Let The Flames Begin
3 Capítulo 3
Notas iniciais
Eren havia saído cedo da escola, decidindo por ir direto à cafeteria, esperar por Armin e Jean. Haviam combinado de fazer alguns cartazes para o evento que aconteceria dentro de poucos dias. Comprou, como de costume, um suco de laranja e um muffin de baunilha para acompanhar, e aconchegou-se no lugar preferido. Enquanto comia, seus olhos varriam uma das páginas do livro de história aberto sobre a mesa.
Bons minutos passaram-se até ter sua atenção tirada da página quando, ao escutar passos no assoalho, ergueu os olhos, encontrando a figura pequena e magra do homem que adentrava o lugar. Grunhiu e voltou rapidamente ao livro, não resistindo, porém, observar pelo canto do olho enquanto o outro sumia de sua visão, entrando no prédio. Fez uma careta e pegou o celular na mochila, conferindo a hora. Não demoraria até os amigos chegarem.
Os olhos turquesa voltaram novamente às páginas sobre a mesa e o garoto permitiu-se sentir aliviado, uma vez que o homem não havia notado sua presença. Um tanto desagradável ter alguém desconhecido te encarando. Com tal pensamento, não pôde evitar sentir-se um pouco idiota e virou a página do livro enquanto o líquido amarelo deixava um gosto quase amargo em sua boca. Não demorou para escutar o som de uma das cadeiras sendo arrastada e sentir sua mesa balançar levemente. Ergueu a cabeça e quase engasgou com a própria saliva ao ver quem decidira fazer-lhe companhia.
O rapaz de pele muito clara e cabelos escuros, olhos cerrados e sobrancelhas finas depositou sua xícara de café sobre a madeira após levá-la à boca. Eren entreabriu os lábios na intenção de falar algo, mas foi interrompido. “Seus amigos não vêm hoje?” perguntou, cruzando os braços e descansando as costas na cadeira.
Eren juntou as sobrancelhas. “O que?” conseguiu pronunciar.
Os olhos cinzelados rolaram. “Seus amigos. Onde estão?” não parecia dar real importância à própria pergunta, tampouco à resposta. Segurou a xícara de forma que o calor do café colidisse direto com a palma de sua mão e sorveu o líquido escuro.
“N-não, uh... Não foi isso o que-“ estalou a língua “Eles devem chegar daqui a pouco.” e coçou a nuca. “Hm... Por que veio sentar aqui?” perguntou hesitante e recebeu o olhar do outro.
“Gostaria de saber o porquê de pirralhos que não prestam atenção por onde andam ficarem me encarando.” disse simplesmente, uma pitada de sarcasmo em sua voz.
Eren sentiu as orelhas queimarem. “V-você...?” Então ele havia percebido! Ah, sentia-se tão envergonhado.
Riu baixo diante da confusão agora desenhada na face corada do garoto. “Todas as vezes.” disse. “Pensou que eu não havia notado?” seus traços mostravam-se sérios.
Aquilo não estava acontecendo, o garoto pensava. Devia estar parecendo a criatura mais patética do planeta. “Me... Desculpe.“ e fez-se silêncio. Eren abaixou o olhar, fitando os dedos que brigavam entre si num impulso de seu nervosismo. Ouviu o tilintar da xícara com o pires e ergueu a cabeça.
“Você veio cedo hoje. Está matando aula?”
“N-não! Saímos cedo, só isso.” respondeu e ficou a observar o homem à frente, que nada disse. Ele bebericava o café sem dar atenção para si e tudo o que podia pensar era em como queria que ele fosse embora. Manteve-se em silêncio até algo cruzar sua mente. “Só... Uma coisa.” começou. Cerrou os olhos antes de continuar, recebendo um olhar interrogativo do outro. “Você tem me observado também. Digo, já que sabe que vim cedo hoje...”
O homem lançou-lhe um olhar de poucos amigos e bufou. “Não sou tão inconveniente. É difícil não perceber alguém que não tira os olhos de cima de você.” sarcasmo novamente.
O silêncio havia voltado, assim como a queimação nas orelhas de Eren. Sentia uma mistura de vergonha, nervosismo e vontade de se matar por ser tão estúpido. Que tipo de idiota ficaria com os olhos grudados em um desconhecido por motivo algum? Eren Jaeger, claro. Pôde ouvir a risada de Jean em sua mente, zombando de sua idiotice. Suspirou, franzindo os lábios. Só queria que aquele homem fosse embora.
“Como se chama, garoto?”
