Light & Darkness - HIATUS
6 Coragem
Notas iniciais
Já passaram semanas e Brittany ainda não havia falado comigo. Nem mesmo nas aulas, ela nunca ficava perto de mim e quando eu tentava falar alguma coisa, ela me cortava logo. Estava tudo indo de mal a pior. Por que logo quando eu admito para mim mesma que estou apaixonada por alguém, só merda acontece? Parece até que o mundo está tentando me dizer que eu nunca vou ser feliz nessa vida.
Sentir ódio, tristeza e todos os piores sentimentos possíveis acabaram se tornando rotina para mim, e isso estava me corroendo por dentro. Eu tinha que fazer alguma coisa. Só não sabia o quê.
Enquanto caminhava para a aula de Transfiguração, Rachel veio correndo em minha direção.
— Santana, espera! – gritou ela.
— O que foi? – pergunto. O que diabos ela poderia querer comigo agora?
— Eu soube o que aconteceu com a Brittany… E que você gostava dela e tudo. Sinto muito. Vim apoiar você, já que você me ajudou com o Finn.
— Eu te ajudei com o Finn? Pera aí… Quem te contou que eu gosto dela? – eu estava ficando cada vez mais furiosa.
— Você me ajudou com o Finn quando falou que era bom interagirmos com pessoas de outras casas. Tá, não estamos namorando nem nada, mas eu acho que futuramente…
— Rachel! – interrompi ela. – Quem te contou que eu gosto da Brittany? Foi a Quinn não é? Vou quebrar a cara daquela vadia.
— Não é culpa dela! Eu obriguei ela a contar. E acho que você não deveria ter vergonha da sua sexualidade. Olha só o Kurt e o Sebastian, ambos são abertamente gays e não há problema nisso.
— Agora estou pensando em quebrar a sua cara. – falei.
— Não faça isso, por favor. – ela se encolheu e fechou os olhos esperando que eu fizesse alguma coisa. Como eu não fiz nada, ela continuou falando. – Prometo que não irei contar para ninguém. Se você não quiser, claro. Aliás, só vim aqui para te contar uma fofoca. Uma ótima notícia pra você, na verdade.
— Não quero saber de nenhuma fofoca, Rachel. Não estou no clima pra isso.
— Mas você vai gostar dessa! – eu estava andando mais rápido dessa vez e ela teve que correr para me alcançar.
— Por acaso você sabe o significado de “não”? – estava considerando muito dar um soco na cara dela para ela calar a boca. Depois eu iria fazer o mesmo com Quinn por contar o único segredo importante que eu confiei à ela. E ainda foi para a anãzinha da Rachel Berry.
— Santana, a Brittany e o Sam tiveram uma discussão. Eles terminaram.
Isso sim foi uma fofoca que me fez parar de andar e prestar atenção nela.
— Como assim?
— Não sei direito. Parece que foi bem feio. Ele estava achando que era drama dela ficar chateada pelo o que aconteceu com vocês. Disse que sonserinos são assim mesmo e ela não devia ficar se preocupando à toa. Claramente ela não achava o mesmo.
— Foi tudo culpa minha. – eu parei e me recostei na parede.
Eu sei que talvez Rachel achasse que eu deveria estar feliz com isso, e deveria mesmo, mas não estou. Me sinto culpada e péssima. Não era assim que eu queria que as coisas saíssem.
— Claro que não. Você apenas… falou a coisa errada na hora errada. Eu não acho que isso deveria ter deixado a garota com tanta raiva. – ela deu de ombros como se não fosse nada demais. Ninguém realmente parece entender a seriedade disso.
— Bom, não é como se ela fosse querer voltar a falar comigo, de todo o jeito.
— Vem, vamos para aula. Podemos descobrir o que fazer. – como alguém poderia ser tão puta, mas tão legal ao mesmo tempo?
