Lightning Hunter

8 Capítulo 8


Notas iniciais
Tá ai pessoal, escrita no celular e corrigida via emal kkkk. Espero que gostem do capítulo, pois meus dedos ficaram duros de escrever no celular (gameplayers e zap zap viciados entenderão) kkkkk. Boa leitura!

Senti o meu corpo ardendo, abri os meus olhos e vi que estava em novamente na rua do posto. Olhei para o chão e notei que eu estava cercada por corpos ensanguentados, e o meu corpo banhado de sangue morno. Engoli em seco e senti uma falta de ar súbita. Aquilo não era real. Não podia ser real.

— Ei, Sora acorde.

Senti minha garganta seca e meu corpo doendo. Mexi minha mão e levei-a ate a testa, por um momento ela estava vermelha de sangue e no outro não havia nada. Apenas suor. Olhei em volta e vi que Sanches estava me observando da cama ao lado. Fora ela que tinha me acordado. Meu corpo estava ensopado de suor e minhas mãos estavam quentes. Apertei o botão da enfermeira e lambi os lábios.

— Você estava tendo um baita de um pesadelo — Disse Sanches.

— Sim — concordei tirando o cabelo colado do meu pescoço. — Estou com um pouco de febre.

Não demorou 5 minutos e Anne entrou no quarto rapidamente. Olhou de Sanchez para mim e veio na minha direção. Parou ao meu lado, olhou rapidamente para o meu estado e colocou a mão na minha testa.

— Você está com febre — disse ela me olhando preocupada. Colocou um termômetro debaixo do meu braço e olhou para o lado. — Como está se sentindo?

— Bem — respondeu Bloon dando de ombros. Estávamos há alguns dias no hospital e parecia que nossos ferimentos estavam ficando curados. Sanches olhou pra mim e ficou com uma expressão vazia. Anne tirou o termômetro e olhou a temperatura.

— 38 graus. Vou lhe dar um remédio para febre e colocar um pano na sua cabeça, OK?

— Ok, mas me dê um pouco de água antes de sair, por favor — Pedi lambendo os lábios novamente. Ela foi ate o frigobar e pegou uma garrafa de água mineral, pôs um pouco em um copo descartável e veio até a mim. Senti minha garganta refrescando com a água e encostei minha cabeça no travesseiro.

— Volto em um minuto — Disse Anne indo para a porta. Deu um aceno com a mão e saiu.

— Estava sonhando com o quê? — Perguntou Sanchez, olhei para ela e neguei com a cabeça.

— Pra quê quer saber? — perguntei olhando para o teto.

— Era só pra puxar conversa mesmo.

Olhei para ela de canto e sorri. Geralmente era eu que fazia isso com ela. Ela deu um sorriso de canto também e olhou para a porta que se abriu, e Anne entrou, colocou o remédio em um copo de água e me deu na boca. Engoli o remédio com gosto azedo e Tossi, meu peito doeu um pouco.

— Tente dormir um pouco, OK? — Disse Anne molhando um pano com água e colocando na minha testa.

— Vou tentar.

— Qualquer coisa me chame novamente — Disse ela antes de sair do quarto. Fiz que sim com a cabeça e fechei os olhos. Em poucos minutos senti o meu corpo ficando leve e apaguei.

Sonhei que estava na cobertura de um prédio. A noite estava escura e o céu estava repleto de estrelas, ao meu lado estava Sanchez com os braços cruzados atrás da cabeça e sorrindo para o céu. Seus cabelos vermelhos estavam balançando com a brisa que passava e seus olhos castanhos possuíam um brilho hipnotizante. Usava calça jeans preta e uma camisa de manga cumprida vermelha com branco. Ela olhou para mim e segurou a minha mão, envolveu meus dedos nos seus e eu sorri.

Escutei um barulho de tossi e de repente abri os olhos. Estava novamente no quarto do hospital. Sanchez estava com a mão sobre a barriga e outra sobre a boca, tinha no rosto uma careta de dor.

— Você está bem? — Perguntei olhando para ela preocupada. Ela balançou a mão na minha direção e eu fiquei quieta. Depois de quase um minuto vendo-a tossir, apertei o botão da TV. Coloquei em um canal de desenho animado e esperei que ela não reclamasse.

— Queria um pouco de água — pediu ela.

— Se eu pudesse pegaria. Mas posso chamar Anne.

— Não, obrigada — Disse negando com a cabeça.

— Por que você não gosta dela? — Perguntei olhando para ela, ela olhou de relance pra mim e virou o rosto.

— Quem sabe? — Disse dando de ombros.

— Acho que não vai cair a língua se for educada com ela.

