Notas iniciais
O site ficou em reforma um tempão e por isso o capítulo está saindo só hoje. De certa forma, isso foi até bom para mim porque estou em mês de muitas provas importantes e estou mesmo sem tempo, infelizmente, ah. A reforma acabou me dando um tempo para estudar e não ter que me preocupar tanto em postar, mas ainda preciso continuar estudando e até o fim da semana que vem terei de continuar assim, uhh... Então, sinto muito, desde já, se o capítulo atrasar novamente. Este mês está realmente complicado. E, ah, sim, me perdoem por qualquer erro! Não pude dar taaaanta atenção ao capítulo, ugh.

Eren levava o terceiro sanduiche de peito de peru à boca enquanto observava Rivaille sentado de frente para si. O homem sorvia o café preto sem lhe dar o mínimo de atenção. Se sentia um tanto estranho naquela situação, resolvendo dizer algo para espantar o silêncio. “Hm, tem certeza de que não quer um pedaço?”

Rivaille meneou a cabeça, fitando o garoto. “Será que pode parar de falar enquanto mastiga?” descansou a xícara sobre o pires “Não, obrigado.”

Eren deu-se o trabalho de engolir o que mastigava antes de voltar a falar. “Por que só toma café? É tão pouco... Duvido que tire a fome de alguém.” apenas recebeu o olhar frio do outro como resposta.

“Termine logo com isto, temos que ir.” avisou ao checar a hora no celular.

Logo o sanduiche teve seu fim e ambos deixaram o lugar. Eren não fazia ideia de onde ficava o local para o qual estava indo, tampouco sabia se estava vestido apropriadamente. Seu jeans azul escuro e camiseta da escola não o davam confiança.

“Ei, esse lugar fica muito longe?”

Um suspiro antes de responder. “Não.”

Eren fitava o rosto de Rivaille que mantinha os olhos no caminho que seguiam. Decidiu que era melhor não dizer mais nada, pois o outro não parecia querer conversar. A academia não ficava longe, realmente. Apostava terem levado no máximo dez minutos para chegarem. O lugar era enorme, “Academia de Artes de Shiganshina” estava gravado em um dourado já gasto acima da grande entrada. O prédio lembrava muito a Eren o Olimpo de Percy Jackson.

Quando entraram no lugar, Rivaille pediu ao garoto que esperasse enquanto conversava com um senhor sentado próximo à entrada. Eren varreu os olhos pelo chão de mármore que refletia de forma esfumaçada, as grossas pilastras em estilo grego. Mirou os turquesa ao teto, esperando cores, mosaicos e incríveis desenhos, mas tudo o que encontrou foi um espaço branco salpicado em cinza. Todo o interior do salão era tingido de cores claras, fazendo com que o tapete vermelho estendido sobre a enorme escadaria, ganhasse destaque. Quadros e vasos ajudavam na decoração e não pôde deixar de notar os ricos detalhes nos corrimões e portas.

“Venha, já podemos entrar.” Rivaille ganhou sua atenção e agarrou sua mão, pondo-se a caminhar.

Eren sentiu as orelhas arderem, seus olhos presos à mão pálida junto com a sua. Passaram pelo senhor, que o desejou boa tarde educadamente, e entraram numa das portas ao longo da parede. Um extenso corredor, novas portas e o que Eren deduziu ser uma sala ao longe. Sentiu a mão do outro apertar levemente a sua e logo foi puxado pelo corredor, parando de frente à sala que havia avistado. Era grande, muito bem mobiliada e decorada.

Algumas pessoas encontravam-se no cômodo. Antes que Rivaille pudesse anunciar sua chegada, Hanji soltou um grito de animação e correu para abraçar Eren, fazendo sua mão soltar a do outro. O garoto grunhiu sentindo-se sufocado, as mãos desajeitadas sobre as costas da mulher.

“É ótimo vê-lo aqui, Eren!” ela disse ao soltá-lo.

Os olhos de Eren procuraram por Rivaille, como num pedido de socorro, e o encontrou já do outro lado da sala, guardando sua bolsa num armário. Sentiu as mãos de Hanji em seus ombros e temeu um segundo abraço.

“Levi me explicou que você ficaria conosco durante a tarde. Estou realmente feliz que pôde vir.” um enorme sorriso tomava conta de seu rosto enquanto apertava uma das bochechas do garoto.

