Let Me Live That Fantasy
14 Quando Eu Governava O Mundo.
Notas iniciais
O lugar para onde Tinker levou Regina era cercado por grandes arvores e uma mata que chegava até a cintura, estavam entrando na natureza selvagem onde Regina sabia que haviam animais perigosos e plantas ainda mais perigosas, temeu por Henry sozinho naquele lugar. Por algumas vezes tentou puxar assunto com a garota que somente dava de ombros e continuava a caminhar. As mãos de Regina estavam amarradas e já cheias de Hematomas causados pela corda. Sabia que seria inútil tentar escapar, a garota os tinha derrubado com Papoula, pois estava sem magia, mas Regina também não tinha mais nenhuma. E também não podia simplesmente ir embora e deixar Henry, tinha que confiar que Emma entenderia o que tinha acontecido e fosse atrás dela.
– Sabe, as coisas não precisavam ser assim. Você ainda pode soltar meu filho e podemos esquecer que isso aconteceu.
– E porque eu faria uma coisa dessas? – A voz dela soava distante e pensativa, talvez não estivesse perguntando a Regina e sim a si mesma.
Regina parou de andar fazendo a garota olhar para trás com o semblante irritado.
– Porque se você me perdoar eu posso perdoar você.
– Eu não estou pedindo perdão a ninguém. Anda, você não quer ficar parada aqui por muito tempo.
Elas continuaram a contragosto.
***
– Porque eu tenho a impressão de que estamos indo direto para uma armadilha? – Emma caminhava bem atrás de Ruby que farejava o caminho por onde Regina havia ido com a fada e o rei Charming cobria a retaguarda.
A floresta ficava mais densa conforme avançavam e o rei precisou ir na frente abrindo caminho por entre a mata com sua espada reluzente cheia de pedras preciosas. Emma nunca gostou daquela espada e seu pai vivia lhe dizendo que ela seria sua um dia, as vezes parava pra pensar e desejava estar de volta a Storybrooke onde seu pai era só o David Nolan, e sua mãe uma professora de crianças. Poderia até voltar a ser xerife, era melhor do que ser princesa.
– Eu não acho que seja, acho que aquela criança não sabe o que esta fazendo. – Charming falava com a voz cansada. – Ela parecia desesperada e deprimida, perdida.
– Quando foi que você virou especialista em fadas, majestade?
Charming sorriu.
– Você sabe que nem sempre fui rei, Emma. Também já me senti muito perdido, na verdade foi quando me tornei príncipe que mais me senti desesperado, sem escolhas. A vida aqui tem dessas coisas, um dia você é um simples pastor, no outro um príncipe e no outro esta caçando fadas.
Emma não respondeu, só continuou caminhando pensando em Regina e em como desejava estar com ela. Entendia muito bem o que o pai estava falando. Num dia era Emma Swan, órfã, sem ninguém. No outro dia tinha um filho, uma mãe e um pai. No outro dia tinha um mulher a quem amava e no outro sentia que estava perdendo todo mundo.
***
Já caminhavam a quase uma hora e Regina sentia que não chegariam nunca.
– Robin Hood é o home com a tatuagem de leão, não é? – Perguntou.
– Sim, o homem que daria a você o seu final feliz.
– Não entendo como ele poderia ajudá-la a seqüestrar meu filho. Ele parecia ser um bom homem.
– Ele não teve escolha.
– Todos temos escolha.
Elas chegaram a uma árvore maior que as outras, o mato ao redor estava aparado criando um grande espaço aberto, Regina ficou agradecida por não ter mais que andar por toda aquela selva. No topo da árvore tinha uma casa de madeira muito bem construída, Regina sentiu seu coração se apertar, era sua culpa que Tinker Bell tivesse que viver ali.
A garota parou e fixou seu olhar em Regina, ela era muito bonita apesar da aparência rústica. Talvez ficasse ainda mais se sorrisse um pouco.
– Escolha? Que escolha eu tive quando a fada azul resolveu arrancar as minhas asas por sua culpa? Que escolha eu tenho agora?
Ela apontava uma faca para o pescoço de Regina que não recuou.
– Você quer falar comigo sobre escolhas? – Ela deu um passo em direção a Tinker que permaneceu parada. – Eu também perdi tudo, tudo o que eu tinha. Você quer me matar? Então vá em frente fada, mas não puna meu filho pelas minhas ações, ele não tem nada a ver com isso.
Tinker encostou a faca na pele de Regina que pode sentir o cheiro de veneno. A arma dos covardes pensou em silêncio.
– Eu poderia matar você, mas não seria sofrimento o suficiente.
– Sofrimento o suficiente? Olhe o que você esta falando, garota. Em um único dia de minha vida eu já sofri mais do que você em toda a sua vida medíocre.
Tinker Bell abriu a boca para falar, mas Regina não permitiu.
– Eu costumava governar o mundo. Via o medo nos olhos de meus inimigos quando eu estava por perto. Era eu quem rolava os dados, quem ditava as regras, o mundo era meu e mesmo isso não era o suficiente. Porque eu acordava sozinha todas as manhas e culpava Snow White por isso, assim como você me culpa. – Regina fez uma pausa suspirando pesadamente, sabia que a garota estava ouvindo, viu que ela vacilava. – Em um minuto eu tinha o controle e no outro as paredes se fechavam contra mim e eu descobri que não importava o quanto eu me esforçava para conseguir minha vingança, eu sempre estava sendo facilmente derrotada. Você foi a ultima pessoa que tentou me ajudar e eu não a culpo por ter sido tão ingênua, as pessoas custaram a acreditar no que eu havia me tornado. Eu perdi tudo o que eu construí, tudo o que me custou tanto a construir por causa de uma mulher e hoje eu a amo, eu a perdoei e admiti meus erros, você só precisa deixar isso de lado e vir comigo.
Tinker parecia realmente pensar no assunto. Talvez Regina estivesse conseguindo, talvez.
– Ir com você? Você não tem pra onde ir.
– Não importa, pode vir conosco. Emma e Henry não se importariam, podemos ser uma família.
A garota não segurava mais a faca contra o pescoço de Regina, mas ainda olhava feio pra ela, como se estivesse dizendo alguma coisa muito insana.
– É claro, como seu eu fosse cair nessa sua conversa fiada.
Ela se virou e começou a subir na árvore, quando voltou trazia Henry amarrado e amordaçado.
– Diga adeus.
***
– Estamos quase lá. – Disse Ruby tomando a dianteira, Emma sabia que já era de dia e que o sol brilhava em algum lugar acima deles, mas as árvores eram muito grandes e grossas e tampavam qualquer vestígio de luz. Em algum lugar Emma escutou o barulho da mata se mexendo.
– Seria melhor se já estivéssemos lá, sente alguma coisa? – Emma perguntou.
– Sim, ah mais pessoas aqui, daquele lado. – Ruby apontou para o lugar onde Emma havia escutado o barulho. – Vamos por aqui. – Disse seguindo para o lado contrario.
Ela fez sinal para pararem quando enxergou a casa em cima da árvore. Os três se aproximaram, mas permaneceram escondidos. Tinker Bell segurava Henry perto da árvore, Regina estava próxima a eles, mas tinha as mãos amarradas, dizia alguma coisa que de longe era impossível ouvir.
Do outro lado da mata Robin Hood apareceu com mais cinco ou seis homens em seu comando, Regina deu um passo pra trás, visivelmente assustada quando os viu. Emma queria avançar contra eles, mas seu pai a segurou dizendo que precisava aguardar o momento certo.
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