Light of Dawn
1 Prólogo
Notas iniciais
O sol me acordou cedo, um buraco feito por Jake a dias me deixava a mercê de sua luz, porém, acordei sem frustração, havia me acostumado com isso; troquei de roupa, colocando as minhas e desci as escadas, indo até a sala de estar e depois à cozinha. A geladeira estava cheia após os duendes que salvamos nos darem parte de sua comida como recompensa, mesmo que tenhamos insistido em não pegar nada. Preparei um chocolate quente e me sentei, tomando um gole de cada vez. Após algum tempo, Jake desceu as escadas, parecia mais ativo do que o normal
– Bom dia Finn — Disse ele, se esticando em direção à cozinha
– Bom dia mano — Respondi, tomando outro gole de meu chocolate quente
– Ei cara, não tem nada aqui, que tal você ir lá na casa da dona tromba, e pegar uma torta de maçã, hein? — Sugeriu Jake, enquanto se esticava em direção ao sofá e se sentava a meu lado,passando seu braço por meus ombros
–É, acho que é uma boa ideia — Respondi tomando um último gole. Me levantei, peguei minha mochila e espada por precaução
Quando abri a porta, me virei
– Como assim não tem nada na geladeira? — Perguntei a Jake, que se virou para mim, pensando em uma desculpa provavelmente
– É que a comida que os duendes nos deram é boa para comer junto com torta de maçã — Respondeu ele — Você é muito novo, não vai entender até experimentar
– É, acho que não vou mesmo — Fechei a porta atrás de mim
Olhei em volta, o tempo estava calmo, completamente calmo, o vento pairava levemente e o sol banhava as planícies; apenas mais um dia comum dos meus 15 anos de vida, inspirei, expirei, e fui até a casa de dona tromba
...
O caminho para a casa foi fácil, já comum, e o clima estava bom, morno. Assim que cheguei, bati a porta. Esperava encontrar ela, junto do senhor porco e ''Lich'', jogando um jogo ou algo assim, porém, quando dona tromba abriu a porta, vi apenas correria e bagunça
– Ah! Finn! Que bom que você veio, entre, entre — Disse a senhora, enroscando sua tromba em meu braço e me puxando para dentro. A casa estava uma completa bagunça, mapas pelo chão, cartazes de perdido semi-preparados, senhor porco corria pela casa procurando coisas, e ''Lich''... não estava em casa
– O que houve dona tromba, cadê seu filho? — Perguntei, com uma angústia crescente dentro de mim
– É isso que estamos querendo saber Finn. Mandamos ele para o reino doce, dizer para aquela princesa doce que ele não era mais problema. Mas mandamos ele já a muito tempo Finn, estamos preocupados que algo tenha acontecido a ele, você pode nos ajudar Finn?- Perguntou rapidamente ela, parecendo cada vez mais preocupada
– Primeiro, dona tromba, acalme-se! — Respondi — Eu ajudo vocês. Existe um caminho que vai daqui até o reino doce ?
– Existe sim Finn! — Exclamou senhor porco, saltando rapidamente para perto de nós — Eu ensinei a ele em passeios matinais, eu te mostro, venha rápido!
Tudo aconteceu a ponto de me deixar confuso, não tinha entendido direito a situação, só sabia que o filho deles poderia estar em perigo, então sem hesitar, segui o senhor porco.
Chegando no caminho, uma pequena trilha se seguia por entre um pequeno bosque de árvores algodão doce
– É por ali Finn, você precisa apenas seguir essa trilha e vai chegar ao reino doce — Disse senhor porco, agitado
– Acalme-se senhor porco, eu prometo por minha honra de aventureiro que trarei seu filho de volta — O senhor porco me encarou, parecendo se acalmar
– Obrigado Finn, boa sorte — disse ele sorrindo
...
Metros de trilha a frente, minha preocupação também ia aumentando. Não haviam animais ali, apertei o passo, indo de uma caminhada cautelosa a uma corrida desesperada. Parei quando percebi que minha promessa podia ter sido minhas últimas palavras para senhor porco e dona tromba. A parte mais a frente da floresta estava completamente podre, árvores sem nenhum algodão, e cinzas por todo lado, o bosque denso estava terminando e ficava cada vez pior, até o ponto onde se podia ver o reino doce.
