Let Me Correct It
8 Capítulo 8
VIII.
Wouldn’t it be nice if we could wake up in the morning the day is new
And after heavomg spent the day together hold each other cllose the whole night through?
The Beach Boys, Wouln’t it be nice.
Tanta coisa aconteceu nesse último mês que eu fiquei sem ver o Ryan. Foram coisas boas, mas eu confesso que teriam sido melhores se ele estivesse comigo. E tudo pra mim, nesse meio tempo, parou de girar em torno dele e isso seria eternamente bom, porque eu não queria amar. Não por enquanto.
Confesso que eu estava apenas procurando uma forma de dizer a Hayley que queria desistir de ser um homem fiel e por isso estaria me afastando dela. Eu sentia muita falta da conquista, de olhar para uma garota e querer jantá-la. Eu sentia faltade um cardápio bem variado, eu sentia falta de mim mesmo. E, confesso mais uma vez, precisava dos ciúmes de Ryan Ross.
Aliás, Hay estava se arrumando. Eu a levaria ao cinema e depois jantaríamos. Qualquer coisa que fosse considerada romântica. Nesse último mês foi complicado ter um momento a sós com ela e quando tínhamos era em seu quarto no ônibus de turnê do Paramore. As mulheres têm uns rituais em estranhos quando se tratam de encontros. Isso chega a ser meio medonho, meioconflitante. Eu, que demorava no banho, estava pronto há uma meia hora e Hayley ainda estava se arrumando.
Quando ela saiu do quarto, ao qual tinha me expulsado quando eu terminei de me arrumar, estava incrivelmente linda; vestia um vestido jeans meio curto, seus cabelos coloridos estavam meio presos, meio soltos e a maquiagem era pouca, mas notável. Envolvi o corpo dela com as maos, inclinei o meu para juntar nossos lábios e em seguida murmurei:
- Está incrível.
- Obrigada. – Sorriu tímida.
- Brendon, eu posso falar contigo depois? - Josh disse e eu assenti, ainda sem soltar a menina. Ela deu um tapinha amistoso em minha mão e eu a soltei. Não tirei os olhos dele, porque aqueles olhos eram de um predador defendendo sua presa. Era desafiador e eu fazia questão de estar a altura. – Em particular.
- Uh. – Brinquei, voltando o olhar para Hayley.
- Pode falar com ele agora, se quiser. – Hay encolheu os ombros – Eu não sei aonde pus a minha bolsa e não posso sair sem ela.
Sinceramente, eu não entendo esse negócio que mulher tem com bolsa. Porque, geralmente são umas sacolas enormes e sem sentido algum. Dentro delas, cheio de parafernalhas que no fim ninguém nunca usa. Bolso não serve para menos que guardar uma carteira. Aliás, mulher tem carteira?
Josh me fez um gesto com a cabeça e eu o segui para o lado de fora do ônibus. Aquele olhar ameaçador se tornou muito pior do que eu pensava que ia se tornar. Eu pus as mãos nos bolsos e abri minha boca para começar aquela conversa que, com certeza, não seria muito boa. Sem motivo – aparente aos meus olhos – Josh me socou com toda a sua força. Mantive o rosto virado por algum tempo, levando minha mão a boca ao sentir o gosto do sangue. Prevendo que eu fosse revidar, Josh desviou do meu golpe.
- Desgraçado! – Falou e eu dei minha melhor risada debochada – Alguém como você, Brendon Urie, não merece esse tanto de gente te cercando, te amando!
Com as costas das mãos, tornei a limpar meu sangue, enquanto o olhava balançar a mão. Provavelmente a fim de conter a dor que tinha em sua mão.”Você não merece esse tanto de gente te cercando, te amando”, talvez ele estivesse certo e eu fosse só um maldito imã que atrai as pessoas para uma armadilha sem volta. Uma armadilha que elas não querem cair, mas eu faço questão que caiam. Porque eu faço questão de jantar todos os dias.“Maldito Brendon Urie”, pensei.
- Você é um inconsceqüente demais, cara. – Rosnou e aquilo que ele falava começava a me fazer refletir – Olhe para o quão patético você é e pare de machucar as pessoas.
