Lie To Me
3 Capítulo 3: I DON'T need your fucking help!
Notas iniciais
Na manhã seguinte, Arthur acordou e, coçando os olhos ainda, bocejando e apoiando-se na parede, caindo de sono, quase tropeçou quando encontrou um corpo deitado no chão, babando e às vezes roncando alto.
-Mas o quê...?!-Exclamou, lembrando do seu visitante da noite anterior. Bufou então, dando alguns chutes nas costelas do maior.-Ei, ei! Acorda e... Ah! Me solta!-Gritou quando o maior puxou seu pé de repente e o fez cair sentado no chão.
-Huuum... Quem é?-O outro perguntou, segurando o pé do inglês com força embora ainda tivesse os olhos fechados.
-Oras, quem é?! É sua mãe, seu idiota! Me solte! Acorde!-Arthur gritou, chutando o outro com o pé livre enquanto tentava soltar a mão do americano do seu pé, o que era bem difícil. Alfred levantou a cabeça e abriu bem leve os olhos, bocejando uma vez e piscando com força.
-Arthur? Hã? Ah, oi...
-Oi uma ova! Levante-se daí e vá logo arrumando suas coisas! Já está tarde, preciso me aprontar para ir ao colégio!
-Hmmm... Tá cedo ainda...
-Anda logo, sua anta! E me solte!
Alfred se sentou no chão, coçando os olhos enquanto deixava todo o tronco e ombros a mostra. A noite, no começo, estivera fria, mas então fez um calor terrível e o americano resolveu tirar a blusa e...
-Por que diabos você está nu? Na minha sala?-Arthur perguntou, fitando o outro, que agora só estava coberto na altura da cintura. Grande parte das pernas estava exposta, o que deixava claro que se não fosse pelo edredom, o outro estaria nu mesmo.
-Hein? Ah, é que ficou quente e eu também só durmo de cueca e... Por que está preocupado com isso? Você não é gay de verdade, é, Arthie?
-O QUE QUER DIZER COM “GAY DE VERDADE”?!-O inglês gritou, levantando-se na mesma hora e apertando os punhos, furioso.
-Ah, é que você é tão arrumadinho e até cruza as pernas quando senta e...
-EU DEIXO VOCÊ DORMIR NA MINHA CASA, TE ALIMENTO, CUIDO DE VOCÊ QUANDO PODERIA ESTAR DORMINDO NA RUA E AINDA ME OFENDE?! SAIA DAQUI AGORA, SEU BASTARDO! FORA DAQUI!
-Mas, Arthie...-O outro tentou se explicar, sorrindo torto.-Me escute, é que...
-FORA!
-Okay, okay, okay, mas posso pelo menos ligar pra casa pra ver se alguém pode vir me buscar? Prometo que não vou demorar muito.
O inglês bufou furiosamente, mas assentiu, e saiu marchando até a cozinha, aonde tomou mais uma xícara de chá com um pedaço de pão velho e então indo tomar um banho rápido. Podia ouvir a voz do americano vinda da sala, de tão alto que o outro falava, e quando saiu do banheiro somente de toalha e correu para o quarto, com uma rápida olhadela constatou que Alfred já estava totalmente vestido, o que era certamente um alívio.
Vestiu uma calça jeans e uma camisa de mangas longas, perfeitamente engomadas. Quando saiu do quarto, limpo, cheiroso, de cabelos penteados (se é que seus cabelos conseguiam se comportar mesmo que penteados), encontrou o outro na sala, sentado no sofá, batendo os dedos impacientemente sobre o encosto do móvel.
Arthur pegou a bolsa que deixara ao lado da porta no dia anterior e preparou-se para sair, abrindo a porta.
-Hey, Arthie, não quer uma carona pro colégio? Meu motorista está vindo me buscar, e eu posso te levar junto. O que acha?-Alfred sugeriu, se pondo de pé e pegando sua mochila enquanto o inglês abria a porta e deixava que o outro passasse para então sair e trancar a porta.
-Não precisa, vou de ônibus.-O outro respondeu, atravessando o corredor para descer as escadas em passos rápidos.
-Por que não? Não vou te sequestrar nem nada, Arthie!
-Pare de me chamar assim. Meu nome é Arthur Kirkland, e não “Arthie”.
-Mas Arthie é menos complicado.-Alfred riu, ambos já na portaria. Arthur deu um tchau para o porteiro e então caminhou até a calçada, logo pegando o caminho até a parada de ônibus, a mesma do dia anterior.