“Hanji, deixe o garoto em paz. Não vê que é embaraçoso?” Rivaille estava de pé ao lado de um elegante sofá branco agora, e todos os olhares da sala estavam em Eren.

Hanji o largou, rindo, e caminhou até uma cadeira onde havia deixado alguns papéis. As orelhas de Eren ainda queimavam e ele sentia-se um tanto constrangido.

“Eren,” Rivaille o chamou “estes aqui são Petra, Gunter e Eld.” apresentou os outros presentes na sala e todos acenaram gentilmente. “Onde está Auruo?” perguntou à ruiva, Petra, sentada no estofado branco.

“Ainda não voltou.” ela o respondeu.

Eren manteve-se parado no mesmo lugar desde que entrou na sala. O constrangimento que Hanji o havia feito passar ainda pesada em sua mente e face. Fitou seu All Star e então um único pensamento cruzou sua mente: não estava mesmo vestido apropriadamente. Sentiu-se ainda mais envergonhado por seu desleixo num lugar que mostrava tanta elegância.

“Eren, ve-“ Rivaille pronunciara, sendo logo interrompido por um homem alto e forte, loiro e de olhos azuis, que entrava na sala, procurando por Hanji.

“Ah, Rivaille, você chegou.” ele disse e encarou Eren “Este deve ser o garoto do qual me falou. Muito prazer.” sorrindo, estendeu a mão para cumprimentar o adolescente que não tardou a retribuir o ato.

“Este é Erwin, Eren.” Rivaille informou, aproximando-se dos dois “Ele é nosso chefe, diretor do teatro etc”

“A-ah, muito prazer.” o garoto disse finalmente.

Erwin lançou-lhe um último sorriso antes de direcionar sua atenção à Hanji. “Hanji, preciso que venha comigo por um instante.”

“Okaaay!” a mulher respondeu animada.

“Eren,” Erwin o chamou “sinto muito por não poder ficar para conversarmos, estamos um pouco ocupados, mas, por favor, fique à vontade.” apertou sem força o ombro do garoto que balançou a cabeça positivamente, e abandonou a sala ao lado da mulher.

Rivaille suspirou. “Venha, Eren, tire essa mochila das costas.”

“Ah,” desfez-se rapidamente da mochila e a entregou ao outro.

“Vou guardar junto com as minhas coisas no armário. Quando precisar pegar algo, pode vir e simplesmente pegar, assim evitaremos que fique me pedindo para fazer isto por você.” disse, voltando ao armário de antes.

“Ei, não fique em pé aí. Venha, sente-se conosco.” Petra convidou e com um educado “licença”, Eren aceitou, sentando ao lado dela. “Não fique com vergonha, hm?” o garoto a ofereceu um sorriso forçado. Aquela frase não ajudava, na verdade.

“Temos o último ensaio daqui a vinte minutos e, como você pode ver,” Rivaille dizia “não há televisão aqui e computadores são usados apenas para o trabalho.”

“Com exceção do computador da Hanji.” Gunter intrometeu-se, rindo baixo.

“De qualquer forma,” Rivaille continuou “será um saco para você durantes as próximas duas horas.”

“Tudo bem. Imaginei que isso aconteceria e trouxe um livro para me distrair.”

O homem de olhos azuis cinzelados ergueu uma sobrancelha e Petra voltou a falar. “Na verdade, você poderia visitar os setores da-“

“Sem chance, Petra.” Eld pronunciou-se pela primeira vez desde que Eren havia chegado. A mulher o olhou interrogativa. “Dia de apresentação. Não é permitido não funcionários transitando pelo prédio, hm? E os alunos já devem estar saindo, também.” explicou, fitando o relógio de ponteiros pendurado em uma das paredes.

Petra ganhou uma expressão decepcionada e voltou os olhos castanhos para Eren. “Poxa, sinto muito, E- Eren, sim?”

O garoto balançou a cabeça rapidamente, confirmando que aquele era seu nome e disse, um pouco atrapalhado: “Por favor, não se preocupem comigo, está tudo bem. Mesmo.” embora falassem que não atrapalhava e que era para ficar à vontade, sentia-se uma pedra para cada um ali. Definitivamente não queria toda aquela preocupação consigo.

“Certo então,” Rivaille começou “agora que a discussão sobre como trocariam a frauda do garoto terminou, vou me trocar.” avisou e, antes de retirar-se, chamou a atenção de Eren. “De qualquer forma, Eren, lembre-se de que foi você quem quis estar aqui hoje.” e sumiu.

