Let The Flames Begin
18 Capítulo 18
Notas iniciais
Na manhã da terça-feira – segundo dia de férias de Eren – o garoto se afogava em músicas para depois descansar em algum filme no computador. Havia decidido ouvir algumas das bandas da pasta de Rivaille. Não foi uma má decisão. Gostou de pelo menos três das que lembrava o nome. O dançarino tinha um bom gosto para som. Todo o tempo gasto ao embalo do instrumental foi, também, gasto com a imagem do outro em sua mente. Incomodava-se consigo mesmo.
Agradeceu quando Mikasa entrou em seu quarto para fazer-lhe companhia durante os últimos trinta e cinco minutos de filme.
Após o almoço, Eren recebeu uma ligação de Jean. O amigo perguntava se podia visitá-lo, pois precisava conversar com alguém e Jaeger era sua melhor opção. Preocupou-se momentaneamente e depois de afirmar que estaria o esperando, perguntou-se o porquê de Jean não ter ido até Marco, uma vez que os dois eram tão mais próximos.
Cerca de uma hora depois, Eren o recebeu e logo ambos estavam sentados no colchão antes mais confortável. Conversaram sobre algo da escola e sobre o novo corte de cabelo de Carolina antes do moreno desviar os olhos e começar a falar o que realmente queria: “Eu e Armin estávamos numa vídeo conferencia e-“ Apertou os olhos por um momento enquanto a saliva descia rudemente por sua garganta. “Nos tocamos... Um para o outro.” Confessou entredentes e mastigou o lábio, assistindo Eren pender a cabeça no pescoço e juntar as sobrancelhas levemente.
“O que?” O garoto pronunciou.
“Ugh, Jaeger! Nós nos masturbamos um para o outro!” Jean repetiu. Sua voz em um tom baixo e impaciente.
“Eu entendi, seu idiota!” Fez uma pausa muito curta. “Ah, meu deus, Jean...!” Pensou em dar um soco no outro.
“Eu sei muito bem o meu nome. Agora, por favor, será que dá para não fazer essa cara?”
“Que tipo de reação você esperava? Você só pode estar brincando com a minha cara.”
“É claro que eu não estou!”
“Eu sei que não está!”
Aquele diálogo, mais tarde, pareceu tão cômico na cabeça de Eren, que não pôde evitar rir da situação.
“Não, Jean,” começou, sério, levando os dedos aos fios castanhos. “Por que fizeram isso? Quer dizer, eu não tenho – eu acho – nada a ver com o quê vocês dois queiram fazer, mas o Armin é meu melhor amigo de infância e por mais ridículo que isto possa soar, eu sinto como se eu estivesse no dever de protegê-lo. Eu sei que ele não gosta, mas é assim.”
“Por acaso a Mikasa abduziu você?”
Eren rolou os turquesas. “Jean, estou falando sério. Por que fizeram isso?”
“B-bem...” Jean desviou o olhar uma nova vez. “Nós paramos de nos falar por um tempo durante a chamada porque eu estava procurando por uma caneta na mesa do computador e então ele disse algo sobre a minha camisa. Não parou de falar...” Coçou o braço direito. “Ele disse que queria aquilo. Eu fiquei desentendido. Tão de repente... Armin começou a falar cois-“
“Foi ele quem começou com tudo?” Eren interrompeu.
“Por acaso você achou que tinha sido eu, Jaeger?”
“É claro.”
“Eren.”
Eren tinha seus olhos fixos no assoalho. Refletia sobre a informação que penetrara seu cérebro.
“Eren,” Jean o chamou novamente. Calmo, desta vez.
O adolescente ergueu o olhar.
“Depois de tudo, ficamos nos olhando por um tempo.”
Jean não havia concluído o quê queria falar. “Ah, Jean, por favor, eu não preciso saber sobre certas partes.” Eren o cortou uma nova vez.
“Tsc, escute, Jaeger.” Fez uma breve careta. “Ficamos nos... Olhando por um minuto ou menos e eu fiquei extremamente confuso, pois Armin finalizou a chamada e saiu do computador sem dizer sequer uma palavra. Eu fiquei confuso de verdade. Para ser sincero, ainda estou.”
“É raro quando você não está confuso.” Eren caçoou. “Quando foi que isso aconteceu?”
“Há uns três dias.”
“E só me contou agora?”
“Só pensei em você ontem à noite. Saco.”
“Bem, já é um milagre você ter pensado.”
“Eu juro que vou socar a sua cara.”
Ignorou. “Tentou ir à casa dele?”
“Não consegui falar com ele para ir até lá.”
Eren fez uma careta horrível. “Armin não me disse sobre isso...” Pensou em voz alta. “Para falar a verdade, agora que parei para pensar, domingo foi a última vez que nos falamos. Ainda sim, ele não me disse qualquer coisa sobre o assunto.” Não podia negar estar se sentindo um pouco chateado pelo fato. Sempre contava tudo ao loiro e saber que este não havia feito o mesmo o aborrecia. Talvez Armin tivesse os próprios motivos, claro...