A visão com as muralhas a frente parecia calma, nenhuma gritaria, o céu continuava azul, tudo estava... calmo.Corri em direção ao portão principal, entrei em pânico, estava tudo calmo demais, a floresta de algodão doce estava parcialmente queimada e ninguém vira nada? E onde estariam os guardiões de chiclete? Ao longe, nuvens pareciam carregadas de chuva, mesmo com o início da manha tendo sido calmo e o céu limpo
Meu pânico parou quando vi a visão a partir de dentro do reino, se transformando em terror e medo.
Chamas verdes brilhavam sob as nuvens que começavam a tampar o céu, pós rosas e marrons eram espalhados pelo vento, alguns seres doces estavam caídos, inconscientes ou mortos, e outros estavam de pé, imobilizados. Casas estavam destruídas e algumas torres do castelo estavam destruídas, e o clima ficava ainda mais tenebroso conforme ia adentrando o reino, chegando até o castelo. Arregalei os olhos e corri. Uma parede, provavelmente no segundo andar do castelo, estava destruída, e de lá de dentro princesa jujuba andava vagarosamente para trás, quase a ponto de cair; a sua frente, um homem alto de pele pálida, com chifres curvados saindo de seu capuz a forçava a ir mais além. O homem vestia um manto verde, este com seu capuz, calças cinzas e botas de couro marrons, as luvas azuis-escuro que se estendiam até o final de seus cotovelos com amarras, estavam com os dedos cortados, como luvas meio-dedo.
Corri em direção ao castelo, chamando a atenção do homem, que encontrou seus olhos com os meus, os olhos verdes normais, se tornaram apenas pontos verdes de luz em meio a escuridão, um sorriso surgiu de seus lábios
– Vejo que finalmente chegou, herói — Disse ele
– Lich! O que aconteceu, por que está fazendo isso? Seus pais estão preocupados com você! — Gritei
Ele me encarou, sua expressão de desprezo esclarecendo que já não era mais hora de coisas como essas. Lich passou pela princesa, e aterrisou a poucos metros a minha frente, me encarando
– Ridículo — Disse ele estendendo a mão direita e fazendo-a queimar em fogo verde, e logo após, fecha-la em punho
Olhei para baixo, um circulo verde se formava abaixo de mim; saltei para trás a tempo de ver o fogo sair do círculo e quase me engolir. Saquei minha espada e corri em direção a ele. Brandindo a lâmina, golpeei-o, porém segurou a espada com mão, apertou-a com força e, puxando-a, me arremessou contra a parede do castelo
Enquanto me recompunha, percebi Lich examinando a própria mão; sangue escorria por ela, porém o sangue mais parecia tinta preta. Ele voltou a me encarar e caminhou em minha direção, lentamente, invocando novamente o fogo esverdeado. O monstro, agora com rosto de jovem, aproximou a chama de meu rosto... senti minha alma como se fosse a primeira vez, como se ela saísse de meu corpo, porém antes de me queimar, um vulto o acertou e o fez voar longe
– Finn! O que tá acontecendo aqui? — Perguntou Marceline
Me levantei, ainda um pouco tonto
– É o Lich, ele recuperou a memória! — Respondi
Marceline usava sua regata cinza, calça azul marinho e botas vermelhas, roupas comuns, porém sua expressão não me era usual; uma expressão séria.
O tempo se fechou completamente com o terror que era Lich, que ao se levantar, encarou Marceline, porém seu controle de mente não havia a afetado
– Finn, o Lich que vocês disseram, não era um monstro horroroso? Esse daí parece normal, tirando ser gigante e ter chifres
– É, coisas aconteceram, ele meio que, virou um bebê gigante — Respondi, e isso infelizmente tirou a atenção de Marceline, pois em questão dos 3 segundos que seu rosto se virou, uma bola de fogo verde vôou em direção à vampira. Girei minha espada e repeli o ataque
Olhei para minhas mãos, surpreso com meu reflexo, porém quando voltei meu olhar para Lich, ele já não estava mais lá. Brandi minha espada enquanto olhava para os lados. Uma explosão. Olhei para a direção de onde ela veio, fogo queimava de todos os lados, e pude ver cidadãos doces pedindo por suas vidas dentro daquela casa. Minha guarda baixou. Um golpe foi o necessário para Lich me jogar longe. Me recompus mais rápido do que deveria poder e corri em direção a ele, que se esquivava habilmente dos golpes do baixo-machado de Marceline. Me juntei ao duelo, realizando cortes sem sucesso contra o inimigo. Em um golpe descuidado da vampira, após fincar seu machado no chão tentando acerta-lo, Lich aproveitou a oportunidade e desferiu um golpe contra o estômago de Marceline, que se segurou no primeiro instante, porém se ajoelhou de dor logo depois
Meus punhos se fecharem fortemente contra o cabo da lâmina, deixando meus ataques mais potentes e rápidos
Berrei, continuando com minha investida
Forçava-o a recuar. Porém seu olhar mudara, ele não estava tentando controlar minha mente, e estava sorrindo... ele estava se contendo
– Por que ta se segurando?! — Exclamei
Sem resposta, ele apenas continuava desviando de meus ataques; e apesar disso, eu não me cansava, cada ataque falho fazia-me querer acerta-lo mais e mais, e nesse desejo, um corte no ombro foi bem sucedido, forcei minha espada contra seu corpo, deixando o corte ainda mais profundo, e retirei a lâmina. Sangue negro jorrou do ombro retalhado, sorri com o resultado do golpe, porém esse sorriso desvaneceu na mesma velocidade com que surgiu.
