Let It Burn
25 And All Things Will End
Notas iniciais
Unicorn Blood: Pra vocês verem a consideração! HAHAH
Comburet: Shiu! HAHHA
Ainda temos o epílogo, que sai essa semana, junto com os agradecimentos, meus amores.
Vou sentir muita falta da Ayme, nháa ):
Beijos da Comburet e da Unicorn Blood. Tomara que gostem desse capítulo que fizemos com tanto carinho!
Apaguem á luz e boa leitura. (Á pedidos da minha loirinha).
POV Narrador.
Desnorteado. Era assim que Brian se sentia. Todas as expectativas que ele tinha foram quebradas e jogadas fora.
Caminhou até o seu carro e se sentou em cima do capô, erguendo os pés sobre ele também. Seus dedos se entrelaçaram em seu cabelo e lágrimas desciam involuntariamente por seu rosto. A tristeza maior vinha quando ele se lembrava do que já havia a feito passar.
— Diabos, é tudo culpa minha! – Gritou o homem.
A mão de seu pai afagou com afeto seu ombro. Ambos estavam decepcionados e intrigados, preocupados.
— Você conhecia James o suficiente. Sempre fora seu melhor amigo... Vamos, Brian. Busque em sua memória qualquer tipo de lembrança, qualquer tipo de vestígio que possa indicar o paradeiro dela.
O mais novo compreendia a apreensão do pai, mas nem ao menos isso sua cabeça conseguia fazer e era exatamente isso que o frustrava. Desde os tempos de menino, eles eram melhores amigos e, agora, Brian nem ao menos reconhecia a personalidade do outro. Tornou-se tão frio, distante, calado. Ambos deixaram de se interessar pela amizade e tomaram rumos diferentes... Isso até Ayme voltar.
— James vai contar á ela.
— Sobre o que? – O mais velho ergueu uma sobrancelha.
As mãos tatuadas puxaram ainda mais fortemente os cabelos negros, muitas outras lágrimas escorreram. A culpa que o assolava era imensa.
— Sobre a Michelle. Ele vai contar á Ayme que eu ainda me encontrava com ela. Ele sabe de tudo!
— E por que diabos você fazia isso, seu imbecil? – Disse o Sr Haner, enfurecido.
— Miche não largava do meu pé! E, além do mais, ela é gostosa pra caralho, pai. Mas a Ayme nunca ficaria sabendo, isso não atrapalhava em nada o que eu sentia por ela. E pensar em tudo que eu fiz á ela antes, quando Matt mandou... Ela nunca vai me perdoar!
— Pois é muito bom que não perdoe! Eu mesmo a arrasto de você quando a acharmos. Grande estúpido! Ela não merecia uma coisa dessas!
— Eu sei!
O rosto do mais velho estava furiosamente vermelho, as mãos fechadas em punho. Não acreditava que seu filho fosse cafajeste á tal ponto.
— Eu nunca esperei uma coisa dessas. Não vinda de você, Brian, que eu criei com tanto carinho, que eu ensinei como você deveria tratar uma mulher. Sua mãe deve estar decepcionada contigo.
O velho entrou no carro e girou a chave na ignição, fazendo o motor rosnar para Brian, que pulou de cima do carro e entrou no mesmo, sentando-se no banco do passageiro. Assim que o fez, o carro acelerou rumo ao centro da cidade, traçando o mesmo caminho que havia feito pouco tempo atrás.
POV Ayme.
— Filha da mãe! – Gritou Zacky, retirando sua mão da boca de Ayme após a forte mordida.
— ME SOLTA ZACHARY! ME SOLTA! ELES ESTÃO INDO EMBORA!
— Você está louca, sua cretina?
— Eu te odeio! Como teve coragem de trair a confiança de todos? Nós te ajudamos, Zachary! Nós trouxemos você da Califórnia e... ARGH!
Zacky ignorou-me, virou as costas e saiu da sala. Me joguei com força contra a porta, que não se moveu. Apenas o estrondo do impacto que meu corpo fez ao se chocar na parede fora perceptível.
Eu sabia que Synyster estivera ali, no piso superior. Ouvi sua voz e a de Papa e, logo depois, o ronco de seu carro se distanciando. Assim que perceberam a visita deles, Zacky e o menor entraram na sala e me impediram de gritar ou fazer qualquer outro sinal alarmante.
Sim, James era esperto e estava jogando com o subconsciente de Brian. Estivera ali o tempo todo, mas confundiu a mente do Syn para que ele acreditasse realmente naquele maldito bilhete que o vi escrevendo em cima do pequeno criado mudo.
Chutei a parede e depois me encostei-me a ela, deslizando devagar até que meu corpo tocasse o chão. Faminta. Suja. Sem saber exatamente onde estava. Sem saber o que fazer.
