Notas iniciais
Paul apareçe com a idéia de fazer um novo albúm e também um filme. Será que dará certo?

Os Estúdios Twickenham estavam agitados naquela manhã. Várias vans chegavam lá trazendo instrumentos e equipamentos musicais, homens posicionavam câmeras e microfones. Em alguns minutos, os Beatles estariam ali, para começar um novo álbum.

Paul McCartney ofereceu a idéia de um “filme” entre aspas. Os Beatles ensaiariam músicas que lembrariam as suas origens do rock and roll. Um documentário mostrando os 4 voltando as suas raízes. Ensaiariam várias faixas, e depois fariam um show, que seria gravado. “Uma idéia muito boa, mas não sei se vai dar certo” disse John. Felizmente (ou infelizmente) Paul conseguiu convencer todos de fazerem aquele projeto.

O baixista foi o primeiro a chegar aos estúdios naquela manhã. Viu o circo sendo montado, e foi falar com o homem que estava coordenando tudo. Sentou-se na mesa e falou com ele.

— Então, como vai indo as montagens até agora?

— Boas... vai ser um belo projeto.

— Com certeza... alô Ringo! – disse ele, acenando para Ringo que estava chegando na porta dos estúdios. Ele viu Paul, e foi sentar-se na mesa também.

— E aí Paul, ai que sono...

— Anime-se Ringo! Temos muito trabalho esta manhã!

— Tudo bem, tudo bem...

— Então diretor – disse Paul, mudando de assunto e virando-se para o diretor – vai dar para fazer tudo o que eu pedi?

— Sim, eu acho que sim... o que você pediu mesmo?

— Olha, eu quero mostrar nesse filme, nossa animação, nosso prazer em fazer música entende. Quero que enquanto estamos tocando aqui no estúdio – Paul começou a fazer gestos com as mãos, para mostrar melhor o que estava tentando dizer – quero que vocês captem o clima legal, e emocionante. Que as câmeras “dancem” junto com a gente, rodem, virem, que usem aquele... como chama?

— Pedestal? – disse Ringo.

— Não, aquele... Close! Sim, close! Eu quero que as câmeras estejam sempre se movendo, enquanto estamos tocando, uma câmera lá do alto vá avançando cada vez mais, focalizando no rosto do Ringo, entende. Mostrar toda a magia!

— Eu entendi, eu entendi – disse o diretor, mostrando que já havia entendido – vamos fazer tudo o que você disse, é uma boa idéia.

Infelizmente, Paul não sabia que as câmeras iriam capturar outras coisas que não eram magia, nem energia.

***

John estava chegando nos estúdios, junto com Yoko Ono. Para ele, tudo aquilo era bobagem. Ele gostaria mesmo é de estar dormindo a essa hora, de conchinha com sua mulher tão amada.

Entrou nos estúdios e seu humor piorou ainda mais. Tudo estava montado certinho, mas estava muito frio, com tudo muito... vazio. Havia algumas luzes projetando cores nas paredes negras, mas isso o deixava mais desconfortável ainda. E viu o que o mais deixava estressado: Paul.

Paul havia mudado ao longo do tempo. Não era mais aquele garoto que parecia “competir” com John, com suas composições e tudo mais. Aquela velha competição para ver quem era melhor já não existia mais, pois John já havia desistido. Desistiu de toda aquela merda dos Beatles, do sucesso, da parceria com Paul, de tudo. O que ele queria agora, era passar o máximo de tempo com Yoko, que realmente merecia sua atenção. E John também via que os outros – Ringo e George – não estavam nada a vontade com Paul. Depois de Magical Mistery Tour, Paul pareceu querer liderar a banda, aproveitando que John começou a se distanciar. John sabia que o baixista queria liderar o grupo desde o primeiro dia que o viu. “Se ele começar a mandar em mim, vou dizer tudo o que penso, e sair de vez dessa porra toda.”

O baixista agora estava tocando uma música dramática no piano. John e Yoko se aproximaram dele, e John disse com um sorriso irônico:

— Boa madrugada Sir. James Paul McCartney – e estendeu a mão para Paul.

— Boa madrugada? Ah John, 8 da manhã não é tão cedo assim.

— Para mim é bem cedo sabe.

— É sei... bom dia Yoko.

— Bom dia Paul – ela disse, com um sorrisinho, e acompanhou John que foi falar com Ringo.

“Esse Ringo! Está com mais sono do que eu!” Falou com o baterista e então Paul disse para todos irem falar com ele.

— Então ta gente, como George ainda não chegou, vamos começar sem ele.

— Começar o que? – disse John

— Primeiro, vamos escolher as músicas que vamos ensaiar e tocar no show. As músicas tem de ser bem...

Paul continuou falando, mas John não prestou atenção em nada. Olhou para Yoko com uma cara de “quero sair daqui!”. Mas decidiu ficar lá, e escutar o que Paul tinha para falar.

***

“É ano novo, temos uma nova abordagem, pode ser legal.” Foi o que George Harrison pensou quando Paul contou a idéia do álbum Get Back. Poderia ser interessante, ensaiar o álbum e depois gravá-lo num show. Por outro lado, seria um pouco chato deixar a música indiana e ficar só no Rock and Roll.

George chegou no estúdio um pouco animado. Então viu que os outros estavam todos reunidos discutindo as músicas que tocariam e tudo mais. “Ah, começaram sem mim.”

- Bom dia George, como vai? – disse Ringo, entediado, sem nem olhar para George.

— Tudo bem, o que estão falando?

— Ah, como você demorou – disse Paul – decidimos começar sem você. Nenhum problema não?

— Não, claro que não – mentiu George, sentando em uma cadeira.

— Então ta – disse Paul, continuando a falar – como vamos ver que música melhor se encaixa no álbum? Qual é a mais apropriada?

— Nós vamos pegar músicas que mostrem nossas... “origens” certo? – perguntou George

— Sim, isso mesmo, bastante Rock and Roll.

— Olha – disse John – vamos tocar todas as músicas disponíveis, então vamos escolhendo, e tal. É só fazermos bases simples, com acordes simples, depois colocamos backing vocals e solos.

— Isso mesmo John! – disse Paul pegando um papel e começando a escrever – vamos fazer isso. Vou escrever várias músicas que temos aqui nesse papel, e vamos eliminando uma a uma, até ficar um número agradável.

Começaram a falar as músicas que tinham composto. George teve de falar 4 vezes a sua “For You Blues” até Paul escrever. No fim, algumas selecionadas foram: Get Back, Don’t Let Me Down, Bang Bang Maxwell, Let it Down, Suzy Parker, Across the Universe, I’ve Got a Felling, For You Blues e Dig a Pony.

Começaram então a tocar as músicas. “Isso vai ser divertido” Pensou George. Ele estava absurdamente errado.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.