Let The Flames Begin
7 Capítulo 7
A verdade era que aquilo não havia sido o quê tinha contado ao amigo. Cara, ele fica muito bem naquela roupa, foi o real comentário. Claro que, cumprindo com seu papel de melhor amigo, Armin não perderia a oportunidade de irritá-lo, fazendo brincadeiras. Já havia esclarecido, porém, que aquilo não era o quê quis dizer.
Uma xícara de chá descansava ao lado de cada um. A temperatura havia caído, a bebida era uma boa opção para ajudar a esquentar. Alguns livros estavam abertos sobre o colchão enquanto estudavam juntos. Faziam este tipo de atividade vez ou outra, motivo, talvez, pelo qual as notas de ambos eram boas. As de Armin melhores do que as de Eren, mas ainda sim, o moreno tinha boas notas.
Armin mordeu a ponta da lapiseira antes de falar. "Estou pensando em procurar um emprego."
Eren ergueu a cabeça para fitar o outro, mas manteve-se em silêncio para que continuasse. "Não é como se eu tivesse algo além de estudar, ler e jogar videogame para fazer, sabe? Meu avô diz que não preciso me preocupar e que não quer que eu dê menos atenção aos estudos para trabalhar, mas me sinto mal em deixá-lo fazer tudo sozinho."
"Ele é velho." Eren intrometeu-se e recebeu um fraco soco no ombro.
"Eu disse que ele já está meio velho para ter que levar as coisas nas costas e que eu já tenho idade o suficiente para arrumar um bom emprego." uma pausa para tomar o líquido ainda quente. "E também, acho que estou cansado de ficar o dia todo aqui fazendo sempre as mesmas coisas." suspirou.
Eren disse nada. Apenas ouvia ao amigo, sabendo que era isto o que ele queria. Franziu o lábio e bebericou do chá quente. Logo Armin voltou a falar: "Acho que vou entregar algum currículo em bibliotecas."
Eren riu. "Não podia esperar menos do que isso."
Armin o lançou uma careta. "Idiota. É só porque é algo que entendo bem e- Oh, ok, isso não ajudou." riu.
O assunto teve seu fim quando, após dar seu apoio ao loiro, Eren disse que também pensava em procurar um emprego, mas não faria isto por agora, simplesmente porque não sentia-se no "clima" de sair à procura de um. Recebeu um olhar de reprovação e um beliscão por isso.
–
"Cheguei." anunciou ao entrar em casa. Estava usando um moletom que ficava um pouco pequeno em seu corpo, pois pertencia a Armin.
Talvez a casa estivesse vazia, pois não houve resposta alguma. Rumou para sala e jogou a mochila no sofá, logo o moletom verde tinha o mesmo destino. Foi até a cozinha e após lavar bem as mãos e encarar a geladeira até se perguntar pelo quê estava procurando, voltou à sala, pegou a mochila e foi para o quarto. Teria como próximo destino o banheiro. Queria um banho.
–
Escutou o som da porta sendo fechada e vozes chamaram sua atenção. Reconheceu uma como sendo de sua irmã, mas não foi capaz de deduzir a quem pertencia a outra. Recolheu os papeis de bala espalhados pela cama, os jogaria no lixo da cozinha. Era uma boa desculpa para descobrir quem era a outra pessoa, afinal. Já era noite e não era comum de Mikasa levar alguém para casa.
No topo da escada já podia visualizar a segunda pessoa: Annie Leonhardt. Fez uma careta. Uma loira de olhos azuis e nariz grande. Fazia parte do mesmo time de vôlei que Mikasa e era um tanto áspera.
Desceu as escadas, sendo notado pelas garotas. "Eren. Faz tempo que chegou?"
"Um pouco." respondeu, já de pé ao lado da morena e da loira. "Oi, Annie." cumprimentou-a, recebendo um baixo e desinteressado "oi". Rolou os turquesa e seguiu até a cozinha para jogar os papeis de bala no devido lugar. Não que não gostasse de Annie Leonhardt, apenas a achava um pouco... Áspera, acabando por escolher conversas curtas com a garota.
