Let The Flames Begin
35 Capítulo 35
Notas iniciais
Rivaille havia levado Eren para comprar algumas roupas. Na verdade, para comprar um terno, pois o garoto tinha nenhum. Era um traje mais adequado para ir ao Le Matin, mas, honestamente, Rivaille apenas queria fazer com que o adolescente usasse tal vestimenta para suprir seus desejos pessoais em vê-lo daquela maneira na frente de seus olhos e não apenas dentro de sua cabeça, porque, sinceramente, não dava a mínima às exigências de um restaurante metido a besta.
Rivaille aproveitaria a conveniência da noite.
“Fiquei bonito vestido nessa coisa.” Eren disse enquanto avaliava-se no espelho do trocador.
“Bonito? Eren, querido, eu daria para você neste trocador se isso não implicasse mil dores de cabeça.”
Eren riu breve. “Então,” ele começou, virando-se para encarar Rivaille diretamente, e não pelo espelho “você gostou, huh?” Sorriu de canto e aproximou-se do namorado, descansando as mãos em sua cintura.
Rivaille agarrou a gravata preta que o garoto usava e o puxou para um beijo cheio de desejo e, ao fim do contato, prendeu o lábio do outro entre os dentes e o puxou.
“Quero que consideremos a ideia de ir para dentro do trocador e-“
“É tudo o que eu queria, mas não vai acontecer.” Rivaille falou, tocando o blazer que havia escolhido para Eren. O garoto estava absolutamente irresistível, droga, tinha de admitir mil vezes em sua cabeça.
“Você gostou dessa roupa?” Eren perguntou, como se já não fosse claro o suficiente.
“Está perfeita. E você, o que achou?” Rivaille observou-o voltar a atenção ao espelho e a admirar-se novamente por alguns segundos antes de responder.
“Eu gostei muito.”
“Então a levaremos.”
“Não são peças baratas. Deixe-me pagar por elas. Afinal, eu gostei de como ficou.”
“Eren, já conversamos sobre isso.”
“Então deixe-me pelo menos dar a metade do valor.”
“De repente eu não consigo escutar nada mais. Não sei o que aconteceu.” O dançarino disse, ignorando a insistência do outro, que resmungou em protesto à sua resposta.
No fim, Rivaille foi quem pagou pela roupa e não aceitou qualquer proposta feita por Eren.
Deixaram a loja e após poucos minutos caminhando pelo shopping em direção ao estacionamento, Eren pediu que parassem numa loja de música e afins que havia no caminho, pois precisava comprar cordas para o violão e o dono do lugar onde costumava comprar estava viajando.
Entraram na loja, cujo visual era baseado em rock da segunda metade do século XX, mas sem dispensar produtos de música posterior àquele período.
“Podemos ficar aqui para sempre.” Rivaille disse, recebendo um olhar confuso do garoto. Num volume muito baixo, tocava Time, de Bowie, na loja.
Eren não havia se dado conta no primeiro momento, mas não demorou a perceber. “Está tocando Bowie.”
“Gostam do Starman?” O atendente chamou-lhes atenção, eram os únicos clientes na loja naquele instante.
“Sim.” Foi Eren quem o respondeu.
“Gostar é uma palavra tão insuficiente.” Rivaille falou logo após.
O atendente, um homem alto, de braços tatuados e alargadores, riu antes de perguntar: “O que procuram?”
“Cordas para violão.” Eren o respondeu.
Enquanto o dono dos turquesas consultava o que queria, Rivaille ficou a olhar os vinis organizados em prateleiras de porta-vinil no centro do estabelecimento. Pegou um disco de uma banda desconhecida para si e ficou a analisar os detalhes da capa enquanto movia os lábios de acordo com cada palavra que vinha da música que tocava ao fundo, mas sem realmente dizer algo.
Eren não precisou de muito tempo para comprar as cordas e logo os dois estavam no estacionamento.
Acomodaram-se no sofá da sala do dançarino quando chegaram ao apartamento dele. A bonita sacola com a roupa que havia comprado para Eren descansada ao pé da mesa de centro.
Rivaille ficou a observar o garoto enquanto este lia qualquer coisa escrita na capa das cordas do violão. Adorava o perfil de Eren, o modo como era desenhado o contorno de seus lábios e de meu maxilar. Aproveitou para descansar a própria cabeça sobre o ombro dele, sentindo-o remexeu-se para melhor acomodá-lo, passando um dos braços por suas costas. Rivaillle escondeu o rosto no pescoço de Eren e este depositou um beijo em sua cabeça.
O dono dos cinzelados sentia-se confortavelmente fora do mundo. E com isso, queria dizer que era tudo tão estranho. Estava, gradualmente, saindo de seu mundo, daquele que o escondera por tanto tempo. Era nenhum pouquinho fácil. Muito pelo contrário: Rivaille estava enfrentando várias dificuldades mentais diante diversas situações. Uma dessas dificuldades – que tinha certeza ser a mais irritante! – era admitir certas coisas para si mesmo.
O cheiro tão familiar de Eren encontrava conforto em seus sentidos. Rivaille ergueu a cabeça, vendo que o garoto ainda lia a capa das cordas. Afastou algumas mechas do cabelo castanho e, de novo, ficou a encará-lo. Queria tanto dizer a Eren tantas coisas. Era como se tivesse 14 ou 15 anos outra vez.
Queria dizer a ele o quanto gosta do calor de seu corpo, como tem vontade de sorrir exatamente todas as vezes em que vê seu sorriso, o quanto ele o tem feito sentir seguro com diversas coisas, queria agradecê-lo por tudo o que tem feito em sua vida.
“Que foi?” A voz de Eren chamou sua atenção, tirando-o dos pensamentos fundos.
“Huh?” Rivaille piscou. “Nada.”
“Está me encarando calado.” Eren deixou a capa sobre a mesa e arrumou sua posição no sofá. “Eu sei que sou muito bonito e tudo mais, mas é falta de educação ficar encarando os outros assim...” Brincou, entortando os lábios e escondendo o sorriso que queria mostrar.
Rivaille rolou os olhos, mas não pôde evitar uma risadinha. Estava pronto para dizer algo, mas os braços de Eren levando-o para mais junto dele o impediram. O abraço não durou muito, porém, e logo os turquesas do adolescente estavam sobre os seus cinzas.
"Você é lindo." Eren falou.
"Estou sabendo."
Eren sorriu. "Convencido." E beijou o rosto do namorado antes de tomar-lhe os lábios. Suas mãos correram para debaixo da camisa de Rivaille, tocando-lhe a pele quente. Sentiu as mãos do mais velho em seu ombro e pescoço e começou a deitá-lo sobre o sofá.
Então Rivaille o parou. "Acabamos de chegar e eu não vou fazer isso quando você sequer lavou as mãos."
Eren o encarou. "Está falando sério?"
O dançarino ergueu uma sobrancelha e observou o garoto grunhir.
—
"Eren, fique quieto!" Mikasa dizia.
"Eu estou quieto!"
A garota suspirou e entortou os lábios, balançando a cabeça devagar.
"Não devia ter pedido sua ajuda para me arrumar."
"Tarde demais."
Eren rolou os olhos.
