Life Goes On...
12 Capítulo 12
-Ronnie, eu não acredito nisso! – Blaze estava agitada e andava de um lado para outro da sala de estar de Ronnie. – Ele, ele... Ele estava preso! PRESO! Ele vai me matar, ele vai me matar, Ronnie!
Ronnie começou a abraçar a amiga, que chorava. Ela não sabia o que dizer. O que fazer. Estava em estado de choque. Tinha tanto medo de Marcus quanto Blaze. Ela parecia forte, sem derramar uma lágrima, pra não demonstrar fraqueza para a amiga, que estava desesperada. Mas na verdade, ela tinha vontade de gritar, pedir socorro, fugir.-Calma, Blaze. Ele não vai te matar. Ele não vai matar ninguém. O Will e o Scott...-O Scott, meu Deus, o Scott! Ele também corre perigo. Todos nós corremos perigo!-O Scott sabe se virar. Ele está com o Will, e eles sabem o que fazer. Já que o Marcus está foragido, a polícia já deve ter sido avisada. Não se preocupa, vai ficar tudo bem.Blaze tentou acreditar no que a amiga dizia, mas por mais que tentasse, o medo e o pânico a faziam duvidar das palavras de Ronnie. Ela a abraçou mais forte ainda, e chorou ainda mais, fazendo Ronnie também derramar lágrimas em silêncio. Depois que as lágrimas dela secaram naturalmente, disse:-Me desculpa, Ronnie. Se não fosse por mim, o Marcus nunca teria te conhecido.-Ei, para com isso. Eu teria conhecido ele de qualquer jeito. Ele foi o responsável pelo incêndio na igreja, lembra? O incêndio que o meu pai acreditava ter causado. – Ela engoliu em seco quando lembrou-se disso – Se tem um culpado nessa história, esse culpado é ele. -Obrigada por tudo. Obrigada por me perdoar as coisas horríveis que eu te fiz, também. Você e o Will são os únicos amigos que eu tenho. Algumas pessoas tem até nojo de mim.-Olha, eu não te devo nada. Você também é minha única amiga. Blaze, eu acho melhor você ligar pra sua mãe, ela deve estar preocupada.-Eu posso dormir aqui? Eu não quero incomodar, é só que... Se eu chegar em casa eu vou chorar e ela vai querer saber o que aconteceu... E bem, você sabe que eu...-Claro que pode. Você nem precisa perguntar. Agora pega esse telefone e liga logo pra ela enquanto eu preparo uma coisa pra gente comer e um lugar pra você dormir.Blaze esticou o braço para pegar o telefone enquanto Ronnie ia para a cozinha. Sua mãe tinha saído com Jonah, e ela se sentia vazia e desprotegida. Queria alguém que a confortasse, que a protegesse. Esticando o pescoço para olhar Blaze na sala, ela a viu sentada no sofá conversando com a mãe no telefone. Com certeza suficiente de que ela não a pudesse escutar, Ronnie soltou um soluço. Mas não um soluço qualquer. Era um soluço de choro, de medo. Ela começou a chorar, abafando o som com ambas as mãos. De vez em quando ela olhava de novo em direção a sala e via Blaze quase na mesma posição. Ronnie não gostava de demonstrar fraqueza para os outros, por isso não chorava na frente de ninguém. Ela só chorou na frente do seu pai, quando ele a disse que tinha câncer. E na frente da sua mãe, quando ele faleceu. Ainda chorando, ela olhou pela janela da cozinha e perguntou, para si mesma e com a voz embargada:-Pai, me dá um sinal! Me ajuda. Pai, cadê você? – E aí ela sentiu mais lágrimas rolarem pelo rosto.Ela olhou mais uma vez para a sala e viu que Blaze se despedia ao telefone. Rapidamente, ela enxugou o rosto com as costas da mão e abriu a geladeira, fingindo procurar algo para comer. Mesmo sem fome, ela mordeu uma maçã. -Você quer uma? – Ela ofereceu a Blaze, percebendo como as coisas ficam com um sabor absurdamente ruim quando não se quer comer nada. -Não. Não estou com fome.De repente, a campainha tocou. Blaze arregalou os olhos e se encolheu no sofá. O coração de Ronnie também deu um salto.-Será que é ele? Não abre Ronnie, pode ser ele! – Blaze já começava a chorar novamente.-Clama, Blaze. Deve ser minha mãe. Eu vou abrir.-NÃO!A campainha tocou de novo e Blaze afundou no sofá. Ronnie se dirigiu até a porta, com medo. A amiga soltou um gemido, mas ela continuou a andar. Quando pegou no trinco da porta, parecia que levava um choque, porque seu braço começou a tremer, e depois o corpo inteiro. Mas ela fechou os olhos, e abriu a porta.-Ronnie, meu amor. Como você está?Ela quase deu um grito de alívio quando escutou a voz de Will. Logo atrás dele estava Scott. Ronnie puxou os dois pelo braço e fechou logo em seguida a porta, a trancando novamente. Depois disso ela abraçou Will, tentando não chorar. Blaze pulou do sofá e disse, ainda chorosa:-Graças a Deus são vocês! Nós pensamos que fosse ele!-Own, Blaze. Vem cá. – Scott disse a puxando pelo braço, e dando uma volta nela com os seus. Nisso, ela recomeçou a chorar. Ronnie, querendo deixar os dois a sós, foi para o seu quarto com Will.-Scott. Você corre perigo por minha causa. Minha causa! – Ela falou.Mas ele a abraçou mais forte, e disse:-Meu amor, pare com isso. Ele me odeia, sempre me odiou. Não é por você. Ele não vai te fazer nada. Nem a Ronnie. Eu e o Will estamos aqui para proteger vocês. Enquanto eu estiver por perto, eu te prometo que ele nunca vai tocar em você.
Blaze se afastou e enxugou as lágrimas. Olhando para ele, falou:-Scott, eu sei que devia te dizer isso há mais tempo, mas é que eu não tinha coragem. Mas a verdade é que você é diferente de todos que eu já conheci, você faz de tudo para garantir minha segurança, e desde que eu cheguei aqui, você foi muito legal comigo, e nem levou em conta que eu já estive com o seu pior inimigo e te fiz passar muita raiva, mas esse tempo todo que passamos juntos só me fez ter certeza do que eu sabia. É... E também depois daquele dia que a gente se beijou eu fiquei pensando em você e nas coisas que me disse, e hoje quando eu soube que o Marcus tinha fugido, eu só queria que você estivesse comigo, porque quando eu estou com você, eu me sinto protegida... E... bem, é isso, e ... e acho que... Eu acho que te amo. Scott escutou cada palavra do que ela disse. Blaze parecia ofegante, porque quase não respirou enquanto falava. Dando um sorriso ele disse:-Já respirou? – Ela sorriu. – Agora é a minha vez.Então ele passou a mão no rosto dela e sem demorar muito, ele a beijou. No primeiro momento, ele sentiu gosto de lágrimas, mas depois ele reconheceu o sabor que ele tanto amava. O sabor do beijo dela.
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