Let The Flames Begin
4 Capítulo 4
Notas iniciais
Barracas coloridas, serpentinas pelo chão, música, muitas pessoas e muito barulho. Os alunos que não estavam ajudando nas barracas ou entregando panfletos, encontravam-se sentados no gramado ou mesmo no chão. Vários grupos formados, todos conversando, rindo, e alguns cantando ao som de um violão e/ou de um tambor, além de tantos que andavam pelo colégio. Um ar realmente harmonioso.
Eren pegava-se sorrindo por nada. Sentia-se bem apenas por estar ali, como se sua juventude tivesse tornado-se algo que pudesse ser tocado. Gostava de estar rodeado de pessoas, de sentir que havia vida humana ao redor de si.
“Eren. Eren, vamos pegar algo para comer. Se importa de ficar aqui com a Ymir? Eu trago algo para você.” Armin dizia.
Piscou algumas vezes e olhou para o lado, encontrando o semblante entediado da morena de sardas. Balançou a cabeça e recebeu um sorriso gentil do amigo. “O que vai querer?” Armin perguntou.
“O que você trouxer está bom.”
“Tem certeza?”
“Sim. Quer dizer, sei lá, o que você comer, eu como também.”
“Certo, então.” riu “Já voltamos.” avisou antes de ter que puxar a mão de Christa das mãos de Ymir e agarrar um dos braços de Jean, guiando-os para dentro do prédio.
Faziam parte de um dos grupos encarregados de entregar panfletos de cursos da escola aos alunos e convidados, mas àquela altura já não havia mais quem não tivesse pego um dos papeis, que, agora em pouquíssima quantidade, serviam para os adolescentes se abanarem.
Sentaram no gramado e mantiveram-se em silêncio. Eren já havia encontrado com Ymir antes, numa festa na casa de Jean. Apenas cumprimentaram-se porém. Esta era a primeira vez que tinham a oportunidade de conversarem realmente e mesmo que o garoto se sentisse incomodado por obrigar-se a fazê-lo, tudo o que não queria era um momento de estranheza com alguém que esteve ao seu lado a manhã inteira e início de tarde, enquanto esperavam os outros voltarem.
“Que pena o Marco não ter podido ficar.” um pouco nervoso, quebrou o silêncio enquanto observava um grupo ao longe.
Ymir ergueu uma sobrancelha. “Ele ajuda o pai com os negócios de família, blá blá blá, coisas chatas, por isso não pôde ficar.” explicou e jogou ao lado da perna um pouco de grama que havia arrancado.
“Hm.” Eren inflou uma das bochechas e mirou os turquesas para o céu. Sabia que o amigo ajudava o pai durante as tardes, mas preferiu não comentar.
Ficaram em silêncio por um ou dois minutos antes da garota falar “Estranho.” Eren a olhou confuso. “Se fosse eu no seu lugar, não teria aceitado gastar o meu dia com coisas que não me interessam, sinceramente.”
Os turquesas voltaram ao céu e Eren sorriu. “Nah! Não teria nada melhor pra eu fazer, mesmo. E eu até que gosto dessas coisas.” olhou ao redor rapidamente. “De qualquer forma, você está aqui.”
“Huh, sou aluna desta escola, tenho que estar... Não é como se eu tivesse uma desculpa assim como o Marco.” abraçou os joelhos, descansando a cabeça nos mesmos. “Cara, que fome.”
Eren concordou. Não havia mais o que ser conversado. Era fato. E incomodava de forma absurda. Um grupo próximo cantava algo que o garoto reconheceu ser um daqueles folks da atualidade. Era agradável. Deitou as costas contra o gramado e descansou a cabeça nos braços. Os olhos fechados e a mente focada na música.
Ymir o observou por algum tempo. Não queria forçar uma conversa, também, era óbvio. Só esperar estava bom e preferia assim. Meneou a cabeça para o lado e continuou o trabalho de arrancar a grama e jogá-la ao lado da perna.