"Rivaille tem um ótimo gosto." Mikasa comentou após alguns segundos de silêncio.
"Claro que tem, olhe para mim." Eren brincou.
A morena encarou o irmão e segurou o rosto dele entre as mãos. "Todo mundo erra, até mesmo Rivaille." Retrucou, fazendo-o surpreender-se com sua resposta. "Me refiro à roupa. Mas você também é bonitinho às vezes."
"Então acho que ele não errou tanto assim." Eren ofereceu um sorriso torto à irmã.
"Pronto." Mikasa disse. "Ere- Eren, não põe a mão! Você vai bagunçar tudo."
Eren resmungou e foi até o espelho. "Mika-"
"Eren, Rivaille chegou." Mikasa o interrompeu enquanto olhava pela janela. "Caramba, ele está... lindo."
O garoto caminhou para perto da irmã, a fim de avistar o namorado. Há dois dias, quando se deu conta de que Rivaille também estaria vestido numa roupa semelhante à sua, estava ansioso para vê-lo. Tinha certeza de que o dançarino estaria absolutamente admirável. Mas não foi naquele momento que o viu, pois Mikasa não permitiu.
"Quero admirar sua cara de paspalho lá embaixo quando vê-lo."
"Mikasa!"
"Eren! Eu disse para ter cuidado com o cabelo!" Mikasa o repreendeu por ter levado as mãos à cabeça. "Tsc." Ela pegou a mão do irmão e o levou de volta à cama, fazendo-o sentar para que pudesse arrumar as mechas fora do lugar.
"Eu tenho mesmo que usar isso?" Eren tocava a gravata enquanto Mikasa mexia em seu cabelo.
"Faz parte da roupa. Você não gosta?"
"Está me incomodando."
"Pronto. Tente mantê-lo arrumado. Agora vamos descer."
Eren seguiu Mikasa pelo corredor, de onde podia avistar a sala, mas não viu o pai nem o namorado, então desceram e os escutaram na cozinha e Eren achou estranho o fato de sentir-se tão ansioso naquele momento.
Entraram na cozinha, mas o garoto não deu mais do que dois passos. Seus olhos encontraram com os de Rivaille e ele simplesmente não sabia o que dizer. Seu namorado vestia uma roupa semelhante à sua, de fato, ainda que o corte do blazer e talvez a gravata fossem o que mais se diferenciavam. O cabelo preto estava penteado para trás, sendo que apenas algumas mechas lhe caíam à testa. Eren sabia que Rivaille estava usando rímel.
Ele estava absolutamente lindo. A roupa somada ao penteado do dançarino faziam Eren querer, naquele exato momento, tomá-lo em seus braços unicamente para si.
A risada de Mikasa tirou-o dos pensamentos e o garoto a encarou.
"Mikasa!"
Ela levou a mão à boca, mas ainda sorria divertida.
"Sinceramente, eu tenho muito bom gosto." A voz de Rivaille tomou o ar e a atenção de Eren voltou para ele. Havia feito a melhor escolha de roupa para o garoto e seu penteado – havia uma parte do cabelo de Eren que tinha sido penteado para trás de sua orelha, o que possibilitava da maneira mais fácil jogar as demais mechas para o lado – o davam um ar ainda mais jovem. Apesar de impecável, Rivaille queria despi-lo e bagunçar seus cabelos tão bem arrumados. Ele estava lindo. Tão lindo que o dançarino podia lhe dar um soco por aquilo.
Eren aproximou-se do mais velho. "Você está absolutamente lindo."
"Não tenho como dizer algo diferente sobre você."
Eren sorriu e inclinou-se a fim de capturar os lábios do outro com os seus, num contato rápido.
"Precisamos ir." Rivaille disse ao separarem-se.
O garoto fez que sim com a cabeça e despediu-se do pai e da irmã, sendo acompanhado pelo dançarino. Logo estavam dentro do carro.
"O que?" Eren perguntou enquanto colocava o cinto de segurança. Rivaille não parava de encará-lo. "O que foi? Estou tão ruim assim?" Havia preocupação em sua voz.
"O que? Não, claro que não. Ao contrário disso... você está lindo, eu disse." O tom de sua voz junto com seu olhar sereno fez com que Eren sentisse as orelhas esquentarem um pouquinho. "O seu cabelo está ótimo." Elogiou, deixando a rua da casa do garoto para trás.
"Ah, obrigado. Foi Mikasa quem o arrumou. Ela teve muita paciência." Eren fez uma pausa, olhando para a estrada. Era noite, mas havia considerável movimentação de carros e pedestres nas ruas. "Eu estava ansioso para vê-lo usando isso."
"E o que achou?"
"Eu preciso mesmo dizer? Nem soube o que falar quando te vi lá em casa."
Rivaille sorriu de canto e lançou os olhos ao garoto. "O que está fazendo?" Suas sobrancelhas juntaram-se imediatamente.
"Eu realmente não gosto de gravatas." Eren o respondeu enquanto desfazia-se do acessório. "Espero que não se importe." Encarou o mais velho, abrindo o primeiro botão da camisa social branca que usava debaixo do blazer preto.
"Você quer que eu bata o carro?"
Eren o olhava confuso agora.
"Eu mal consigo acreditar no quãol... sexy você está, e então você faz isso como se não pudesse ficar ainda mais atraente."
Eren riu baixinho e sorriu de canto, divertindo-se ao saber que provocara o outro.
Não demoraram muito a chegar ao restaurante e o garoto não podia se sentir mais contente ao entrar no lugar de mãos dadas com o mais velho. Queria apresentar Rivaille a todos, queria que todos soubessem o quanto o amava, o quanto o achava bonito, o quanto estava feliz por aquela noite, ainda que mal tivesse começado. Queria que todos soubessem o quanto estava feliz por ter o dono dos cinzelados ao seu lado e o quanto o amava.
Quando Eren percebeu, já estavam sendo guiados por um dos funcionários à mesa reservada.
"Eu não sabia que tinha de fazer reserva para vir." O garoto comentou com o namorado antes de acomodarem-se à mesa.
"A vestimenta não é a única exigência ridícula desse lugar."
"Por que escolheu vir aqui então?"
"Apesar de tudo, é o melhor restaurante francês que conheço. Os pratos são excelentes."
Eren não duvidou do que seu namorado falava. Recebeu o cardápio oferecido pelo garçom e o abriu, mas suas sobrancelhas juntaram-se imediatamente devido aos nomes desconhecidos e descrições igualmente em outra língua.
Desistiu de tentar adivinhar o que cada opção dizia e olhou para Rivaille, que escolhia o que iria pedir. Eren apenas queria ficar olhando-o. Ele era tão bonito. Eren apenas queria ficar olhando-o e então beijá-lo...
—
"Eren..." Rivaille gemeu no ouvido do garoto, enquanto este o pressionava contra a parede. Desde o momento em que fora buscá-lo em casa até deixarem o restaurante, não via a hora de bagunçar seu cabelo perfeitamente arrumado e despi-lo daquelas roupas que haviam ficado tão amaldiçoadamente bem nele – e não traiu sua vontade.