O garoto sentiu-se ainda mais nervoso. Petra percebeu sua inquietação e pousou uma mão em seu ombro. “Não ligue para ele, Eren.”

A mente do garoto viajava por terras médias há quase uma hora. Havia conhecido Auruo, quando este apareceu na sala, apressado, dizendo que Rivaille e os outros já estavam esperando onde ensaiavam. O homem não o disse nada além de um grosseiro “olá”.

Hanji apareceu duas vezes, assustando-o e tirando sua concentração da leitura. Descobriu que a mulher também era fã da série quando, mais agitada do que o garoto gostaria, perguntou se o que estava lendo era O Hobbit. Ficaram conversando por um curto tempo, uma vez que Hanji tinha trabalho a fazer e Eren havia dito que precisava ir ao banheiro, pedindo a ela que o mostrasse onde ficava.

O tempo passou mais rápido do que Eren pôde perceber e novamente sua atenção era roubada das páginas. Desta vez, porém, pelo dono dos cinzelados, que parou de frente para si com uma das mãos na cintura. Seus olhos arregalaram-se no instante em que fixaram no homem à frente: ele usava apenas um collant preto que, ao contrário do que havia pensado, lhe caía muito bem. Bem até demais, e Eren não conseguia entender como aquele tipo de vestimenta podia ficar tão bem em um homem. Mas logo xingou-se por dentro, achando-se um tanto estúpido por tal pensamento. Todavia, não podia negar ter ficado impressionado com a visão da silhueta de Rivaille e, isso sim, o havia pego de surpresa.

Os cinzelados cerraram-se diante o claro espanto do garoto. “O quê? Vai dizer que nunca viu um homem num collant, criança?”

“Não é isso. Já vi, sim e... Será que dá pra parar de me chamar de criança?” murmurou, fitando os dedos sobre as páginas ainda expostas. ”É só que...” uma pausa “Podemos mudar de assunto, por favor?” choramingou, fazendo Rivaille rir divertido.

“Você precisa comer algo.” o homem disse, voltando ao seu tom sério e então um rosto que não era familiar para Eren, fez-se presente.

“Eu e Hanji vamos sair para comprar algo para comer. Vai querer alguma coisa? O pessoal ainda está meio ocupado, nós vamos comprar a comida deles, também.” um homem moreno de barba disse a Rivaille.

“Ah, ótimo. Por favor. Sim.” respondeu, rumando até o armário no intuito de pegar a bolsa. “Eren, este é Mitabi.” apresentou enquanto procurava algo dentro da bolsa. O homem acenou para Eren que disse um baixo, mas animado “oi”. “O que quer comer, Eren?” perguntou, retirando dinheiro da carteira.

“Ah, eu...” torceu o nariz, pensando no que pediria “Nah, acho que qualquer sanduiche está bom.”

“Aqui, Mitabi.” Rivaille entregou o dinheiro ao homem após aproximar-se e os olhos turquesa foram pegos pelo sutil movimento de seus quadris.

As orelhas de Eren, de novo, ardiam e os olhos miraram as páginas do livro ainda em mãos. Leu a mesma linha duas vezes antes de Rivaille chamar sua atenção, parecendo meio irritado.

“Pedi ao Mitabi que trouxesse um BK para você. Sinceramente, não acho uma boa ideia comer esses fast foods cheios de gordura e, ugh.” fez uma careta e sentou ao lado do garoto, cruzando as pernas.

“O que? Mas eu não dei o dinheiro.”

“Não se preocupe com isso, eu paguei para você.”

O que? Não. Não, não.” Eren dizia, afobado, fazendo Rivaille rolar os olhos. Pôs-se de pé, deixando o livro sobre o estofado e correu até sua mochila, não demorando para retirar a quantia que sabia ser o que devia ao outro. Voltou ao sofá e estendeu o dinheiro. “Aqui. Obrigado.” mas Rivaille não aceitou.

“Eu disse que paguei para você.”

“Eu sei, mas, por favor, não vou me sentir bem se você fizer isso, tudo bem? Então, ah, apenas aceite!” insistiu.

Rivaille suspirou e passou uma das mãos nos fios negros. Soltou um “tsc” antes de aceitar o dinheiro. Eren o agradeceu novamente, sorrindo.

“Vou pedir à Petra que fique aqui com você. Preciso tomar um banho.” informou, juntando as sobrancelhas finas. Antes que o garoto pudesse dizer qualquer coisa, levantou-se e pediu que ele esperasse até a ruiva chegar para continuar tagarelando, e o deu as costas.

