupas rapidamente por uma calça jeans rasgada, uma camisa regata azul e uma jaqueta preta. Quando cheguei na sala, Grey estava terminando de dobrar as mangas da sua blusa social.

─ Vamos?

─ Aham ─ Disse ficando de pé, dei uma olhada na direção do quarto, onde Sora estava apagada na cama e respirei fundo. Destranquei a porta de casa e saímos.

Pegamos um taxi quando chegamos a esquina da nossa quadra, e demoramos cerca de 10 minutos para chegarmos onde queríamos.

─ Uau! ─ Falei ao descer do carro, olhei para o lado e vi Grey com a mesma reação.

─ Confesso que vou me divertir entrando ai ─ Disse ele sorrindo com a mão direita na cintura.

─ Concordo.

Havia luzes piscando e fluorescentes em toda parte, pessoas bem arrumadas com cara de alegria e olhos nervosos. Entramos no hall e uma musica eletrônica invadiu os meus ouvidos, do qual demorei alguns segundos para se acostumar. Olhei em volta e consegui localizar a recepção entre todas aquelas mesas de jogos, máquinas e pessoas se divertindo. Bati no ombro de Grey e apontei para a direita, ele fez que sim com a cabeça e fomos naquela direção.

─ Você trouxe dinheiro? ─ Perguntou ele se inclinando para mim.

─ Claro, quem você acha que vem para um cassino e não trás dinheiro? ─ Respondi ironicamente, ele revirou os olhos e pegou a nota de 50 S’s da minha mão.

O homem olhou do meu irmão para mim e cerrou os olhos, enfiou a mão debaixo da mesa e olhei nervosamente para Grey, ele engoliu em seco e observou o homem, que felizmente estava tirando um montinho de fichas no lugar de uma arma. Entregou as fichas para Grey e nos afastamos rapidamente dali o mais discretamente possível.

─ Qual delas? ─ Perguntou olhando para as várias maquinas da sorte.

─ Sei lá, escolhe qualquer uma ─ Falei dando de ombros ─ O resultado vai ser o mesmo.

Ele olhou em volta e sentou em uma da ponta. Fiquei ao seu lado e ele colocou a ficha na máquina, ela ligou e uma palavra começou a piscar, encaramos aquele “RODE” enorme e Grey puxou a alavanca o primeiro caiu em um trevo, o segundo em uma moeda e o terceiro em uma carinha triste.

─ Tente de novo ─ Pedi, ele fez que sim com a cabeça. Colocou outra ficha e puxou a alavanca, o resultado deu no mesmo só que em ordem contrária. Uma senhora de 40 anos, se sentou a duas cadeiras da gente e nos encarou.

─ É a primeira vez de vocês aqui? ─ Disse nos observando.

─Mais ou menos ─ Respondi dando de ombros.

─ Quantas fichas já perderam? ─ Olhou para Grey que puxava pela terceira vez.

─Agora? Três ─ Disse ele encarando a maquina dando um resultado ruim.

─ Bem, vai precisar de mais sorte. Essas máquinas gostam de roubar ─ Disse puxando a alavanca da sua maquina. Dois trevos e uma carinha apareceram.

─ E ainda assim joga? ─ Perguntei olhando para ela.

─ Vícios de uma velha senhora ─ Disse dando de ombros.

Olhei para a quantidade de fichas que ainda tínhamos e suspirei, Grey puxou pela 4º vez e dois $ apareceram, mas o terceiro foi uma carinha triste.

─ Essa foi perto ─ Disse ele colocando as mãos nas coxas e encostando as costas na cadeira.

─ Tente todas as fichas ─ Falei, tanto ele quanto a mulher olharam para mim surpresos. ─ Vai que assim vai.

─ Eu não apostaria nisso ─ Disse a Senhora, dei de ombros e coloquei minha mão esquerda no ombro do meu irmão.

─ Eu acredito em você ─ Ele fez que sim com a cabeça e colocou o resto das fichas na máquina, respirou fundo e puxou a alavanca, ele inclinou o seu corpo para frente e colocou suas mãos na lateral da tela.

─ Vamos lá belezinha ─ Disse em forma de prece. Por um momento ficou girando sem parar até que o primeiro parou, logo o segundo e o terceiro. Todos em $. Um grande apito começou a soar e por um momento pensei que tínhamos sido pegos, mas era apenas o barulho da máquina apitando que tinha um vencedor. ─ ISSO GAROTA ISSO!!!!

Meu irmão e eu nós abraçamos de felicidade quando vimos a quantidade do premio. 1 milhão de S’s. As pessoas do cassino bateram palmas para nós, e depois de uns 15 minutos, conseguimos pegar um cheque com o gerente do cassino. Grey me deu o cheque e guardei no bolso da jaqueta.

Saímos de toda aquela zona e acenamos para um taxista, que nós levou para casa. Entramos de mansinho e a primeira coisa que fui fazer foi ver se Sora ainda estava dormindo e felizmente estava. Acenei para Grey entrar no quarto, ele passou direito para o banheiro para tomar um banho e eu troquei de roupa, olhei para a garota que estava dormindo pesadamente na cama e toquei seu rosto com a costa da minha mão.

Tirei o celular da calça e olhei as horas, 2 da manhã da quinta-feira. Arrumei a cama debaixo para mim e me deitei. Grey demorou alguns minutos para sair, deu um aceno para mim, desligou a luz do quarto e foi para a sala dormir. Amanhã teria que acordar antes de Sora para realizar os meus planos.

Senti alguém me cutucando e abri os olhos, demorei alguns segundos para reconhecer o rosto de Grey a minha frente, sentei na cama e esfreguei os olhos.

─ Nós vamos ou não no banco? ─ Sussurrou ele, fiz que sim com o polegar e me levantei da cama, olhei para Grey que estava só de cueca e balancei a cabeça, ele olhou para baixo e sorriu com vergonha. ─ Foi mal. Pode ir tomar banho, acabei de sair de lá.

─ Tá ─ Sussurrei, peguei as mesmas roupas de ontem e entrei no banheiro, tomei um bom banho e escovei os dentes. Penteei o cabelo e me certifiquei que Sora ainda estava dormindo. Ela era tão bonitinha daquele jeito sereno, toquei seu rosto com a minha mão esquerda e beijei a sua testa. Percebi que Grey estava na porta me esperando e olhando toda aquela cena. Me afastei e sai do quarto, passando por ele e abrindo a porta da casa, Grey seguiu meus passos em silencio e assim foi por todo o caminho até o banco.

Entramos no banco e nos dirigimos para um atendente que estava em uma mesa, deu um sorriso para nós e antes que ele falasse, tirei o cheque do bolso e coloquei em cima da mesa.

─ Queria fazer o depósito disso em duas contas ─ Falei. Ele abriu um sorriso maior ainda e acenou para que fossemos para uma sala privada. Olhei para o rapaz de cabelos curtos castanhos e a sua roupa pomposa de trabalho.

─ Bem, em quais contas você deseja realizar o depósito da quantia? ─ Disse se sentando na frente de um computador.

─ 500 Mil nessa conta ─ Digo entregando o meu cartão de crédito, ele pegou e começou a fazer o deposito que demorou alguns minutos, entregou o recibo e o cartão para mim e guardei no bolso da jaqueta. ─ E os outros você deposita na conta dele.

Ele olhou para Grey que estava ao meu lado dando um sorriso sem graça e levantei minhas sobrancelhas.

─ Eu não tenho uma conta ─ Disse rapidamente, balancei a cabeça e revirei o olhos.

─ Pensei que já tinha feito uma quando foi aceito no emprego.

─ Não tive tempo, sem dizer que eu não sabia como ─ Disse coçando a nuca.

─ Ah, não tem problema senhor, posso criar uma conta agora e realizar o seu deposito. O seu cartão chegara em sua casa em poucas horas ─ Disse o atendente.

─ Então tudo bem ─ Grey deu um sorriso para ele e o Rapaz começou a fazer o seu trabalho. Sentei na cadeira e Grey fez o mesmo ao meu lado. O atendente digitava e mexia no mouse rapidamente e eu percebia que Grey estava louco para por as mãos no computador e resolver aquele problema, seus dedos não paravam de tamborilar sobre a sua perna.

Depois de longos 7 minutos o rapaz deu um suspiro aliviado e imprimiu o comprovante. Entregou para Grey que olhou para o papel com as sobrancelhas em pé. O rapaz explicou qual dos números era a sua conta, agencia, e o dinheiro na conta, o que não era muito difícil de entender, mas meu irmão aceitou a ajuda dele sem reclamar.