“Eu quis falar com você primeiro. Antes de tentar falar com o pequeno...” Jean disse. “Você conhece o Armin muito bem, hm? Não posso negar que sinto medo de que ele não queira mais nossa amizade.”
“Eu não acho que Armin chegaria a esse extremo.” Eren passou a mão sobre os lábios e maxilar, deslizando-a pelo pescoço. Ainda tinha vontade de socar Jean, mas era quase como nada. “De verdade? Já que vocês fizeram aquilo... E ele ficou sem dizer qualquer coisa, desfez a conexão por vergonha.” A expressão ainda confusa no rosto do amigo o pedia que continuasse. “Armin não demonstra muito quando fica sem graça, mas ele não foge à regra. Ele deve ter ficado embaraçado.”
Jean torceu o lábio. “Eu não sei, Jaeger.”
“Não estou afirmando que seja isto, Kirschtein, é apenas o que eu acho.”
Um suspiro baixo e cansado abandonou os lábios de Jean e ele amassou uma das bochechas na palma da mão. Outro suspiro, desta vez, porém, pertencia a Eren. “Ainda acho que você está zoando com a minha cara.”
“Jaeger, por que infernos eu sairia de minha casa e viria até aqui para te zoar? Eu sei que você é solitário, mas eu não seria tão bonzinho para vir apenas te fazer companhia.” Não perdeu a oportunidade para brincadeiras.
Eren estalou a língua. “Escute, Armin não fa- Hei! Não, não!” Interrompeu-se, repreendendo a criança de 5 anos que havia entrado em seu quarto e estava prestes a tirar o fio do carregador de seu notebook. “Como entrou aqui sem eu ver?” Levantou-se e pegou o garotinho no colo. Era o filho mais novo de Hannes, que estava em sua casa, também, pois Grisha estava de folga.
“Eren, a Mikasa saiu.” O garoto varria os olhos pelo quarto do adolescente.
“Onde está seu pai?”
Esfregando os pequenos dedos uns nos outros, respondeu: “Na sala com o tio.”
“E Maria?” Maria, a filha mais velha de Hannes.
“Saiu com Mikasa.”
“Hm,” Eren voltou a sentar na cama. A criança ainda em seu colo. “Quer ficar aqui comigo?”
“Quero.” Os olhos castanhos brilharam para o adolescente e Eren passou os dedos pelos fios negros do cabelo de Noel.
“Vou pegar uma coisa para você.” Deixou-o sobre o colchão enquanto procurava algo no armário.
“Eren,” a criança chamou e recebeu a atenção do adolescente, que assustou-se ao ver que estava de pé ao seu lado.
“Por que não ficou na cama?”
Noel não respondeu. Concentrou o olhar onde Eren procurava o quê quer que fosse e coçou o rosto.
“Ele parece gostar de você.” Jean comentou.
“Achei. Pegue.” Entregou um pequeno Squirtle ao garotinho, que encarou o boneco por um momento antes de voltar à cama. A tintura do brinquedo – ou objeto de coleção, como Eren dizia – estava lascada em um lugar ou outro, mas nada que incomodasse a criança ou o dono.
“Enfim, Jean,“ Eren começou após sentar no colchão e receber Noel em seu colo novamente. “Acho que esqueci o quê estava falando...”
“Armin- uh... Sobre ele ter saído da chamada sem avisar.”
“Ah, sim.” Eren recolheu o Squirtle que havia caído das mãos de Noel. “Não acredito que ele faria algo assim sem motivo. E acredito que tenha sido por vergonha, mesmo.”
“Vergonha não é algo que combina com Armin.”
“Não mesmo. Mas como eu disse: ele não foge à regra.”
O silêncio reinou entre os dois adolescentes e Jean cruzou os braços, pensativo, enquanto Eren dava atenção à criança em seu colo, que perguntava o nome de algum ataque de Squirtle.
“Eren, você e aquele cara da cafeteria se tornaram amigos, mesmo, hm?” A voz de Jean voltou ao ar, mudando o assunto.
Eren abriu a boca para respondê-lo, mas não o fez.
“Ele não é o tipo de cara que parece ser muito simpático...” Jean comentou.
“Ele é legal.” Eren disse, finalmente.
“Você quem está dizendo. Tem passado um tempo com ele, hm?”
Novamente, o garoto não o respondeu. Sequer o encarava. Quando abriu a boca, foi para dizer: “Nós nos beijamos.”
“O que?”
“Algumas vezes, na verdade.” Lançou um olhar rápido ao amigo.
“O que?”
“Houve algo a mais... Também... Na verdade.” Eren havia pensado antes de confessar. Confiava em Jean apesar de tudo.
“O que?” Seu tom agudo conseguiu fazer com que os turquesas focassem em si.
“Noel, cuidado com a quina.” Eren alertou o garotinho que estava com a cabeça próximo à quina da prateleira ao lado de sua cama.