Quando os outros voltaram, os olhos de Eren abriram-se relutantes, pesavam diante a luz do sol e sentia um pouco de sono. Armin havia trazido dois sanduiches de presunto com queijo de ricota (que Eren achava extremamente estranho, principalmente pelo nome, mas adorava o sabor) para o amigo, que agradeceu satisfeito. Sentaram formando um circulo e desenrolaram os lanches dos alumínios que os cobriam.
Pouco após comerem, alguns amigos de Armin e Jean juntaram-se ao circulo ali formado. Um deles trazia consigo um tambor e logo todos cantavam músicas de estilos que sequer gostavam, tudo apenas pela diversão. Armin repreendeu Ymir por amassar os panfletos restantes, fazendo deles bolinhas para jogar em Christa. A garota de sardas chamou-o de “mãe”, zombando, fazendo-o ganhar uma expressão emburrada que Jean disse achar fofa enquanto tentava elevar seu humor.
Todos riam, conversavam e cantavam alto e ao final da tarde, alguns professores apareceram para chamar os alunos e convidados até o pátio principal, onde havia um palco. O diretor estaria esperando lá para agradecê-los pela presença e pela ajuda e disposição e dar um breve discurso sobre o quanto é importante estudar e ter amigos e ajudar e respeitar o próximo e estudar e ter amigos...
De frente para os portões agora fechados da escola, Eren recebeu um aperto de mão um tanto forte de um dos amigos de Armin e Jean. Chamava-se Thomas e suas costeletas haviam feito o garoto de olhos turquesa querer rir pelo menos três vezes durante aquela tarde. Todos despediram-se por fim, Jean, Ymir e Christa seguiam para o lado oposto dos dois adolescentes enquanto os outros garotos continuavam a cantar ao som do tambor acompanhado por risadas e gritos de saudações.
“O que achou?” Armin perguntou ao virarem a primeira esquina.
“Que bom que vocês me convidaram para participar porque, realmente, eu não teria nada melhor para fazer.” riu “Foi bem divertido.”
“Mesmo? Ah! Que bom que gostou. Eu estava preocupado que no fundo você estivesse de saco cheio.”
Ambos riram e então o assunto mudou para o quê iriam fazer no outro dia, uma vez que Eren dormiria na casa de Armin. Ao passarem em frente à cafeteria, o loiro perguntou se comprariam algo, mas, além de afirmar não querer nada, o moreno estava sem dinheiro no momento, pois sua mochila havia ficado na casa do amigo.
“Isso me lembra, Eren,” Armin começou “não vai mesmo à Academia?”
Eren sequer lembrava daquilo. Franziu a testa e balançou a cabeça em sinal negativo. “Você quer ir?”
“Não é isso.”
“Você sabia que é uma apresentação de balé clássico que acontecerá lá hoje?”
Armin balançou os cabelos loiros, sem olhar para o amigo. “Sim, estava no panfleto.”
“Você não acha estranho? Digo, engraçado. Eu não sei...” sussurrou, brincando e Armin ergueu uma sobrancelha.
–
Após tomarem banho, o avô do garoto loiro apareceu na pequena sala, dizendo ter algo para dar a Eren. “A tiragem que disse não estar achando, hm?” o senhor disse e o semblante do garoto iluminou-se quase automaticamente.
“O senhor está brincando!”
“É claro que estou, não sou tão legal assim, garoto.” e logo os traços do outro contorceram-se em decepção, fazendo o senhor rir. “Agora estou brincando, Eren.” e estendeu uma caixa de cores marrom e preto, que escondia atrás das costas.
O garoto esticou os braços, excitado para pegar o presente e agradeceu algumas vezes antes de levantar-se do sofá para abraçar o senhor à frente. “Sabe, Eren, definitivamente, você não é o tipo de garoto que me parece ler estes livros.” comentou divertido depois de se ver livre dos braços do adolescente.