─ Só isso senhores? ─ Perguntou ficando de pé e juntando as mãos, olhou para nós dois com uma carinha feliz e concordamos com a cabeça. ─ Bem, nossa agencia agradece pela confiança e esperamos que tenham gostado do atendimento.

─ Ah sim, foi ótimo ─ Disse meu irmão fazendo um sinal de ok e começando a andar.

─ Obrigada ─ Falei dando um aceno para o rapaz que retribuiu o aceno. Segui Grey para fora do banco e paramos na calçada.

─ E agora o que você vai fazer? ─ Perguntou olhando para o movimento na rua, que estava razoavelmente calmo.

─ Ir me matricular em uma escola nova ─ Falei dando um sorriso de canto, ele balançou a cabeça negativamente e sorriu. ─ E você?

─ Vou dar uma olhada no apartamento, acho que vou comprar alguns moveis novos ─ Disse colocando a mão no queixo, deu uma piscada para mim ─ Agora tenho dinheiro.

─ Olha aí ─ Bati no ombro dele sorrindo. ─ Antes estava reclamando.

─ Fazer o quê? Estava com medo de ser preso ─ Disse levantando as mãos e sorrindo.

─ Sei ─ Sorri e começamos a andar até a esquina da rua. ─ Vou indo, quando eu terminar e ainda estiver no apartamento, me ligue, quero dar uma olhada.

─ Pode deixar ─ Falou bagunçando os meus cabelos. Dei um soco no seu braço e ele se afastou andando no caminho contrario ao meu. Caminhei pelas ruas calmamente, olhando para as lojas de roupas e sapatos, comprei umas rosquinhas no caminho, pois não tinha tomado café ainda.

Após andar por vários minutos, finalmente cheguei à rua da escola. Parei na frente do seu portão de ferro fechado e encarei a enorme escola a minha frente. A High Royal, a melhor escola da cidade. Olhei para os lados a procura de um outro portão e não achei nada, além do enorme muro.

─ Por onde diabos eles pensam que as pessoas que não estudam vão entrar? ─ Falei batendo o pé e saindo da frente do portão. Parei de andar quando achei um lugar ideal para subir no muro. Dei dois passos para trás e corri, meus pés atingiram a parede um trás do outro e segurei a beirada do muro, puxei o meu corpo para cima, fiquei sobre os braços me joguei para frente, pousei abaixada sobre a grama, olhei em volta e arrumei as minhas roupas.

Vi alguém me olhando pela janela do 1º andar e dei um aceno com a cabeça, a garota me encarou por um momento e virou o rosto.

─ Que seja ─ Dei de ombros e andei até a entrada do prédio. Entrei e passei a mão no cabelo, peguei o corredor a esquerda e acabei entrando no refeitório, a mulher da lanchonete olhou para mim em duvida e acenei. ─ Sabe onde fica a diretoria?

─ Ah sim, fica no 3º andar ─ Disse a mulher.

─ Valeu ─ Agradeci e voltei pelo mesmo corredor, subi as escadas e cheguei ao terceiro andar, olhei para o numero nas salas e comecei a andar pelo corredor, parei quando vi um corredor surgindo a direita e inclinei a minha cabeça, consegui ver uma porta dupla de madeira vermelha, havia uma pequena placa dourada ao lado, indicando que era a diretoria. ─ Achei.

Fui até lá com passos rápidos e bati na porta, não recebi nenhum convite e bati novamente. Escutei o barulho de cadeiras arrastando e logo em seguida a porta se abriu. Meus olhos se encontraram com de uma estudante de cabelos pretos, mas alta do que eu e ela deu uma piscada para mim. Cerrei as sobrancelhas sem entender e olhei para trás, a diretora estava arrumando a saia, que estava para o lado e inclinei minha cabeça para o lado, dando um risinho. Surprise, surprise!!

─ Bom dia ─ Disse a mulher que supus ser a diretora. ─ Em que posso ajuda-la?

─ Bom dia ─ Cumprimentei tentando não soltar nada engraçadinho, aproximei-me da sua mesa e sentei na cadeira a sua frente. ─ Bem, eu queria fazer a minha matricula aqui.

─ Nessa época do ano? ─ Disse colocando as mãos na mesa.

─ É, do que vou precisar? ─ Perguntei olhando para os seus olhos verdes.

─ Bem, já que insiste ─ Dei de ombros e olhou para os meus cabelos. ─ Sua documentação em geral, os dados dos poderes, ou dinheiro.

─ Eu tenho todos aqui ─ Falei dando um sorriso, ela me deu um olhar surpreso e esperou, coloquei a documentação sobre a mesa, ela conferiu e abriu a boca.

─ Você não tem poderes?

─ Não. Ainda não ─ Menti descaradamente com um balançar de ombros. ─ Mas tenho dinheiro, acho que dá para realizar a matrícula.

─ Humm, certo ─ A mulher de cabelos loiros pegou um bloco de papel e me entregou. ─aqui está a quantia da mensalidade e os dados que você deve preencher.

─Uoh, 25mil S’s?? ─ Fiquei surpresa com a quantia da mensalidade. Ela fez que sim com a cabeça. ─ Vem incluso pelo menos o uniforme?

─ Claro ─ Disse cruzando os braços. Olhou para mim com um sorriso de deboche no rosto e eu encarei ela em desafio. ─ Então?

─ Vou querer mesmo assim ─ Confirmei. Ela fez confirmou com a cabeça, me entregou uma caneta e eu comecei a preencher os meus dados. Assinei onde tinha que assinar e quando terminei segurei a papelada nas mãos. ─ Ah sim, então se eu pagar todas as mensalidades até a formatura vai ser 150 milS’s?

─ Sim.

─ Ok. Você aceita cartão? ─ Perguntei tirando o meu cartão do bolso.

─ Só em debito.

─ Tá ─ Estiquei minha mão na sua direção e antes que ela pegasse puxei de volta. Ela me olhou sem entender. ─ é o seguinte. Você conhece Sora Akibara, certo?

─ Sim ─ Disse se sentando direito na cadeira.

─ Quero fazer o mesmo acordo que ela fez com a senhora, a respeito das faltas e estudar na mesma sala que ela─ Falei cruzando os braços.

─ Receio que não sei qual é esse acordo ─ Disse.

─ E eu não sei o que você e aquela estudante estavam fazendo ─ Falei rapidamente, os olhos da diretora se cerraram e flexionou o maxilar. ─ Olha, eu não queria falar nada, mas veja, vamos fingir que nada disso aconteceu, certo? Ofereço a você 152 mil S’s, pela mensalidade, o direito as faltas e as provas. Que tal?

─ Fechado ─ Disse rapidamente, dei um sorriso para ela e ela ainda estava com o maxilar trincado. Entreguei a documentação e o cartão, verificou se estava tudo Ok e passou o cartão na maquina. Entregou-me o recibo de pagamento depois de 2 minutos e depois um panfleto. ─ Entregue isso na loja de roupas na esquina, eles vão lhe dar um uniforme, agora saía daqui.

─ Foi um prazer fazer negócios com a senhora também ─ Acenei para ela e sai da sua sala. Desci as escadas rapidamente e saí do prédio, um homem de moletom abriu o portão para mim e eu fui até a loja na esquina. Entreguei o panfleto e eles procuraram um uniforme que coubesse em mim, vesti a saia e a camisa social, olhei no espelho e sorri, aquela roupa era bonita demais pra mim. Depois vesti o uniforme de educação física e ficou estranhamente bem em mim. Peguei as roupas e mandei uma mensagem pra Grey, que rapidamente me respondeu.

Olhei no relógio, 10:20 da manhã. Fiz o meu caminho para o novo apartamento de Grey e demorei mais do que eu previa para achar o prédio. Era um de 7 andares, de cor bege com azul escuro, entrei na recepção e uma mulher de cabelos curtos pretos me cumprimentou.

─ Em que posso ajuda-la?

─ Procuro o meu irmão, Grey ─ Falei, ela fez um sim com a cabeça e deu um sorriso.

─ O apartamento dele fica no segundo andar, numero 4 ─ Disse apontando para o elevador.

─ Obrigada ─ Dei um sorriso e me dirigi até onde ficava as escadas. Elevador iria demorar muito, subi os degraus rapidamente e entrei no corredor. Olhei para esquerda e vi a porta com o numero 4 nela. Fui até lá e bati na porta.

─ Já vou! ─ Escutei a voz do meu irmão e ele abriu a porta. ─ Pensei que tinha se perdido.

