Light & Darkness - HIATUS
10 Condenados
Notas iniciais
Já estava na hora de voltar para Hogwarts, e enquanto andávamos para a saída, havia um pequeno grupo de alunos parados no meio do caminho, juntos de Hagrid. Alguma coisa estava errada. Corri e abri caminho por entre eles, Brittany me seguiu. Todos pareciam assustados. Olhei para baixo e fiquei boquiaberta. Uma aluna estava no chão se contorcendo. Procurei Brittany, e vi que ela estava do meu lado. Também com um olhar pasmo.
Eu já havia visto a garota pelos corredores da escola, mas não tinha ideia de qual seria o nome dela. Ela estava no time de quadribol da Grifinória, disso eu tinha certeza.
Hagrid pediu para sairmos do caminho. Nos afastamos, e então eu percebi um pacote aberto do lado da garota, onde mostrava um colar. Acho que foi isso que a enfeitiçou.
Levaram-na embora, junto com o pacote, cuidadosamente embrulhado. No entanto, eu ainda não conseguia sair de lá. Foi algo bem chocante de se ver, até mesmo para mim. Quem faria isso há uma menina inocente?
Me dei conta de que Harry Potter, seus dois amigos idiotas e uma garota da Lufa-Lufa eram o grupo que já estava aqui quando chegamos. Nunca entendi como o trio maravilha da Grifinória sempre estava por perto quando algo de ruim acontecia. Talvez se as pessoas fossem mais inteligentes, desconfiariam deles.
Escuto passos vindo atrás de mim, e me deparo com Sebastian.
— O que aconteceu? – ele perguntou.
— Uma menina foi enfeitiçada por um colar, eu acho.
Sebastian parecia estranhamente preocupado. Mais do que o normal. Porém, não era como se estivesse se preocupando com a menina, e sim como se algo tivesse dado errado. Como se ele fosse o culpado.
— Por que você está agido assim? O que deu em você? – ele ficou paralisado por um tempo, olhando para a marca da garota no chão. Eu estralei os dedos na frente de seu rosto para acordá-lo.
— O que você disse? – falou, acordando do transe.
— Por que você está com essa cara de que foi sua culpa? Nem conhecia a garota.
— Você não sabe de nada. – vociferou e saiu bruscamente, mas não para a saída de Hogsmeade, e sim de volta em direção das lojas.
Fiquei encarando ele até que ele sumisse de vista.
— No que está pensando? – indagou Brittany. Já havia esquecido que ela ainda estava aqui.
— Isso o que aconteceu… acho que tem algo a ver com Sebastian. Ele não parecia nada feliz com isso, mas se não fosse o culpado provavelmente estaria fazendo piada da menina. Ou agindo normalmente, e não desse jeito esquisito. – expliquei.
— Talvez só esteja atordoado, assim como todos. – sugeriu Brittany.
— Não, você não conhece Sebastian. Ele acha cômica as piores situações. E quando sente medo ou coisa parecida, não demonstra desse jeito. Apenas tenta ficar o mais normal possível, para mostrar que não tem sentimentos.
— Bom, isso me lembrou de alguém… – começou, mas eu não estava com tempo para outro discurso motivador. Por mais que seja fofo quando ela faz.
Eu precisava interrogar Sebastian, mas não agora. Precisava pegá-lo desprevenido. Quando estivesse sozinho na escola, talvez.
***
No jantar, todos pareciam já saber do acontecido. Cochichavam freneticamente enquanto comiam sua refeição. Infelizmente, tiveram um interesse em particular em mim, pois de algum modo acabaram descobrindo que eu também estive lá na hora. O problema é que nem eu sabia ao certo o que tinha acontecido. Cheguei no momento em que levaram a garota embora, e eu sabia tanto quanto qualquer um naquela mesa. Bem, não qualquer um, pois ainda tinha certeza que Sebastian estava envolvido.
Olho para ele, que apenas estava cutucando a comida em seu prato, e basicamente ignorava o que Blásio Zabini falava para ele. Draco também estava ao seu lado, e não parecia muito bem. Na verdade, os dois estavam agindo estranho desde o primeiro dia de aula. E eu iria descobrir o que estava acontecendo, nem que eu tenha que dar uma poção para que um deles fale a verdade.
