Let It Be
9 Capítulo 9
Notas iniciais
Todo meu amor para Bia Yuuji, Orion, Heyfuckfuckfuck e Mell Ichihara! Amei as recomendações, fiquei muito emocionada! Obrigada. :D
Certo. Aiolia invadiu meu quarto e quase me estuprou. ‘Tá, eu sei que não foi bem assim, porque se eu não tivesse tirado um pingo de razão de algum ponto distante da minha mente, eu teria aproveitado cada segundo de suas mãos fortes me tocando, de seus lábios ansiosos percorrendo meu pescoço... Afinal, não é só ele que está na seca há várias semanas. Na verdade, eu já perdi a conta dos dias em que estou sem me relacionar com ninguém.
Minha primeira vez aconteceu quando eu tinha dezesseis anos. Foi uma experiência estranha porque basicamente tudo saiu errado. E não, eu não vou entrar em detalhes nem que apontem uma arma para minha cabeça. Eu morro de embaraço de falar sobre esse tipo de coisa, o que em geral faz com que meus amigos me chamem de bichinha envergonhada. Sim, com amigos assim, inimigos para que, não é mesmo?
‘Tá, mas voltando. Eu estava falando que devo estar há mais de sete meses sem ir para cama com outro cara, e não é só a carne do Aiolia que é fraca. Eu ainda sou um adolescente com os hormônios em fúria, mesmo que eu tenha dito para os meus tios que já era um adulto responsável quando decidi que me mudaria para começar a faculdade em outro país. Eu tenho cidadania grega porque minha mãe é daqui, mas fez uma viagem para o Tibet, conheceu meu pai e... bem, você já deve imaginar. Infelizmente ambos morreram em um acidente quando eu era bem novo e acabei sendo criado num dos templos.
Eu dormi mal na noite após o ‘ataque’ do Aiolia. Sendo sincero, eu sequer fechei os olhos direito, passei a noite em claro me sentindo inquieto, com o corpo formigando enquanto revirava de um lado para o outro e me perguntava por que eu havia fugido do Aiolia... Suspirei. É claro que eu sabia o porquê. Eu tinha medo de me envolver e me machucar. Conseguia ver que o Aiolia estava confuso, que provavelmente só queria ficar comigo por causa da sua abstinência. Ele gostava da Marin. Eu não queria atrapalhar isso, não queria ser o ‘outro’ que estragaria o relacionamento nascente dos dois.
Como eu havia dito, o melhor era que eu me mudasse e esquecesse toda essa história. Em breve ele e a Marin se resolveriam, e eu... e eu seria apenas mais um entre tantos alunos nas aulas dele. Meu coração se apertou um pouco com a ideia. Eu ao menos gostaria de continuar sendo amigo dele, mesmo que fosse difícil olhar para seu sorriso de dentes perfeitos, ou estar sob a mira de seu olhar verde intenso e não sentir as pernas bambas. Pelo que a Marin havia me dito, ele era mesmo um galinha, mas também, quem não iria querer se jogar nos braços musculosos dele e se deixar levar?
Aparentemente: eu, o fugitivo asmático. Mas eu não queria mais pensar sobre isso. Assim que o céu clareou, eu quis ir tomar um banho, para tirar do rosto a evidência de que havia passado a noite em claro me revirando feito cachorro com sarna, mas fiquei receoso com a possibilidade de entrar no quarto dele e dar de cara com ele logo cedo. Seria muito constrangedor e eu ficaria corado, denunciando que o beijo ardente da noite anterior ainda está em meus pensamentos.
Só que eu não aguentava mais ficar naquele quarto, então desci e fui até a cozinha para beber um copo de água. Não sentia fome alguma. Comer era a última coisa na minha lista. Agora, me jogar na frente de um carro para parar de pensar no que não devia já estava no top 3 das tarefas do dia. E eu não sou dramático! Um pouco, apenas, talvez...