Alfred seguiu o inglês, as mãos nos bolsos enquanto assoviava alegremente. Quando ambos chegaram na parada de ônibus, Arthur se sentou num banco que tinha bem em frente e pôs a bolsa no colo, esperando.
Alfred se sentou ao seu lado, ajeitando os óculos, ainda sorrindo. Não demorou para que o motorista do americano chegasse, e logo que chegou, Alfred voltou a oferecer uma carona ao inglês, que recusou novamente.
-Não precisa ser tão orgulhoso, Arthie!-Alfred comentou, embora risse.
-Não preciso da sua ajuda.-O outro resmungou, e com isso, ainda sorrindo, Alfred desapareceu. Provavelmente ainda teria tempo de ir até sua casa, tomar um banho, trocar de roupa e até de tirar um leve cochilo, diferente do inglês, que perderia toda aquela mesma quantidade de tempo no ônibus.
No resto da manhã, no colégio, Alfred continuou seguindo e conversando com Arthur, o que até fez com que várias pessoas estranhassem. Claro que em todos os momentos o inglês tentou mandar o americano ir embora, mas Alfred se recusava a ir.
E assim se repetiu no dia seguinte e durante vários dias, até que a semana acabou.
No final da semana, Alfred até tentou falar com Arthur (indo até a casa do inglês, uma vez que Arthur não tinha celular), mas lembrou que o mesmo trabalhava o dia inteiro, tanto no sábado como no domingo, para ajudar a pagar as despesas do apartamento e do colégio.
O colégio era um dos melhores dos Estados Unidos, e Arthur era bolsista ali. Conseguira entrar depois de muita ajuda do seu tio, que agora morava na Califórnia, uma vez que seus pais não conseguiam pagar nenhum bom colégio na Inglaterra. Seu tio ainda, uma vez por mês, mandava uma quantia de dinheiro para ajudar a pagar o apartamento, mas somente isso. Comida e transporte ficava a cargo do próprio Arthur, que ganhava apenas o suficiente para sobreviver e às vezes, quando seus pais mandavam alguma quantia, comprar algo especial.
E Alfred já sabia daquilo porque tinha visto o inglês falar algumas vezes com os pais pelo telefone, e a primeira coisa que o americano fizera fora anotar num caderninho, que já tinha as primeiras páginas cheias de dados sobre Arthur.
Claro que escondia aquele artigo do inglês e também de todo mundo, mas fazia questão de sempre andar com ele dentro da bolsa. Nunca sabia quando poderia vir a descobrir algo interessante sobre Arthur, e como não era bom de memória, nada melhor que um caderno.
Susanna até entrara em contato com o americano algumas vezes, apenas para perguntar como as coisas estavam indo, mas então ela se afastava com um sorriso sensual, dizendo que só poderia realmente ser do Alfred se ele cumprisse o trato.
O final de semana passou, a semana seguinte começou e continuou como qualquer outra, a única diferença sendo que Alfred andava cada vez mais com Arthur., que estava começando a se acostumar com o americano, mas ainda, não aceitá-lo. Arthur, acima de tudo, era reservado, e não podia mentir dizendo que não duvidava das ações do outro.
Até que a semana seguinte terminou, outra começou e também findou, e quando completou um mês e mais outra semana começou, os dias passaram e chegou a sexta-feira, e Alfred, de manhã ainda, surgiu de repente ao lado da carteira do inglês, sorrindo animadamente e dizendo:
-Hey, Arthie, você vai estar ocupado esta tarde?
-Preciso ir pra casa.-O outro respondeu, ignorando o americano e continuando a ler o mesmo livro de quando se conheceram, o Ósculo Perdido.
-Mas você não pode ficar? Vamos ter um jogo muito importante contra aquele outro colégio, e seria legal se você viesse torcer pela gente!-Alfred disse, tirando o livro das mãos do inglês, que bufou, já prevendo que Alfred faria aquilo.
-Não posso, tenho muitas coisas para fazer.
-Por favor, Arthur!-O outro implorou.
-E além de ter muitas coisas para fazer, no seu time só tem aqueles brutamontes mal-educados que vivem me chamando de... Ah, esquece.
-Eles te xingam? Do quê?
-Vai dizer que você não sabe.
-Se pergunto é porque não sei, Arthie.
-Me chamam de inglês nojento, gay, alguns sinônimos de gay, porém mais pejorativos e outras coisas que você certamente deve escutar.