Eren hesitou por um momento. “Eren.” observou o outro dar fim ao café e lembrou-se do suco que ainda descansava sobre a mesa. Bebericou o líquido. “O... O seu é?” tinha uma vaga lembrança da mulher de óculos chamando o nome alheio no dia do acidente, mas não conseguia lembrar como era.
“Rivaille.” desviou o olhar dos turquesa e procurou pelo celular dentro da bolsa de alça pendurada no encosto da cadeira. “Está na minha hora.” disse após visualizar os números na tela do aparelho e Eren agradeceu mentalmente. “Hm, Eren,” pôs-se de pé, jogando a alça da bolsa sobre o ombro “por mais que eu aprecie estar na mente de um jovem enquanto ele se masturba, gostaria que parasse de me olhar tanto, tendo em mente que você não tem nenhuma habilidade para disfarçar.”
O garoto ergueu as sobrancelhas, completamente estático, as bochechas parecendo incrivelmente saldáveis. “O qu- Não! Não é isso!”
Rivaille murmurou divertido. “Pegue.” estendeu-lhe um panfleto, cujo havia retirado da bolsa.
As sobrancelhas de Eren cederam quando segurou o papel. “O que é isto?”
“Por acaso tem algum problema de visão? Apareça na sexta. Estarei lá.” e os turquesa oscilaram. Rivaille rolou os olhos. “Não sei o que sua mente de adolescente está pensando, mas pare. Ah, eu preciso ir. Meu horário está curto esta semana.” estalou a língua, olhando ao redor como se não tivesse dirigido-se a Eren. “Apareça.” com isso, lançou-lhe um último olhar, permitindo um meio sorriso em sua face e deu as costas ao garoto, que acenou ainda confuso.
Os olhos de Eren acompanharam Rivaille até a saída da cafeteria, onde encontraram Jean e Armin, ambos parados, olhos arregalados e expressões tão confusas quanto a sua. Fez uma careta e os amigos aproximaram-se.
Jean foi o primeiro a falar após sentarem-se. “Certo, o que? “
“Eren, o que ele queria?” Armin perguntou preocupado, olhando de Jean para Eren.
“Ahn,” mordeu o lábio inferior “nada.”
“Nada?” Jean franziu a testa.
“Não, ahn, ele me deu isto.” disse e entregou o panfleto ao loiro. “Disse que é pra eu parar de observá-lo.” e suas bochechas voltaram à coloração vívida enquanto a risada do mais alto ali ecoava no ar, irritando-o.
Armin ergueu uma sobrancelha. “Academia de Artes?” os traços dos amigos contorceram-se confusos. Continuou: “Está no endereço. Você não leu?” Eren balançou a cabeça em sinal negativo. “Ele trabalha lá?”
“Eu não sei, ele só me disse para aparecer lá na sexta-feira.”
Jean riu novamente. “Parece que tem um pretendente, Jaeger. Gostaria de saber qual é o problema do cara para ver alguma coisa em você.”
“Tsc, cale a boca!”
“O quê mais ele disse, Eren?” Armin quis saber.
“Nada.”
O loiro piscou algumas vezes. “Isso foi um pouco... Inesperado.”
“Um pouco? Pensei que ele fosse arrancar minha jugular quando me pediu que parasse de observá-lo.” tentou buscar algo em sua mente que esclarecesse o porquê de ter comprometido-se, inconscientemente, a observar o rapaz. Ele tinha uma boa aparência, admitia. Descobriu, porém, ser apenas o medo de que ele o reconhecesse a qualquer momento e resolvesse cumprir com a ameaça do outro dia. Sentiu-se covarde e isto não o agradou.
“Que tipo de mané fica encarando um cara que nem conhece? Não esperaria menos.” Jean comentou.
Eren começava a se irritar novamente e a voz de Armin fez-se presente uma nova vez. “De qualquer forma, sexta-feira é o festival, Eren, você vai à Academia de Artes?”
“O que? Não.”
“Aqui diz que abrirá ao público às dezoito horas. Daria tempo. A Academia é pertinho. Por que não vai?”
Eren meneou a cabeça para frente. Como se a resposta não fosse óbvia. “Sem chance. Quero ficar longe daquele cara.”
Armin deu de ombros e o devolveu o papel. “Certo, vamos pedir algo e ir para casa.”
–
Uma garota baixinha, loira de grandes olhos azuis e que pareceu doce demais para o dono dos turquesa, juntou-se a eles uma hora mais tarde. Apresentou-se como Christa e foi de grande ajuda, Eren não podia negar. Na verdade, acabou por simpatizar com a garota.
