Light in my Life
4 Conversation
– Lucy, me fala a verdade, você tem amigos? – Essas palavras me atingiram como uma bala, bem certeira no meu coração.
Essa era a conversa que eu tentei evitar durante anos, meu pai estava parado na minha frente esperando a minha resposta. O que eu falaria? “Não, papai eu não tenho amigos, sou anti-social não se preocupa.” “Não papai, eu não quero amigos”, quando eu sentia tanta falta de um ou eu poderia falar a verdade “não tenho amigos por que ninguém me quer só por eu ser Lucy e sim por ser Lucy Hale”, não percebi que estava chorando, só quando meu pai me abraçou.
– Não chora minha pequena! Eu te amo, desculpa – Ele falou sem jeito – Eu não devia ter perguntado.
Era mentira eu havia gostado dele ter perguntado, eu não gostei de não ter o que responder, como se minha vida não passasse de um lixo. Eu passava tempo demais mentindo para o meu pai que estava tudo bem quando realmente não estava, eu não tinha amigos, eu não tinha mãe, eu passava tempo demais longe dele, mas mesmo assim eu não podia ser egoísta ao ponto de ver o Ken desfeito por meus caprichos.
– É eu não tenho amigos. – declarei vencida em seus braços protetores.
– Você quer falar sobre isso? – ele me perguntou olhando em meus olhos. Como se imãs as puxassem as palavras começaram a fluir.
– As pessoas não querem saber de mim, elas só se aproximam para ter acesso a você e a nossa casa, interesse pai, interesse na nossa vida, em ganhar dinheiro revelando minha foto, tirando minha liberdade. – terminei em um acesso de choro e afundando meu rosto em seu peito.
– Você já pensou que nem todos podem estar pensando nisso, Lucy, minha luz tenta fazer amigos, vai te fazer bem. – Meu pai falou acariciando meus cabelos.
– Eu tenho medo. – declarei abaixando a minha cabeça, era como se o chão puxasse meu olhar com uma força esmagadora, uma força gravitacional.
– De que? Do que? – ele me perguntou segurando minha mão
– Das pessoas me enganarem – falei tão baixo que se ele não estivesse prestando atenção em mim provavelmente não ouviria.
– Você está sofrendo por antecipação, você reparou, sofrendo por medo. – Ele falou levantando minha cabeça para que pudesse ver meu rosto. – Me promete que você vai tentar fazer amigos. – Ele falou sorrindo e me apresentou o dedo mindinho da mão direita, o sinal do nosso pacto.
– Vou tentar – falei não tentando selar nosso pacto.
– Promete? – ele me perguntou novamente.
– Prometo – falei enlaçando meu dedo no dele.
Minha relação com meu pai sempre foi assim, não me lembro de nenhuma vez que ele tenha me batido, já a vovó Simone já me bateu três vezes. Sempre nos entendemos muito bem, palavras gestos.
– O que você vai querer jantar? – ele me perguntou sorrindo.
– Por que não pedimos comida chinesa? — sugeri sorrindo também, sem dúvida havíamos nos entendido.
– Você tem para casa? – Ele me perguntou sondando, com certeza ele queria um momento em família.
– Todos para amanhã estão prontos. – Falei sorrindo mais ainda era nesses momentos que era bom ser uma boa aluna.
Eu já sabia o que meu pai queria, iríamos jantar assistindo um filme juntos e depois tomar sorvete lá no quarto dele, e brincar e conversar até eu adormecer. Era um dos momentos em família que eu mais gostava. Sempre com ele. Sempre nós dois.
– Qual filme você quer assistir? – Ele me perguntou sorrindo, era sempre desenho, um filme que nós podíamos dar muitas risadas. Eu pensei no meu preferido Aladim, eu sempre me identifiquei com a princesa Jasmine.
– Aladim!!!!!!! – respondi feliz correndo para buscar o filme. Mas ainda consegui escutar meu pai gritar na sala.
– Precisamos ampliar a nossa coleção de filmes! – Voltei correndo e debrucei no corrimão da escada.
– Vai continuar sendo o meu preferido! – Falei sorrindo tendo uma gargalhada como resposta antes do meu pai ir ao telefone pedir o nosso jantar.
Era assim! Meu pai sempre me deixava escolher o filme, eu sabia que a vida do meu pai era eu e o Ken, mesmo com toda distância ele era o melhor pai de todo o universo, um pai que sempre estava do meu lado apesar da distância. Eu era quem era por ele. Jantamos na cozinha e fomos assistir o filme e tomar sorvete no quarto dele, na grande cama de casal que foi comprada, como tudo na minha casa para ser usado depois do casamento que nunca ocorreu. Mas meu pai mesmo assim decidiu se mudar para lá comigo.
Assistimos Aladim cantando as musicas juntos, no dueto Aladim e Jasmine o fizemos, terminando em gargalhadas, as vezes eu imaginava minha vida se minha mãe estivesse viva, conosco. Eu adormeci na cama dele um pouco depois do fim do filme, eu adorava dormir com meu pai mesmo sabendo que já estava grandinha para isso, “mocinha” como minha avó insistia em falar.
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