Quando fomos para o dormitório, resolvi não interceptá-los ainda. Não iria dar em nada, seria a mesma coisa que aconteceu quando eu tentei tirar informações de Draco da última vez.
Infelizmente, dormir não foi nada fácil. Acabei sonhando com meus pais, juntos de vários Comensais da Morte. Eles riam triunfantes enquanto eu estava prestes a ser assassinada pelo Lorde das Trevas. Foi algo tão real, que eu acordei tremendo e soando frio. Sento-me na minha cama e esfrego meu rosto com as costas das mãos. Não estava mais afim de voltar a dormir, nem acho que conseguiria. Coloquei então um short jeans e uma camiseta e resolvi ficar no Salão Comunal e terminar meus deveres de casa atrasados. Eram 2 horas da manhã, então com certeza estaria bem mais tranquilo.
Me aconcheguei numa poltrona e abri o livro de História da Magia, eu precisava fazer uma redação sobre… Na verdade, eu não tinha prestado atenção no assunto que o professor havia passado. Do jeito que ele fala, eu dormi a aula inteira.
Escuto um barulho e olho para frente. Nem havia percebido que Sebastian estava sentando numa poltrona, um pouco afastada do lugar onde eu estava. Provavelmente não tinha visto que eu também estava lá. Talvez essa seja a minha hora de interrogá-lo.
— Oi. – me pronunciei, e sentei ao lado dele.
Ele estava com a cabeça abaixada, e quando se voltou para mim, percebi que seus olhos estavam vermelhos e muito inchados. Como se ele estivesse chorando.
— O que aconteceu? – perguntei, calmamente. Até fiquei surpresa com o tom de bondade com que minha voz saiu. Ele rapidamente tentou esfregar os olhos e esconder seu rosto. Tarde demais.
— Nada.
— Não minta pra mim, eu sei que você não está bem. – coloquei minha mão em seu ombro, tentando consolá-lo. Me senti meio suja, já que eu só estava fazendo isso por motivos egoístas.
— Você não iria entender…
— Tente. – pedi. Ele abriu e fechou a boca por uns instantes, provavelmente pensando no que iria me falar. Deve ser algo mesmo muito ruim.
— Eu fiz uma coisa ruim. E me sinto mal por isso, mas não tenho certeza se deveria me sentir assim. É só que… Eu estou tão confuso, não sei o que fazer.
— Isso o que você fez… Tem algo a ver com a garota que foi enfeitiçada pelo colar? – escolhi as palavras com muita calma, para que ele não acabasse ficando com raiva e não revelando nada.
— Não sei se devo te contar. Por que eu deveria confiar em você? – retrucou.
— Porque eu sou sua amiga. E quero ajudar. É sério, você não parece nada bem, e isso deve estar te matando por dentro. Crescemos juntos, e você sabe que eu sou a pessoa mais sincera do mundo. Não mentiria pra te agradar, nunca. Então, me conte o que está te deixando confuso, e eu posso te ajudar a resolver. – coloquei minhas mãos nas dele e sorri para ele com confiança. No fundo, eu sei que estava falando sério. Fiquei um pouco preocupada e passei a querer mesmo ajudá-lo. Não era mais só curiosidade mórbida.
— Você já deve saber que… O Lorde das Trevas quer matar Dumbledore. – ele fez uma pausa, e eu assenti. Eu estava ciente do plano dele. – Bom, Draco foi encarregado de fazer isso, pois ele está infiltrado na escola, e não seria um assassino óbvio. Mas, o coitado estava tão preocupado e estressado com isso, ele está enfrentando problemas até com os próprios pais, medo de que eles morram se ele falhar.
Ele parou e lágrimas escorreram de seus olhos. Nunca tive tanta pena de alguém quanto eu estava tendo de Sebastian nesse momento.
— Então, eu disse que iria ajudá-lo. Ele estava tão nervoso que não achei que conseguiria sozinho, por isso buscou minha ajuda. Enfim, a primeira coisa que fizemos foi enfeitiçar o colar, mas precisávamos dar para Dumbledore sem deixar suspeitas. Por isso, demos para a garota. Ela iria dizer para o velhote que era um presente. Eu não tinha ideia de que ela tiraria do pacote e tocaria nele. – eu fiquei completamente sem fala. Mas, me impedi de ficar boquiaberta. Permaneci com a expressão neutra.