— Não pedi a sua opinião — cruzou os braços e olhou para a TV.

— Me pergunto por que diabos eu salvei você — comentei revirando os olhos

— Acho que você gostou de mim — Disse sorrindo.

— Nem sonhando — falei balançando a cabeça. Ela virou para mim e deu uma piscadinha.

O resto do dia e o dia seguinte foram os mesmos, acordava tomava café ria e discutia um pouco com Sanchez, depois limpeza e troca de curativos. Já tinha faltado uma semana e meia de aula e de trabalho. Aposto que Dana estava preocupada comigo. Olhei para a minha perna que estava apenas com um pequeno buraco agora e suspirei.

Anne estava verificando o ferimento de Sanchez, enquanto eu me limpava sozinha. O ferimento no meu ombro já estava quase curado, porém ainda em melhor estado que a minha coxa.

— Talvez tenha que ficar aqui mais uns dias — Disse Anne depois de muito tempo em silencio.

— Ainda? — Disse Sanchez insatisfeita.

— O seu ferimento está bem, só que precisamos ter certeza que os seus órgãos estejam bem. Por isso que ainda não deixamos você andar.

— Entendo — Disse ela baixinho.

Vi a sombra de Anne ficar maior e ela puxou a cortina que separava as duas camas. Olhou para mim e sorriu, colocou a mão na minha costa gentilmente e apertou onde ficam as minhas costelas, não senti nenhuma dor vindo delas e fiz que não com a cabeça. Meu corte na cabeça e do resto do corpo já tinha desaparecido. Ela olhou o meu ombro e sorriu.

— Isso tá muito bom — disse tocando o meu ombro devagar.

— Ainda bem, hein — falei sorrindo de volta.

— Esse daqui também está bem — disse olhando para a minha coxa, que havia apenas um pequeno buraco vermelho. Passou uma pomada sobre os ferimentos e enfaixou com ataduras. Ela ficou me observando por uns segundos e eu levantei minha cabeça.

— Que foi? — perguntei levantando as sobrancelhas.

— Bem, talvez você tenha um pouco de dificuldade de andar mesmo quando sua perna curar totalmente — Disse olhando preocupada. Engoli em seco. Aquilo não podia acontecer, meu corpo precisava esta 100% para acabar com as minhas dívidas.

— Me ajude a levantar — falei, Anne segurou minha mão e coloquei meu pé direito no chão e depois o esquerdo. Tirei minha mão da cama e fiquei de pé, senti um choque percorrendo a minha perna direita e perdi o equilíbrio. Anne me segurou e eu mordi minha boca, sentei na cama e olhei para o chão.

— Vamos tentar de novo mais tarde, mas por enquanto descanse — Disse Anne me ajudando a deitar na cama, cobriu o meu corpo com um lençol e depois puxou a cortina. — John vai vim aqui mais tarde. Tratar de algo importante

— Ok — Respondi, estava olhando para o teto e pensando. ” Espero que minha perna fique normal" . Demorei um pouco a perceber que Bloon estava me encarando. — Se quiser dizer alguma coisa, apenas diga.

— Não é nada — disse rapidamente. Fechei os olhos e mantive a calma. Bloon não tentou puxar assunto e nem eu. Fazia 3 horas que não falávamos nada, olhei para o lado e ela estava dormindo. Sentei na cama e coloquei meus pés no chão, respirei fundo e fiquei de pé, senti minha perna direita doendo e apertei o maxilar. Dei um passo e senti um choque novamente, engoli em seco, mas forcei meu corpo a continuar e antes que eu percebesse, estava parada ao lado da cama de Sanchez.

Ela tinha uma aparência tranquila enquanto dormia, seus cabelos vermelhos estavam espalhados sobre o travesseiro, pude ver mais de perto que ela tinha pequenas sardas no nariz, ela era muito bonita. Minha mão se moveu sozinha e eu toquei a sua bochecha, era macia e bem branquinha, igual seda. Me pergunto o que teria acontecido para ela ser o que era. Olhei para os seus lábios vermelhos como sangue e me inclinei, senti a sua respiração no meu rosto e engoli em seco. O que eu estava fazendo?

Afastei-me com cuidado e fiquei ereta, Movi minha perna com cuidado e voltei para a cama, sentei na beira e respirei fundo, minha perna latejava e meu coração estava batendo muito rápido. Escutei o barulho da tranca da porta e John e Anne entraram. Os dois me olharam curiosos e eu Cruzei os braços.

— Então, sobre o que queria conversar? — perguntei olhando para John.

— Bem, primeiro eu vim ver como você estava, segundo vim tratar a respeito da conta — Disse ele dando um sorriso de canto.

