Let It Burn
4 Insaciável
Notas iniciais
Ouvir a voz abafada do meu irmão feria-me. Ele era tudo o que eu tinha e saber que ele está triste me deixava despedaçada. Tentei manter a calma, precisava saber se ele queria falar comigo ou não.
— Onde você está Ayme? Pelo amor de Deus, me responde! Eu to preocupado porra... Você tá chorando? MEU DEUS AYME, COMO VOCÊ TÁ?
Eu não conseguia responder, dei mais uma tragada e falei:
— Eu estou bem, estou em HB. Por favor Matt, não briga comigo.
— Meu Deus, o que você fez pra mãe ficar tão brava contigo?
— Não tem como te contar por telefone, cara. Eu to na casa do Zacky, cheguei hoje a tarde... Só por favor, me promete que não vai contar pra mãe onde eu to? Eu to aqui, vou reconstruir a minha vida sem a ajuda deles. Pra mim, eles morreram.
— Como você vai se manter aí?
— Não sei. Vou procurar um trabalho e alugar uma casa, preciso ver isso ainda.
— Ok. Preciso resolver umas coisas, amanhã eu te ligo pela manhã, ok?
Consenti, me despedi e desliguei. Fiquei sentada ali por mais algum tempo; horas quem sabe. Quando os cigarros que estavam no meu Box acabaram, peguei meu isqueiro e meu celular e fui para o quarto. Tomei um banho rápido, vesti uma roupa confortável e fui dormir (lê-se: pensar). Eu estava decidida: pela manhã, voltaria a ser a velha Ayme problemática de sempre.
▬
Raios do sol californiano iam diretamente em direção ao meu rosto enquando eu dormia. Virei para o lado e sinto a presença de mais alguém na minha cama.
— AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH!
Ouço risos de uma voz conhecida, familiar... Meu Deus!
— Matthew Sanders, como veio parar aqui?
Pulei no colo dele, dando muitos beijos na bochecha dele.
— Me ame um pouco menos, Ayme. – Riu, sarcástico. Eu vim aqui cuidar de você minha pirralha.
Eu não conseguia pensar em outra coisa a não ser abraça-lo. Ele me abraçou muito forte, quase quebrando meus ossos.
— Ayme, você tem noção do que eu senti quando vi ela fazendo aquilo? Eu senti tanta raiva dela, mas tanta raiva... Tive que me controlar para continuar lá. Eu não tinha notícias sua, liguei pra Louise, mas ela não me atendeu... Eu fiquei apavorado!
— Meu Deus Matt, você não precisava fazer isso. Meu Deus, eu te amo tanto!
Conversei por quase toda a manhã com ele e ele me disse que havia vindo para ficar. Ele era mais velho que eu e já tinha em mente sair da casa de nossos pais. Disse-me que iríamos alugar um lugar para morarmos e arrumaria um emprego também. Ele e os meninos voltariam com a banda e montariam o lugar de ensaios na nossa futura casa.
Eu não tinha o que falar á Matt. Eu era fria e calculista com outras pessoas, mas com ele, era diferente. Eu o amava de todo o coração e daria o mundo por ele. Nossos pais sempre trabalharam muito e, desde pequenos, éramos obrigados á conviver e ajudar um ao outro, o que criou um vínculo muito forte entre nós.
Depois de meio-dia, saí com ele ver casas e tratar os assuntos da volta da banda. Os meninos combinaram de fazer uma festa para comemorar a volta de Matt à noite.
Fomos para a casa do Porpeta, onde ficaríamos até o final de semana. Tomei banho, me arrumei e esperei que Matt ficasse pronto. “Esse cara demora mais que noiva para se arrumar véi...” pensei comigo. Quando ele enfim desocupou o closet, fiz uma maquiagem com o olho bem marcado e batom vermelho. Saí do banheiro, fui em sua frente e perguntei como estava.
— Porra Ayme, tá muito foda! Mas já vou logo avisando que se algum daqueles pivetes se atreverem contigo, eles estarão fodidos comigo!
Rimos. Quando deu 19:40h, Zacky disse-nos que estava indo e nós descemos com ele. Quando me viu, me olhou de cima a baixo, me fazendo corar.
— Porra, Matthew. Tenho pena de ti.
— Por quê?
— Ter uma irmã gostosa dessas deve ser difícil.