“Eren, não é verdade que você vai me ensinar a tocar violão quando eu estiver do seu tamanho?” A criança perguntou, mudando completamente seu foco.
“É sim.” Tocou o punho com o do garoto.
“Viu?” A voz infantil pronunciou para Jean, que juntou as sobrancelhas levemente. “Eren vai me ensinar. Nós vamos fazer um show.”
Jean riu. “Não aconselho a fazer show com o Eren. Seria um fracasso.”
“Seria nada!” Ele desceu da cama. “Eren, vou pedir ao meu pai que pegue meu suco. Estou com sede.”
“Está bem. Cuidado na escada.”
A criança, que já estava do lado de fora do quarto, voltou e cerrou os punhos, inflando as bochechas e formando um bico. Bufou para Eren e disse “Eu sei, Eren!” antes de abandonar o cômodo uma nova vez.
“Jaeger, me explique direito, essa história com aquele cara.”
“Ah, não estou com paciência pra isso, Jean.”
“Eren.”
“É isto que te falei e pronto.” Deitou o torso de forma torta na cama para poder alcançar o teclado do notebook. “Talvez seja um pouco complicado.” Sussurrou, resmungando logo em seguida ao sentir o celular machucar suas costelas e endireitou-se para retirá-lo de baixo de si. Com a tela acesa, viu que havia recebido mensagem. Sentou apropriadamente e escutou as costas estalarem. “Mensagem do Armin.” Disse após verificar o nome.
“O quê diz?”
Eren leu o que estava escrito e então respondeu ao outro: “Ele quer que eu vá à casa dele e leve um jogo que está comigo. A mensagem é de quase uma hora atrás.”
Jean tentou voltar ao assunto referente a Rivaille, mas Eren pediu que ele calasse a boca. Decidiram tocar violão, mesmo que estivessem apenas com um. A mente de Eren não estava completamente focada no que faziam, porém. Encostava a cabeça à parede e repetia para si mesmo, mentalmente, que queria ver Rivaille. Sentia aquela ansiedade incomoda.
Vez ou outra lembrava sobre o que Jean o havia contado e perguntava-se o porquê de tal coisa interromper seus pensamentos tão brutamente. Na verdade, ainda custava a crer que aquilo era verdade.
“Jaeger, será que pode me emprestar algum livro?” Jean pediu sem interromper-se na música que tocava.
“Ahn... Qual?”
“Eu não sei. Quais você tem aí?” Entregou o violão a Eren e colocou-se de pé para ler os títulos em um dos nichos na parede do outro. Cruzou os braços e ficou a ler por um minuto e então retirou O Hobbit e um bestiário. “Posso pegar estes?”
“Para quê quer um bestiário?”
“Acho que para ler.” Ironizou, fazendo Eren cerrar os olhos e entortar os lábios. “Posso pegar?”
“Qual é a tiragem de Hobbit?”
“O que?”
Um estalo de língua e Eren levantou-se, descansando o instrumento sobre a cama. “Ah, está certo. É minha tiragem antiga. Pode levar, mas tome cuidado!”
“Óbvio.”
“Óbvio.” Eren o imitou com desconfiança, recebendo uma risada e expressão debochada como resposta. Virou-se para voltar à cama e assustou-se ao ver Noel parado em sua porta.
“Eren, o tio disse pra vocês irem comer.”
“Meu pai mandou você aqui para nos avisar?” Perguntou enquanto esticava os braços para que a criança se aconchegasse, ficando, assim, em seu colo.
“Sim.”
“Que velho folgado, hm?”
A risada infantil encheu o ar e as mãos pequenas apertaram sem força os ombros do adolescente.
“Jean, está com fome?”
“Estou a fim de comer.”
“Certo. Vamos descer então.”
“O pokemon, Eren.” Noel gesticulava para o pequeno Squirtle abandonado sobre o colchão.
Eren inclinou-se para pegá-lo e entregou ao garoto. Enquanto desciam as escadas – o dono dos turquesas tomando muito cuidado. Tinha uma criança em seu colo, afinal – Jean provocava Noel com o brinquedo.
–
Já era noite quando Jean decidiu se despedir. O moreno não havia mais tocado no assunto, mas Eren pôde perceber o desconforto que ele sentia por conta do que havia acontecido com Armin. Pouco tempo depois, Hannes e os dois filhos também despediram-se. Noel sempre afetuoso com o adolescente de orbes turquesas.
Após um bom banho e masturbação, Eren sentia-se cansado. Talvez por ter acordado cedo em seu segundo dia de férias. Por que mesmo havia feito aquilo? Estava de férias, afinal! Não que fizesse alguma grande diferença... Estava de braços cruzados e ombros encolhidos em frente à porta do quarto de Mikasa, esperando que esta o devolvesse seu celular. A garota havia pegado para testar algo que não estava funcionando no próprio.