— Conta?

— Sim, vocês não possuem plano de saúde e esse quarto é privado e reservado. Anne cuidou, limpou e alimentou vocês, acho que não preciso dizer que ter um médico para tudo isso seja um pouco caro — Disse John. Concordei com ele. Não tínhamos plano de saúde, e só por isso a conta pelos cuidados médicos já seriam caros.

— Certo — Concordei e passei a mão no rosto — quanto que é mais ou menos a conta?

— Simplificando se ficarem mais dois dias a conta aumenta para 8 mil S's.

— 8 mil? Tudo isso? — Falei chocada.

— Sim — Confirmou ele, levantou uma folha de papel na minha direção e eu a peguei. — Ai tem todas as despesas. Dê uma conferida.

Passei os olhos pelas despesas e estava tudo certo. S's 7.300 até hoje. Entreguei o papel para ele de volta e suspirei.

— Você tem dinheiro para pagar, certo? — Disse ele.

— Tenho sim, só tenho que ir em casa antes para pagar — falei encostando minhas costas na cama.

— Hummm. Ok — ele guardou o papel no bolso do seu jaleco e se aproximou, perguntou se tinha alguma parte do corpo doendo e eu neguei com a cabeça. Olhou para Bloon e sorriu. — ela é bonita dormindo.

— Aham — concordei e então Fechei minha boca depois que percebi que disse isso.

— Bem — John segurou um riso e balançou a cabeça. — Era só isso que eu queria dizer.

— Certo — falei.

— Peço desculpas por quase não ter vindo vê-las como estavam, mas esses dias tive uma serie de cirurgias, e fiquei muito ocupado — John se desculpou pela ausência dele e eu sorri.

— Tudo bem, sem problemas. Você não estava aqui, mas a sua amiga aí ajudou bastante.

— Foi mesmo, não foi? Anne é uma ótima profissional — Disse ele dando um sorriso lindo para ela, ela deu um sorriso tímido, que para mim parecia mais um sorriso sem emoção. — Vou ter que sair agora, tenho uma reunião com o conselho e não posso me atrasar, Anne ficara com você aqui.

— Tudo bem — Falei, John deu um aceno para nos e saiu do quarto, deixando Anne em pé no meio do quarto. — Ele é sempre assim?

— Aham — Concordou ela vindo na minha direção, olhou para a minha perna e levantou a sobrancelha. — estava tentando andar?

— Sim.

— Sentiu que o quê?

— Um choque na perna — respondi.

— Esse choque vai diminuir com o tempo, já tive alguns pacientes assim.

— Com a perna atravessada por um ferro? — Perguntei levantando a sobrancelha e sorrindo.

— Você foi à primeira — Disse sorrindo, seu sorriso era perfeito. — Mas continuando, a dor vai diminuir, mas talvez tenha um pouco de dificuldade para andar. Quer tentar um pouco mais agora?

— Pode ser — Sentei na cama novamente e coloquei os pés no chão, Anne ficou a minha frente pronta para me segurar caso caísse. Fiquei de pé e mordi minha boca quando minha perna doeu. Forcei minha perna a se mover e quando coloquei o peso sobre ela, senti um choque na coxa e me desiquilibrei. Anne segurou minha cintura rapidamente e eu fiquei apoiada sobre ela. — Obrigada.

Anne não disse nada, levantei o meu rosto e percebi que estávamos muito próximas, sua mão em volta da minha cintura, seus olhos azuis estavam me encarando e eu engoli em seco. Sua mão livre foi até o meu rosto e o tocou gentilmente, senti um arrepio nas costas e encarei seus olhos azuis.

— Fico triste quando vejo uma moça tão bonita se machucar dessa maneira — Sussurrou ela, levantei minhas sobrancelhas e esperei o que ela iria fazer. Seu rosto se aproximou do meu, senti seu nariz tocar no meu e seus lábios ficaram a pouquíssimos centímetros da minha boca, sua respiração ficou ofegante por um segundo e então se afastou brutalmente de mim Tive que me equilibrar sobre a outra perna para não cair no chão e fiquei encarando a parede por alguns segundos e virei.

Anne estava com um olhar confuso e com o rosto levemente corado, cruzou os braços a frente do peito e mordeu os lábios.

— Humm. Me desculpe por isso, eu não sei o que...

Eu estava mais confusa do que ela, flexionei o maxilar e andei de volta para a cama, sentei nela e aliviei a pressão da perna. Olhei para os seus olhos azuis, que estavam olhando de um lado para o outro nervoso e sorri. Ela me encarou sem entender.

