Let Me Be The One
1 ... Who will taste your life
Notas iniciais
–Foi mal, Kanda, mas conto com você por agora... – Johnny retirava-se de perto do moyashi, a fim de cochilar enquanto eu fazia seu papel. O papel de confiar plenamente nesta criaturinha adormecida.
Diabos.
Diferencio-me dele justamente por falhar neste enredo. Acreditar em um cara que oculta um Noé dentro de si ultrapassava minha aptidão. No entanto era inútil contrariar. Acenei positivamente, tomando seu lugar.
Tédio.
A impaciência tomou conta de mim. De fato não era uma tarefa que eu pudesse exercer. Agora, mais do que nunca, meu respeito por Johnny era digno; incrível um cara prestar-se a isso. Somente sua presença transpassava confiança a este ser.
Que seja.
Horas passaram; adentrando a noite, dei-me por mim deitado sobre o colchão do moyashi. Havia pegado no sono. Estava rigorosamente diferente do que eu costumava ser, ou agir.
Observei-o dormir por alguns instantes. Nunca parara para fitá-lo deste jeito; sequer o olhei nos olhos com precisão.
Sofrimento, medo, aflição. Foi o que consegui detectar vindo dele. Sequer uma gota de ódio. Isso me enlouquecia. Como alguém que fora traído, enganado; não derrama uma pitada de ódio?
–Argh.
Cocei o cenho enquanto perdia-me na aparência dele. Reparei que acariciava seu rosto com as costas de uma das mãos. Ele mantinha a maldita expressão melancólica que me emputece.
Cursei seu rosto com o indicador, pausando-o sobre seus lábios. Entreabri-os vagarosamente, notando seus dentes cerrados. Movendo seu maxilar o obriguei a abrir a boca.
Maldito. Atraia-me como ninguém jamais conseguira nessa vida. Continuei brincando com seus lábios, enfim tomando sua língua. Examinava sua boca ao mesmo tempo em que analisava seu corpo. Estava crescido. Não era mais aquele moleque com quem eu podia tirar sarro.
–Tsc. Droga.
Aproximei-me, já não contendo meus atos, depositei-o um selinho.
–Hmm... –parecia cochilar; virou-se de lado.
–Tch, não foge. –o trouxe para mim novamente, grudando-me àqueles lábios. –Que foi, hein? –notei que lágrimas surgiam de suas pálpebras. –Bobo, já deixei claro quem vai tirar sua vidinha. –cheguei em seu ouvido. –Somente eu posso tê-la. –finalizei sussurrando, quase imperceptivelmente. –Então não se preocupe.
Notas finais
Triste isso, hm?
Espero que tenham curtido; eu provavelmente não postarei mais nada...
Yullen for life! ♥
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