Ao voltar para o calor de seu quarto, afundou-se nas cobertas e só então, encarando a tela do aparelho em suas mãos, se deu conta de que não havia respondido a mensagem de Armin. Selecionou novas mensagens e já estava digitando quando parou para pensar que talvez, comentar sobre o que ocorreu entre o melhor amigo e Jean, não seria uma decisão muito inteligente. O loiro poderia ficar chateado com Kirschtein por ter contado. Mas então por que não o contou primeiro? Era algo quase infantil, a briga que se formava em sua mente.
Entortou o lábio e respondeu que iria visitá-lo no dia seguinte e levaria o jogo. A resposta não demorou a vir e Armin parecia um pouco irritado. Eren não perguntou qualquer coisa, porém, apenas remexeu-se na cama e dormiu.
No dia seguinte, após acompanhar Mikasa ao mercado, foi à casa do melhor amigo como havia prometido.
“Eren, eu preciso te contar uma coisa. Eu estive tão ocupado ajudando meu avô com algumas pesquisas da universidade. Não tive tempo para falar com você.” Armin quase atropelava as próprias palavras.
Eren manteve-se em silêncio. Sabia sobre o quê o amigo estava falando, mas optou por ficar quieto. Esperaria até que o loiro desabafasse.
“Eren,” Armin parou de frente para si. As mãos inquietas. “Eu me masturbei para Jean.”
O dono dos turquesas não sabia como deveria fingir sua reação. “O-“
“Não estou dizendo que me masturbei pensando nele. Eu e ele... Estávamos em uma vídeo conferencia e... E aconteceu isso.”
“Não é comum vê-lo tão nervoso desse jeito.”
As sobrancelhas de Armin relaxaram, assim como os ombros e ele fechou os olhos por um instante, suspirando. Sentou-se ao lado de Eren e encarou a parede do outro lado do quarto iluminado pela luz que vinha da janela aberta.
“Você não reagiu como eu imaginei.” Armin disse calmamente e os azuis miraram os turquesas.
“A-ah... Bem, isso é estranho pra caramba. Você e o... Jean.”
“Ugh, Eren! Eu-“ Desviou o olhar e suspirou uma nova vez. “Eu não devia estar fazendo todo este drama. Mas é que... Jean é meu amigo. Somos muito amigos, você sabe. E isso que está me deixando louco.”
“O quê quer dizer?”
“E se isto acabar, de alguma forma, afetando a nossa amizade? Por mim, deixaria isto de lado, simplesmente. Mas... Jean... Não sei se Jean agiria como se nada tivesse acontecido.”
“Por que acha isso?”
Houve um breve silêncio antes de Armin voltar a falar. “Às vezes Jean não consegue esconder as emoções.”
“Acha que isso o afetaria muito?”
“Eu não sei.”
O silêncio voltou e foi a vez da voz de Eren tomar o ar. “Me desculpe, Armin. Talvez se eu não tivesse dito aquilo sobre Jean te beijar... Isso não teria acontecido.”
“É...”
Eren juntou as sobrancelhas e abriu a boca para falar. Armin foi mais rápido: “De qualquer forma, quem começou desta vez foi eu. Jean estava ocupado com alguma coisa e eu fiquei apenas olhando para ele e, ele é bonito... Eu só... Deixei meus pensamentos irem longe demais.”
“Eu sinto que você está sendo um pouco contraditório ao dizer isso.”
Armin riu fraco e sem vontade. “Só estou assim porque ele é meu amigo e não quero que nossa amizade mude de alguma forma.” Fez uma pausa. “Eu fiquei tão confuso e sem graça que desfiz a chamada sem ao menos avisá-lo.” A risada falsa veio de novo. “Vou tentar conversar com Jean.”
“Faça isso.” Recebeu um sorriso fraco do amigo.
Eren passou a observar os próprios dedos baterem nos joelhos. Seu nome foi chamado e voltou a atenção a Armin. “Você está se sentindo bem?” O loiro perguntou.
As sobrancelhas juntaram-se levemente. “Estou.”
“Seu rosto está meio cansado. Não tem dormido bem?”
“Na verdade, meu horário está melhor agora do que antes das férias.”
“Tem certeza de que está bem, Eren? Não é só o seu rosto, você está quieto demais. Parece desanimado. Aconteceu alguma coisa?”
“Estou bem, Armin, não se preocupe. Deve ser porque estou passando mais tempo no computador.” O motivo pelo qual não queria dizer ao amigo que havia declarado algo ao dançarino era porque não estava se sentindo bem para falar, simplesmente. Não era algum tipo de “vingancinha” contra o outro.
“Me diga se alguma coisa tiver acontecido.” Armin pediu.
Eren afirmou que contaria se algo acontecesse e não demorou a despedir-se do loiro. Avistou Hanji sentada numa das mesas de fora do prédio da cafeteria e foi até lá para cumprimentá-la.
“Como está Rivaille?” Perguntou, percebendo a ausência do dançarino.