— Está tudo bem — falei dando um sorriso calmo para ela, ela levantou as sobrancelhas para mim.

— Tudo bem, mesmo? — perguntou ela. Fiz que sim com a cabeça.

— Então... Eu estava pensando, será que você poderia comprar um par de roupas para mim? As roupas que tenho aqui, não vão servir para sair sem chamar a atenção — Falei. Ela ficou confusa por um momento e seus olhos ficaram com o brilho normal.

— Ah sim, claro. Você vai ter que sair sem chamar a atenção — disse coçando a cabeça. — posso comprar sim. Mas isso vai entrar na conta.

— Pode deixar — falei sorrindo, ela sorriu também e eu vi aquele clima estranho indo embora.

— Que roupa que quer?

— Camisa de manga cumprida e uma calça folgada — Respondi.

— Tá! Acho que daqui a pouco acaba vou ter um descanso e vou dar um pulo em uma loja — Disse ela sorrindo.

— Tá bom! obrigada — Agradeci, ela sorriu e se aproximou e mim.

— Você vai pagar por ela depois — disse sorrindo e para a minha surpresa, ela se inclinou e me deu um beijo na testa. Fiquei sem reação e ela saiu do quarto.

Vi Bloon se mexendo na cama ao lado e deitei na minha. Tentei não ficar pesando muito no que tinha acontecido. Eu não tinha nenhum sentimento por Anne, na verdade eu não tinha ninguém especial para mim. Nunca fui muito de me apaixonar, até porque minha vida não permitia. Então geralmente eu evitava isso.

Fechei os olhos e tirei um leve cochilo, não tive sonhos dessa vez.

Quando acordei, eram 7 horas da noite, sentei na cama, Sanchez estava assistindo TV, olhei para o rosto dela e sorri.

— Boa noite — falei.

— Boa — respondeu ainda olhando para a TV.

— Acordada há muito tempo? — perguntei esticando os braços devagar.

— Há poucos minutos — disse.

Ficamos quietas, percebi que ela não queria falar e fiquei na minha. Anne veio deixar as roupas para mim e eu olhei para as roupas. Uma camisa de manga azul, calça preta, calcinha e sutiã brancos. Anne e Blooon ficaram me olhando ver as roupas, puxei a cortina e comecei a vesti-las com cuidado.

Fechei o botão da calça, que estava folgada, e vesti a camisa que ficou perfeita em mim. Calcei o meu tênis que estava guardado e joguei o cabelo de lado. Andei e afastei a cortina, as duas olharam para mim e sorriram.

— Ficou bom o tamanho — Comentou Anne sorrindo.

— Aham, obrigada por ter ido lá comprar no seu tempo de folga — falei sorrindo.

— Não esquenta.

Olhei para o armário do outro lado do quarto lembrei que tinha que pegar meu celular e as chaves de casa. Tirei o peso da perna direita e dei um passo, coloquei a perna no chão novamente e cambaleei. Sanchez me olhou com preocupação e eu acenei, dizendo que estava bem.

— Vai conseguir chegar até a saída andando? — perguntou Anne preocupada

— Não sei, mas vou tentar do mesmo jeito — Respondi voltando a andar ate o armário, engoli a dor da perna e peguei o que precisava no armário. — o resto das coisas eu pego depois.

— Vai voltar? — Perguntou Bloon de repente. Virei na sua direção e sorri.

— Claro.

Ela não disse nada depois. Saí do quarto mancando e com dor, Anne veio me acompanhando até a porta da frente, onde havia um taxi esperando.

— Amanhã eu estou de volta — Falei dando um aceno com a mão enquanto entrava no carro.

— OK.

Passei o endereço para o motorista e ele me levou para casa. No meio do caminho passamos por uma rua que dava ao bairro da "guerra", e parecia tudo normal.

— Ei moço, senhor sabe me dizer como que ficou a situação daquele bairro que teve aquela briga de gangues — Perguntei ao motorista que tinha uns 20 e poucos anos.

— Não acharam nenhum culpado e nenhum sobrevivente, sem dizer que o bairro ficou uma destruição total — Respondeu ele, então apontou para uma rua que estávamos passando. — essa rua aqui vai dar na rua do posto de gasolina, tem vários agentes de construção por lá. Muitas coisas destruídas.

— Horrível, hein? — Comentei. Eu era culpada por uma grande porcentagem da destruição.

— Sim.

Demorou 15 minutos para chegar no meu prédio, pedi que o taxista esperasse enquanto eu pegava o dinheiro, entrei no prédio e o senhor Filips me encarou surpreso.

— Pensei que você tivesse morrido em algum lugar — disse ele abrindo os braços.

