Life After Love

5 Sometimes it lasts in love, but sometimes it hurts


Notas iniciais
Oi amores, obrigada pelas reviews no ultimo capítulo...
bom, está ai espero que gostem!

O que me cortava não era lâmina sendo pressionada contra meu pulso, e sim suas palavras que eram como uma navalha perfurando meu coração, destruindo-o sem deixar nenhuma chance de defesa, sem que ele pudesse se recuperar. Uma mísera gota de sangue escorreu pela minha mão e ainda não era suficiente, eu queria mais. Gritei ao forçar a pequena faca sobre o corte recém-aberto, eu não podia continuar com aquilo, assim como não poderia viver sem meu coração.
- Você destruiu meu coração Bieber! – Gritei arremessando a lâmina para longe de mim, ela atingiu um porta-retrato que ficava sobre uma pequena mesinha na lateral do quarto. Levantei-me da cama com a mão direita apertando meu pulso a fim de não deixar que o sangramento se prolongasse.
- Você destruiu meu coração! – Repeti ficando de joelhos ao observar a cena; cacos de vidro espalhados sobre o chão, uma foto amassada, e a imagem de quando éramos felizes juntos.
– Como você quer que eu viva sem meu coração? – Indaguei enquanto juntava a fotografia e passava o polegar sobre o rosto dele. – Dói tanto! – Sussurrei entre lágrimas.
- Mas eu sou forte, eu não preciso mais de você! – Disse levantando-me e saindo do quarto. Fui para a sala e acendi o fogo na lareira, assim que as chamas já eram grandes o suficiente, arremessei aquela fotografia e fiquei vendo-a queimar. Engatinhei até a estante e peguei todos os álbuns que ali estavam, retirei todas as fotos nas quais ele aparecia e joguei-as também, deixando somente uma para trás. A nossa foto mais recente, de quando completamos nove meses de namoro. Não consegui controlar minhas reações e as lágrimas vieram à tona trazendo toda a tristeza que se alojava no meu coração, era como se um buraco tivesse sido aberto em meu peito, cada vez mais ele aumentava e eu não podia fazer nada para conter seu avanço.

Fui até a cozinha com a foto nas mãos, coloquei um esparadrapo no corte de meu pulso, peguei uma garrafa de vinho tinto seco, abri-a e voltei para sala. Sentei-me no sofá dando um gole no líquido, sentia minha garganta queimar enquanto assistia o mesmo acontecer com as fotografias na lareira. Lágrimas ainda escorriam de meus olhos, eu estava sob controle, porém a dor ainda estava lá, e o buraco no peito também, isso era o pior de tudo, era como se suas bordas ardessem, queimando meu coração, e as lembranças junto com ele. Mais alguns goles de vinho, alguns minutos se passaram e só restavam cinzas. Levantei-me do sofá e andei cambaleando até a lareira, culpa do efeito do álcool. As chamas já haviam se apagado, assim como a dor no meu peito já havia cessado, eu estava anestesiada. Porém aquilo não havia acabado. Ergui minha mão e vi a última foto restante, a última lembrança, o último pedaço dele que ainda estava em mim. Derramei um pouco de vinho sobre a brasa fazendo algumas chamas acenderem novamente.
- Isso não acaba aqui! – Exclamei fitando a foto. – Você vai se arrepender! Você vai me querer, você vai me desejar, e eu não vou estar lá Justin! Eu nunca mais voltarei para você! – Disse enquanto soluçava e sentia pequenas gotas salgadas atingirem minha boca, eram elas, as lágrimas, tudo aquilo começara de novo. – Eu te amo! – Pronunciei enquanto dava um beijo em seu rosto na fotografia, em seguida joguei a última memória de nós dois no fogo.
– Mas eu amo mais a mim mesma! – Completei enquanto meu corpo se esvaia em lágrimas como se fosse algo automático. Apaguei as luzes da sala, subi as escadas em direção ao meu quarto enquanto bebia as últimas gotas do meu vinho. Joguei a garrafa sobre o carpete bege, deitei na cama e pelo menos naquele dia morri.