— Certo. Então você se sente confuso… Porque não gostou de ter visto a garota machucada?
— Sim. Me senti culpado, terrível por ter feito isso com uma inocente. Isso está me consumindo. Mas aí eu me sinto fraco, pois não deveria estar me sentindo assim. Quer dizer, vamos ser Comensais da Morte como nossos pais, não é? Vamos matar muita gente.
Meu coração se apertou. Nós realmente seremos assim no futuro? Não temos escolha. Tudo pode acabar afetando nossas famílias e as pessoas que amamos.
— Não acho que seja errado ter sentimentos… Mas, sinceramente, concordo que não temos escolha. Vamos mesmo ser Comensais da Morte, e não podemos ser misericordiosos. Porém, eu me sentiria do mesmo jeito que você se estivesse no seu lugar. Merda, somos tão jovens. Por que as coisas tem que ser assim? – em um impulso, eu o abracei. Ele não fez nada para me impedir.
— Invejo os outros alunos que não tem que passar por isso. Nós vivemos num inferno. – ele suspirou e apoiou a cabeça no meu ombro.
— Sabe… Eu me sinto meio mal, pois as vezes eu desejo que o Potter seja mesmo O Escolhido e termine com isso. – desabafei.
— Eu também. Mas, por enquanto, temos que fazer o que Ele manda. Estou aterrorizado, mas não podemos recuar.
— Sebastian, eu posso ajudá-los se você quiser. Não precisam passar por isso sozinhos, eu estou com vocês. Sempre.
Fiquei mesmo emotiva. Ele não era meu melhor amigo, muito menos Draco, mas crescemos juntos e eles precisavam da minha ajuda. Eu não iria deixá-los na mão. Acho que esse curto tempo que passei com Brittany me deixou muito mais amigável do que eu era antes. Provavelmente eu teria o chamado de fraco e dado um tapa em seu rosto, depois diria que seus pais não estariam orgulhosos nesse momento. Só que eu sei exatamente pelo o que ele está passando e o quanto nossas vidas são difíceis. Não temos controle do que queremos para nós mesmos. Viveremos como servos para sempre. Ao menos, se Harry Potter não conseguir derrotá-lo. Aí estaremos mesmo perdidos.
Essa conversa com Sebastian me fez pensar que eu não deveria estar me iludindo e pensando que eu teria um futuro com Brittany. Isso nunca irá acontecer, era só um maldito sonho. Poderíamos ser amigas na escola, mas nada passaria disso. Não adianta tentar ser alguém melhor, mesmo se eu tentasse.
***
Eu e Sebastian ficamos ali, a noite toda, até que um de nós resolveu voltar aos dormitórios. Não fui eu, claro. Fiquei acordada, pensando na merda de vida que eu tenho e como pessoas como eu e meus amigos nunca poderemos ser felizes. Rachel não pode ficar com Finn, ou Kurt com Blaine. Não iremos nos casar por amor. Exatamente como aconteceu com nossos pais. Estamos condenados.
Sebastian aceitou minha ajuda, então resolvi deixar Draco à par disso. Por isso, no meio da aula de Poções eu o contei o que Sebastian me disse e que para ele estava tudo bem se eu entrasse no “time do mal” deles.
— Não quero sua ajuda, não importa o que Sebastian disse. Isso tem a ver comigo, não é ele quem decide. Sabia que não deveria ter confiado nele.
— Qual é o seu problema? Estamos todos na mesma situação. Você acha que eu também não tenho medo? Que eu não tenho pesadelos todas as noites? Draco, eu posso ajudar vocês. Passaremos por isso juntos. – eu iria ajudá-los. Nem que eu tenha que forçá-lo. – Afinal, eu já sei de tudo. É o mínimo que eu posso fazer. Ou simplesmente posso ir até o Dumbledore e contar o planinho de vocês.
— Você é uma vadia, sabia disso? – trovejou ele.
— Sim, e com orgulho. – dei um sorriso maroto.
— A resposta ainda é não. E se você tentar falar alguma coisa, eu mato você.
Antes que eu pudesse fazer alguma coisa, a aula acabou, e Draco foi para o mais longe possível de mim.
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