“O que? Uh, obrigado! Mas eu leio!” dizia sem dar real atenção. Estava ocupado admirando a tiragem de O Hobbit que havia acabado de ganhar. Era grande fã de O Senhor dos Anéis e devia isto ao mesmo senhor que o presenteou, pois, ainda criança, o mesmo havia lhe dado os três livros da série. “Sério, muito, muito obrigado, vô!” o garoto não fazia esforço algum para esconder o quanto aquilo o havia deixado feliz.
“Não há de que.” o velho sorria. “O que querem comer? Querem pedir algo ou preparar?”
“Vamos pedir, vô.” Armin disse.
–
Acordaram por volta das 16 horas. Armin saiu da cama primeiro do que Eren, tomando o cuidado de não pisar no garoto, que estava deitado no colchão ao lado de sua cama. Sua cabeça doía e não queria esperar mais nenhum minuto para poder tomar um comprimido. A madrugada dos garotos havia sido repleta de jogos que trouxeram muitas derrotas para Eren e vitórias para Armin. Estavam sozinhos, pois o avô do loiro trabalhava dois sábados por mês e aquele era um deles.
Tomaram um café da manhã um tanto reforçado e jogaram-se no sofá. Armin abriu o notebook e lançou um olhar interrogativo para Eren quando este esticou as pernas sobre seu colo, fazendo-o ter que descansar o computador sobre elas. “Aquele seu amigo- qual o nome mesmo? Thomas?”
“O que tem?”
“Ele tinha usado alguma coisa ou ele é daquele jeito mesmo? Não sei, pareceu um pouco lento demais para mim.” disse, lembrando-se de quando o garoto loiro repetiu, por pelo menos quatro vezes, a mesma frase, achando que não havia dito ainda.
“Ele havia fumado.” Armin disse sem tirar os olhos da tela do computador enquanto digitava.
“Fumado?”
“Ele fuma maconha, Eren.”
“Na escola?”
“Não sei se na escola, mas ele costuma estar daquele jeito.” e deu de ombros.
Os turquesa fixaram-se em um ponto qualquer. Sequer havia passado por sua cabeça que Thomas fumasse qualquer coisa, ainda mais que fosse maconha. Tinha nada contra, na verdade, até mesmo pensava na possibilidade de um dia experimentar. Balançou a cabeça, optando por deixar o assunto quieto e alcançou o controle da televisão. Ficou mudando os canais até reclamar que suas pernas estavam queimando e pediu a Armin que levantasse o notebook para retirá-las de seu colo.
Sem ter muitas opções sobre o que fazer, decidiram assistir a algum filme de super-herói para passar o tempo. O loiro guardou o computador e ligou o DVD. Enquanto os trailers passavam, pegaram algumas porcarias para comerem durante o filme e logo voltaram ao sofá. O avô de Armin chegou por volta das 18 horas e o pai de Eren foi buscá-lo às 20h47. O garoto agradeceu, novamente, com um grande sorriso no rosto, pelo livro que havia ganhado como presente, antes de abandonar o apartamento.
Grisha perguntava a Eren como havia sido o festival e a noite na casa de Armin e o garoto respondia a tudo demonstrando estar de bom humor. Curvou-se para o banco de trás do carro, no intuito de alcançar sua mochila e logo procurar pelo celular que não tocava desde o dia anterior. Duas mensagens. A primeira era de Jean e a outra alguma promoção que Eren não queria saber.
“Viu seu namorado, Jaeger?”
O garoto franziu os lábios e balançou levemente a cabeça. Seu pai ainda falava. Decidiu que não responderia à mensagem de Jean simplesmente porque não era obrigado a lidar com as besteiras e provocações do amigo também por sms. Guardou o celular e voltou sua atenção ao pai.
Mais tarde, já em casa, limpo e sozinho em seu quarto, rebuscou o aparelho para colocá-lo para carregar e deitou em sua cama, a cabeça pendendo do colchão e seus olhos no teto. A mente que instantes atrás estava vazia, agora enchia-se de pensamentos que Eren, com certeza, não desejava. Ah, sua personalidade não permitiria que não pedisse desculpas a Rivaille por ter deixado de ir à apresentação. Não que devesse algo ao outro rapaz, claro, mas... Apenas não era certo consigo mesmo. Tinha isto em sua mente. Sempre teve.