Eu estava bebendo água quando Átila entrou na cozinha e, ao me ver, veio se rebolando todo na minha direção, com aquela expressão fofa de quem quer carinho aqui e agora e fará de tudo para conseguir. Eu larguei o copo e me abaixei, rindo ao receber umas lambidas empolgadas no rosto enquanto acariciava a cabeçorra desse cachorro que deve pesar mais de cinquenta quilos. Eu não fico esmagado em baixo dele por nada.
Só fui perceber minutos depois que Aiolia estava parado na entrada da cozinha, apoiado na batente assistindo à minha interação com Átila. Ele me olhava daquela maneira que me deixava com o rosto quente e com vontade de correr antes que fosse puxado por seu magnetismo. Sem falar que eu estava um trapo, nem havia lavado o rosto e meus cabelos pareciam piores do que o da medusa. Eu me levantei rapidamente, sentindo meu coração estúpido acelerar.
“Bom dia.” Falei, tentando soar normal, mas minha voz saiu meio estrangulada. Nossas cordas vocais são outras que não colaboram quando mais precisamos delas. “Vai sair para correr?”
“Vou sim. Você quer vir também?” Ele perguntou, entrando na cozinha e indo até a geladeira. Eu o olhei com certa curiosidade, e até mesmo leve indignação. Ele estava agindo completamente normal! Quem olhasse, juraria que na noite passada não havia entrado no meu quarto e dito que queria me beijar até que eu implorasse por mais... A lembrança me arrepiou inteiro, e me repreendi internamente por isso. Hormônios infames.
“Erm... não, eu... eu tenho que... rever alguns tópicos para um teste que tenho hoje.” Menti o melhor que pude. ‘Tá que eu poderia simplesmente dizer que não queria ir e ponto final, mas eu não queria que ele percebesse o quanto eu estava nervoso, quando ele parecia o mais tranquilo dos seres. “Boa corrida!” Exclamei e saí rapidamente dali, voltando para meu quarto.
Assim que tive certeza de que Aiolia havia saído, fui tomar um banho. O problema é que... se lembra quando eu disse que meia hora no banho era um recorde para mim? Pois então, considerando que eu estava um trapo e precisando do rejuvenescedor poder da água quente sobre a minha pele, eu acabei demorando demais. O tempo para que Aiolia corresse e voltasse – já que ele sempre corria em torno de 45 minutos.
E imaginem meu susto quando, abrindo o box e colocando o pé para fora, Aiolia abre a porta e entra todo suado, com os cabelos cobre grudados em seu pescoço e nuca, a pele morena brilhando avermelhada pelo esforço. Os olhos dele se cravaram em mim e eu senti que poderia morrer naquele momento. Puxei uma toalha e me cobri tão rápido que meu mestre se orgulharia de meus reflexos. Aiolia pareceu ficar ainda mais vermelho. E se ele estava corado, imaginem meu estado. Eu e um pote de molho de tomate poderíamos ser chamados de irmãos naquele momento.
“Eu... me desculpe, eu pensei-“ Aiolia começou, completamente seu jeito, mas dessa vez reparei que, a despeito de suas desculpas, seus olhos estavam percorrendo sem qualquer pudor todo meu corpo parcialmente protegido pela toalha.
Isso me tirou do sério. Eu estava tendo um árduo trabalho aqui tentando me controlar, e ele ficava me secando desse jeito? Eu tenho plena noção de que sou completamente aéreo e distraído. Eu raramente percebo quando algum cara está a fim de mim, ou me flertando, tanto que foi um completo choque quando tanto Aiolia quanto Saga me agarraram no mesmo dia. Então, para que eu estivesse percebendo que ele estava praticamente me devorando com os olhos, era não ter o mínimo de discrição!
“Sai daqui!” Falei nervoso, soando como uma daquelas garotas afetadas quando são pegas no flagra trocando a calcinha. Eu andei até ele e o empurrei para fora do banheiro. “Sai! Sai fora!” Praticamente o chutei para o quarto e bati a porta. Mas que diabos! Como, meu bom Deus, eu havia esquecido de chavear essa porcaria de porta? Me escorei na parede e respirei fundo, já sentindo a necessidade de outro banho. Mas eu já havia exagerado. Eu fazia Engenharia Ambiental e ficava gastando água como se ela caísse do céu! ‘Tá, ela cai, mas você me entendeu.