“Ah, ele não pôde vir hoje. Está experimentando um figurino novo e não quis sair antes de fazer a cena de teste com a roupa.”
“Hm,” Abaixou o olhar para os próprios dedos, que brigavam.
“Quer fazer uma visita?” Hanji perguntou após alguns segundos de silêncio, observando o garoto à frente. Recebeu os turquesas um pouco confusos. “Vou comprar o café de Rivaille e então você pode ir comigo até lá.”
“Desculpe, não quero incomodar.”
“Imagine, Eren, é só uma visita. Não há problema algum.”
“Mas ele está ocupa-“
“Não se preocupe com isso. Ah, a não ser que você não queira ir ou já tenha algo para fazer?”
“Não, não é isso.” Na verdade, não queria, mesmo, ter de ir. “Tudo bem,” esboçou um sorriso fraco “eu vou. Mas só se não for atrapalhar em alguma coisa.”
Esperou que a morena comprasse o café de Rivaille e então seguiram até a academia. Era frio dentro do lugar grande e o garoto escondeu as mãos nos bolsos da blusa ao não ter mais o calor do Sol. Hanji trocou algumas palavras com o senhor que Eren já conhecia e logo ambos entraram e passaram por alguns dos corredores que o garoto, também, já conhecia.
“Rivaille, trouxe o seu café.”
A ouviu dizer depois de passarem por duas grossas cortinas e saírem no bonito palco em frente ao auditório vazio.
“Obrigado, quatro-olhos.” A voz veio junto com o som de tecido pesado mexendo.
“Olhe quem veio comigo.” Hanji deu espaço para que Eren se mostrasse.
“Hei,” disse num tom baixo e acenou timidamente.
“Eren,” Rivaille desistiu de levar o copo de café à boca.
“Nos encontramos na cafeteria.” Hanji informou alegremente.
Rivaille se aproximou minimamente e Eren disse: “Você está lindo.” Observou o menor visualizar a própria roupa para então agradecê-lo pelo elogio.
Terno verde musgo, colete xadrez, um charmoso lenço com babados no pescoço e uma corrente, que seria, provavelmente, de um relógio de bolso, percorrendo parte de ser peito esquerdo. Todo o figurino aparentava ser velho, mas caía tão bem no corpo pequeno e combinava tanto com o rosto de traços finos. Eren não pôde deixar de elogiá-lo.
“Hanji disse que não haveria problema em vir dar um oi.” Comentou ainda tímido.
Rivaille nada disse. Ficaram a se encarar por alguns segundos e então o dançarino desviou o olhar para Nanaba e avisou: “Vou terminar meu café e volto para fazer o segundo teste.”
A cabeça loira acenou em sinal positivo e Rivaille segurou sem força alguma no braço de Eren, puxando-o para fora do palco. O garoto lançou os olhos pela extensão do lugar à procura de Hanji, mas não a encontrou. Pararam de frente a uma larga arara ao lado de um gabinete velho.
“Estou atrapalhando?” Eren perguntou.
“Não está, Eren.”
“Uh,” entortou o lábio e sorriu. “Como você está?”
“Estou bem.” Respondeu após bebericar o café ainda quente e se permitiu passar a mão pelo rosto jovem, acariciando-o.
Eren recebeu o carinho e fechou os olhos como se pedisse para que o outro não parasse. Levou as mãos até a cintura de Rivaille e esfregou os polegares no tecido grosso. Aproximou-se mais do corpo menor. Um toque percorreu seu antebraço até o ombro e o largou. Abriu os olhos e encontrou o rosto pálido sorrindo fraco para si. O carinho em seu rosto não existia mais.
“Como está se sentindo?” Rivaille perguntou.
“Estou bem.”
“Está bem?” Buscou pelo copo que havia deixado em cima do gabinete e as mãos do adolescente abandonaram sua cintura.
“Eu gostei muito de como você ficou nesta roupa.” Comentou, seu tom de voz mais alto e animado.
“Obrigado.” Fez um gesto cavalheiro de acordo com o figurino.
“Resolveu o problema com seu pai?”
“Estamos bem agora.”
“Ficará para assistir ao ensaio? Estamos no final. Saio daqui a duas horas.”
“Posso ficar se não houver problema.”
“Não há.”
Eren contou a Rivaille alguma piada ruim que havia visto na internet e sentiu-se profundamente feliz por fazê-lo rir, pois não acreditava que conseguiria de primeira. Quando o dançarino terminou o café e teve de voltar ao palco, Petra veio correndo. Hanji havia informado que Eren estava presente e a ruiva queria cumprimentá-lo. A garota o levou para sentar-se na primeira fileira do auditório, assim poderia se sentir confortável e assistir ao ensaio.
Petra se despediu de Eren e Hanji veio para fazê-lo companhia e avaliar o desenvolvimento dos atores no palco. O personagem de Rivaille não tinha muitas falas, mas recitou pelo menos dois belos poemas e Eren encantou-se em quão perfeitamente ele o fazia.
