Let Me Taste You Tonight
10 Capítulo 10
Notas iniciais
Pulamos a grade do Central Park e foi a coisa mais assustadora que eu já fiz em toda minha vida. Quase caí na descida e pela altura eu podia até quebrar um braço. Gerard foi paciente e me ajudou com um sorriso sarcástico nos lábios. Ele riria disso depois, com certeza. Trinquei os dentes e o segui com toda a dignidade possível no escuro parque.
Ele tinha uma mochila que eu só percebera quando o vi procurando algo nela, tirou uma lanterna seguido com um "siga-me" e foi o que fiz. Tentei não tropeçar muito e não dar algo pra ele rir depois. Já estava irritado o suficiente quando o cretino acendeu um cigarro e começou a murmurar uma música como se fosse a situação mais normal do mundo e que tudo estava tudo perfeitamente tranquilo. Claro, não estávamos correndo o risco de ser assaltados ou coisa pior sozinhos no Central Park à noite.
Sozinhos no Central Park meu pensamento desviou pra algo totalmente diferente do meu estado de humor e cheguei a imaginar coisas demais. Gerard podia ser incrivelmente lindo e sexy, mas era um ridículo e nem era gay... Pelo menos é o que eu acho. Sempre acho que não devo flertar com os caras desde que acabei levando um soco por um hétero bastante preconceituoso.
Suspirei e só continuei seguindo. Soltando pragas a cada tropeço e desejando mais do que nunca poder voltar no tempo.
- Até agora tudo isso fora uma péssima idéia. — resmunguei.
- Já chegamos Sir Impaciente. — retrucou apontando pra uma árvore que eu pelo santo Cristo queria saber como ele conseguiu achar no meio disso tudo — venho pra cá direto, venha.
Ao chegar perto da árvore, ele procurou algum ponto que eu pensava que era um local secreto que ele tinha. Quando o encontrou, tirou pedras que marcavam o lugar e tirou um mini telescópio.
- Ajuda?
- Seria bom.
Puxamos o telescópio (que era bem pesado por sinal) até ele sair completamente do buraco. Gerard arrumou e limpou a lente apontando para o céu. Tirou um localizador de estrelas e me mostrou onde ficava algumas. Era incrível que no Central Park dava mesmo para vê-las porque não tinha luz. Fiquei encantado, era tudo muito lindo.
- Olhe, vou apontar pra aquele ponto e você vai me dizer o que vê...
Concordei. Ele moveu a lente, procurando. Fiquei observando-o mover gentilmente o telescópio e percebi que ele dava muito valor a aquilo tudo. Passou pra mim e olhei o céu.
- ...saturno. Que lindo, você faz isso sempre?
- Sempre que posso — disse ele sorrindo — sou um pouco astrônomo.
E que astrônomo eu não disse em voz alta. Ao som dos grilos e a luz das estrelas, ele parecia mais lindo do que nunca e não pude evitar um suspiro quando ele voltou a sorrir pra mim.
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