─ Pensou certo ─ Digo entrando no seu apartamento. Era bem grande, maior do que o de Sora por sinal. A sala tinha dois sofás e uma televisão. Havia uma porta que parecia levar para um banheiro. ─ Bem grande, hein?

─ Em comparação o de Sora é ─ Disse sem graça. Guiou-me até uma porta mais a direita, era o seu quarto, havia apenas o guarda-roupa e um banheiro. ─ A cozinha fica ali.

A cozinha dele era bem arrumada, com armários de ferro e uma mesa de madeira no centro, um balcão separava a mesa, da pia e o lugar onde supostamente deveria ter um fogão e uma geladeira.

─ Acho que vai ter que comprar algumas coisas ─ Falei.

─ Verdade, mas já encomendei umas coisas, vão chegar agora à tarde ─ Disse se apoiando no balcão.

─ Mas já? ─ Perguntei surpresa.

─ Aham. Ter dinheiro faz toda a diferença ─ Deu um sorriso e acenou para irmos para a sala.

─ Comprou o que? A geladeira, fogão?

─ E uma cama, não se esqueça da cama ─ Sentou no sofá e deu um tapinha ao seu lado. ─ Não aguento mais dormir em um sofá.

─ Imagino ─ Falei sentando ao seu lado. Olhei em volta e suspirei. ─ é, parece ser um lugar bem aconchegante.

─ Uhum ─ concordou e relaxou no sofá, olhou para a sacola que eu tinha deixado ao lado da porta. ─ Sua farda?

─ Yeah. Tem algum problema de você me entregar depois?

─ De boa ─ Deu de ombros e cruzou as pernas. ─ Não quer que Sora descubra?

─ É ─ Sussurrei olhando para os meus tênis. Ficamos sem dizer algo por um bom tempo, quando ia dizer que estava na hora de ir, ele fala.

─ Mana ─ Começou a dizer, olhei para ele e esperei. ─ Qual a relação entre você e a Sora?

─ Minha e a dela? ─ Perguntei ainda raciocinando a pergunta.

─ É, tipo, como se conheceram, como chegaram onde estão agora. Tipo vocês estão namorando, certo? ─ Abri minha boca e fechei-a, não sabia como reagir àquelas perguntas, mesmo sendo bem obvias. Cocei minha cabeça e olhei para os meus pés.

─ Bem, para começar.... conheci ela em uma guerra.

─ Sei a guerra entre gangues do qual ouvi falar?

─ Aham, fui contratada pelo Rider para matar ela, e bem não foi exatamente como eu tinha planejado.

─ Como assim? ─ Disse olhando para o meu rosto.

─ Quando cheguei no lugar da bagunça, ela já tinha eliminado quase todo mundo e estava lutando e apanhando para uma dupla de caras. Na minha cabeça tinha apenas uma missão, eliminar Sora, mas eu não poderia fazer isso com aqueles dois caras. E bem, foi ai que começou a lutar entre nós quatro. O Resultado foi que a Sora se feriu na coxa, os dois caras morreram e eu ganhei essa pequena cicatriz ─ Falei levantando a minha camisa e mostrando a cicatriz que cortava quase toda a minha barriga.

─ Humm ─ Grey deu um olhar que não soube decifrar. ─ E o que houve?

─ Bem, eu usei as minhas ultimas forças para atacar ela e ela a mim, resultado foi que eu perdi.

─ E como você se apaixonou por ela?

─ Como assim? ─ Perguntei surpresa com a pergunta super direta. ─ Ah sei lá.

─ Como assim não sabe? ─ Disse se sentando de lado e ficando de frente para mim, olhei para os seus olhos castanhos e suspirei.

─ OK. Talvez tenha sido quando ela me pegou e me levou para um hospital. Você não vê inimigos fazendo isso com outros inimigos. E bem, sei lá, no começo eu era desconfiada, não acreditava que ela de todas as pessoas iria me levar para um hospital, pagar pela minha saúde, não depois do que eu tinha feito.

─ Você acha que ela já gostava de você antes?

─ Ah não. Isso não.

─ Certeza?

─ Não é 100%, tá mais pra 40% ─ Respondi e passei a mão na nuca. ─ E Grey, o que você pensaria se alguém fizesse isso por você e nunca pedisse nada?

─ Não sei. Eu a agradeci por ter me salvado, mas sei que nunca vai ser o suficiente ─ Disse colocando a mão na coxa.

─ É, e tipo, além de cuidar de mim, sem pedir nada em troca, ela me deu um lugar para dormir, me deu comida, um lugar relativamente seguro para se voltar no final de um dia de merda. Não sei, deve ter sido essa bondade toda que me fez gostar dela, o seu jeito malandro e o seu heroísmo.

─ Acho que te entendo ─ Disse cruzando os braços.

─ Sem dizer que ela é super sexy com aquelas tatuagens ─ Falei dando um sorriso.

─ Nisso eu tenho que concordar ─ Ele sorriu e dei um tapa no seu braço. ─ Foi mal.

─ Enfim, Sora é estranha. Ela tem esse jeito dela de mostrar que não se importa com ninguém, quando na verdade se importa. Seus olhos cinzas que demonstram calma, mas que escondem um cansaço a todo o tempo. Sabe, Grey, não sei exatamente o que me fez gostar dela.

─ Hummm. Então quando percebeu que ela gostava de você? ─ Mudou a pergunta.

─ Isso tá me soando um interrogatório ─ Cruzei os braços, ele apenas levantou as sobrancelhas em espera. ─ Certo. Ok. Eu tinha as minhas suspeitas desde quando ela me levou para a sua casa. Ela não tentou nada comigo, mas impôs algumas regras que eu deveria seguir para ficar ali. E a maioria delas pediam que eu fosse fiel a ela. Mas acho que nem foi mesmo isso. Sora não é uma pessoa fácil de ler.

─ Sei disso, as vezes nem sei o que ela faz na maioria do tempo─ Falou olhando para o lado.

─ Mas veja, quando Rider descobriu que eu não tinha matado ela, ele enviou alguns capangas para nos caçar, e bem, foi numa dessas que Sora literalmente explodiu de raiva. E eu nunca a tinha visto ficar assim.

─ E o que a fez ficar assim? ─ Agora ele estava com um olhar curioso.

─ Bem, para resumir eu levei uma surra na sua frente ─ Grey fez um “UHH” sem som e eu dei um riso nervoso. ─ Pois é, a cena que se seguiu não foi nenhum pouco bonita. Já viu aquelas cenas de filme de vampiro quando um cara arranca o coração de outro?

─ Espera, ela arrancou o coração do cara? ─ Disse chocado.

─ Não, não. Mas foi quase isso. Ela bateu varias vezes nele sem parar, e quando sua mão atravessou a sua costela e explodiu o seu coração com eletricidade, fazendo sangue espirrar em toda parte, eu fiquei em choque literalmente. Aquilo era demais para mim. Eu não conseguia me mexer direito. E depois disso ela agiu como se nada tivesse acontecido, apenas me pegou no colo e me levou para casa, cuidou dos meus ferimentos e foi tomar um banho.

─ Nossa.

─ Pois é. Só depois fui perceber que aquela não era a Sora normal, porque ela não gostava de matar as pessoas, não brutalmente assim pelo menos, que ela ficou um pouco chocada consigo mesma, mas que preferiu deixar isso em segredo. E foi ai que percebi que ela gostava de mim, mas do que uma amiga ou irmã.

─ Mesmo ela sendo considerada uma assassina?

─ Olha, com quem você acha que está falando? Você acha que eu já matei quantos enquanto estava preso? Nossa Grey, eu já perdi as contas. Não que eu goste, mas fiz isso porque era trabalho e porque eu precisava para sobreviver, com Sora não é diferente. Ela me apoiou e me ajudou a resgatar você, mesmo depois de dizer que a minha missão era mata-la e de eu não ter contado parte da minha historia. Isso é muita coisa Grey. E eu não sou muito diferente dela.

─ Humm.

─ Quando ela me contou que fazia as coisas que faz por causa de uma divida de seu pai, eu aceitei sem problemas. Mas fiquei com muita raiva em saber que ela não confiou em mim para ajuda-la em uma missão, que por acaso foi uma péssima missão. E que tirando o fato de eu já estar com raiva dela, ver aquele agentes batendo nela, fez algo dentro de mim disparar e eu quase matei eles, teria conseguido se ela não tivesse impedido.

─ Humm ─ Ele estava olhando para o chão agora. Olhei para o seu rosto pensativo e cruzei os braços.

─ Vai ficar só dizendo “Humm” depois de me fazer responder todo esse interrogatório? ─ Digo levemente com raiva.