Vez ou outra, Hanji roubava sua atenção, comentando algo que não tinha a ver com a peça ou então interrompia as pessoas no palco para melhorar pouca coisa.
Meia hora antes do horário que o dançarino e ator havia dito que sairia, o palco foi liberado e Eren fez como a morena o pediu e seguiu para trás das cortinas pretas pelo caminho que Petra o havia guiado. Deparou-se com uma pequena correria e preferiu ficar quieto, esperando até que Rivaille, Hanji ou até mesmo Petra aparecesse.
“Eren,” a voz doce da ruiva o chamou atenção após alguns minutos. “Está aí sozinho.” Ela notou.
“Estou esperando por Rivaille ou Hanji. Ela pediu que eu viesse para cá.” Explicou.
“Não fique aí sozinho. Ve-“
“Não se preocupe, Petra. Já estou pronto.” Rivaille disse, aproximando-se.
“Oh!” A ruiva sorriu. “Não o deixe sozinho assim, Rivaille.” Forjou uma expressão emburrada.
“A pessoa que o deixou sozinho não lava o cabelo com frequência. Tenha certeza de que não fui eu.”
Eren escutou a risada de Petra.
“Avise a Hanji que estou indo e Eren está comigo, por favor.” Rivaille pediu.
Logo ganharam a rua e a brisa gostosa no rosto. “Me deixará na estação?” Eren quis saber ao aproximar-se do carro do mais velho.
“Quer ir para casa?”
“Bem, eu pense-“ Não completou a frase, pois Rivaille o jogou a chave do carro sem avisar. Por pouco não a deixou cair.
“Vamos ver um pouco do céu.”
“Vai me deixar dirigir?”
“Desde que não destrua meu carro. Ou nos destrua.”
“Eu não tenho carteira. E se acontecer de um fiscal... Não sei–“
“Então dirija direitinho igual fez antes e não haverá motivos para sermos parados.”
Eren mastigou o lábio e seguiu o outro ao entrar no carro. “Disse que quer observar o céu. O estacionamento antigo?”
“É uma boa escolha.”
“Posso escolher não irmos lá?”
Rivaille ergueu uma sobrancelha levemente.
“É muito vazio e... Eu conheço uma boa praça aqui perto. A visão é bem menos vantajosa por conta dos postes de luz, mas ainda sim é um bom lugar e ainda há gente à essa hora.”
Rivaille queria questioná-lo. Contudo, não o fez. Imaginou que não precisava. “Você quem está no volante, você quem decide!” Disse, querendo soar divertido e colocou o cinto de segurança.
“Obrigado.”
A praça não ficava longe, realmente, e algumas pessoas andavam por lá. Era um bom lugar e, também, limpo. Rivaille espreguiçou-se ao abandonar o veículo e Eren entregou a chave a ele após acionar o alarme. Rumaram até uma das mesas redondas de concreto que o dançarino havia escolhido, ficava em uma parte menos iluminada do lugar.
O mais velho sentou sobre a mesa e Eren apenas encostou-se à ela. Estavam em silêncio. O som de pessoas ao fundo preenchia o ar. Havia algumas nuvens no céu escuro, o quê tomava o lugar das luzes em impedir um pouco da visão. O toque do celular de Eren invadiu o ar e o garoto não demorou a atender o número desconhecido e descobrir que era engano. Guardou o aparelho no bolso e fitou Rivaille, que o encarava de volta.
Eren limpou a garganta com um som rude antes da voz do mais velho fazer-se presente. “Eren, posso colocar minhas mãos dentro dos bolsos de sua blusa?”
O garoto não imaginou que aquilo seria o tipo de coisa que o outro pediria permissão. Não o questionou. “Está com frio?”
“Estão geladas.”
Sorriu de canto e moveu-se para frente de Rivaille, recebendo as mãos frias deste em seus bolsos. Trocaram um olhar antes de aproximaram os rostos, selando um beijo calmo que foi cortado por Eren ao ameaçar tornar-se intenso demais. A mão do adolescente descansou no rosto do dançarino e os turquesas e cinzelados colidiram novamente ainda próximos.
“Eu adorei vê-lo no palco hoje, durante o ensaio. Você estava ótimo.”
“Obrigado.”
“Recita muito bem.”
Rivaille pigarreou e levou uma mão ao peito enquanto gesticulava com a outra.
“Juntos naquela tarde dourada
Deslizávamos em doce vagar,
Pois eram braços pequenos, ineptos,
Que iam os remos a manobrar,
Enquanto mãozinhas fingiam apenas
O percurso do barco determinar.
Ah, cruéis Três! Naquele preguiçar,
Sob um tempo ameno, estival,
Implorar uma história, e de tão leve alento
Que sequer uma pluma pudesse soprar!
Mas que pode uma pobre voz
Contra três línguas a trabalhar?”
Não havia terminado o poema, pois este era um tanto longo. Desmanchou a pose que havia criado e toda a atuação durante as palavras. Pescou a expressão reluzente de Eren.