-Ah...-Alfred assentiu. Fazia uma ideia dos nomes que muitos alunos chamavam Arthur, principalmente os esportistas, mas como o menor nunca ligava para aquelas ofensas, achou que não se importasse.-Mas eu vou estar lá. Você não iria? Por mim?
-Não, tenho mais o que fazer. Pode devolver meu livro?
-Mas... Arthur... Eu queria que você fosse...-Alfred murmurou, fazendo uma expressão tão triste que Arthur até arregalou os olhos, surpreso.-Nós somos amigos, e a vitória não seria tão boa se você não estiver lá...
-Não faça essa cara!-O inglês exclamou, quase como uma abominação.-Olha, eu realmente preciso ajeitar umas coisas em casa. Vocês vão ganhar mesmo que eu não esteja lá, e eu preciso chegar cedo hoje.
Alfred devolveu o livro e então se afastou da carteira do outro, com um olhar desapontado, obviamente falso, mas ainda assim, ao menos para o inglês, desapontado. Arthur limpou a garganta e voltou a prestar atenção no livro, se é que voltou a conseguir.
A aula começou e logo a manhã dava sinais que correria normalmente, se não fosse por eventuais gritos no lado de fora da sala ou ainda alguns outros barulhos estranhos. Quando finalmente chegaram ao intervalo, Arthur se ergueu da cadeira e, com o livro debaixo do braço, pegou seu lanche embrulhado no papel e caminhou para fora da sala, logo estando no corredor.
E claro, no instante seguinte, sentiu Alfred jogar-se contra si, passando o braço pelo ombro do inglês enquanto sorria alegremente, ainda causando alguns comentários maliciosos e olhares desconfiados de muitos outros alunos.
-Hey, Arthie, pra onde você vai?-Alfred perguntou, afastando-se um pouco e colocando ambas as mãos nos bolsos.
-Por que está aqui? Pare de me seguir e vá ficar com seu time. Eles devem ser mais importantes.-Disse o inglês sinceramente, o rosto impassível.
-Ahm? O que há com isso agora? Já faz um mês que passo o intervalo com você, oras. Não vou te trocar só porque hoje tem jogo!-Alfred riu, ajeitando os óculos que teimavam em descer pelo nariz.
-Hmpf.-O inglês bufou, sem nada mais dizer.
Caminharam então até o pátio aonde tudo basicamente começara, e tão logo chegaram, Arthur se sentou sob a mesma árvore e começou a tirar o sanduíche do papel, olhando em volta e constatando que, um pouco mais atrás, vinha Alfred, que tinha parado para cumprimentar vários outros alunos que o inglês desconhecia.
Mordeu seu lanche, fitando o outro de longe, cada vez mais próximo até que se sentou ao seu lado.
-Hey, Arthie, que tal me dar um pedaço?-O americano perguntou, rindo.
-Por que não compra um para você?-Resmungou o outro.
-Você nunca come todo mesmo!-Exclamou, vendo que o outro dava-se por vencido e sem dizer nada, agora lhe passava o sanduíche. Não era totalmente gostoso, mas era comestível, digamos.
Havia dezenas de alunos no pátios, todos em grupos, conversando animadamente. Arthur abriu novamente o livro e, quando estava retomando a concentração, Alfred se aproximou um pouco para olhar sobre seu ombro, querendo saber o que lia.
-Hein? Você ainda está nesse livro? Ainda não me disse o que é um “ósculo”, Arthie. O que é?-O americano perguntou, terminando de mastigar.
-Não vou dizer.-Arthur respondeu, se irritando e mais uma vez tentando voltar a ler, mas Alfred levou as mãos até a camisa do menor e limpou os restos do sanduíche nela, o que fez o inglês se irritar mais ainda.-O que pensa que está fazendo?!
-O quê? Não tinha guardanapos!
-Seu imbecil!-O inglês exclamou, pondo-se de pé rapidamente e rumando de volta para a sala, bufando de raiva, deixando sem querer o livro cair, mas sem vontade de recuar apenas para pegá-lo do chão.
Alfred se levantou apressadamente, pegando o livro do chão, mas quando estava seguindo o outro, duas meninas lhe pararam e começaram a lhe fazer perguntas pessoais, sobre do que gostava, qual o número do telefone, coisas assim.
-Olha, eu preciso ir.-Disse, tentando se afastar, mas uma das meninas lhe segurou pelo braço, dizendo:
-Por que você prefere ficar com aquele inglês nojento do que com a gente? Ele até vive brigando com você, não merece te ter por perto, Alfy!
