Notas iniciais
A mudança na letra de New Perspective é proveniente dessa apresentação em San Diego http:// www.youtube.com/ watch?v=0Jc8vy7lXNQ

VI.

I wanna be paraside from a new perspective.

But leaving now would be good idea

So catch me up on getting another beer.

Tinham se passado algumas semanas que eu tinha escutado a conversa do Ross com Spence. Algumas semanas do meu pedido, em especial, para corrigir tudo o que eu tinha feito, o problema era que Ryan Ross estava sempre ocupado demais com sua guitarra, isolado ou com os meninos. Nunca ficava muito tempo perto de mim. Doía ver aqueles olhos feridos cobertos por uma densa camada de frieza. Tinha muito, muito tempo mesmo, que eu não via aquela expressão de dor com superação em Ryan Ross. Ele não estava sendo frio, só não queria demonstrar nada.

Por outro lado, eu também estava afastado de tudo. Estava evitando festas, fãs, amizades coloridas indevidas. Eu estava querendo pôr minha cabeça no lugar. Uma vez, eu ouvi alguma pessoa – que eu não me lembro o nome – dizer que depois do sexo, nunca mais há amizade. Eu preciso quebrar esse conceito. Eu preciso dos cuidados dele, mesmo sabendo que agora quem precisava ser cuidado era o Ryan.

Reconquiste, Brendon! Vamos reconquiste-o! Era só o que eu tinha em mente. Estávamos no ônibus e todo o clima na banda estava tenso. Nem Zack conseguia amenizar aquilo e olha que sempre que tínhamos problemas, Zack sempre conseguia fazer tudo ser ou parecer bem menor. A tensão ficava bem menos palpável. Ao contrário dos outros dois que tentavam achar solução, eu apenas ficava pensativo. Sabia que tinha que trazê-lo para perto de mim, só não sabia como.

Hayley estava em turnê e por isso quase não a via com tanta freqüência. Confesso, eu estava ficando louco sem sexo, mas estava piorando ainda mais com aquele clima estranho que o Ryan fazia questão de deixar. Estava certo que eu não queria algo levado a sério com Ryan Ross – ou qualquer outra pessoa – mas também não queria dizer que ele não fosse importante para mim. Era meu melhor amigo e certas coisas jamais se esquece.

Íamos rumo a Denver. Faríamos um show por lá. Um ou dois, se não me engano. Depois teríamos umas pequeninas férias – quando eu falo pequeninas, é só um recessinho para descansarmos um da cara do outro e do ritmo agitado de viagens e passagens de som -. antes de voltar ao ritmo agitado de shows, com algumas pequenas mudancinhas. Nada que viesse afetar nosso ritmo elétrico em cima do palco – principalmente eu. Estávamos começando a ficar enjoados de tocar as mesmas músicas.

O hotel era bem legal o único problema é que Ryan estava implicando porque teria que dividir de novo o quarto comigo. Confesso que eu trapaceei para tê-lo comigo. Fizemos sorteio e eu dei um jeitinho de que por puro azar, Ryan ficasse no mesmo quarto que eu. É claro que nenhum dos meninos sabem que eu fiz isso.

Comecei a ter um novo modo de olhar para Ryan Ross. Um moo gélido que desprovia de sentimentos e que doia só de lhe mencionar. Eu parecia sentir que eu não fazia falta nenhuma para o Ryan e era por isso que ele se afastava de mim daquela forma. Ele não queria minha presença, minhas brincadeiras. Não queria ter seus olhos voltados para mim e isso me fazia crer que ele não me amava como disse a Spencer, embora todas as provas apontassem pro oposto.

Confesso que no começo, eu tentei tê-lo de volta pelo coração, mas ele sabia que aquilo era só meu desespero. Ainda não amava ninguém. Nem Ryan, nem Hayley. Eu simplesmente estava com ela – embora pela metade – por não querer ficar sozinho. Quando estava com os meninos, Ryan ria abertamente das piadas contadas por Zack, mas comigo não tinha graça, ainda que eu repetisse as mesmas palavras do segurança.

Hoje teríamos uma entrevista – Ryan e eu apenas – provavelmente para falar de carreira, músicas, possível novo CD e Ryden. Toda maldita entrevista tinha alguém para perguntar sobre nós sermos mais que amigos. De estarmos juntos, como nunca estivemos, de fato. George estava maravilhoso , devo confessar. Seu gosto por roupas sempre me surpreendia e no frio ele usava uns casacos incríveis. Estava bem frio, digo.

