Notas iniciais
Em primeiro lugar, queria agradecer bastante à Iza (aka Metacase) pelo convite! Me senti bastante honrado e quando vi que eu era o único homem a escrever algo aqui, me senti mais honrado ainda (ih, gente, eu sou modesto assim, desculpa) :) Em segundo lugar, a one-shot que escrevi está pequena, mas espero que gostem do que ofereço a vocês aqui... e sim, é inspirada em "Hello" da Adele. Ponham no volume máximo, provavelmente vão querer separar a caixa de lenços para ler, mas provavelmente não... vou deixar vocês lerem!

Noite de Natal. Não que eu me importasse — deixei de fazer isso há muitos anos, quando meu pai pediu o divórcio da minha mãe justamente na ceia natalina e até hoje nunca quiseram me explicar o porquê, e olha que já passei dos 25 anos faz tempo — porque, no final das contas, eu ia comemorá-lo sozinha no meu apartamento, rodeada de caixas de chocolate da Nestlé, pipoca e DVDs intermináveis de Grey’s Anatomy.

É, eu sei, não é exatamente o que se espera de uma noite de Natal, não é mesmo? O aceitável seria se reunir com seus familiares — porque tecnicamente Natal é sobre estar em família, agradecendo pelo ano corrido e blá blá blá, bullshit– orar, comer um peru bem gordo, defumado e bonitinho preparado pela matriarca da sua família com muito amor, carinho (e provavelmente formol) e dedicação, rir da famosa, clássica e obsoleta piada do “é pavê ou pacumê?” e outras sem graça que curiosamente só são ditas por aquele tio gordo que não tem o que fazer de tanta solidão que passa, aturar o resto dos familiares perguntando “e os peguetes, menina Rachel? Tá tendo?” e responder na lata “e o bom senso? E a famosa atividade chamada cuidar da sua vida? Tá tendo?”.

Como eu disse, seria o aceitável. Seria. Se toda a sua família não morasse do outro lado do país e você esteja sozinha em New York por conta da profissão desgastante de estilista profissional das estrelas de TV. E se você não estivesse solteira há quase um ano porque teve medo de levar seu último relacionamento a um patamar mais sério e preferiu terminar em favor de si mesma.

Indireta? Não, imagina!

Situação explicada. Agora acredito que dá pra justificar o porquê de eu ter feito o que provavelmente se tornaria a maior merda já feita por Rachel Barbra Berry em 26 anos de vida, em plena noite de Natal, faltando cerca de quinze minutos para o tal feriado da neve começar de vez.

Eu simplesmente não aguentei a pressão de ter que assistir ao episódio mais destruidor de sentimentos de Grey’s Anatomy (spoiler a seguir) no qual Lexie Grey morre (fim do spoiler) e peguei meu celular. Abri a lista de contatos e selecionei aquele contato que eu desejaria bastante tê-lo apagado há meses, mas não o consegui por algum motivo sentimental.

Disquei sem pensar duas vezes. Caiu na caixa postal.

“Oi, aqui quem fala é Quinn Fabray. Não ouse me chamar de Lucy. No momento não posso atender, mas deixe seu recado pelo amor de Britney Spears e retornarei assim que possível. XOXO.”

一 É… olá. Sou eu. Estava imaginando se, depois de todos esses meses, você ainda gostaria de me ver. Pra gente discutir tudo. Tudo bem que não há exatamente o que discutir, porque fui eu a pessoa a acabar com o que tínhamos. Merda. O que diabos eu tô fazendo aqui? Espera. Eu vim te pedir desculpas, é verdade. Muito tempo depois, outra verdade. Eu nem devia estar fazendo isso, verdade pura. Mas dane-se. O tempo supostamente devia ter curado esse sentimento, mas eu mesma não me sinto completamente livre. E…

O tempo para a mensagem acabou. Ah, mas agora que eu comecei, não paro mais.

Liguei de novo. Caixa postal de novo.

一 Tô pouco me lixando pras várias mensagens que vou mandar. Só avisando. Enfim… olá de novo. Eu devo ter ligado milhares de vezes durante esse ano passado para te pedir desculpas pelo que fiz, mas… você nunca parecia estar disponível quando eu ligava. Bom, ao menos posso dizer que tentei, né? Tentei recompor sua opinião sobre mim. Desculpe por partir seu coração. Mas como eu já disse em outras vezes, eu precisava escolher entre você e eu mesma. E claramen- 一 barulho de telefone outra vez.

Mas eu não ia desistir agora. Não quando a Lexie continuava morrendo dramaticamente na tela da minha televisão e eu não aguentava nem olhar pra ela sem despejar ódio em cima da Shonda Rhimes que me fazia sentir culpa pelos acontecimentos do passado. Eu vou acabar essa porcaria e doa a quem doer, atinja a quem atingir. Eu precisava terminar.

一 Olá de novo. Desculpe, é bem a minha cara falar tanto de mim mesma, como deve ter notado nas ligações anteriores… que você não atendeu. De novo. Então, como vai? Conseguiu sair daquela cidade onde porcaria alguma acontecia? E a Frannie? Como está sua irmã? Me disseram que ela cresceu bastante e… continua perguntando por mim. Desculpa de novo, reverti o foco dessa mensagem para mim mesma. Porra, preciso parar com isso… eu, eu não espero que a gente volte depois dessa declaração toda. Você já deve ter seguido em frente, encontrado a pessoa ideal para você. Talvez eu ainda não seja a ideal para Lucy Quinn Fabray. E eu te chamo de Lucy sim, me processa, fofa.

Tempo esgotado de novo. Ah, mas dessa vez vou dar orgulho até pra Adele de tanto lutar por isso aqui.

一 Oi de novo. É a última vez que te ligo hoje, juro. Só… pensa nas coisas que eu falei, tenta não ficar com ódio de mim. Eu ficaria arrasada se soubesse que você ainda acha que eu sou uma filha da puta imprestável. Eu me sentiria péssima. Por favor, Quinn, me perdoe. Eu sinto sua falta. E eu sei que é noite de Natal e você provavelmente não vai me ouvir tão cedo, mas… feliz Natal. Que você ganhe os melhores presentes do mundo, porque é isso que você merece. Eu não te mereço e nem vice-versa. Sou uma granada. E preciso desligar.

E enfim, desliguei a ligação que no final das contas também caiu na caixa postal.

Será que um dia ela vai me ligar de volta?

Só me toquei do que havia feito na manhã seguinte. E na verdade eu nem me lembraria dessa merda, se não fosse pelo fato de que eu acordei com uma mensagem de texto da própria Quinn Fabray.

“Central Park. Meio-dia. Não se atrase. — Q”

Tive duas reações no momento seguinte ao que eu li isso. 1) caí da cama e não ousei levantar do chão, porque eu me sentia desmaiada com aquilo e não esperava, nem em mil anos, que ela iria querer me ver depois de eu ter quebrado seu coração gravemente com aquele término nem um pouco dramático, imagina; 2) sentei-me no chão mesmo e agradeci aos céus por ter essa chance de consertar aquela burrada do passado.

Aquele Natal não seria mais destruído por Grey’s Anatomy.

E nem seria destruído.

Notas finais
Espero de verdade que tenham gostado! Foi a primeira vez que escrevi com Faberry e agora espero a opinião de vocês nos comentários ;) Boas Festas!