“De onde é?” O garoto perguntou, referindo-se ao poema não finalizado.
“Alice.”
Um largo sorriso desenhou-se no rosto de Eren e seus bolsos voltaram a ser ocupados por um par de mãos. Lançou os olhos pelo parque ainda movimentado e perguntou-se se alguém estaria achando estranho dois homens tão próximos ali.
“Hei,” Rivaille chamou, esfregando os dedos nos de Eren por dentro do bolso. Recebeu a atenção do adolescente, que manteve-se em silêncio.
Vários segundos passaram antes de Eren finalmente falar. “Eu acho que nunca foi sua intenção fazer com que eu nutrisse algum sentimento a mais por você.” Sua respiração aquecia a pele de Rivaille. “Eu sinto muito por isso. Eu realmente me apaixonei pelo que você me mostrou que é.”
“Eu sou um desastre, Eren.”
“Então eu me apaixonei por um desastre.”
Rivaille exalou uma risadinha falsa e houve um breve silêncio.
“Eu quero ficar com você.” Eren declarou. “Eu quero pedi-lo em namoro.”
A respiração de Rivaille falhou por um instante e sua expressão contorceu-se em uma espécie de angústia. “Eren-“
“Eu sei que nossos sentimentos não são os mesmos.”
“Eu quero ficar com você.” Rivaille também confessou. “Você é um garoto tão especial.” Fechou os olhos, encostando a testa no queixo de Eren. “Eu quero ficar com você, mas nossos sentimentos são diferentes e eu...”
Eren sentiu a testa franzir contra seu queixo. “Estou disposto a encarar isso.”
“Você não acha que seria algo falso?” Rivaille perguntou sereno, ainda não o encarava.
“Somos capazes de aprender.”
Rivaille ficou quieto e então puxou a respiração e abraçou Eren apertado. Seu abraço foi retribuído. O cheiro do garoto parecia ser sempre o mesmo. Não era doce demais, forte demais... O confortava.
O dançarino ergueu o olhar, desfazendo o abraço e arrumou a gola da blusa do adolescente para logo as mãos pousarem no rosto mais corado do que o seu. Acariciou por um momento antes de beijar os lábios quentes. De início, pensou que Eren não aceitaria, mas logo as bocas moviam-se lentas e perfeitas.
Eren queria recusar o beijo e afastá-lo ao mesmo tempo em que o queria tanto. Ao ter o calor dos lábios finos longe dos seus, juntou as sobrancelhas, inconsciente do ato, e Rivaille laçou um braço ao redor de seu pescoço antes de continuar: “Não devia fazer essa cara para seu namorado.”
Eren recuou. “O qu-“
“Eu disse que quero ficar com você.” Ofereceu um carinho ao peito do garoto.
“Você está falando sério?”
Rivaille ergueu uma sobrancelha fina. “Ah, Eren, eu não quero que algo acabe me afastando de sua ereção.” Dramatizou, deslizando a mão do peito até o zíper da calça do outro apenas por brincadeira.
“Você está falando sério?” Repetiu a pergunta, um pouco preocupado desta vez.
“É claro que não, idiota.” Voltou a abraçá-lo. “É claro que não é apenas por este motivo.” Brincou, permitindo-se a um sorriso que Eren não foi capaz de ver.
Ficaram abraçados por um bom tempo até que o adolescente afastou os corpos e tentou esconder o próprio sorriso.
Rivaille sabia que o garoto talvez não quisesse explicitar sua felicidade, mas de nada adiantava, uma vez que o dançarino escutava o coração em batidas rápidas e altas há menos de um minuto atrás. Agarrou os calcanhares descansados sobre a mesa.
Eren pigarreou antes de inclinar-se para abandonar um selinho tímido nos lábios do outro. “Me diga se eu fizer qualquer coisa errada.” Pediu num sussurro.
“Um pirralho sem experiência igual a você fará muitas coisas erradas quando estivermos sozinhos. E não estou falando no bom sentido.” Provocou.
“Você é horrível.”
Rivaille riu e buscou por um novo beijo. Levou as mãos ao zíper da blusa de frio de Eren e começou a desfazê-lo.
“Estamos no meio da praça...” Sussurrou sem partir o contato.
Uma sobrancelha curvou-se e um sorriso torto nasceu enquanto fazia um pequeno esforço para tirar a blusa com sucesso. Encarava Eren agora, que tinha ama expressão confusa e logo estava vestindo a peça pesada e aquecida para então fechar o zíper. O cheiro do garoto pareceu dominá-lo. “Espero que tenha lavado esta blusa, garoto.”
“E-está limpa.”
“Preciso lembrar de sair com blusas de frio...” Estalou a língua. “Vou devolvê-la assim que voltarmos para o carro.”
“N-não, tudo bem. Eu pego depois. Não estou com frio.”
“Não está?” Duvidou do adolescente apenas querer ser gentil consigo.