Fomos a sala do hotel que estava destinada a entrevista e acabei notando que estávamos rodeados de fãs que começaram a gritar. Acenei, notando que no lugar de água, eu teria Red Bull e Ryan teria um refrigerante. Ele me olhou e negou com a cabeça, sabia que eu depois de uma lata de energético não fico no meu estado normal. Eu estava me sentindo em um talk show e aquilo me apavorou. Eu não estava no clima de um talk show. Sentei numa cadeira, frente a um mini-monitor de DVD e Ryan foi obrigado a sentar-se muito próximo a mim.

- Olá Brendon, Ryan, sou Keith da MTV e nós vamos conduzir essa entrevista de forma diferente.

- Que tipo de diferente? – Ryan perguntou um tanto arredio. Segurei a sua mão numa indicativa para que ele não pegasse tão pesado com a mulher. Não acreditei quando ouvi os gritos que mal me deixariam ouvir o que fora nos perguntado. Tudo isso porque minha mão permaneceu sobre a dele e mais nada. Não entrelaçamos os dedos, apenas sentimos a pele um do outro.

- Liberamos uma câmera para seus fãs na rua e deixamos que eles fizessem as perguntas. – Arregalei meus olhos e depois ri baixinho, para tentar disfarçar o pavor e falta de clima que eu estava para aquilo. Teríamos que encarar uma sessão de fotos depois daqui. – Prontos?

- Sempre! – Falei divertido e Ryan somente assentiu com a cabeça. Mesmo se não estivessemos prontos, seríamos obrigados a dar a maldita entrevista. O cenário de onde fora posto a câmera era de uma foto de quando eu tentava beijar o Ryan. Levava meu rosto ao dele, por trás e ele apenas pendia a cabeça para baixo, escutando alguns pedidos entoados ao pé do seu ouvido. Então entrelaçamos os dedos. Precisaríamos de forças.

A entrevista ia correndo bem, com um clima meio tenso quando se referia a amizade inquestionável que Ryan e eu tínhamos. Nós mentíamos, pelo bem de nossa banda. Díziamos ser amigos irrevogáveis quando na verdade, ele fugia de mim. Nós não tínhamos mais aquela sintonia das outras entrevistas. Estávamos sempre desconsertados, com a cabeça virada para baixo, pouco ríamos, mas brincávamos um com o outro e fingíamos.

- Meu nome é Linda e eu gostaria de saber, de ambos, como vocês lidam com os boatos da existência de um relacionamento sexual e amoroso entre vocês? A famosa ‘Ryden’.

- Hm... – Olhei para o Ryan que assentiu. Era eu o eleito para responder aquilo. Suspirei longamente e dei os ombros – Ryan e eu temos uma amizade muito grande, Linda. Nós só encorporamos nossos personagens e encenamos no palco, não quer dizer que nós, ao sair do palco, comemoramos com um beijo. Não temos mais nada.

- Então você é um ótimo ator, Brendon. – Abri um sorriso quando Keith disse isso. Um sorriso sarcástico e de deboche em agradecimento. – Recebemos milhares de vídeos sobre a Ryden eeu serei obrigada a insistir, já que a resposta do Brendon não foi satisfatória aos meus olhos. Como vocês lidam com os boatos sobre terem um relacionamento afetivo? São mesmo apenas boatos?

Ryan deu uma risada divertida, com um pequeno tom debochado e soltou um dos seus ‘yeah, I don’t know’, apenas para brincar e descontrair a entrevista. Apenas eu ri daquilo porquê eu conhecia aquele tipo de brincadeira do Ryan. Após um tempo rindo, ele se recompôs e disse:

- Eu explico. Não é um assunto que nos agrade tocar, de tanto que nos obrigam a falar. Não existe uma entrevista sequer que deixam de perguntar sobre isso e repetir a mesma coisa toda vez, entedia. Nós não temos nada, apenas gostaríamos que conseguimos ficar no mesmo lugar sem nos comer e que nossas mãos dadas aqui é um gesto de amizade e apoio. As pessoas deveriam acreditar mais no que falamos. – Ironizou.

- Nós dormimos juntos na mesma cama há vários anos e nunca rolou nada. – Falei e Ross coçou o queixo, sem realmente me olhar. Percebi que tinha falado besteira e abri a boca para corrigir.

- Nós dormimos no mesmo quarto, Brendon, em camas diferentes e bem afastadas. – Corrigiu, com ironia para mim.

- Whatever. – Dei os ombros – O importante é reafirmar que são apenas boatos.

- Posso continuar, Brenny Bear? – Assenti, embora fosse ótimo ouví-lo me chamando pelo apelido carinhoso que não me chamava havia semanas. – O Brendon é mulherengo demais para se interessar por um homem, ainda que esse homem seja eu. Você precisa ter um par de peitos bem grandes para poder esfregar nele. Aí você o conquista.

