Let it Snow - Faberry
5 Stronger - Lembranças de Natal
Notas iniciais
Era sempre assim nesta época do ano. Me pegava pensando no passado e tentando imaginar como as coisas teriam sido se Rachel não tivesse aquele coração maravilhoso. Com certeza ainda estaria sozinha, totalmente sem rumo pela vida, penalizando-me por minhas atitudes arrogantes, infantis e maldosas que tinha quando adolescente.
Tudo poderia ser diferente se o acaso e minha irresponsabilidade não tivessem cruzado com força em minha vida. Se eu não tivesse, num ato leviano, entregado minha pureza ao maior cafajeste que existia em Lima. Se daquela leviandade eu não tivesse sido presenteada com um anjo.
Várias coisas passaram em minha cabeça quando fiquei sabendo que estava grávida. Dúvidas. Incertezas. Mas principalmente, Medo. E as piores ideias surgem quando temos medo do desconhecido.
É certo que minha vida seria uma avalanche de arrependimentos se eu tivesse seguido os impulsos que o medo me instigava a fazer. Pensei em aborto. Mais tarde, quando a coragem me faltou e isso já não era mais possível, pensei em adoção.
Mas então a luz veio de onde eu menos esperava. Daquela irritante criatura de olhos castanhos, pele morena e cabelos escuros.
Era maio. O calor começava a tomar conta de forma sufocante, assim como aquele segredo que me angustiava. Estava no terceiro mês de gestação e dali a pouco seria impossível esconder o volume que se formava em meu ventre. Em casa eu já evitava a todos. Minha mãe parecia desconfiada, mas não falava nada. Meu pai eu quase não via, como sempre. E minha irmã morava fora da cidade e somente havia vindo nos visitar uma vez durante todo aquele período.
Como todos os dias desde que eu descobrira a minha gravidez, estava arrasada. Havia tentado conversar com Puck, mas agora este já nem me dava atenção e praticamente me escorraçava. Já tinha conseguido o que queria.
Chorava em uma das cabines do banheiro feminino do segundo andar da escola quando ouvi a porta do local ser aberta e passos se dirigirem até a pia. Esperei a torneira ser aberta, mas isso não aconteceu. O que houve me deixou ainda mais surpreendida. Aquela voz que tomou o ambiente era a que eu menos esperaria ouvir naquela hora.
– Quinn?
Fiquei em silêncio na esperança que ela fosse embora e não visse meus olhos inchados.
– Quinn, eu sei que você está aí. – insistiu – Saia, por favor. Conversa comigo. – pediu.
Diante daquela súplica abri a porta e me deparei com aqueles olhos doces. Aquela foi a primeira vez que realmente a vi. A primeira vez que eu a olhava como uma igual e não com minha falsa superioridade.
E foi ali que me apaixonei perdidamente por Rachel Barbra Berry.
A partir daquele momento Rachel foi meu alicerce para que eu não desabasse. Minha sustentação. Ela me deu força, coragem, carinho e, principalmente, amor.
Viramos amigas inseparáveis. Ninguém na escola entendia aquilo, nem mesmo Santana, que se dizia minha melhor amiga. Acabei me aproximando de Kurt, Blane, Mercedes e Finn, que mesmo sendo ex namorado de Rachel ainda prezava a amizade da baixinha e agora namorava nossa colega Harmony.
Acabei tendo que contar a meus pais sobre a gravidez e Russel me expulsou de casa sem que Judy dissesse uma palavra sequer. Os Berry imediatamente me acalentaram e praticamente me adotaram como a segunda filha deles.
Rachel e eu estávamos cada vez mais próximas. Todos diziam que parecíamos um casal e zoavam que a baixinha era o pai do bebê que eu esperava. No fundo eu queria que ela também fosse mãe do meu filho e fizesse parte daquela experiência sensacional.
Os meses passaram e eu já estava prestes a dar à luz a Beth. Minha filha crescia saudável em meu ventre e com certeza já era extremamente amada por todos que me rodeavam.
Minha amizade com Rachel havia evoluído um pouquinho e tínhamos dado alguns beijos certas vezes. Eu agora dormia na mesma cama que ela, em razão dos pesadelos que me perseguiram no meu quinto mês de gravidez, onde meus pais me perseguiam tentando me tirar Beth e dizendo que eu nunca seria uma boa mãe para minha filha. Acordava tremendo e sorrateiramente fugia para a cama de Rachel, que mesmo dormindo me envolvia nos braços e acariciava minha barriga, fazendo com que na mesma hora eu me acalmasse.
