Let Me Live That Fantasy
12 A Fada Verde.
Notas iniciais
Henry caminhava a passos lentos, evitava a luz da lua sempre andando nas sombras. A entrada de funcionários do castelo, por onde ele havia saído, já tinha ficado para trás a algum tempo e agora ele tentava não ser visto andando pela vila seguindo rumo a floresta. Era madrugada e os cidadãos do reino não costumavam sair de casa nesse horário, mais por medo, ainda não tinham se acostumado à idéia de que o maior perigo já se fora.
Ele avistou alguns guardas fazendo a ronda e se agachou na escuridão, sua respiração estava pesada, sabia que se fosse pego botaria toda a missão a perder e ele não podia ser aquele cara. Suas mães estavam contando com ele, precisava dar certo. Olhou rapidamente e os guardas já haviam ido, a floresta estava à alguns metros de distancia ele tomou um impulso e começou a correr desesperadamente sem olhar para trás.
Só parou quando a densidade da floresta começou a dificultar a sua corrida, encostou-se a uma árvore, ofegante, e sorriu aliviado.
Rezou silenciosamente para que desse certo, para que ela ainda estivesse lá e então fechou os olhos e chamou por ela.
– Fada verde, Tinker Bell.
Fez da mesma maneira que viu no livro, mas nada acontecia, começou a ficar nervoso.
– Por favor, Tinker Bell eu preciso de ajuda.
Abriu os olhos esperançoso, mas nada. Seus olhos começaram a ficar embaçados e seu coração pesado.
– Por favor, minha família está em perigo.
Ele apertou os olhos se lembrando do momento em que reconheceu Regina naquela manha, ela estava tão bonita. Todos os seus sonhos tinham se tornado realidade, sua mãe tinha mudado por ele e Emma a amava também, eles podia ficar juntos, só que não.
– Por favor, eu acredito.
De repente seu coração se aqueceu e ele pode ver uma pequena luzinha verde se formar a sua frente. Ela foi crescendo até estar do tamanho natural e ele sorriu ao ver a fada brilhando na sua frente.
– Ah, até que enfim tenho o prazer de conhecer o filho da Rainha Má.
A moça parecia muito jovem, tinha lindos olhos verdes e se vestida toda de verde. Seus cabelos loiros eram presos em um lindo coque e ela tinha um sorriso simpático.
– Você é Tinker Bell, não é? Você vai me ajudar.
– E porque eu faria isso, principezinho?
O brilho que a cobria começou a desaparecer, a magia que a envolvia foi sumindo aos poucos. Henry pode ver que algo não estava certo. Suas roupas estavam sujas e rasgadas, seu cabelo, seu lindo coque se desfez e no lugar apareceram cabelos bagunçados e sem brilho, seus olhos estavam profundos e sombrios.
– Porque você é uma fada, a fada verde, você é amiga da minha mãe, não é?
A garota se aproximou fazendo Henry bater de costas em uma árvore.
– Regina? Ah sim, nós fomos muito amigas um dia, ah sim. Até o dia em que ela arruinou a minha vida.
Henry gaguejou.
– O que... Que... O que ela fez a você?
A garota sorriu sarcasticamente e o agarrou.
***
Emma, Robin e Ruby de esgueirava pelo castelo. Já era madrugada e Emma definitivamente não se sentia bem, não havia comido nem bebido nada durante todo o dia e também não havia parado um segundo se quer para descansar.
– Porque ela a prenderia e depois te daria a chave?
Ruby fez a pergunta que estava na cabeça de todos.
– Eu não sei, não sei nem ao menos se essa é a chave da cela dela.
Robin andava a frente e não havia dito uma palavra desde que saíram do quarto de Emma.
A lua brilhava lá fora e toda vez que passavam por uma janela Emma tentava encontrar Henry, sem sucesso. Se tinha uma coisa que ela sentia falta do mundo real era o celular.
Começaram a descer as masmorras, onde ficavam as celas e as janelas não mais existiam. A escuridão somente não era completa graças às tochas que carregavam. Logo nos primeiros degraus viram que algo estava errado, dois dos guardas que guardavam as masmorras estavam caídos no chão, inconscientes. Os três se olharam confusos e logo uma idéia começou a correr pela cabeça de Emma.
