Life Goes On...
14 Capítulo 14
Notas iniciais
Esse é um dos últimos capítulos e o maior de todos. Mas espero que gostem, muitas coisas irão acontecer (=
Blaze estava inquieta naquele dia. Não sabia ao certo, mas estava com um mal pressentimento. Will sabia que Ronnie havia faltado, então decidiu ir até a casa dela depois da aula. Ele ofereceu a Blaze uma carona, mas esta recusou porque tinha marcado com Scott na faculdade depois da aula. Então ele decidiu ficar com ela até o amigo aparecer.
–Se você já quiser ir para a casa da Ronnie, tudo bem. Eu espero o Scott sozinha. – ela falou, tentando passar a imagem de quem estava bem segura.–Nada disso! – ele falou balançando a cabeça negativamente – eu sei que você está com medo de que ele apareça aqui.‘É, eu estou mesmo. Não me deixa aqui sozinha’ – ela pensou e teve vontade de dizer.–Lógico que não Will – Blaze olhou para os lados nervosa – eu sei me cuidar, tá? E além disso, aqui tem bastante testemunhas.–Para com isso, Blaze. Eu vou ficar aqui e pronto.Blaze mostrou a língua para ele de brincadeira e cruzou os braços parecendo uma criança mimada. Ele também parecia nervoso. Mas por causa de Ronnie, que só deu notícias porque Scott a havia ligado. Mas essa preocupação logo se foi quando ele sentiu o celular vibrar dentro do bolso. Era uma mensagem da Ronnie. Ele encarou o celular como se ele fosse uma bomba relógio. Depois, virando-se para Blaze, disse ainda mais nervoso do que ela:–Blaze, você tem certeza de que pode ficar aqui e esperar Scott sozinha?Ela gelou. Com certeza a mensagem que ele recebera era de Ronnie, e ela devia estar precisando do namorado. Will iria ao encontro dela, e deixaria Blaze sozinha na frente da faculdade esperando por Scott. Ele a deixaria ali, nervosa, com medo de Marcus. Mas respirando fundo e parecendo confiante, ela olhou para o amigo e disse, quase chorando:–Claro que você pode ir. Eu sei que a mensagem que você acabou de receber é da Ronnie. Vai lá. Ela deve estar precisando de você. Eu fico aqui, o Scott deve estar para chegar.Ele sorriu para ela e em seguida deu um beijo carinhoso na cabeça dela.–Tá bom. Mas fica atenta, viu? Eu já vou indo, beijo meu anjo.E ele se afastou em direção ao carro. Blaze não tirou o olhar dele, enquanto andava. Ela queria saber onde ele estaria se alguma coisa acontecesse. Teve vontade de gritar, e pedir para ele não a deixar esperando por Scott sozinha. Mas se controlou. Não era justo com Ronnie. Ela ficou esperando uma eternidade que eram na verdade uns cinco minutos. Ela já achava que Scott não vinha mais. Até poderia ligar para ele, mas queria exercitar sua auto-confiança. Ela olhava de um lado para o outro, como se esperasse o trem. De longe, viu algumas pessoas entrarem em seus carros e irem embora. Totalmente nervosa, ela começou a roer as unhas. Tinha terror de Marcus. Um terror indescritível. E naquela hora, ela não pensava em outra coisa. Ela sentiu alguém passar ao seu lado e quando viu, era Ashley. Bem, ela não gostava muito da Ashley, mas talvez se ela falasse com ela, era uma companhia até Scott chegar. Mas por outro lado, o caráter da loira era duvidoso. Sem pensar, ela deu um passo a frente e falou, com a voz nervosa:–Oi, Ashley.A loira se virou com uma cara de susto. Com razão, porque Blaze nunca falara com ela a não ser para insultá-la.