Life Goes On...
10 Capítulo 10
Ronnie se reconciliou com Will mais depressa do que ela podia imaginar. Com relação à Ashley, ela sempre mantinha a mesma opinião ao acusá-la. Will se sentia perdido, sem saber em quem acreditar. Mas como o que ele mais queria era não brigar com o amor de sua vida, acabava ficando do lado de Ronnie, embora achasse que Ashley poderia estar falando a verdade.
Esta, por sua vez, não desistia de tentar convencer os outros de que ela realmente mudou. Mas ninguém acreditava. Todos tinham o mesmo pensamento de Ronnie.
O dia já estava no fim, Ronnie já estava saindo da faculdade para ir para casa. Tinha encarado mais um dia cansativo, desses que a única coisa que se pensou durante ele todo foi ir para casa dormir. E pra completar, ela estava de mau humor. Caminhando encarando o chão, embora estivesse de óculos escuros, ela não pretendia olhar para a cara de ninguém. Estava muito estressada, até Blaze e Will ela dispensou. Para ela nada podia piorar ainda mais seu humor. Mas ela estava errada, porque quando ia entrando no carro, alguém a chamou por trás. Ela virou-se, tirando os óculos. Era ela, a quem Ronnie odiava tanto.
–Posso falar com você? – Ashley pareceu simpática e disposta mesmo a conversar com a rival.
–Desculpa, to apressada. – Ronnie se virou para abrir a porta do carro, mas Ashley não desistiu.
–Olha... Eu já fiz muita besteira, e...
–Agora você quer posar de santa? – Ronnie se virou no mesmo segundo, a encarando nos olhos com fúria. Toda a raiva dela estava descrita no olhar.
–Está escrito nos seus olhos que você me odeia, Ronnie. Mas eu quero mesmo te dizer que eu estou disposta a...
–A virar minha amiga? A saber todos os meus segredos, e depois destruir minha vida? – Ronnie falava calma, mas por dentro estava fervilhando de raiva. – Eu te conheço, Ashley.Te conheço e não é de hoje. Você já me atormentava sem eu nem te conhecer. Apenas porque seu ex-namorado se apaixonou por mim, e você não conseguiu suportar isso. Fez de tudo para ficar com ele, e até se mudou pra cá! Olha pra você, será que não percebe que não se encaixa aqui? Que todo mundo sabe o tamanho da sua falsidade, HEIN?
Ashley já começava a chorar.
–Suas lágrimas não me convencem, Ashley. De modo algum.
A loira enxugou as lágrimas e se aproximou dela, dizendo:
–Você acha que eu não sei? Então você acha que eu esqueci tudo que eu fiz? É lógico que não, Ronnie. Eu me dei conta disso, e quero reparar meus erros. Mas já vi que você não vai acreditar em mim.
Ronnie ficou pensativa, enfim falou:
–Como eu vou saber que está falando a verdade?
–Me dá uma chance pra eu te provar isso.
–Esse é o problema. Eu não sei se com essa chance estarei abrindo uma fresta pra você fazer mais uma besteira na minha vida.
–Só vai saber se tentar. – Ela deu um sorrisinho torto que fez Ronnie desconfiar e achar mais uma vez que ela estava fingindo. Mas depois ela desfez o sorriso e olhou para o chão, esperando Ronnie dizer mais alguma coisa.
–O que você quer?
Ashley levantou a cabeça e olhou para ela, franzindo a testa e olhando Ronnie com os olhos cheios de água:
–Eu só quero que você acredite em mim! – E ela saiu, deixando Ronnie com suas dúvidas. Ela nunca ficara tão pensativa sobre algo. Enfim, após o término da sua reflexão ela entrou no carro e foi para casa.
– Foi tão legal, né? A Ronnie e o Will se acertaram.
– Sim, se eles terminassem pela Ashley vou te dizer. Ia ter que brigar com os dois.
–Scott, mas você acha mesmo que ela está falando a verdade?
–Não sei, Blaze. A gente nunca sabe o que se passa na cabeça dos outros.
Blaze balançou a cabeça positivamente, concordando com o que ele acabara de dizer. Eram oito da noite, e eles estavam dando uma caminhada após terem comprado picolé. Ela estava com o cabelo preso em um rabo-de-cavalo e com um vestidinho vermelho curto, o que o fazia a achar mais bonita. Eles caminhavam sem ao menos darem as mãos, todas as vezes que ele tentava fazê-lo, ela nunca deixava. Mas não era por mal.
–Mas acho que o Will vai acreditar nela. Mas alguma coisa me diz que ele vai se arrepender depois.
Scott deu uma mordida no seu picolé de morango. Blaze fez o mesmo.
–Eu acho que é impossível saber o que se passa na cabeça da Ashley. Mas conhecendo o tipo dela, é melhor não arriscar. – Ele deu uma piscadinha que a fez rir.