Ao menos eu havia tido o bom-senso de trazer minhas roupas para o banheiro. Me sequei e vesti rapidamente e agradeci por Aiolia não estar no quarto quando saí. Fui para meu próprio quarto, arrumei o quarto e minha mochila, verifiquei se havia pegado tudo umas vinte vezes, e então liguei para Saga, perguntando se ele poderia me buscar. Tudo isso levou no máximo uns quinze minutos. Por isso, não sei como o Aiolia é tão cheiroso, pois quando eu estava no corredor, prestes a descer as escadas, ele abriu a porta do quarto, usando apenas uma calça jeans escura. Pelo tórax definido, desciam algumas gotas de água que caíam dos fios acobreados molhados. A visão me fez ter uma vertigem e eu tropecei nos meus próprios pés.
Já disse que sou terrivelmente estabanado? Eu teria rolado escada abaixo se ele não houvesse se aproximado rapidamente, colocando meus supracitados reflexos no chinelo com sua agilidade incrível, e me segurado pela cintura. Eu arregalei olhos, segurando firmemente em seus ombros, e já inteiramente arrepiado pelo contato. O rosto dele estava tão próximo que eu conseguia sentir sua respiração quente sobre meus lábios.
“Eu posso te dar uma carona. Se você me der cinco minutos.” Ele disse, e seus olhos desviaram-se para minha boca, de modo que aquela história de borboletas fazendo festa em estômagos alheios fez todo o sentido do mundo.
“Saga vai passar aqui para me pegar.”
A expressão dele mudou completamente, transformando-se em uma careta de desagrado. Ele me puxou para longe das escadas e me largou.
“Ah,” Foi tudo o que pronunciou, antes de voltar para o quarto e fechar a porta às suas costas. Me senti mal com aquilo. Não era como se eu quisesse jogar na cara dele que não estava a fim dele, e sim do Saga, como ele havia sugerido na noite passada. Era o completo aposto!
Mas Saga era meu amigo mais próximo ali, junto com Milo e Shiryu (só que o Shiryu sempre se atrasava para as aulas de Cálculo porque, fui descobrir depois, ajudava a mãe até tarde na loja e depois ficava até altas horas estudando feito um condenado). E simplesmente estar na companhia de um amigo já me faria melhor. Saga podia ter um jeitão irônico e fechado, mas eu sabia que me ajudaria sempre que eu precisasse.
Pouco depois ele passou na frente da casa de Aiolia e fomos juntos para a Link. Ele me olhou de esguelha na metade do percurso, percebendo minha inquietação e as olheiras que revelavam uma noite mal-dormida. Eu deveria ter passado algo para esconder essa prova.
“O que aconteceu com você?” Ele perguntou em um tom que não admitia nenhuma espécie de resposta evasiva. “O Aiolia inventou de abusar de ti de novo?”
Arregalei os olhos, perguntando-me se era tão óbvio assim. Não que ele tivesse abusado verdadeiramente... mas a palavra não era de todo errada. Saga abriu uma carranca mau-humorada frente ao meu silêncio, apertando o volante com mais força.
“Mas é muita cara de pau da parte dele. Só porque está a mais de 80 dias sem sexo, acha que pode sair agarrando quem bem entende sem pensar nos teus sentimentos.” Saga reclamou, quase soando como um irmão mais velho super protetor. Resolvi ignorar que ele havia me agarrado quando eu estava bêbado demais para me defender.
Aí depois quase me engasguei ao escutar a parte sobre Aiolia estar 80 dias sem sexo. Eu havia contado isso também para ele? Droga. Eu preciso mesmo não beber nunca mais.
“Ele saiu e voltou bêbado. Não foi nada de mais. Não aconteceu nada.” Eu balancei a cabeça, querendo me convencer disso. Saga não disse nada. Isso era algo que eu gostava nele. Não ficava insistindo no assunto, ou tentando arrancar algo dos outros quando percebia que a pessoa não estava a fim de conversa. “Você quer sair hoje de tarde comigo para me ajudar a procurar um apartamento para alugar?” Perguntei.