–Blaze? Você falando comigo?Blaze se odiou e se arrependeu profundamente de ter falado com ela. –Ah, deixa para lá. Nem sei porque falei com você mesmo.–Tudo bem. – Ashley apenas se virou e continuou seu trajeto.Observando Ashley ir para o seu carro, Blaze se distraiu mais. Ela odiava aquela loira. Ocupada em observá-la com raiva, ela nem percebeu que alguém se aproximava por trás.–Sentiu saudades?Ela quase gritou, mas antes disso, Marcus continuou:–Shh, se gritar já sabe – e mostrou através da camisa uma arma presa à sua calça – Você vai fazer o que eu mandar, ok? Agora começa a andar.Blaze congelou. Ela começou a chorar.–Caminha, e não chora.Ela engoliu o choro e começou a andar. Então ela percebeu como é ruim ver as outras pessoas em suas vidas normais e essas mesmas pessoas não perceberem quem corre perigo. Como é ruim não poder gritar, pedir socorro, praticamente na mira de uma arma. Atravessaram o estacionamento, e Blaze já não podia conter as lágrimas e o medo. Ela viu Ashley, que em instantes falava com ela, abrindo a porta do carro. Então ela percebeu que estavam caminhando para próximo do carro da loira. Andaram ainda mais, e Blaze percebeu que o carro de Marcus estava estacionado ao lado do de Ashley. Ele abriu a porta do carro e a mandou sentar no banco do passageiro. Depois deu a volta no carro e sentou no do motorista. Blaze entrou no carro de cabeça baixa, portanto não pode ver se Ashley percebera que ela estava sendo seqüestrada. Marcus começou a retirar o carro. Primeiro lentamente, depois deu uma arrancada forte e saiu do estacionamento da faculdade. Isso fez Blaze chorar ainda mais. Em pânico, ela virou-se para ele. Era a primeira vez depois de mais de um ano que ela olhava para aqueles olhos tão maldosos.
–O que vai fazer comigo? – Ela perguntou, desesperada.–Epa. Nada de gritar, eu já disse. – ele apontou para o revolver – e você já deve saber o que eu vou fazer com você. Ela levou a mão a boca e balançou a cabeça.–Não, por favor Marcus. Por favor, tudo menos isso! – Ela agora chorava compulsivamente.–Cala a boca. Você nem sabe do que eu to falando. Não se preocupe, nós vamos arranjar um jeito de você me pagar. – ele olhou para ela com um terrível sorriso de sarcasmo no rosto.–POR QUE FAZ ISSO? – Ela gritou.–EU JÁ DISSE PRA CALAR A BOCA! – Marcus gritou ainda mais alto. – VOCÊ ME TRAIU, BLAZE. VOCÊ CONTOU PRA POLÍCIA QUE EU INCENDIEI AQUELA IGREJA. ERA PARA O SCOTT TER SIDO PRESO NO MEU LUGAR! ELE ESTAVA NA HORA. E O IDIOTA DO PAI DA RONNIE TROUXE A CULPA PARA ELE. E O QUE O SCOTT E O WILL FIZERAM? DISSERAM PARA O VELHO QUE EU QUEIMEI AQUELA DROGA! E VOCÊ HEIN, BLAZE... PENSEI QUE IA FICAR DO MEU LADO...–EU NÃO TINHA ESCOLHA! EU SABIA QUE O QUE VOCÊ FEZ FOI ERRADO! E A RONNIE É MINHA AMIGA, E VOCÊ CONTRIBUIU PARA QUE O PAI DELA MORRESSE! – Blaze chorava tanto que mal conseguia respirar. Ela soluçava alto. Tinha medo do que iria acontecer.–QUE MENTIRA! ELE JÁ ESTAVA DOENTE FAZ TEMPO. – Marcus gritava e dirigia perigosamente, em alta velocidade. – ELE JÁ FOI TARDE.Blaze sentiu uma fúria vindo de dentro do coração e se espalhando pelo sangue que ele bombeia. Seus músculos ficaram rígidos.–SEU PISICOPATA! EU TE ODEIO! EU FUI MUITO BURRA DE TER FICADO COM VOCÊ UM DIA! VOCÊ QUER SABER? FOI UMA PERDA DE TEMPO. E SÓ AGORA EU DESCOBRI QUE PODERIA TER USADO ESSE TEMPO PARA FAZER NOVOS AMIGOS, COMO EU TENHO AGORA. EU TE ODEIO! E EU AMO O SCOTT! VOCÊ É UM FRACASSADO, MARCUS. UM FRACASSADO!Marcus não teve dúvidas: Com uma mão segurando o volante e a outra livre, ele tirou a arma e apontou para Blaze.