─ Humm? ─ Disse dando um sorriso de desafio, cerrei os meus olhos e ele levantou as mãos. ─ Ok, ok. Olha, acho que te entendo. E dou super apoio a esse namorico de vocês. Ela pelo menos de chamou para sair? Ou vocês pularam isso noite passada?

─ O QUÊ??!!

─ A qual é, você acha que eu não ouvi o que vocês estavam fazendo de madrugada? A parede não é tão grossa assim.

─ Espera, o quê?? ─ Meu rosto estava pegando fogo, flexionei o meu maxilar com vergonha e com raiva pelo comentário infeliz, Grey riu alto e se afastou de mim rapidamente. ─ Ora seu...

─ Ainda me pergunta porque quero morar em outro apartamento, onde já se viu isso? ─ Grey correu para a cozinha e fui até lá.

─ Ora seu ..... ─ Tirei o meu tênis e taquei nele. ─ Vai me pagar por isso.

─ Opa, opa ─ Disse desviando do tênis e correu na minha direção, me derrubou no chão e segurou minhas mãos. ─ Calma tigresa, não destrua o apartamento que mal ajeitei. ─ Fiquei imobilizada por um momento e bati no chão.

─ Tem sorte que eu estou boazinha hoje ─ Comentei me soltando dele e sentando no chão. Ele deu um sorriso de ponta a ponta e passou a mão nos cabelos.

─ Eu sei disso ─ Grey estava se divertindo com tudo aquilo, olhou nos meus olhos e disse. ─ Mas serio, mesmo vocês tendo pulado algumas etapas, ainda acho que deveriam sair em um encontro.

─ Tá, vou jogar a ideia para ela ─ Falei cruzando os braços e fazendo bico.

─ Ah e tem a minha permissão, tá? ─ Disse ficando de pé e estendendo a mão para mim.

─ Permissão? Quem você acha que é? Que eu saiba eu que cuido de você e não o contrário ─ Falei indignada e aceitando a sua mão.

─ Mas sou o irmão mais velho então não importa ─ Deu de ombros e revirei os olhos.

─ Nem vou mais discutir ─ Desisti e passei a mão pelos cabelos, colocando-os em ordem. Tirei o celular do bolso e olhei as horas 12 hrs. O tempo tinha passado em um piscar de olhos. ─ Nossa já está tarde.

─ É, eu percebi isso quando minha barriga roncou, enquanto contava sua vida amorosa ─ Lancei um olhar de raiva e ele levantou as mãos. ─ Tá bom, parei.

─ Ótimo, se não da próxima vez te quebro no meio ─ Falei pegando o meu tênis no chão e colocando no pé. ─ Vou voltar para casa. E você?

─ Vou almoçar por aqui ─ Respondeu se apoiando no balcão ─ até porque não sei que horas vão vim deixar os moveis.

─ Entendo. Vou indo então ─ Andei até a porta e a abri, acenei para ele . ─ Se o seu cartão chegar eu guardo para você.

─ Por favor!

─ Até depois irmão ─ Falei e sai do seu apartamento. Grey era uma peça.

Andei pela calçada calmamente e durante todo o caminho pensei apenas na estranha conversa que tive com Grey. Qual era o motivo de eu ter realmente me apaixonado por Sora? E qual foi o dela? Parei na frente do prédio e cocei a cabeça, não tinha percebido que tinha chegado tão rápido. Subi os degraus da entrada e entrei na recepção, Senhor Filips deu um aceno para mim.

─ Avise a Sora que está na hora de ela pagar o aluguel ─ Disse.

─ Vou falar ─ Confirmei e entrei no elevador. Apertei o numero 3 e elevador subiu. Em poucos segundos entrei no corredor e entrei no apartamento. Olhei para a sala e a cozinha, não havia ninguém. Olhei para a porta do quarto que estava aberta e fui até lá. Sora não estava na cama, caminhei até a porta do banheiro que estava aberta e a vi parada na frente do espelho. Apenas de calcinha e sutiã pretos, suas tatuagens estavam totalmente a amostra, olhei para a sua barriga e vi um hematoma roxo, engoli em seco e ela se mexeu.

─ Pensei que você iria dar uma de enfermeira para cima de mim ─ Disse ela virando o rosto e olhando para o corte na sua boca.

─ Tive que sair rapidinho ─ Falei sem jeito olhando ela a minha frente.

─ Sei ─ Ela pegou um gel e passou nas suas costelas da direita e sua barriga, pegou uma pomada branca e passou na sua testa. Virou o rosto de um lado para o outro e suspirou. ─ Meu nariz está torto.

─ Está mesmo ─ Concordei olhando para o seu reflexo. Ela respirou fundo e colocou as mãos no nariz, e a próxima coisa que ouvi foi um estalo do osso voltando ao lugar, ela deu um chiado e limpou a linha de sangue que tinha escorrido. Pegou atadura e começou a enfaixar o seu tórax e a sua barriga, prendeu a beira com esparadrapo e lavou as mãos na pia.

─ Acho que assim está melhor ─ Comentou se olhando no espelho, concordei em silencio e ela inclinou o rosto na minha direção. ─ Você é uma droga como enfermeira.

─ Ah nem vem, eu limpei as suas feridas ontem ─ Falei cruzando os braços.

─ Se você diz ─ Falou dando de ombros, passou a mão pelos cabelos e olhou de canto para mim. Minha nossa como ela era bonita, pensei. Ela levantou uma sobrancelha e me olhou de canto. ─ Vai ficar ai me encarando?

─ Hã? ─ Pisquei voltando a realidade, ela revirou os olhos e virou o seu corpo na minha direção, ficando de frente. Diminuiu o espaço entre nos em um piscar de olhos e tocou o meu rosto com a sua mão. Inclinou-se e senti o cheiro de pasta de dente.

─ Se quiser me tocar, fique a vontade ─ Sussurrou, provocando arrepios no meu pescoço, colocou minha mão na sua cintura e deu um sorriso de canto. ─ Afinal, quem foi que disse que esse corpo era seu?

Demorei alguns décimos de segundos para raciocinar o que ela tinha dito e a única reação que consegui dar antes de ser agarrada foi um sorriso de canto.

Sora me levantou do chão e minhas pernas automaticamente envolveram a sua cintura, suas mãos seguraram a minha coxa e a próxima coisa que senti, foi a parede a minhas costas. Seus lábios se juntaram aos meus e ela me deu um beijo de tirar o folego. Coloquei minhas mãos no seu pescoço e mordi o seus lábios, ela deu um risinho e segurou as minhas costas.

Rodamos pelo quarto, eu estava imersa em nosso beijo, Sora me colocou sobre a mesa da cozinha e tirou a minha jaqueta. Puxou os meus tênis e olhou para o meu rosto, parecia que ela estava vendo através de mim, seus olhos estavam trocando de cores repetidamente. Deu um sorriso de canto e se inclinou na direção do meu pescoço, virou o meu rosto de lado e beijou minha bochecha, sua língua tocou minha orelha e soltei um risinho, lambeu meu pescoço e um arrepio percorreu todo o meu corpo quando sua boca tocou minha tatuagem.

Engoli em seco e pisquei rapidamente, olhei em volta e as luzes estavam piscando, os olhos dela estava completamente azuis, mas parecia que ela não estava prestando atenção que estava liberando o seu poder. Os pelos do meu corpo estavam arrepiados por causa da sua eletricidade, era um pouco intimidador, mas aquela sensação era muito melhor do que qualquer coisa.

Agarrei o seu rosto e trouxe a sua boca para mim. Consegui sentir o gosto da pasta de dente, e nunca tinha percebido como aquele gosto era bom. Sora se afastou de mim bruscamente e olhei para ela sem entender. Levantei minhas sobrancelhas e ela segurou minha blusa e a rasgou no meio.

─ Eu gostava dessa blusa ─ Comentei, ela deu de ombros e levantou minhas costas. Os olhos dela me observavam atentamente, como se não quisesse perder nenhum detalhe do que estava acontecendo. Puxou minhas calças e as jogou no chão. Minhas pernas estavam em volta do seu corpo, ela me empurrou gentilmente para trás e beijou o meu pescoço, suas mãos soltaram o meu sutiã, e sua boca começou a descer ainda mais.

Sua língua tracejou um caminho desde o meu pescoço até os meus seios, o seu toque era gentil e ao mesmo tempo exigente. Parecia que ela estava sedenta e que eu era a água que iria matar a sua sede. Massageou meus seios com a sua mão livre, enquanto a outra tocava as minhas coxas. Não consegui reagir, apenas queria que ela me tomasse ali mesmo. Colocou sua boca no meu peito e começou a fazer movimento em círculos, soltei um gemido baixinho e ela deu um sorriso rápido.