- Mas que porcaria é essa? – Indaguei ao sentir algo gelado sob meu pé ao colocá-lo no chão. Toquei o carpete e encontrei uma garrafa de vinho vazia, juntei a mesma e a joguei sobre a cama. Continuei andando em direção ao banheiro com os braços abertos tateando o ar, estava escuro e eu me encontrava perdida no tempo, não tinha a mínima noção de que horas eram, ou até mesmo que dia era.
- Droga! – Gritei ao sentir pequenos grãos perfurando meus pés, aquilo ardia e eu não sabia para onde ir, finalmente encontrei o interruptor na parede e acendi as luzes. Cacos de vidro, uma garrafa de vinho, e sangue, foi isso o que eu vi; restos, possivelmente restos de mim.
- Quer saber de uma coisa? – Indaguei a mim mesma rindo. – Vão pro inferno todos vocês! – Fui cambaleando em direção a porta do banheiro e sobre a cômoda encontrei um CD dele.
- Vá pro inferno você também desgraçado! – Exclamei jogando o disco na parede, fazendo-o se espatifar e cair no chão junto com os cacos de vidro e o porta-retrato.

A água quente escorria pelo meu corpo deixando minha pele vermelha, respirei fundo e encarei meu reflexo sobre o box de vidro.
- Nada é para sempre Ever! Nada é para sempre! – Sussurrei á mim mesma, que ironia não? Eu, Ever dizer que nada é para sempre, quando eu mesma carrego o sempre comigo, estampado na minha identidade.
- Maldito nome! Maldita seja a hora em que minha mãe escolheu esse nome! – Exclamei rindo sem humor algum perante minha situação. Fechei o registro do chuveiro e enrolei-me na toalha branca e felpuda que estava sobre o balcão, assim que fitei minha imagem destruída no espelho cheguei à realidade. A minha nova realidade, e as lágrimas chegaram também. Escorei-me na parede e escorreguei até o chão, abracei meus joelhos e apenas chorei, tentei colocar para fora toda aquela dor que parecia não ter fim. Eu me sentia vazia, minhas mãos tremiam e meus olhos estavam ardendo. Juntei ar nos pulmões e gritei sem me importar com os vizinhos, eles não sabem de nada, danem-se todos eles. Ninguém sabe do meu sofrimento, ninguém jamais saberá. Levantei do chão apoiando-me no vaso sanitário devido aos cortes nos meus pés, e fui até o closet, abri todas as portas e todas as gavetas. Escolhi a lingerie mais sensual que tinha, vesti-a e voltei para o quarto, meus olhos se arregalaram e eu fiquei gelada ao perceber a presença de um homem. Pisquei e vi que não era um Homem, e sim Jerry. Pigarreei e ele virou-se para mim, segurando o CD quebrado e a navalha em suas mãos.

- Pode começar a falar mocinha! – Ordenou sentando-se na cama.
- Não Jerry! – Exclamei. – Eu não consigo! – Disse limpando algumas lágrimas que novamente brotavam de minhas orbes. Jerry bateu a mão em suas pernas, fazendo sinal para que fosse até lá.
-Jerry! – Sussurrei enquanto sentava em seu colo e abraçava seu pescoço.
- Oh querida! – Disse acariciando meus cabelos. – Vai ficar tudo bem! Logo, logo vai passar! – Completou enquanto me fazia cafuné, eu ainda estava abraçada nele encharcando-o com minhas amargas lágrimas.
- Dói tanto! – Falei encarando-o. – Ele destruiu meu coração Jerry! Eu o amo tanto!
- Se ele destruiu seu coração porque você está chorando hein? – Indagou enquanto limpava minhas lágrimas. – Se você não tem mais um coração, você não pode chorar! – Afirmou fitando-me com um pequeno sorriso nos lábios. — Hum? Entende o que estou querendo dizer? – Perguntou tirando uma mecha de cabelo da frente dos meus olhos.
- Não! – Respondi manhosa.
- Ever meu amor, você não tem mais um coração para amá-lo. Ele mesmo o destruiu, simplesmente porque ele não merecia o amor que você ostentava ali dentro, está entendendo? – Assenti soluçando e ele continuou. – Mas você tem consciência e um cérebro, para amar você mesma! Amar seus fãs, e sua música.
- E o que eu faço com meu coração quebrado? – Indaguei secando as últimas lágrimas que caiam sobre minha face.
- Guarde-o em uma gaveta, deixe-o ali. Um dia aparecerá alguém bom o suficiente que encontrará a chave para abrir essa gaveta e concertar seu coração. Tudo bem? – Apenas assenti. – Então levanta e sacode a poeira amiga! – Exclamou ficando de pé, fazendo-me levantar também afinal eu estava sentada em seu colo. – Vamos, vamos! Vá colocar uma roupa bem linda e sexy que nós duas vamos sair! – Falou dando um tapinha em meu bumbum enquanto me empurrava para o closet. Agora eu só poderia rir, graças à Deus eu tinha um bom amigo junto comigo. Ou seria amiga? Não sei.


Notas finais
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