- Cala a boca! – Exclamei, irritado. Ainda tinha sangue em minha boca. Vi Hayley descendo do ônibus e perguntando o que estava acontecendo. Não dei bola alguma, estava concentrado demais em Joshua e suas malditas palavras.
– Cala a boca agora! Você só está apelando por causa dos seus ciúmes, mas trague-os! Ela está comigo, dude.
- Eu posso até estar apelando como você diz, mas eu não saio por aí machucando quem me ama e depois aceito o pedido de namoro da minha garota! Eu não firo meus amigos! Eu não sou uma vadia de segunda!
Perdi meu controle com aquelas palavras. Cerrei meu punhoe o impulsionei contra o rosto do outro. Ouvi um grito estridente vindo de Hayley e eu acabei me desconcentrando. No lugar de ajudar, Hayley só foi combustível. Ao pensar nas palavras de Josh, por um momento, deixei de golpeá-lo e foi isso que o fez vir para cima de mim e me bater até que eu caísse.
A verdade sempre te deu tapas na cara, Brendon. Você sabe que magoou Ryan Ross; seu irmão mais velho. Você sabe que é uma vadia de segunda e sabe que não deveria ter começado essa briga. Você deveria ter abaixado a cabeça e esperado ele terminar de falar. Você sempre faz tudo errado! Tudo errado, ainda que tente acertar, você nunca acerta. Não passa de uma vadia de segunda, Brendon Urie.
O problema de quando eu caí, foi que bati a cabeça muito forte contra o meio fio e desmaiei. Depois daquilo eu não me lembro de mais nada, nem de como fui socorrido, de quantas pessoas viram a briga. Sempre tem um paparazzi atrás, um inconveniente, qualquer coisa desse tipo.
Mesmo quando acordei e estava bem, pedi para o médico me deixar um tempo a mais no hospital. Deu para pensar bastante, pôr minha cabeça em ordeme descobrir que Josh estava certo. Estava sempre certo. Eu não ia mais negar aquilo para mim: eu estava usando Hayley, estava ferindo o Ryan e estava decepcionando os meus fãs ao saber que eu estava afastando Ryan de mim. Talvez eles soubessem que estava acontecendo algo e por isso não nos condenassem, porém eu estava totalmente cansado de “talvez”.
Se eu fui quem estragou tudo, era eu quem deveria consertar. Eu só não sabia como, eu não sabia quando, só sabia que era eu que tinha que agir. Que era eu que faria tudo voltar ao normal. Ao contrário do que eu imaginei, meus amigos todos vieram ao hospital quando tudo aconteceu. Ryan estava a frente de tudo, Spencer e Jon eram os suportes do compositor. Nós éramos unidos assim e era isso que nos importava. Quando abri os olhos aquele dia, os meninos se encarregaram de nos deixar sós e com certeza garantiriam que ninguém nos incomodasse.
- Brendon. – Ross tocou a minha mão e sorriu. – Que bom que acordou.
- Ryan? – Sorri, entrelaçando nossos dedos. Fazia tanto tempo que eu não via aquele sorriso de Ryan Ross com aquele misto de alívio com conforto, com felicidade que me embebedou. “Você não merece tantas pessoas te amando, você não passa de uma vadia de segunda!” Eu ia ouvir aquilo, provavelmente, pela eternidade.– Quando é que eu vou sair daqui?
- Tosco. Eu sei que foi você quem pediu para ficar um tempo a mais, Brendon. Pode sair se quiser. – Falou, sorrindo – Você tá ótimo, Brenny Bear.
- Quer sair comigo? – Segurei sua mão com um pouco mais de força, para que ele não tentasse fugir de mim.Ele franziu o cenho e maneou a cabeça negativamente. Talvez ele não estivesse se lembrando do que eu estava falando e, nesse tempo todo sem ele, eu tive tempo para reviver umas coisas que eram só nossas. – C’mon, em um encontro. Só nós dois, como nos velhos tempos.
- Mas a gente não está em Vegas, não temos sorvete ou uma casa da árvore.– Ele fez um bico, soltando a minha mão para cruzar manhosamente os braços. Aquilo me fez abrir um sorriso meio bobo, porque eu estava voltando aos velhos tempos. Eu estava me sentindo muito melhor ao vê-lo com aquele espírito brincalhão.