"Annie dormirá aqui hoje." Mikasa informou.
"Você não vai para escola amanhã?" quis saber.
"Não."
"Mas, Mikasa-"
"Tenho praticamente toda a matéria do bimestre, Eren, não fará mal se eu faltar um dia ou outro."
Não aprovava o descaso da irmã, mas não argumentou. Mikasa também o repreendia quando faltava às aulas e isto o irritava. Talvez ela se sentisse da mesma forma.
Escutaram som de carro de frente a casa e alguns momentos depois, Grisha estava presente. Após abraços e cumprimentos, Mikasa começou a contar algo sobre o clube de vôlei, apontando para Annie sempre que a mencionava. Houve um momento em que todos riram e então Eren percebeu o quão barulhento o ambiente havia se tornado. Não o incomodava. Ao contrário: apreciava.
O pai informou que tomaria banho e Mikasa prepararia algo para comerem. "Não sei se estou a fim de comer pasta de macarronada." Eren disse, divertido. Recebeu um empurrão e um pedido grosso para que calasse a boca e saísse da cozinha.
"Não é como se eu realmente precisasse disso."
"Creio que é por isso que seu corpo está nesse estado deplorável?"
"O que?"
Eren e Annie acomodaram-se no sofá e discutiam sobre o pouco interesse do garoto em esportes. "Ah, sim," um suspiro "consigo entender porque você e minha irmã se dão bem..." cerrou os olhos.
"Sabe que estou brincando, não é? Quero dizer, em parte, claro." Annie tinha uma expressão de divertimento.
"Tsc, por que não se casam logo? São perfeitas uma para outra. Idiotas."
"Ora, mas," uma pausa e a garota deslizou sobre o estofado, encostou o corpo ao de Eren e rodeou-lhe os ombros com o braço. O garoto juntou as sobrancelhas. "já estamos. Ela não te contou?" sussurrou. "Deixe-me dizer que a sua irmã tem uma bela-"
"Wow!" Eren a interrompeu. "Wow. Wow, wow." sabia que a loira estava brincando. Todavia, não queria ouvir a frase até o final. Pelo que conhecia de Annie, sabia que algo sem vergonha viria no final da sentença e o quê menos queria era ouvir algo do tipo em relação à irmã, sendo brincadeira ou não. "Certo." disse por fim, afastando-se da garota, que riu alto.
"Você continua uma criança, Eren." apertou a bochecha do moreno e recebeu um fraco tapa na mão. Esticou-se até a mesa de centro para alcançar a latinha de refrigerante que havia pegado na cozinha.
Não demorou para que o médico voltasse à sala e Mikasa anunciasse a hora de comer. "Que delícia de pasta." Eren provocou ao ver a comida colocada à mesa, ganhando o olhar irritado da irmã. Todos sentaram e, entre conversa e risadas, comeram. Mikasa avisou ao pai que faltaria à escola no dia seguindo e usou o mesmo argumento que havia usado com o irmão, deixando de receber um discurso sobre o porquê de não poder faltas às aulas.
Logo a louça estava na pia e enquanto Eren a lavava, Grisha secava e guardava. Mikasa e Annie haviam ido para o quarto da morena, deixando o trabalho para os dois.
"Como está Armin e o avô?" Grisha perguntou.
"Estão bem." uma pausa "Armin está querendo um emprego."
"Está? Que bom."
Grisha afastou-se para guardar alguns copos e Eren disse: "Já estou na idade de procurar um emprego também. O quê acha?" fitou o pai, que aproximava-se novamente.
Ele franziu a testa antes de responder. "Filho, se você quiser arranjar um, darei todo meu apoio, você sabe. Só não deixe que algo acabe atrapalhando os seus estudos, ainda mais por estar no último ano."
Eren inflou uma bochecha. "Mas daqui apenas o senhor trabalha. Não é ruim para você?"