"Eren," Rivaille levou as mãos aos ombros de Eren e, apressado, despiu-o do blazer, atirando-o na direção da mesa de centro da sala, então segurou seu rosto entre as duas mãos e o beijou, guiando-o até o encosto do sofá.
Rivaille beijou o canto da boca de Eren, então seu maxilar e, finalmente, seu pescoço, onde lambidas e pequenas mordidas foram espalhadas. Sentiu as mãos do garoto em suas nádegas, apertando-as prazerosamente, e, no segundo seguinte, foi pressionado contra a ereção do dono dos turquesas, que gemeu.
O dançarino voltou a beijar a boca do garoto, que continuava a apertá-lo e trazê-lo contra a própria ereção, enquanto desfazia-se do cinto dele.
“Rivaille...” Eren sussurrou contra a boca do mais velho e o fez parar com o que fazia ao afastá-lo para então encará-lo nos olhos por um momento e sentir seu coração bater mais forte antes de voltar a beijá-lo, aproveitando o momento em que o outro abraçou seu pescoço para erguê-lo em seus braços.
“O que você-“ Rivaille tentou dizer, mas o garoto não o deixou que terminasse.
Eren não estava completamente certo do que fazia antes de tê-lo em seu colo, tinha medo que pudesse estragar tudo derrubando-o ou algo do tipo. Seria no mínimo frustrante e vergonhoso. Mas até agora havia dado tudo certo e tudo o que ele precisava fazer era levar Rivaille para o quarto.
“Eu irei matá-lo se me deixar cair.” Rivaille ameaçou, recebendo um sorriso preocupado de Eren.
“Não é como se não tivéssemos feito isso antes.” O garoto falou, entrando no quarto para logo descansar o corpo do namorado sobre a cama confortável. “Viu? Eu não o derrubei.” Sorriu de canto enquanto posicionava-se entre as pernas dele.
Rivaille não o respondeu. No lugar disso, tocou-lhe a nuca e o trouxe para um novo beijo. Malditos sorriso e olhos do garoto. Sem partir o contato entre as bocas, o dançarino começou a desfazer-se do próprio blazer, seguindo para a gravata e então os botões da camisa, em que recebeu ajuda.
Separaram-se por alguns segundos apenas, o necessário para Eren admirá-lo daquela forma: camisa aberta, lábios avermelhados e cabelo... um pouquinho bagunçado. Mas o penteado ainda estava consideravelmente conservado.
Eren voltou a inclinar-se para capturar os lábios de Rivaille junto com os seus. Os dedos sumindo entre os cabelos pretos do mais velho enquanto tomava espaço sobre o corpo dele.
Rivaille ergueu o quadril em busca de contato com o íntimo de Eren e ambos deixaram que um gemido fizesse parte do beijo ao conseguir. O garoto repetiu o que o mais velho havia feito, pressionando sua ereção contra o íntimo dele, e, de novo, gemidos acompanharam os dois.
Eren transferiu as carícias para o pescoço de Rivaille, seguindo para uma de suas clavículas, seu peito, abdômen e o provocou próximo à virilha, com lambidas e mordiscadas enquanto desfazia-se do cinto alheio. Ergueu-se após abrir o zíper da calça do outro e recebeu os olhos cinzas, cheios de desejo, sobre si.
“Quer que eu dance para você?” Eren perguntou com um sorriso divertido no rosto.
Rivaille evitou uma risadinha, erguendo perfeitamente uma das sobrancelhas e deixando que um sorriso torto lhe tomasse os lábios. “Tenho certeza de que não quer que toda minha excitação se esvaia.”
“Ouch.” Eren riu breve. “É você quem decide.”
Havia algo no tom de voz que o garoto usara para pronunciar a ultima frase, Rivaille sabia, e o lançou um olhar desconfiado, que não durou mais do que um ou dois segundos ao deparar-se com os dedos longos de Eren desfazendo-se agora dos botões da própria camisa enquanto o encarava com um meio sorriso no rosto. Seus olhos brilhavam em meio à pouca luz do quarto, cheios de um desejo que Rivaille queria devorar, mordendo o lábio inferior como se aquilo fosse suficiente.
A malícia no sorriso e Eren transformou-se em diversão e ele voltou a inclinar-se sobre o mais velho, para oferecer carícias ao pescoço dele após despir-se completamente da camisa branca, aliviado por ter se livrado da gravata muito mais cedo. Ele segurou uma das mãos de Rivaille e a levou ao própria torso, deslizando-a pela região.
O dançarino, no mínimo, o apreciava. Eren havia se tornado mais preciso, objetivo e, por que não, dominante durante o sexo, com o tempo. E Rivaille não podia ter adorado mais aquela mudança nas atitudes do namorado.
Sua mão deslizou até a ereção de Eren e a acariciou, recebendo o gemido de prazer do garoto em seu ouvido.
“Rivaille...” Mais gemidos ao passo em que o mais velho o provocava, massageando a região que mais queria que fosse tocada naquele momento. No entanto, Eren, com algum esforço, fez com que Rivaille parasse o que fazia e ocupou-se em despi-lo da calça preta após beijá-lo e mordiscar-lhe o lábio. Junto com a calça, foi a roupa íntima do dançarino e o dono dos turquesas comprimiu os lábios antes de umedecê-los.
Sua atenção fora tomada pelo gemido abandonado por Rivaille. O dançarino queria a ereção do garoto dentro de si e seu corpo clamava por aquilo. Ele moveu o quadril para cima e arfou com a mão de Eren em torno de seu membro para logo ter a língua dele tocando-lhe a pele umedecida por excitação, antecipando o calor do interior da boca alheia.
“Ahh...”
Eren o sugou duas, três vezes antes de suas mãos agarrarem o cabelo do garoto. Aqueles olhos turquesas brilhavam perfeitamente entre suas pernas e os dedos do outro percorreram sua ereção uma vez que ele a tirou da boca.
Mas a ausência do calor da boca de Eren não durou muito e Rivaille sentiu sua entrada ser provocada pelos dedos que antes lhe tocavam o membro. O garoto os deslizavam pela região sensível enquanto o chupava.
“Erennh,” O dançarino gemeu quando Eren introduziu o primeiro dígito dentro de seu corpo.
—
“Tsc,” Rivaille estalou a língua ao entrar no quarto e encontrar o garoto dormindo com os cabelos molhados em cima do travesseiro. Já havia perdido a conta de quantas vezes o dissera para secar o cabelo antes de deitar.
Vestiu uma roupa íntima limpa e ocupou-se em hidratar a pele com um creme ou outro antes de se deitar. Rivaille remexeu-se a fim de encontrar uma posição confortável e foi surpreendido pelo braço do outro que viera descansar sobre seu torso nu.
“Eren, eu já disse para não dormir com o cabelo molhado.” Ele falou, mas o garoto sequer abriu os olhos e tudo o que teve como resposta foi um resmungado baixo. Comprimiu os lábios, balançando a cabeça devagar em desaprovação ao outro, e o acolheu em seu peito.
“Que cheiro gostoso.” Eren falou com sua voz rouca, os olhos ainda fechados, ao aspirar o cheiro da pele quente do mais velho. “Esse creme é novo.”
“Correto.”