- Que tal se formos a uma pizzaria, comer pizza até não agüentarmos mais e depois ir para um hotel tomar o sorvete que comprarmos no caminho e conversar. A final, passamos as férias longe um do outro e temos muito para contar, não é?
- Não vai ser a mesma coisa, mas pode ser interessante.
Acho que nesse tempo que eu estive no hospital – ainda que parte do tempo que foi porque eu quis -, Ryan teve medo de não estar mais por perto e acabou se reaproximando tão bruscamente quanto se afastou. Acho que ele achou que eu fosse morrer ou coisa do tipo, por isso estava maleável.Cheguei a agradecer mentalmente a Josh por ter me batido e trazido Ryan de volta para mim. “Eu não firo meus amigos! Eu não sou uma vadia de segunda!”
Como era esperado, quando saí realmente do hospital tive que dar um monte de explicações sobre o “acidente” como Hayley e eu decidimos que seria chamado, já que niguém apareceu com fotos. Talvez estivessem esperando para dizer “Brendon é uma vadia mentirosa”, mas isso já estava sendo cogitado.
#Flashback#
- Brendon! – Ryro bateu na porta do meu quarto e eu sorri enquanto terminava de fazer a barba. Ross tinha me dito uma vez que eu ficava melhor sem os pelinhos incômodos ainda que fossem poucos.– Brendon, olha a gayzisse.
- Entra, então. Eu já vesti as calças mesmo. – Dei os ombros, ao gritar para que ele ouvisse do lado de fora. – Tô terminando de me trocar.
- Nunca entendi porque você sempre demora tanto assim num simples banho. – Ross abriu a porta e encolheu os ombros. – Trouxe sorvete, mas vai derreter se não andar logo.
- Quer deixar eu me arrumar em paz para conseguir garotas. – Mostrei língua e Ross deu uma risada debochada. Dei dois passos para frente, lhe tomando o sorvete das mãos e o colocando em cima de um móvel qualquer. Seus olhos me perguntavam quem era a garota e eu o apontei, fazendo um bico divertido. – Minha garotinha favorita.
- Vai se ferrar, Brendon Urie! – Dei um sorriso debochado e puxei o sorvete. Andamos até minha casa da árvore e ficamos ali. Ross me abraçou quando eu sentei entre suas pernas e eu o lambuzei de sorvete. Sinceramente, por pouco nossos lábios não se tocaram. Por mim, de verdade, eu o teria beijado, mas Ross desviou os lábios. Acho que ele deveria ter motivos para isso.
Aquilo chamávamos de “encontro”.
#Fim do Flashback#
Demorei algumas horas para ir ao hotel, acabei me cansando. Ryan e eu fomos mesmo a pizzaria e comemos pizza. Compramos sorvete pelo caminho e Ross me levou até o hotel. Ele tinha uma das mãos levemente ferida e minhas coisas estavam em seu hotel. Provavelmente, tinha acontecido algo que eu não estava sabendo. Acho que ele estava se culpando pela surra que eu levei, mesmo que não tivesse- realmente – culpados além de mim.
Ele me levou para seu hotel e como lá tinha apenas uma cama de casal no quarto – acho que ele já estava prevendo que eu não ia poder voltar pro ônibus do Paramore – que era bem grande. Pediu para trazerem duas colheres e quando chegaram, nos apossamos delas e começamos a tomar o sorvete, contar sobre as férias e ficar na cama assistindo um seriado qualquer.
Deitou-se ao meu lado na cama e pôs sua colher no pote. Ele me olhou e sorriu para mim e eu retribuí grandemente. Sintia falta daquele olhar doce para mim, eu sentia falta do Ryan Ross por inteiro. Era hora de matar essas saudades.
- De verdade, Brendon. Eu te conheço como ninguém e eu sei que esse acidente não foi bem um acidente. – Pegou sua colher e a deixou pendurada na boca. – O que houve de verdade?