Em 25 de novembro, num dia frio, nasceu Elizabeth Fabray. Para alegria de todos nossa garotinha era extremamente saudável. Sua pele alva como a minha e os cabelos castanhos como o de Rachel. Mais tarde descobrimos que seus olhinhos eram verdes como o meu.
Nossa princesinha seria realmente linda.
O primeiro mês de Beth foi um período de descoberta para mim e Rachel. Ela agia como se realmente fosse mãe da nossa bebê e se esmerava para fazer o melhor por nós. Certas vezes apenas ela conseguia acalma-la quando começava a chorar. Eu ficava boba admirando as duas pessoas que eu mais amava naquela perfeita sincronia. Sim. Eu amava Rachel Barbra Berry com todas as minhas forças.
O Natal chegou e uma certa melancolia tomou conta de mim, afinal seria a primeira vez que passaria as festas de final de ano longe de minha família. Pensando bem aquela talvez nunca tenha sido realmente minha família, tudo sempre tão frio e impessoal. Só sentia falta de minha irmã Frannie, que era a única verdadeiramente a me dar carinho e amor de forma incondicional.
Rachel fazia de tudo para me agradar, ainda mais naquele dia que ela sabia ser difícil para mim.
– Quinnie, vem aqui comigo. – chamou do sofá, onde estava sentada com Beth nos braços.
– Já falei que você vai deixá-la cheia de vontades a miando assim, Rach.
– Ah, Quinnie, não briga comigo. Ela é muito fofa e essa fase passa tão rápido. – justificou.
Sorri de forma totalmente apaixonada para ela, que se inclinou e mesmo com dificuldade me roubou um selinho.
Leroy e Hiram tinham convidado nossos amigos e suas respectivas famílias para passarem o Natal conosco. A casa era grande e aconchegante, não faltaria lugar para ninguém.
Nossos amigos foram chegando aos poucos e em torno das dez e meia da noite todos já estavam reunidos quando a campainha voltou a tocar. Olhei para Rachel que deu de ombros e seguimos conversando com nossos amigos enquanto os pais de Rachel abriam a porta para o novo visitante.
– Quinn, você tem uma visita. – Hiram me chamou e me surpreendi ao me virar e dar de cara com minha irmã mais velha depois de tantos meses.
– Oi, Quinnie. – ela falou numa vergonha que com certeza não lhe pertencia. Logo atrás dela havia uma ruiva parada com olhos ansiosos em minha direção.
– Frannie? – disse chocada e corri para os braços abertos de minha irmã.
Nos abraçamos forte e lágrimas correram por nossos rostos. Depois de conseguirmos nos acalmar ela me explicou o porquê de não ter vindo me ver desde que nossos pais me expulsaram. Por incrível que pareça ela também havia sido renegada por estar namorando uma garota, no caso a ruiva que lhe acompanhava.
– Maninha, essa lindeza aqui é minha namorada Marina. Marina, essa é Quinn, minha maninha mais nova. – disse apertando minhas bochechas.
– É um prazer imenso te conhecer, Quinn. A Frannie fala muito em você e do quanto sentia sua falta. – a ruiva disse de forma simpática.
– O prazer é meu, Marina. Fico feliz em saber que minha irmã encontrou alguém como você. – fazia poucos instantes que conhecera Marina, entretanto a simpatia fora imediata.
– Bom, agora quero conhecer minha sobrinha. – Frannie disse sorridente olhando para o pequeno embrulho que estava no colo da morena que observava tudo um pouco mais afastada.
– Mana, essa é Rachel, minha nam... amiga. – remedou, afinal nem ela nem Rachel haviam definido o que tinham.
– Muito prazer, Rachel. – disse Frannie com um sorriso malicioso nos lábios.
– E essa é Elizabeth, sua sobrinha. – continuei antes que minha irmã me envergonhasse diante de Rachel.
Frannie e Marina ficaram literalmente apaixonadas pela sobrinha e não desgrudaram de minha filha por um momento sequer. A noite seguiu agradável e logo os Berry nos chamaram para a ceia.