Dei um tapa na cabeça de Z. Matt ficou bravo na hora, mas depois entendeu a brincadeira. Saímos da casa dos Baker em direção à mansão do Papa Gates, onde seria a tal festa. Quando chegamos lá, já haviam muitos carros na frente da casa. “Pelo jeito, Haner chamou toda a cidade”.
Desci do carro e entrei logo atrás de Matt, fomos direto para a sala de estar, onde todos os outros meninos estavam. Não foi difícil ver o poste atrás de umas groupies no canto da sala. Saí correndo e sem modo algum, pulei nas costas de Jimmy.
— Minha princesaaaaaaaaaaa! – Ele me segurou e me rodava sem parar.
Comecei a rir descontroladamente do jeito dele. Ele continuava rodando, eu estava ficando tonta! Comecei a dar socos leves no seu peito e pedir que ele me colocasse no chão. Quando ele finalmente o fez, eu o abracei muito forte e fiquei por ali conversando com ele. Essa noite promete!
Brian Haner narrando.
Eu estava sentado na varanda quando a vi chegando. Confesso que, no dia anterior, quando ela esteve no meu apartamento, não havia reparado tanto nela. Seu corpo tinha formas perfeitas e a única coisa que eu pensava era em como eu fui burro de não aproveitar quando eu a tinha. Ela entrou na sala de estar e eu a perdi de vista.
Senti braços me envolverem. Braços finos, perfume enjoativo... Michelle!
— O que você ta fazendo aqui?
— Vai falar assim comigo agora, meu amor?
— Eu não te chamei pra festa.
Michelle saiu brava, eu não me importava. Minha mente só concentrava-se na imagem de Ayme. “Vou pegar ela essa noite, ou eu não me chamo Brian Haner.” Afirmei a mim mesmo.
Joguei meu cigarro e fui até a sala, onde ela estava. Cumprimentei Matt e o gordo e sentei no sofá, de onde eu podia vê-la. Ela se jogava no pescoço do poste, com a maior intimidade... Aquilo já estava me dando ânsia! Saí dali e fui pegar uma dose de Absinto, mas não conseguia tirar os olhos dela, tinha algo nela que me despertava um desejo desconhecido até então.
Comecei a beber doses, várias delas. Já havia perdido as contas de quantas eu havia tomado quando tomei coragem e fui falar com ela. Passei por ela, mas ela nem me notou. “DROGA! Por que eu to me humilhando por causa de uma garota? É SÓ MAIS UMA GAROTA!” pensei.
A filha de Erick – amigo do meu pai – já estava muito bêbada quando veio falar comigo. “Presa fácil”. Perguntei se ela queria subir conhecer os cômodos da casa e ela aceitou... “Foda-se a Ayme, é só mais uma garota por quem eu me senti atraído, logo passa”.
Ayme narrando.
Olhei para trás e vi Haner subir para o andar de cima com Audrey, ex namorada do meu irmão, uma puta assumida. “Cretino, canalha. Não perde uma chance de comer uma buceta! Filho da puta!”.
Fiquei muito irritada com aquilo e fui pegar uma dose de vodka. Desisti. Peguei o litro todo de vodka e fui me sentar perto da piscina, onde não havia quase ninguém. Peguei um cigarro da minha bolsa e acendi. Intercalava tragadas e goles. Eu já havia bebido um pouco e aquela vodka tava me dando uma vontade quase irresistível de dançar. Minha musica preferida começou a tocar, tirei meu salto e comecei a dançar ali mesmo. À medida que ia dançando, o calor me dominava e eu ainda ia tomando um pouco de vodka. Tive vontade de dançar por toda a noite. Musica após musica, eu ficava cada vez mais animada até que subi sobre uma mesa e comecei a dançar. Todos os olhos se voltaram pra mim, mas eu não dava à mínima; estava me divertindo como há muito tempo não me divertia!
Pouco tempo se passou até que eu consiga avistar Jimmy e Haner vindo em minha direção, com cara de furiosos. Continuei dançando, quando de repende, eles me puxam da mesa e tentam me levar para dentro. Me esquivo deles, pego minha garrafa de vodka e vou em direção ao quarto de Brian, continuo bebendo. Me joguei na cama de Haner e sinto ele tirando meu colar e meu casaco desconfortável.
Ele se deita ao meu lado. Meu nível de alcoolização é muito alto. Eu sentia necessidade de colar sua boca na minha. Subo em cima dele e começo a beijá-lo, sem ter a mínima noção de porque eu estava fazendo aquilo.
Nesse momento, Michelle abre a porta.
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