Eren sorriu e ficou contente em receber um carinho atrás da orelha.
“Você não estava dormindo?” A voz de Rivaille voltou ao ar.
“Acordei com você se mexendo.”
“Desculpe.”
“Não tem problema.”
—
Rivaille e Eren estavam sentados na cama – o primeiro, com as pernas dobradas junto ao peito e, o segundo, com as pernas cruzadas.
“Nah, mas Mikasa gosta de você.” O garoto falou.
“Eu sei.” O dançarino o respondeu. “Mikasa é do tipo difícil e super protetor-“
“Super protetor.” Eren repetiu, interrompendo-o e dando ênfase ao super.
“Mas ela aprendeu, ou ainda está aprendendo a lidar, com as diferenças das pessoas que não ela mesma. E isso é bom, não apenas por nós dois, mas por qualquer um.”
Eren entortou os lábios, parecendo pensar sobre o assunto. “Por que mesmo nós estamos falando sobre isso?”
“Foi você quem começou.”
Algumas semanas haviam se passado e Rivaille não poderia estar mais satisfeito com a conveniência de o aniversário de Eren ter caído justamente num sábado. O dançarino alcançou o copo d’água sobre o criado mudo ao lado da cama e sorveu o líquido antes de voltar a descansar o objeto sobre a superfície de madeira.
“Você encontrou os protetores de que precisava?” Eren perguntou, mudando de assunto.
“Não. Está em falta em todas as farmácias em que fui. Por quê?”
“Porque eu lembrei que meu pai tem uma caixa com vários desses protetores. Às vezes Mikasa tem de trocar o tênis do clube ou mesmo meu pai compra um sapato novo, você sabe que ele tem que usar aqueles sapatos para o hospital, e eles acabam precisando. Você pode pegar lá em casa.”
“Seria ótimo.”
“O novo figurino é muito desconfortável?”
“Apenas o calçado. Já tive de usar coisa pior.”
“Seu pé está machucado?”
“Não.” Rivaille respondeu, tocando a região de seu tendão de aquiles. “O experimentei apenas para um ensaio, mas tenho certeza de que machucará, minha pele estava avermelhada e irritada quando os tirei.”
“Eles não deviam dar os protetores para vocês?”
“Normalmente eles dão, mas eu não gosto dos que eles compram. Como é muito difícil eu ter de usá-los, não me incomodo em comprar.”
“Será que os que tenho são do seu gosto?”
“Esperemos que sim. Se não, serei obrigado a usar os da academia.”
Eren sorriu e ambos ficaram em silêncio por cerca de dez segundos, quando Rivaille voltou a falar.
“Eren,” ele chamou, lançando os cinzelados ao rosto do garoto e percebendo que ele não havia parado nenhum momento de fitá-lo. Rivaille remexeu-se sobre a cama e inclinou-se a fim de oferecer um beijo rápido nos lábios de Eren.
“Feliz aniversário, Eren.” Foi o que o dançarino disse ao ganharem alguns centímetros de espaço.
No primeiro momento, os traços no rosto de Eren tornaram-se confusos e o garoto procurou pelo celular sobre a cama. Era 00h01. Então ele sorriu para a tela do celular, um sorriso aberto e feliz, e voltou a encarar o namorado.
Rivaille, por sua vez, sentiu o peito incomodar de leve devido à velocidade com a qual sua frequência cardíaca havia mudado ao ver a expressão no rosto mais jovem. Então talvez fosse assim... Talvez as mudanças no que sentia sob seu peito fossem aquilo. Talvez fosse assim estar apaixonado.
As mãos de Eren estavam quentes em seu rosto, bem como a boca dele sobre a sua e Rivaille, naquele momento, apenas queria senti-lo, queria que o garoto acalmasse a agitação que ele próprio – Eren – causara em seu peito.
Na manhã daquele dia, o adolescente foi o primeiro a acordar e decidiu preparar o café da manhã para quando Rivaille viesse lhe fazer companhia. Àquela altura, Eren sabia onde ficava absolutamente tudo na casa do outro, então não houve problema algum em achar o que precisava.
Panquecas com manteiga e maçã, suco de laranja, louça lavada e guardada. Tudo parecia ótimo. Nenhuma sujeira na pia, no chão ou na mesa. Eren acreditava que havia se tornado muito bom em manter as coisas limpas por conta de Rivaille.
“Hmm, que cheiro bom de man- Eren?” O dançarino estava na cozinha e procurava com os olhos pelo namorado. Este veio apressado da posta que levava à lavanderia.
“Ah, você acordou!”
“Que estava fazendo?”
“Sabia que tem uma feira com fondue, pastel e yakisoba aqui na rua de trás?”
“Sim.”
“Por que nunca mencionou?”
“Eu não sei.” Rivaille franziu a testa, querendo saber por que aquilo seria importante. “Você preparou o café.” Resolveu mudar de assunto.
“Ah, sim! Espero que esteja bom.”
“Você ainda não comeu? Levantou bem antes de mim.”
“Preferi esperar para comermos juntos.”
Rivaille o ofereceu um pequeno sorriso. “Você é um meloso, sabia disso?” Seguiu até a mesa e sentou-se, esperando que Eren fizesse o mesmo.
“Eu sou?” O adolescente questionou realmente confuso, juntando-se ao mais velho. “Isso é ruim?”
Rivaille fez um movimento com os ombros como resposta e serviu-se de um pedaço da panqueca que havia colocado no prato, observando Eren a fazer o mesmo.
“Isso aqui está muito bom.” Rivaille falou após engolir o primeiro pedaço.
“Obrigado. Fico aliviado que tenha gostado.” Não importava quantas vezes Eren fizesse qualquer coisa para Rivaille comer, o dançarino sempre o elogiaria.
“O que quer fazer hoje?” O mais velho perguntou após outro pedaço da panqueca.
“Tenho que ir para casa, jantar com meu pai e Mikasa.”
“E que horas tem de estar lá?”
“Às 17h. Eu achei muito cedo para um jantar, mas acho que vão querer minha ajuda.”
“No seu aniversário?”
“Não é como se eu me importasse. Geralmente fazemos essas coisas juntos, mesmo.” Eren explicou e Rivaille murmurou em resposta. “Você está convidado.”
“Estou?”
“É claro.”
Era engraçado pensar que Eren era o único que não sabia o que encontraria em casa.
—
“Está tudo certo, já estamos saindo.” Rivaille disse para a pessoa do outro lado da linha.
“Tem certeza de que ele não desconfia de nada?” Mikasa perguntou.
“Absoluta.”
“Com quem está falando?” Eren quis saber ao aparecer ao lado do dançarino com a jaqueta que fora buscar no quarto sobre um dos braços.
“Sua irmã.”
“Mikasa? Por que ela te ligou?”
“Eren?”
“Tudo bem, Mikasa, já estamos saindo.” O dançarino voltou a dizer à garota.
“Não deixe ele descobrir!”
Rivaille rolou os olhos. Como se não tivesse sido ele quem planejara tudo aquilo em primeiro lugar... Desligou o celular ao fim da chamada e voltou a encarar o mais novo com olhos curiosos.
“O que ela queria?”
