Lies for the blind
1 Capítulo Único
Lies for the Blind
One-ShotFlashes de instantes anteriores não paravam de passar pela mente de Ludwig, que se encontrava extremamente perturbado com tudo aquilo que ocorrera. Era coisa demais para digerir, aceitar como condição eterna.Itália estava cego.Em uma de suas operações, uma catástrofe aconteceu e a vítima de tal desgraça fora o italiano. O alemão sabia que era muito mais provável Feliciano, com seu jeito desajeitado, segurar uma bomba e estourar junto dela do que aquilo ter acontecido. Mas a probabilidade não estivera com ele naquela hora.Assim que vira Itália naquele estado, ligou seu carro e dirigiu em máxima velocidade em direção a um hospital. Talvez um profissional pudesse salvá-lo a tempo. Porém estava enganado. Sua cegueira era irreversível, constatara um médico que o examinara. Nenhuma cirurgia ou milagre seriam capazes de trazer vida àqueles olhos novamente.Muitos que consideravam o alemão alguém frio, desprovido de emoções, nunca imaginariam que ele pudesse chorar, ainda mais por alguém. Mas naquele dia ele chorou como nunca fizera antes na vida. Lágrimas banharam seu rosto enquanto o pequeno Feliciano afagava suas costas, tentando confortá-lo. E lá se encontrava a ironia, pois quem devia estar sendo consolado naquele momento era o italiano.─ Tudo vai ficar bem, vee~Se ele tivesse sido mais cauteloso, talvez pudesse ter o salvado. Itália não merecia aquilo, tendo uma alma bela e tão viva. Pensar que Feliciano nunca mais conseguiria ver as belezas do mundo e as cores e nuances do mesmo o deprimiam ainda mais. Aquilo deveria ter acontecido com ele ou qualquer outra pessoa, pensou o alemão, contudo não com o italiano mais novo. O que deveria fazer agora? Havia algo que ele pudesse fazer? Eram as perguntas que passavam pela sua mente naquele minuto.Voltaram para a casa do alemão, onde o loiro poderia cuidar dele. Aquilo ajudaria a diminuir a culpa que sentia. Tivera de guiá-lo pelos corredores para que não caísse ou se machucasse, mas mesmo assim foram inevitável alguns tropeços, que fizeram com que o moreno soltasse uns gemidos de dor.Os dias seguiram num ritmo quase normal, na falta de um termo que pudesse explicar melhor a situação na qual se encontravam. Tivera de fazer algumas mudanças na casa para facilitar as coisas para o jovem italiano, o que lhe rendera bastante trabalho e esforço. Obviamente, nada disso compensava o fato de fora ele quem deixara-o cego; ele, Ludwig, a pessoa em que Feliciano mais confiava e prezava.No tempo em que não estava em casa por ter que resolver conflitos, Itália ficava com Hungria, que ofereceu-se para cuidar do pequeno Ita-chan. Tinha perguntado se ela gostaria de ser paga ou ter algo em troca por aquela ação, mas ela recusou no mesmo instante, extremamente ofendida, dizendo que não fazia aquilo em troca de um privilégio, mas sim porque amava o garoto.Mesmo estando gravemente doente, Itália ainda tinha amigos que se preocupavam com ele, que queriam ajudá-lo, o que era admirável, já que muitos que se julgam bons amigos abandonam os "amigos" quando estes adoecem.Feliciano tinha pessoas que desejavam o seu bem, e, Ludwig, esperava que o rapaz soubesse que ele também sempre estaria ao seu lado, assim como nas inúmeras vezes em que o moreno ficara ao seu. E nada mudaria tal fato, nem mesmo aquela doença.Entretanto, as coisas começaram a piorar, não de forma física para o garoto, porém de uma forma que o loiro considerava mais cruel.Mentiras.─ Ludwig, como o mundo está? Os outros países estão se entendendo? ─ ele questionou inocentemente, num dia em que apenas haviam saído para dar uma volta à pedido do jovem.O mais alto engoliu em seco repetidas vezes, sentindo o estômago embrulhar com tais perguntas. Pensou, e muitas respostas vieram à sua mente, todavia nada que lhe agradasse.Itália havia sofrido demais e ainda sofria, a verdade só faria com que sua saúde piorasse. No entanto, contar uma mentira era errado, principalmente quando a pessoa alvo dessa enganação era Feliciano Vargas, a pessoa mais sincera que já conhecera, e o único que nunca lhe falara uma mentira. O que devia ser dito? O que não devia?─ Eles... Eles estão conseguindo se entender, Itália ─ mentiu e sentiu-se extremamente mal por isso. Há mais de dois meses que o França enfrentava uma grande crise e ninguém o ajudava após a guerra que duelara.─ Isso é bom, né, Doitsu? ─ sorriu feliz com a resposta que obteve.─ Sim... Itália.Como ele podia acreditar em suas palavras? Era óbvio que nenhuma mudança significativa seria feita no mundo, o egoísmo era algo próprio do ser humano, um veneno impossível de se remover do coração. Mas o alemão se esquecera de algo muito importante: Feliciano era puro. Tudo o que lhe diziam era levado a sério por ele, como se fosse verdade. Muitos se aproveitavam dele por essa sua característica, e sempre Ludwig fazia o possível para que o menor não caísse nessas armadilhas.Os dias transcorriam quase que do mesmo modo, com exceção do fato de Alemanha pedir aos céus para que o mais jovem não fizesse mais perguntas como aquela, cuja resposta seria outra mentira. Enganar... Quando pensara que aquilo podia ser doloroso de se fazer?
Mas como nada parecia mais dar certo, Felicano aproveitou um dia em que a nação maior se encontrava em casa, preparando outras táticas de guerra, para indagar algo que o incomodava nesse tempo em que não enxergava mais.─ Doitsu, Doitsu! ─ chamou-lhe pelo nome, de modo infantil.A garganta do alemão secou e ele foi obrigado a engolir em seco repetidas vezes antes de se pronunciar:─ O que foi, Itália?─ Você e o Lovino fizeram as pazes?Tornava-se engraçado como as coisas pareciam piorar cada vez mais, constatou o loiro. Primeiro, a ceguice do menor. E agora, precisar destruir sua confiança sem que ele soubesse disso. Era como se risse dele por ter se tornado um inválido...─ Nós... Nós resolvemos nossas desavenças.Não sendo uma ação esperada pelo alemão, Itália abriu um sorriso. Não era apenas um sorriso de compreensão, havia algo mais ali... Felicidade. Um sentimento que ele demonstrava à todo minuto, mas que naquele instante adquirira um novo significado para Alemanha.Com aquele sorriso, Ludwig sentiu que gotículas se formavam em seus olhos e preparavam-se para transbordar. Procurou controlar aquelas emoções fortes que dificilmente alguém era capaz de lhe fazer sentir e aproximou-se do menor. Seus braços rodearam o corpo frágil à sua frente e aumentaram a pressão.Sem saber o que fazer e o por que daquilo estar ocorrendo, Feliciano retribuiu o gesto e alargou o sorriso que encontrava-se estampado em sua face.Ao passo que a agonia ruía seu interior, Ludwig continuou abraçando-o com força. Não queria deixá-lo se separar dele, não enquanto era o culpado por contar mentiras para o cego.
Notas finais
Agradeço desde já o carinho e atenção de vocês. Espero poder revê-los em outros trabalhos :)
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!
Fale com o autor