Rolou na cama, sentindo-se irritado. Realmente, não devia nada ao outro. Por que diabos iria pedir desculpas? Ah, sim... Soltou um “tsc” e mudou de posição uma nova vez. Sequer conhecia o rapaz e, bem, não teria que desculpar-se se ele não o tivesse convidado para ir à Academia. Mesmo? Talvez não tivesse sido convidado se tivesse tido o senso de não encarar desconhecidos para sempre. O pensamento que mais o irritava, porém, era o de que encontraria o outro mais cedo ou mais tarde, uma vez que frequentavam o mesmo lugar, e vê-lo lá e não fazer nada iria incomodá-lo de forma absurda! Era como se devesse algo a ele e não queria, definitivamente, este peso, mesmo que imaginário.
O som em sua porta fez com que toda a linha de raciocínio que havia formado desaparecesse rapidamente e Mikasa entrou em seu quarto. “Achei o cartucho de Mario, quer jogar?” ela perguntou.
“Não.” respondeu em tom mais baixo do que realmente gostaria.
“O que foi?”
“Huh? Nada, não quero jogar.”
“Tá.” e no segundo seguinte Mikasa já não estava mais lá.
Eren voltou a encarar o teto. Era início de madrugada e não sentia sono. Havia acordado às 16 horas, afinal. Moveu as pernas para fora da cama e pôs-se de pé. Jogaria Mario.
–
27º graus e Eren agradecia por seu suco estar gelado. Era uma terça-feira e, como de costume, os adolescentes estavam sentados em volta da mesa de madeira com um guarda-sol fixado no centro. Mikasa e Armin haviam amarrado o cabelo num curto rabo de cavalo e os quatro abanavam-se com um pedaço qualquer de papel, ora ou outra.
Não havia muito tempo que estavam ali quando os turquesa logo avistaram Rivaille e a mulher do outro dia adentrarem o prédio. Mordeu a bochecha e lançou um olhar um pouco nervoso para Armin. “Vai lá?” o loiro sussurrou ao seu lado.
“Vou”. Olhou ao redor e parou na poltrona parcialmente escondida pelo armário com grãos de café. Estava vazia. Seus olhos voltaram à mesa e levou o último pedaço de seu brownie à boca.
“Adivinha o que consegui pegar, Jaeger.” Jean chamou sua atenção. Um sorriso torto no rosto longo e uma das mãos sobre o violão protegido pela capa. Como se não fosse óbvio demais.
“Com certeza não foi The Price of Freedom.” provocou.
“Uma pena não poder tocar aqui, seu merda.” cuspiu.
Eren riu e piscou para Jean antes de ganhar a visão dos dois adultos saindo do prédio para sentarem-se numa mesa afastada. Procurou o olhar de Armin novamente e antes que este pudesse dizer qualquer coisa, levantou-se, segurando o copo de suco numa mão. “Já volto.”
“Aonde vai, Eren?” Mikasa perguntou.
Eren escondeu os lábios antes de repetir “Já volto.” e deu as costas após lançar um último olhar para o melhor amigo. Ouviu a irmã resmungar algo, mas ignorou.
Não sentia-se completamente seguro ao caminhar até a outra mesa e os cinzelados caíram sobre si antes mesmo de chegar até ela. Observou Rivaille erguer majestosamente uma sobrancelha e apertou as pontas dos dedos no encosto de uma das cadeiras. “Oi.”
“Ei!” a voz alta da mulher fez-se presente “Você é aquele garoto que esbarrou no Rivaille, sim?” ela perguntou, arrumando os óculos sobre o nariz.
Sem jeito, Eren abriu a boca para respondê-la, mas foi interrompido. “Ah, é claro que é! Me lembro bem.” afirmou, parecendo muito orgulhosa de si mesma.
