Let Me Live That Fantasy
9 Bem Vinda Ao Lar.
Notas iniciais
– Regina? – Disse Emma percebendo a tensão da morena. – Bem vinda ao lar.
Regina diminuiu a velocidade do cavalo, o grandioso castelo estava à vista agora e ela não conseguia disfarçar sua respiração acelerada.
– Não acredito que estou de volta aqui. – Disse ela com um longo suspiro.
Robin vinha ao lado delas com sua pesada armadura, já tinha a espada em pulso preparado para defender a princesa e a rainha. Sempre que podia dava uma olhada para trás para ver se elas estavam bem, desde o primeiro dia sentia essa necessidade de protegê-las e mal conseguia tirar seus olhos das mulheres. Havia pouco tempo desde que descobriu o por que.
***
Já se passara dois dias de viajem, Emma e Regina não se separavam nem por um segundo, a maioria dos soldados estranhavam aquela aproximação, porem Robin sabia muito bem do que se tratava. A pouco tempo conhecera uma jovem, uma linda jovem por sinal que tinha um amor não correspondido, ou pelo menos assim ela o julgara. Seu nome era Mulan e ela amava uma princesa. Com ela Robin havia aprendido que não se deve esconder o que se sente, mesmo que a pessoa demonstre estar apaixonada por outro. A maioria das histórias de amor foram construídas em cima de amores impossíveis e eles sempre acabavam bem.
Quando Robin Hood falou pela primeira vez com a rainha, Emma conversava com alguns soldados sobre como havia sido depois que ela sumiu do campo de batalha, ela estava sentada em uma pedra admirando uma joaninha que passeava tranquila sobre seu dedo indicador. Ele estranhou, é claro, a mulher que costumava ser a mais temida em todo reino admirando uma joaninha.
– São raros esses momentos, você sabe, em que nos é permitido admirar algo tão simples. – Disse ela ao perceber que ele a observava confuso.
– O que estou a admirar, por outro lado, jamais poderia ser simples, raro sim, mas não simples. – Disse ele tentando não passar a impressão errada. – Está mesmo disposta a arriscar tanto? – Ele concluiu apontando Emma com o olhar.
– Nunca achei que pudesse amar novamente. Eu caí uma vez, caí duas vezes e jurei que nunca mais cairia. – Ela olhou Emma e seus olhares se cruzaram, a loira a deu um sorriso de lado. – E já passamos por tantas coisas, eu e ela, eu nunca imaginaria, ninguém imaginaria, mas só Deus sabe pelo que estamos lutando.
– O amor muitas vezes dura, mas costuma machucar bastante também. — Concluiu ele.
– Eu costumava pensar que era melhor não sentir nada do que me machucar, mas tudo mudou quando ela derrubou a minha árvore. – Ela sorriu. Ela realmente brilhava quando sorria, Robin notou.
***
– Hey, você pode me arrumar uma dessa? – Perguntou Emma se referindo a espada, ela não queria ter que usar magia caso algo desse errado. Ninguém ali sabia que ela podia e não tinha certeza se queria que eles descobrissem.
O cavalheiro olhou de Emma para Regina como se esperasse autorização, Emma achou aquilo muito estranho, afinal ela era a princesa dele.
Ele chamou um de seus homens e entregou uma espada a Emma, era pequena, mas eficaz.
– Ótimo!
– O que você pretende fazer com isso Swan? – Perguntou Regina com seu habitual tom cético. – Atacar seus próprios soldados?
– Não, claro que não. Mas nunca se sabe. – Ela respondeu meio sem jeito, na verdade sua intenção era de proteger a morena, mas ela não admitiria aquilo, não.
As pessoas por perto começaram a se agitar a ver o pequeno grupo que se aproximava, muitas pararam suas atividades esperando que os homens passassem. Desde a ultima luta travada com os ogros, quando a princesa Emma foi dada como desaparecida o povo daquele reino perdia um pouquinho das esperanças a cada dia. E todas as vezes em que um grupo de resgate voltava de mãos vazias era como um banho de água gelada em todo o reino por sentirem que nunca mais veriam a sua salvadora novamente.
***
No castelo, Snow White e Charming estavam se reunindo com o conselho para discutir o estranho desaparecimento de Cora. Charming sabia, pois tinha presenciado a cena, que Emma havia sido levada pela bruxa, mas esta não era encontrada em lugar algum.
Ele se levantou, tinha os ombros caídos de cansaço e olheiras escuras ao redor dos olhos, quem o conhecia sabia que costumava ser um homem muito bonito, mas agora só restava a sombra do rei, veja só o que o sofrimento era capaz de fazer as pessoas.