“Saber se já estávamos indo.”
“Ela poderia ter me ligado.”
“Isso não é importante, Eren. Seu pai e sua irmã o estão esperando.” Rivaille abriu a porta do apartamento e esperou pelo outro.
“Ahh, tudo bem, senhor novo melhor amigo da minha irmã.” Eren brincou, fazendo uma careta enquanto falava e sentiu-se satisfeito ao fazer o outro sorrir. Então inclinou-se e beijou-lhe uma das bochechas antes de entrarem no elevador, que, por acaso, estava parado vazio naquele andar.
Chegaram até o estacionamento e Rivaille lançou as chaves a Eren, recebendo um olhar interrogativo.
“Você dirige.” O dançarino falou, simplesmente.
“O que? Por quê?”
“Fiz minhas unhas ontem.”
Eren riu e balançou a cabeça, abrindo a porta do carro. Sabia que aquilo não era motivo, nunca havia sido. “Se nos dermos mal por causa disso, lembre-se de que a culpa é sua.”
“Está bem, está bem. Apenas ande logo, garoto.”
Pouco tempo depois, Eren estacionava o carro em frente sua casa. Ambos abandonaram o veículo e o garoto entregou as chaves ao dançarino, que, por sua vez, após guardá-las dentro da bolsa, segurou sua mão.
“Está tudo desligado, que estranho.” Eren comentou, observando as janelas. “Mikasa não tinha te ligado?”
Rivaille não o respondeu. Invés disso, ocupou-se em abrir a porta com a mão livre, ganhando o corredor escuro.
“Pai?” Eren chamou, juntando as sobrancelhas e lançando os olhos à cozinha vazia e igualmente escura.
Rivaille o puxou até a sala e sorriu com o susto mesclado à imensa surpresa do garoto quando as luzes foram ligadas, revelando todas as pessoas que, em uníssono, lhe desejavam um feliz aniversário e estouravam serpentinas pela sala – ideia de Hanji, que Rivaille havia sido contra, mas a insistência da amiga acabou vencendo no final.
Não conseguia tirar os olhos do rosto do garoto, o modo como sua face acendera, seus turquesas arregalados e cheios de um Universo no qual Rivaille queria para sempre estar. O brilho e o mundo que emanavam de Eren eram coisas completamente diferentes daquilo que um dia o dançarino chegou a pensar que iria tanto querer.
Mas estava bom assim. Estava incrivelmente bom.
“O que-“ Eren tentava dizer. “Eu não acredito.” Cobriu a boca com os dedos, encarando a todos, que sorriam. Então foi até eles, recebendo abraços e felicitações.
Após mimar um pouco o adolescente, Hanji foi até Rivaille. “Eu disse que as serpentinas seriam uma boa ideia.”
“É, talvez você estivesse certa.” O dançarino falou, sem tirar a atenção da pequena bagunça que faziam com seu namorado.
“Talvez?”
“Você acha que ele gostou da surpresa?”
A morena lançou um olhar confuso ao melhor amigo. Não era comum de Rivaille perguntar coisas como aquela, principalmente sobre algo que fora feito seu – ainda que, para aquele caso, a colaboração de muitos foi responsável pelo resultado.
“Tenho certeza de que ele adorou, olhe para ele... parece muito feliz.”
“Parece, não é?”
Hanji abriu a boca para falar, mas foi interrompida por Armin, que aproximou-se.
“Rivaille, por favor, junte-se a nós. Você também, Han-“
Fora a vez do loiro ser interrompido e, desta vez, fora Eren quem o fizera. O dono dos turquesas apareceu como um relâmpago entre eles, abraçando fortemente o dançarino e obrigando-o a dar alguns poucos paços para trás.
“Eren-“ Rivaille agarrava o tecido que protegia as costas do garoto, que finalmente o encarou, mas não o deu tempo para falar qualquer coisa, pois segurou seu rosto e o beijou.
Escutaram assobios e brincadeiras por parte dos amigos agora espalhados pela sala e Eren sorriu em meio ao contato.
“Assim também vou querer, Jaeger!” A voz de Jean fez-se presente.
“Jean!” Armin e Marco o repreenderam.
“Você sabia de tudo!” Foi o que Eren falou ao fim do beijo, ignorando completamente o comentário de Jean.
“Pode-se dizer que sim.” Rivaille ergueu uma sobrancelha e sorriu de canto.
“Pode-se dizer? Por que não me contou nada?”
“Não é assim que funciona uma festa surpresa, Eren.”
O sorriso de Eren alargou-se por um momento antes de toda sua feição desmanchar-se, como se ele tivesse acabado de perceber algo. “E você ainda me perguntou o que eu pretendia fazer hoje! Rivaille!” O garoto não podia evitar o sorriso que insistiu em voltar ao seu rosto. “Como consegue fingir tão bem?”
“Eren, eu sou a-“
“Não acredito que usou suas habilidades de ator em mim!”
Rivaille sorriu para o garoto. Eren parecia realmente feliz e isso fazia com que sentisse uma imensa satisfação. Levou uma mão ao rosto do dono dos turquesas e este a beijou para então permitir que acariciasse sua pele.
Eren teve a franja afastada da testa para então Rivaille deslizar o polegar pela região. Nenhum momento seus olhos desviavam do rosto do dançarino. Ele era tão bonito. Eren jamais cansaria de notar ou repetir isso. Sentiu o peito formigar de um jeito gostoso ao receber o sorriso gentil e, por que não, doce do namorado.
“Feliz aniversário, pirralho.” O dançarino disse novamente e alcançou os lábios de Eren.
“Acho que a festa agora se tornou particular.” Foi a vez de Gunter dizer, brincando com os dois e tirando risadas dos outros.
Rivaille e Eren sorriram, partindo o contato entre as bocas e foram, de mãos dadas, até a concentração de pessoas. Alguns convidados o dançarino não conhecia, eram amigos de Eren que Mikasa e Armin haviam ficado responsáveis por chamar.
Havia toda porcaria calórica de festas de aniversário, como brigadeiros e, claro, o bolo. Eren havia, também, recebido presentes de seus amigos e mesmo agradecendo a todos, insistia em dizer que não era necessário.
“Eu não acredito que vocês esconderam isso de mim!” Eren disse quando todos – ou quase todos – estavam sentados pela sala – alguns pelo chão, outros em cadeiras e no sofá.
“É por isso que é surpresa, esperto.” Mikasa bagunçou os cabelos castanhos do irmão.
Armin havia ido à cozinha para pegar uma nova garrafa de refrigerante e Jean o acompanhou.
“Nós somos um triângulo amoroso perfeito.” O moreno falou com um sorriso pequeno no rosto.
“Desculpe, Jean, não sei a que nós você se refere.”
“Eu, você e Marco!”
“Jean... não comece.”
“Começar com o que?”
“Você sabe... com isso.”
Jean juntou as sobrancelhas por um momento e comprimiu os lábios. Armin não entendia aonde o amigo queria chegar e torcia para que ele não tocasse no assunto que há muito ambos vinham evitando, torcia, ainda que se sentisse um tanto incomodado com o pensamento, que ele tivesse esquecido. Afinal de contas, estava tudo bem assim.