Eren mantinha-se de pé ao lado do sofá. Seus olhos voltaram a acompanhar o movimento dos quadris de Rivaille, contornando a curva de sua cintura. Quando o menor sumiu de seu campo de visão, perguntou-se novamente como ele havia ficado tão bem naquela roupa, tão diferente do que havia pensado. E junto deste pensamento, veio um segundo: como um cara consegue ter essa cintura?

Petra era uma pessoa realmente legal para conversar. Muito gentil, também. Eren constatou. Rostos que ainda não havia conhecido em meio aos já familiares, preenchiam a sala. Todos usavam o mesmo moletom cinza, que os cobriam até a metade das coxas.

Estava com seu lanche BK em mãos enquanto Hanji não parava de falar e rir ao seu lado. Bons minutos se passaram até que a sala começasse a esvaziar, restando apenas Eren, a morena de óculos e um homem alto, de cabelo castanho claro, que lia alguma revista. O adolescente havia perguntado como era o trabalho da morena e isto lhes rendeu um largo e quase entediante assunto. Descobriu que Hanji era formada em história, que já havia pensado em fazer química, mesmo sendo duas coisas completamente distintas. Também descobriu como a mulher havia acabado por trabalhar numa academia de artes e então chegaram à resposta da real pergunta. A morena se calou quando a voz de Rivaille fez-se presente, dizendo o quão insuportável ela se tornava quando não ficava quieta. Hanji riu, como sempre, e bateu de leve na perna de Eren.

“Conversamos mais depois, Eren. Acho que alguém não nos deixará terminar agora.”

O homem rolou os olhos. “Mike está te chamando.” Avisou. Ele tinha uma maçã na mão e usava o mesmo modelo de moletom que os outros vestiam e Eren sentiu-se extremamente envergonhado quando a primeira coisa à qual seus olhos procuraram foram os quadris agora escondidos.

“Está? Hm...” Hanji levou o polegar e indicador ao queixo e não demorou a levantar. “Melhor eu ir ver o que ele precisa. Desculpe não poder terminar de contar sobre o trabalho, Eren, querido. Prometo que continuaremos qualquer outra hora!” e deixou a sala, acenando animadamente enquanto Eren sentia sua mente rodar, desejando que aquela “outra hora” nunca chegasse realmente.

O lugar ao seu lado afundou quando o outro sentou. Abriu a boca para falar algo, mas o menor foi mais rápido. “Desculpe por deixá-lo sozinho e depois fazê-lo aturar aquela quatro-olhos doentia.”

“Tudo bem. Eu entendendo completamente, afinal, você está trabalhando. Eu não quero atrapalhar.” o único som que se fez presente após isto, foi o de Rivaille rompendo a pele da maçã com os dentes. “Será que eu posso te pedir uma coisa?” perguntou oscilante após um curto tempo de silêncio.

O que, quer que eu troque sua fralda agora?”

Eren ignorou a brincadeira. “Será que tem alguma roupa para me emprestar? Porque... Eu não fazia ideia de que me sentiria tão idiota por vir deste jeito, com a camiseta da escola e tudo mais.” completou sem graça, esticando a camiseta com os dedos.

“Claro, vou arranjar algo para você.” respondeu simplesmente.

O adolescente sentiu-se um pouco surpreso. Considerando o temperamento e piadas do outro, pensou que este não poderia ou não iria querer atender a seu pedido. “Mesmo? Ah, obrigado!”

Mantiveram-se em silêncio por um tempo. Os únicos sons sendo o romper da maçã e as páginas viradas. Rivaille levantou e jogou no lixo o que havia restado da fruta. Voltou a Eren, ainda mastigando o último pedaço na boca e estendeu a mão ao garoto, que ganhou uma pitada de confusão na face. Engoliu o que mastigava e depois de passar as costas da mão sobre a boca, disse: “Segure logo, tsc.”

Eren cerrou os lábios e segurou a mão de Rivaille. Logo foi puxado, sendo obrigado a ficar de pé e, antes que pudesse pensar em algo, sentiu a mão alheia pousando sobre seu peito e a outra, puxando-o para mais perto. Sua respiração pesou por um segundo quando seu torso encostou no da frente. Sua outra mão foi guiada até a cintura do menor e Eren não sabia o quê fazer, ou o quê estavam fazendo. “H-hm-“

“Sabe dançar?” Rivaille perguntou.

