Let Me Correct It
1 Capítulo 1
I.
Abri a porta do quarto, eram mais ou menos meia-noite e qualquer coisa. Eu tinha um sorrisinho cínico estampado no rosto. Aqueles sorrisos de quem gosta de aprontar e não nega. Quem estava batendo era Ryan, com certeza, viria falar qualquer futilidade sobre o que ele e os meninos iriam jantar naquela noite. Eu preferia continuar jantando na minha cama.
- O que quer? – Perguntei, sem deixar de esboçar aquele sorrinho.
- A gente vai pro bar do Peter agora, aproveitando que estamos em New York... – Falou, baixinho. A menina veio até mim e me abraçou pela cintura. Escondia seu corpo nu em minhas costas largas e eu escondia minhas partes na porta. Ross desviou os olhos e falhou no meio da frase. – Q-quer ir?
- Quem sabe mais tarde. – Juntei uma de minhas mãos com a da garota e ela me acariciou. – Só isso ou quer entrar? Fazer a três é uma delícia.
- Não, Brendon. – Encolheu os ombros – Divirta-se.
Fechei a porta assim que o perdi de vista. Dei um novo sorriso cínico para a garota – que sinceramente não me importava o nome -, e voltei a beijá-la de forma voraz. Choquei-a contra a porta e fiz questão de ficar por ali mesmo, já que a cama estava muito longe.
Suas mãos enroscaram em meus cabelos e me puxou, deixei um risinho escapar com os pensamentos desafortunados que invadiram minha mente. Foi incrível, confesso, mas só por uma noite. Amanhã seria um novo hotel, um novo jantar com um novo prato principal e quem sabe, alguma sobremesa.
Acordei eram umas três e meia da manhã, a garota respirava em minha pele enquanto dormia com a cabeça encostada no meu peitoral. Apesar do escuro, pude ver que era Ryan chegando e me repreendi mentalmente por ter esquecido que aquele quarto também era dele. O ouvi me xingar de um nome sem importância e encolher os ombros ao me olhar. Provavelmente achava que eu estava dormindo. Eu podia ver claramente sua expressão decepcionada e sua respiração falha, talvez de raiva. Eu sempre me esquecia que estávamos dividindo o quarto e sempre me esquecia que uma hora ou outra ele me veria, ou teria que aturar o cheiro e o ardor de sexo que eu deixava.
Sua respiração se normalizou com um suspiro e eu me ajeitei na cama, ficando de conchinha com a menina. Encaixei meu rosto entre o ombro dela e nos aproximei ao máximo. Ouvi pequenos e tímidos passinhos em minha direção e tornei a dormir, com uma carícia desajeitada e doce em meus cabelos. Eu sabia que Ryan Ross cuidava de mim até quando eu me esquecia dele.
Os raios do sol me impediam de dormir. Apalpei a cama atrás de um carinho e não tinha ninguém mais lá. Provavelmente o roadie já tinha dado um jeitinho de tirar a menina de perto de mim. Era sempre assim: eu dormia com uma garota e acordava sem ela. Recusei-me a abrir os dois olhos, embora o maldito sol batia bem em meu olho.
- Breeendon. – Ross chamou, acariciando meus cabelos. – Acorda, man. Temos que ir agora.
- Só mais cinco minutos, Ry-aaan. – Desviei, desvencilhando minha cabeça da carícia. Ouvi um suspiro e, conhecendo o Ross ele tinha girado os olhos. Levantei contra minha vontade, mantendo os olhos fechados. – Pronto, já levantei. Já levantei, seu malvado.
- Preguiçoso. – Rosnou e eu sorri. Rumei ao banheiro ainda meio sonolento, meio manhoso.– Abre os olhos, Brendon, você vai acabar batendo a cabeça.
- Ryyyan. – Arrastei o seu nome e ele resmungou um ‘Hmm’ perto da porta. Regulei o chuveiro na temperatura que eu gostava e sorri para mim mesmo. Estava sem nenhuma roupa mesmo então me joguei dentro do chuveiro. Ouvi duas batidas na porta e então me lembrei que o tinha chamado. – Ryan, faz minha mala?
- Eu já fiz, preguiçoso. –Riu e eu fiquei feliz ao ouvir aquela risada. George não ficava de bom humor quando eu trazia pessoas para nosso quarto. Eu sempre me esquecia de pedir um quarto em separado para mim. – Eu vou descer enquanto você se troca. Deixei sua roupa em cima da cama e vou levar suas malas lá pra baixo.
- Okay, Mr. Ryan Ross. – Brinquei, continuando o meu banho lentamente. Eu sabia que o roadie logo entraria e me tiraria daquele hotel ainda nu. Ao terminar meu banho – quase uma hora depois, porque a poeira texana não queria sair de mim e olha que já tinham três meses que tinhamos ido ao Texas -, vesti a camiseta e calça jeans que Ryan tinha deixado para mim. Apenas baguncei os cabelos, já que minha mala não estava mais comigo. Pus os óculos e mandei um beijinho para meu reflexo do espelho. – Brendon, como você é gostoso.
Ouvi meu celular tocando e atendi completamente sem ânimo. Do outro lado da linha era o roadie do Panic! at the Disco, parindo um filho por minha demora. Esfumacei a maquiagem amarela em torno dos olhos enquanto falava apenas ‘anrram’ para o homem desesperado. Percebi então, em cima da cômoda um bilhete escrito com batom; era um número de telefone, um nome e um ‘me liga quando quiser, Brenny.’
Coloquei meus óculos e o bilhete de qualquer forma no bolso da calça e desci. Me obrigaram a ir de escadas, já que o elevador estava em manutenção. E por acaso pela manhã era hora de parar o elevador para manutenção? Apesar que um pouco de exercícios não faria mal para ninguém e só me deixaria um pouco mais atraente. Quando me encontrei com os meninos, atendi algumas fãs – que para minha sorte estavam ali e isso ia impedir os surtos do roadie – e segui para o ônibus. Voltei a dormir na área destinada às beliches. Sequer sabia para onde ia, mas a menina realmente tinha me cansado.
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