- Eu não gosto tanto de mulher assim, gosto? – Murmurei, apenas para Ryan ouvir. Ele voltou a rir com aquele maldito tom debochador.

- Pergunte a Hayley, oras. – Ryan falou, encolhendo os ombros – Ficou satisfatório para você, agora, Keith?

Não sei dizer como Ryan encerrou aquela entrevista. Pouco me interessei em saber depois daquilo. Eu estava concentrado em umas palavras nas palavras que ele tinha dito e que tinha me ferido muito: “O Brendon é mulherengo demais para se interessar por um homem, ainda que esse homem seja eu.” Eu não sou tão fácil assim. Eu não resisto, digo, mas também não é só ser mulher para dormir comigo.

Saímos da entrevista, eu ainda tinha as mãos dadas com o Ryan, porém foi só a repórter virar as costas e o guitarrista soltou minha mão bruscamentee caminhou vários passos a minha frente. Resmunguei irritado e acabei indo direto para o quarto.

Tomei algumas latas de Red Bullaté a hora da passagem de som. Confesso que não estava em meu estado normal e Ryan estava se arrumando demais. Aquilo me deu um certo pavor, mas eu tentei guardar aquele sentimento para mim.

- Vai sair? – Perguntei, reprimindo uma brincadeira com segundas intenções – Temos show hoje, sabia?

- Depois do show. – Encolheu os ombros – É festa da FBR. Todos vão para lá, até mesmo você.

- Eu? – Dei os ombros, também o olhando – Não, eu vou vir para casa depois do show.

- Não me importo. – Falou, depois de cerrar o punho. Eu poderia apostar e ganhar que ele ia fazer uma brincadeira do tipo “Você rejeitando festa, Brendon? Você está doente, cara?” – Só fica com o celular ligado, okay? Se eu trouxer alguém pra cá eu aviso para você desempuleirar do meu quarto.

- Está sendo arredio por quê? – Arqueei a sobrancelha e ri para mim mesmo. Era uma história estranha, uma inversão de papéis ridícula. Eu nunca imaginei que ouviria ele, Ryan Ross, com aquela arrogância toda dizendo que traria alguém. Aquilo me apertou o peito. – Eu nunca falei desempuleirar pra você.

- Você sempre dizia: desempuleirar, sumir, sai, desenfeta... – Encolheu os ombros. – Quer mais, Brenny? Vai pro banho que você tá atrasado.

- E você para de tentar ser eu.

Fui ao banho e demorei propositalmente até que Ryan viesse bater a minha porta dizendo que o roadie já estava parindo um filho com meu atraso. Encolhi os ombros e parei meus olhos em cima da cama. Não estava minha roupa lá. Ele não tinha separado aquilo foi estranho e doloroso. Ouvi um resmungo de reclamação do Ryan e me troquei em sua frente. Ross me fez uma maquiagem rápida e quase afundou meu rosto com tanta indelicadeza. Aquele não era o Ryan Ross que me amava, era o que eu tinha ferido.

Num maldito impulso, segurei-o com força e fechei a porta por onde ele estava prestes a sair. Era minha última tentativa desesperada de me aproximar de Ryan Ross de novo. Escutei o estralo que suas costas fizeram ao bater na madeira da porta e ele grunhiu dolorido:

- Viado! – Exclamou, enquanto tentava se soltar. – Brendon, pára.

- Por favor... – Pedi, murmurando. Encostei meus lábios em seu lóbulo e senti sua respiração falhando. Eu conseguia rendê-lo com facilidade. – Me ouve.

- Eu tenho um par de ouvidos, Brendon. – Disse, arredio enquanto me empurrava para longe. – Agora sai!

Quando se desvencilhou, bateu a porta em minha cara. Relevei. Eu não ia mais tentar me aproximar, não ia mais buscá-lo. Talvez ele só quisesse saber que seu posto em minha vida não era de um erro ou de mais um em minha lista. Ryan Ross não era algo em minha vida para ser corrigido.

Ryan Ross é único. Ryan Ross foi simplesmente ele mesmo. Simplesmente Ryan Ross e suas manias. Ryan Ross e seus exageros. Ryan Ross e sua facilidade terrível de me machucar. Simplesmente Ryan Ross e sua intensidade de sentimentos, de atos, de vida. É ele quem mostra às pessoas como deve ser a vida.

Fomos para o show e lá eu tive mais um surto de implorar por atenção, tentei beijá-lo. Deixei o microfone atrás do corpo e fui até ele. Quando nossos lábios estavam muito próximos, eu pedi, implorei e consegui, ainda que muito de leve, nossos lábios se tocasse. Cheguei a tocar com mais empolgação depois daquilo.

Confesso. Não estava mais importando em viver de migalhas.