O osso do ombro havia sido retalhado, porém algo surgiu, uma linha branca conectou o osso quebrado e mais e mais linhas surgiram, até o osso estar novo em folha, o memo aconteceu com o musculo, e logo estava apenas um rasgo na roupa de Lich
Minha concentração voltou após isso, golpeei-o rapidamente, mirando em seu pescoço. Porém, ele apenas segurou a espada como havia feito antes, aproximou-se de mim e me encarou, agora com seus olhos como pontos verdes em meio a escuridão. E foram apenas estes olhos que vi; minha visão se entorpeceu, e tudo a minha volta, eu havia esquecido, minha mente não estava sendo controlada... eu estava com medo. Ele pressionou a mão, e a lâmina da espada se partiu, porém não tive reação, apenas fiquei parado, até Lich pressionar meu estômago com a palma da mão e eu ser arremessado para longe
...
A vampira recobrou a consciência apenas para ver o jovem aventureiro ser arremessado para longe sem seu inimigo nem sequer ter o golpeado. Magia profana. Ela levantou, usando todas as forças, não lutava de verdade desde... desde muito tempo. Se obrigou a ficar de pé e pode sentir a energia fluir em suas pernas, correu em direção a Lich e desferiu um chute, depois um seguinte, e outro. Todos eles foram desviados, porém, conforme mais foram sendo dados, mais forte foram ficando, e quando o chute final seria bloqueado, a força foi tremenda ao ponto de passar por se braço, deslocando-o, e acertar o rosto jovem do ser, o fazendo deslizar no chão, arrastando pedaços do chão doce junto com ele.
Lich já havia se preparado, então sem perder mais tempo, avançou contra Marceline, acertou-lhe um golpe. Apesar disso, a vampira não cedeu e contra-atacou, e os dois trocaram golpes e mais golpes. O feiticeiro não conseguia derrotar a rainha dos vampiros, não importava quantos golpes dados, ela sempre continuava de pé; para dar um fim a isso, Lich incendiou sua mão e lançou bolas de fogo em direção a vampira, que defendeu todas, os cortando com seu machado e, ao mínimo sinal de defesa aberta, ele avançou, estando a centímetros dela, lançou outro ataque, e quando em contato, uma explosão de fumaça ocorreu.
Mesmo Lich, arregalou os olhos ao ver o jovem Finn, de pé em frente a vampira, repleto de feridas e sangramentos, ele ainda sim parou o ataque, usando o resto da lamina
– Tá, já chega né? — Respondeu o garoto, seu olhos cheios de determinação e confiança
Ele avançou contra seu inimigo, apesar da diferença de tamanho, e uma espada quebrada, o jovem realizava cortes rápidos e preciso, todos eles acertando, em um frenesi. A vampira, após sua surpresa, se juntou de Finn, e voltou a atacar Lich com seu machado, fazendo-o recuar e mesmo que momentaneamente, a esperança os invadiu, os ataques pareciam fazer as esquivas do feiticeiro se tornarem mais vagarosas. Toda vez que tentava lançar magia profana, era interrompido, os dois tomaram a vantagem na luta, enchendo-se de energia. Isso durou até Lich segurar o ataque do machado e da espada ao mesmo tempo
– Vocês são poderosos, extremamente fortes. Porém, já achei o que queria — Disse ele nos encarando
Um barulho foi ouvido, um trovão, uma nuvem em espiral surgiu. Fumaça saia das mãos de Lich, um feitiço que estava invocando. Porém isso foi percebido muito tarde pelos dois...