“Hanji, será que pode calar a boca?”
A mulher riu. “O que faz aí em pé, garoto? Sente-se!”
“A-ah, não. Eu só vim pedir-“
“Sente, sente!” Hanji insistiu e Eren franziu os lábios, cedendo.
“Desculpe incomodá-los.” disse baixo ao depositar o copo de suco sobre a madeira.
Hanji abria a boca novamente quando Rivaille a interrompeu de propósito. “O que quer?” perguntou seco, fazendo Eren sentir uma pontada de arrependimento por ter tomado aquela decisão.
“Hm... Queria te pedir desculpas.” viu os traços finos do rosto do outro contorcerem-se minimamente, interrogativos. Continuou: “Por não ter ido à academia de artes na sexta-feira, como me pediu.”
“Você o convidou, Levi?” a voz feminina novamente, os olhos castanhos arregalando-se num brilho único. “Aw, vocês viraram amigos!”
“Pare de deduzir coisas, Hanji, e pare de me chamar por este apelido estúpido.”
“Ah, mas então não é isso?” Hanji parecia decepcionada.
“Não,” Eren começou “é só que-“
“Eu o convidei, mas o garoto aqui não apareceu.” Rivaille disse, lançando um olhar frio para Eren.
“E é por isso que estou aqui.” fitou o copo de plástico entre as mãos por um momento antes de encarar Rivaille. “Você pediu para que eu fosse, mas eu não fui. Desculpe.” sentiu o nervosismo começar a mostrar seus sinais, uma vez que o homem nada lhe respondeu. Um minuto gasto em silêncio até Rivaille falar novamente.
“Eren,” uma pausa “não é como se você tivesse sido ameaçado ou algo do tipo.”
“Eu sei. É só que... Eu não me sentiria bem se não me desculpasse, entende?”
Rivaille sorveu de seu café e Eren perguntou-se como era possível alguém conseguir tomar café naquela temperatura.
“Ora, mas isto não é um problema!” Hanji intrometeu-se e Rivaille rolou os olhos, impaciente. “Venha à academia nesta sexta, haverá uma nova apresentação.”
“Eh?”
“Já temos o anúncio.” a mulher disse e ocupou-se rapidamente em procurar algo em sua bolsa. “Aqui.” estendeu um panfleto para Eren, que logo o pegou, varrendo-o com os olhos. “Vai ser a última apresentação desta peça.”
Eren fitou Hanji e perguntou hesitante: “Vocês são bailarinos?”
“Tsc, não pergunte. Ela não irá parar de falar nunca.” Rivaille reclamou.
A mulher sorriu e respondeu gentilmente. “Eu não, mas o Levi é.” e Eren pousou seu olhar sobre o homem calado. “Infelizmente, estamos sem tempo. Caso contrário, contaria em ricos detalhes sobre o nosso trabalho, Eren. É uma pena. Mas bem, eu fico com a parte de escrever as peças e administrar os cenários.”
Eren queria (e queria muito) conseguir imaginar como seria realmente Rivaille como um bailarino. Não era como na primeira vez que tal pensamento havia cruzado sua mente, afinal, fez de tudo para convencer-se de que o homem era apenas um funcionário qualquer do lugar ou alguém que apreciasse tal arte. Mas aquele rosto e personalidade não haviam sido moldados para o perfil de alguém que dança balé clássico. Bailarinos são delicados, não?
“Então, hm, Eren?” Hanji chamou sua atenção. “O que acha?”
“Eh...”
“Pare de encher o saco do garoto, imbecil. Ele sequer deve saber o que é uma peça.”
“Ah, o que é isso, Rivaille? É claro que o garoto sabe! Enfim, Eren,” os castanhos arregalados fizeram Eren grunhir. “apareça! Tenho certeza de que irá gostar.” sorria aberta e gentilmente para o garoto.
“Eu... Acho que posso ir, sim.” Eren respondeu, ganhando um sorriso ainda maior da morena.