Meus olhos, inquietos, percorreram todo o local e se deparam com um objeto que eu não havia visto até aquele momento. Me arrasto até o outro ponto do cômodo e seguro em minhas mãos a caneta prateada que estava caída no chão, rabiscando palavras na parede, tentando colocar para fora a angustia que assolava-me a alma.
Lembrei então de Brian e seu rosto enigmático, suas orbes castanhas hipnotizantes, que me faziam amá-lo cada vez mais. Comecei a escrever sobre ele e sobre o que sentia por ele, sobre o quanto sua presença ali amenizaria tudo.
Era quase inconsciente. Uma rotina momentânea. Minha mão movia-se quase em sincronia com as lágrimas que pendiam de meus olhos. O sentimento de angústia, por maior que fosse, não sobressaía pelo amor que eu sentia por ele.
Após terminar, o resultado me assombrou. Não parecia uma mera exposição de meus sentimentos, mas uma carta de despedida para a pessoa que mais amei na vida, a única por quem eu fui capaz de fazer coisas inimagináveis. A pequena Ayme, que levava consigo uma armadura de ferro foi transformada em alguém forte de verdade, capaz de deixar de lado a própria essência por alguém que foi capaz de mudar o meu ponto de vista sobre certo e errado.
Alguém que me ensinou que errado é aquilo que te faz mal.
POV Jimmy.
Filho da puta. Não existem palavras que expliquem a raiva que eu sentia por aquele ser deplorável. Como ele conseguiu a trair? Brincar com o coração da menina mais encantadora que eu já conheci nessa merda que eu chamo de vida?
Afundei ainda mais meu pé no acelerador, deixando que a nuvem de poeira cegasse qualquer um que estive atrás de mim.
“Merda. Merda. MERDA!” – Gritei mentalmente ao ver o Mercedes C300 prateado passar na direção contrária á que eu seguia. Minhas mãos buscaram o telefone móvel no compartimento frontal do carro e discaram o numero de Zacky desesperadamente.
— Atende caralho! – Disse enquanto tudo que meus ouvidos ouviam era o zumbido automático de chamada em espera.
— Fala, poste.
— Vá pro inferno, Zachary. Eles chegaram aí né? Você é um filho da mãe! Não mandei me avisar se eles aparecessem? Você não presta pra nada, rolha de poço!
— Oh, calma car...
— Não me manda ter calma, filho da puta! – Girei o volante ferozmente enquanto fazia a última curva que dava acesso á velha casa de madeira.
— Mas eles só vieram até a sala e caíram feito patos naquele bilhete ridículo – Zacky riu.
— Além de tudo ainda zoa os meus patos? Vai te foder, filho da mãe!
Desliguei na cara de Zachary e estacionei o carro rapidamente em frente á velha casa que já era bem conhecida por mim. Adentro-a violentamente, encontrando pedaços do papel que eu havia deixado sobre a mesa. Sacudi a cabeça, pensando em como aquele gordo poderia ter estragado tudo.
Desci as escadas do porão rapidamente. O lugar escuro não era o melhor lugar para se estar, mas saber que a minha menina de olhos claros estava ali já tornava-o mais abrasador. Com um forte impulso, abri a pequena porta, me abaixando levemente para passar por ela.
— Abra a porra da porta e me traga aquela maldita algema, gordo imprestável.
Os olhos do mais baixo voltaram-se para baixo, caminhando lentamente pelo aposento em direção ao velho armário que ficava ao lado das duas cadeiras, onde ele e Johnny estavam sentados horas atrás. Remexeu a gaveta e finalmente encontrou as algemas que eu lhe havia requerido. Trouxe-as até mim e jogou-as junto com as chaves da porta.
— Se vira. To saindo dessa.
— Vai. Mas não precisa voltar.
Zachary puxou sua jaqueta, que estava apoiada sobre o criado mudo. Minhas mãos alcançaram a arma em minha cintura simultaneamente.
E pronto, estava feito. Quase todos os meus problemas estavam resolvidos. Com o gordo fora do caminho, eu podia levá-la para onde eu desejasse.
Flashback on.
Imprestável, traidor. Ao ver aquele filho da mãe virando as costas á mim, esquecendo tudo que eu fiz por ele, minha raiva agiu de maneira mais forte que a própria razão. Minhas mãos, inconscientemente, puxaram o revólver de minha cintura. Minha mão foi projetada contra seu pescoço, adquirindo força com a velocidade do impulso. Um golpe rápido e certeiro, que o fez cair no chão, toda força que antes seus músculos possuíam agora dissipava-se em sua inconsciência.
Flashback of.