Ficou me explorando um pouco ali e beijou os meus lábios, seu corpo ficou grudado ao meu, senti o seu coração batendo fortemente sobre mim, sua pele estava quente, colocou o seu rosto no meu pescoço e senti a sua respiração pesada.

─ Eu compro uma loja inteira para você se quiser ─ Sussurrou, sua voz estava rouca e extremamente sexy. Minhas mãos tocaram a sua costa, e mesmo com as ataduras impedindo o toque na sua pele nua, já me bastava. Pressionei meus lábios contra os seus, e a sua língua invadiu minha boca, ela rondou todos os cantos que alcançava e se afastou, respirou fundo e me senti nadando em um oceano quando encarei os seus olhos azuis.

Suas mãos desceram e tirou a minha calcinha. Fez um caminho com a sua boca lentamente até a minha virilha e percebi o quanto que eu estava suada. Tentei segurar a borda da mesa, mas estava exatamente no meio dela. Sora abriu minhas pernas gentilmente e beijou a parte de dentro da minha coxa, meu corpo começou a tremer, não consegui ver os seus olhos e mordi o canto da minha boca.

Prazer. Foi isso que eu senti quando a sua língua me tocou. Um grande e enorme prazer percorreu todo o meu corpo. Procurei algo para segurar em vão e fechei os olhos. Sua língua dançava dentro de mim e eu gemi em voz alta. Quase pude ver o sorriso que ela supostamente estava no rosto agora. Ela continuou a me torturar ali por mais tempo do que eu conseguia contar.

─ Minhas....nossa ─ Consegui dizer quando senti que uma onda tinha me atingido, e antes que eu conseguisse terminar a frase, tive um orgasmo. Sora deu uma risada baixinha e continuou o trabalho ali até quando senti que estava basicamente seca. Meu corpo estava exausto, ela se levantou e olhou para o meu rosto. Havia um brilho nos seus olhos e tomou-me em seus braços, me carregou até a cama no quarto e se deitou sobre mim.

Colocou o seu rosto no meu pescoço, nossa respiração estava ofegante, senti o cheiro do seu cabelo que tinha sido recém lavado, virei o meu rosto um pouco e pude sentir o cheiro da sua pele, lembrava-me a baunilha. Ali eu me sentia completamente segura em baixo de seus corpo, ela respirou profundamente e cheirou a minha pele.

─ Agora é minha ─ Disse com a voz ainda roca. Olhei para ela com as sobrancelhas levantadas e ela me deu um enorme sorriso. O mais lindo e o melhor que já a tinha visto dar, meu coração deu um salto e eu escondi o meu rosto em seus cabelos negros. Ela começou a rir, uma risada suave e engraçada por causa da sua voz.

Abracei o seu corpo contra o meu e toquei as suas tatuagens no braço, ela ficou me observando fazendo isso com um olhar alegre, e dei um sorriso de canto.

─ Começo a perceber que você se amarra nas minhas tatuagens ─ Disse segurando o riso.

─ Ah, elas são lindas ─ Falei ficando sem graça, ela me encarou com grandes olhos cinzas e sorri. ─ Você é demais, sabia?

─ Sabia ─ Concordou e nós duas caímos na risada. Ficamos abraçadas por um bom tempinho, até que a minha barriga roncou e Sora levantou a cabeça e olhou para mim, abriu a boca para falar algo e eu levantei o dedo. Ela fechou a boca e se levantou de mim.

─ Vá tomar um banho ─ Disse saindo da cama e indo até o guarda roupa, tirou uma camisa branca e a vestiu. Saiu do quarto e quando voltou, trouxe nos braços as minhas roupas. Jogou-as em cima de mim e inclinou a cabeça. ─ E quando terminar leve as roupas para lavar. Vou preparar algo para almoçarmos.

─ Ah, sua chata! ─ Exclamei sentando na cama, ela deu uma piscada e se virou. Peguei roupas limpas e fui para o banheiro. Tomei um longo banho, lavei os cabelos e passei sabonete por todo o meu corpo, ainda conseguia sentir o toque dela sobre mim. Fechei os olhos e deixei a agua me envolver. Enxuguei-me na toalha e vesti minhas roupas limpas. Peguei o cesto de roupa suja e as que estavam na cama, sai do quarto e um cheiro delicioso tomou conta do meu olfato. Sora estava mexendo em uma panela de molhos vermelho. ─ O que é isso que esta fazendo?

─ Uma coisa que Logan me ensinou no trabalho ─ Disse, levantei a sobrancelha em duvida, pois não conhecia esse tal de Logan, ela deu um pequeno sorriso e explicou. ─ Ele é o outro cozinheiro do restaurante. Disse que estava pensando em colocar isso no cardápio.

─ Ah sim, pelo cheiro, super concordo em colocar isso no cardápio ─ Falei fazendo um sim com a cabeça, ela sorriu e eu levei as roupas para a área de serviço, separei as roupas por cores e coloquei-as na maquina de lavar. Demorei um pouco para finalmente terminar todas as roupas, mas foi o tempo exato para Sora terminar de preparar a comida. Entrei na sala e olhei para a mesa que já estava servida.

Havia uma bandeja de vidro retangular com uma espécie de macarronada a ketchup, Sora acenou para me sentar e puxei a cadeira. Ela pegou um prato e me serviu, colocou o prato a minha frente e percebi que não era macarrão.

─ Isso é arroz? ─ Perguntei surpresa.

─Yep. Arroz, frango, molho ─ Disse colocando um pouco em seu prato, sentou ao meu lado e passou um garfo para mim. ─ Prove.

Coloquei um pouco na boca e uma explosão de sabor aconteceu na minha boca.

─ Isso é uma delicia ─ Exclamei surpresa. ─ Qual é o nome?

─ Bem, ele se chama arroz de frango ao forno ─ Respondeu sorrindo, colocou um pouco na boca e a vi ficando surpresa com a própria comida. ─ Uohh, foi eu mesmo que fiz isso?

─ Eu tenho as minhas duvidas ─ Falei apontando o garfo para ela e dei uma piscadinha. Coloquei mais um pouco na boca e me deleitei com o sabor. Realmente estava ótimo.

Não sei dizer se foi porque estávamos realmente com muita fome ou se comemos tudo apenas por gula. Limpamos a mesa, e fomos lavar a louça, eu lavava e Sora enxugava e guardava a louça no armário. Quando terminamos, ficamos no sofá assistindo televisão, assistimos as noticias no jornal, onde uma das principais matérias era sobre o assalto que a Sora tinha cometido um dia antes, e sobre os comentários da população. Depois só assistimos filmes a tarde inteira.

Estávamos no 3º filme, um que era da 2º guerra mundial, Sora não despregava os olhos da Tv. Cocei minha cabeça e lembrei do que Grey tinha dito a respeito de termos pulado algumas etapas e suspirei. Será que eu deveria falar que deveríamos ir ao um encontro? Aquilo soava patético até mesmo para mim. Olhei para Sora de perfil e sorri, mas seria divertido ver como ela reagiria em um encontro.

─ Ei Sora ─ Comecei a falar, ela mexeu as orelhas e levantei minhas sobrancelhas. ─ O que você acha..... de sairmos em um encontro?

Ela virou o rosto para mim e me olhou com surpresa, seus olhos olharam para mim em duvida e quase pude ler o que se passava na sua mente. “Serio? Um encontro agora? Depois de tudo que já fizemos?”

─ É, eu sei, é ridículo ─ Concordei revirando os olhos, ela ficou ainda me observando e eu dei de ombros. ─ Mas pense por esse lado. Seria divertido.

─ Humm ─ Disse cruzando os braços e olhou para o chão, balançou os ombros ─ é pode ser.

─ Pode? ─ Perguntei já feliz. Ela sorriu com isso e coçou a cabeça.

─ Aham, escolha o dia.

─ Amanhã a noite ou Sabádo? ─ Sugeri, ela deu de ombros.

─ Então vai ser amanhã ─ Decidi dando uma batidinha na sua coxa esquerda.

─ Tudo bem ─ Ela deu um sorriso e voltou a assistir o filme.

Depois disso não falamos muita coisa. O celular dela vibrou e ela o ligou, era uma mensagem. Abriu a mensagem e quase perguntei quem era Cloe, mas fiquei quieta, já que com certeza percebeu que eu estava vendo.

“Ei Sora, ficou sabendo que Dana e Beatrice, lutaram contra a Lightning Hunter?”

“Sim, vi na televisão”, respondeu ela.

