Let It Be

8 Capítulo 8


Eu sentia vontade de matar alguém. Trucidar. Picar em milhares de pedaços e depois tacar fogo. Saí bufando pela faculdade inteira, o que fez com que vários alunos pulassem para fora do meu caminho. Eu deveria estar parecendo um psicopata pronto para tirar uma metralhadora da mochila e fazer um banho de sangue. Mas só havia uma pessoa que eu sentia vontade de estrangular naquele momento: Saga.

Eu nem sei o que senti ao vê-lo beijando Mu daquela maneira. Primeiro perplexidade, depois raiva, e então ciúmes. Um ciúmes como eu nunca havia experimentado antes, com nenhuma das garotas com quem já tive rolo, e isso me surpreendeu mais que tudo, porque eu já sou ciumento por natureza, só que dessa vez extrapolou todas as leis da física! (eu sei, não estou fazendo sentido algum).

Eu havia beijado Mu ontem! Como ele também era capaz de, na mesma noite, se agarrar com Saga? Fiquei com raiva e despeito dele também. Ele podia ao menos não ter jogado na minha cara que me achava um idiota e que estava a fim de outro. Ele podia ter... sei lá o que ele poderia ter feito, só achava que havia sido muita sacanagem da parte dele! Talvez Mu não fosse a pessoa que eu achava que fosse. Não que eu queira sair julgando, mas eu estava irritado demais para me preocupar se estaria sendo justo ou não.

O dia passou em branco. Dei aulas de Equações Diferenciais para o pessoal do terceiro semestre de engenharia no automático e depois assisti às aulas de mestrado com a mente longe, enquanto tamborilava os dedos sobre a mesa. Alguns colegas me encararam estafados com o barulhinho chato que isso causava, mas ninguém teve coragem de reclamar.

Quando cheguei em casa, a primeira coisa que fiz foi ligar para o Milo e convidá-lo para ir a algum pub beber uma cerveja. Ou algo mais forte. Eu precisava desabafar com algum amigo, ou acabaria entrando em curto circuito. Obviamente que Milo não se negou. Quando que ele se nega a sair para beber? Me arrumei apressado, aliviado por conseguir sair de casa antes que Mu aparecesse – se é que apareceria – e peguei um táxi até o pub.

Me surpreendi ao encontrar Camus lá também, junto com o Milo. Não que Camus seja um completo anti-social que nunca sai para beber. ‘Tá, ele é um pouco assim, sempre foi fissurado nos estudos, e agora no trabalho na empresa que herdou do pai, mas é que durante os onze meses de namoro dele, eu mal o havia visto. Mas claro que Milo não o deixaria em paz agora que ele estava solteiro. Milo sempre adorou tirar Camus do sério e arrastá-lo para cima e para baixo contra a vontade dele.

“E aí, Aiolia!” Milo veio me abraçar efusivamente, típico de seu jeito de ser. “Que cara é essa? Você está pior do que no sábado!”

“Obrigado.” Retruquei amargamente. “Na verdade, estou precisando desabafar com os amigos.”

“Então estamos no lugar certo!” Milo exclamou alegremente. “Vem, estou sempre disposto a ajudar um amigo, não é mesmo, Camus?”

“Claro.” Camus revirou os olhos por trás dos óculos grossos de grau.

Nós entramos e pegamos uma mesa. As bebidas vieram e nos perdemos em vários assuntos inúteis. Isso porque, na hora de começar a falar, fiquei com receio. Eu estava prestes a admitir com todas as letras, para alguém que não eu mesmo, que sentia atração por outro homem. Isso era um pouco assustador. E se eles se repugnassem comigo? Em algum ponto comecei a ficar nervoso, torcendo as mãos e mal conseguindo engolir a cerveja.

Camus, sempre observador, foi o primeiro a reparar em meu estado de nervos.

“Aiolia, você está passando bem?” Eu o encarei, pálido. “Você parece prestes a ter um ataque de pânico.”

Milo me olhou também e colocou uma mão sobre meu ombro.