- Preciso de sorvete! – Ronronei ao abraçá-locom certo carinho. Um carinho que eu não tinha antes, um carinho estranhamente diferente. – Ah, que saudades, Ross!
- Bobo. – Sorriu, me aconchegando melhor em seus braços. – Mas eu não esqueci, sabia?
- E nem eu. – Falei, confessando por fim que eu pensava nele como homem e não como amigo, não como meu irmão mais velho. Era diferente e ele sabia que eu estava confessando sobre a noite que eu o ‘forcei’ a seguir seus instintos e ficar comigo – Simplesmente não sai da minha cabeça.
- Não é disso que eu estava falando e você sabe. – Desviou seu olhar para o pote de sorvete. – Mas se quer falar disso, vamos falar. Eu acho que já superei o fato de você não conseguir me amar, pelo menos, enquanto eu não te vejo fica mais fácil. Eu sei que me quer só por uma noite e isso não vai mudar e, não sei se te serve de consolo, mas eu tenho tudo o que aconteceu na minha memória.
Tomei uma colherada bem grande do sorvete. Porque eu não queria ouvir aquilo, mas fora eu que comecei, eu deveria levar aquilo para frente sem reclamações. Ross sorriu para mim e continuou:
- Por quê? Por que você ficou comigo? – Mordeu o canto dos lábios – Por que fez isso comigo?
- Eu não levava nossas brincadeiras a sério, suas demonstrações de carinho. – Falei enquanto acariciava seu rosto delicado – Eu não sabia do seu amor por mim.
- E como você soube? – Corou e tentou desviar seus olhos – Eu sempre disfarcei tão bem.
- Eu sou especialista em você. – Murmurei, ainda lhe acariciando. – Me desculpe por tudo o que eu fiz contigo. Eu não achei que você fosse se lembrar.
Ryro sorriu de leve e eu juntei levemente nossos lábios. Por várias vezes seguidas. Eu o queria mais que tudo, mesmo sabendo que eu o machucaria logo na manhã seguinte.
- Pára! – Disse – Por favor, pára. Você tem a Hayley e eu não quero mais fazer.
- Se eu continuar perto assim, você ainda vai resistit? – Perguntei, olhando para seus olhos – Eu confessei que não paro de pensar em você um minuto sequer...
- Vou. – Assentiu sem firmeza. Droga, Ross. Droga, droga! Eu não estava querendo brincar, eu estava sendo sério, mesmo que... – Eu estou sóbrio, Brendon. Eu sei que no dia seguinte você vai me ver apenas como lixo mesmo quando eu tentar ser carinhoso e uma questão que não me cala: o que eu sou pra você?
- Meu melhor amigo que eu feri muito. O dono do coração que eu magoei e quero cuidar muito para poder ser feliz ao lado dele.
- E acha que uma boa dose do que feriu o seu melhor amigo vai curá-lo? – Perguntou, olhando-me nos olhos. Dessa vez seus olhos estavam machucados, doloridos e eu cheguei a me condenar mais uma vez por ter causado tamanha dor.
- Eu só quero te mostrar o quanto posso ser maravilhosoquando eu amo.
- E você me ama, Brendon Urie?- Aprofundou seu olhar no meu, me fazendo mergulhar em um mar verde sem fim. – E não venha me dizer que me ama como meu amigo que eu vou fazer questão de te mandar para aquele lugar.
- Eu não sei. – Mordi o lábio e desviei o olhar – Eu fico feliz quando seus lábios tocam os meus, ainda que minimamente no meio do palco, sou desesperado por sua atenção, sóbrio, bêbado, ou qualquer derivado, morro aos pouquinhos com nossa distância e estou vivendo para reconquistar você, para ter de volta o seu carinho. Eu estou a sua mercê, Ryan Ross. Eu sinto meu coração expremer quando você fica com outras, porque eu quero que você seja meu. Porque eu quero cuidar de você , pra ninguém mais ferí-lo. Não quero mais brincar... Isso é amor, Ryan?
- Eu não sei, Brendon. É você quem tem que me dizer...
Depois daquilo voltamos a conversar coisas inocetes e beber o caldo do sorvete. Dormimos um nos braços do outro, abraçados, como era antigamente, apesar do clima estranho.
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