“ Pois é, elas estão no hospital, mas não se preocupe, não foi nada grave assim. Talvez saiam do hospital ainda hoje e amanhã voltem as atividades”.

“ Isso é ótimo, ainda bem que estão bem. Obrigada por avisar”, Sora era bem direta nas suas mensagens.

“ Ultima coisa. Por que não veio para o trabalho?”

“Resfriado”.

─ Poderia ter inventado uma desculpa melhor, né? ─ Falei em voz alta o meu pensamento, Sora virou o rosto na minha direção com as sobrancelhas levantadas.

─ E eu me perguntando o que você iria dizer ─ Disse balançando a cabeça.

─ Ué, mas é verdade.

─ Aham ─ Ficou de pé e se alongou, olhei para a Tv e vi que o filme tinha acabado. ─ Vai querer alguma coisa para o jantar?

─ Não, minha barriga está cheia ainda ─ Respondi dando uma batidinha na minha barriga.

─ Isso é ótimo. Vou tomar um rápido banho para ir dormir ─ Disse esfregando o pescoço. ─ Pode ir trancando a casa?

─ Pode deixar ─ Dei um pulo do sofá e ela entrou no quarto. Fechei a janela da sala, tranquei a porta do apartamento, desliguei a Tv e fui para o quarto. Esperei ela sair do banheiro, e depois foi a minha vez de ir tomar um banho.

Quando saí, Sora estava apagada na cama de cima. Desliguei a luz do quarto, beijei a sua testa e me deitei a suas costas. Aconcheguei-me contra as suas costas e dormimos de conchinha.

Senti alguém me cutucando e abri os olhos lentamente, Grey estava me olhando com uma mão na cintura. Esfreguei os olhos e bocejei. Percebi que Sora não estava ali.

─ Até que enfim acordou ─ Disse irritado. ─ Se arrume, está 5 minutos atrasada para o seu primeiro dia de aula.

─ Mas hein? ─ Falei ainda sonolenta. Primeiro dia de aula? Do que diabos ele estava falando? Ele revirou os olhos e abri a boca para falar algo, quando uma luz se acendeu na minha cabeça, dei um pulo da cama. – Oh droga!

─ Oh droga mesmo ─ Concordou ele, jogou uma sacola na minha direção e percebi que era o meu novo uniforme. ─ Vá logo se arrumar.

Entrei no banheiro voando e tomei um banho de gato, escovei os dentes e tirei as roupas da sacola, cheirei as roupas e percebi que elas tinham sido lavadas, abri minha boca para falar algo, balancei a cabeça e vesti a saia preta cm listras brancas. Coloquei a camisa social e por cima o casaco preto, fiz o nó da gravata vermelha e a ajeitei no meu pescoço. Olhei para o meu reflexo no espelho e suspirei.

─ Não fica muito legal em mim ─ Comentei baixinho.

─ Não mesmo ─ Disse Grey aparecendo atrás de mim. Passei um pouco de perfume e penteei os meus cabelos. Saí do banheiro e peguei a minha velha mochila do chão, e Grey segurou o meu ombro. ─ Nem pensar que vai com essa mochila.

─ Mas é a única que eu tenho.

─ Não mais. Comprei uma nova, está na mesa ─ Disse.

Saí do quarto com pressa e olhei para a mochila nova. Era uma vermelha com branca, abri o zíper e percebi que tinha dois cadernos novos, um estojo com caneta e etc, e o meu uniforme de Ed. Fisica estava lá também.

─ Obrigada? ─ Falei não esperando tudo aquilo.

─ De nada, agora pegue o que tem que pegar e saia ─ Disse irritado.

─ Ok, ok. ─ Passei as coisas que iria precisar da mochila velha para a nova. ─ Que bicho te mordeu?

─ Nenhum, só a cama que é dura ─ Respondeu rapidamente.

─ Entendi ─ Joguei a mochila por sobre os ombros, peguei o sanduiche e o suco que estavam na mesa. ─ Vou nessa.

─ Boa sorte! ─ Fechei a porta e desci correndo as escadas, enquanto comia e equilibrava o copo de suco.

Saí do prédio e corri em direção a escola.

Tive que ter cuidado para não me engasgar enquanto corria e mastigava o sanduiche, o suco já tinha derramado metade no caminho quando tropecei na calçada. Engoli o resto da comida e tomei o pouco de suco que tinha, joguei o copo no lixo e dobrei a rua. A escola surgiu a minha frente e tive que conter um sorrisinho. Olhei para o portão que já estava fechado e revirei os olhos. Fui até o mesmo lugar que pulei no dia anterior e escalei o muro, cai de joelhos na grama, arrumei a saia e corri em direção à entrada.

Não havia ninguém no primeiro andar, subi as escadas e no meio delas uma menina de cabelos loiros e olhos dourados, que reconheci na hora sendo uma das agentes que estavam atacando a Sora no outro dia, algo dentro da minha cabeça começou a apitar e flexionei o maxilar para não fazer nada ali. Dei um sorriso torto e cocei a cabeça.

─Hã, com licença ─ Comecei a falar, ela olhou para mim com o cenho cerrado e já fiquei em espera para algo pior acontecer.

─ Eu não te conheço, é a aluna nova do qual ouvimos falar? ─ Disse me observando. Fiz que sim com a cabeça. ─ Ah, bem. Está perdida?

─ Mais ou menos ─ Respondi endireitando a mochila. ─ A sala 1 do terceiro ano fica no ultimo andar, certo?

─ É a minha sala ─ Deu um sorriso simpático e levantei as minhas sobrancelhas. Então quer dizer que ela era amiga da Sora? ─ Posso levar você lá. Só tenho que pegar um caderno na sala dos professores.

─ Tudo bem ─ Falei dando de ombros.

─ Só um minuto ─ Disse descendo as escadas, passei a mão nos meus cabelos vermelhos e respirei fundo. A garota demorou dois minutos para me alcançar, olhei para o caderno que segurava, era a chamada. ─ Desculpa a demora.

─ Sem problemas ─ Comecei a subir as escadas e ela ao meu lado. Chegamos ao terceiro andar e paramos a frente da sala numero 1. Escutei a voz de uma mulher falando e percebi que era a professora.

─ Esqueci de me apresentar ─ Disse estendendo a mão na minha direção. Serio isso? Me chamo Dana.

─ Rei ─ Falei ignorando a sua mão estendida e abri a porta da sala

A garota passou por mim e se aproximou da professora, que olhou na minha direção.

─ Pessoal, como devem saber, temos uma aluna nova transferida ─ Acenou com a mão para eu entrar e respirei fundo, entrei na sala e meus olhos percorreram pelas pessoas. Mas parei de fazer qualquer coisa quando vi os olhos cinzas de Sora me encarando chocada. ─ Se apresente.

─ Hã. Meu nome é Rei, pode me chamar só de Rei ─ Me apresentei desviando o olhar matante que Sora estava me dando. E percebi que além da garota loira que tinha acabado de conhecer, havia a de cabelos ruivos, que também estava lutando contra Sora. Mordi minha boca por dentro e segurei minha mochila com força.

─ Há uma carteira vazia no fundo da sala, você pode se sentar lá ─ Disse a professora apontando para uma mesa que ficava um pouco atrás da de Sora. Fiz que sim com a cabeça e comecei a andar.

“O cabelo dela é vermelho, será que é pintado”, escutei alguém sussurrando, revirei os olhos.

Típica escola de riquinhos.

Passei pelas carteiras das duas meninas, a tal de Dana e a outra que não sabia o nome, e tive vontade de atira-las pela janela. Sora estava com as mãos cerradas e o maxilar estava flexionado, passei por ela quase sentindo minhas roupas pegarem fogo com o seu olhar.

─ O que diabos está fazendo aqui?? ─ Sussurrou rigidamente.

─ Estudando ─ Respondi largando a minha mochila na mesa. Uma menina que estava sentada ao meu lado, me emprestou o livro da matéria e perguntou se eu sabia o assunto. Ela até que era legal, cabelos castanhos, rosto fino e inteligente. Mas bem, eu queria que Sora fizesse isso e não ela, porem com a cara que ela estava era melhor não cutucar muito.

Durante toda a aula Sora ficava me dando uns olhares de canto, que não pude decifrar. As meninas me davam um sorriso de canto, e o resto da sala basicamente ficava comentando sobre a cor do meu cabelo e de que tipo de gente eu era. E eu tinha uma vontade enorme de abrir a boca e dizer “Sou do tipo perigosa, que te mata se atrapalhar”, mas não, escola nova, estilo novo.