“Que ótimo! Tudo o que você precisa saber está escrito no panfleto, Eren. Vá sim, será divertido.”
Os cinzelados rolaram novamente. “Temos que voltar, Hanji.”
“Ok. Espere aqui só um minuto, vou comprar o café que Mike pediu.” avisou, levantando-se e deixando os dois.
Eren tomou o suco que já não estava mais tão gelado e desviou os olhos para um ponto qualquer no assoalho.
“Não precisa ir se não quiser.”
“O que? Não, eu vou. Fiquei curioso.”
“Hm.” o silêncio fez-se presente, mas logo foi quebrado “Quantos anos tem, Eren?”
“17.”
Rivaille apertou os olhos e suspirou. “Se quer mesmo ir, um adulto tem que te acompanhar.”
Eren mordeu o canto do lábio. “Moro com meu pai e ele trabalha até tarde, não daria tempo. Não conheço nenhum outro adulto que poderia me acompanhar... Quer dizer, tem o avô do meu melhor amigo, mas ele também trabalha.”
“Tsc,” Rivaille curvou-se e apoiou o queixo na mão. “tem certeza de que quer ir?”
“Sim.”
“Ah, saco. Pode me encontrar aqui neste horário na sexta-feira?”
“Uh-huh.”
“Ótimo. Terá de passar a tarde inteira na academia se está sendo sincero ao dizer que quer ir.”
As sobrancelhas do garoto se juntaram por um instante. “Ah. Tudo bem. Mas você pode fazer isso? Quero dizer, não é algo que iria atrapalhar você? Seu chefe pode brigar...”
“Desde que eu não tenha que trocar a sua fralda, não se preocupe. Você será um convidado meu e da Hanji. De qualquer forma, aquele lugar está sempre aberto para visitantes. Não se preocupe.”
A voz da mulher ecoou num cantarolar que anunciava seu retorno e Eren respondeu um baixo “Certo.”
“Prontinho. Vamos?”
Rivaille pôs-se de pé, retirou a alça da bolsa do encosto da cadeira e a ajeitou confortável sobre ombro.
“Isso é muito legal da sua parte, mesmo.” Eren disse. “Mas por que está sendo tão legal comigo?”
“Ah, por favor, isto está parecendo cena de filmes mal produzidos sobre gays.” Uma ruga nasceu entre as sobrancelhas do adolescente. “É sempre bom que o público aumente, criança.”
Hanji riu nervosa e Eren sentiu-se incomodado por ter sido chamado por “criança”.
“Estamos indo, Eren, espero vê-lo na academia nesta sexta-feira.” a mulher dizia, animada. “Até mais!” e abraçou o garoto com mais força do que o necessário.
“Esteja aqui.” Rivaille disse, suas palavras soando quase como uma ameaça para Eren.
“Vou estar.”
O garoto observou enquanto os dois adultos abandonavam o local. Os turquesa voltaram ao panfleto em mãos e deu fim ao suco no copo de plástico antes de levantar-se. Jogou o copo no lixo apropriado e voltou aos amigos. Mikasa foi a primeira a falar. “Eren. Eren, o quê queria com aquele homem?”
“Na-“
“Ele é a namorada do seu irmão, Mikasa, é normal que fiquem juntos.” Jean riu.
“Cale a boca, imbecil, não é nada disso.”
“Eren.”
“Não é nada, Mikasa.”
“Eren.” a garota insistiu.
Armin lançou os azuis para o amigo e os fixou em Mikasa logo em seguida. “Eren foi pedir desculpas a ele por não ter ido numa apresentação que aconteceu na semana passada.” o loiro disse e recebeu o olhar de desaprovação do moreno ao lado.
Eren foi obrigado a esclarecer a história para Mikasa, que ficou brava consigo por alguns minutos, mas logo esqueceu. Também contou que fora convidado novamente a ir à academia. Sua irmã não pareceu feliz com a ideia de ter aceitado o convite, mas não argumentou.
O clima não havia ficado menos quente e Eren sentia a urgência de comprar outro suco.
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