— Ainda não, mas foi quase — falei. — Senhor Filips, o senhor pode pagar o taxista lá na frente? Depois coloque na minha conta, por favor. Manquei ate o elevador e apertei o botão do terceiro andar. Atravessei o corredor e destranquei a porta de casa, respirei o cheiro do lar doce lar e sorri. Caminhei até o sofá e me deitei, fechei os olhos e relaxei. Nada é tão bom quanto está em casa. Liguei a TV no canal de noticias e fui ate a cozinha, vi o que ainda prestava para comer e preparei uma vitamina de abacate.

Depois fui para o banheiro, tirei minhas roupas e tomei um bom banho, escovei os dentes e fui para cama. Conectei o meu celular no carregador e tive uma ótima noite de sono.

Acordei com o barulho de passarinho cantando perto da janela e me levantei, preparei um café com leite, bolacha e ovos. Tomei café e depois fui me arrumar, percebi que eu tinha perdido peso, minha barriga estava mais definida que o normal. Escovei os dentes, refiz os curativos e me troquei. Vesti uma camisa de manga cumprida verde escura, calça preta folgada e tênis. Penteei os cabelos, peguei meu cartão de crédito, o celular, uma bolsa com roupas dentro e sai de casa.

Chamei um taxi e minutos depois eu estava atravessando o hospital mancando. A dor estava diminuindo, mas mesmo assim incomodava. Encontrei com John no corredor e ele me levou ate o quarto privado. Destrancou a porta e vi Sanchez deitada assistindo TV. Ela olhou para mim e sorriu.

— Não sabia que tinha sentido saudades — falei para ela dando uma piscada.

— Quem disse que eu senti? — disse dando de ombros, mas sorrindo.

— Você tá sabendo que vai sair hoje, não sabe? — Perguntei para ela. Ela fez que sim com a cabeça.

— Espero que tenha trago uma roupa legal — disse

Entreguei as roupas para ela, e ela ficou analisando, caminhei até o armário e peguei todas as coisas de lá e coloquei dentro da bolsa.

— As roupas vão servir — Disse ela sorrindo de canto.

— Ótimo, se troque que vou resolver uma coisa com o médico lá fora — Falei, ela fez que sim com a cabeça e eu puxei John para fora do quarto. Quando estava saindo vi a tatuagem de Bloon.

Quando chegamos à recepção, Anne já estava esperando lá. Ela me deu um sorriso acolhedor e eu devolvi o sorriso. Paguei as despesas com o cartão e os acréscimos da roupa.

— Então é isso — Disse o doutor John.

— Pois é — Concordei dando de ombros.

— Antes de tudo — Começou Anne — Tenho uma coisa a dizer a respeito da outra garota.

— Que é? — percebi que Sanchez nunca tinha falado o nome dela para eles.

— Seria bom ela ficar de repouso mais uns dias — disse John.

— Como vocês se deram bem — Disse Anne — tente convencer ela a ficar de repouso ou em um lugar que você possa haver contato.

— Humm, vou ver o que posso fazer — Falei cruzando os braços.

Anne pegou uma cadeira de rodas e voltamos para o quarto. Sanchez estava sentada na cama, com os pés calcados balançando para frente e para trás. As roupas que tinha trago couberam perfeitamente nela. Ela olhou para a cadeira de rodas e levantou as sobrancelhas.

— Precisa mesmo disso?

— Sim, você em tese ainda não pode fazer muito esforço — Disse Anne. Sanchez revirou os olhos e eu sorri. Levei a cadeira até ela e a ajudei a sentar. Peguei a bolsa com as nossas coisas e coloquei atrás da cadeira. Dei uma ultima olhada para ver se não estava esquecendo nada, vi que não e empurrei Sanchez para fora do quarto.

— Agora sim é um Adeus — Falei para John.

— Espero que seja, porque não quero ver um ferimento como o de vocês nunca mais! — disse ele sorrindo e dando um abraço rápido na gente.

— Se cuidem meninas — Disse Anne dando um abraço em mim e um aperto de mão em Sanchez.

— Vocês também — Falei e dei um tchau para eles. Empurrei Sanchez em direção à porta do hospital — Então... Você tem uma casa para ficar?

— Sim — disse Bloon.

— Tem mais alguém que more com você?

— Não.

Chegamos do lado de fora e acenei para um taxista se aproximar, ele parou o carro a nossa frente, abri a porta e joguei a bolsa lá dentro. Sanchez ficou parada na cadeira de rodas.

— Não vai pedir para ele me pegar? Já que eu não posso fazer esforço? — perguntou sarcasticamente.