“Mas olhe para nós, somos perfeitos juntos.” Jean brincou com as sobrancelhas, movimentando-as para cima e para baixo. “E você e o príncipe das sardas são os amores da minha vida, você sabe.”
Armin suspirou baixinho. “Ser príncipe é uma péssima coisa, Jean, remete à opressão e submissão de povos e eu não acredito que Marco se encaixe nesse perfil.”
Jean rolou os olhos. “Será que poderia levar as coisas na brincadeira pelo menos uma vez?”
Armin suspirou novamente, mas, desta vez, com um pequeno sorriso no rosto. “Tudo bem.”
“Mikasa!” A atenção de Jean foi para a morena, que entrara na cozinha. “Você também concorda que eu, Armin e Marco formamos um triângulo amoroso perfeito?” Jean descansou um braço sobre os ombros do loiro.
“Jean, o que?” Armin tocou a testa com as pontas dos dedos, abaixando a cabeça.
Mikasa juntou as sobrancelhas por um momento e então disse simplesmente: “Desde que estejam felizes.”
“Viu só?”
“Jean!”
“Mas,” a morena voltou a falar, ganhando a atenção dos dois “se machucá-lo de qualquer forma, em qualquer sentido, eu o mato, Jean.” Ela falou num tom sério, sequer parecia estar brincando e Armin admirou sua capacidade de mudança de humor ou de atuação.
“Ok...” Foi o que saiu da boca de Jean.
“Eu vim pegar refrigerante.” A voz de Mikasa agora era tão casual que qualquer um duvidaria que ela poderia ser intimidadora.
“Ah, viemos fazer o mesmo, mas esse idiota ficou me atrasando.” Armin empurrou, sem força, Jean alguns centímetros de si.
Mikasa pegou a garrafa antes em cima do balcão. “Vamos voltar.”
Jean e Armin a seguiram até à sala e sentaram-se no chão, ao lado de Marco e Sasha.
“Gente, parece que foi formado um novo casal...” Mikasa ponderou sobre a palavra casal “aqui.” A morena havia recebido os olhares de todos na sala e então apontou para os três, Armin, Jean e Marco.
“Mikasa!” Armin sentiu as orelhas esquentarem enquanto Jean ria e Marco tentava entender o que exatamente estava acontecendo.
Rivaille, que estava ao lado de Eren, lançou o olhar ao garoto e ergueu uma sobrancelha.
“O que?” O dono dos turquesas disse. “Você não está levando isso a sério, está?”
“Mikasa, por que fez isso?” O loiro jogou uma almofada na amiga, que riu. “Meu avô está aqui!”
“O seu avô está lá nos fundos com o meu pai e o Hannes, Armin.” Mikasa falou.
“E não é como se ele já não soubesse.” Jean provocou.
“Soubesse do que, Jean?” Armin o lançou um olhar emburrado. “Argh! Eu odeio vocês. Jean, sai!” O moreno o havia abraçado.
“Você e...” Jean inclinou-se para trazer Marco para o abraço também “esse cara lindo são os amores da minha vida. Já falei isso?”
“Mais do que eu queria ouvir.” Armin o respondeu enquanto Marco apenas disse um sorridente sim antes de terem os rostos beijados por Jean.
“É, bem,” Rivaille começou, tomando a atenção de Eren “que bom saber que Jean não age assim com você.”
“Ciúmes?”
O dançarino ergueu uma sobrancelha novamente. “Talvez.” Não pôde evitar o pequeno sorriso que tomou conta de seus lábios antes de beijar Eren.
—
Era madrugada quando as últimas pessoas deixaram a casa do aniversariante, mas Rivaille ficou.
Eren, Grisha, Mikasa e também o dançarino estavam na sala, agora mais vazia e não muito arrumada. Haviam ficado conversando sobre a festa enquanto tomavam o café preparado pelo médico.
“Pai, não está muito tarde para você estar acordado ainda?” Eren perguntou, uma vez que sabia que seu pai teria de trabalhar naquele dia e o relógio marcava 03h02 da manhã.
“Sim, mas não se preocupe. Consegui trocar meu horário com um colega. Entrarei mais tarde amanhã.”
“Hm,” Eren murmurou em entendimento.
Não se demoraram muito ali, logo o médico subiu para o quarto, assim como Mikasa e Eren, que acompanhou a irmã enquanto Rivaille rumou ao banheiro a fim de tomar um banho.
“Vocês são demais!” O garoto falou ao sentar na cama de Mikasa. “Eu juro que não desconfiei nenhum segundo sequer.”
“Porque você é muito lerdo.”
“Porque vocês são incríveis.” Ele sorriu doce à irmã, sentindo o colchão afundar levemente ao seu lado quando ela se acomodou. “Eu nem sei como agradecer.”
“Você já disse tudo isso mil vezes, Eren.”
O garoto riu casualmente. “Eu sei.” Tomou a liberdade de deitar, descansando a cabeça sobre o colo dela.
“Rivaille é uma pessoa incrível.” Eren escutou Mikasa dizer e não pôde evitar surpreender-se.
Fez que sim com a cabeça e sentiu a mão da garota deslizar por seu cabelo, então ficou a escutar Mikasa contar sobre algumas coisas que haviam acontecido no clube naquela semana, algo sobre começarem as semanas de amistosos, até que Rivaille apareceu à porta do quarto.
“Olá, queridos.” Ele falou.
“Mikasa, vou para o meu quarto.” Eren disse, abandonando o colo e a cama da irmã.
“Tentem não fazer muito barulho.” Mikasa brincou, recebendo um sorriso torto e divertido de Rivaille e uma expressão confusa de Eren, mas que se desfez tão logo o garoto entendeu o que ela queria dizer.
“Mikasa!”
A garota riu e então saíram. Rivaille aconchegou-se na cama de Eren um instante depois de entrarem no quarto do garoto. O adolescente o acompanhou, aconchegando-se em seus braços.
“Fico feliz por ter gostado da surpresa.”
“Fiquei sabendo que a ideia de fazer isso foi sua.”
Rivaille juntou as sobrancelhas. “Quem te disse?”
“Mikasa.”
O dançarino suspirou e entortou os lábios antes de voltar a falar. “Se não fosse por seu pai, irmã e amigos, nada teria acontecido.”
“Há quanto tempo vocês vinham planejando isso?” Eren quis saber.
“Pouco mais de um mês.”
Ficaram em silêncio, então – Eren, de olhos fechados, ficou a aspirar o cheiro que abandonava a pele quente e limpa de Rivaille.
—
O relógio marcava 17h13 quando Rivaille voltou à sala usando apenas a boxer azul marinho e a camisa social preta. Eren tocava violão em seu sofá, acompanhando a música que saía do notebook – Starman, Bowie.
“Qual o seu álbum preferido?” O dançarino quis saber. “Acho que nunca te perguntei isso.”
“Space Oddity e o Ziggy, com certeza.”
“Só dois?” Rivaille pronunciou como se fosse impossível que, de todos os álbuns de Bowie, apenas dois fossem mencionados como preferidos por alguém que conhece todo seu trabalho.
Eren deu uma risadinha. “E o seu?”