Quando o sinal tocou para o intervalo, Sora deitou a cabeça na mesa. Alguns alunos saíram da sala, provavelmente para comer. Algumas garotas se aproximaram de mim para puxar conversa. E a ruiva e a loira andaram até Sora. A loira, Dana cutucou o seu ombro e Sora levantou o olhar.

─ Vamos lanchar? ─ Perguntou com um brilho nos olhos. Sora abaixou a cabeça e suspirou.

─ Não tô com fome.

─ Ei você não nos disse o seu sobrenome ─ Pisquei e olhei para uma garota de óculos que estava falando comigo ao meu lado.

─ Ah, pode me chamar só de Rei mesmo ─ Falei, olhei para Sora que agora tinha se sentado direito na mesa, parecia ter uma conversa seria com as duas garotas, porem não consegui ouvir nada com as garotas falando a minha volta.

─ Você tem quantos anos?

─ Seu cabelo é natural?

─ Seus pais são donos de uma farmácia?

Farmácia?? Que porra é essa? Quê que farmácia tem haver com tudo isso? Olhei para as pessoas a minha volta e balancei a cabeça em descrença. Sora me olhou de canto e respondeu algo que a ruiva estava falando. Senti um leve ciúme por parte delas, não entendia como que Sora podia falar com elas calmamente sabendo que foram elas que a atacaram.

─ Com licença ─ Ignorei as perguntas idiotas e fiquei de pé, fui até a mesa de Sora. ─ Sora nós...

─ Ora, não é mesmo que a novata tem cabelos vermelhos? ─ Escutei uma voz masculina vindo da porta e virei. Dei de cara com dois pares de olhos azuis claros. O rosto dele era muito familiar.

─ Vai começar logo cedo Richie? ─ Disse Dana cruzando os braços.

─ Relaxa, eu queria só dar as boas vindas a novata ─ Disse se aproximando com um sorriso no rosto.

─ Cuidado, Richie se acha o tal na escola ─ Sussurrou a ruiva, olhei para ela sem entender, e Sora deu de ombros e colocou os braços atrás da cabeça.

─ Então vermelhinha, qual o seu nome? ─ Disse o tal de Richie parando a minha frente.

─ É Rei ─ Respondi cruzando os braços. ─ E não me chame de vermelhinha.

Escutei um riso baixo e olhei para trás, Sora estava olhando aquilo com diversão.

─ Parece que temos uma espertinha por aqui ─ Disse ele sorrindo .

─ Nem tanto, minhas notas não são tão boas assim ─ Falei colocando a mão na cintura e olhando para ele desafiadoramente.

─ Se quiser eu posso te dar umas aulas particulares ─ Ele mexeu as sobrancelhas e eu percebi na hora que aulas eram aquelas. Senti Sora se movimentar na cadeira e resolvi soltar a corda para Richie.

─ Richie ─ Ouvi a loira advertindo.

─ Eu adoraria ─ Dei uma piscada pra ele e o mesmo se aproximou ainda mais. Ele era muito mais alto do que eu, seus olhos piscaram um dourado e sua mão veio na direção de uma mecha do meu cabelo.

Foi então que um vulto passou rápido pelo meu rosto e pisquei rapidamente. Sora estava parada ao meu lado, segurando o braço de Richie, com a mão fechada com força. ficaram se encarando por um segundo, e empurrou o braço dele para trás.

─ Vaza ─ Disse olhando para o rapaz que tinha dado dois passos para trás. Senti uma tensão no ar e olhei de lado na direção de Sora. E ela estava com a cara fechada e seus olhos encaravam o rapaz sem hesitar. Porém, a cor de seus olhos nunca mudaram.

Ele esfregou onde a mão dela tinha segurado, estava levemente vermelha, esticou as costas e parecia que a sua altura tinha dobrado. Sora permaneceu na sua posição em espera, e Dana e a ruiva entraram no meio.

─ Nem comecem vocês dois ─ Disse a ruiva de frente para Sora.

─ Richie, não venha no intervalo encher a paciência. Já basta a merda que passamos dias atrás ─ Falou a loira em tom de ordem. Os poucos alunos que ficaram na sala, viam a cena sem entender e com um leve temor no rosto.

─ Hunf! ─ Arrumou o seu casaco e deu de ombros. ─ Que seja.

Saiu da sala do mesmo jeito que entrou e suspirei, virei na direção de Sora e vi raiva em seu rosto, abriu a boca para falar alguma coisa, mas desistiu. Puxou a sua cadeira e se sentou, olhou para a janela.

─ Aiai, esses dois ─ Dana se apoiou em uma cadeira próxima. ─ Sempre estão querendo se agarrar.

A ruiva olhou de Sora para mim e ficou quieta. Provavelmente essa era a observadora das duas. Cruzou os braços e sorriu.

─ Bem, se considere sortuda por aquela ali ─ apontou para Sora, que ainda estava olhando pela janela. ─ Ter lhe ajudado.

─ Verdade, não era para ter dado corda para Richie ─Disse Dana balançando a cabeça. ─ Ele é problemático.

─ Humm, não sabia ─ Falei, e realmente depois dessa reação de Sora eu queria que alguém me socasse por ter feito algo tão idiota. Olhei para ela ─ Me desculpe.

─ Sora e ele estão sempre em pé de guerra ─ Disse a ruiva.

─ Humm ─ Olhei para ela e ainda tive vontade de soca-la. ─ Qual que é o seu nome, mesmo?

─ Beatrice ou Bea ─ Respondeu estendendo a mão para mim. Levantei minhas sobrancelhas e olhei para Sora que não tinha esboçado nenhuma reação. Suspirei e sentei na sua mesa, cutuquei a sua bochecha, e as duas garotas fizeram um barulho de surpresa.

─ Até quando vai ficar com raiva? ─ Perguntei olhando para a garota que dormia comigo. Ela me lançou um olhar fulminante e fiquei ali ainda.

─ Opa, ei, que diabos está fazendo? ─ Disse Dana tocando o meu ombro, olhei para ela de canto e ela tirou a sua mão.

─ Está tudo bem ─ Ouvi a voz de Sora ao meu lado, olhou para mim rapidamente e meu peito deu um pulinho. ─ Eu conheço essa idiota.

─ Idiota?! ─ Exclamei colocando a mão no peito, levemente ofendida.

─ Bem, acho que isso ..... é bom? ─ Disse Bea para Dana, que deu de ombros.

─ Saia da mesa, idiota ─ Sora disse voltando a olhar pela janela.

─ Me obrigue ─ Falei cruzando os braços. Ela virou o rosto e me encarou, seus olhos cinzas se fixaram em mim e eu dei um pulo da mesa. ─ Ok, ok. Já saí.

─ Ótimo, agora puxe a sua cadeira e sente atrás de mim ─ Disse ainda me encarando. Obedeci de bom grado, já que eu tinha certeza que chegando em casa o pau ia comer. Sentei atrás dela e cruzei os braços. As duas garotas olhavam tudo aquilo sem entender nada.

─ Hã...bem... Dana e eu vamos comprar algo na lanchonete ─ A ruiva disse rapidamente, Dana concordou e Sora fez um ok com a cabeça. As duas saíram de lá rapidamente e olhei para as costas de Sora. Ela se virou e suspirou.

─ Vou explicar uma coisa aqui ─ Disse baixinho. ─ Não se envolva em brigas, e muito menos converse com Richie, ouviu? Você é minha, mas se eu vir o que aconteceu aqui de novo, se prepare para as consequências, entendido?

─ Entendido ─ Concordei engolindo em seco. Sora estava definitivamente com raiva, cocei a cabeça e dei de ombros. Um sorriso desafiador surgiu em meu rosto e ela levantou as sobrancelhas. ─ E qual seria a consequência?

─ Sem encontros ─ Respondeu baixinho, soltei um grunhido de raiva e ela sorriu. Passou a mão no cabelo, olhou em volta rapidamente, percebi que não tinha muita gente, e estendeu a sua mão para mim.

Olhei para aquilo e envolvi a minha mão na sua. Senti-me feliz e dei um sorrisinho de canto. Era a única mão que eu iria querer segurar.

O resto das aulas, quem me ajudou foi Sora, a sua raiva parecia ter diminuído, apesar de saber que não tinha desaparecido completamente. Como ela estava me ajudando, tive que sentar ao seu lado, e durante as duas aulas restantes, as nossas mãos nunca se soltaram uma da outra.

Enfim, quando a aula terminou, Sora e eu fizemos o nosso caminho para casa em silencio. Subimos as escadas e entramos no apartamento. Sora largou a mochila no chão, tirou o seu casaco e afrouxou a sua gravata.