“O que?”

Um suspiro. “Sabe dançar?”

“Não.”

“Não é difícil. Me acompanhe, hm?” pediu, endireitando-se nos braços do garoto.

“O que? N-não! Eu não acho que seja uma boa ideia, eu-“

“Ian.” Rivaille o ignorou e o homem que lia até o momento, ergueu a cabeça. Eren sequer lembrava de sua presença. “Avalie o desempenho deste pirralho.”

O homem riu. “Claro.” e Eren sentiu-se como um brinquedo nas mãos dos dois.

“Rivaille, eu-“

“Tsc, fique quieto. Não é nada complicado. Apenas acompanhe os meus passos e não irá morrer.”

Eren queria argumentar. Não queria ter que passar, também, por aquele constrangimento. Mas os cinzelados tão ameaçadores sobre si roubaram sua coragem de falar. Engoliu em seco.

“Certo, vamos começar.” o homem menor disse.

“Mas não temos música.” Eren interveio.

“Isso não é um problema, criança. Agora pare de arranjar desculpas para não me mostrar sua péssima habilidade com a dança e vamos logo.”

Escutaram Ian rir. Rivaille guiava a mão de Eren novamente até sua cintura. “Segure direito. Assim.”

Seu corpo foi puxado para frente e Eren entendeu que a dança havia começado. Sentia o cheiro de shampoo que os fios negros exalavam e nada o estava ajudando a concentrar-se inteiramente nos passos do outro. Não queria de maneira alguma acabar pisando no pé de Rivaille, já bastava toda a vergonha que estava sentindo por estar tão próximo de um homem cujo havia achado atraente num collant. Apertou os olhos e obrigou sua mente a focar nos movimentos que foi obrigado a seguir.

Rivaille o guiava ora para trás e para frente, ora para o lado em passos lentos. Imaginou que aquilo seria valsa, mas estava desajeitado demais para classificar como tal. “Relaxe, Eren.” a voz do outro alcançou seus ouvidos e a mão em seu braço, deslizou até seu ombro, apertando-o sem força. Mexia-se de forma tensa, seus músculos recusando a cooperarem.

“Desista desse garoto, Rivaille.” Ian zombou e Eren sentiu-se emburrado.

Rivaille o ignorou e recuou dois passos, levando o garoto consigo. Sentiu-o finalmente relaxar sob seus dedos. Não era tão difícil de conduzi-lo. Pelo menos não havia pisado em seu pé ainda. “Viu? Não é complicado.”

“Sim- Ugh” e então Eren tropeçou no próprio pé, quebrando completamente o ritmo que haviam há pouco conseguido. Apoiou-se nos ombros de Rivaille, e este empurrou suas costelas. “D-descul-“

“Tudo bem, não precisa se desculpar.” o homem menor disse, tirando suas mãos do torso alheio.

A risada de Ian ecoava pela sala, fazendo Eren querer jogar algo em sua direção. “Eu disse para desistir do garoto.”

Uma risada rápida abandonou a garganta de Rivaille e ele tocou o ombro de Eren. No segundo seguinte a atenção de todos foi tomada por Gunter, que apareceu junto à entrada da sala. “Está quase na hora. Nanaba pediu para subirem.” ele informou.

“Já estamos indo.” Ian disse enquanto acenava e após um “não demorem”, Gunter sumiu tão rápido quanto aparecera.

Eren estava em um dos camarotes do teatro. Erwin conversava com um senhor careca e de bigode, que tomava algo numa pequena taça de vidro. O espaço, assim como muitos pelos quais o garoto havia passado naquele dia, era enorme e estava cheio. Todas as pessoas presentes estavam muito bem vestidas e enfeitadas, o que não pôde deixar de pensar ser um pouco desnecessário, mas agarrou a barra do blazer preto que Hanji o havia entregado, dizendo ter sido mandado por Rivaille. O tecido negro escondia perfeitamente o símbolo e nome de sua escola na camiseta branca e isto era ótimo.

Olhou em direção ao palco. Não havia uma grande cortina impedindo a visão dos espectadores como havia em seus pensamentos. Também não havia algo elaborado como cenário. Apenas escuridão ao fundo. Seus olhos penetravam o escuro do palco como se quisessem achar algo no meio. Sentiu uma ponta de ansiedade.

