Life Goes On...
5 Capítulo 5
Blaze sempre chegava atrasada, porque dependia da carona da mãe, que saía de casa bem tarde. Era comum ver Blaze correndo entre as pessoas para chegar na hora. Mas na maioria das vezes sua corrida era inútil.
Era segunda-feira, e como sempre, Blaze estava correndo para chegar na sua aula. Quando algo estava ruim, ela podia contar com alguém para ficar ainda pior.
Enquanto desviava das pessoas com rapidez, Blaze sentiu alguém bater contra ela de propósito. Era Ashley. Todos os livrou de Blaze foram ao chão assim como ela. Mas no mesmo instante ela se pôs em pé novamente e encarou a loira.
-Sua idiota! Você me derrubou de propósito! – ela gritou.
-Claro que não! Não é minha culpa se você não olha pra frente!
-Escuta aqui, — Blaze deu um passo a frente – É melhor você sumir daqui antes que eu...
-Antes que você o que? Hein? Diz, Blaze. Vai me bater?
-Você tem razão. Não quero sujar minhas mãos. – Blaze fez cara de nojo.
-Ah, você quer dizer então que sua mão engravida de um cara qualquer, tem uma filha, vamos dizer, meio perdida, e eu que tenho a ficha suja? No mínimo ela te serviu como um belo exemplo, não é Blaze? Só faltou você ter engravidado do Marcus pra ser igualzinha a ela.
Blaze não conseguiu evitar a ira que se formou dentro dela quando Ashley disse aquilo. Ela respirou fundo, tomou fôlego, afastou a mão o máximo que pôde, e deu um tapa tão forte na loira, que ela perdeu o equilíbrio e caiu.
Ela estava prestes a se levantar e devolver o que acabara de receber, mas dois rapazes a seguraram a tempo. Ashley começou a se debater com toda a força querendo partir para cima de Blaze. Ela, por sua vez, abaixou-se, pegou seus livros e com os olhos cheios de água, disse:
-Nunca mais fale dos meus pais ou vai receber mais que isso.
Depois disso, virou-se e saiu. Não em direção à sala de aula, mas à rua.
Ela chorava ainda mais, abraçando os livros contra o peito. Ela atravessou a rua correndo, desejando ir embora dali, mas ao mesmo tempo se perguntando para onde iria. Pensou em ligar pra Ronnie, mas ela estava em aula naquele momento. Tudo que conseguiu fazer foi abraçar ainda mais os livros, e querendo que fossem uma pessoa, em vez de apenas livros. Olhava para o chão, querendo esconder as lágrimas das pessoas. Como uma pessoa podia ser tão cruel como Ashley? O que ela ganhava ferindo as pessoas? Prazer, talvez.
Quando ia dobrando a esquina, ela viu uma pessoa que tinha esquecido totalmente que existia, mas que ela lembrou que podia servir para substituir os livros que ela tanto desejava que fossem alguém. Antes que ela se virasse para esconder o rosto, essa pessoa a viu e apressou o passo para encontrá-la.
-Blaze? O que aconteceu?
-Não foi nada, Scott. – por um instante, ela se mostrou mais calma, mas logo depois desabou em um choro ainda maior. Scott a abraçou.
-Vem, vamos sair daqui. – ele disse.
Caminharam até o carro dele e ele abriu a porta para ela. Deu a volta no carro e entrou no banco do motorista. Colocou a mão no bolso e tirou um lenço. Entregando o lenço a ela, ele perguntou muito preocupado:
-Ei! Nunca te vi assim, Blaze. O que houve?
-Me desculpa Scott, mas não quero falar sobre isso. Você não devia estar na aula?
-Sim, mas o Will foi lá em casa ontem e esqueceu a carteira dele. – ele ligou o carro — eu vim trazê-la antes que de ele voltar dirigindo para casa. Além disso, minha aula só começa mais tarde. Está mais calma?
-Sim. Obrigada.
-É... Você quer que eu te leve pra casa?
-Não, não. Minha mãe está em casa e eu não quero que ela me veja desse jeito e muito menos saiba o motivo de eu estar assim.
-Certo. Então... Pra onde eu te levo?
-Pra algum lugar bem longe daqui.
Scott já não sabia o que dizer.
-Ei, você ta com fome? A gente pode...
-Não, Scott! Eu quero me esconder das pessoas!
-Desculpa Blaze, mas eu sei mais o que fazer por você.
-Eu sei. – ela abriu a porta e devolvendo o lenço – você já fez o bastante. Obrigada pelo lenço, pelas opções que você me deu, mas eu já vou indo.
-Espera, Blaze! Você vai pra onde? Você nem dirige.
-Olha Scott, eu sei me virar tá bom? – ela sentiu uma lágrima rolar pelo seu rosto e se odiou por parecer uma criança boba que não consegue parar de chorar.
-Você acha que eu vou deixar você assim? Entra no carro, Blaze.
Ela olhou para o chão, sem resposta. Ele tentou de novo:
-Blaze, entra no carro. Por favor.
Ela obedeceu. Enquanto ele ligava o carro, ela disse:
-Não sei por que está fazendo isso. Nós somos como dois estranhos. Depois de muitos anos morando na mesma cidade sem nos falar, só nos vimos uma única vez aqui em Nova York.
-Faria isso por qualquer um que precisasse.
Essa frase fez Blaze sentir um pouco de tristeza, mas ela ignorou.
-Obrigado. – Ela agradeceu.
Ele não sabia o que falar, nem para onde a levar. Mas mesmo assim, ele encontrou algo a dizer que resolvia as duas coisas:
-Você quer ir lá pra casa?
Ela sentiu um nó na garganta. Ele continuou:
-Só até você melhorar, aí na hora de você ir pra casa eu te levo, que tal?
Ela mexeu a boca na tentativa de um sorriso. Ele também sorriu, se preparando para sair com o carro.
Scott morava em um apartamento bem pequeno. A sala tinha basicamente uma mesinha de centro, um único sofá e um rack. Blaze o achou bem organizado até.
-Não repara a bagunça não, ta? – ele disse assim que abriu na porta e foi logo para a cozinha, deixando Blaze à vontade na sala – É que eu moro sozinho, entãão...
-Que é isso, Scott. Seu apartamento é lindo. –ela disse se sentando no sofá.
-Então, o que você vai querer? – Scott gritou da cozinha – um suco, um refrigerante, água, sorvete?
-Acho que água está bom. – ela respondeu.
Scott voltou para a sala com dois copos de água na mão. Ele deu um a Blaze e colocou o seu na mesa de centro. Ficaram um tempo em silêncio. Quando Blaze ia abrir a boca para dizer algo só pra quebrar o silêncio, Scott disse, indo em direção ao rack:
-Ei, Blaze. Você gosta de comédia, eu tenho uns filmes ótimos.
Ela sorriu. E ele nunca percebeu como o sorriso dela era lindo.
Quando ele foi deixá-la em casa, antes de ela se virar e sair do carro, ela perguntou:
-Mais uma vez, obrigada. Não precisava ter feito isso por mim.
-Esquece isso. Amigos são para isso. – ele percebeu uma certa insegurança ao pronunciar a palavra ‘amigo’.
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