O jantar transcorria alegre e num clima que nem eu nem Frannie nunca tínhamos convivido. Aquilo sim era um ambiente familiar e era assim que eu queria que minha filha crescesse. Estava distraída em meus devaneios, quando Rachel ficou em pé ao meu lado e bate na taça pedindo atenção de todos.
– Desculpem interromper essa agradabilíssima refeição, mas eu tenho umas palavrinhas para dizer. – disse e se virou em minha direção, me olhando nos olhos – Sei que é Natal, mas eu não poderia querer uma data tão especial como essa para dizer isso. Sei que mesmo fazendo algum tempo que nos conhecemos, recém esse ano viemos a nos reconhecer verdadeiramente. Se não fossem os acasos que aconteceram em nossas vidas talvez não teríamos nos aproximado, nos tornado amigas e até um pouco mais...
Rachel falou e ficou corada. Eu realmente adorava e me derretia quando ela ficava vermelhinha.
– Bom, prosseguindo. Fiquei extremante feliz quando você deixou que me aproximasse e te ajudasse naquele momento difícil. Já fazia algum tempo que eu vinha te olhando com olhos diferentes, e talvez nunca tivesse coragem de me aproximar... – fez uma pausa – Mais feliz ainda fiquei quando me permitiu acompanhar sua gravidez como se também fosse mãe de Beth, que eu amo demais, como se fosse minha filha de verdade...
– Ela é sua filha, Rach. – falei baixinho, emocionada.
– Obrigada, amor. – aquela simples palavras fizeram meus olhos brilhar – Quinn, eu te amo e gostaria que você fosse bem mais que minha amiga. – disse pegando uma caixinha e ajoelhando do meu lado – Lucy Quinn Fabray, você aceita ser minha namorada?
Levei as mãos à boca e não consegui disfarçar a emoção que me tomou. Lágrimas escorriam por minha face enquanto todos nos olhavam ansiosos. Me joguei contra o corpo pequeno daquela que por muito tempo julguei ser a última pessoa na face da terra que eu queria do meu lado, e que agora era meu mundo, meu chão, minha estabilidade, meu amor.
– Claro que quero. Nada me faria mais feliz nesse mundo. Eu quero você pra sempre do meu lado e do lado da nossa filha. Eu te amo muito. – selei seus lábios em um beijo carinhoso, demonstrando todo o amor que eu sentia por ela.
Com certeza aquele era o melhor Natal que eu tive desde que nasci e o primeiro do resto da minha vida ao lado do meu amor.
...
– No que está pensando, amor?
– Oi? – falei ao ouvir aquela voz que eu amava me tirar de meus devaneios.
– Estava aí, tão distante... No que pensava? – falou sentando no meu colo e envolvendo meu pescoço com os braços.
– Estava aqui fazendo um retrospecto da minha vida antes e depois de Rachel Berry. – sorri para ela e passei o nariz em seu pescoço, aspirando aquele perfume que nunca me enjoaria.
– E qual foi sua conclusão? – perguntou de olhos fechados, apreciando minhas carícias.
– Que antes de Rachel Berry não existia Quinn Fabray. – declarou e ganhou um beijo cheio de amor da esposa.
– Eu te amo, minha Quinnie.
– Também te amo, minha Rach.
– Agora vai lá trocar de roupa que meus pais, sua irmã, cunhada e sobrinho, bem como o resto do pessoal não demoram a chegar para a ceia de Natal.
– Eu realmente amo o Natal.
Quinze anos havia passado desde nosso primeiro Natal juntas. Muitas coisas aconteceram em nossas vidas, mas nada foi forte o suficiente para diminuir nosso amor. Muito pelo contrário, este ficava cada vez mais forte e sólido.
Beth estava uma linda adolescente de recém feitos quinze anos. Nosso filho do meio, Natan, estava com dez e a caçulinha, Claire, mimada por todos, principalmente pelos irmãos, com dois aninhos.
Apesar de muitos serem contra nossa união estávamos mais do que feliz e unidas, com uma família perfeita, filhos amados e amigos que valiam muito.
Hoje agradeço pelos infortúnios que me aconteceram na adolescência. Sem eles eu não seria quem eu sou hoje e nem teria o que tenho: felicidade, segurança, paz, amor e Rachel Berry-Fabray do meu lado.
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