Seus dedos estavam grudentos por conta da cola, o que o fez atrapalhar-se algumas vezes, acabando por amassar um recorte ou outro. Contaram 16 cartazes ao fim da tarde, todos coloridos e bem enfeitados, receberam a aprovação do avô de Armin.
Jean e Christa despediram-se na portaria e Eren e Armin voltaram ao apartamento. O moreno jogou-se na cama do amigo, fazendo-o rir. “Armin, você já pensou em pular de paraquedas?” Eren perguntou após um minuto ou dois de silêncio.
“Na verdade, sim. Por que?”
“Nada em especial. Às vezes fico pensando em como deve ser quando o paraquedas não abre.”
Armin fez uma careta. “Deve ser horrível.”
“Imagine os seus ossos faciais colidindo com o chão.” Eren tentava fazer com que sua voz parecesse assustadora.
“Ugh, Eren, pare.”
“Imagine seus joelhos curvando-se para trás, uh.”
“Você está exagerando.”
“Não, é sério. Estou pensando nisto agora e acho que me arrependi.” levou um dedo à boca, pressionando o lábio inferior e pareceu perder-se em algum pensamento antes de arrepiar-se e seu rosto contorcer-se numa careta, como se estivesse sentindo dor.
“Você ainda está pensando nisso. Pare.”
Eren riu, assegurando-lhe que não tocaria mais no assunto antes de dizer, com uma expressão de desespero, que precisava usar o banheiro o mais rápido possível, pois sua bexiga o estava espancando por dentro. Escutou Armin reclamar que estava exagerando novamente e correu até o banheiro.
Após aliviar-se, gastou cerca de uma hora jogando Pokemon no Nintendo 64 junto com o amigo. Armin havia vencido mais vezes do que Eren, e este usou a desculpa de que não estava acostumado com o controle do console, mas rindo, deixando claro que era apenas uma desculpa. Antes de decidir ir embora, compartilhou de uma torta de maçã que o avô do loiro havia comprado.
–
Mikasa estava no banho, quando Eren chegou em casa. Sua mochila pesava e decidiu esvaziá-la para reorganizar os livros e deixar de fora as coisas desnecessárias assim que adentrou o quarto. Sentou-se no chão e encostou as costas na cama. Um longo suspiro abandonando seus lábios.
Um guarda-chuva, papéis de bala, folhas amassadas, duas pesquisas que havia recebido há um mês e dois livros que não usaria mais durante aquela semana. Encostou a cabeça no colchão e fechou os olhos. Porém não demorou para voltar a abri-los, fixando-os nos papéis amassados, reconhecendo um em particular. Alcançou a bolinha de papel e a desamassou. A voz de Mikasa fez-se presente no cômodo antes que pudesse dar a atenção desejava ao panfleto.
“Eren? Quando chegou?” a garota usava um pijama lilás com detalhes em branco e uma toalha enrolada na cabeça, escondendo os cabelos negros.
“Há uns quinze minutos, eu acho.”
Mikasa sentou de frente para Eren e tomou-lhe o papel entre os dedos. Seus olhos varreram as letras impressas rapidamente. “Balé clássico é legal.” comentou.
Eren franziu as sobrancelhas. “Balé clássico?” e recuperou o panfleto, lendo-o apressado. “Wow.”
“O que?”
Bailarino? Definitivamente não. Rivaille devia apenas trabalhar no lugar, ou então, apreciava tal show e iria assisti-lo. Sim, uma dentre as duas últimas opções.
Balançou a cabeça em sinal negativo e respondeu, finalmente, um simples “Nada.” Havia cogitado contar à Mikasa sobre o pequeno momento com o outro homem, mas pensou em como seria a reação da garota, mesmo que explicasse não ter acontecido realmente nada alarmante, e preferiu manter-se calado.
Mikasa deu de ombros, desenrolando a toalha da cabeça. Bagunçou os fios úmidos com a mão. “Ainda tem lasanha na geladeira, é só esquentar.” Eren murmurou, assegurando-a de que havia escutado. Estava com fome e não dava a mínima para comida requentada. A lasanha havia se tornado o seu maior desejo no momento.
Juntou os papéis de bala e os amassados e jogou-os no lixo. Rumou para a cozinha e lavou as mãos antes de esquentar a refeição e servir-se satisfeito. Após jantar, ajudou a irmã organizar alguns CDs e revistas até a mesma reclamar de seu cheiro, pedindo que fosse tomar banho. Eren levantou um dos braços e o cheirou, arrependendo-se logo em seguida. Realmente precisava de um banho.
Notas finais
Me desculpem qualquer erro e obrigada àqueles que estão acompanhando etc etc ♡
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