— Como você está me dando todo esse apoio emocional… eu acho que você deveria falar com o Finn. Dizer o que sente. Eu não fiz isso e olha só no que deu.
Ela pareceu considerar a hipótese.
Pov. Brittany
Eu tinha um período livre agora, então aproveitei para ficar com meus amigos Blaine e Mercedes Jones – que era da Grifinória – nos jardins de Hogwarts. Torci para não me encontrar com Sam ou Santana. Essas últimas semanas estavam sendo um pesadelo vivo. Eu apenas estava sendo legal e Santana me disse aquilo? Me ofendi muito com o jeito que ela falou. Como se estivesse apenas conversando comigo ali só porque achava que eu era sangue puro. Essa foi a última vez que confiei em qualquer pessoa da Sonserina. Eles são todos perversos e sempre têm segundas intenções. E eu achando que ela tinha realmente gostado das flores! Aquela falsa.
Para piorar, meu namorado Sam começou a discutir comigo sobre isso. Eu fiquei realmente mal com tudo o que tinha acontecido, e não estava sendo mais eu mesma. Ter o sentimento de que sua confiança foi traída não é fácil. E então ele decidiu terminar comigo, pois eu estava sendo tola! O que mais poderia piorar pra mim?
— O Sam foi um babaca, mas tenho certeza que vocês vão acabar voltando. Foi só uma briga. Às vezes acontece entre namorados. – consolou-me Mercedes, enquanto sentávamos embaixo de uma árvore, para nos protegermos do sol que caía sobre nós. Ali estávamos melhor com a sombra das folhas.
— Mercedes está certa. – concordou Blaine, colocando a mão no meu ombro.
— Não sei se quero voltar com ele. – cobri meu rosto com as minhas mãos.
— Está brincando? Vocês se amam! – disse Mercedes.
— Ele não acreditou que o que eu estou passando é sério! Vocês acreditaram, por que ele não pode?
— Sam só estava defendendo o que ele acredita. E pra proteger você. – afirmou Blaine.
— Vocês estão do meu lado ou não? – pergunto, irritada. Será que é errado só querer o apoio de meus amigos nesse momento?
— Não temos nenhum lado. Mas se você quiser um ombro pra chorar, ficarei feliz em oferecer o meu. – falou Mercedes. – Além do mais, aquela Santana é uma puta duas caras, mas não acho que deveria ficar desse jeito por causa daquilo que ela disse. Sei que é uma palavra muito feia, mas temos que concordar que sonserinos são assim mesmo. Não são confiáveis.
— Acho que só tive a impressão errada sobre ela. Achei mesmo que poderíamos ser amigas. Me intriguei um pouco com o jeito dela, mas senti que ela ficava diferente quando conversava comigo. Melhor.
— Não é sua culpa. – disse Blaine. Os dois me abraçaram. – Só não queremos que termine essa relação tão boa quanto a que você tem com o Sam. Quer dizer, vocês são tão felizes juntos. Quem dera eu ter alguém assim.
— Pois é, nem me lembro a última vez que beijei um cara. Garota, foi há muito tempo. – todos rimos. Mercedes sabia como animar qualquer situação. – Agora quero que você enxugue essas lágrimas e se imponha. Mostre pra eles que você é quem manda.
— Tudo bem. – digo, enxugando as lágrimas que sempre pareciam cair do meu rosto nessas últimas semanas.
— Agora, podemos mudar o assunto para algo um pouco mais animador? – perguntou Mercedes.
Pov. Santana
Já tínhamos acabado o jantar e percebi que Brittany não tinha aparecido lá. Agora sim eu fiquei preocupada. Até mesmo os amigos dela estavam aqui. Inclusive o Sam.
Enquanto ia para o Salão Comunal com Kurt e Rachel, que conversavam sobre algo no qual eu não estava nada interessada, resolvi interceptar Blaine.
— Ei, Blaine. – ele parou e me olhou com desdém.
— O que você quer? – nunca tinha visto um lufano falar com tanta raiva.