─ Pode me dizer que porra foi aquela? Como e porque está na mesma sala que eu? ─ Agora sim eu estava lascada. Tirei meu casaco e puxei a minha gravata. ─ Por que serio, você não sabe que ali está cheio de agentes?

─ Eu descobri isso hoje ─ Respondi e joguei a gravata no chão. ─ E bem, quanto a como e porque eu estou na mesma sala que você. É porque eu quero estar perto de você e observar os seus passos, para que você não vá a uma missão suicida sem dizer nada para mim!

─ Ah, agora é minha culpa por ter que dar um jeito de pagar as dividas do meu pai? ─ Respondeu com raiva.

─ Eu não disse isso! Eu só disse que queria que você confiasse em mim o tanto que eu acho que confio em você. E não ficar escondendo as coisas! ─ Agora nós estávamos brigando.

─ Ah, ok. Vou mesmo envolver você nas minhas merdas! Dá próxima vez eu te mando um convite suicida ─ Sora rangeu os dentes e entrou no quarto. Eu nem estava entendendo porque diabos que estávamos brigando. ─ E o que foi aquilo com o Richie?

─ Senhor!!! Eu só quero que confie em mim, ok? ─ Gritei levantando as mãos e entrando no quarto.

─ Eu não falei isso, perguntei o que foi aquela cena de flerte que presencie com Richie? ─ Perguntou arrancando a sua camisa social e socando no armário. ─ Porque se a intenção era me irritar, pode ter certeza que conseguiu.

As luzes da casa começaram a piscar e os meus cabelos se arrepiaram. Eletricidade. Engoli em seco. Mas que discursão idiota! Tirei a minha camisa e a abracei por trás. Sora ficou parada e escutei as batidas do seu coração diminuindo.

─ Desculpe, eu só.... ─ Tentou dizer e colocou a mão na testa.

─ Tudo bem ─ Virei-a em meus braços, coloquei meu rosto no seu peito. ─ A culpa foi minha. Mas..... Hunf. Me irrita o fato de você não querer a minha ajuda nas suas missões, parece que você não confia em mim totalmente ainda. Antes de ontem eu realmente fiquei puta quando descobri que você não tinha dito nada. E quando te alcancei, vi uma equipe de agentes lhe atacando, você acha que eu fiquei como?

─ Eis o motivo de não querer você em minhas missões ─ Disse ela colocando os seus braços a minha volta, seu coração voltou a acelerar e esperei. ─ Ver você machucada não seria algo que eu gostaria de ver. Confesso que desde que te conheci, algumas coisas mudaram. Meu temperamento se eleva principalmente se for relacionado a você. Se lembra, né, do que aconteceu com o homem pedra? Então, eu não quero ter que fazer aquilo de novo ou sentir aquilo de novo. Levar você em minhas missões elevam o risco disso.

─ E você acha que eu me sinto como? ─ Perguntei afastando o meu rosto e olhando em seus olhos. ─ Eu quase ia mantando aqueles agentes quando a vi sendo machucada. E teria feito, e ainda tenho vontade de mata-los toda vez que eu penso. E agora eu entendo porque você não acabou com eles. Eram seus amigos. Não sei o Richie.

─ Ele não ─ Concordou dando um tanto faz com os ombros. ─ Mas mesmo assim não poderia mata-lo. Veja, Dana e Beatrice estudam comigo, e por incrível que pareça ainda não descobriram que sou a Lightning Hunter. Entretanto, se eu matasse qualquer um da sua equipe, as duas iriam ter um desejo de vingança grande por mim, e bem, já me basta os inimigos que tenho, não preciso dos amigos também me odiando.

─ Entendo, eu acho ─ Fazia sentido o que dissera, mas continuava sendo complicado pra mim. Pressionei minha testa no seu peito. ─ E quanto ao que houve na sala hoje. Bem, foi idiotice, senti ciúmes de como conversava com Dana, e meio que resolvi te deixar também, só tive a infeliz ideia de fazer isso com o Richie. Não sabia que tinham uma rixa tão grande assim.

─ Desde o primeiro dia de aula ─ Disse soltando um suspiro cansado, segurou o meu queixo e me fez olhar para cima, já que era mais alta que eu. ─ Olha, hoje você me pegou de surpresa com a transferência e tudo mais. Mas uma coisa eu te confirmo.

O seu rosto estava serio e eu me perguntava como que o meu estava. Senti o seu coração batendo contra o meu e esperei por o que ela iria dizer.

─ Não precisa ter ciúmes e nem tentar me fazer ter ciúmes. Eu escolhi você para morar comigo, é com você que eu durmo, é em você que eu penso e é você que eu desejo ver no começo e fim do meu dia ─ Ela estava com um brilho no olhar, um gentil e vazio de raiva. Fechei os meus olhos e vi um céu nublado. Beijou a minha testa e me senti mais leve do que nunca antes. Segurei o seu corpo mais ainda e ela correspondeu.

─ Ok ─ Meu rosto estava escondido no seu peito, tinha certeza que estava vermelho. Não importa quanto tempo vivo com ela, parece que sempre ela diz algo que me faz corar. Ela realmente era outra pessoa quando estava comigo. ─ É romântica quando quer.

─ Só quando quero ─ Confirmou rindo. Bagunçou o meu cabelo e afrouxou o seu abraço. ─ Acho que agora podemos ir comer alguma coisa.

─ Eu cozinho ─ Me ofereci, ela fez que sim com a cabeça.

─ Ok, vou tomar um banho e me arrumar para ir para o trabalho ─ Disse se afastando de mim.

─ Tá ─ Concordei e fui para a cozinha, pensei em algo para preparar e tirei os ingredientes da geladeira. Depois de vários minutos, até porque eu não estava cronometrando, o almoço ficou pronto e nos sentamos a mesa. Sora elogiou a minha comida, apesar de eu achar que estava insossa. Lavou a louça e foi para o trabalho.

Sentei no sofá e liguei a televisão, não estava passando nada que preste. Fui para o banheiro escovei os dentes e deitei na cama. Uma mensagem chego no meu celular e a li.

“Como foi”- Grey

“Mais ou menos”, respondi e larguei o celular na cama, fechei os olhos e tirei o um cochilo.

Um cochilo que rendeu até 16hrs. O resto do dia fiquei assistindo anime na Tv, Sora chegou já de noite, fizemos um jantar e fomos dormir. Amanhã era sábado, o dia do nosso encontro. E bem, nada correu como esperávamos. Quando pensamos que não podia piorar, piorou.

Sora e eu saímos às pressas de casa, pois decidimos ir assistir um filme no cinema, quando chegamos lá, percebemos que tínhamos esquecido os cartões de credito em casa, Mudamos a rota, e pegamos uma chuva daquelas. Por fim quando estávamos quase desistindo Sora encontra uma nota de 100 S’s no chão.

─ Parece que a nossa maré de azar vai acabar daqui a pouco ─ Disse dando um sorriso, seu cabelo estava molhado, e as nossas roupas ensopadas.

─ Espero ─ Falei já cansada.

─ Vamos á algum restaurante? ─ Perguntou, fiz que sim com a cabeça. ─ Ótimo, tem um aqui por perto.

Começamos a andar e entramos em uma rua pouco movimentada, quando estávamos quase dobrando a esquina, percebi que tinha sim como piorar o dia, mas não tinha como eu evitar.

Senti algo me atingindo e minha visão começou a ficar turva, passei a mão na nuca e puxei o que parecia ser um dardo tranquilizante, caí no chão, sentindo os meus membros paralisarem. Aquilo era agonizante, minha vista ia ficando escura rapidamente. Olhei em volta em busca de Sora e a vi correndo na minha direção, quando pisquei, ela já não estava mais lá.

─ So..ra...

Notas finais
Olha meu povo, tá ai. Comentem viu, não me matem ou algo do tipo, pois aviso que o prox capitulo vai ser top na balada(pelo menos assim espero). O que acharam da narração da REI? Uma amiga me perguntou a respeito de como seria a aparencia fisica de Sora, e o maximo que achei que se pareça com o que eu vejo na minha cabeça, seria isso( link embaixo), em versão anime, mas Sora é humana da vida real e não desenho. Mas a aparencia fisica, o rosto e corpo são desse jeito. So vai mudar o cabelo que vai ser negro e os olhos que são cinzas. Blz?? Bjus e valeu ai. http://avvesione.files.wordpress.com/2013/05/to_aru_kagaku_no_railgun_s-04-misaka_imouto-clone-long_hair-shirt-staring-calm-quiet.jpg P.S: Se os links não forem avisem no comentario ou privado