Uma chuva de meteoros irrompeu do céu, cortando o ar e enchendo-o com cheiro de enxofre. A visão caotica seria bela pintada a partir de um quadro, mas aquilo era real, aquilo era um poder massivo de destruição e, Finn sem pensar, largou a espada e correu. Já Marceline tentava de todas as formas, arrancar o machado das mãos de seu inimigo. Ao perceber isso, o jovem correu e puxou a vampira. Os dois se protegeram em uma casa destruída. Já Lich, continuava parado, estático, com as armas de ambos em suas mãos.
Os meteoros se chocavam contra o castelo e as casas com força de impacto tremenda, causando tremores e crateras, Finn pensou em como estaria princesa jujuba, e percebeu que, apesar de já ter gostado dela uma vez, ainda se importava, estranhamente, se importava muito, porém não sabia se sua paixão havia revivido ou alguma outra coisa, porém não tinha tempo para pensar nisso; um deles acertou a casa em que ambos estavam, porém as partes que cederam não os tiraram de cobertura
Após o barulho cessar, os dois saíram da casa, alertas a qualquer ameaça. Quase tudo estava destruído, poucas partes do castelo saíram ilesas. Uma cortina de poeira entorpecia a visão. Pontos verdes surgiram na escuridão, Marceline e Finn pararam ao vê-los
– Porcaria! — Reclamou Finn. Sua visão havia se tornado completamente negra, apenas os dois olhos verdes eram captados, estava frio, extremamente frio, estava em uma solidão nunca sentida antes, se sentia pequeno e incapaz na infinita escuridão
"Você já viu do que sou capaz, por que ainda resiste? Sabe que sou extremamente poderoso, você é apenas um pequeno garoto, mostre-se sábio, desista, você está cansado"
A voz em sua cabeça o fez ficar cansado, foi perdendo a extase de estar lutando, queria apenas descansar
"Não quero lhe matar, não ganharei nada com isso ainda, deixarei você vivo, precisa apenas descansar... apenas... desista"
Uma mão se estendeu para o garoto, atraindo a pega-la, atraído a desistir, era como se toda sua coragem houvesse se esvaído
Antes de pega-la, Finn caiu em si, como uma cachoeira revigorante, seus sentimentos de coragem e sua sanidade voltaram para ele, e aos poucos foi criando determinação a não ceder a tentação, se lembrou que os outros dependiam dele, e sua mente respondia com fúria a outra voz
"Sou mais forte que você!"
Dizia a mente de Finn
– Eu continuarei lutando! — Gritou o jovem, já com sua própria voz, revigorado, sem sentir o peso de seus pés nem a petição de desistência de seus braços, e sua visão negra voltou a ter cores, a mão de Lich continuou estendida, com um olhar enfurecido como resposta
O feiticeiro bufou, recolheu um pouco o braço e o incendiou por completo, no canto de sua boca, parte da pele dos lábios se desgastava longe, revelando um sorriso e por um único momento, Finn hesitou, o que pôde ser visto pela vampira surpresa a seu lado. Ele estendeu a mão, porém o fogo apagou. Fumaça começou a sair de seu braço, queimando a pele, que se desgastava e voava, as chamas passando a consumir os músculos, até sobrar apenas ossos, que continuarem intactos, e Lich apenas observava isso
– Seu maior erro, Lich, foi ter confiado tanto em um corpo de carne outra vez — Hunson Abadeer surgia da poeira, para surpresa de Finn e Marceline. Quanto tempo ele esteve alí? Porém em sua mão, enscrições em sangue vibravam, aparentemente afastando Lich
O feiticeiro estendeu o braço, tentando lançar as chamas no governador da noitosfera, porém elas continuavam incessávelmente, tentando queimar seu braço e não seguiam suas ordens. O rosto jovem, agora com um braço esqueleto, se virou em outra direção, estendeu a mão boa, abriu um portal e sumiu por ele.
O jovem Finn respirou profundamente, mas suas pernas pesaram, e ele desabou, inconsciente
...
