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3 Capitulo 3 - As Estrelas Reesplandecem
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Os raios solares espreitavam minha janela , me mexi preguiçosamente na minha cama , apesar da enorme fadiga que eu estava sentindo fui obrigada a levantar após ouvir os inúmeros xingamentos que Frank dirigia a mim . Vesti uma roupa qualquer e desci as escadas , nhech , nhech , quantas vezes tenho que dizer à esse idiota que essa escada precisa de conserto?!.
Quando cheguei à cozinha encontrei meu adorável tio Frank sentado na cadeira da mesa com uma cara de:
"Gastei todo o dinheiro em bebida e agora estou com uma puta ressaca"
–Por que não foi trabalhar ? — disse calmamente enquanto vasculhava o o armário a procura de algum analgésico pra ele.
– Quem é você? Minha mãe por acaso?- fitei-o por um instante , ele estava visivelmente irritado.
–Não precia se estressar só estou perguntando- coloquei várias gotas do analgésicos em um copo dando a ele logo em seguida.
– Vou sair — bebeu o copo de uma vez — Limpe a porcaria dessa casa Brancie!- saiu logo em seguida chutando uma das cadeiras da cozinha .
Esse é o Frank , meu tio , minha mãe sumiu há 10 anos quando eu tinha apenas 4 anos de idade , ele nunca me falou muito sobre isso então não sei de muita coisa, quase tudo oque sei sobre minha mãe é oque minha avó Laureh me conta nas poucas vezes em que tenho permissão do Frank para ir a casa dela em Brownsville , oque é muito raro acontecer . As vezes lembro de alguma coisa da época em que minha mãe vivia comigo , creio que a memória mais concreta que tenho dessa época seja o dia em que fizemos um piquenique em um campo , meu pai também estava lá porém não consigo ver seu rosto , mas minha mãe ... Me lembro muito bem , ela era linda , tinha os olhos verdes , eram tão vividos , seus cabelos eram loiros e longos , sua pele branca , talvez a mulher mais bonita que já vi em minha vida .
Estávamos brincando ela ria , parecia feliz , eu também me lembro de estar muito feliz , tão diferente dos meus dias atuais... Depois da minha mãe ir embora vivi alguns anos com minha avó até Frank ir a justiça e dizer que minha avô estava impossibilitada de cuidar de mim , oque foi uma grande mentira , pois minha avó Laureh sempre me dedicou muito carinho , diferente dele. De alguma forma sinto que Frank sente ódio por mim , como se ele quisesse minha guarda apenas para me punir por algo... Talvez isso tenha algo a ver com minha mãe .
Quando pequena Frank sempre me trancava no porão da casa , dizia que haviam seres no porão entre outras coisas , por isso sempre temia desobedece-lo , não queria que ele me trancasse no porão . Hoje maior percebo como era um medo bobo , apesar disso ainda me resta o medo do escuro , parece tosco mas é algo que me assusta , tenho medo de que dos seres de que Frank tanto falava vierem me atormentar.
Comecei a lavar a louça , havia uma pilha enorme delas na pia , depois sequei-as e as guardei e limpei a casa rapidamente . Eram 12:30 quando terminei , como Frank ainda não havia chegado apenas esquentei uma sopa que eu havia feito no dia anterior .
A casa onde eu e Frank morávamos era grande e espaçosa , tinha um quintal amplo , era uma área rural portanto haviam muitas árvores em volta da casa , era como se morassemos no meio de um bosque como nas histórias infantis , isso me lembra a histoira de João e Maria , certamente Frank seria a bruxa que morava na casa feita de doces . Ri novamente com tal pensamento , comecei a andar no meio das árvores até o local que eu tanto ia quando menor , passava entre as árvores altas e robustas , era sem dúvidas uma bela visão . Após andar por alguns minutos havia chegado ao lugar desejado : a clareira . Era uma área sem muitas árvores , havia uma casinha de madeira no centro já devastada pelo tempo , as numerosas folhas cobriam o chão formando um grande e fabuloso tapete marrom , tinha muitas flores espalhadas que eu mesmo plantará. Há alguns metros da casinha havia uma grande árvore de raízes longas com um velho balanço de madeira pendurado em um dos grossos galhos . Aquilo me trazia boas lembranças , quando eu era pequena Frank vivia gritando comigo sem motivo algum então eu simplesmente corria , era minha porta de escape , eu corria sem rumo , me lembro do dia que achei este lugar ... Eu estava correndo novamente , chorando , quase não enxergava nada devido as lágrimas quentes que insistiam sair dos meus olhos , perguntava-me se existia um Deus e se existia porque deixava que eu sofresse daquela maneira , quando me dei conta já estava gritando olhando pros céus em busca de uma resposta.
Eu me sentia abandonada , esquecida foi quando achei a clareira , e o balanço .
Tudo isso é tão nostálgico . Me lembro dos bons momentos que passei brincando sozinha aqui . Sentei-me novamente no brinquedo que me causará tanta felicidade , hoje penso que apesar de simples este foi um presente de Deus , eu simplesmente me sentia melhor quando vinha para cá , apesar do furacão que era minha vida eu sabia que este lugar estaria me esperando , era como um jardim secreto , apenas meu , apenas eu sabia sua existência .
Já estava anoitecendo e então tive de voltar , estava quase chegando quando parei para adimirar mais um pouco a paisagem , de certa forma parecia ainda mais bonita à noite .
Entrei na casa e fui subir as escadas rapidamente quando notei que Frank estava na sala porém não foi suficiente e ele notou minha presença .
–Brancie! Venha aqui!- quem bom ele parecia menos irritado do que de manhã .
–S-sim?- disse me aproximando dele , ele me estendeu uma carta peguei-a e corri ao meu quarto , era uma carta da minha avó! Da minha avó! Ficava tão feliz quando ela me mandava cartas , minha avó quando mais nova era cartunista então sempre me mandava desenhos dela com poemas embutidos , eu tinha dezenas deles , todo mês ela mandava uma carta juntamente com uma espécie de "mesada" também pra mim , mas que Frank pegava pois ele não conseguia parar em um só emprego .
Dessa vez ela mandou-me um desenho de um enorme jardim , com diversas flores de todos os tipo , e no centro do jardim segurando uma rosa havia uma pequena menina de longas tranças enfeitadas com a seguinte mensagem no fim.
"És de longe uma flor linda , vividamente colorida , em meio ao oceano de armagura , és linda , és perfeita "
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