Notas iniciais
Boa leitura meus amores... u.u

– Por onde começamos? – disse meu avô animado e eu sorri com seu entusiasmo, ele endireitou os óculos e estreitou os olhos em minha direção, a mesa já estava arrumada, e escutávamos os roncos de minha avó.

– Você estava falando sobre conhecer uma jovem bruxa, vovô. – falei baixinho.

– Bem, ela mora não muito longe daqui, tem mais ou menos sua idade. – ele sorriu. – Ela me lembra sua avó quando mais nova, assim como você a sua mãe. – ele se abaixou um pouco sobre a mesa, para ter certeza de que somente nós dois escutássemos.

– Pode parecer estranho, vovô. Mas eu acredito, eu sinto. – falei enquanto sentia meu peito se contrair, e minha garganta se fechou de súbito.

– Não precisa me dizer nada querida, temos uma ligação muito forte com o sobrenatural. – ele parecia entender o que acontecia comigo, mas continuei escutando, reprimi os lábios e franzi o cenho. – Sei que pode parecer estranho, mas somos de certa maneira próximos dos mundos inferiores e também superiores. – ele se calou e arregalou os olhos por um instante.

– Vovô? – fiquei em estado de alerta, enquanto vovô se inclinava sobre a mesa lentamente, até estar desacordado e debruçado sobre a mesma (eu sou do tipo de garota que só arranja problemas, mas isso, o que esta acontecendo?).

A casa gelou por inteiro, eu podia ver a neblina praticamente brotar do chão, com uma lentidão amedrontadora, calafrios subiram por minhas pernas e quase quebraram minha espinha, eu avô respirava profundamente de olhos fechados, e com as mãos usadas como apoio. Estava realmente dormindo? (Como é que ele dorme, bem no meio de uma conversa?!) meu coração começou a martelar em meu peito, e de repente, tudo escureceu.

“Você é a escolhida? A única mulher da família Wizard com a marca de Liz?” A voz era rouca, medonha, o hálito frio batia contra minha nuca, como se fossem chicotadas fortemente direcionadas a apena suma região, sem errar o local.

“Não pode ser ela, onde está a marca? Acho que seria meio impossível ser esta menina!” Outra voz surgiu, e tudo começou a clarear, pisquei freneticamente até achar um ponto com foco.

“Ela nem consegue nos ver, viu como ela está? Procurando algo, que simplesmente não enxerga, ela não pode ver através da sombra.” A primeira voltou a se pronunciar, o lugar estava diferente, a casa parecia morta, raízes entrando pelas janelas escancaradas, as mesas de madeira e as portas totalmente destruídas.

“Ela deve estar se perguntando, porque a casa está tão fria, Louis, vamos sair daqui!” A segunda voz, ficou fina, conseguia escutar normalmente, mas não sentia meu corpo, eu estava paralisada em algum tipo de dimensão, não sei dizer, meu Deus! O que está acontecendo? Meus dedos se moveram e lentamente meu corpo voltou aos meus comandos.

“Lígia, se você começar a se desesperar, vai perder o controle da sombra! Temos que continuar focados. Principalmente você. Não a traria se não fosse precioso.” Ele a repreendeu. Levantei-me da cadeira devagar, se tudo ficou silencioso, meu avô dormia, e minha avó parecia ter um pesadelo.

“Ela está agindo normal, viu! Não está com a marca.” A voz da tal Lígia se alterou impaciente, continuei andando, fiquei descalça e subi os degraus da escada, fingindo um bocejo.

“Talvez ela não esteja agindo.” Louis se pronunciou, e algo impediu minha caminhada para o segundo andar, olhei para trás rapidamente, e meu coração perdeu uma batida.

“Será que ela nos vê? Não agüento impedi-la de subir por muito tempo, sabe que não controlo.” Uma mulher de cabelos ruivos, gesticulava com os dedos em minha direção, enquanto seus olhos ficavam totalmente brancos.

“Pode soltá-la, ela não nos vê.” E aos poucos a figura de um rapaz se formava ao seu lado, ele pôs as mãos no bolso da calça jeans, com um ar indiferente deu dois passos para trás, usava óculos escuros e uma camiseta que mostrava seus braços trabalhados.

Mordi o lábio, piscando freneticamente, e aos poucos o ambiente voltou ao normal, os passos de ambos se afastaram, eles caminhavam em direção a porta, a ruiva direcionou um olhar preocupado em minha direção, eu continuava parada na escada, os observando, tentando não demonstrar minhas emoções.

O loiro, de óculos, sorri malicioso em minha direção, enquanto passavam pela porta e tudo clareava, voltando ao seu estado natural.

– E então querida, esta prestando a atenção no que estou dizendo? – meu avô me cutucou, engoli seco, percebendo que estava sentada a sua frente, assenti sem entender muito do que se tratava, e me levantei.

– Vovô, preciso me deitar, estou cansada, obrigada por me contar. – apesar de não ter entendido nada, minha cabeça girava em torno do possível acontecimento paranormal em minha residência (será que só porque eu vim para este lugar sou obrigada a sonhar acordada também? Não gosto da ideia).

Senti meu pulso queimar, enquanto eu entrava em meu quarto e me jogava sobre a cama, suspirei tentando relembrar do que havia acontecido, peguei uma folha de papel normal, e uma canetinha colorida, anotando tudo que eu recordava com clareza.

“Louro de óculos, braços fortes tudo arrumado, estilo bad boy, me lembrando extremamente alguém. Ruiva, com muito estilo, bota cano curto e um corpo de dar inveja, se é que posso dizer assim, pelo o que notei, parece ser uma bruxa. E ela fez algum tipo de coisa relacionada à sombra.

Fim da minha nota, sorri comigo mesma, e me deixei levar pelo cansaço de ter almoçado, não entendo porque de eu sempre ficar com sono depois de comer, então eu meio que desmaio. Franzi o cenho, e fechei os olhos, me encolhendo sobre a cama com a folha sendo amassada por meus braços.

Notas finais
Deem suas opiniões... beijocas
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.