“É por causa do que você queria conversar com a gente?” Milo perguntou com tato. Mesmo sendo um idiota falador a maior parte do tempo, quando o assunto lhe parecia sério, ele ficava tão centrado quanto Camus. Eu suspirei pesadamente.

“Eu não sei mais se quero ficar com a Marin como queria antes.” Falei num rompante o que mais me incomodava. Sim, mais do que sentir atração por outro homem, a ideia de magoar uma amiga de tantos anos, que eu gostava tanto, me deixava miserável.

Os dois me encararam com os olhos arregalados por quase um minuto inteiro, até Camus pigarrear e Milo desviar o olhar, com a testa franzida, antes de voltar a me encarar com um ponto de interrogação em cima da cabeça.

“Você se interessou por outra pessoa?” Camus perguntou ao mesmo tempo em que Milo abria a boca, também com alguma indagação na ponta da língua. Eu abaixei o olhar para minha bebida. Seria mais fácil admitir sem olhar diretamente para eles.

“Eu acho que estou interessado no seu amigo, Milo.” Murmurei.

“O Camus?!” Milo exclamou horrorizado, olhando de mim para Camus.

Camus virou um pimentão, enquanto eu revirava os olhos. Eu achando que o fato de eu estar interessado em um amigo o chocaria, mas não, ele estava mais preocupado se era ou não o Camus. Às vezes eu achava que Milo nutria uma paixão secreta pelo amigo ruivo de longa data. Com esse pensamento em mente, senti-me mais seguro para explicar.

“Não, idiota.” Dei um tapa na nuca dele, arrancando-lhe um resmungo indignado. “Estou falando do Mu.”

“Oh...” Camus soltou. “Dá para entender por quê.”

Tanto eu quanto Milo o encaramos como se chifres houvessem nascido na cabeleira ruiva. Camus voltou a virar uma pimenta malagueta e pigarreou antes de virar quase todo o copo cheio de cerveja.

“O que você quer dizer com isso?” Milo perguntou com uma careta emburrada. Passei as mãos pelos cabelos, não sendo esse o rumo da conversa que eu queria ou esperava.

“Bem... eu só quis dizer... ele é bastante espirituoso e... dança muito bem...” Camus explicou gaguejando. Eu lembrei da maneira como Mu dançava e senti vontade de arrancar os cabelos. Péssima lembrança para um momento como esse, eu não queria acabar excitado no meio de um pub cheio de gente!

Milo balançou a cabeça em despeito.

“Eu também sei dançar muito bem, e nem por isso-“

“Hei, vocês querem parar? Estou tentando desabafar aqui e vocês não estão ajudando em nada!” Disse, cortando Milo. Isso pareceu deixar Camus mil vezes mais tranquilo, e ele voltou toda sua seriedade para minha pessoa.

“Então você está a fim do Mu? Mas a fim como? Você se apaixonou, ou é só atração?” Camus perguntou, atenciosamente, sem demonstrar qualquer desprezo ou nojo na voz. Quis abraçá-los por serem tão bons amigos (vou ignorar que Milo estava de braços cruzados com a expressão emburrada).

“Eu... é claro que é só atração. Não teria como eu ter me apaixonado em tão pouco tempo!” Exclamei, revirando de novo os olhos, mas sentindo um gosto amargo subir para a minha boca.

“Isso é culpa da sua abstinência.” Milo falou, já menos embirrado. “Não é a coisa mais incomum do mundo também um homem achar outro bonito. Então, considerando que você está na seca há 81 dias, quando não ficava mais do que três dias sem sexo desde os quinze anos, é normal que uma leve atração se torne algo ainda mais forte.”

“Mas... Eu o beijei e-“

“Você o beijou?” Camus perguntou impressionado. “E como foi?”

“Aiolia, seu depravado!” Milo tentou me bater, mas eu me esquivei. “Não invente de ir abusar do Mu! Ele é uma das pessoas mais inocentes e ingênuas que eu conheço, não é para a sua laia!”