– Mandamos um grupo dos nossos melhores soldados ao castelo de Cora para fazer um reconhecimento. Eles não estão autorizados a iniciar um ataque, estão lá somente para nos atualizar da situação. Se Emma estiver lá nós saberemos e reuniremos toda a guarda para resgatá-la e também para dar fim de vez naquela mulher.
Snow que estava sentada ao seu lado apertou a mão do marido tentando ao máximo dar forças a ele, é claro que ela sentia falta de Emma, mas por algum motivo a loira sempre foi mais apegada ao pai. Eles eram tão parecidos que Snow temia o que aconteceria ao seu marido caso alguma noticia ruim fosse trazida pelos soldados.
Henry também estava lá, ele se negava a ficar de fora das reuniões, se houvesse alguma noticia sobre a sua mãe ele queria estar ali para saber a verdade. Também lá no fundo de seu coração, em um lugar que ele escondia de todos, tinha esperanças de alguém trouxesse noticias de Regina. Sua mãe.
***
– Emma, querida. Acho melhor você levar o cavalo. – Disse Regina e se Emma não soubesse que ela estava nervosa podia jurar que ela falava com muita calma.
– O quê? Você quer morrer antes de chegar?
– Se chegarmos assim. – Ela apontou para elas com a mão. – Comigo carregando você, vão achar que estou te fazendo prisioneira ou algo.
– Não, não vão.
– Não seja tão teimosa Swan.
– Não seja tão pessimista Mills.
– Você esta sendo idiota.
– Vocês duas não estão levando isso muito a sério, não é mesmo?
Robin parou seu cavalo diante delas com uma expressão de tédio. Típico de quem é obrigado a suportar briguinhas bobas de casais. Ele olhava diretamente para Regina que também o encarava, a expressão do cavaleiro mudou.
– Mas ela esta certa, princesa Swan. Não podem chegar assim.
Emma deu um longo suspiro e enfim desceu do cavalo. Lamentou muito ter que subir novamente e dessa vez não tinha ninguém lá em cima controlando o animal.
Regina reprimiu um sorriso.
– Ela não é muito boa nisso. – Falou para Robin e Emma a olhou feio.
Depois que já estava lá em cima Emma percebeu que a sensação não era tão ruim assim, quer dizer, considerando que estava em cima de um animal com um cérebro e vontade própria que podia decidir de repente matá-la só por diversão. Não, quem fazia aquilo eram os humanos, não os animais.
Regina já se preparava para subir quando Robin a deteve.
– Não, você vem comigo. – Emma o olhou, carrancuda, não sabia se podia confiar naquele cara, não o conhecia.
– Ela vem comigo! – Falou tentando mostrar o maior tom de autoridade que conseguia em cima de um cavalo.
Os dois se encararam silenciosamente e Regina estava em pé no meio dos dois cavalos, sentiu que Emma poderia matar o homem se o olhasse com aquela expressão por mais um segundo. E tudo o que ela menos precisava naquele momento era uma luta entre os dois.
– Esta tudo bem, já estamos chegando, eu posso caminhar.
– Não! – Emma a cortou sem tirar os olhos do soldado. Ela estendeu a mão para que a mulher subisse no cavalo. Regina hesitou por um momento, mas enfim subiu. Lançou uma olhar a Robin, mas não entendeu a expressão do rapaz.
***
Um jovem soldado adentrou a sala de reuniões do conselho quase sem fôlego, segurava o peito tentando recuperar o ar enquanto as pessoas ali reunidas o observavam aflitas.
– Eles a acharam! – Foi só o que ele precisou dizer para que todos saíssem correndo dali feito foguetes.
Charming ia na frente seguido de perto por Henry que corria quase desesperado. Lado a lado avô e neto corriam pelo castelo descendo escadas e derrubando pessoas sem nem mesmo olharem para trás para se desculparem.
Um grupo de mais ou menos quinze soldados com espadas em punho estavam parados em frente a entrada do castelo. Emma, Regina e Robin tinham decido de seus cavalos e esperavam ansioso por alguém. Charming foi o primeiro a aparecer. Ele sequer olhou as outras pessoas, tomou Emma nos braços e quase quebrou suas costelas. Henry que vinha logo atrás precisou esperar o avô largar a mãe e nesse tempo encarou confuso a morena a sua frente. Regina lhe deu um sorriso esperançoso e após alguns segundos Henry finalmente a reconheceu.
– Mãe? – Perguntou ele assustado. – É você mesmo?
Ela balançou a cabeça e ele correu para abraçá-la. Regina o apertou e bagunçou seus cabelos sem conseguir controlar as lágrimas.
Charming que ainda abraçava Emma não viu a cena, mas ao escutar a pergunta do garoto achou que era dirigida a Emma e sorriu a soltando.