— Não precisa! Do jeito que tá magra até eu carrego você — Falei, ela me deu um olhar de raiva, me aproximei dela e a peguei no colo, senti minha perna ruir, mas ignorei a dor. Foi então que percebi que o seu rosto estava no meu ombro/pescoço, senti o meu coração bater mais rápido e engoli em seco. Coloquei-a no banco devagar e me afastei, aliviei a pressão na perna e dei a volta no carro, abri a outra porta e sentei ao seu lado. Pela primeira vez senti algo diferente em mim naquele momento.

Ela ficou extremamente quieta no banco, e tanto eu quanto o motorista queríamos que ela desse o endereço da casa dela, cutuquei ela e ela olhou para mim.

— Endereço da sua casa.

— Rua Yankes, Setor 4, 524 — Disse ela finalmente. Setor 4. Um dos bairros mais pobres da cidade, onde havia vários criminosos morando por lá, quando meu pai ainda era vivo, costumava passar lá de vez em quando, mas agora eu preferia evitar problemas.

Demorou cerca de 20 minutos para finalmente chegarmos ao bairro dela, vi as diversas casas velhas, pessoas mal vestidas nas ruas e criança jogando bola na calçada. Olhando em volta, lembrei de como eu vivia com meu pai e também lembrei que Skillcity tinha uma desigualdade social latente. O taxi parou na frente de um prédio de pedras vermelhas com uma aparência antiga.

— É aqui — Disse Bloon. Abri a porta do carro e desci, dei a volta e abri a porta para ela, algumas pessoas olharam para ela e ela fechou a cara. — Não me carregue na frente deles.

— OK — concordei, eu sabia como isso funcionava, nunca demonstre fraqueza perto de pessoas que você sabe que pode ataca-las depois. Virei para o taxista — Me espere aqui.

Peguei a bolsa e coloquei nas costas e acompanhei Sanchez para dentro do prédio. A recepção estava vazia, tinha um lance de escadas e nos a subimos devagar, entramos em um corredor, as paredes estavam descascando e no teto havia uma goteira, dobramos em uma esquina e me deparei com mais um lance de escadas.

Sanchez começou a subir, mas no meio do caminho parou e se apoiou na parede, aquela escada era maior que a anterior, respirei fundo para retomar o ar, toquei o seu ombro e ela continuou parada.

— Acho que você pode me carregar agora — Disse se virando para mim, passei meus braços pela sua cintura e pernas, e trouxe o seu corpo para junto do meu, comecei a subir as escadas rapidamente, minha perna estava me matando, mas consegui chegar ao topo.

— Por favor ... Me diga que... Chegamos — Falei tentando recuperar o fôlego. Ela fez que sim com a cabeça. Olhei para a frente, para o corredor, e este tinha uma aparência muito pior que o primeiro, havia pacotes de embalagens no chão, goteiras, manchas de água na parede, por causa de alguma encanação ruim, e a tinta caindo.

— Quarto 15 — Disse ela. Caminhei até a porta no fim do corredor, coloquei-a no chão e a vi dando uma sequência de socos em diferentes pontos da porta, e logo em seguida escutei um click, a porta se abriu e eu tentei não comparar o quarto dela com o resto do prédio. Mas foi impossível. O quarto dela não era muito diferente do corredor, a única diferença era que o corredor era maior que o quarto.

Olhei para o pequeno sofá cama que tinha, uma TV das antigas, um frigobar encardido e no canto um guarda roupa. Não havia banheiro ou cozinha. Eu mesma não queria nem imaginar como que era o banheiro.

— Bem aconchegante, hein? — Disse abrindo os braços e dando um sorriso claramente falso para mim. Olhei para o canto do guarda roupa, um rato passou correndo pelo chão e entrou em um buraco da parede. Senti uma agonia tão grande só de pensar que ela morava aqui, uma garota tão linda.

— Pelo amor de Deus, pega o que você precisar e vamos dar o fora daqui!! — Falei nervosamente, ela levantou as sobrancelhas surpresa.

— E vai me levar para onde?

— Para minha casa — Respondi. Ela me encarou com duvida. Então eu pensei que provavelmente eu estava doida por chamar alguém que conheci pouco tempo para passar um tempo na minha casa. Mas para a minha surpresa ela não falou nada. Apenas pegou uma mala e socou algumas roupas e tênis dentro, pegou o que parecia uma bolsa escolar e um relógio de pulso, saí de lá e ela veio logo atrás, carreguei as suas bolsas enquanto ela descia as escadas.