Olhei indignado para Milo. Assim ele fazia parecer como se eu fosse o lobo mau e Mu a chapeuzinho vermelho. Tudo bem, eu admito, eu sempre fui meio cafajeste e galinha, mas em nenhum momento abusei de inocentes ou prometi rios de amor. Sempre deixei bastante claro que não queria compromissos sérios para as garotas com quem eu saía. Não era minha culpa se elas me pintavam de príncipe encantado e depois quebravam a cara, era?

Aí justamente quando eu resolvo me esforçar por uma garota, acontece tudo isso. Talvez fosse melhor eu jogar tudo para o alto e arrumar uma garota para levar para a cama ainda essa noite. Assim amanhã eu estaria pensando com mais clareza e poderia resolver a minha vida. Claro, Marin provavelmente iria querer me matar e eu me sentiria um canalha ainda maior, mas eu poderia me preocupar com isso amanhã. E não me olhem com essas caras de desaprovação! Eu não sou o maldito príncipe encantado! Sou um cara normal, com necessidades normais!

“Eu não sei o que fazer. Vocês acham que eu deveria falar com a Marin? Eu não sei se vou aguentar mais nove dias. E agora o Mu ainda deu para se agarrar com um colega de curso dele, e eu quase cometi um assassinato quando vi os dois se beijando.” Falei, derrotado, batendo a minha testa contra a mesa e me mantendo ali.

“Ciúmes? Então isso é mais do que uma mera atração!” Camus exclamou, olhando para Milo e o desafiando a discordar. Milo ficou surpreso também com a informação.

“Aiolia... vamos ser sinceros, acho que todos aqui sabem como o Mu pode ser... encantador. Eu só não quero que você tome nenhuma atitude impensada e acabe magoando tanto a Marin quanto o Mu. O melhor que você pode fazer é se afastar dele nesses nove dias, pensar bem sobre o assunto e conversar com a Marin...” Milo falou seriamente.

“Obrigado por não acharem estranho eu estar a fim de outro homem.” Murmurei, ainda com o rosto afundado entre os braços.

“Ah,” Milo soltou, subitamente descontraído. “já passei por isso, então para mim não é novidade.”

“O quê?” Camus perguntou assombrado. “Você já... já se sentiu atraído por outro homem?”

Eu ergui a cabeça e franzi a testa para a troca de olhares que rolava entre os dois.

“Já, por quê? Você não?” Milo sorriu insinuante. Camus voltou a parecer constrangido, e eu o encarei também com interesse. Ele demorou a responder, o que acabou com a minha paciência, já que eu sempre tive pouca.

“Vamos lá, Camus. Você está entre amigos aqui, sendo que ambos já admitiram ter sentido esse tipo de coisa.” Falei com descaso. Estava me sentindo mais leve. Falar parte do que havia acontecido e ver que não era coisa de outro mundo como eu pensava que era me deixou bem mais relaxado. As pessoas que mais importavam – meus melhores amigos – não tinham problema com isso, o resto do mundo que se danasse.

“Eu não.” Camus balançou a cabeça, desviando o olhar. Milo fez bico. “Mas não tenho preconceito nenhum. Tenho um tio que é casado com outro homem, não sei se já comentei.”

“E eu lá vou me lembrar do seu tio?” Milo resmungou, chamando o atendente para pedir mais um rodada de cervejas. Depois voltou sua atenção para mim. “Agora conta direito tudo que rolou entre tu e o Mu nesses treze últimos dias, Aiolia.” Ele demandou.

Aí eu contei, sob a observação atenta dos dois, apenas ocultando o fato que havia sido facilmente imobilizado por Mu na noite anterior. Isso sim era uma vergonha, já que meu bíceps era o dobro do dele...

XxX

Voltei para casa meio bêbado, já bem tarde, e grunhi ao pensar que precisaria dar aula de Cálculo logo cedo na manhã seguinte, ainda mais com Mu e Saga assistindo. Isso fez meu humor despencar enquanto eu subia as escadas. Quando cheguei ao corredor do segundo andar, ouvi uma música baixa vindo do quarto de Mu e vi que havia luz saindo por de baixo da porta.