De um segundo para o outro, a escuridão tomou conta de tudo e o zumbido de conversa cessou. No segundo seguinte, feixes de luz apontavam para o palco e o som de flauta e piano preenchia o ar. Eren remexeu-se em seu lugar, umedecendo os lábios. Lançou um olhar para Erwin no meio da escuridão e recebeu um meio sorriso gentil. Seus olhos voltaram ao palco. Dois bailarinos já estavam presentes, Eld e Ian, reconheceu. Logo Petra e uma mulher baixinha de cabelo muito claro, Rico, faziam-lhes companhia. Os dois homens estavam parados com as pontas de um dos pés encostadas às panturrilhas enquanto os braços pendiam esculturalmente acima de suas cabeças e próximo ao abdômen. Petra e a outra giravam delicadas ao lado deles, os braços imitando as posições em que os masculinos estavam.

Três novos dançarinos ocuparam o lugar e lá estava Rivaille. Sua entrada vinha com dois rápidos giros seguidos e um último mais lento antes de uma falsa queda, que foi repetida por uma das bailarinas que havia ganhado o palco consigo. A segunda, uma morena, dava passinhos na frente de ambos, mas logo parou numa pose típica de bailarinas de caixinhas de música.

Os turquesa buscaram a imagem de Erwin na escuridão, mas este estava concentrado demais no palco abaixo para lhe dar alguma atenção. Voltou à apresentação e se deu conta do quão simples, porém não menos elegante, as vestimentas eram: não era um grande e felpudo tutu que as mulheres vestiam, mas uma saia branca de cetim juntamente com o collant de alça de viés também branco. O traje masculino baseava-se em um collant branco acompanhado por um colete preto com detalhes em prata. Novamente, a roupa combinava estranha e perfeitamente com o dono dos cinzelados.

O corpo pequeno e magro de Rivaille ergueu-se e ele encenou ajudar a mulher, até então caída, a levantar-se. Quando o fez, segurou a mão feminina no ar enquanto rodeava-lhe a cintura com a outra mão. Ela apoiou em seu ombro, erguendo uma das pernas e Eren achou aquela cena um tanto engraçada devido a altura do homem. Petra e Eld haviam tomado a frente agora. A ruiva pendia nos braços do loiro. As poses nunca perdidas. Logo Ian e a albina os acompanharam, girando um ao lado do outro, porém, espalhando os braços e perna ora ou outra.

Não demorou para que todos estivessem espalhados. Eren descobriu gostar realmente de quando as bailarinas davam passinhos nas pontas dos pés enquanto mantinham os braços erguidos. Era bonitinho. Houve então um momento em que todos se juntaram no centro do palco, as mãos faziam delicados gestos no ar. Segundos depois, as saias balançavam ao que as mulheres davam giros para afastarem-se do grupo antes formado, sendo logo seguidas pelos homens, que também giravam.

Eren percebeu, porém, que ainda restavam dois bailarinos no centro do palco. Rivaille e a mulher de antes, notou. Seguravam a mão um do outro, as outras erguidas na altura da cabeça. Os corpos estavam afastados e ambos sustentavam uma expressão de dor. Eren fez uma careta. As mão se soltaram e os cinco bailarinos restantes rodearam a ruiva parceira do dono dos cinzelados, escondendo-a.

A impressão era de que o palco pertencia apenas a Rivaille agora, e o adolescente preferiu assim. Nada atrapalhava. O corpo magro e pequeno completava os movimentos de forma tão delicada que Eren sentia urgência de ver mais e mais para ter certeza de que era o mesmo homem impaciente que havia conhecido. Os turquesa o acompanharam posicionar os braços num arco em frente ao abdômen, um pé junto à panturrilha antes de esticá-lo rapidamente para rodopiar. Repetiu o movimento quatro vezes e Eren sentiu os olhos oscilarem. Havia uma graciosidade nos passos do outro cujo descobriu não ser capaz de verbalizar. Os cabelos negros afastavam-se do rosto pálido, deixando à mostra uma expressão perdida em algum lugar que o garoto não conseguia imaginar. Rivaille parecia frágil aos turquesa.

Os cinzelados concentrados fizeram com que Eren ganhasse um sentimento de admiração. O homem dava-lhe a impressão de leveza enquanto dançava, teve vontade de entregá-lo toda liberdade do mundo. Seus pensamentos encontravam-se em um nível de subjetividade que há muitos e muitos anos não recordava. Logo os bailarinos ganhavam a extensão do palco novamente, mas seus olhos já haviam sido capturados inteiramente pela figura de Rivaille.