— Percebi que Brittany não apareceu hoje no jantar. Onde ela está?
— Isso não é da sua conta. Ela não quer falar com você.
— Por favor! Eu quero me desculpar. Estou completamente arrependida e sei que arruinei tudo. Só me dê uma chance de falar com ela e dizer tudo o que eu sinto.
Ele suspirou, derrotado.
— Não sei se esse seu plano irá funcionar. Mas, ela deve estar no Lago Negro. Brittany gosta de olhar pro horizonte. Ajuda ela a pensar.
— Obrigada. – tive um impulso de abraçar ele, mas não o fiz. Ele ainda não gostava muito de mim.
Corri para o Lago Negro como se o mundo estivesse prestes a acabar. E, de certa forma, se eu não chegasse rápido realmente iria.
Encontrei ela andando à beira do Lago, molhando os pés. Estava ainda mais linda na luz da lua.
— Brittany. – falei, para chamar a atenção dela. Achei que seria melhor do que tossir ou fazer outra coisa.
— Vai embora. Não quero falar com você. – isso sim foi ser direta. Eu não iria desistir tão fácil.
— Por favor, eu preciso falar com você. Isso teria que acontecer uma hora ou outra. Não pode me evitar para sempre.
— Eu achei que poderia. Quer dizer, o castelo é grande. E só temos mais um ano aqui. – ela deu de ombros. Não me olhou nos olhos nenhuma vez.
— Brittany, eu sinto muito. Não queria falar aquilo. É que, bem, quando você é criado falando coisas assim, acaba saindo. Eu só preciso do seu perdão, isso está me matando. Eu prometo que vou tentar ser melhor, e até irei parar de xingar os outros alunos de otários. Tá, só às vezes. Quando realmente me irritarem.
— Você está fazendo isso por você, ou por mim? Quer meu perdão para parar de se sentir culpada, ou porque realmente quer tentar ser uma pessoa melhor?
— Estou fazendo isso por você, quero mesmo ser uma pessoa melhor. Ou ao menos tentar. Quero que sejamos amigas. Eu sei que é besteira, pois mal nos conhecemos, mas eu gosto de conversar com você. É diferente de quando eu falo com um dos meus amigos. Sinto que você é confiável. No fundo, sempre admirei a sua bondade.
Mesmo estando escuro, quase pude notar que ela estava corando.
— Tudo bem. Mas, você terá que me provar isso. O que acha de sairmos juntas no passeio para Hogsmead? Como amigas.
— Eu adoraria. – não pude deixar de sorrir. Soltei a respiração, que nem tinha notado que estava segurando.
— Então está combinado.
Pov. Rachel
Quando Santana nos deixou e saiu correndo para sei lá onde, Kurt começou a conversar com o tal do Blaine. Com certeza os dois estavam flertando. Então decidi seguir meu caminho sozinha.
Porém, eu vi Finn cruzando o corredor e decidi falar com ele. Era a minha oportunidade.
— Finn! Espera, eu estava mesmo querendo falar com você.
— O que foi? – ele pareceu confuso, o que o deixou mais fofo ainda.
— Você sabe que iremos para Hogsmead amanhã não é? – pergunto.
— Sei. Por quê?
— Eu achei que talvez deveríamos ir juntos. Sei que parece estranho, mas você é um cara bem legal, e acho que talvez, não sei, só se você quiser, poderíamos ser um…
— Está me chamando para, tipo, um encontro? – ele pareceu ficar feliz com a ideia, então eu também fiquei.
— Sim. Desculpa, eu estava enrolando.
— Eu aceito. Acho que vai ser muito bom.
Essa foi a primeira vez que alguém me deixou sem palavras. Não esperava que ele fosse mesmo aceitar.
— Também acho você… bem legal. – ele disse.
— Obrigada.
Às vezes você só precisa de um pouco de coragem e alguns minutos para fazer algo bom acontecer.
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