"Para falar a verdade, não é, não. Não é como se você e a sua irmã me dessem grandes despesas. Para ser sincero, até acho estranho por não pedirem tantas coisas." riu. "Se decidir procurar um emprego, me avise."
Eren sorriu. "Certo." e fechou a torneira, chacoalhando as mãos. "Obrigado, pai." recebeu um sorriso do mais velho.
–
"Festa?"
"Sim. Thomas pediu para que te chamasse." Jean explicava. "Ele disse que achou você legal. Mas, hei," traços preocupados tomaram conta de seu rosto "eu tentei, Eren, eu juro que tentei." apertou de leve o ombro de Eren, que ergueu uma sobrancelha. "Mas, infelizmente, não consegui descobrir qual é o problema dele para achar que você é legal."
Irritação e um aperto forte na mão em seu ombro. "Vá se foder, Jean."
A risada de Jean alcançou o ouvido de todos à mesa e logo foi a vez da voz de Armin. "Será daqui a três semanas, Eren. Acha que poderá ir?"
"Talvez."
" Me avise quando tiver certeza." o loiro pediu, bebericando seu cappuccino.
Eren fez que sim com a cabeça e direcionou sua atenção a Marco. "Marco, você também foi convidado?"
"Sim. Você deveria ir, Eren, vai ser divertido. Já fui a outras festas na casa de Thomas, pode confiar no quê digo."
"Hm."
"Ah, então você já foi à festas na casa dele?" a voz de Jean fazia-se presente novamente, incomodando Marco desta vez. Cutucou a bochecha salpicada, que corou muito levemente.
"Pare com isso, Jean." Marco pediu, sem jeito.
Eren sussurrou um "insuportável" e agradeceu mentalmente pelo fato de Kirschtein não tê-lo escutado. Procurou o olhar de Armin e recebeu um doce sorriso ao encontrá-lo. Observou o amigo cortar um pequeno pedaço de brownie e levá-lo à boca. Olhou ao redor e seus olhos foram roubados pela imagem de Christa do outro lado da rua, esperando para que pudesse atravessar. "Armin, aquela não é a sua amiga?"
"Huh?" os azuis miraram a loira. "Christa. Ah, é verdade, ela disse que viria aqui."
Logo a loira atravessou a rua, correndo em direção à entrada do lugar. Sua saia longa balançava devido a seus movimentos. Ela aproximou-se finalmente e todos a cumprimentaram. Após dizer que compraria algo para beber e deixar sua bolsa em cima da última cadeira vazia, adentrou o prédio.
Os olhos de Jean acompanhavam o caminho da garota, mas pararam num ponto. Cuspiu uma risada. "Olhe só se não é o seu namorado ali, Jaeger." Eren olhou na direção em que os castanhos estavam fixados e encontrou Rivaille. "Fiquei sabendo que são amiguinhos agora." zombou.
"Jean, fique quieto por pelo menos alguns minutos, por favor." Armin disse.
As mãos do garoto de fios castanhos ergueram-se à altura do peito, esticando os dedos e não demorou para terem como destino os ombros do melhor amigo. "Obrigado, Armin."
Jean abriu a boca para retrucar, mas Eren foi mais rápido. "Vou falar com ele, já volto." avisou, levantando-se.
"Que lindo, Jaeger."
Não queria irritar-se mais com as piadas do outro. Será que não havia um limite para ele? Voltou a encará-lo e pôs os dedos sobre os lábios, retirando-os com o som estalado de um beijo e piscou um dos olhos. Riu da expressão de completo desentendimento que recebeu.
"Eren," Christa apareceu ao seu lado "aonde vai?"
"Lugar nenhum." respondeu simpático. Os cinzelados já o encaravam quando chegou à mesa. "Posso sentar?"
"Não."
Ignorou a resposta, sentando-se. "Como está?"
"Por acaso você sabe qual é o significado da palavra “não”?”
"Você... Falou sério?"
"Falei?"
As sobrancelhas juntaram-se. "Ok... Hm, como você está?"