Ele acordou no hospital doce, em uma das camas de lá, olhou em volta, dezenas de outros doces feridos tanto quanto ele, ou até pior. Olhou pela janela, estava noite. Tudo acontecera naquela manha? Ou ele ficara inconsciente por dias? Isso ele não sabia
– Oh, você acordou! Que boa notícia! — Disse o doutor sorvete com um sorriso estampado em seu rosto — Avisarei a princesa imediatamente
Alguns minutos após a saída do doutor, princesa jujuba apareceu pela porta, e acompanhada dela estava Jake e Marceline, que vieram correndo a seu encontro
– Aí irmão, que bom te ver inteiro cara! — Disse Jake, que abraçou o jovem garoto
– Calma cara, to inteiro mas ainda dói — Retrucou Finn, fazendo Jake o soltar
O jovem humano encarou a rainha dos vampiros
– Que bom que sobreviveu hein, a batalha foi extremamente difícil e desgastante, ele não me feriu muito, e minha regeneração é bem tensa, por isso não estou igual a você — Disse ela
– Para você, para mim foi um massacre. Fui apenas um... um... um fardo, fui destruído pelo Lich
Marceline se calou por um instante antes de falar
– Não é verdade, você me salvou duas vezes, te devo duas — Retrucou ela
– Você teria saído dali, quando ele me jogou longe, e eu fui esmagado por uns tijolos, o que doeu muito, eu vi você lutando com ele. Aqueles chutes que você deu, foram sinistros! Quando eu tava atacando o maldito, ele não estava nem tendo trabalho, já quando você lutou, deu pra ver que ele estava preocupado, tava pensando que poderia perder e teve ate que mudar para uma estratégia que fosse mais rápida, sendo que ele tava tentando ganhar tempo! Por isso que no final ele tava mais fraco, porque tava guardando energia. Eu só servi como saco de pancadas — Disse Finn, calando a todos por um momento
– Ei, se liga cara, você me salvou! Nas duas você me impediu de ser morta — Respondeu Marceline
– Você salvou a mim também Finn. Se você não tivesse chegado naquela hora, eu já estaria morta — Disse princesa Jujuba, entrando no assunto
O garoto sorriu, indicando aos amigos que eles haviam vencido
– Certo, acho que vocês tem razão — Disse Finn
– Elas tem razão — Concluiu Jake
O silêncio tomou conta, até a princesa quebra-lo com um assunto, que para Finn, seria avassalador
– Existe alguém querendo falar com você Finn — Após dizer isso, dona tromba entrou vagarosamente pela sala, triste, porém tentando mascarar a tristeza com um sorriso, o que destruiu o momento para ele, que fizera a promessa, agora teria de arcar com as consequências. Percebeu o quanto era fácil decepcionar os outros quando se é fraco com ele era
– Olá Finn, que bom que está bem — Disse ela
– Dona tromba... eu... eu...
– Não precisa se desculpar Finn — Interrompeu ela — Esse malvado que atacou o castelo e fez tantas vítimas, ele era muito poderoso Finn, não o culpo por não conseguir impedir meu filinho de ser raptado
O garoto estava prestes a dizer algo, quando percebeu o que a senhora havia dito, olhou para a princesa, sua expressão dizia algo como "siga com o plano", e o olhar de Finn se suavizou, voltando para a pequena elefanta
– Mesmo assim, eu me desculpo. Eu prometi por minha honra de aventureiro que conseguiria, e não consegui. Agora, acho que sinto meio que um... vazio, dentro de mim. Farei tudo o que conseguir para recuperar minha honra
A senhora sorriu. Todos continuaram conversando sobre como foi a batalha, e conseguiram afinal um sorriso do garoto e após um tempo todos se retiraram, achando que conseguiram uma vitoria sobre a tristeza do humano, porém, eles não teriam saído se reconhecessem a falsidade que foi imposta no sorriso do garoto.
...
Após a volta, semanas depois, do jovem para casa, tudo parecia estar bem. Nenhum sinal de Lich, os dias continuaram ensolarados e comuns, a princesa de fogo foi informada sobre o ataque e passou a ajudar na reconstrução, e mesmo tendo rompido romanticamente com o jovem, ainda ficou feliz quando soube de sua boa situação; porém, Finn estava em um maremoto de decepções consigo mesmo. Não aguentava ser tão fraco e passou a desejar mais poder, porém quando se deu conta, percebeu que ter mais poder apenas o faria um assassino ainda maior do que... do que já era, ele aceitou que o que fazia era apenas uma mentira para violência... ou pelo menos assim pensava ele. O jovem engoliu todas as emoções, e prometeu para si mesmo
"vou ficar mais forte, ficarei e protegerei meus amigos, nada me impedira de fazer isso!"