“Pergunta difícil, garoto.”
“Eu acho que os seus preferidos são todos.” Eren brincou, dedilhando qualquer coisa no violão agora.
“Eu acho que você está certo.” Rivaille mordeu o canto do lábio após sentar-se ao lado do outro no sofá.
“E esse chapéu bonitinho?” Eren perguntou, apontando, com o braço do instrumento em seu colo, para o chapéu estilo derby sobre a mesa de centro.
“Ah, estava na casa de Hanji há tanto tempo... ela o trouxe mais cedo.” Rivaille levantou e pegou o chapéu preto, analisando-o, como se tivesse esquecido de seus detalhes.
Colocou-o, então, sobre a cabeça, ajustando o ângulo da maneira que achava melhor.
“Que imagem bonita para se ver.” A voz de Eren tomou o ar.
“Você acha?” Rivaille reajustou o chapéu e sorriu torto para o garoto. Um de seus pés descansaram entre as pernas do outro. “Está ficando excitado?” Sua expressão era cheia de diversão agora.
Eren se permitiu a um sorriso torto e, cuidadosamente, descansou o violão ao lado do sofá. Suas mãos então vazias tocaram a pele pálida da perna de Rivaille e ele depositou um beijo em seu joelho.
“Talvez.” Foi o que disse, sua voz também cheia de diversão, enquanto olhava para o rosto do dançarino mais alto que ele próprio devido às posições.
“Ah! Que conveniente.” Rivaille falou e os traços no rosto de Eren torceram-se em confusão. Livrou sua perna do toque do garoto e voltou a atenção ao notebook em cima da pequena mesa. Aproveitou para provocar o outro ao deixar o traseiro numa posição em que ele pudesse admirar inteiramente.
Eren pensou em dizer algo, mas apenas mordeu o lábio inferior, sendo acolhido por uma mal intencionada sensação de fome.
Rivaille havia aumentado um pouco o volume do som. Deixou a coluna reta e sorriu de canto, virando para o garoto e descansando, de novo, o pé sobre o sofá. No momento em que Bowie começou a cantar, as mãos de Rivaille deslizaram pela própria perna e lateral do torso ao passo que ele abaixava-se lentamente sobre o colo de Eren, cujos lábios estavam entreabertos. Ele cantava mudo a letra da música desde que havia começado.
Skin sweet with musky odour
The lady from another grinning soul
Os lábios do dançarino ameaçavam, provocantemente, roçar nos de Eren, cujas costas haviam encontrado o encosto do sofá quanto mais Rivaille aproximava-se de si.
“Riv-“ Quando o dono dos olhos turquesas pensou que seria beijado, o mais velho afastou-se com um sorriso que ao mesmo tempo era delicioso e zombeteiro.
Rivaille estava de pé em frente a Eren. Desfez-se do chapéu por um ou dois segundos apenas para então colocá-lo de volta na cabeça. Ele abaixou-se à altura dos joelhos do garoto e suas mãos pousaram nas coxas dele, deslizando-as sem pressa até o abdômen alheio enquanto o próprio torso e quadril moviam-se sensualmente.
Rivaille desvencilhou-se dos dedos de Eren que tocavam em seus cotovelos e sentou sobre o colo dele, uma perna de cada lado de seu corpo. Então o chapéu foi colocado sobre as mechas castanhas.
And when the clothes are strewn
Don’t be afrai-ai-aid of the room
O dançarino espalmou as mãos sobre o peito de Eren antes de começar a desabotoar sua camisa xadrez. Escondeu o rosto no pescoço dele e arranhou a pele clara com os dentes, respirando próximo a seu ouvido.
Num rápido movimento, Rivaille havia livrado o pescoço de Eren e agora o encarava com aquele olhar tão absorto. Segurou as mãos do garoto e as levou ao próprio peito, obrigando-o a tocá-lo e apertá-lo – sem força – na região enquanto os lábios moviam-se em silêncio:
Touch the fullness of her breast
Feel the love of her caress
Eren sentiu um arrepio coçar sua nuca, observando as feições de Rivaille torcerem-se em uma expressão de prazer antes de jogar a cabeça para trás. Sentiu a ereção que se formava sob sua calça ser pressionada pelo íntimo do dançarino e este guiou suas mãos ao longo de seu pescoço pálido. Eren queria afundar as unhas naquela pele e violentá-la.
O olhar de Rivaille estava de volta no seu e recebeu, também, o sorriso agora divertido do dono dos cinzelados.
“Está ficando excitado agora?” Ele repetiu a pergunta com um ar vitorioso, que fazia Eren querer xingá-lo e beijá-lo. “Sua expressão está ótima.” Rivaille tocou o queixo do garoto com o indicador, erguendo sua cabeça, e inclinou-se para lamber os lábios que tanto gostava.
As mãos de Eren apertaram suas nádegas, forçando-o a pressionar, mais uma vez, sua ereção. Ele abandonou um gemido e Rivaille, uma risadinha, observando-o de cima.
No instante em que a voz de Bowie voltou ao ar, o dançarino moveu-se com tanta naturalidade e rapidez ao praticamente girar sobre o colo do garoto, ficando de costas para ele, que este perguntou-se quantas vezes Rivaille já havia feito aquilo para fazer parecer tão fácil.
She’ll come, she’ll go
She’ll lay belief on you
Eren assistia o outro a rebolar lentamente sobre o volume que havia se formado sob suas roupas e resmungou quando o peso do corpo de Rivaille abandonou o seu. Observou-o apoiar um joelho no estofado e começar a brincar com a gola de sua camisa, uma expressão penosa tomou conta do rosto pálido, ainda que Eren conseguisse enxergar a diversão que não se extinguira.
How can life become her point of view?
O garoto levou as mãos à cintura do dançarino e o puxou de volta para seu colo. Rivaille ficou satisfeito com sua ação.
Feel the love of her caress
Os dedos do mais velho traçaram um caminho pelo pescoço do outro, seguindo para a nuca no intuito de agarrar os cabelos castanhos, puxando-os logo após o fazer. Era o pescoço de Eren que estava exposto agora e Rivaille adorava a visão que tinha do garoto, que gemia devido aos movimentos em seu colo.
She will be your living end
Rivaille tomou os lábios do outro num beijo que começou lento, mas em seu domínio, e foi se tornando mais rápido e necessitado ao passo que ambos ganhavam controle sobre o mesmo ritmo.
A música acabou e foi substituída por outra, mas era tão bom sentir a boca de Eren contra a sua e a mão do garoto em sua perna... Nenhum dos dois deu atenção à nova música.
Eren inverteu as posições, deitando Rivaille debaixo de seu corpo e escutou a risada dele ao fazê-lo. O chapéu havia caído de sua cabeça por conta do movimento.
“Você precisa aprender a se controlar, Eren.” A voz do dançarino soava tão doce que Eren queria derreter em seu timbre.
“Pensei que gostasse do que faz comigo.”
Rivaille tocou o ombro e a curva do pescoço do garoto. “Apesar de você estar me culpando,” começou, divertindo-se com a expressão do outro “eu admito. Desde que seja comigo.”
“É claro que é só com você.”
