Lesterville + 1

1 O Milagre (prólogo)


Notas iniciais
Eu estou animadíssima com isso, minha primeira história original saindo da cabeça e indo para um mundo muito maior >< Espero que vocês gostem e que tudo esteja de uma forma compreensível. Esse é um sonho meu!
Comentem para que eu saiba o que estão achando ♥
xoxo

“É um garoto! Um novo dia brilha em Lesterville”.

Jonathan Reinsfield andava em círculos dentro de sua sala, daquelas do tamanho de uma gaiola de coelhos. O médico mais famoso, melhor dito, o único médico da cidade não tinha explicações pros eventos anteriores ao dia de hoje – a obstetrícia exigia essas respostas. Habitante de Lesterville há cerca de 10 anos, o jovem ginecologista e também obstetra chegou à cidade para cobrir o lugar do Dr Maine, morto em um acidente automobilístico. Mas isso não é bem uma questão filosófica. O que Jonathan viu hoje poderia ser considerado um milagre, depois de quatro anos de uma suposta inércia... Como se chovesse, depois de quatro anos de seca.

- Doutor? – Reinsfield sentiu-se acordado de um transe assim que ouviu sua assistente o chamar no batente da porta. – Ela está pronta.

Pronta.

Por anos ele ouviu a mesma sentença, mas hoje era um dia especial. Isso era sempre dito antes de um procedimento de parto, porém o nascimento de hoje era esperado por todos da cidade. Não era um filho de político, nem de nenhuma grandeza desse tipo, era apenas uma mulher que carregava em seu ventre a quebra dos padrões dos últimos quatro anos. Mas afinal, o que há de tão espetacular num nascimento? Simples. Era o único homem nascido nos últimos 1461 dias.

O médico deu passos longos até a sala de cirurgia, adentrou e observou a paciente receber a anestesia. Ela era uma paciente especial, de todas as formas, além de ser uma mulher encantadora. Seu nome era Miraceli Forke. Uma mulher morena, no auge de seus 23 anos, cabelos negros que alcançavam sua cintura, olhos grandes e castanhos e uma boca rosada e pequena. Observando ainda melhor, Mira – como todos a chamavam – tinha um corpo magro e sem curvas, mas que – de forma alguma – diminuíra sua beleza.

O noticiário já reportava o nascimento do bebê de Mira, coitado, nem nascera e já teria um fardo para carregar, uma fama desnecessária que o médico já esperava que ele tivesse, mas que não precisasse. Assim que a mulher entrou em estado de repouso, Jonathan foi categórico e direto ao ponto. Pegou o bisturi e preparou-se para fazer a primeira incisão na moça, porém antes alertou toda a sua equipe que, o que aconteceria ali não deveria ser relatado a terceiros. Seus enfermeiros entreolhavam-se e com um aceno de cabeça, concordaram e colocaram-se em posição. Já era hora das coisas melhorarem.

Foi um parto difícil, Miraceli parecia não ter estrutura alguma para conceber uma criança, o que intrigou o médico. Logo a criança estava em suas mãos e sim, graças a Deus – suspirara o homem, era um menino lindo. Tinha cabelos negros como o da mãe e, após um tapinha, foi possível ouvir o choro do bebê. Se não fosse obra de sua imaginação, poderia acreditar que o povo agora comemorava com fogos de artifício.

- Thompson Forke – dissera Mira ao médico antes do parto. – Quero homenagear meu pai! Eu mal posso conter minha ansiedade para ter meu menino para mim, em meus braços.

- Senhorita Forke, você entende que o pequeno Thompson é o primeiro recém-nascido do sexo masculino nos últimos anos, sim? Acredito que você deverá ter cuidado.

- Não se preocupe doutor, tudo vai melhorar desde o dia do nascimento. Logo não serei a única.

- É o que eu espero...

- Doutor – já era a segunda vez que a mesma enfermeira o tirava de seus devaneios, estava tornando-se quase irritante, porém a urgência na voz da mulher tomara a sala – Doutor, por Deus, o que está havendo?

- Vocês dois – apontara para os dois rapazes a sua frente – drenem este sangue enquanto eu procuro a razão da hemorragia. RÁPIDO, não permitirei que percamos essa paciente, não essa.