–EU JÁ DISSE PRA CALAR A BOCA, CARAMBA! Blaze chorava tanto que a sua cabeça doía. O mudo lá fora parecia girar, ela só queria saber se Scott já havia chegado à faculdade, onde eles marcaram de se encontrar. Se Ronnie estava bem. Se Will estava bem. Tudo que ela mais temia era que Marcus cometesse alguma loucura com ela. Seu coração encheu-se de uma mistura de sentimentos: dor, raiva, medo, tristeza, angústia, saudade. E sem poder se mexer, tudo que ela mais queria é aquilo acabasse. De um jeito ou de outro, tinha que acabar. Marcus recolheu a arma e sorriu para ela:–Você não vai morrer agora, Blaze. Ia ser muito fácil assim. Primeiro vai sofrer um pouquinho.–Marcus, pelo amor de...–PARA! VOCÊ QUER QUE EU PERCA A POUCA PACIÊNCIA QUE ME RESTA?Agora eles estavam saindo da cidade. Marcus dirigia pela estrada principal. Aos poucos as casas foram desaparecendo, formando um ambiente rural, onde não tem sinal telefônico e muito raramente passa alguém. Ela fechou os olhos, sentindo se afastar cada vez mais da cidade. Com os olhos ainda fechados, novas lágrimas rolavam. Marcus ficou em silêncio pela primeira vez. Só se escutava os soluços de Blaze. Ela encostou a cabeça no vidro, desejando se jogar para fora do carro. Mas a velocidade com que Marcus dirigia era altíssima. Ela só pensava em que fim levaria. Apesar dos seus soluços serem altos, ela podia escutar algo lá fora. Mas não era barulho de outros carros passando, nem avião. Era algo parecido com uma buzina. Mas não era exatamente uma buzina. Era uma buzina diferente. Ela parou de respirar e aguçou o ouvido. E ela percebeu que era uma sirene. Marcus olhou para o retrovisor com raiva.–DROOOOOOGA!Era a polícia. Marcus aumentou ainda mais a velocidade. Blaze se segurou no banco. Ela começou a se sentir aliviada, mas não demonstrou nada disso. Passou as costas da mão no rosto, enxugando as lágrimas e parecendo mais forte. A polícia estava perseguindo Marcus, e ela poderia ser salva. Ele dirigia furioso, cada vez mais rápido. Tão rápido que Blaze tinha a sensação de estar perdendo o contato com o solo. Na cabeça dela, estavam literalmente voando. A sirene da polícia estava ficando cada vez mais alta, sinal de que estavam se aproximando. Ela sentiu um frio na barriga. Marcus pisava mais fundo e o carro parecia estar perdendo o controle. Olhando pelo retrovisor, ela viu com nitidez os carros da polícia quem vinham logo atrás. Mas ainda estavam longe. O carro já balançava de um lado para o outro devido à velocidade muitíssimo alta. Blaze já começava a sentir medo de novo. Marcus xingava e segurava o volante violentamente. Mas em uma das curvas, o coração de Blaze parecia estar subindo para a garganta. Como a velocidade estava muito alta, ao fazer a curva, Marcus perdeu o controle do carro e então o mesmo saiu da estrada com a velocidade ainda alta. Em decorrência disso, o carro capotou. Blaze gritou com toda a força que pode, e Marcus xingou mais alto que os gritos dela. O carro continuou a capotar umas cinco vezes, até parar de cabeça para baixo. Blaze parou de gritar e a última coisa que viu antes de sua visão fechar completamente foi a cabeça de Marcus sangrando.
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