Como estava bêbado, não pensei duas vezes antes de ir até lá, abrir a porta e entrar sem sequer bater. Encontrei Mu deitado na cama, lendo um livro bastante grosso, ao passo que uma música do Beatles enchia o quarto.

I can't believe,

It's happened to me

I can't conceive of anymore misery

Ask me why, I'll say I love you

And I'm always thinking of you

Mu praticamente deu um pulo pela minha invasão. Eu prendi a respiração ao ver que ele usava uma bermuda de pijama que havia escorregado e deixava suas coxas inteiras à mostra. Ele largou o livro e se levantou rapidamente, seus longos cabelos lilases escorrendo por seus ombros magros. Por que eu entrei no quarto dele mesmo?

“Oi... algum problema, Aiolia?” fiquei surpreso ao perceber que senti falta do uso do apelido.

“Sim,” Falei, me aproximando e vendo como ele ficava tenso a cada passo que eu dava em sua direção. “porque já faz treze dias que eu estou tendo pensamentos eróticos por causa de outro cara; treze dias que eu não sei mais direito o que eu quero; treze dias que sinto vontade de beijar a tua boca até que você implore por mais...”

Deus todo Poderoso, alguém me lembre de não beber novamente! Eu obviamente não estava pensando com clareza, mas isso parecia ter se tornado artigo de luxo desde que Mu se mudou para essa casa. Mu começou a recuar pela tangente para impor maior distância entre nós dois, até que suas costas bateram na parte baixa da janela que era projetada para frente, com um espaço para sentar em frente ao vidro. Eu parei bem perto dele, olhando diretamente em seus olhos.

Seu rosto estava completamente vermelho. Tentador.

“Aiolia, nós... nós não podemos. Eu... eu não entendo você. Você e a Marin...”

A voz dele começou a falhar quando acabei com a distância e segurei seus cabelos. E falhou completamente quando aproximei os lábios de seu ouvido.

“O que foi aquele beijo com o Saga? Isso é tudo que eu quero saber.” Perguntei baixo, sentindo-o estremecer inteiro contra meu corpo. “Queria esfregar na minha cara que não é a fim de mim?”

“Não!” Ele balançou a cabeça, tentando se soltar, mas eu o abracei pela cintura, impedindo. “Aiolia...” Ele falou quase implorando quando comecei a deslizar a boca por seu pescoço, aspirando seu cheiro de lavanda como um viciado. Eu estava fazendo exatamente o oposto do que Milo havia aconselhado. Eu sou mesmo um filho da puta.

“Nós dois somos solteiros e desimpedidos. Você pode ter tido algo com o Saga ontem, mas duvido que estejam namorando.” Eu o coloquei sentado no vão da janela e afastei suas pernas, me inclinando para frente e vendo que ele não parecia com forças para me afastar. O que era bom, não queria acabar com outro corte na boca.

Acariciei sua coxa desnuda do joelho até bem perto da virilha, enquanto mordia o lóbulo da orelha dele, adorando como sua pele era quente, boa de apertar.

Isso o derreteu por completo.

Eu não era galinha por nada, não é verdade? Sabia como seduzir alguém quando estava determinado. O suspiro entrecortado que ele soltou quando lambi sua pele e subi mais a mão, apertando seu glúteo firme, me deu a certeza que aconteceria. Que eu sairia da seca, que iria poder saborear aquele corpo que estava me deixando louco.

Só que quando movi o rosto para tomar-lhe os lábios, Mu se livrou de mim e correu para longe com uma agilidade e rapidez que me deixaram completamente perdido. Saí do quarto ao escutar os sons dele descendo as escadas. Corri escada abaixo, quase tropeçando nos degraus por estar escuro, e me surpreendi ao encontrá-lo na cozinha, segurando o peito e prestes a ter um ataque de asma.

Dito e feito, ele começou a ter uma. Eu me aproximei e tentei segurá-lo, mas ele estava mais agitado do que nunca. Mais do que quando viu o quarto de hóspedes todo empoeirado.