“Tudo bem.” Ele falou, distraído.
Chegamos a Link e fomos para a ampla sala de Cálculo I, onde alunos de várias engenharias diferentes se reuniam para ter aula. Arrastei Saga para que sentássemos bem ao fundo, disfarçados no mar de alunos que enchiam os longos degraus da sala. Eu prendi a respiração quando Aiolia entrou e, com sua presença marcante, fizesse com que a conversa morresse rapidamente.
Ele começou a explicar uma parte mais complicada sobre derivação, envolvendo exercícios e problemas práticos, mas eu mal consegui escutar o que ele dizia. Apoiei meus cotovelos no balcão e fiquei boa parte da aula admirando cada detalhe dele. Seus lábios se movendo, a manga da camisa descendo quando ele erguia o braço para escrever no quadro e seu bíceps forte aparecia arrancando inúmeros suspiros das garotas da sala, seu sorriso no canto dos lábios quando algum aluno fazia uma observação sobre a matéria que o agradava. Fiquei tão vidrado que, em certo ponto, meu olhar o atraiu e ele me olhou.
Imediatamente meu cotovelo escorregou do balcão e bati no meu estojo, fazendo-o cair no chão, espalhar um monte de canetas e atrair a atenção da sala inteira por causa do barulho espalhafatoso. Meu querido e velho celular, que eu tinha há uns cinco anos, estava ali dentro, e se espatifou todo. Recolhi tudo meio desesperado e olhei tristemente para meu celular.
Aiolia balançou a cabeça e continuou a aula.
“Só consigo imaginar o quanto nada de mais aconteceu noite passada.” Saga sussurrou perto do meu ouvido, naquele seu jeito irônico. Mostrei-lhe a língua e dessa vez tentei prestar atenção no que Aiolia ensinava. Obviamente em vão.
Ao final das aulas, eu e Saga saímos de carro pela cidade caçando apartamentos que cabiam no meu orçamento. Podia ser algo bem pequeno e simples, já que seria apenas para mim. E que de preferência fosse perto da Link, para que eu economizasse no transporte. Resolvi que precisava também arrumar um emprego logo e parar de gastar impensadamente a herança modesta deixada pelos meus pais.
“Você poderia trabalhar com Shiryu na loja da mãe dele. É uma loja de artigos esportivos bem grande, e parece que ele comentou esses dias que estavam precisando de mais alguém para ajudar.” Saga avisou, deixando-me bastante empolgado com a ideia.
XxX
Cheguei na casa de Aiolia podre pelas horas visitando apartamentos, mas valera à pena. Eu havia encontrado o lugar perfeito, ainda que não tão perto da Link quanto eu gostaria. O aluguel era em conta, vinha mobiliado e eu poderia me mudar já na semana que vem, depois do feriado que teríamos na segunda e na terça!
E isso sem contar que Shiryu havia aprovado a ideia de eu trabalhar com ele e disse que eu começaria assim que eu estivesse instalado no meu novo lar. Entrei saltitando em casa, muito mais calmo, com a certeza de que, assim que me mudasse, aquela atração que eu sentia pelo Aiolia se desvaneceria, como também a que ele desenvolvera por mim pela convivência e a falta de sexo. Eu não o ajudaria a magoar sua amiga de tantos anos, e tudo ficaria bem.
Encontrei Aiolia no sofá, vendo qualquer porcaria na televisão enquanto comia uma pizza junto com Átila, que certamente roubara do dono a fatia com a qual se esbanjava no chão da sala. Eu estava tão de bom-humor que me aproximei e sentei ao lado dele sem qualquer constrangimento.
“Oi, Olia!” Falei, com um sorriso.
“Oi... Você chegou tarde.” Ele pareceu pensar em dizer mais alguma coisa, mas se resignou, calando-se. Eu assenti.
