Letal
1 A garota na visão
Notas iniciais
Essa é a história de Yennefer, a oráculo que contará com ajuda de Acid Girl para enfrentar seus maiores medos.
Apesar de ser uma história de heróis, essa é uma daquelas fics que não fogem do mundo real e abordam temas reais.
*As visões do futuro sempre serão em itálico para melhor entendimento
Futuro — definição: Conjunto de fatos e acontecimentos que irão acontecer.
Podê-lo ver foi o "dom" que eu recebi, essa maldição.
Alguns pensam que ver o futuro poderia ser a chance de suas vidas, poderiam evitar acidentes, ganhar em loterias ou até mesmo encontrar o amor de sua vida rapidamente mas não imaginam que isso sempre termina com inúmeras visões de probabilidades de seus entes queridos morrerem, eu mesma já vi meus pais morrendo diversas vezes e nunca estou preparada para assistir isso.
A única coisa que eu queria era poder desligar essas visões, já que nem posso dormir sem que essas malditas premonições apareçam.
Quando "Ele" me deu esse poder eu assumo que me subiu à cabeça e me afundei em apostas, as quais eu sempre vencia, eu sempre soube as cartas que meus amigos possuíam e sempre sabia os números que deveria jogar na loteria, eu pude finalmente dar uma vida digna à minha família e com isso crescemos e fomos enriquecendo e realizando nossos sonhos mas mesmo vendo o futuro não pude evitar a morte de meu filho e nem o divórcio seguido... Foi aí que eu percebi que ver o futuro não significava que eu poderia alterá-lo quando quisesse.
De fato essas visões se tornam insuportáveis depois de um tempo, afinal, o que é verdade? O que realmente está acontecendo agora? Eu realmente estou aqui ou é só a visão de um futuro no qual irá acontecer?
Há uma garota presente constantemente nas minhas visões, é loira e sempre está vestida com roupas típicas da Bulgária, eu diria que mora na capital pelas localidades das visões.
Ela nunca ouviu falar de mim mas eu sei tudo dela, mesmo que involuntariamente, eu diria que estamos ligadas por algum elo misterioso.
— E então? Alô? Yennefer? Está presa novamente em sua mente? — Scratch estala os dedos várias vezes próximo ao meu rosto.
— Perdão, eu me distraí. — Passo a mão por meu rosto.
— Precisa de um ar? Acho que essa aula de piano não te fez bem, estou te achando estranha ultimamente. — Ele pergunta cruzando os braços e se enclinando em minha direção.
— Eu não sei, sinto que estou sendo observada, é como se algumas pessoas estivessem com os olhos cravados em mim. — Olho para todos os cantos procurando por quem está me observando porém sem sucesso.
— Está ficando paranóica, talvez seja o novo carro estranho do vizinho, esses alemães insistem em fazer porcarias e me dão arrepios. — Ele fala com tom de ironia.
— Eu sou alemã. — Respondo de forma ríspida e logo o sorriso irônico no rosto do rapaz desaparece.
— Bem, está na hora de ir, o trânsito para Bristol essa hora é horrível e eu não pretendo ficar em Londres o dia todo, combinamos nesse mesmo horário amanhã? — Ele fala enquanto veste seu casaco e confere suas chaves.
Eu respondo apenas com um aceno de cabeça com meus cabelos ruivos, curtos e enrolados.
Levanto-me e vou até a janela para vê-lo partir, o mais triste de amar o meu professor de piano era saber que não existia nenhuma probabilidade de ser feliz com o mesmo, por esse mesmo motivo que terminamos tão cedo.
Em meio a neblina pelo qual ele desaparecia, eu vi a garota loira búlgara novamente, mais uma visão estava para começar e tudo que me restava era assistí-la.
Lá estava ela, saltitante com seus trajes locais enquanto balançava seu vestido de um lado para o outro e por ver seus cabelos ainda loiros aos ventos, sabia que se tratava de um acontecimento futuro que ainda antecede seu ganho de poderes.
Se eu não soubesse que estava em uma visão poderia jurar que a janela na qual eu estava era a de minha casa mas na verdade é de um desconhecido qualquer, pude notar que o mesmo era casado e com três filhos por um quadro próximo à janela.
Olho para fora e a vejo parar, um garoto se aproxima e ela o abraça amigavelmente.
— Esse não desiste nunca.
Fecho os olhos fortemente e quando os abro estou no Jardim, bem perto dos dois e podia ouvir a conversa dos dois adolescentes que beiravam os quatorze anos.
— Mandy, o que eu tenho que fazer? — Pergunta o garoto aflito.
— Ela não vai te perdoar rapaz, desista. — Respondo como se eles pudessem me ouvir mas ninguém me via ou ouvia nas minhas visões, até porque elas não estavam acontecendo de verdade ainda.
— Eu já disse, tem que humilhar a vadia. — A loira balança os cabelos e olha o pretendente com desprezo.
— Mas eu... — Ele engasga.
— Nada de desculpas, estou cansada Yedri, vou cochilar e quando eu acordar quero um print da tela da conversa onde você diz que tem namorada, agora estou indisposta a falar com você. — Ela se vira em direção à sua casa.
— É Yedri, não foi dessa vez, novamente. — Dou uma risada cabisbaixa.
Normalmente eu tinha visões com a Mandy depois das aulas de piano, por isso sempre a liguei com esse instrumento e essa já era a terceira vez que presenciava essa mesma visão, sempre tão parecidas, às vezes mudavam as posições de seus corpos mas as falas sempre eram as mesmas mas dessa vez foi diferente já que era para eu estar de volta assim que a jovem termina a fala mas ainda estava ali, dessa vez era necessário que eu assistisse mais alguma cena em específico.
Caminho atrás de Mandy que entra em sua enorme casa passando pelos empregados como se eles fosse parte do cenário e indo para a cozinha.
Me apoio no balcão próximo à pia e observo a garota abrir a geladeira e pegar um pouco de iogurte para si mesma, embora ela não tenha notado não estava sozinha, "ele" estava ali.
Quando a pobre garota fecha a geladeira se assusta com o homem de vestes pretas que cobriam tudo exceto seu lindo rosto, ele rapidamente repousa a mão sobre o rosto da loira e a faz voar e bater contra a parede.
— Sinto muito Mandy, eu sei que você sofrerá com os poderes que ganhou, mas aproveite pois ainda terá tempo de ser normal. — Falo para a garota que se contorcia no chão.
Minha visão se esfumaça e eu estou de volta à minha janela, olho para o relógio e já haviam se passado algumas horas desde que Scratch havia ido embora, essa visão me ocupou tempo demais.
— Cada vez que te vejo me surpreendo Mandy... Quais serão realmente seus poderes? O que vi não foi algo claro. — Me sento novamente em frente ao piano falando sozinha.
Então foi "ele" quem a deu os poderes também? Eu poderia intervir mas será que há tempo? É inevitável fugir, ela será uma mutante, o país dela não é tão extremista.
A Bulgária dividiu os mutantes em letais e não letais, certamente eu estaria bem tranquila com meus poderes, afinal, ninguém nunca descobriu sobre meu dom.
É só Mandy ter sorte e não ser uma letal e se ela for se tornar uma letal... Que os deuses a ajudem.
Notas finais
É cedo para teorias, mas podem começar a bolar as suas.
Também curto entregar o que os leitores pedem, então alguns comentários podem vir a acontecer.
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