“Cadê sua bombinha?” Perguntei. Ele balançou a cabeça, sem conseguir responder. “Calma, Mu, inspira, expira, assim, calma, eu não vou te agarrar de novo, prometo. Me desculpa, me desculpa.”

Eu fiquei assim até que aos poucos ele conseguisse, felizmente, se recuperar. Eu toquei seus cabelos, mas ele se afastou, como se levasse um choque.

“Não posso fazer isso com você!” Ele disse, alterado, apoiando-se no balcão da pia.

“Por causa do Saga?” Perguntei, amargo, relembrando a cena do beijo cinematográfico entre os dois. Era óbvio que Saga havia feito aquilo na minha frente para me provocar.

“Por causa do Saga, por causa da Marin, por causa dessa aposta, por causa de mim mesmo! Você não pode ser assim tão canalha, Aiolia. Eu conheci você nesses treze dias, vi que você não é assim!” Ele exclamou, olhando-me com os olhos verdes brilhando intensamente. De novo me veio à mente o pensamento de como ele era lindo, e me xinguei por isso, irritando-me.

“É você que faz isso comigo! A culpa é sua!” Acusei em resposta. “Você parece que veio para bagunçar toda a minha vida!”

Ele balançou a cabeça.

“Acho melhor eu me mudar...” Disse vagamente, abaixando o olhar. Eu o segurei, nervoso com a ideia. Não queria ele longe de mim, sentia que isso acabaria por nos afastar de vez, terminando com todas as minhas chances de tê-lo para mim.

Esse pensamento me assustou. Eu parecia um daqueles obcecados insanos.

“Mu... eu disse que não vou mais te atacar... Eu bebi demais hoje. Me desculpa pela minha atitude. Você tem razão, eu não sou canalha dessa maneira, obrigado por me lembrar disso. Então... não precisa ir embora.” Falei envergonhado. Eu estava mesmo envergonhado. Mas que merda! Eu havia mesmo invadido o quarto dele e o agarrado daquele jeito, propondo sexo fácil?

Onde eu posso bater a minha cabeça agora? Talvez no balcão da pia seja uma boa. Senti o toque da mão macia dele em meu ombro.

“Tudo bem, Aiolia. Vamos esquecer isso, ok? Mas mesmo assim, a ideia era que eu ficasse aqui até encontrar um bom lugar para alugar. Eu já comecei a dar uma olhada em apartamentos para morar hoje.”

Senti uma frustração enorme ao ouvir isso. Eu não queria deixá-lo partir, mas o que eu iria fazer? Estava num beco sem saída, minha vida parecia uma bagunça pior do que uma cidade depois de um tornado. Eu tinha duas opções, mas eu tinha medo das duas. Eu poderia largar a Marin e tentar ficar com o Mu, mas e se depois eu percebesse que era apenas a abstinência me confundindo? Eu magoaria Mu e provavelmente não receberia perdão de Milo, que parecia gostar e se preocupar muito dele. Ou então eu poderia ficar com a Marin, algo que eu quis por quase um ano, mas e se aí eu percebesse que não era mais o que eu queria? Seria terrivelmente sacana da minha parte transar com ela e depois chutá-la; não queria perder sua amizade.

“Desculpe.” Pedi de novo, me sentindo extraordinariamente estúpido. “Boa noite.”

Dei-lhe as costas e saí da cozinha o mais rápido possível. Encontrei Átila dormindo no meu quarto, mas ele acordou com o barulho do chuveiro. Quando deitei na cama, dei duas batidas no colchão.

“Vem cá, amigão.”

Ele pulou para a cama, ocupando boa parte dela perto das minhas pernas, mas não me importei. Dei alguns tapinhas em sua cabeça e me acomodei para dormir depois de receber algumas lambidas na mão.

O álcool me ajudou a repousar profundamente, sem sonhar com nada.


Notas finais
Música: ASK ME WHY, Beatles.
Aiolia é tão descontrolado, né gente? hahahaha!
E tivemos uma insinuação de Camus e Milo, para aqueles que reclamaram deles serem assim tão héteros. xD
Obrigada a todos que comentam! Não canso de agradecer, vocês são lindos! Beijinhos. :*