O americano engoliu em seco, mas fitou as duas, dizendo:
-Vocês não deveriam falar do Arthur assim. Ele...
-É um inglês nojento com um sotaque irritante que não fala com ninguém. Me surpreende que ele fale com você, com as outras pessoas ele nem sequer olha pra cara.-Disse a mesma menina, cruzando os braços como se falasse a verdade mais verdadeira de todas.
-Olha...
Mas antes que fosse justificar, o que era até um fato curioso visto que nem precisava, uma vez que nem “gostava” de Arthur e a “amizade” que tinham era falsa, ouviu barulhos altos vindo de dentro do colégio, juntamente com alguns gritos, palavrões e sons de coisas quebrando.
Largou o livro no chão e correu, adentrando o prédio principal do colégio, até que encontrou no meio do corredor, Arthur, caído no chão, o nariz sangrando e o lábio superior cortado, e em volta dele uns 10 alunos que riam e batiam palmas enquanto um 11° se aproximava do inglês e o erguia pelo colarinho agora, recuando o punho para dar outro murro em Arthur.
Alfred se aproximou rapidamente e segurou o braço do aluno que iria bater em Arthur, notando que era um dos seus colegas do time de futebol americano e que, na verdade, quase todos ali eram do seu time.
-Hey, Alfy!-O colega o cumprimentou.-Veio participar da diversão também?
-Cara, põe o Arthur no chão, okay?-Alfred disse, sorrindo amarelo.
-Hein? Deu pra defender os fracos agora, foi? Ah é, verdade, você tá andando com ele agora, né? Entendi... Se misturando com a ralé. Não sei o que está querendo com esse tipo de coisa, Alf, mas não faz seu tipo.
O colega do time de Alfred soltou Arthur e deu de ombros, saindo dali enquanto o sinal para o fim do intervalo tocava. Arthur espalmou as roupas, querendo tirar a poeira, e então fitou o americano, que tinha um olhar estranho no rosto.
-Viu? É por isso que eu não vou ao seu jogo hoje.-O inglês disse, rumando então não para a sala, mas para o banheiro. Alfred o seguiu e viu quando ele abriu a torneira e começou a tirar o sangue do rosto com a água, vez por outra fazendo uma careta de dor.
Estava com pena dele, mas não podia fazer nada. Claro que o “defendera” apenas para não dar uma de má pessoa na frente de Arthur e perder sua confiança, que mesmo sendo pouca, estava aumentando cada vez mais, Alfred sabia disso.
Também, ser visto falando mal de Arthur aumentaria as suspeitas, então ele precisava fingir para os outros também, porém, mesmo assim, ele estava com pena do inglês, que realmente não parecia ter amigo algum, e pela sua calma diante da “briga” na qual acabara de se meter, aquilo deveria acontecer com uma certa frequência.
-Não fique me olhando assim, não preciso da sua pena.-Arthur disse de repente, pegando alguns pedaços de papel toalha e enxugando o rosto.
-Não estou com pena.-Mentiu o americano.
-Claro que está.-O inglês alegou, jogando os papeis no lixo e se virando para Alfred.-Pare de fazer essa cara idiota e ande logo, a aula vai começar, aliás, por que está aqui mesmo? Não lembro de ter ficado paraplégico e de ter perdido a capacidade de andar.
-Hein? Por que está brigando comigo?-O americano reclamou, sem entender.-Só queria saber se você ficaria bem...
-Você anda com aquele tipo de gente!-Arthur gritou, batendo a mão com força no mármore da pia.-Como acha que eu deveria me sentir?! Hã?! Feliz?! Aposto que você também faz esse tipo de coisa, não faz?! Adora bater nos mais fracos para fingir que é superior, mas você não é!
-Olha, Arthie, se você não notou, eu acabei de te salvar e...
-Eu NUNCA precisei da droga da sua ajuda! E pare de me chamar assim!-O inglês gritou novamente, passando por Alfred e saindo do banheiro.
O americano também saiu e apenas teve tempo de ver o outro entrando na sala, claramente irritado. Não entendia ao certo o porquê de Arthur ter ficado com raiva dele, afinal, ele o salvara. Talvez o inglês fosse terrivelmente orgulhoso mesmo, ou apenas ele precisasse descontar a ira em alguém, mas claro que também não gostava de ser usado como saco de pancadas.