Em um dia normal, após estudar muitos mitos e lendas, arrumou suas coisas, escreveu uma mensagem e a deixou em cima de BMO
– Dê isso pra Jake quando ele chegar, certo? E não leia
– Claro Finn, gosto de surpresas. Mas onde você vai? — Perguntou o pequeno e emotivo videogame
– Ah, vou dar uma saidinha por aí — Mentiu o garoto
O jovem saiu pela porta da frente e... correu, correu até onde seus pés conseguiam, correu além de onde se lembrava ter ido alguma vez, o sol não atrapalhava, mesmo o dia quente não conseguiria impedir o garoto de se tornar mais poderoso, não era a dor que seus pés sentiam após tanta correria que o impediria de se tornar mais poderoso, não era o receio crescente que o impediria
...
Jake
Após uma visita a lady, voltei para casa. Iria convidar Finn a ir em uma aventura para aumentar seu moral, afinal, por que não ir em uma caverna úmida em um dia quente como esse?
Ao chegar em casa, fui abordado por BMO, que estava com uma carta em cima da cabeça
– Oi Jake! Uma carta do Finn, ele queria que eu te entregasse sem ler ela — Falou animado
– Uma carta? Ele não ta em casa? — Perguntei
– Não, ele saiu para uma caminhada
Me preocupei imediatamente. Finn não estava bem nesses dia. O que ele poderia acabar fazendo me preocupava. Peguei a carta acima de BMO e a li. Após chegar na metade dela, a amassei e arremessei para longe, enquanto pegava o robozinho e corria em direção ao reino doce
...
– O Finn o que?! — Berrou Jujuba
– Ele fugiu! — Respondi em tom igualmente alto
– Por que? Eu não entendo!
– Ele tava deprimido esses dias, mas achei que ia passar... tanto que ia convidar ele para ir em uma aventura comigo. Acabei achando uma carta no lugar
A princesa andava de um lado para o outro, pensante e agitada, pensava que só eu me preocupava assim com Finn
– Onde é o ponto que vocês conhecem mais longe da casa na árvore? — Perguntou ela
– Acho que é a casa da Marceline — Respondi
A princesa coçou o queixo por um momento, silenciosa...
– Vamos rápido para lá! — Berrou ela
...
Corri o mais rápido que pude em forma de onça para a princesa se apoiar em mim, e quando chegamos a casa de Marceline, o sol estava para se pôr. A vampira estava tocando músicas recostada em frente a sua casa, seu baixo-machado já concertado
– Marceline! — Gritou Jujuba, desconcentrando a jovem
– O que é, to no meio de uma música — Disse ela, como se não se importasse de verdade
– É o Finn, ele fugiu — Respondi, e vi seu olhar se tornar confuso e tenso
– Como assim gente, ele fugiu? Por que? — Perguntou ela
– É, ela também não viu ele — Disse Jujuba, se direcionando a mim — Jake, temos que correr ele pode estar em qualquer lugar
A princesa novamente montou em mim, e corri até onde meus pés aguentarem; a única resposta de Marceline foi um grito
– Espera aí! Vou com vocês!
...
Ao final da corrida, eu estava exausto, porém ainda desesperado, o que o garoto tava pensando?!
– Não tem mais como eu correr princesa — Disse à ela
Um silêncio se instalou em nós três. Apenas observamos o sol ir desaparecendo no horizonte. Quando ele voltaria? Ninguém sabia, porém o som de um flauta irrompeu nosso silêncio
– Ei, olhem ali! — Gritou a vampira
Ao fundo, lá estava Finn, terminando uma canção com sua flauta e ao nos ver, sorriu, e desapareceu no horizonte. Uma miragem talvez, talvez o próprio Finn, isso não sabíamos
– Jake, o que diz a carta? — Perguntou em fim Marceline
Um silêncio. Mortal para todos que queriam ouvir o que as últimas palavras do aventureiro foram. Meus ombros se relaxaram. O que ele tinha na cabeça. Por que achava que tinha que ser desse jeito? Nem sequer fazia sentido os problemas de Ooo aparecerem só deste evento para frente. Não fazia... então por quê?
– Diz que é para esperarmos por ele, que voltará mais forte como nunca esteve e que poderá nos proteger, mesmo dos piores males, e que irá honrar suas promessas daqui em diante. Pede também para que não percamos a esperança de que ele realmente voltará, "afinal, eu poderei me virar" — Conclui, e ao mesmo tempo, senti lágrimas caírem de meus olhos; frias, porém de felicidade por Finn se importar tanto conosco, mais do que qualquer um imaginava que seria possível
Eu escolheria acreditar. Queria acreditar. Tinha que acreditar.
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