O sangue estava praticamente incontrolável. Ele não entendera, talvez tivesse rompido algum vaso durante o corte, mas não, o sangramento não vinha de nenhuma área dali e sim, de perto do coração. Como pudera uma artéria se romper dessa forma? Reinsfield começou a desesperar-se. Aquilo não podia estar acontecendo. Nenhum dos médicos ali parecia rápido o bastante, nada parecia ser útil o bastante. Ela estava morrendo em suas mãos.

Ela estava morta. Não houve muito que fazer. Jonathan pediu que seus assistentes a suturassem enquanto ele fora até a maternidade. Olhou o pequeno Forke e pensara que tudo aquilo era tão injusto. Já não bastava que fosse considerado “o último homem da cidade”, mas agora era também órfão. – Se eu não fosse solteiro – pensava o médico – eu o adotaria.

Assim que saiu da clínica, teve a intenção de ir até a casa da família Forke para prestar suas condolências, mas viu-se cercado de jornalistas com milhares de perguntas. Ele não conseguia responder sequer uma delas, ele estava muito exausto para considerar quaisquer sentenças que envolvesse Miraceli e seu pequeno milagre. Acabou desistindo da visita e seguiu a caminho de sua casa. Ele não conseguia parar de pensar no menino e tentou imaginar a vida que o pequeno levaria. Ele torcia para que Mira estivesse certa... Que ela não fosse a única.

Chegou em sua residência, afrouxou a gravata e serviu-se uma dose pura de whisky, bebendo-a sem o mínimo de cerimônia. O gosto quente desceu praticamente rasgando dentro de sua garganta e isso, de alguma forma, aliviou um pouco do desconforto que sentia. Serviu-se mais uma dose e caminhou até seu quarto e lá, apoiou seu copo sobre uma estante que continha objetos pessoais e tirou de vez o paletó que vestia. Olhou ao redor, nada se mexera do lugar.

Jonathan, infelizmente, era um homem solitário. Graças ao seu trabalho no hospital e seus plantões inacabáveis, não tinha tempo para sair e conhecer pessoas. Conhecia apenas as pessoas que vinham até seu trabalho, mas ele considerava estranho sentir atração por mulheres as quais ele já vira as partes intimas... Como se aquilo o fizesse parecer promíscuo. Abstraiu o pensamento e tomou um banho gelado. Nunca pensou que ficaria tão afetado com uma circunstância como a que passou nessa manhã.

Enquanto vestia-se, lembrava-se de tudo que havera estudado em seus dias de graduando em medicina, das montanhas de livros que lera, da promessa que fizera no ato da formatura, tudo o que fizera parte do homem que hoje era. Olhou-se no espelho e parou para observar suas feições. Ele era um homem novo e tinha seu charme. Tinha cabelos loiros e olhos esverdeados, uma barba rala e boca fina. Era de todo branco, tinha curvas bem marcadas, tanto em seu rosto quanto em seu corpo. Era atlético mas não exercitava-se, a não ser nos dias que tinha que correr até o hospital para alguma emergência, de resto era um homem que se considerava preguiçoso.

Assim que se lembrou de ter trago um pouco de trabalho para casa, resolveu ir até seu escritório para terminar logo. Não costumava ter muitas horas de sono, focava em estudos e tentava estar sempre de olho em novas doenças e formas de cura-las. Um autodidata, dissera ele uma vez à uma paciente. Dentre as pastas que trouxera, havia a pasta de Miraceli e resolveu que dali iniciaria seu trabalho. Sua intenção era verificar se em algum dos exames que fizera, constatou – de alguma forma – alguma alteração sanguínea, alguma anomalia que pudesse explicar sua morte. Folheou todos os papéis, olhando detalhadamente os índices nos exames de sangue, talvez alguma doença – pensara ele-, mas nada era claro.

Ele já se sentia fadigado, estava prestes a abandonar seu trabalho para ir deitar-se quando observou um dos exames com uma cautela diferente. Uma contagem diferente, algo que ele não esperava, algo que fez aquela noite tornar-se ainda mais longa.

Miraceli era estéril.

Miraceli engravidou sendo estéril.

Notas finais
AHHHHHHHHHHHHHHHHHHH acabou
me contemmmmm
o que acharam? Isso vai pra frente?
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.