Mas não estava exatamente chateado com Arthur pelo outro tê-lo tratado daquela forma. Era mais como se esperasse que aquilo fosse acontecer, por alguma razão. Deu de ombros e também entrou na sala, pedindo licença ao professor. Até arriscou olhar para Arthur pelo canto do olho, que sentava três cadeiras à sua esquerda, mas este estava limpando o rosto com a manga da camisa. Talvez tivesse voltado a abrir, quem sabe.
Durante o resto da aula, Arthur e Alfred não se falaram. Arthur ainda de mau humor e Alfred porque preferiu ficar sentado em sua cadeira, ao invés de se levantar e pedir desculpas que certamente apenas manchariam seu ego e dariam mais uma brecha para as críticas do inglês.
E quando todas as aulas finalmente acabaram e todos arrumaram as coisas para ir embora, Arthur, a mochila já nas costas, uma vez que em alguns minutos seu ônibus lhe levaria para casa, se virou para Alfred e abriu a boca, parecendo querer falar alguma coisa, a expressão não tão rígida desta vez. Parecia até... Arrependido.
Mas o inglês rapidamente balançou a cabeça e saiu da sala, Alfred o seguindo com o olhar.
O americano saiu da sala minutos mais tarde e se dirigiu para o campo aonde haveria o jogo de futebol, os nervos todos já lhe exaltando. Pouco tempo depois, estava conversando com o restante do time amigavelmente.
Até que o time adversário chegou e todos se prepararam para aquele jogo deveras importante.
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Alfred caiu no chão, ou melhor, foi empurrado com força no chão por cinco jogadores que se amontoavam em cima do americano. O juiz parou o jogo e todos se levantaram, mas Alfred já sabia o que aconteceria a seguir.
Olhou a plateia sentada nas arquibancadas, a maioria estudante do Liberty. Um enorme grupo de meninas gritavam loucamente enquanto as líderes de torcida faziam seus números. O capitão do time de Alfred o chamou e deu algumas explicações, e o americano assentiu e o jogo continuou.
O fato era que o time do colégio Liberty estava perdendo, e o único que parecia ser capaz de salvar o jogo realmente parecia Alfred, uma vez que todos os outros bons jogadores ou estavam machucados ou cansados demais.
Tudo parecia difícil demais, a partida bastante acirrada. Claro que Alfred não esperava que Arthur aparecesse, mas por que outra razão estaria olhando para as arquibancadas a todo momento? O que era estranho porque a relação deles, mesmo sendo apenas de amizade, era puramente falsa, mentirosa, e o americano sabia daquilo.
E talvez por isso, a todo momento que olhava para as arquibancadas, voltava a prestar atenção no jogo e se esquecia do inglês.
No meio do calor da partida, em algum momento, de alguém que não se dera ao trabalho de memorizar o rosto, até porque era difícil ver o rosto graças aos capacetes, recebeu a bola e então pôs-se a correr o mais rápido que podia.
Correu, desviando de alguns do time adversário que vinham justamente para lhe interceptar, e ainda literalmente passou por cima de outras que se colocaram na sua frente. A plateia se levantou, já gritando. O técnico levantou os braços, eufórico, e quando Alfred está a poucos metros de distância daquilo que seria um touchdown, ele ergue a cabeça e olha para a arquibancada.
E vê Arthur de pé bem na ponta, no canto mais distante, mas aquela roupa extremamente bem engomada e os braços cruzados numa posição ainda cheia de classe eram impossíveis de se confundir.
E quando viu, tinha conseguido o ponto, passado da linha. Toda a torcida do seu colégio gritava enquanto vários dos seus colegas vinham lhe abraçar, afinal, tinham ganhado o jogo! Mas Alfred se desviou de todos eles e tirou o capacete apenas para ver um Arthur se virando para ir embora dali.
E mesmo com todas as meninas chamando por ele e até seu técnico se aproximando para lhe dar os parabéns, ele evitou todos e correu atrás do inglês.
Por alguma razão, sentiu um péssimo pressentimento sobre o que viria a acontecer.
Notas finais
Espero que tenham gostado do chap! Ah, mandem reviews. A cada review que você não manda, uma pessoa morre envenenada com a comida do Inglaterra (////apanhamuitodepoisdessa/////) ENTÃO MANDEM REVIEWS SENÃO SERÁ O APOCALLIPSE (apocalipse se escreve com dois Ls?).
ENFIM, ATÉ PRÓXIMO CHAP SEUS LINDOS ~~
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