Regina tinha se enfurecido, voltado a se sentir como antes e pensara que Emma não iria atrás dela, ela havia ficado tão furiosa que seus poderes voltaram para si e então ela saiu da sua cela, matou todos os guardas e fugiu, sozinha, mais uma vez sozinha no mundo.
Não! Não podia ser. Regina era seu amor verdadeiro, ela sabia que Emma não desistiria dela. Fez sinal para que os outros continuassem andando e tentou afastar aqueles pensamentos de sua cabeça.
Ficou mais difícil quando chegaram a entrada para a prisão e encontraram mais guardas no chão. Inconscientes, mas aparentemente vivos.
– E eu que estava me preparando para uma grande briga.
Robin pendurou a tocha que carregava e se aproximou de um dos guardas caídos para verificar se estavam vivos mesmo.
– Ainda estão vivos, quem foi que fez isso teve piedade e somente os deixou desacordados.
Emma apertou firme a chave em sua mão, isso significava esperança, se Regina tinha atacado aqueles guardas e os tinha deixado vivos era porque não tinha voltado a ser o que era antes, a Rainha Má nunca os deixaria vivos.
– Vamos por aqui.
Eles continuaram andando, passando por varias celas vazias. Era escuro e frio lá embaixo.
– Regina?
Emma chamou sentindo seu coração se apertar mais a cada cela vazia que encontrava.
– Emma!
A voz de Regina a chamou na escuridão. Emma a viu e correu até ela passando a mão pelo vão da cela e segurando seu rosto como se não acreditasse no que estava vendo, estava tão feliz que não poderia descrever.
Elas encostaram suas testas, ambas com sorrisos nos lábios e lágrimas nos olhos.
Emma segurou a chave com força e então percebeu que estava tremendo tanto que mal conseguia encaixá-la no buraco. Quando conseguiu abrir a cela Regina pulou em seus braços quase a esmagando, mas Emma não se importava e a apertou ainda mais forte.
– Eu sabia que você vinha, eu quase podia sentir você chegando.
– Eu nunca deixaria você aqui. Seremos uma família, eu prometo.
Robin e Ruby assistiam a toda aquela cena sem dizer nada, a morena se virou para fazer algum comentário, mas parou quando viu a expressão do cavaleiro. Ele não sentia raiva ou amargura, não, ele sentia tristeza. Sabia que nunca mais teria seu amor verdadeiro com ele, pois ela havia morrido a muito tempo atrás. Olhando para ele Ruby podia até sentir sua dor. Ele era um homem acabado, destruído pela perca da mulher de sua vida, mas ainda se lembrava de como era aquele sentimento e o fazia bem juntar aquelas duas outra vez, mesmo que não parecesse só o que ele queria era se sentir daquela forma novamente.
– Precisamos sair daqui e encontrar Henry.
Regina se assustou.
– Henry? Como assim? Onde ele esta?
Emma segurou suas mãos.
– Ele ira nos encontrar na floresta, falou sobre uma amiga sua que irá nos ajudar a fugir.
Regina franziu o cenho, confusa.
– Emma, eu sou a Rainha Má, quando vai enxergar isso? Eu não tenho amigas.
Quando Henry sugeriu ir sozinho até a floresta encontrar uma mulher que supostamente seria amiga de Regina, Emma não parou para pensar em como aquilo era suspeito. Primeiro porque nunca ouviu falar de nenhuma amiga de Regina, tirando, é claro, kathryn. Mas então Henry disse que ela era uma fada e Emma não teve duvidas de que ela poderia ajudar afinal fadas eram boas pessoas, sua missão era ajudar, mas ali agora podia ver como havia sido ingênua. Porque uma fada seria amiga da Rainha Má?
– Mas... Ele disse que era uma fada...
– Emma!
– Fadas são boas, não são?
– Temos que encontrá-lo, agora!
Ela não precisou dizer duas vezes e todos já estavam correndo em direção a saída, os guardas ainda estavam desacordados e pelo caminho até os portões ainda encontraram mais uma dúzia de guardas abatidos.
– Não poderiam fazer isso sem deixar tanto rastro? Fizeram quase um mapa.
Reclamou Regina, pois por onde olhava via mais uma dezena de guardas.
– Não fomos nós. Não sabemos o que está acontecendo.
– Isso não pode ser bom.
Continuaram a correr, chegaram a entrada do castelo, as portas abertas, atravessaram e correram em direção a floresta. Em algum lugar ali perto o filho delas estava sendo mantido prisioneiro.
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