Me abaixei e o empurrei para o lado, para que tivesse livre acesso de entrada e saída do tal cômodo. Juntei as pequenas chaves do chão e, logo depois, abri a porta, me deparando com o corpo desfalecido pelo cansaço. A pele branca que eu tanto amava estava agora manchada de um vermelho escuro quase marfim. O sentimento de tristeza dissipava-se lentamente enquanto o de vitória sobressaía sobre o outro, sabendo que, finalmente, ela era minha e estava em minhas mãos, para que eu finalmente pudesse cuidar dela da forma que ela merecia.
Recolhi seu lindo corpo em meus braços e caminhei apressadamente até o carro, colocando-a no banco de passageiros enquanto ela desperta preguiçosamente.
— Onde eu estou?
— Vou te levar para um lugar seguro, amor.
— Não me chame de amor, cretino! Eu quero ir embora!
— Ei! Calma aí mocinha. Você não vai á lugar algum!
— Vamos ver! O Syn ta muito perto de me achar e, quando ele o fizer, você vai se foder!
Senti a dor gélida em meu peito. Ouvi-la falar dele daquela forma era deprimente. Saber que ela se doava tanto para alguém que a traía...
— Você não sabe um terço de toda a história...
— Que história? – Pergunta ela, curiosa.
— Dele e... Michelle.
Os olhos da garota voltam-se para baixo, acumulando várias lágrimas ao relacionar as lembranças com o que acabara de ouvir.
— Não! É...
— Não diga impossível se você valoriza o que me resta de minha sanidade mental, Ayme. Você sabe muito bem que todas aquelas saídas inexplicadas, agora, fazem sentido.
O silêncio reinou no carro. O ruído do motor era a única coisa possível de se escutar.
— Para onde estamos indo? – Ayme pergunta, enxugando as lágrimas que ainda escorriam em sua face.
— Não sei exatamente. Eu queria te deixar... Feliz.
— Não é dessa forma que vai consegui-lo.
— Mesmo assim. Que lugar te deixa contente, moça? – Falei, engolindo em seco o fato de ela ter dito, entre linhas, que minha presença perturbava-a.
— A Torre Eiffel.
Assenti, acelerando ainda mais. Um bolo em minha garganta passou a se formar.
— James... – Disse ela.
— O que?
— Você, um dia, sentiu algo por mim? – O par de olhos claros levantaram-se, encontrando os meus, fazendo-me distrair da estrada por alguns instantes.
— Eu... — Minha frase foi interrompida quando eu olhei pelo retrovisor e vi o Mercedes perdendo-se na poeira. – FILHOS DE UMA PUTA!
Girei o volante e entrei em uma estrada pela qual havia passado apenas algumas vezes.
— O que você está fazendo? – Gritou Ayme, desesperada.
— Parece que seu príncipe veio lhe buscar. – Digo sem olhar para ela, mas pude perceber que ela abaixou a cabeça e voltou a pensar em tudo que eu havia lhe dito.
A velocidade do carro se eleva ainda mais, chegando á 180km/h. O carro praticamente voava pela estrada pouco movimentada. As poucas placas que haviam ali já não podiam mais ser vistas por mim. Tudo que eu queria era encontrar um lugar seguro onde minha menina pudesse ficar á salvo daquele monstro.
Olhei para Ayme, que estava retraída no banco, escrevendo algo em seu celular, que parecia ser uma mensagem, esta que eu não tive tempo de prestar atenção. Voltei minha atenção para o retrovisor, percebendo que o carro estava cada minuto mais perto do nosso.
Desviei a atenção para a minha pequena, que estava aflita e chorando. Cada lágrima que escorria pelo seu rosto assolava-me o coração de forma impiedosa. Logo eu, que tudo que desejava era vê-la bem, estava fazendo-a chorar.
Seus dedos movimentam-se pelas ultimas vezes, apertando um pequeno botão em seu celular, aparentemente enviando a mensagem que digitava anteriormente.
Não sei á quem, não sei o que. Mas a mensagem parecia realmente importante á ela.
— No final das contas, você tinha razão. – Ela enxugou o rosto novamente.
— Sobre o que?
— Sobre ter o domínio sobre mim. Desde o momento que eu vi seus olhos naquele hotel, eu senti como se fosse meu anjo me carregando. E quem sabe, realmente fosse. Meu anjo ás avessas.
Meus olhos encontram os dela, de forma apaixonada.
— Sobre a pergunta que você fez mais cedo... Sim, eu sempre te amei.
Seu corpo impulsionou-se contra o meu e seus lábios tocaram os meus, fazendo meus olhos se contraírem. Talvez distração não seja a palavra certa para descrever o que houve naquele momento. Talvez eu nunca encontre palavras certas para descrever o que eu senti.
De qualquer forma, aquele momento surreal tirou de nós o bem mais preciso que tínhamos até aquele instante. A vida.
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