Rivaille rolou os olhos para cima, bebericando o líquido preto na pequena xícara. "Bem." respondeu após descansar a porcelana no pires.
Inflou uma das bochechas. Esperava que o outro perguntasse como estava também, mas nada veio. "Hm, como está Hanji e os outros?"
"Por que eu deveria saber?" um suspiro de desistência vindo do garoto. "Estão bem. Ou pelo menos é o quê demonstram."
Eren coçou o maxilar e apoiou o queixo na mão. Manteve-se em silêncio enquanto Rivaille sorvia o líquido preto. Logo a voz deste fazia-se presente. "Vocês são um tanto barulhentos, não acham?"
"Eh?" fitou os amigos, que ainda conversavam animados. "É... Desculpe." O silêncio voltou, sendo quebrado segundos depois “Você só vem aqui para tomar café?”
“Sim.” Eren diria algo mais, mas não permitiu. “O chá daqui é horrível. Porém o café é realmente bom. Não é uma das minhas bebidas preferidas, mas é a única opção que tenho.” uma pausa para mais um gole do café. “Vocês falam realmente alto.“ estalou a língua.
“Eh...”
Rivaille deu fim ao café enquanto observava o garoto encarando-o desconfortável. “Fará algo amanhã?”
“Huh? Amanhã é sábado... Não.”
Os cinzelados ergueram-se entediados. “Sabe como chegar à academia, sim?”
“Sei.” Um curto momento analisando os traços alheio. “Acontecerá algo lá?”
“Apareça.” Disse, simplesmente.
Eren fez um bico antes de responder, tentando ser pelo menos um pouco grosso com o outro. “E por que eu deveria ir?”
“Se não quiser, não vá. Simples.”
O garoto bufou. “Eu vou. Não tenho nada melhor para fazer amanhã. Mas pode pelo menos me dizer o quê acontecerá lá?”
Rivaille aguardou alguns segundos antes de dizer: “Nada, na verdade.” Foi sua vez de apoiar o queixo sobre a mão agora.
“Ok.” Fez um barulho rude com a garganta. “Que horas devo chegar?”
“Depois das quinze está perfeito. Peça ao velho da portaria que me chame e estarei lá.”
Eren fez que sim com a cabeça.
“Está na minha hora.” Informou, pondo-se de pé. “Depois das quinze.” Lembrou.
“Certo.”
E Rivaille o deu as costas, dirigindo-se à saída do lugar. Não demorou para voltar à mesa anterior. “Olhe só quem decidiu voltar.” Jean, obviamente, foi o primeiro a falar. Decidiu que era melhor ignorá-lo e acomodou-se ao lado de Armin.
“Acabou o brigadeiro?” perguntou ao loiro, passando a alisar os fios dourados com os dedos.
“Acabou. Quer comprar mais?” Armin debruçou-se sobre a madeira, descansando a cabeça nos braços cruzados. Facilitou o trabalho de Eren.
“Nah.”
“Eren,” Marco o chamou “onde está Mikasa? Há tempo que não a vejo.”
“Hoje é dia do clube dela. Por isso não veio.”
“Já que a citaram... Jaeger, convide-a também.”
“Convidar para quê?”
“Você é idiota? Para festa de Thomas.”
“Convide, você.”
“Jae-“
“Já imaginou como seria ter Mikasa por perto numa festa? Tenho certeza que não. Simplesmente não poderíamos fazer nada. Estou falando de mim e de Armin. Mais de mim, claro. Sabem como Mikasa é.”
“Não me importo com você, mas posso proteger o Armin contra ela.” Jean brincou.
Eren rolou os turquesa e Armin e Marco disseram em uníssono: “Jean, pare.”
“Armin, vai fazer o quê amanhã?” Eren quis saber, ignorando, pela segunda ou terceira vez, Jean.
“Compras com o meu avô. Por que?”
“Vocês são sempre assim? Engaçados.” A voz de Christa fazia-se presente, lembrando aos garotos de que ainda estava ali.
Fale com o autor