Senti um alívio tal grande quando saímos do prédio e eu respirei o cheiro de ar limpo, ou mais limpo que o cheiro desagradável de parede úmida, que estava lá dentro. Colocamos as bolsas no porta malas, entramos no carro e saímos dali.

O meu bairro ficava do lado oposto ao dela, de forma que demoram os 20 minutos para chegar ao meu prédio. Vi os olhos de Bloon brilharem quando viu o meu prédio, paguei o motorista, ele tirou as malas do porta malas e levou para a recepção.

— Aqui você pode entrar carregada — Falei. Ela concordou com a cabeça. segurei-a no colo, e entrei no prédio. Senhor Filips olhou para mim em duvida e eu falei. — Ela é minha prima. Vai passar um tempo comigo.

— E ela não anda?

— Ela caiu lá fora — menti. Ele deu um balançar de ombros, colocou as malas no elevador e eu entre. — Valeu Senhor Filips.

Ele deu as costas e eu apertei o botão do elevador. Escutei o meu coração batendo rápido e olhei para baixo, seu rosto estava perto do meu pescoço novamente. Apertei-a nos meus braços e aguentei a dor na minha perna.

— Antes de entrarmos em casa, tem algumas regras que você vai ter que seguir — Falei. Ela olhou para mim esperando. — Primeiro se comporte, segundo não roube nada, terceiro mantenha esse lugar em segredo — a porta do elevador se abriu e entrei no corredor — quarto tente não acabar com a comida, quinto, se você me trair, roubar ou me denunciar, vou ate os confins dos infernos te caçar. E sexto...

— Sexto?

— Acho que não tem sexto — Falei tirando as chaves do meu bolso e colocando na porta. Girei a chave e antes de abrir olhei para ela. — Pode me dizer o seu nome de verdade?

Ela olhou para mim, encarei os seus olhos castanhos próximos aos meus, ela deu um sorriso de canto e disse.

— Meu nome de verdade é Rei Sanchez.

— Rei — repeti e sorri. — Gostei do nome.

Abri a porta e entramos em casa. Ela olhou tudo atentamente, coloquei-a no chão e fui me sentar no sofá, minha perna estava doendo muito. Ela andou por toda a casa, cozinha, quarto, banheiro, área de serviço e por fim sala sentou ao meu lado no sofá.

— Sua casa é bem melhor que a minha — Comentou. Olhei para ela, havia algo nela que me atraía, mesmo sabendo que ela era tão perigosa quanto eu. Ela olhou para mim com os olhos brilhando e eu suspirei.

— Se você se comportar poderá morar aqui também — Falei.

— Serio??? — Disse ela me dando um sorriso enorme.

— Sim, mas tem que se comportar. Estará sujeita a observação começando hoje — digo, ela se sentou direito ao meu lado e eu sorri. Ela era uma graça, perigosa e linda. A pior espécie possível. Peguei as suas roupas e as coloquei para lavar, olhei a sua mochila da escola e a guardei junto com a minha.

— Você sabe que a sua geladeira esta praticamente vazia, não sabe?— Disse ela da cozinha.

— Sei! Nós vamos ao mercado depois — Respondi. Sentei na cama e fiz uma massagem em volta do ferimento na perna. A dor passou um pouco e eu fui ver o que ela estava fazendo.

Rei estava deitada no sofá, assistindo um filme na TV. Olhei para ela e sorri, parecia uma criança. Puxei uma cadeira da mesa e fiquei assistindo junto com ela. Depois, mais tarde, nos saímos para fazer compras. Tivemos que voltar de taxi, porque tínhamos comprado muitas coisas, sem dizer que não estávamos aguentando andar muito. Guardamos as compras nos devidos lugares, Perguntei se Filips não tinha um colchão sobrando, e ele trouxe um semi novo para nós. Acho que ele sentiu pena da minha suposta prima.

Eu estava exausta, preparei uma janta rápida para nós, macarronada com suco, e depois fui tomar um banho. Troquei o curativo da perna e tirei o do ombro, o ombro estava quase curado. Vesti uma camisa branca folgada e uma calcinha preta, saí do banheiro mancando e sentei na cama. Rei entrou no quarto e olhou para mim, seus olhos percorreram todo o meu corpo e pararam na minha coxa.

— Então foi aí que você se machucou? — Perguntou?

— Sim, uma barra de ferro atravessou minha perna — falei olhando para o curativo.

— Agora entendo por que tá mancando tanto — Disse. Fiquei de pé e fui até o guarda roupa, joguei uma camisa vermelha grande na sua direção e ela segurou.

— Sua roupa de dormir — Falei, ela deu um sorriso e joguei a toalha na sua cara. — E essa é a sua toalha.

— Valeu — Disse entrando no banheiro.