“Não estou.” Levou uma mão até o rosto pálido e a outra até a cintura do dançarino e o beijou com vontade.
Para ser sincero, algo impedia Eren de acreditar que o mais velho havia aceitado seu pedido. Algo em sua mente o fazia não ser capaz de enxergá-lo como namorado. Entretanto, sabia que aquilo logo passaria. Talvez fosse por ser seu primeiro relacionamento sério e seria com um homem. Contudo, estava se sentindo bem. Bem como se não tivesse aquele direito. Como se fosse estranho algumas coisas darem certo.
“Ainda está cedo, mas odeio dias de prova de figurino. Me cansam...”
“Quer que eu dirija até seu apartamento?”
“Não precisa.” Os punhos estavam escondidos nos bolsos da blusa que não o pertencia. “Deixarei você na estação e irei para casa.”
“Não precisa se incomodar.”
“Se eu fosse você, optaria por me calar.”
“Por que?” Distribuía beijos pelo maxilar e pescoço de Rivaille agora.
“Porque se não o fizer, não terá mais um pênis para colocar em mim.”
Eren parou com o que fazia. Uma pontada de vergonha o invadiu e se deu conta de algo óbvio que acompanhava a frase do outro. Foi obrigado a dar espaço para que Rivaille pudesse sair da mesa.
O dançarino arrumou a blusa larga em seu corpo. “Que tamanho você veste?” Apenas parte de seus dedos eram capazes de ficar fora das mangas.
“G.”
“Vamos.”
“Uh-huh,” Eren o seguiu e teve suas mãos presas pelo menor, que o obrigou a abraçá-lo por trás pouco antes de alcançarem o veículo.
“Não cresça mais do que isso.” Rivaille disse ao livrá-lo.
Eren riu. “Vou fazer meu melhor.”
Entraram no carro e o adolescente queria tanto saber sobre o quê conversar com o outro. Na verdade, sequer estava conseguindo encará-lo direito. Sentia-se extremamente idiota por aquilo. Por sorte, o mais velho começou a falar sobre a falta que dois colegas de trabalho fariam, pois haviam saído da academia.
“Não precisa me deixar em casa.” Eren cortou o assunto anterior ao passarem direto da estação.
“Você deve odiar seu pênis.”
O garoto pescou o sentido da frase e ficou quieto. Logo pararam em frente de sua casa. “Obrigado por me trazer.” Retirou o cinto de segurança.
Rivaille suspirou cansado. “Você está de férias, não?”
“Estou, sim.”
“Me visite ainda nesta semana.”
“Claro.” Inclinou-se para beijá-lo, mas não obteve êxito. Rivaille o observava enquanto deslizava os dedos por seu rosto antes de beijaram-se finalmente.
“Se cuide, Eren.”
“Você também. Eu ligo para avisar quando estiver indo ao seu apartamento.” Informou, assistindo o outro mover a cabeça em sinal de sim.
Despediram-se e Eren esperou até que o carro fugisse de seu campo de visão. Rumou até a porta de casa e tateou o torso à procura de sua chave, percebendo que havia deixado no bolso da blusa que estava com Rivaille agora. Grunhiu e tocou a campainha. Não houve resposta. Tocou novamente. Estalou a língua e buscou pelo celular no bolso traseiro da calça.
“Mikasa,” sua voz veio após alguns instantes. “Onde você está?”
“Estou voltando para casa. Saí com algumas amigas.”
“Venha logo, estou sem a chave.”
“Está sem? Onde a deixou, Eren? Sabe que o pai não gosta quando saímos sem a chave de casa.”
“Eu sei. Eu esqueci- Escute, venha logo, hm? Estou esperando.”
“Já estou chegando.”
Esperou cerca de dez minutos até que a irmã aparecesse. Rumou direto ao banheiro, pois precisava aliviar a necessidade de sua bexiga. Ao sair, foi à cozinha para beliscar alguma coisa e aproveitou do bolo que Mikasa estava comendo.
“Onde está sua blusa, Eren? Lembro de ter saído com uma.”
“Esqueci na casa de Armin, minha chave está no bolso dela.” Explicou.
“Tome cuidado para não esquecê-la. Deixe no bolso da calça. Se o pai souber, vai falar merda para você.”
“Eu a deixo no bolso de dentro. Não conte a ele que esqueci.” A garota concordou. “Falta quanto tempo para voltar ao clube?”
“Estarei de volta no meio do mês!” Mikasa respondeu, parecendo feliz. “Mas só para treinamento. Ainda não poderei participar dos jogos.” Estalou a língua.
O celular de Eren vibrou sobre o balcão onde estavam. Uma mensagem de Rivaille: “Esqueceu a chave dentro da blusa, esperto.”
“Eu sei.” O respondeu com um sorriso no rosto.
“Com quem está falando?” Mikasa perguntou.
“Armin.” Mentiu novamente. “Ele está falando que esqueci a blusa.” Riu.
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