–Você guarda alguma mágoa dela? – Ela perguntou, sem o olhar.
–Bom, eu não gosto muito dela por causa das coisas que ela fez para o Will. Ele é meu amigo, então não tem como ficar na boa. – Ele deu outra mordida.
–É. Ela fez um inferno na vida da Ronnie. E eu também.
–Mas pelo menos você estava sendo verdadeira. E você, guarda mágoas dela?
Blaze riu e olhou para ele.
–Não. Também só fiquei com raiva dela por causa do Will. Nós éramos melhores amigos...
–Eram mesmo. E eu confesso que não ia com a sua cara nem um pouco. – Ele pareceu com medo e deu outra mordida para que fosse a vez de ela falar.
–Eu sei. Eu não valia nada, principalmente quando eu estava com... o Marcus. – esse nome fez Scott estremecer de raiva – mas depois que vim para cá, tudo mudou.
–Do que você mais gostou aqui em Nova Iorque? – Finalmente ele parecia seguro ao perceber o rumo que a conversa ia tomando.
–Ah, tantas coisas... Eu consegui a amizade da Ronnie, a de Will, meu relacionamento com a minha mãe também melhorou muito.
Ele queria que ela dissesse algo mais. Só mais um pequeno detalhe que ela esqueceu ou talvez não quisesse admitir. Para ele a segunda opção era mais provável, então insistiu:
–E do que mais você gostou?
Ela riu.
–Sua vez. Do que você gostou aqui em Nova Iorque?
‘É. Ela não vai dizer nada’- ele pensou.
–Ah, minha independência. Ter um apê e um carro só pra mim é tudo que eu queria. Mas outras coisas também me fizeram muito feliz aqui. Coisas que eu nem sonhava que ia acontecer.
Ela olhou para ele e perguntou:
–Que tipo de coisas?
–Isso, por exemplo.
–Isso o que? – ela realmente não estava entendendo.
–Esse momento, Blaze. Eu nunca imaginei que íamos ficar tão amigos.
Scott parou, olhou para ela e pegou na sua mão. Ele percebeu que esta estava um pouco suada. Blaze o olhou também. Mas seus olhos transmitiam um certo nervosismo. Mas ela ouviu atenciosamente as palavras que ele dizia.
–Eu gostei muito de te conhecer melhor, nunca passou pela minha cabeça que fosse tão meiga, educada, compreensiva e linda. – Ela começou a sentir o rosto corar e as pernas tremerem. – A cada momento que eu passo com você eu esqueço do mundo, o tempo para. A única coisa que me importa é ficar junto de você.
Ele percebeu que os olhos dela estavam se enchendo de lágrimas, e ela disse:
–Ninguém nunca me falou algo parecido.
As pernas dela tremiam mais ainda. Ele começou a se aproximar. Ela estava tão nervosa e tão ansiosa que deixou o resto do seu picolé cair no chão. E ele se aproximava mais. Ela podia sentir o cheiro dele, um cheiro que a fazia ir a outro mundo, ela percebeu que estava se contendo para não o beijar. E ele continuava a se aproximar e soltou a mão dela e segurou sua cintura. O coração dela batia tão forte que ela podia ouvi-lo e senti-lo pular dentro do peito. Ele continuava a se aproximar. Ela fechou os olhos. O rosto dele estava agora a menos de um centímetro do seu. Ele também fechou os olhos. Eles já podiam sentir a respiração um do outro. E então ele a beijou. Como nunca tinha beijado ninguém antes. Blaze envolveu o pescoço dele com os braços, enquanto Scott também deixava seu picolé cair no chão e a puxou para si com uma força incontrolável. O contato das mãos dele nela era eletrizante e ao mesmo tempo delicado. E ele achava que ela beijava melhor que todas as garotas com quem já havia ficado. Foi o melhor beijo da vida dos dois. Foi mágico. Scott podia sentir o mundo girar em torno deles, e ouvia as pessoas passarem na rua, sem se incomodar. Tudo que mais queriam era que aquele momento fosse eterno. Mas Blaze deu um pulo para trás, assustada e ofegante. Ele abriu os braços, como se não estivesse entendendo. Ela puxou o celular do bolso do vestido e mostrou que estava vibrando. Era Ronnie. Blaze riu, levando o celular ao ouvido. Scott cruzou os braços, a aguardando voltar. Quando ela desligou, disse que precisava ir. Antes que fosse, ele a puxou mais uma vez e deu mais outro beijo mais curto que o primeiro. Mas até que ela foi. E ele a viu ir embora, se sentindo a pessoa mais feliz do mundo. Se abaixou, pegou os restos dos picolés do chão e os jogou no lixo.
Fale com o autor