“Estava vendo uns apartamentos. E encontrei um perfeito. Vou me mudar semana que vem. Também consegui um emprego.” Falei rápido, tirando o cabelo do meu rosto, e aí decidi prendê-los. Aiolia desviou o olhar da televisão e me encarou com uma expressão estranha.
Parecia querer falar um monte de coisas presas em sua garganta, o que fez meu coração disparar na expectativa do que poderia ser, mas de novo ele se resignou e balançou a cabeça, voltando a atenção para a televisão.
“Que bom.” Falou sem emoção. “Pelo emprego, quero dizer. Eu não me importaria se você precisasse ficar um pouco mais aqui, você sabe.”
“Eu sei.” Disse, com um sorriso pequeno, e toquei sua mão. Ele me olhou e me senti ruborizar de leve. “Obrigado por me deixar ficar.”
Senti um estremecimento quando ele segurou minha mão, prendendo-a entre seus dedos e o polegar. Nós nos encaramos por vários segundos, ambos paralisados no momento. De repente eu queria dizer que gostaria de ficar mais tempo ali com ele, mas seria errado. Eu tinha que sair logo daquela casa.
O telefone tocou, sobressaltando a nós dois. Aiolia resmungou ao largar minha mão e ir atender. Eu me recostei no sofá, respirando profundamente, e Átila veio escorar o focinho no meu colo, com olhos pretos brilhando num pedido mudo de carinho. Como era comum acontecer, me perdi em pensamentos e comecei a cantarolar.
Oh please, say to me
You'll let me be your man
And please, say to me
You'll let me hold your hand.
Now let me hold your hand,
I wanna hold your hand.
Mas parei ao ver que Aiolia ficava transtornado a cada palavra que escutava do outro lado da linha. Me levantei e me aproximei, preocupado, quando a mão que segurava o telefone começou a tremer violentamente.
“Eu... eu estou indo para aí.” Ele falou, desligando com um baque seco.
“Aiolia, está tudo bem?” Toquei seu braço. Ele me olhou pálido, de uma forma que me deu certeza de que algo muito ruim havia acontecido. Ele tremia inteiro e parecia prestes a ter um ataque do coração.
“Eu... eu preciso... minha mãe, ela... está no hospital. Preciso ir vê-la.” Ele andou meio a esmo na sala até encontrar as chaves. Só que aí ele começou a não fazer nenhum sentido. Foi para cozinha, bagunçou ela inteira, depois voltou para a sala, procurando por algo que nem deveria saber o que era enquanto xingava baixinho, e continuaria assim desorientado até que eu o segurasse e pegasse as chaves de sua mão.
“Eu te levo. Onde fica o hospital?” Perguntei firme, e ele me olhou com a expressão alterada em preocupação, nervosismo e estresse, sua respiração acelerada. Parecia prestes a ter um ataque de pânico.
“Eu... é no interior, fica a quatro horas de viagem daqui. Meu Deus, nós nunca vamos chegar a tempo! Ela vai morrer naquele hospital e eu ainda vou estar na estrada! Eu preciso correr! Eu-” Ele tentou tirar a chave das minhas mãos, mas não deixei.
“Ela não vai morrer, e já disse que vou te levar! Você não está em condições de dirigir. Me dê cinco minutos!” Eu corri para o segundo andar, peguei uma mala do armário do meu quarto e taquei tudo que achei que poderia ser necessário para uma viagem para o interior. Depois corri escada abaixo e puxei Aiolia e Átila comigo até o carro.
Já estava escuro, eu estava exausto e não era dos melhores motoristas do mundo, mas sequer consegui pensar nisso. Saímos da cidade e pegamos a estrada que Aiolia indicou com alguma dificuldade pelo seu estado catatônico. Ele escondeu o rosto entre as mãos e pareceu se esforçar para não chorar, ao passo que Átila, sentindo a tensão do dono, choramingava no banco traseiro.
Coloquei a mão sobre seu ombro e o apertei de leve.
“Pode colocar para fora.” Murmurei.
Ele chorou baixinho por boa parte da viagem.
Notas finais
Final meio tenso, mas prometo que sou uma pessoa muito boazinha. :D
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