– É claro que é sua mãe, Henry. – Seu sorriso desapareceu quando viu a morena chorando e abraçando o garoto. Olhou para Emma procurando explicações, mas a loira estava sorrindo de orelha a orelha admirando a cena. – Emma?
– Pai. Está tudo bem. Eu a trouxe comigo. – Ela falou tentando tranquilizar o rei que agora estava mais confuso. Ele olhou para Robin Hood que estava parado ao lado delas e este lhe deu um olhar de confirmação.
Snow vinha saindo do castelo quando Henry soltou Regina e abraçou Emma. A atual rainha nem ao menos teve tempo de se aproximar da filha quando seus olhos encontraram os da madrasta, ela olhou para Charming sem entender e este também não soube o que fazer.
– Você! – Snow falou acusadoramente. – Eu sabia que estava por trás disso!
– Mãe! – Emma tentou falar, mas Snow já estava indo em direção a Regina sem dar atenção a mais ninguém.
– Achei que tínhamos nos livrado de você, mas é claro que não. – Ela gritou sem conseguir ser parada. Antes que qualquer um pudesse fazer alguma coisa para impedir ela puxou a espada de Charming e foi pra cima da morena. – Você se juntou com Cora e sequestrou a minha filha!
Snow avançou para cima dela com a espada e a teria acertado se Emma não tivesse sido rápida e bloqueado o golpe com a espada que Robin lhe dera. Ela ficou na frente de Regina a protegendo, Henry estava assustado, quase perdeu a mãe mais uma vez.
– O que esta fazendo Emma? – Snow perguntou ainda com a espada erguida, Charming andou até ela tentando lhe acalmar sem sucesso.
As outras pessoas que estavam na reunião já haviam saído do castelo e estavam observando a cena assim como vários outros moradores do reino. A guarda real estava cercando o pequeno grupo e todos tinham suas espadas em punho. Estavam cercados e em menor numero, o único jeito de se resolver aquilo seria na conversa.
– Mãe. Você precisa se acalmar. Regina não me sequestrou. – Snow abriu a boca pra dizer algo, mas estava muito atordoada. – Ela salvou a minha vida, na verdade.
– Isso é verdade, mãe? – Henry que estava ao lado delas perguntou.
– Sim, Henry. Sua mãe salvou a minha vida e derrotou Cora. Ela salvou a todos nós. – Disse Emma passando a mãe no rosto do filho.
Todos olhavam assustados e confusos a tudo aquilo. Os guardas que os cercavam um a um foram abaixando suas espadas. Charming tinha um sorriso no rosto, mas Snow ainda olhava desconfiada. Mais de uma vez havia oferecido uma segunda chance a Regina e todas as vezes ela havia provado que não poderia mudar.
– É melhor entrarmos e reunirmos o conselho. Se o que diz é verdade ainda precisa ser julgada. Irá aguardar em uma cela. – Snow falou e Emma pode jurar sentir um toque de satisfação no tom de voz da mãe, mas não importava, não podia permitir aquilo.
Regina suspirou, não lhe surpreendia que Snow quisesse humilhá-la trancando-a em uma cela, já haviam jogado aquele jogo antes e ela entendia que seria difícil ganhar a confiança de alguém. Ainda não entendia como Emma podia confiar nela, talvez tenha sido o beijo que quebrou a maldição que a fez ver que Regina não estava fingindo gostar dela, afinal, não se pode fingir o amor verdadeiro.
– Não! – Disse Emma muito autoritária. Ela puxou Regina que estava encolhida atrás dela e segurou sua mão. – Ela não é nenhuma prisioneira. Ninguém encosta nela.
Regina apertou a mão de Emma mais forte, seu coração estava explodindo dentro de si, tinha medo e ao mesmo tempo se sentia segura, pois tinha Emma consigo. Henry se uniu a elas ficando em frente a mão adotiva como se também quisesse mostrar que teriam que passar por ele. Regina queria sorrir, mas achou que seria muito arrogante de sua parte e Snow certamente não entenderia.
– O que esta acontecendo aqui? Emma Swan, o que é isso?
Emma olhou a sua volta, estavam rodeados de pessoas.
– Eu explicarei tudo, mas não aqui e não agora.
Snow abaixou finalmente a espada e a entregou a Charming. Os dois se olharam por um instante, aqueles olhares que um sempre entendia o que o outro dizia.
– Certo, vamos reunir o conselho. – Disse Snow dando as costas e entrando no castelo. Emma a seguiu sem soltar a mão de Regina e Henry foi com elas. Robin foi junto, não sabia se seria bem vindo, mas tudo que pudesse fazer pela rainha faria.
Foi difícil impedir alguns curiosos de entrarem, mas enfim o conselho estava reunido e aquela sala nunca pareceu tão tensa.
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