Arrumei as camas e deitei no colchão no chão. Cobri-me com um lençol grosso e esperei ela sair do banheiro. Ela saiu do banheiro minutos depois, vestindo apenas a camisa vermelha, eu não sabia se ela estava de calcinha ou não, mas ela estava super sexy. Pude ver a beira da sua tatuagem e olhei para os seus olhos, ela estava olhando para mim.

— Pensei que eu que iria dormir no chão — Disse colocando a mão na cintura.

— Nós revessamos — falei bocejando. — Apague a luz e vá descansar.

Ela parou ao meu lado e olhou para o meu braço esquerdo, tocou as minhas tatuagens suavemente e eu senti um arrepio no corpo, por um segundo escutei o meu coração batendo mais forte. Ela olhou para o meu rosto e sorriu.

— Suas tatuagens são lindas — Disse finalmente

— Obrigada — Agradeci. A observei fechando a porta e desligando a luz, se deitou na cama de cima e se cobriu.

Não demorou muito e eu desmaiei de sono.

Senti braços me envolvendo e sorri, era um sonho bom. O abraço ficou mais apertado, de forma carinhosa, quem será esta pessoa que esta me abraçando em um sonho? Seja quem for tem um abraço tão bom.

— Sora, muito obrigada ... Por me.... Deixar aqui...

Escutei uma voz suave e baixinha, foi então que pisquei e me vi deitada no quarto, senti braços na minha cintura e eu congelei, senti imediatamente meu coração começar a bater rápido. Porque você batendo rápido em coração? Olhei para trás e vi o rosto de Rei as minhas costas. Como diabos ela veio parar aqui? Ela apertou o abraço e eu senti o seu corpo pressionado contra as minhas costas, senti o meu corpo tremer e soltei os braços dela de mim lentamente.

— Sora..... Eu..... Fica comigo.....Tatuagem.... — Olhei para ela, não estava fazendo sentido nenhum. — Obrigada.

— De nada — Sussurrei sentando na cama e cobrindo ela com o meu lençol.

— Não vai.... Tenho medo.... De ficar só — olhei para Rei, que se mexia de um lado para o outro, parecia que estava tendo um pesadelo. Vi lágrimas escorrendo dos seus olhos e engoli em seco. Mas que diabos? O que será que ela esta sonhando? — me... beije...

— Hã? Me beije? — falei sem entender.

— Ultima vez... — ela segurou de repente um dos meus braços e eu trave. Olhei para o seu rosto e engoli em seco. Mais lágrimas escorreram pelo seu rosto. — Isso dói.

Seja lá o que ela estava sonhando, não era algo que ela estivesse gostando, olhei para o seu rosto lindo manchado de lágrimas, e por alguma razão senti-me triste.

– Por favor... Ultima vez.... Ultima vez — sussurrou segurando mais firme o meu braço.

Ela estava sonhando certo? Cutuquei ela e ela apenas continuou a dormir, soltei o meu braço e a deitei direito no colchão. Ela ainda estava chorando, limpei as lagrimas com as minhas mãos e me inclinei novamente em direção ao seu rosto. Olhei para os seus lábios, que mesmo no escuro tinha certeza que estava vermelhos e convidativos. Me inclinei ainda mais e senti a sua respiração no meu rosto. Por que eu Tô fazendo isso? Não é legal beijar alguém que está dormindo. Mas porque meu corpo não se afasta? Eu quero isso? Senti o meu coração martelando depressa e lambi os lábios. Não é possível é? Que eu goste dela?

Toquei as suas bochechas macias e senti minha mão queimar. Então senti uma força invisível me empurrar e eu pressionei meus lábios contra os seus. Por um momento nada aconteceu, fiquei estática ali, e então suas mãos envolveram a minha cintura e o meu pescoço, me impedindo de se afastar. Eu queria me afastar? Aquilo era tão bom. Deixei meu corpo relaxar e a beijei com mais vontade, invadi a sua boca com a minha língua e ela correspondeu. Um arrepio percorreu todo o meu corpo e fiquei com tesão. Segurei as suas mãos e beijei-a mais uma vez, ela me correspondeu.

— Humm — escutei ela começando a dizer. Me afastei com um salto e deitei na cama de cima, puxei o lençol e me cobri. No minuto seguinte Rei ficou sentada na cama. Mordi a minha boca e fingi que estava dormindo. Ela voltou a se deitar e eu relaxei sobre o colchão.

Na manhã seguinte acordei cedo, preparei o café e fingi que nada tinha acontecido. Com sorte ela pensaria que fora um sonho.

Notas finais
O que acharam? Comentem aki depois XD