Recebeu o sorriso torto de Eren, tão bonito, e pensou em retrucar as provocações, mas nada veio. Parecia que as palavras haviam travado em sua garganta enquanto olhava no fundo do oceano mais transparente que eram os olhos de Eren. Sabia que o momento talvez não fosse o melhor, mas seu peito formigava de uma forma que o fazia sentir-se sem ar e tudo o que queria fazer naquele momento era liberar aquilo que vinha guardando e se preparando. Precisava dizer. Precisava dizer agora e não importava o quão esmagadora era a sensação em seu peito ou como sentia as pontas dos dedos dormentes.
“Eren,” Rivaille tocou a maçã do rosto do garoto com o polegar e o acariciou a face.
“Eu amo você.”
As palavras alcançaram os ouvidos de Eren e, por mais que sua cabeça tivesse ido a mil agora, sabia quão verdadeiras eram. Pensou que devesse falar alguma coisa, mas nada veio. Sentiu o polegar de Rivaille deslizar próximo a um de seus olhos e só então percebeu a pele molhada. Havia chorado?
Tocou o próprio rosto, constatando que, de fato, havia chorado. “E-“
“Eren,” Rivaille o interrompeu, sua mão ainda na face do garoto. “Às vezes eu tinha a sensação de que já havia sentido tudo o que tinha para experimentar e que havia passado apenas a sentir uma versão atenuada das coisas.”
O formigamento no peito de Rivaille permanecia presente, mas ele ainda queria dizer muito ao garoto.
“Eu pensei que nada dentro de mim pudesse mais crescer. Eu havia dado todo o amor que ainda tinha à outras coisas. Coisas que faço, coisas que amo, como o teatro, por exemplo. Mas é engraçado como as coisas acontecem ao longo da vida.” Rivaille fez uma breve pausa, secando mais uma lágrima que Eren abandonava e deixando que um pequeno sorriso tomasse conta de seus lábios finos – um sorriso que sentiu não ser apenas direcionado ao garoto, mas a si mesmo, também.
“Podemos comparar o que estou sentindo a uma planta: você regou raízes que eu sequer vi crescer em mim, ou eu não dei atenção... mas eu as sinto fundas agora.” Rivaille puxou o ar para dentro das narinas. “É um formigamento dolorido, mas estou começando a reconhecer o calor que oferece. Podemos dizer... já que nossa analogia é com uma planta, que são os frutos.” Seu sorriso cresceu para então voltar a diminuir, mas apenas em tamanho, pois era tão gentil quanto há um segundo. “Precisarão ser nutridos.”
Seu polegar deslizou mais uma vez sobre a pele úmida de Eren. “Mas você já está fazendo isso, não está?”
O dono dos turquesas não sabia se tinha que responder ou não, mas preferiu, mesmo sem dizer qualquer palavra, o fazer. Então moveu a cabeça em sinal de sim e escutou Rivaille dizer:
“Quero ouvi-lo falar.” Não havia ordem ou qualquer coisa do tipo no tom de voz do dançarino.
“Estou.”
“Eren, você me aceitou com todas as peças soltas que eu carrego e não se importou nem um minuto com isso. Na verdade, você as colocou no lugar. Você me aceitou com tudo que trago comigo e nunca questionou qualquer coisa, você nunca me julgou.”
“Eu amo tudo o que você é.” Eren falou, como se quisesse dá-lo mais certeza de que jamais o julgaria por algo.
“Que bom que se intrometeu na minha vida, pirralho.”
“Foi você quem veio sentar à minha mesa.” Eren riu breve, passando o dorso da mão nos olhos.
“Quem não parava de me encarar pelo vidro?” Rivaille decidiu juntar-se a ele. “Mas isso não importa.”
“Meu braço está doendo.” Eren informou, mexendo-se para então descansar a cabeça no peito do mais velho. Tinha certeza de que ele podia sentir seu coração batendo.
Eren sentia-se tão imensamente feliz com tudo que Rivaille o dissera... queria uma outra forma de expressá-la invés de chorar. Mas sempre foi chorão... Mikasa sempre o lembrava, ainda que não fosse realmente necessário.
“Eu queria ficar olhando para você.” Inclinou a cabeça para poder ter a visão do rosto de Rivaille.
“Não está bom assim?”
“Um pouco.”
O dançarino o abraçou mais apertado e ficaram assim por vários minutos, ambos em silêncio.
—
“Como é que você não viu que havia uma camisa no meio dos lençóis?”
“O que? Mas foi você quem separou as roupas.” Eren falou, choroso.
Segunda era dia de lavar roupa no apartamento de Rivaille e ele, juntamente com Eren, estavam tirando de dentro da máquina os lençóis lavados, quando notaram manchas pretas nos tecidos brancos e manchas claras no único tecido escuro, acidentalmente esquecido lá.
“Ah, minha camisa nova...”
“Eu não acredito que deixei passar isso, meus lençóis.” Rivaille cobriu os olhos com as mãos, não querendo acreditar no que via. “Como você não viu que tinha uma camisa no meio?”
“Foi você quem separou!”
“Por que não podia verificar?”
“Por que eu confio muito no seu senso de limpeza?”
Rivaille juntou as sobrancelhas e encarou Eren. “Você está com raiva por termos manchado sua camisa? Você me odeia agora?”
“O que?”
“Você me odeia agora, não é?” Rivaille provocou e abraçou a cintura do garoto.
“É claro que eu não te odeio!”
“Eu te amo e agora você me odeia, ah, a vida...”
Eren acreditava que seu peito sempre ameaçaria explodir ao ouvir Rivaille dizer aquelas palavras, que há menos de uma semana haviam chegado pela primeira vez em seus ouvidos. “Eu não te odeio.”
“Se te serve como consolo, e se você não viu, meus lençóis ficaram todos manchados, também.”
Eren descansou os braços ao redor do corpo menor. “Eu não te odeio.”
“Eu sei.” Rivaille apoiou o queixo sobre o peito do garoto. “Está com raiva?”
“Não, com raiva não. Estou um pouco chateado porque a camisa é nova, mas não com raiva.”
Rivaille tomou o tecido das mãos de Eren e o analisou por dois ou três segundos. “A gente compra outra. Mais bonita do que essa. Até porque, Eren, sinceramente,” ele havia afrouxado o abraço “quem no mundo ainda compra uma camisa com esse tipo de gola?”
“O que? Ah, está tudo claro agora.”
“As manchas estão, mesmo.”
Eren ignorou o comentário, ainda que tenha achado graça. “Você a colocou no meio dos lençóis de propósito, porque não gostou dela, não é?”
“Claro. Eu também queria lençóis com um tema bovino, então aproveitei que podia fazer tudo de uma única vez.” O dançarino disse, irônico, uma de suas sobrancelhas arqueada.
O dono dos turquesas riu e voltou a abraçá-lo. “E agora? O que vamos fazer com os lençóis?”
“Lavanderia.”
Eren entortou os lábios. “Eu não acredito que você manchou minha camisa de propósito.” Provocou, utilizando-se do tom mais sério e decepcionado que conseguiu.
Rivaille rolou os olhos, preparando-se psicologicamente para as brincadeiras com péssima atuação que viriam a seguir.
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